28 de fevereiro de 2009

HINOS EUCARÍSTICOS - LAUDA SION

LAUDA SION
Santo Tomás de Aquino
(Seqüência de Corpus Christi)




"Lauda, Sion, Salvatorem, lauda ducem et pastorem in hymnis et canticis.
Quantum potes, tantum aude: quia major omni laude, nec laudare sufficis.
Laudis thema specialis, panis vivus et vitalis hodie proponitur.
Quem in sacrae mensa coenae turbae fratrum duodenae datum non ambigitur.
Sit laus plena, sit sonora, sit jucunda, sit decora mentis jubilatio.
Dies enim solemnis agitur, in qua mensae prima recolitur hujus institutio.
In hac mensa novi Regis, novum pascha novae legis, Phase vetus terminat.
Vetustatem novitas, umbram fugat veritas, noctem lux eliminat.
Quod ln coena Christus gessit, faciendum hoc expressit in sui memoriam.
Docti sacris institutis, panem, vinum in salutis consecramus hostiam.
Dogma datur christianis, quod in camem transit panis et vinum in sanguinem.
Quod non capis, quod non vides, animosa firmat fides, praeter rerum ordinem.
Sub diversis speciebus, signis tantum et non rebus, latent res eximiae.
Caro cibus, sanguis potus: manet tamen Christus totus sub utraque specie.
A sumente non concisus, non confractus, non divisus: integer accipitur.
Sumit unus, sumunt mille: quantum isti, tantum ille: nec sumptus consumitur.
Sumunt boni, sumunt mali: sorte tamen inaequali, vitae vel interitus.
Mors est malis, vita bonis: vide paris sumptionis quam sit dispar exitus.
Fracto demum Sacramento, ne vacilles, sed memento, tantum esse sub fragmento, quantum toto tegitur.
Nulla rei fit scissura: signi tantum fit fractura, qua nec status nec statura signati minuitur.
Ecce panis Angelorum, factus cibus viatorum: vere panis filiorum, non mittendus canibus.
In figuris praesignatur, cum Isaac immolatur: agnus Deis Paschae deputatur: datur manna patribus.
Bone pastor, panis vere, Jesus, nostri miserere: Tu nos pasce, nos tuere: tu nos bona fac videre in terra viventium.
Tu, qui cuncta scis et vales: qui nos pascis hic mortales: tuos ibi commensales, cohaeredes et sodales fac sactorum civium. Amen. Alleluia".

"Louva, Sião, o Salvador, louva o guia e o pastor com hinos e cantares.
Quanto possas, tanto o louva, porque está acima de todo o louvor e nunca o louvarás condignamente.
É-nos hoje proposto um tema especial de louvor: o pão vivo que dá a vida.
O pão que na mesa da sagrada ceia foi distribuído aos doze, como na verdade o cremos.
Ressoem, pois, os louvores, sonoros, cheios de amor. Seja formosa e jovial a alegria das almas.
Porque celebramos o dia solene que nos recorda a instituição deste banquete.
Na mesa do novo rei, a páscoa da Nova Lei põe fim à páscoa antiga.
O rito novo rejeita o velho, a realidade dissipa as sombras como o dia dissipa a noite.
O que o Senhor faz na ceia mandou-no-lo fazer em memória Sua.
E nós, instruídos pelo mandato divino, consagramos o pão e o vinho em hóstia de salvação.
É dogma de fé para os cristãos que o pão se converte na carne e o vinho no sangue do Salvador.
O que não compreendes nem vês, diz-to a fé viva; porque isto se opera fora das leis naturais.
Debaixo de espécies diferentes, que são apenas sinais exteriores, ocultam-se realidades sublimes.
O pão é a carne e o vinho é o sangue; todavia debaixo de cada uma das espécies Cristo está totalmente.
E quem o recebe não o parte nem divide, mas recebe-o todo inteiro.
Quer o recebam mil, que um só, todos recebem o mesmo, nem recebendo-o podem consumi-lo.
Recebem-no os bons e os maus igualmente, porém com efeitos diversos: os bons para vida e os maus para a morte.
Morte para os maus e vida para os bons! Oh! Consideremos como são diferentes os efeitos que produz o mesmo alimento.
Não vacile a tua fé quando a hóstia é dividida; porque o Senhor encontra-se sempre todo, debaixo do pequenino fragmento ou da hóstia inteira.
Nenhum corte pode violar a substância: apenas os sinais do pão, que vês com os olhos da carne, foram divididos sem a menor alteração da realidade divina que esses mesmos sinais significam.
Eis pois que o pão de que se alimentam os Anjos foi dado em viático aos homens: pão verdadeiramente dos filhos, que não deve dar-se aos cães.
Foi já prefigurado nos ritos e nos acontecimentos do Testamento Antigo, na imolação de Isaac, no cordeiro pascal e no maná do deserto.
Ó bom Pastor e alimento verdadeiro dos que apascentas, ó Jesus, tende piedade de nós. Alimentai-nos e defendei-nos e fazei que mereçamos fruir da vossa glória na Terra dos vivos.
Vós que tudo conheceis e tudo podeis fazer, e nos alimentais aqui, na Terra, da mortalidade, admiti-nos, Senhor, lá no Céu, à vossa mesa e dai-nos parte na herança e na companhia dos que moram na cidade santa. Amém. Aleluia".

