31 de julho de 2010

O PERIGO DE CONVIVER COM HEREGES - S. TOMÁS DE AQUINO

O perigo de conviver com hereges

São Tomás de Aquino
Quaestiones quodlibetales, quodlibeto 10, q. 7, a. 1 (15), c.

“Por duas razões não se deve manter relações com os hereges. Primeiramente, por causa da excomunhão, pois, sendo excomungados, não se deve ter relações com eles, da mesma maneira que com os outros excomungados. A segunda razão é a heresia. – Em primeiro lugar, por causa do perigo, para que as relações com eles não venham a corromper os outros, segundo aquilo da primeira epístola aos Coríntios (15, 33): ‘As más conversações corrompem os costumes’. E em segundo lugar para que não pareça se prestar algum assentimento às suas doutrinas perversas. Daí dizer-se na segunda epístola canônica de S. João (v. 10): ‘Se alguém vier a vós e não trouxer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis, pois o que o saúda toma parte em suas más obras’. E aqui a Glosa comenta: ‘Já que para isso foi instituída, a palavra demonstra comunhão com esse tal: de outro modo não seria senão simulação, que não deve existir entre cristãos’. Em terceiro e último lugar, para que nossa familiaridade [com eles] não dê aos outros ocasião de errar. Por isso, outra Glosa comenta a respeito dessa passagem da Escritura: ‘E se acaso vós mesmos não vos deixais enganar, outros todavia, vendo vossa familiaridade [com os hereges], podem enganar-se, acreditando que esses tais vos são agradáveis, e assim crer neles. E uma terceira Glosa acrescenta: ‘Os Apóstolos e seus discípulos usavam de tanta cautela em matéria religiosa, que não sofriam sequer a troca de palavras com os que se haviam afastado da verdade’. Entende-se, porém: excetuado o caso de alguém que trata com outro a respeito da salvação, com intuito de salvá-lo”.

Flores da Eucaristia - 31 de Julho

Feliz, eternamente feliz, quem sabe tornar-se o cativo do grande Cativo eucarístico, o companheiro fiel deste nobre Escravo transubstanciado, Jesus Cristo no SSmo. Sacramento.
Então, trabalhando na presença imediata de Jesus Eucaristia, sob as ordens e os olhares de tal Mestre e Guia, não mais inveja os bens deste mundo nem mesmo as delicias do céu. Tudo encontra ao cêntuplo aos pés do Tabernáculo. Se ama a vida e o tempo é unicamente para prolongar a convivência com Jesus no SSmo. Sacramento. Em todo o seu agir, tem sempre em vista Nosso Senhor Sacramentado, pois que está determinado que nesta vida o amor de Deus para conosco consiste no amor de Jesus Cristo Eucaristia.
Procuremos ter duas moradas; uma de trabalho, o Calvário da submissão, da renuncia, da crucificação, a outra de repouso; o Tabernáculo do Deus da Eucaristia, que será ao mesmo tempo, o lugar de oferenda de todas as atividades da primeira, e onde iremos receber novas ordens e novas forças.

30 de julho de 2010

Missa Tridentina em Curitiba: Sermão do Pe. Paulo Iubel no IX Domingo depois de Pentecostes

Pe. Paulo Iubel
Paróquia Imaculada Conceição

Flores da Eucaristia - 30 de Julho

Oh! Quão infelizes seriamos sem Jesus entre nós!
Exilados, sozinhos neste mundo, e devendo privar-nos dos bens terrestres, das consolações da vida, enquanto que os mundanos gozam de tudo a vontade, não poderíamos suportar a vida!
O amor quer ver, ouvir, conversar, tocar. Nada substitui o ente querido; nem lembranças, nem dons, nem retratos, porque tudo isto não tem vida.
Nosso Senhor sabia muito bem que coisa alguma poderia substituir sua Pessoa, que precisávamos d’Ele mesmo. E não nos seria suficientes a sua palavra? Não, porque não vibra mais, não ouvimos as expressões tocantes dos lábios do Salvador!
E o evangelho? É um testamento. E os sacramentos, que comunicam vida? É necessário o autor da vida para entre-la em nós! E a Cruz? Não, sem Jesus, ela nos entristece! E a esperança? Sem Jesus é uma agonia. O protestante tem tudo isto, e quão frio, glacial, é o protestantismo!
Com a Eucaristia, com Jesus no meio de nós, dia e noite, e muitas vezes sob o mesmo teto, acessível a todos, e a todos esperando em sua casa sempre aberta, chamando a Si os pequenos com acentuada predileção, a vida é menos amarga.

29 de julho de 2010

DO DESCANSO À OCIOSIDADE: A EVAGATIO MENTIS

Conta e Tempo

Deus pede estrita conta do meu tempo
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta;
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.
Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo..."

(Frei Antônio das Chagas, Séc. XVII)


Tradicionalmente, a filosofia atribui duas partes à natureza humana, o corpo e a alma, unidos substancialmente, de modo que o homem não é exatamente apenas um das partes, mas a realização da união de ambas.

Pelo corpo, o homem é um ser material. A matéria é definida como “pura potência”, porque sempre pode ser mudada e moldada, não possuindo determinabilidade própria, mas a recebendo extrinsecamente, que é a sua forma.

E justamente porque a matéria é uma “indeterminação determinável”, isto é, uma pura capacidade de receber moldagem, que a alma é a “forma do corpo”, pois é o princípio subsistente da vida, que, quando unida à matéria, dá-lhe a forma de homem, porque lhe determina e ordena para formar a unidade substancial da natureza humana. Em outras palavras, a matéria é a “parte fraca”, que está aberta a uma moldagem, enquanto que a alma é a “parte forte”, porque é o princípio determinador da vida, unindo-se à matéria e tornando-a um corpo ordenado, para assim formar a unidade substancial da natureza humana.

Entretanto, se a alma é um princípio vital, e por isso mesmo essencialmente imutável e imortal, o corpo, por sua vez, é passível de mudança, porque a matéria pode receber ou perder as suas determinações de forma. Deste modo, a morte é o fim inevitável dos seres corpóreos, pois a união entre corpo e alma irá se frustrar um dia, quando, da parte do corpo, este se desconfigurar de tal maneira que já não permitirá mais a vida.

Por esta razão, a fraqueza e passividade da matéria exige que o ser humano continuamente descanse. O homem possui muitas limitações físicas e psíquicas, de modo que precisa sempre se recompor, para evitar a exaustão. A matéria não é capaz de garantir uma atividade ilimitada ou ininterrupta, pois o desgaste conduzirá imediatamente à morte.

Assim Deus fez o homem para que, até mesmo em seu cansaço, algo da eternidade pudesse ser aprendido. Com efeito, o descanso – especialmente o sono – é figura da Vida Eterna, quando o homem terá posse do fruto de todos os seus trabalhos, e estará em completo repouso em Deus, mas um repouso ativo, porque o Céu consiste na união amorosa do homem com Deus.

