1 de julho de 2026

DEUS ME CHAMA

Um missionário lazarista, falecido na Itália no final do século XIX, pregava um retiro espiritual para um grupo de jovens em Constantinopla, justamente nos dias em que a cólera assolava aquela infeliz cidade.

Na manhã do terceiro dia, bem cedo, uma das jovens retirantes procurou o missionário e lhe disse:

— Padre, desejo confessar-me e fazer uma boa comunhão nesta manhã. Depois da Missa, direi ao senhor o motivo.

Ela recebeu a Sagrada Comunhão com extraordinário fervor. Terminada a ação de graças, aproximou-se novamente do sacerdote e disse:

— Padre, passei toda a noite acordada. Tive a impressão de que havia chegado para mim a hora da morte e que minha alma, separada do corpo, era conduzida por meu Anjo da Guarda ao tribunal do Supremo Juiz.

Já não era o Salvador tão bom e misericordioso de quem tantas vezes os padres nos falam, mas um Juiz infinitamente justo e inexorável.

De todas as partes do mundo chegavam inúmeras almas. Muitas eram lançadas ao inferno; muitas iam para o purgatório; e apenas um pequeno número seguia diretamente para o céu.

Perturbada e cheia de temor, levantei os olhos e — ó felicidade! — minha boa Mãe, a Imaculada, estava ali, olhando para mim com infinita doçura.

Animada por aquela visão, brotou do fundo do meu coração o mesmo clamor que tantas vezes havia repetido na terra:

— Boa Mãe, Mãe do Perpétuo Socorro, socorrei-me! Salvai-me!

Eu já me encontrava diante do tribunal de Deus, e o meu destino eterno estava prestes a ser decidido.

De repente, ouvi uma voz melodiosa, mais bela do que qualquer voz da terra:

— Meu Filho, esta é minha filha.

Então Nosso Senhor voltou-Se para Sua gloriosa Mãe e, com uma ternura impossível de ser expressa por palavras humanas, disse-Lhe:

— Se ela é Vossa, julgai-a Vós.

E todo o julgamento consistiu em que a Rainha dos Santos abriu os braços para mim, e eu me refugiei neles.

Era feliz por toda a eternidade...

A jovem calou-se.

Seu rosto resplandecia como se ainda contemplasse aquela visão celeste.

O missionário, muito mais impressionado do que deixava transparecer, pregou naquela manhã sobre a necessidade de estarmos sempre preparados para a morte.

Mal havia terminado a instrução, vieram chamá-lo com toda a urgência.

Uma das jovens que participavam do retiro acabara de adoecer gravemente, vítima da cólera.

Naquele corpo que se contorcia violentamente por causa da doença, reconheceu imediatamente a jovem que lhe havia contado a visão.

Ela lhe disse serenamente:

— Padre, eu bem lhe dizia: Deus me chama!

Duas horas depois, com um sorriso celestial nos lábios, sua alma partia para a glória, repetindo pela última vez sua jaculatória favorita:

— Minha Mãe, Mãe do Perpétuo Socorro, socorrei-me! Salvai-me!

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