CATECISMO ROMANO - EUCARISTIA (PARTE 4)


VI. FORMA

Chega agora a vez de tratarmos da forma, que se deve empregar na consagração do pão. Salvo motivo particular, estas explanações não se destinam ao simples povo fiel – pois delas não precisam os que não receberam Ordens Sacras – mas são dadas, sobretudo, para que a ignorância da forma não induza os sacerdotes a cometerem erros palmares na consumação do Sacramento.

VI.1. Para a consagração do pão

Consoante a doutrina dos Evangelistas São Mateus e São Lucas, bem como do Apóstolo São Paulo (Mt XXVI, 26; Lc XXII, 19; I Cor XI, 24), sabemos que essa forma consiste nas seguintes palavras: "Isto é o meu Corpo". Pois está escrito: "Quando estavam na ceia, tomou Jesus o pão, benzeu-o, partiu-o, e deu-o aos Seus Discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu Corpo" (Mt XXVI, 26).

Esta forma de consagração, a Igreja Católica sempre a empregou, por ser a que Cristo Nosso Senhor havia observado. E aqui deixamos de parte os testemunhos dos Santos Padres, cuja enumeração seria um nunca acabar, e o decreto do Concílio de Florença, por bastante conhecido e acessível a quantos o queiram consultar. Se assim procedemos, é porque se pode também inferir a mesma verdade daquelas palavras de Nosso Salvador: "Fazei isto em memória de Mim".

Aquilo, pois, que Nosso Senhor dera ordem de fazer, deve referir-se não só ao que Ele havia feito, mas também ao que Ele havia dito. Isto deve, sobretudo, entender-se das palavras que Ele proferira, tanto para significar, como para produzir o efeito sacramental.
O mesmo se pode facilmente demonstrar à luz da razão.

Forma é aquilo que significa o efeito operado por este Sacramento. Ora, como as palavras citadas declaram, de maneira explícita, o efeito que se opera, isto é, a conversão do pão no verdadeiro Corpo de Nosso Senhor, segue-se, portanto, que elas mesmas constituem a forma da Eucaristia. Nesse sentido se deve tomar a expressão do Evangelista: "benzeu-o". Era como se dissesse: "Ele tomou o pão, benzeu-o, pronunciando as palavras: Isto é o meu Corpo".

O Evangelista refere antes as palavras: "Tomai e comei". Sabemos, porém, que estas palavras não designam a consagração da matéria, mas apenas o uso que se deve fazer do Sacramento.

O sacerdote tem a estrita obrigação de pronunciá-las, mas não são de valor essencial para a realização do Sacramento. O mesmo se diga da conectiva "pois", na consagração do pão e do vinho.

Do contrário, não seria lícito consagrar o Sacramento, quando não houvesse a quem administrá-lo. No entanto, ninguém pode contestar que o sacerdote consagra realmente a matéria apta do pão, todas as vezes que profira as palavras de Nosso Senhor, ainda que não na mesma ocasião não administre a ninguém a Sagrada Eucaristia.