Neste sentido, o descanso é parte essencial da vida humana, seja na terra, seja, de forma análoga, na eternidade.

Mas como qualquer ato humano, em tudo há uma justa medida, sem falta ou excesso. Afinal, quem descansa pouco, ainda não completou o seu repouso, mas quem descansa demais, prejudica a vida ativa e deturpa o fim do repouso. Este assunto, aparentemente banal, é a raiz da esterilidade da vida espiritual de muitos, pois o descanso, fora de sua justa medida, já não é repouso, mas ociosidade. Cabe agora perguntar: no que consiste o descanso?

O descanso é um momento de passividade, quando o homem deixa as suas atividades ordinárias, seja de qual natureza forem, e se aplica a restituir suas forças perdidas. Por conseguinte, o entretenimento pode ser uma maneira de descanso. Tendo o homem cansaços físicos e psíquicos, por muitos meios ele procurará readquirir o pleno uso de suas capacidades, desde atividades feitas em vigília até o próprio sono, realizando passeios, jogos, viagens, a leitura de um agradável livro, música, conversas, banhos, exercícios físicos, etc. Por algum destes meios cada um encontra uma forma particular de exercer um tempo de passividade, livre das preocupações diárias.

Neste sentido, o descanso é como um contratempo, um fôlego tomado em direção das atividades ordinárias. Não existe um descanso sem retorno, porque a natureza do descanso é existir para a execução plena e saudável das obrigações rotineiras. O descanso é um repouso em direção ao movimento. Esta é a sua justa medida e razão de existir.

Saindo de seus limites, o descanso deturpa-se e põe tudo a perder à sua volta. Aqui há de se notar o papel do pecado original. Com efeito, a natureza humana está decaída pelo pecado de Adão, de modo que a inteligência dificultosamente chega à verdade, e a vontade tende ao mal. Por conseguinte, o pecado original contribui como causa para a distorção do descanso e da sua finalidade, impondo ao homem uma tendência ao exagero.

A partir daí, o que devia ser um momento de passividade, um repouso em direção ao movimento, torna-se evagatio mentis—evagação da mente. O homem perde o interesse pela finalidade, fadiga-se com os objetivos e quer apenas “vagar” em divertimentos e entretenimentos que só desperdiçarão o seu tempo sem conduzi-lo a meta alguma.

A evagação da mente consiste em uma abstenção da vontade e da ação. Este vício está diretamente ligado à vã curiosidade, a um simples desejo de olhar tudo sem a nada se interessar. É uma apatia completa da alma, “cansada” ou desinteressada pelas suas atividades, inerte nos entretenimentos que a conduzem a uma passividade mórbida.

Segundo o psiquiatra Enrique Rojas em O homem moderno: A luta contra o vazio, este é exatamente o perfil psicológico contemporâneo. Com efeito, esta é uma época “cansada” sem jamais ter se fadigado, porque está entregue à passividade, a tudo o que é fácil e cômodo. A gênese desta atitude está no relativismo e no subjetivismo, que corrompem no homem a busca pelo Bem, reduzindo tudo uma questão pessoal. Deste modo, o homem, sem uma meta fixada e muito menos sem os meios para tal – todos corroídos pelo relativismo –, está inevitavelmente sem rumo, sem objetivos para a vida, entregue apenas ao bem estar, ao consumismo, à permissividade e ao hedonismo. Tal atitude mental contribui em muito para legitimar a evagatio mentis, tal qual um navio sem rumo, à deriva.

Por esta razão, um católico não pode se entregar à ociosidade sob o risco de fazer ruir a sua vida espiritual. Deus é o nosso fim último, e deu a cada um um tempo fixado para alcançá-Lo através da constante santificação. Quem se deixa dominar pela ociosidade perde o tempo que Deus lhe deu, deixa de fazer a única obrigação deixada para o homem sobre a terra, e consequentemente afasta-se do seu Sumo Bem. Não se trata, contudo, de um pecado mortal, mas de um enfastio pelo bem a ser feito em virtude da passividade a que a alma está entregue. Não sem razão Santo Tomás classifica a evagatio mentis como a primeira filha da acídia, a preguiça espiritual.

A tendência ao exagero causada pelo pecado original distorce o fim do descanso, tornando-o ociosidade. Tal vício corrói no homem a vida de oração, que para muitos chega a se tornar uma indesejável obrigação, um verdadeiro fardo. E sem vida de oração e entregue a um entretenimento vazio e sem relação com a vida ativa – porque o exagero isola o descanso da sua dependência das obrigações ordinárias –, facilmente a imperfeição torna-se pecado, e para que a alma caia em pecado mortal muito pouco falta, tendo em vista a exposição irremediada ao pecado venial. Em resumo, a preguiça, a ociosidade e a evagação da mente minam a execução das atividades do homem, porque ele passa a administrar imprudentemente o seu tempo. E uma alma entregue à passividade tem dificuldade em manter a vida de oração, de modo que, caso não venha a corrigir radicalmente seu defeito, a indiferença com relação às coisas da Religião podem culminar em uma queda no pecado mortal. Pessoas que não corrigem a deficiente vida de oração que mantém facilmente caem, porque a alma está longe da fonte que a faz permanecer na graça e no amor a Deus.

Tais constatações tornam-se mais profundas quando se observa os preciosos ensinamentos do Abade Jean-Baptiste Chautard em A alma de todo o apostolado. Com efeito, D. Chautard explica que a vida ativa – a vida de apostolado – é resultado e expressão da vida contemplativa, isto é, da vida de oração. Só tem apostolado frutífero e eficaz aquele que o faz brotar de uma autêntica e profunda vida de oração. Deus é a causa primeira, e aquele que confia seu apostolado em Deus pela oração obtém toda o sucesso, porque não esperou o mero favorecimento das circunstâncias. A Sagrada Escritura ensina que Deus ouve a oração do humilde, mas abate a do orgulhoso. Deste modo, quem reconhece a sua absoluta e radical dependência de Deus, faz toda a sua vida ativa depender de uma abandonada entrega a Deus pela oração.

