20 de Fevereiro
O Sol e a Lua
“O homem santo, diz a Escritura, permanece na sabedoria como o Sol, mas o insensato muda como a lua”.
O pecador insensato se distingue pela inconstância e impaciência em todos os seus atos. Ora crê, ora descrê. Hoje ri, ditoso na prosperidade, regozija-se com seus amigos, goza a felicidade até a embriaguez, até a loucura. Amanhã vem o golpe da adversidade. Uma desgraça, uma doença, uma calamidade qualquer.
Chora até o desespero, revolta-se contra o Senhor, grita e se exaspera. Ora é humilde, ora soberbo até a insensatez. Enfim, o pecador muda conforme a sua situação de adversidade ou de prosperidade. E, do mesmo modo que a nossa vida muda, como a lua, do gozo para a dor, da alegria para o luto, o pecador insensato muda da felicidade para o desespero.
Já não é assim o justo. Calmo, sereno, permanece sempre igual, como o Sol, escondido entre nuvens ou a brilhar no zênite. Na fraqueza da sua natureza humana, sente, é verdade, mas se conserva sereno, resignado, humilde. A prosperidade não o ensoberbece, a adversidade não o abate. Se o exterior é, às vezes, sombrio e triste, como um dia sem sol, o interior está calmo e sempre iluminado pelo Sol Divino, porque, atrás das nuvens espessas de tantas amarguras, o sol de seu coração se conserva sempre brilhante e esplendoroso.
Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ
20 de fevereiro de 2022
O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA
19 de fevereiro de 2022
O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA
19 de Fevereiro
O Monge Santo
Não há necessidade para a perfeição, de austeridades espantosas nem de obras maravilhosas. É muito simples a virtude e nada tem de complicado. Um ato de conformidade, um sim perene ou renovado a cada instante ao que Deus quiser. Nada perturba a alma verdadeiramente abandonada à vontade de Deus. Tem o paraíso da terra!
Cesário conta de um monge simples, de uma vida nada mais austera do que a de qualquer de seus irmãos, e que não obstante, operava milagres estupendos.
O abade não sabia explicar o fato, que causava admiração a todo o Mosteiro. O religioso, na sua vida monástica em nada se distinguia dos seus irmãos.
“Que devoções práticas, perguntou-lhe o abade, para que o Senhor te dê a graça de operar tantos prodígios?”
O pobre monge respondeu:
“Sou o mais imperfeito de meus irmãos e só procuro fazer uma coisa: conformar-me em tudo com a Vontade de Deus”.
E tornou a perguntar o abade:
“Quando puseram fogo em nossas plantações e nos prejudicaram as terras, não te causaram tristeza a nossa penúria e tantas outras desgraças que nos sucederam?”
– “Oh! Não, meu Pai, replicou o monge, eu louvei a Deus e até fiquei contente. Deus tudo permitiu para nosso bem. Louvado seja Deus!”
O abade compreendeu logo que a santidade daquele monge estava no seu heroísmo em aceitar os males e golpes adversos e na sua conformidade, em tudo, com a Vontade de Deus!
Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ
18 de fevereiro de 2022
O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA
18 de Fevereiro
O Verme e o Serafim
Se a perfeição está em fazer a vontade de Deus, pouco importa, neste mundo ou no outro, o lugar que a Providência nos reservou.
Os Santos, no Céu, amam a Deus com amor perfeito. E em que consiste esse amor? Na conformidade com a Vontade Divina. Nosso Senhor nos ensinou a pedir o cumprimento da Sua Santíssima Vontade na terra como no Céu. Não o dizemos todos os dias no “Pai Nosso”? Aceitemos, neste mundo, o que Deus quiser, o último ou o primeiro lugar.
Quando se cumpre a Vontade de Deus, não há lugar, nem ofício, nem condição desprezíveis neste mundo. Na cozinha dum Mosteiro como na direção geral da Ordem, pode uma alma santificar-se e enriquecer-se de méritos para o Céu. Basta para isso a sua conformidade com a Vontade de Deus. Só disso depende a nossa perfeição.
Disse Santa Teresa:
“O que nesta prática for bem fiel receberá do Céu maiores dons e fará mais progresso na vida interior”.
Tinha razão o Bem-aventurado Henrique Suzo, quando, ao meditar essas verdades, dizia:
“Prefiro ser neste mundo o verme mais miserável da terra, pela Vontade de Deus, do que um serafim no Céu, pela minha própria vontade!”
Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ
17 de fevereiro de 2022
Live Grupo São Pio V (Blog e Associação)!
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O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA
17 de Fevereiro
Bendito seja Deus!
Santa Teresa se oferecia a Deus cinquenta vezes por dia, para que o Senhor dispusesse dela como quisesse, e se propunha a abraçar o que Nosso Senhor lhe enviasse, fosse a prosperidade ou a adversidade.
Eis o que é importante na vida de perfeição. Só isso basta para santificar em pouco tempo uma alma. Na prosperidade, todo o mundo está disposto a conformar-se com a Vontade Divina. Na adversidade, bem poucos. Demos graças a Deus quando a sua misericórdia nos cumula de favores e bens temporais. É muito bela a gratidão e atrai novas bênçãos do Céu!
Mas… Não nos esqueçamos de que a adversidade é também uma graça, e das maiores. Se dissermos, na prosperidade, “Bendito seja Deus”, por que não o fazermos também nas adversidades? Imitemos o Santo Profeta Jó e seremos agradáveis ao Senhor.