VI.2. Para a consagração do vinho

Pelas mesmas razões já alegadas, deve o sacerdote ter uma perfeita noção da forma para consagrar o vinho, que é a segunda matéria deste Sacramento.

Destas palavras, muitas foram tiradas das Sagradas Escrituras, algumas, porém, são conservadas pela Igreja, em virtude da Tradição Apostólica:

Senão vejamos. "Este é o Cálice" - são palavras escritas por São Lucas e o Apóstolo São Paulo (Lc XXII, 20; I Cor XI, 25). O que vem a seguir: "do Meu Sangue", ou "Meu Sangue da Nova Aliança, o qual por vós e por muitos será derramado em remissão dos pecados" - são palavras que se acham parte em São Lucas, parte em São Mateus (Lc XXII, 20; Mt XXVI, 28). As palavras "da eterna Aliança" e "Mistério da fé": foram-nos comunicadas pela Sagrada Tradição, que é a medianeira e zeladora da verdade católica.

Ninguém poderá contestar a exatidão desta forma, se também aqui tiver em vista o que já foi dito acerca da consagração da matéria do pão. Pois certo é que nas palavras que exprimem a conversão do vinho no Sangue de Cristo Nosso Senhor, está contida, pois, a forma correspondente a esta matéria. Ora, como aquelas palavras a exprimem claramente, é de toda a evidência que se não deve estabelecer outra forma.

Além disso, essas palavras exprimem certos efeitos admiráveis do Sangue derramado na Paixão de Nosso Senhor, efeitos que estão na mais íntima relação com este Sacramento. O primeiro é o acesso à eterna partilha, cujo direito nos advém da "nova e eterna Aliança". O segundo é o acesso à justiça pelo "Mistério da fé"; porquanto Deus nos propôs Jesus como vítima propiciatória, mediante a fé em Seu Sangue, para que Ele mesmo seja justo e justifique a quem acredita em Jesus Cristo. O terceiro é a remissão dos pecados.

Como estas palavras da Consagração do vinho encerram um sem-número de Mistérios, e são muito adequadas ao que devem exprimir, força é considerá-las com mais vagar e atenção.

Quando pois se diz: "Este é o Cálice do Meu Sangue" – cumpre entender "Este é o Meu Sangue, que está contido neste cálice". Como aqui se consagra sangue, para ser bebida dos fiéis, é oportuno e acertado fazer-se menção do cálice. O sangue como tal não lembraria bastante a idéia de bebida, se não estivesse colocado num recipiente.

Acrescentam-se depois as palavras "da Nova Aliança", para compreendermos que o Sangue de Cristo Nosso Senhor é dado aos homens, em sua absoluta realidade, pela razão de pertencer à Nova Aliança; não somente em figura, como acontecia na Antiga Aliança, da qual contudo lemos, na epístola do Apóstolo aos Hebreus, não ter sido selada sem sangue.

Nesse sentido é que o Apóstolo explicou: "Pois isso mesmo", Cristo "é Mediador" da Nova Aliança, para que, intervindo a Sua morte, recebam a promessa da herança eterna os que a ela forma chamados" (contração de Hb IX, 15).

O adjetivo "eterna" refere-se à herança eterna, que legitimamente nos cabe pela morte de Cristo Senhor Nosso, o eterno Testador.

A cláusula "Mistério da fé" não tem por fim excluir a verdade objetiva; significa que devemos crer, com fé inabalável, o que nele se oculta, de maneira absolutamente inacessível à vista humana.

Mas estas palavras não têm aqui o mesmo sentido, que se lhes atribui também com relação ao Batismo. Fala-se, pois, de "Mistério da fé", porque só pela fé vemos o Sangue de Cristo, velado que está na espécie de vinho. Como, porém, o Batismo abrange toda a profissão da fé cristã, temos razão em chamar-lhe "Sacramento da fé", o que corresponde ao "mistério" dos gregos.

Existe, ainda, outro motivo de chamarmos "Mistério da fé" ao Sangue de Cristo. A razão humana oferece muita dificuldade e relutância, quando a fé nos propõe a crer que Cristo Nosso Senhor, verdadeiro Filho de Deus, sendo Deus e Homem ao mesmo tempo, sofreu a morte por amor de nós. Ora, esta morte é juntamente representada pelo Sacramento do Seu Sangue.