O católico é aquele que reconhece, tal qual a Salve Rainha, que este mundo é um desterro, porque estamos apenas conquistando a cada dia a posse da Vida Eterna, isto é, estamos de passagem. Por esta razão, um verdadeiro católico faz tudo em função de Deus e da salvação. A sua auto-disciplina, os seus sacrifícios, as suas renúncias – é porque tais práticas o levam a Deus que elas fazem sentido. Portanto, manter uma autêntica vida de oração é reconhecer que esta vida só merece ser vivida em razão da salvação eterna, e por isso mesmo não há tempo para divertimentos irresponsáveis, nem para entretenimentos vazios. Tudo fazemos por Deus, e não por nós mesmos. Mesmo quando o homem descansa ele quer recuperar forças e adquirir maior ânimo para as batalhas e lutas que tem de enfrentar. Assim como os três mancebos foram cantando para a fornalha que os iria consumir, do mesmo modo o católico vai alegremente enfrentar as provações, sofrimentos e contrariedades desta vida, que são os meios pelos quais ele se une a Jesus no Calvário, morre para a glória deste mundo, e ganha a verdadeira felicidade que não se pode encontrar na terra, mas que se acha em Deus. Que o Sagrado Coração de Jesus, de onde a lança fez jorrar Sangue e água, seja para nós um verdadeiro refúgio de todas as falsas consolações do mundo, e nos dê o repouso e o descanso que nossas almas procuram, aqui na terra em forma de graça, e na eternidade em forma de glória.


Brevíssimo exame de consciência


1. Quando desejo descansar e relaxar, qual atividade costumo empreender? Em qual entretenimento ou divertimento me ocupo usualmente? O que faço para adquirir um momento de passividade?

2. Agora que já pensastes a respeito, reflita se tens empregado tempo suficiente para descansar e readquirir as forças gastas, o ânimo perdido e a motivação necessária para continuar as atividades ordinárias. Este tempo é suficiente ou muito além do necessário?

3. Para colaborar na auto-disciplina, tem empregado um tempo determinado para os divertimentos? Escolhe um horário do dia, com começo e fim, para se aplicar em atividades de descanso, ou confia demasiadamente em seu próprio auto-controle, de modo que sempre achas que podes parar quando bem julgas?

4. Tens comprometido as suas obrigações – especialmente as orações do dia – por causa dos entretenimentos? Aplicas nele um tempo indeterminado, mas para a oração e para as outras atividades tens empregado o tempo que sobra? Tens procurado corrigir esta falha disciplinando a própria vida de oração com horários regulares para rezar, de modo que nenhuma outra atividade o prejudique?

5. Julgas que és facilmente vencido pela preguiça e pela ociosidade? Tens disciplinado as atividades, de modo que tenhas um horário para rezar e estudar e outro para descansar? Tens procurado utilizar prudentemente as diversões, ou elas se constituem como verdadeira perda de tempo, de modo que outros entretenimentos ser-te-iam mais saudáveis e produtivos?

6. Tens considerado de que Deus te dá o tempo para empregá-lo na tua santificação e salvação? Consideras que esta vida é passageira, e que aqui jamais terás um repouso permanente e completo? Consideras que este mundo é um desterro, porque estás aqui para conquistar a vida eterna? Tens administrado sábia e prudentemente o tempo, ou confias que sempre haverá tempo para corrigir os teus desperdícios?

Flores da Eucaristia - 29 de Julho

Não há outro centro de vida senão Jesus, e Jesus Eucaristia.
O alimento desse centro é o egredere de Abrão; é o despojamento a abstração de tudo o que é exterior, um profundo recolhimento, a perda em Jesus. E esta vida é mais agradável à seu divino coração e honra sobremaneira o Pai Celestial; por isto, Nosso Senhor a deseja ardentemente, e me diz: Sai de ti mesmo, vem comigo para a solidão, e hei de falar-te, em segredo, ao coração.
Ah! É que esta vida em Jesus é o amor de preferência, é o dom de si, é o trabalho de união. Viver assim é criar raízes, é preparar o alimento, a seiva da arvore. Reggnum Dei intra vos est. O reino de Deus está em vós.
Com efeito, a vida que não tem Jesus Cristo por finalidade, não passa de morte digna de lágrimas, por mais longa, mais rica e mais bela que seja. É mister, portanto que eu viva de Jesus e não de mim mesmo, em Jesus e não em mim; que eu reze com Ele, me imole com Ele, e com Ele me consuma em um mesmo amor; enfim, que eu me torne com Ele uma única chama um só coração, uma só vida.

28 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 28 de Julho

Todo amor tem um centro de vida. A criança se fixa no amor de sua mamãe, o amigo na afeição do amigo, o avarento em seus tesouros, o soldado na glória. Cada qual tem um centro de vida onde repousa e se delicia, e onde concentra todos os seus trabalhos, bem como os afetos e desejos.
E qual será o verdadeiro centro cristão, principalmente do adorador? Um centro humano não lhe pode bastar, pois o homem sente necessidade de um centro infinito como são infinitos os anelos do coração. Precisa de um centro sempre vivo e acessível, pois, do contrário, sentir-se-ão órfão e exilado; um centro restaurador para alimentar em si o foco do amor; afinal, um centro perfeito, que o aperfeiçoe, que satisfaça as necessidades de sua alma, que seja a vida de seu espírito, o panorama de amor de sua imaginação, a lembrança benfazeja de sua memória, o objeto soberano de sua vontade, a felicidade do seu coração e mesmo de seu corpo. Quem diz centro, diz tudo. É mister que o homem seja feliz em seu centro, para não procurar outro.
Nosso Senhor no SSmo. Sacramento quer ser o centro de todos os corações. Atrai-nos continuamente para Ele, e essa atração ininterrupta constitui a vida de amor.

27 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 27 de Julho

O amor transforma o homem num céu em que a SSma. Trindade se compraz em habitar. Esta permanência amorosa não será, porém, simplesmente passiva; ao contrário, cada Pessoa divina exercerá na alma sua respectiva ação de amor.
O Pai das luzes, princípio e autor de todo dom perfeito, que, em seu amor, nos deu seu Filho único, dá-nos, com Ele, todo o bem.
“Meu Pai vos ama diz o Salvador, porque vós me amastes e crestes que Eu saí de Deus.” (Jô. 16,23). E ainda: “Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome Ele vo-lo dará.” (Jô. 16,27). O nosso amor para com Jesus nos atrai, portanto, o amor do Pai, nos abre os seus tesouros e nos torna poderosos sobre o seu coração.
Jesus Cristo, por sua vez, consagra um amor de amizade àqueles que O amam.
A ação do Espírito Santo sobre a alma vem completar a do Pai e a do Filho. A missão do Espírito Santo é perpetuar e aperfeiçoar Jesus Cristo em seus membros; educador e santificador do homem, nele permanece como em seu templo, e assim, nada de surpreendente no poder dessa alma, visto que se acha sob influência divina e incessante do amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

26 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 26 - Julho

Ah! Se o relógio da vida pudesse volver às primeiras horas de nossa existência, como haveríamos de ser, então, mais sobrenaturais! É mister, porém, nos contentarmos com as horas que ainda nos restam para alcançar o meio dia da eternidade.
Sejamos muito sobrenaturais em tudo! Eis o ponteiro da verdadeira vida, eis a semente que germina frutos de vida para o céu. Tudo consiste nisto, e Deus só recompensa essa vida de Jesus Cristo em nós.
Como, porém, nos tornamos sobrenaturais?
Pela caridade divina ativa. E que vem a ser isto? É a cooperação de nossa vontade á graça que nos é dada. É o nosso Fiat em Deus, é a adesão de nossa alma a Deus, lei, centro e fim de nossa vida.
Amai, portanto, profundamente a Nosso Senhor.
Que seu divino amor seja forte em vosso coração, florescente em vossas obras, régio em vossa vida.