“Um só Bendito seja Deus, nas contrariedades, dizia o Pe. João D’Ávila, vale mais do que mil orações de graças quando estamos na prosperidade e tudo nos corre bem.”
Nas alegrias e consolações? Bendito seja Deus!
Na doença ou na saúde? Bendito seja Deus!
Nas trevas ou na luz? Bendito seja Deus!
Como é agradável a Nosso Senhor uma criatura assim resignada, humilde, paciente!
É uma pérola do Coração de Jesus!
Mᴏɴs. Asᴄᴀɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀᴏ
16 de fevereiro de 2022
O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA
16 de Fevereiro
Quem Deve Mais?
Vivemos contando, medindo cuidadosamente os sofrimentos que nos afligem. De nada nos esquecemos. Costumamos até exagerar as nossas dores. Trazemos pesado e medido o sofrimento, e diante de Deus, nas orações, queremos ser atendidos e não admitimos delongas. São de São João Crisóstomo estas palavras:
“Sois muito exatos em contar os sofrimentos. E o sois, porventura, em contar os pecados que os provocam? Pensais, tão só, nos pecados que cometeis durante um dia, sem contar os inumeráveis pecados de toda a vida, que não quereis conhecer. E vereis quanta injustiça, quanta ofensa a Deus vos hão de chegar à memória!”
E temos coragem de medir, pesar as ofensas, os crimes que cometemos?
“Si iniquitates observaveris, Domine, Domine, quis sustinebit?” – Se Vós, Senhor, medirdes as nossas iniquidades, que será de nós?”
Examinemos cuidadosamente nossas consciências. Um olhar sobre a vida passada, sobre a multidão de nossos pecados. E depois calculemos o que havemos sofrido neste mundo. Não temos mais pecados do que sofrimentos? E se um só pecado mortal merece um castigo eterno, que merecemos com tanto pecado?
Quem deve mais?
Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ
15 de fevereiro de 2022
O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA
15 de Fevereiro
Escolhe uma Cruz
Há duas cruzes ao lado de Nosso Senhor, no Calvário: a do bom e a do mau ladrão. Sem cruz não se vive na terra. O sofrimento é condição de nossa vida. Uma das cruzes nos há de pertencer. A do Bom Ladrão é a cruz do penitente. Dimas viu-se miserável, e pobre, carregado de crimes, pregado no madeiro infame. Contemplou ao seu lado a Misericórdia, resignou-se ao sofrimento e pediu a Nosso Senhor:
“Senhor, lembrai-Vos de mim em Vosso Reino.”
E ouviu a doce voz da Misericórdia:
“Hoje estarás comigo no Paraíso”.
Valeu-lhe o Céu um ato de conformidade à vontade de Deus, um olhar de confiança em Jesus Crucificado.
O mau ladrão amaldiçoa o seu destino, blasfema, renega a sua cruz e se une aos que insultam a cruz de Jesus Cristo. Morre condenado.
Ambos na cruz, um se salva e outro se perde. Se não é possível evitar a cruz, roubamos também o Céu, como o Bom Ladrão, pela resignação à vontade de Deus, pela meditação da cruz de Nosso Divino Redentor. É o caminho mais curto do Céu. Vede o que disse Nosso Senhor a Dimas:
“Hoje estarás Comigo no Paraíso”.
Hoje!
Como Nosso Senhor tem pressa em dar o Paraíso às almas conformadas com a Sua Vontade Santíssima!
Lá está o Calvário, com as duas cruzes ao lado de Nosso Divino Redentor.
Escolhe a tua cruz!
Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ
14 de fevereiro de 2022
O BREVIÁRIO DA CONFIANÇA
14 de Fevereiro
O Bom Sofrimento
Já conheceis a expressão de São Francisco de Sales. A adversidade é mãe e a prosperidade madrasta da virtude. Quereis a prova? Manassés, no trono real, cercado de glória e de honras, era um sacrílego; na prisão, humilhado, sofrendo, torna-se um santo. Que foi David na prosperidade? Um homicida, um adúltero. Ferido pela morte de Absalão, chora, arrependido, quando a adversidade o visita. Reconhece o seu crime e canta o seu “Miserere” e o seu “Bonum mihi quia humiliasti me!“:
“Foi bom para a minha alma, Senhor, que me tivesses humilhado!”
O filho pródigo vivia, na casa de seu pai, na riqueza e na prosperidade. Nada lhe faltava. Esbanjava todo seu dinheiro nas orgias e no pecado. Sai da casa paterna. Gasta a herança recebida. Vem-lhe a miséria, a fome e, na adversidade, encontrando-se na triste condição de guardador de porcos, lembra-se do pai e se levanta: Surgam et ibo ad patrem – Levantar-me-ei desta miséria e irei a meu pai! É esta a história de muitas conversões. François Coppé esquecera-se de Deus e viveu longos anos no ceticismo. Feriu-o a doença, a adversidade o atirou nos hospitais, onde sofreu muito. Converteu-se e, escrevendo a história da sua volta para Deus, deu graças à Divina Providência, e ao seu martírio chamou La bonne souffrance – “O bom sofrimento”.
Acolhamos o sofrimento. Ele não é mau. Vem do Céu. É o bom sofrimento!
Mᴏɴs. Asᴄᴀ̂ɴɪᴏ Bʀᴀɴᴅᴀ̃ᴏ