Em vista deste fato, era bem comemorar-se aqui, e não na Consagração do Seu Corpo, a Paixão de Nosso Senhor, mediante as palavras "que será derramado em remissão dos pecados". Consagrado separadamente, o Sangue tem mais força e propriedade, para revelar, aos olhos de todos, a Paixão de Nosso Senhor, a Sua Morte, a modalidade de Seu sofrimento.

As palavras que se ajuntam "por vós e por muitos", foram tomadas parte de São Mateus, parte de São Lucas (Mt XXVI, 28; Lc XXII, 20). A Santa Igreja, guiada pelo Espírito de Deus, coordenou-as numa só frase, para que exprimissem o fruto e a vantagem da Paixão.

De fato, se considerarmos sua virtude, devemos reconhecer que o Salvador derramou Seu Sangue pela salvação de todos os homens. Se atendermos, porém, ao fruto real que os homens dele auferem, não nos custa compreender que sua eficácia se não estende a todos, mas só a "muitos" homens.

Dizendo, pois, "por vós", Nosso Senhor tinha em vista, quer as pessoas presentes, quer os eleitos dentre os Judeus, como o eram os Discípulos a quem falava, com exceção de Judas.

No entanto, ao acrescentar "por muitos", queria aludir aos outros eleitos, fossem eles Judeus ou gentios. Houve, pois, muito acerto em não se dizer "por todos", visto que o texto só alude aos frutos da Paixão, e esta sortiu efeito salutar unicamente para os escolhidos.

Tal é o sentido a que se referem aquelas palavras do Apóstolo: "Cristo imolou-Se uma só vez, para remover totalmente os pecados de muitos" (Hb II, 28) e as que disse Nosso Senhor no Evangelho de São João: "Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por estes que Vós me destes, porque eles são Vossos" (Jo XVII, 9).

Nestas palavras da Consagração do vinho vão ainda muitos outros Mistérios. Com a graça de Deus, poderão os pastores facilmente descobri-los, se fizerem assídua e aturada meditação das coisas divinas.

26 de fevereiro de 2009

TEMPUS QUADRAGESIMÆ

TEMPO DA QUARESMA

Da Quarta-Feira de Cinzas ao Domingo da Páscoa


EXPOSIÇÃO DOGMÁTICA

O Tempo da Septuagésima já nos demonstrou a necessidade de nos unirmos, pelo espírito de penitência, à obra redentora do Salvador. Pelo jejum e outros exercícios de penitência, a Quaresma vai associar-nos a Ele de maneira efetiva. Mas não há Quaresma que valha, sem esforço pessoal de retificação da vida e de a viver com mais fidelidade, reparando, por qualquer privação voluntária, as negligências de outros tempos. Paralelamente a este esforço, que exige de cada um de nós, a Igreja ergue diante de Deus a cruz de Cristo, o Cordeiro de Deus, que tomou sobre Si os pecados dos homens, e que é o verdadeiro preço da nossa Redenção. À medida que nos aproximarmos da Semana Santa, o pensamento da Paixão tornar-se-á predominante, até chegar o momento de prender por completo a nossa atenção. Já desde o começo da Quaresma, ela nos está presente, e é em união com os sofrimentos de Cristo que o exército cristão vai entregar-se à «santa quarentena», indo ao encontro da Páscoa com a alegre certeza de partilhar da Ressurreição do Senhor.


«Eis o tempo favorável, eis os dias da Salvação» [II Cor. VI, 2. Epístola do I Domingo da Quaresma]. A Igreja apresenta-nos a Quaresma nos mesmos termos com que a apresentava outrora aos catecúmenos e aos penitentes públicos, que se preparavam para as graças pascais do batismo e da reconciliação sacramental. Para nós, como para eles, a Quaresma deve ser um longo retiro, um treino, em que a Igreja nos exercita na prática de uma vida cristã mais perfeita. Aponta-nos o exemplo de Jesus e, através do jejum e da penitência, associa-nos aos seus sofrimentos, para nos fazer participar da Redenção.