25 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 25 - Julho

Contemplai Nosso Senhor no SSmo. Sacramento; vede o seu amor, e que este pensamento vos empolgue vos encante. Alimentai em vós o espírito de fé, persuadi-vos profundamente da verdade da Eucaristia, da verdade do amor que Nosso Senhor aí vos testemunha.
Será possível, direis a vós mesmos, que Ele me ame a ponto de dar-se a mim constantemente, sem se fatigar?
Vosso espírito se fixa então em Nosso Senhor; todos os vossos pensamentos O procuram e querem estudá-LO a fim de penetrar nas razões do seu amor.
Sentir-vos-eis admirados, cheios de enlevo, e o vosso coração há de exclamar: - Como corresponder a tanto amor?
Eis que começa a se formar o amor no coração, pois que somente se ama profundamente aquilo que conhecemos bem.
E o coração voa para o SSmo. Sacramento, porque não se satisfaz de caminhar.
Jesus Cristo me ama, sim. Ele me ama no seu Sacramento!
Ah! Se fosse possível, o coração romperia o invólucro da carne para se unir estreitamente a Nosso Senhor.

NONO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

A ruína de Jerusalém e o fim de uma alma descuidada.

Ut appropinquavit (Iesus) videns civitatem, flevit super illam - "Quando (Jesus) chegou perto, ao ver a cidade chorou sobre ela. (Luc. 19, 41).

Sumário: Infeliz da alma que se obstina no pecado ou na tibieza. Adiando a sua conversão de dia para dia, achar-se-á na hora da morte, assim como Jerusalém, cercada de inimigos, que serão os remorsos da consciência, os assaltos dos demônios, e os receios da condenação eterna. Desta sorte a sua ruína será quase certa e irreparável. Meu irmão, para que não te suceda tamanha desgraça, reconhece agora o tempo da visitação amorosa do Senhor, e obedece prontamente a seu convite. Quem sabe se não é este o último?

I. Refere São Lucas que "quando Jesus chegou perto de Jerusalém, ao ver a cidade chorou sobre ela e disse: Ah! se ao menos neste dia, que agora te é dado, conhecesses ainda tu o que pode trazer-te a paz! Mas por ora tudo está encoberto a teus olhos. Porque virão dias para ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão por todos os lados. E te derribarão por terra a ti e a teus filhos, e não deixarão em ti pedra - sobre pedra, porquanto não conheceste o tempo da tua visitação: Eo quod non cognoveris tempus visitationis tuae".

Sob a figura da Jerusalém material, os Santos Padres vêem a alma do pecador obstinado ou ainda a alma do que é tíbio. Estas almas descuidadas, semelhantes aos desgraçados habitantes daquela cidade infeliz, desprezam o tempo da visitação do Senhor, e se obstinam em não quererem obedecer à voz de Deus, que por meio dos superiores, dos diretores espirituais ou das inspirações interiores os excita a emendarem a sua vida desregrada.

Os desgraçados! O Redentor tem muita razão em derramar por causa deles lágrimas copiosas, porque mais cedo ou mais tarde lhes tocará a mesma sorte da ímpia cidade de Jerusalém: Circumdabunt te inimici tui vallo (1) – "Os teus inimigos te cercarão de trincheiras". Eles vão adiando a sua conversão de dia para dia, e afinal, na hora da morte, ver-se-ão cercados pelos seus inimigos, isso é, pelos remorsos da consciência, pelos assaltos dos demônios e pelos receios da condenação eterna, de tal forma que a sua ruins será quase certa e irreparável. Infeliz, pois, de quem se obstina no pecado ou na tibieza.

II. Meu irmão, afim de que na hora da morte não te suceda tamanha desgraça, reconhece agora o tempo da visitação amorosa do Senhor, e obedece de pronto ao seu convite. Quem sabe se a leitura desta meditação não é para ti a última. Quero supor que estejas na graça de Deus; porém, olha que não sejas do número daqueles tíbios, que pelas suas negligências habituais causam a Deus tão grande náusea que começa a vomitá-los de sua boca. Quia tepidus es, neque frigidus, neque calidus, incipiam te evomere ex ore meo (2) – "Já que és tíbio, e não frio nem quente, começarei a vomitar-te de minha boca".

Meu amabilíssimo Jesus, não quero esperar até á hora da morte, para recorrer a Vós, meu Bem infinito. Reconheço que pela minha tibieza mereci ser abandonado de Vós, privado de vossa luz e desamparado de vossa graça. Mas ao ver que hoje me visitais tão amorosamente, mostrando-me as lágrimas que derramais sobre a minha ruína eterna; ao ouvir também a vossa voz, que por meio desta meditação de novo me convida ao vosso amor, não quero desanimar, e volto arrependido a lançar-me em vossos braços paternais.

Perdoai-me, ó Senhor, já que abomino e detesto, acima de todos os males, as ofensas, quer grandes quer pequenas, que Vos fiz. Antes tivesse eu morrido mil vezes do que cometê-las. Proponho para o futuro amar-Vos sempre de todo o coração e cumprir em todas as coisas a vossa santíssima vontade. Dai-me a santa perseverança. - "Rogo-Vos, ó Senhor, que os ouvidos de vossa misericórdia estejam sempre abertos ás minhas preces; e, para que me possais conceder sempre o que Vos peço, fazei que eu só peça o que for do vosso agrado." (3) Suplico-Vos esta graça pelos vossos merecimentos e pela intercessão da minha querida Mãe, Maria. (*III 516.)

1. Luc. 19, 43.
2. Apoc. 3, 15.
3. Or. Dom. curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 285-287.)

Flores da Eucaristia - 24 de Julho

Duas leis se apresentam em face do homem: o amor de Deus e o amor de si mesmo. São dois amores que se debatem numa guerra interminável. É necessário obedecer a um dos dois, escolher um ou outro; a indiferença é impossível.
O hábito de uma vida virtuosa não põe termo ao combate. Somos semelhantes a uma balança: quanto mais nos elevamos para Deus, tanto mais nos sentimos perseguidos pelo amor próprio e atraídos para a terra.
Escolhestes o amor de Jesus Cristo! Que ele seja vossa lei, vosso modelo, vosso centro e vosso ideal. A fim de viver para Ele é mister viver d’Ele e por Ele, o que requer de nossa parte a luta contra o eu humano, contra o amor próprio, revestindo-se para isto da força do amor divino, mais forte do que a morte, e força que devemos regular e dirigir.
Sim, precisamos combater corajosamente e saber empregar os melhores meios. Como teremos nós a força? Por Jesus Cristo: Omnia possum in eo qui me confortat. A força consiste no amor de Deus. Cumpre amar a Jesus Cristo soberana, universal e absolutamente. Que coisa alguma esteja acima d’Ele ou posta em paralelo!

