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16 de maio de 2011

A VIDA DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO (1696-1787) COMO BISPO DE SANTA ÁGUEDA

“Depois de despedir-se do Papa e de fazer uma última visita de despedida a seu convento de Pagani, entrou em Santa Águeda, em meio das maiores mostras de deferência dos nobres e das autoridades da cidade e das aclamações do povo. Quase em triunfo foi levado à Catedral, onde, depois de longa oração diante de Jesus Sacramentado, dirigiu aos fiéis sua primeira exortação pastoral, aos que disse que não havia ido ali para levar uma vida cômoda e regalada, mas sim para trabalhar pela saúde de suas ovelhas, que podiam ir buscá-lo em todas as suas necessidades e aflições, embora ele procuraria ser quem as buscaria, como o Bom Pastor, para levá-las ao resguardo da verdade e da vida. Imediatamente anunciou ao seu rebanho que no domingo seguinte começaria a dar uma missão geral na Catedral e um retiro para o Clero, e, dirigindo-se a este, pediu com palavras cortadas pelos soluços, que o ajudasse a levar a pesada carga de suas funções episcopais.

Instalado em seu palácio, rejeitou os quartos que nele haviam sido preparados, escolhendo o aposento mais reduzido e incômodo, onde fez pôr como leito o enxergão de palha que se usava em sua Congregação.

Sua vida em Santa Águeda, segundo o seu biográfo, Pe.Tannoia, achava-se distribuída do seguinte modo:

Assim que se levantava, disciplinava-se rudemente e por longo espaço de tempo; fazia depois, como todos os seus familiares, meia hora de oração, e recitava as horas canônicas; em seguida celebrava o santo sacrifício da Missa e ouvia depois a que rezava seu secretário ou outro cônego da Catedral.

Cumpridos esses piedosos deveres, dava audiência a quantas pessoas quisessem falar-lhe, sem distinção de ricos ou de pobres, pois tinha dado a ordem a seus domésticos de levar à sua presença todas as pessoas que chegassem, segundo fossem se apresentando, por rigoroso controle de chegada. Só existia nesse ponto um privilégio para os sacerdotes empregados no santo ministério, que podiam chegar até ele a qualquer hora sem anunciar-se.

As horas que lhe sobravam livres, até a de comer, dedicava-as a compor seus livros, mas por muito ocupado que estivesse nesse trabalho, deixava a pluma no momento em que qualquer um de seus diocesanos quisesse vê-lo, sem limitar os minutos dos que iam tratar com ele coisas concernentes ao serviço de Deus ou ao bem das almas, e quando algum de seus párocos dizia-lhe, ao abordá-lo: “Monsenhor, não vou dizer-vos mais do que uma palavra”, ele respondia: - Não uma, mas mil.

Por outro lado, aos visitantes que não lhe falavam mais do que futilidades, despedia-os sem nenhum respeito humano, dizendo-lhes: “Basta, não percamos nosso tempo”, ou então: “Encomendai-me a Jesus e a Maria”.

Um mesmo cômodo servia ao santo prelado de oratório, de sala de audiências e de escritório, e nele não havia outra mobília que uma mesa pequena, sobre a qual descansavam uma imagem de Cristo Crucificado e outra de Nossa Senhora do Bom Conselho, a qual nosso bem-aventurado professava grande veneração, sendo uma das devoções mais gratas para ele recitar uma Ave Maria a cada quinze minutos.

Comia frugalmente, e dividia os pratos que se serviam à sua mesa com seus comensais, não comendo ele senão de um. Depois de uma curta recreação e de alguns momentos de repouso requeridos pelo clima, dedicava Santo Afonso uma hora à oração mental, rezava vésperas e completas, e retomava seu trabalho.

Às cinco e meia da tarde ia à Catedral, para fazer a visita ao Santíssimo Sacramento, a qual convidava o povo ao som de sinos. Esse santo exercício durava meia hora, e durante esse período dirigia a palavra aos fiéis para excitar em seus corações fervorosos afetos, e também lhes ensinava cânticos destinados a fazer esquecer as canções profanas e perigosas.

À saída desses exercícios realizava visitas aos doentes, e muito especialmente aos eclesiásticos, e quando regressava a seu palácio escutava ainda aos que queriam falar-lhe, distribuía esmolas aos pobres, rezava as matinas do dia seguinte e fazia, com o irmão leigo, outra meia hora de oração, voltando a trabalhar em seus livros até a hora de jantar, que variava segundo as estações.

Fazia-se em comum a oração da noite, seguida da reza do Rosário, obrigatória para todos os que se encontrassem naquela hora no palácio, fossem clérigos ou seculares e ainda Bispos e Arcebispos, e quando todos se retiravam para descansar, Santo Afonso voltava a trabalhar em suas obras, escrevendo às vezes até às doze da noite.

Nos dias de festa, depois das vésperas, explicava o Catecismo às crianças, assistia, sem exceção alguma, aos ofícios da Catedral, e oficiava como pontifical em todas as grandes festividades. Tal foi a vida de Santo Afonso desde a sua chegada a Santa Águeda até que voltou a reunir-se com seus irmãos da Congregação do Santíssimo Redentor, quer dizer, durante traze anos”.

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FONTE: A vida de Santo Afonso Maria de Ligório. Brasília: Pinus, 2010. p.80-82. (grifo nosso)

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