Lembremo-nos que não estamos isolados, nem somos os únicos em causa nesta Quaresma, que ora se empreende. É todo o mistério da Redenção que a Igreja põe em ação. Fazemos parte dum conjunto imenso, em que somos solidários de toda a humanidade, resgatada por Jesus Cristo. – A liturgia do tempo não se cansará de o recordar. Nas matinas dos Domingos, as lições do Antigo Testamento, começadas na Septuagésima, continuam a lembrar, a largos traços, a história do povo judeu, em que se consignam os desígnios de Deus acerca da salvação de todo o gênero humano: o afastamento de Esaú em benefício de Jacob (não é a linhagem terrestre, mas a escolha gratuita, agora estendida a todas as nações, que faz os eleitos); José, vendido por seus irmãos, e salvando o Egito, é Jesus salvando o mundo, depois de ser rejeitado e traído pelos seus; Moisés, que arranca o seu povo à escravidão, e o conduz à terra prometida, é Jesus que nos liberta do cativeiro do pecado e abre as portas do Céu. Os evangelhos não são menos eloqüentes: a narrativa da tentação de Jesus, mostra o segundo Adão, novo chefe da humanidade, a contas com as astúcias de Satanás, mas esmagando-o com o seu poder divino; a parábola do homem armado e expulso, por um mais forte, do domínio que usurpara, é ainda afirmação da vitória de Cristo.


Tal é o sentido da nossa Quaresma: um tempo de aprofundamento espiritual, em união com a Igreja inteira, que se prepara para a celebração do mistério pascal. Todos os anos, a exemplo de Cristo, seu chefe, o povo cristão, num esforço renovado, retoma a luta contra a maldade, contra Satanás e o homem de pecado, que cada qual arrasta em si mesmo, para haurir, na Páscoa, um suplemento de vida, renovada nas próprias fontes da vida divina, e continuar a marcha para o Céu.


APONTAMENTOS DE LITURGIA

O Tempo da Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas e termina no Sábado Santo. Os últimos quinze dias deste longo período constituem o Tempo da Paixão. Outrora, a Quaresma começava no primeiro Domingo, mas os dias que o precedem foram acrescentados para perfazer os quarenta dias de jejum. De contrário, ficaria apenas trinta e seis, visto não se jejuar aos Domingos.


O jejum de quarenta dias, «inaugurado pela Lei e pelos Profetas, e consagrado pelo próprio Cristo», foi sempre uma das práticas essenciais da Quaresma. A liturgia a ele alude constantemente, e o prefácio do Tempo recorda-o todos os dias.


Mas o jejum irá de par com a oração. Como todos os exercícios penitenciais da Quaresma, é oferecido a Deus em união com o sacrifício do Salvador, diariamente renovado na Santa Missa. Cada dia da Quaresma tem Missa própria, devido ao fato de outrora toda a comunidade cristã de Roma assistir diariamente à Santa Missa, durante esta quadra. Daí o indicar-se a «estação», a igreja em que se celebrava, nesse dia, a missa da comunidade romana.


Todas as missas feriais incluem, depois da pós-comunhão, uma «oração sobre o povo», precedido dum convite à penitência e à humildade: «Baixai vossas cabeças diante de Deus.» O caráter penitencial é acentuado pelo silêncio do órgão. Os paramentos são roxos. À 2ª, 4ª, e 6ª feiras, repete-se o tracto da Quarta-Feira de Cinzas: «Senhor, não nos trateis como merecem os nossos pecados...»


RUBRICAS

1. Os Domingos da Quaresma são de 1ª Classe. Têm sempre missa e vésperas. A Quarta-Feira de Cinzas e toda a Semana Santa são férias de 1ª Classe e não admitem nenhuma comemoração.


2. A comemoração da féria é privilegiada: faz-se sempre e antes de qualquer outra.


3. As férias das Quatro-Têmporas são de 2ª Classe, e preferidas mesmo às festas particulares de 2ª Classe; as outras férias da Quaresma são de 3ª Classe e preferidas às memórias e às festas de 3ª Classe.