23 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 23 de Julho

O amor deve ser o ponto de partida quer de uma verdadeira conversão, quer do serviço perfeito de Jesus Cristo, do apostolado e do zelo de sua glória.
A conversão que começa pelo temor termina pelo medo; mas o arrependimento operado pelo amor divino é generoso e constante. Madalena oferece disto a primeira prova.
O homem é incapaz de se prender a outra coisa, em Deus, que ao seu amor e à sua bondade. O poder de Deus lhe inspira receio e a santidade divina causa confusão ao estado pecador da humanidade decaída. A bondade de Deus, porém, nos atrai irresistivelmente, nos prende, porque nela vemos Deus baixando até nós, e somente nessas humilhações é que nos podemos unir a Deus, nesses abatimentos é que podemos chamá-LO nosso irmão e nos considerarmos seus consangüíneos segundo a carne e a enfermidade de Adão.
Deus é amor. O homem, criado à sua imagem, é também amor, amor entibiado, sim, amor viciado, mais susceptível de voltar às suas leis primordiais.

22 de julho de 2010

Constituição Benedictus Deus - Papa Bento XII

CONSTITUIÇÃO BENEDICTUS DEUS

BENTO XII
BISPO, SERVO DOS SERVOS DE DEUS
PARA PERPÉTUA MEMÓRIA DA MATÉRIA

Por esta constituição, que permanecerá perpetuamente em vigência, Nós, com apostólica autoridade, definimos:
Que, conforme a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos que partiram deste mundo antes da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como as dos santos apóstolos, mártires, confessores, virgens e dos outros fiéis que morreram após o recebimento do santo batismo de Cristo – dado que não tinham necessidade de serem purificadas ao morreram, ou não há de ser quando no futuro morrerem, ou se, então, nelas tiver havido algo a purificar e tiverem sido purificadas após a morte – e as almas das crianças renascidas pelo mesmo batismo de Cristo e das que serão quando forem batizadas, e morreram antes do uso do livre-arbítrio, logo depois de sua morte e da purificação mencionada aos que precisavam de tal purificação, mesmo antes de reassumir os seus corpos e antes do juízo universal, após a ascensão ao céu de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, estiveram, estão e estarão no céu, no reino dos céus e no paraíso celeste, com Cristo, junto da companhia dos santos Anjos.
E que depois da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face – sem a mediação de qualquer criatura como objeto de visão, mas a essência divina se revela a eles de forma imediata, desnuda, clara e manifesta –; e que aqueles que vêem assim, gozam plenamente da mesma essência divina, e, dessa forma, por essa visão e fruição, as almas daqueles que já morreram são verdadeiramente bem-aventuradas e possuem a vida e o descanço eterno, como também as dos que mais tarde hão de morrer verão a essência divina e gozarão dela antes do juízo universal; e que esta visão da essência divina a sua fruição fazem cessar nessas almas os atos de fé e de esperança, uma vez que a fé e a esperança são propriamente virtudes teologais; e, depois que esta visão intuitiva face a face e esta fruição teve e tiver nelas início, esta visão e fruição – sem qualquer interrupção ou privação desta visão e fruição –, permanecem ininterruptos e hão de assim continuar até o juízo final e, a partir dele, por toda a eternidade.
Definimos também que, de acordo com a geral disposição de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado mortal atual, logo depois de sua morte descem ao inferno, onde com as penas infernais são atormentadas, e que, todavia, no dia do juízo, todos os homens hão de comparecer “diante do tribunal de Cristo” com os seus corpos para prestar contas de suas ações, “para que cada um receba o que lhe toca segundo o que fez quando estava no corpo, seja de bem ou de mal” (II Cor. V, 10).

Decretado no 29º dia de janeiro, do ano de Nosso Senhor de 1336, segundo de nosso pontificado.
Bento PP. XII

[Traduzido por Marcos Vinicius Mattke]

Flores da Eucaristia - 22 de Julho

Nosso Senhor ama a todos nós, tem amigos privilegiados e nos permite o prazer de tê-los, em amizade baseada em Deus.
Santa Maria Madalena era a amiga predileta de Jesus. Pecadora pública antes de sua conversão, possuindo todos os dotes de corpo e de espírito e os bens da fortuna que arrastam aos maiores excessos, deixou-se levar pelo mal.
Esta pobre pecadora, porém, vai se elevar, pelo perdão, à esfera dos maiores santos. O que detém os grandes pecadores e lhes impede a conversão é o respeito humano. Madalena, entretanto, sabendo que Jesus está em casa de Simão, não hesita, e ousa entrar numa casa de onde, se a houvessem reconhecido à porta, teria sido vergonhosamente expulsa.
Eis o seu lugar: aos pés de Jesus. Muito lhe foi perdoado porque muito amou.
Bela e tocante absolvição! E que contrição perfeita é a de Madalena! Uni-vos a ela quando vos fordes confessar, afim de que o vosso arrependimento também proceda mais do amor que do temor.

21 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 21 de Julho

Todo o amor de Deus se resume se condensa e se afirma no dom que Ele me faz de seu Filho, e que Jesus Cristo, por sua vez, me faz de Si mesmo, na santa Comunhão, em que me torno o seu fim, o seu termo.
Tudo desde o começo do mundo e antes mesmo que ele existisse, era para mim e só para mim, preparando-me esse dom de amor pessoal que Jesus me faz de seu Corpo, de seu Sangue, de sua Alma e divindade, de tudo o que Ele é e de tudo o que possui, visto que tudo vem se encerrar em mim, em meu coração, em minha alma.
Cristão, eis o que vales: o próprio Deus!
De que modo corresponder a esse amor pessoal, individual, que leva Jesus Cristo a se entregar todo inteiro a cada um de nós? O dom reclama reciprocidade. Desde que Nosso Senhor dá-se a Si mesmo com suas graças, dai-Lhe não somente as vossas obras, mas dai-vos a vós mesmos!
Para melhor compreender como deveis praticar este dom, contemplai vosso modelo, o próprio Jesus Cristo, doando-se ao Eterno Pai na qualidade de servo.

