26 de junho de 2024

A Mulher Bendita - Padre Júlio Maria

IV. Um novo culto

    O bom protestante nos acusa de termos criado um novo culto, que ele chama Mariolatria.
   Não criamos nada. Só Deus pode criar pessoas e coisas; e os amigos protestantes podem criar objeções.
   Lutero criou a Bibliolatria e a Odiolatria, como criou a libertinolatria, adorando a Bíblia e desprezando o seu conteúdo; adorando o ódio, para melhor vilipendiar a Igreja; adorando a carne pela vida dissoluta e sacrílega.
    Diz o articulista que o culto de Maria começou a sair do silencio em que a tinham envolvido os escritores do Novo Testamento, no meado do século IV.
    É muita ignorância do Evangelho, meu caro amigo! ... E' preciso muita ingenuidade para aventar uma tal asserção.
    O culto de Maria Sma. está todo indicado, delineado e desenvolvido no próprio Evangelho.
   Leiam o Evangelho. caros protestantes... mas leiam-no inteiro, e não simplesmente as passagens, escolhidas por vós ... que mais ou menos pareçam favorecer as vossas opiniões erradas pela livre interpretação dos textos.
    O culto de Maria Sma. é essencialmente um culto evangélico, todo evangélico ... e apesar de todas as homenagens que prestamos a Mãe de Jesus, nunca chegaremos a igualar nem de longe as homenagens que lhe presta o Evangelho.
    Fora do Evangelho, o culto da Mãe de Jesus seria um culto incompleto, atrofiado, raquítico...
    No Evangelho ele toma uma expansão divina, e se eleva à alturas que causam vertigem àqueles que sabem refletir.
   Dizer que o culto de Maria é uma novidade é afirmar a novidade do Evangelho, a novidade das catacumbas dos primeiros séculos, onde se encontra a cada passo a expressão da veneração a Virgem Imaculada... seria extinguir com um só golpe os acentos amorosos dos Padres dos primeiros séculos, que exaltaram a Virgem Santa com um entusiasmo jamais igualado nos séculos posteriores.
    Não, não! tais documentos não se destroem; tais acentos não se abafam; tais brados não se
extinguem; e enquanto o Evangelho for Evangelho, poderemos e deveremos dizer que o culto
da Mãe de Deus é um culto instituído por Deus, transmitido pelo Evangelho e praticado por todos os séculos.
    Dirão talvez que Jesus Cristo exaltou pouco a sua Mãe.
   Mas para que exaltar com palavras aquela que está exaltada acima de todas as criaturas, pela dignidade, pelas prerrogativas, que fazem de Maria a mulher bendita entre todas as mulheres.
    Para que repetir continuadamente uma verdade palpável, indiscutível, aceita por todos, nos primeiros séculos?
    Maria é mãe ele Jesus.
    Jesus é Deus.
    Maria é pois Mãe de Deus.
    Que é que se pode dizer mais?
    Um tal título não esgota todos os demais títulos?
    Haverá ainda honras superiores a estas?
    É impossível!
   Maria é Mãe de Deus; como tal, ela é necessariamente a mais santa e mais gloriosa de todas as criaturas.
    Jesus Cristo falou pouco de sua Mãe?
    Perfeitamente... e assim devia ser.
    Jesus veio, como ele mesmo afirmou, não para os justos, mas para os pecadorese. Non veni vocure justos, sed peccatores (Luc. V. 32).
    Ele veio restituir a saúde aos enfermos e não aos que não precisam do médico - Non egent, qui sani sunt, medico. (Luc. V. 31).
    Para quem devem pois irradiar as ternuras de seu coração?
    Não é para os infelizes, para os pecadores?
    De Pedro Ele fará o chefe de sua Igreja.
    De Mateus, o publicano, fará o seu Evangelista.
    De Saulo, o perseguidor, fará o Apóstolo das nações.
    De Madalena, a pecadora, fará uma amante estática.
    De um ladrão crucificado fará a primeira conquista de sua morte.
    De pobres pescadores ele fará seus apóstolos.
    Já pensaram nisso os caros protestantes?
   Poderia o Coração de Jesus, terno, amoroso e zeloso da honra de sua Mãe associar a Virgem Imaculada a todos estes pecadores convertidos?
    Podia ele colocar sobre a cabeça de sua Mãe a mesma coroa de louvores?
    Não!... Isso seria rebaixar a Virgem Santa, em vez de exaltá-la.
    A Pedro ele disse: Tu és bemaventurado (Mat. XVI. 17).
    A Mateus disse: Segue-me (Mat. IX 9).
    A Paulo disse: Eu sou Jesus, a quem tu persegues (Act. IX. 5).
    A Madalena disse: Teus pecados estão perdoados (Luc. VII. 48).
    Ao ladrão disse: Hoje estarás comigo no paraíso (Luc. XXIII. 43).
    Aos apóstolos disse: Vós sois meus amigos (Joao. XV. 15).
    Mas à Maria Ele disse: Tu és minha Mãe (Mat. II. 11).
    Que poderia Ele dizer mais ?...
    Jesus Cristo esgotou-se nesta única palavra.

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