4. As Quatro-Têmporas da Quaresma verificam-se na primeira semana; seguem as mesmas regras das do Advento.


D. Gaspar Lefebvre, OSB

Missal Romano Quotidiano

23 de fevereiro de 2009

Vida de São João Bosco - DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA

CAPÍTULO XIII

DEVOÇÃO A NOSSA SENHORA

A Eucaristia é a primeira coluna da salvação. A segunda é a devoção à Santíssima Virgem Nossa Senhora. Dom Bosco pregou-a em toda a vida. Sua mãe, na manhã em que ele recebeu a batina, dera-lhe este conselho: "Se chegares um dia a ser padre, propaga sem cessar a devoção a Nossa Senhora". Dom Bosco o praticou até o último suspiro. Três dias antes de morrer, quase às portas da agonia, balbuciou ainda aos discípulos: "No púlpito e nas conversas insistam sobre a devoção a Nossa Senhora e sobre a comunhão freqüente". Ele sentia que a virtude de seus filhos, se abroquelasse com estes dois escudos, a Hóstia e a Virgem, por mais insídias e assaltos que tivessem que sofrer, triunfaria das piores seduções.

Confirmou-o nessa persuasão um sonho misterioso que teve uma noite de maio de 1869. Pareceu-lhe ver sacudida no mar proceloso e assaltada por inimigos furibundos uma flotilha de embarcações ligeiras, que simbolizavam seus ex-alunos esparsos por todo o mundo. O único modo de escapar da sanha do inimigo e livrar-se do naufrágio era ir lançar âncoras, atrás da nau capitânea que levava o Papa, entre duas colunas gigantescas, que se erguiam das ondas revoltas uma dessas colunas era encimada por um Ostensório, a outra pela imagem da Virgem Santíssima.

Esta última pincelada coroa como que de um sorriso filial este capítulo que escrevemos a respeito de uma pedagogia que em substância tendia a este último escopo : fazer os meninos viverem na graça de Deus, amigos de Jesus e de sua Mãe Santíssima, para que mais tarde no mar borrascoso do mundo se mantivessem firmes, observantes da lei de Deus e salvassem a própria alma.


Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós!

Do livro Dom Bosco, de A. Auffray SDB

Tradução de D. João Resende Costa,
Arcebispo de Belo Horizonte

Encontro com Fausto, bispo maniqueu

Contarei, na presença do meu Deus, os acontecimentos daquele meu vigésimo nono ano de idade. Tinha vindo a Cartago um bispo maniqueu, chamado Fausto, grande armadilha do diabo (cf. 1Tm 3, 7; 2 Tm 2, 26), cuja melíflua eloqüência envolvera já muitas pessoas. Embora grande admirador dessa eloqüência, eu sabia distingui-la da verdade das coisas que era ávido de aprender; eu não reparava tanto no prato do discurso, mas que comida me servia esse famoso Fausto, tão citado pelos seus. Precedia-o a fama de homem competentíssimo nas ciências mais nobres e, em particular, de erudito nas letras. Eu que recordava - por tê-las lido e estudado - as obras de muitos filósofos, comparava algumas delas às prolixas fantasias dos maniqueus, e concluía por achar mais verossímeis as teorias daqueles que possuíram mais "luz suficiente para poder perscrutar a ordem no mundo, embora não tenham de nenhuma forma encontrado o seu Senhor" (Sb 13, 9); pois "tu, Senhor, és grande e olhas para o pobre, e de longe fitas o soberbo" (cf. Sl 138, 6), tu te aproximas do coração contrito, e não te revelas aos soberbos, ainda que a curiosidade e perícia deles consigam contar as estrelas do céu e os grãos de areia, medir os espaços celestes e explorar o curso dos astros. Investigando esses mistérios com a inteligência e a perspicácia de ti recebidas, fizeram muitas descobertas: predisseram com antecipação de muitos anos os eclipses do sol e da lua, precisando o dia, a hora e o modo de cada evento, sem erro de cálculo. E tudo sucedeu conforme tinham previsto. De suas descobertas resultaram as leis até hoje consultadas e usadas para predizer o ano, o mês, o dia, a hora dos eclipses totais ou parciais do sol e da lua; e o fenômeno se realiza segundo as previsões. O povo se admira, os ignorantes ficam estupefatos, os sábios cientistas exultam e se orgulham, mas, afastados e eclipsados de toda tua luz por sua vã soberba, prevêem com tanta antecipação o eclipse do sol e não enxergam o seu próprio, já presente, porque não procuram indagar, com espírito religioso, aquele de quem receberam a inteligência que usam em tais pesquisas. E ainda que descubram terem sido feitos por ti, não são capazes de se entregarem a ti, para que conserves o que fizeste. [...]