20 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 20 de Julho

Ah! Como nosso senhor ama os corações e deseja possuí-los. Pede, insta, suplica; faz-se o mendigo de nossos corações. Cem vezes repelido, estenderá sempre a mão.
É na verdade faltar à própria dignidade solicitar com a mesma instância depois de tantas repulsas! Deveríamos morrer de vergonha ao pensar que Jesus mendiga desse modo e que ninguém Lhe concede a esmola implorada! Quantas injúrias não sofre Ele quando vai em busca dos corações!
Quando Lhe permitimos dar um passo adiante, logo em seguida Lhe opomos um obstáculo; damos-Lhe isto e Lhe recusamos aquilo... E Ele pede tudo, quer tudo, e espera sem desanimar.
Amemo-LO, portanto, por nós e por aqueles que não O amam; por nossos parentes, nossos amigos. Procuremos saldar a dívida de nossa família, de nossa pátria, como fazem todos os santos. Imitam assim à Nosso Senhor, que ama em nome de todos os homens, e se faz caução pelo mundo inteiro.
Ah! Que este divino Salvador, que tanto nos ama, se torne enfim o Rei, o Mestre de nossas almas

Missa Tridentina em Curitiba: Sermão do Pe. Paulo Iubel no VIII Domingo depois de Pentecostes

Pe. Paulo Iubel
Paróquia Imaculada Conceição

Missa Tridentina em Curitiba - Sermão do Pe. Paulo Iubel no VII Domingo depois de Pentecostes

Pe. Paulo Iubel
Paróquia Imaculada Conceição

19 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 19 de Julho

O amor dá sem calcular
O amor entrega-se sem raciocinar
O amor sofre sem se queixar
O amor goza, cresce no sacrifício.
O amor divino, a graça do amor, vai sempre destruindo o amor próprio e imolado a nossa vontade. É mister deixá-lo trabalhar. O altar do amor divino é a Cruz. E a nossa cruz somos nós mesmos: o pobre corpo que sofre o coração repleto de desejos, a vontade que hesita! É uma grande cruz, mas a graça de Nosso Senhor a suaviza.
O verdadeiro amor dedica-se, perpetuamente se imola, não por interesse ou violência, mas com alegria e fazendo consistir sua felicidade em dar prazer.
O amor é ativo, empreendedor, e ao mesmo tempo calmo e pacifico; quer abranger tudo, tudo fazer, e ao mesmo tempo tudo deixar e desprezar; quer dizer a todos que amem a Deus, e ao mesmo tempo anseia por fugir do mundo, de seus olhares, sorrisos e afeições.
O amor é o mistério da graça de Deus; é necessário deixarmo-nos queimar e consumir por ele.

18 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 18 de Julho

O amor quer a comunhão de bens, a posse comum de tudo. Quer partilhar a felicidade e o infortúnio. A sua natureza, o seu instinto é dar, e dar tudo com alegria e júbilo.
É assim que Jesus Cristo, no SSmo. Sacramento dá com profusão e prodigalidade seus merecimentos, suas graças, sua própria glória! Que desvelo, nesta doação, sem recusar jamais! Ele se dá a Si mesmo, a todos e sempre, cobrindo o mundo de hóstias consagradas, pois deseja que todos os seus filhos O possuam.
Jesus Sacramentado gostaria de envolver o mundo em sua nuvem sacramental, fecundar todos os povos com suas águas vivificantes que, somente depois de haverem desalterado e reconfortado o último dos eleitos, irão se perder no oceano da eternidade!
Jesus - Hóstia é, portanto muito nosso, é tudo nosso!

OITAVO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

O feitor infiel e o dia das contas.

Redde rationem villicationis tuae; iam enim non poteris villicare – "Dá conta da tua administração; já não poderás ser meu feitor" (Luc. 16, 2).

Sumário: De todos os bens que temos recebido de Deus, não somos donos, senão simplesmente administradores; e na hora da morte teremos de dar contas exatas a Jesus Cristo, o juiz inexorável. É o que nos ensina a parábola proposta no Evangelho deste dia. Examinemos, pois, que uso temos feito até hoje dos talentos recebidos e dos bens da graça, e se acharmos que estivemos em falta, tomemos a resolução de nos emendar quanto antes. Quem sabe, meu irmão, dentro de que breve tempo se nos dirá também: Redde rationem – "Dá conta"?

I. Dos bens que temos recebido de Deus, nós não somos donos, de maneira que possamos dispor deles a nosso bel prazer, mas somente administradores. Devemos, pois, empregá-los segundo a vontade te Deus e dar à hora da morte conta deles a Jesus Cristo, o juiz inexorável— É isto o que, no dizer dos santos Padres, significa a parábola que no Evangelho deste dia o Senhor propõe à nossa consideração.

"Havia um homem rico", diz Jesus, "que tinha um administrador, do qual lhe denunciaram que dissipava seus bens. Chamando-o, disse-lhe: Que ouço dizer de ti? Dá conta de tua gestão, porque d'aqui em diante não poderás mais ser administrador."

Pára aqui um pouco e considera o rigor do juízo divino. Os santos, posto que tivessem feito o melhor uso possível dos talentos que lhes foram confiados, e os houvessem feito frutificar, uns dois por um, outro cinco, outro dez (1); posto que tivessem empregado todo o tempo da sua vida em preparar o livro das contas, todavia, quando estavam para passar desta vida para a eternidade, julgaram nada terem feito e tremiam.

Assim tremia Santa Maria Madalena de Pazzi, que respondeu ao confessor que a animava: "Ah padre, é coisa terrível o ter que comparecer perante o tribunal de Jesus Cristo!" Tremia Santo Agatão depois de ter passado tantos anos no deserto a fazer penitência, e dizia aos que lhe cercavam o leito: "Que será de mim quando for julgado?" Tremia o Venerável Luiz da Ponte, e tremia tanto que fazia também tremer o quarto onde estava. - E tu, meu irmão, que dizes? que fazes? Se neste momento o Senhor te deixasse morrer e te citasse a seu tribunal, que havias de responder a este terrível: Redde rationem – "Da conta"?

II. Continua a parábola dizendo que o feitor infiel, vendo o grande risco que corria de cair em miséria extrema, logo pensou em reparar o mal feito. E posto que o expediente, de que lançou mão, fosse todo em seu proveito, com prejuízo do dono, este, contudo, o elogiou, por ter agido com prudência. - Da mesma presteza devemos nós também usar, se não quisermos merecer a repreensão que "os filhos deste século são mais precavidos que os filhos da luz."

Por isso exorta-nos o Espírito Santo: Quodcumque facere potest manus tua, instanter operare (2) – "Obra com presteza tudo quanto pode fazer tua mão". Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje; porque o dia de hoje passa e amanhã virá talvez a morte que te impossibilitará de fazer algum bem e de remediar o mal. Numa palavra, mister é que prepares as contas, antes que venha o dia das contas. - Entretanto, conclui o Evangelho, se puderes dar esmolas, com as riquezas iníquas faze dos pobres os teus amigos; para que quando necessitares, te obtenham de Deus a graça de uma boa morte, e assim te recebam nos tabernáculos eternos.

Meu amabilíssimo Jesus, graças Vos dou pelas luzes e pelo tempo que agora me concedeis, para reparar as desordens da minha vida passada. Desgraçado de mim! dos bens da alma e do corpo, que me destes afim de que me servisse deles para Vos amar, e alcançasse a minha eterna salvação, eu abusei para Vos ultrajar e me precipitar no inferno. Senhor, detesto a minha ingratidão mais do que todos os outros males; peço-Vos perdão e prometo que não tornarei mais a ofender-Vos. Não, meu Jesus, não quero mais ofender-Vos, quero amar-Vos sempre com todas as minhas forças. – "Vós, porém, ó Senhor, concedei-me, pela vossa misericórdia, que meu espírito cogite sempre o que é reto, e faça o que é justo: para que, já que não posso subsistir sem Vós, viva sempre conforme a vossa vontade." (3) - Doce Coração de Maria, sede minha salvação. (*III 511.)

1. Luc. 19, 16.
2. Ecl. 9, 10.
3 - Or, Dom. curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 267-269.)

17 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 17 de Julho

Ser possuído por Jesus e possuí-LO, eis o reinado soberano do amor, a vida de união entre Jesus e a alma, e vida cujo alimento é o dom recíproco de si mesmo.
O Bem Amado, no SSmo.Sacramento, é todo meu, num dom total e perfeito, pessoal e perpétuo; da mesma forma devo entregar-me a Jesus.
Dilectus meus minhi. Nos demais mistérios e mercê de suas outras graças, Jesus nos dá alguma coisa; a própria graça, seus méritos, seus exemplos. Mas na Santa Comunhão dá-se a Si mesmo, inteiramente, com as duas naturezas, com a graça e o merecimento inerentes aos estados pelos quais passou.
Totum tibi dedit qui nihit sib teliquit.
“Dá tudo o que possui quem nada reserva para si.” Não é este o dom eucarístico? E donde veio a Nosso Senhor o pensamento de se dar deste modo? De seu Coração abrasado para com o homem de um amor sem limites. Ó Coração de Jesus, Coração infinitamente liberal, sede louvado e bendito para sempre!

16 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 16 de Julho

É necessário glorificar Nosso Senhor humilde, fazer-Lhe um trono de vós mesmos, vos colocardes aos seus pés. Oh! Quanto Ele se rebaixou! Por mais que fizerdes, jamais vos humilhareis tanto quanto Nosso Senhor. Humilhai-vos, humilhai-vos, para honrá-LO e amá-LO por vossa humildade e vosso próprio aniquilamento.
E para que se humilhou Ele tanto? Para mostrar que vos ama, para glorificar seu Pai, para reparar o orgulho humano.
Glorificai também a Deus por vossa humildade, amai a Nosso Senhor até vos aniquilardes, e abatei em vós o orgulho por tantas almas que não querem se humilhar. Nosso Senhor carrega o peso desse orgulho; é necessário ajudá-LO, aliviá-LO, partilhando de seu manto de humilhações.
O Pai Celeste voz diz: “Dei-vos o meu Filho nesse estado de aniquilamento eucarístico a fim de vos mostrar quanto Ele vos ama e se humilhou por vós. Retribuí-Lhe tudo o que fez por vós; humilhai-vos, desposai sua humildade, que Ele não quis repudiar mesmo em seu estado de glória.”

15 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 15 de Julho

O dom de si não implica num acréscimo de obras e de deveres novos; é sobretudo uma diretriz de intenção.
É necessário começar por uma consagração explicita de vós mesmos a Jesus Cristo, em espírito de amor, de sacrifício e de holocausto do próprio ser. Depois, considerando-vos, em virtude deste dom, dependente de Jesus Cristo de um modo integral, esforçar-vos-eis por deixá-LO viver, agir, governar e receber tudo em vós em lugar de vós mesmos, até que Ele se torne o vosso princípio e único fim da natureza e da graça.
Assim, é mister abraçar com ardor o estudo e a prática das virtudes evangélicas, não diretamente pelo mérito que elas fazem obter, mas para servir a Jesus com as mesmas virtudes que O exaltam e coroam, ou seja, para servi-LO por meio d’Ele próprio.
Pode-se dizer que todos os santos praticaram este dom, pois, como é possível alcançar a santidade sem se entregar a Jesus Cristo para ser absorvido por Ele? Este dom se enquadra, por conseguinte, na graça do verdadeiro cristianismo pelo qual Jesus Cristo quer viver em seus membros, aniquilado neles o homem natural para tomar o seu lugar.

14 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 14 de Julho

Vindo a este mundo para oferecer ao Pai um holocausto perfeito, o Verbo Eterno começou por Lhe sacrificar a humanidade que assumira, privando-a num estado de dependência, de escravidão e de absoluto sacrifício.
O que é maravilhoso, porém, é que esse estado é permanente em Nosso Senhor, e persistirá por toda eternidade.
No Santíssimo Sacramento bem como no céu, e em toda a parte, afinal, em que Jesus Cristo se encontra, o Pai O contempla sacrificado em Si mesmo, dependendo sempre de personalidade do Verbo e oferecendo-se em holocausto à Sua majestade infinita!
Podeis imitá-O neste dom de si mesmo, que consiste em fazer abstração do próprio eu, a fim de reproduzir, pela graça, tanto quanto permite a natureza humana, o mistério e o espírito da Incarnação do Verbo.

13 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 13 de Julho

Jesus Cristo, no céu, não podendo honrar pelo sacrifício de sua glória, o Pai Eterno, volta a esse mundo, incarna-se novamente sobre o altar, e o Pai O contempla então ainda pobre como em Belém, apesar de permanecer Rei do céu e da terra; humilde e obediente como em Nazaré, e submisso, não somente até a ignomínia da Cruz, mas até a comunhão sacrílega; submisso aos seus inimigos, aos seus profanadores!
Manso Cordeiro que não se queixa! Tenra Vítima que não sabe murmurar! Bom Salvador que não se vinga!
E porque, para que tudo isto? Para glorificar a Deus seu Pai pela continuação mística das mais sublimes virtudes, pelo sacrifício perpétuo de sua liberdade, de seu poder e de sua glória que o amor prendeu no Sacramento até soar a derradeira hora do mundo.
Jesus Cristo, contrabalançado na terra, por suas humilhações, o orgulho do homem, e tributando a seu Pai uma glória infinita, que belo espetáculo para o Coração de Deus!
Esta presença eucarística é a maior prova do amor de Jesus Cristo para com seu divino pai!