(IV Livro do Confissões, de Santo Agostinho)

22 de fevereiro de 2009

Bendito seja o Santo Padre, o Papa Bento XVI

SUMMUS PONTIFEX
SACERDOS MAGNUS
QUI EST
PRINCEPS EPISCOPORUM,
HÆRES APOSTOLORUM, PRIMATU ABEL,
GUBERNATU NOË, PATRIARCHATU ABRAHAM, ORDINE MELCHISEDECH, DIGNITATE AARON, AUCTORITATE MOYSES, JUDICATU SAMUEL,
POTESTATE PETRUS,
Unctione Christus,
CUI SUNT
CLAVES REGNI CŒLORUM TRADITÆ,
OVES CHRISTI CREDITÆ.






Sumo Pontífice, Sacerdote Magno, que é o Príncipe dos Bispos, Herdeiro dos Apóstolos, pelo Primado de Abel, pelo Governo de Noé, pelo Patriarcado de Abraão, pela Ordem de Melquisedeque, pela Dignidade de Aarão, pela Autoridade de Moisés, pela Jurisdição de Samuel, pelo Poder de Pedro, PELA UNÇÃO DE CRISTO, a quem são entregues as Chaves do Reino dos Céus, e a quem são confiadas as ovelhas de Cristo.

TU ES PETRUS

ET SUPER HANC PETRAM ÆDIFICABO ECCLESIAM MEAM
ET PORTÆ INFERI NON PRÆVALEBUNT ADVERSUS EAM

22 de fevereiro de 2009
Comemoração da Cátedra de São Pedro

PARA A SALVAÇÃO DA ALMA É NECESSÁRIO SUBMETER-SE AO ROMANO PONTÍFICE - Citações papais dogmáticas

Eis algumas citações papais dogmáticas sobre a necessidade da submissão ao Romano Pontífice para a salvação.

S.S. Bonifácio I: Carta “Instituto”, aos bispos da Tessália; 11 de março de 422.


Cap. I. A instituição da nascente Igreja universal tomou início no múnus honorífico do bem-aventurado Pedro, no qual está seu governo e ápice. Da sua fonte fluiu, à medida que crescia a veneração da religião, a disciplina eclesiástica em todas as Igrejas. As disposições di Concílio de Nicéia não testemunham outra coisa, a tal ponto que não ousou definir nada sobre ele, vendo que era impossível propor algo acima de seu mérito, pois sabia, afinal, que tudo lhe era concedido pela palavra do Senhor. É certo que esta Igreja Romana é, para as Igrejas espalhadas pelo orbe inteiro, como a cabeça de seus membros: quem dela se desliga seja banido da religião cristã, já que deixou de estar inserido nela.


S.S Bonifácio I: Carta “Manet beatum”, a Rufo e aos outros bispos da Macedônia; 11 de março de 422.


Esteja longe dos sacerdotes do Senhor que algum deles caia na culpa de, em nova tentativa ilícita, tornar-se inimigo das deliberações dos antepassados, sabendo ter como rival de modo particular aquele junto ao qual nosso Cristo estabeleceu o ápice do sacerdócio; se alguém ousar ultrajá-lo, não poderá habitar no reino dos céus. “A ti”, disse Ele, “darei as chaves do reino dos céus”, e neste ninguém entrará sem o favor do porteiro.


S.S. Bonifácio VIII: Bula “Unam Sanctam”, de 18 de novembro de 1302.


Ora, esta autoridade, mesmo se dada a um homem e exercida por meio de um homem, não é humana, mas antes, um poder divino, dado pela boca divina a Pedro, a ele e aos seus sucessores, no próprio Cristo, que ele, como rocha firme, professara, na ocasião que o Senhor disse ao mesmo Pedro: “Tudo o que ligares” etc. [Mt. 16, 19]. Portanto, quem resiste a este poder assim ordenada por Deus, “resiste à ordenação de Deus” [Rm. 13, 2], a menos que imagine, qual um maniqueu, que haja dois princípios, coisa que julgamos falsa e herética, dado que, segundo o testemunho de Moisés, não nos princípios, mas “no princípio Deus criou o céu e a terra” [Gn 1, 1].


E declaramos, enunciamos, definimos que, para toda humana criatura, é necessário para a salvação submeter-se ao Romano Pontífice.


S.S. Clemente VI: Carta dogmática “Super quibusdam”, a Melkhitar Katholikós dos Armênios; de 29 de setembro de 1351.

Exame de fé dos Armênios feito pelo Papa Clemente VI.


II. Perguntamos se tu e os armênios que te devem obediência credes que nenhum daqueles que estão na condição de peregrinos poderá no fim ser salvo fora da fé desta Igreja e da obediência aos Romanos Pontífices. (...) Se tens crido e crês que todos aqueles que se sublevaram contra a fé romana e morreram em condição de impenitência final são condenados e desceram para os eternos suplícios do inferno.


Concílio de Constança (16º Ecumênico), 05 de novembro de 1414 – 22 de abril de 1418.

Decreto dos Erros de João Wyclif, aprovado por S.S. Martinho V em 22 de novembro de 1418.


Erro 41. Não é necessário para a salvação crer que a Igreja Romana seja superior a todas as outras Igrejas – [Censura:] É um erro, se por Igreja Romana se entende a Igreja universal ou um concílio geral, ou enquanto se nega o primado do Sumo Pontífice sobre outras Igrejas particulares.


S.S. Pio IX: Concílio Vaticano I: Constituição “Pastor Æternus”, 18 de julho de 1870.


Cap. I: A Instituição do Primado Apostólico em S. Pedro.

[...]

Cânon: Se, pois, alguém disser que o Apóstolo S. Pedro não foi constituído por Jesus Cristo príncipe de todos os Apóstolos e chefe visível de toda a Igreja militante; ou disser que ele não recebeu direta e imediatamente do mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo o primado de verdadeira e própria jurisdição, mas apenas o primado de honra – seja excomungado.


Cap. II: A Perpetuidade do primado de S. Pedro nos Romanos Pontífices.

[...]

Cânon: Se, portanto, alguém negar ser de direito divino e por instituição do próprio Cristo que S. Pedro tem perpétuos sucessores no primado da Igreja universal; ou que o Romano Pontífice é o sucessor de S. Pedro no mesmo primado – seja excomungado.


Cap. III: A natureza e o caráter do Primado do Pontífice Romano.

[...]

Cânon: Se, pois alguém disser que ao Romano Pontífice cabe apenas o ofício de inspeção ou direção, mas não o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda a Igreja, não só nas coisas referentes à fé e aos costumes, mas também nas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja, espalhada por todo o mundo; ou disser que ele só goza da parte principal deste supremo poder, e não de toda a sua plenitude; ou disser que este seu poder não é ordinário e imediato, quer sobre todas e cada uma das igrejas quer sobre todos e cada um dos pastores e fiéis – seja excomungado.


Cap. IV: O Magistério Infalível do Romano Pontífice.

[...]

Por isso Nós, apegando-nos à Tradição recebida desde o início da fé cristã, para a glória de Deus, nosso Salvador, para exaltação da religião católica, e para a salvação dos povos cristãos, com a aprovação do Sagrado Concílio, ensinamos e definimos como dogma divinamente revelado que o Romano Pontífice, quando fala ex cathedra, isto é, quando, no desempenho do ministério de pastor e doutor de todos os cristãos, define com sua suprema autoridade apostólica alguma doutrina referente à fé e à moral para toda a Igreja, em virtude da assistência divina prometida a ele na pessoa de São Pedro, goza daquela infalibilidade com a qual Cristo quis munir a sua Igreja quando define alguma doutrina sobre a fé e a moral; e que, portanto, tais declarações do Romano Pontífice são por si mesmas, e não apenas em virtude do consenso da Igreja, irreformáveis.


Cânon: Se, porém, alguém ousar contrariar esta nossa definição, o que Deus não permita, – seja anátema.


S.S. Pio XII: Carta do S. Ofício ao Arcebispo de Boston, de 08 de outubro de 1949.


Por isso, ninguém será salvo se, sabendo que a Igreja foi divinamente instituída por Cristo, todavia não aceita submeter-se à Igreja ou recusa obediência ao Romano Pontífice, vigário de Cristo na terra.