12 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 12 de Julho

A glória do Pai que Nosso Senhor tinha em vista acima de tudo sobre a terra, ainda constitui o objeto de todos os seus desejos no SSmo. Sacramento. Pode-se mesmo dizer que Jesus Cristo revestiu o estado sacramental para continuar a honrar e glorificar o Pai.
Se a reparação operada por Jesus Cristo, a glória que os seus trabalhos e sofrimentos conquistaram a seu Pai ficassem entregues nas mãos dos homens, não seria de recear que essas obras periclitassem? Não seria por demais arriscado confiar aos cuidados de homens tão imperfeitos e inconstantes a obra da Redenção e da glorificação de Deus? Não, não se abandona assim um reino conquistado a custa de sacrifícios inauditos, ao preço da Incarnação e da Morte do próprio Deus? Não se arrisca deste modo a lei divina do amor.
Que fará Jesus? Permanecerá na terra, continuando o seu oficio de adorador, de glorificador do Pai; far-se-á o sacramento da glória de Deus.

11 de julho de 2010

SÉTIMO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES.

Os falsos profetas e a necessidade das boas obras.

Omnis arbor, quae non facit fructum bonum, excidetur et in ignem mittetur – “Toda a árvore que não dá bom fruto, será cortada e metida no fogo” (Mat. 7, 19).


Sumário. Persuadamo-nos de que a fé por si sós não basta para a nossa salvação. São também necessárias as obras, porquanto, como diz nosso Senhor no Evangelho de hoje: “Toda a árvore que não dá bom fruto, será cortada e metida no fogo.” Estas obras não são as mesmas para todos; diferem segundo o estado em que Deus nos colocou. Quantos cristãos, desejando fazer coisas grandes, descuidam os deveres do próprio estado e se condenam! Meu irmão, põe a mão na consciência: serás tu porventura um destes infelizes?

I. No Evangelho de hoje Jesus Cristo nos põe de sobreaviso contra os corruptores da doutrina e da moral cristã; e especialmente contra os que negam a necessidade das boas obras para se conseguir a salvação eterna.

“Guardai-vos”, diz o Senhor (1), “dos falsos profetas, que vêm a vós com vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os reconhecereis. Por ventura colhem-se uvas de espinhos, ou figos de abrolhos? Assim, toda a árvore boa dá bons frutos, e toda a árvore má dá frutos maus.


“Não pode a árvore boa”, assim prossegue o Senhor, “dar maus frutos; nem a arvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto, é cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos, portanto, os reconhecereis. Nem todo o que diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas o que faz a vontade de meu Pai, ... esse entrará no reino dos céus.”


A fé, portanto, não basta por si só para a salvação; são necessárias também as obras, sem as quais a fé é morta (2). São em primeiro lugar necessárias aos inocentes porque Deus nos diz que no dia do juízo dará a cada um segundo as suas obras (3). Elas são mais necessárias ainda aos penitentes; porque a conversão não consiste somente na contrição do coração e na confissão oral, mas também em fazer dignos frutos de penitência (4). Àquele que não produz tais frutos, está reservada á sorte da árvore inútil: Será cortada e lançada ao fogo. -Examina agora, meu irmão, se tens a fé, que é acompanhada de frutos de boas obras; ou somente de folhas e flores de desejos vãos e propósitos ineficazes. Reflete bem, que muitos cristãos, teus semelhantes, estão agora queimando no inferno, por haverem tido uma fé morta.


II Muito embora as boas obras sejam indispensáveis para a entrada no céu, não são, todavia, iguais para todos; mas cada um deve fazer bem segundo o seu estado e a sua profissão. - É por isso que no Evangelho deste dia o Senhor nos compara a plantas, que não produzem todas os mesmos frutos, mas cada uma os da sua espécie (5) O mesmo nos é também insinuado pelas seguintes palavras: O que faz a vontade de meu Pai, este entrará no reino dos céus.


Examina aqui novamente como, no teu estado de sacerdote, de religioso ou de secular, cumpres os teus deveres para com Deus, para contigo e para com o próximo, porque, na palavra de São Francisco de Sales: “Sem o cumprimento desses deveres, ainda que ressuscitasses defuntos, serias inimigo de Deus e morrerias em estado de condenação.” - Cuida sobretudo de que não sejas do número daqueles que, pelo desejo de fazerem sempre coisas grandes, descuram de fazer bem as coisas ordinárias.


Ó Senhor, eis que eu sou aquela árvore que há tanto tempo merecia ouvir: Sucide ergo illam (6) “Corta-a”. Sim, porque em todos os anos que me acho no mundo, não Vos tenho produzido outros frutos, senão espinhos e abrolhos de pecados. Mas, não quereis que eu me perca; muito ao contrário, vejo que me ofereceis o perdão, se eu me arrependo de Vos haver ofendido. Sim, peza-me, ó bondade infinita; e prometo que nos dias que ainda me restam, procurarei reparar o passado, redobrando meu fervor em Vos amar e servir.


Vós, porém, ó meu Deus, fortalecei-me com a vossa graça; e “pela vossa providência, que não se engana nas suas disposições, apartai de mim tudo o que é danoso, e concedei-me o que me possa ser útil” (7). Fazei que eu aformoseie a minha fé por meio de boas obras, e, assim cumprindo sempre a vontade do Pai celestial, me torne merecedor da beatitude eterna. Concedei-mo, pelo amor de Maria Santíssima.

1. Mt. 7, 15 sqq.
2. Tg. 2, 26.
3. Rm. 2, 6.
4. Lc. 3, 8.
5. Gn. 1, 12.
6. Lc. 13, 7.
7. Or. Dom. curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 250-252.)

Flores da Eucaristia - 11 de Julho

Em nosso coração sentimos despertar-se uma afeição inesperada para com uma pessoa até então desconhecida que, por um traço de semelhança, por uma circunstância qualquer, nos relembra um ente querido. Sentimos natural simpatia para com aquele que faz reviver diante de nós um amigo perdido.
Do mesmo modo nos sentimos atraídos pelo amigo de nosso amigo, mesmo sem o conhecer, unicamente porque lhe é querido. E não é só isto: o coração que ama, infinitamente quer bem a tudo o que diz respeito a um amigo.
É o que acontece com Jesus; porque ama o Pai, conhecendo que Ele nos tem amor, sente-se impelido a nos amar por esta razão, independente de outra qualquer, visto que é uma necessidade para o Filho de Deus não esquecer os que são amados pelo Pai Celeste.
Sem a Eucaristia, porém, o amor de Jesus Cristo seria apenas um amor inerte, passado, sujeito ao nosso esquecimento, e esquecimento quase perdoável. O amor tem suas leis, suas quase perdoáveis. O amor tem suas leis, suas exigências que somente a Eucaristia satisfaz plenamente, e n’Ela Jesus tem direito de ser amado porque nos patenteia um amor infinito.

10 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 10 de Julho

Querendo Jesus permanecer entre nós porque é nosso Salvador, não tem apenas em vista nos aplicar os méritos da Redenção, para o que existem outros meios como os sacramentos, a oração, mas também gozar desse título de Salvador e de sua vitória.
A mãe, de certo, ama duplamente seu filho a quem salvou de um grande perigo. Jesus, a quem o nosso resgate tanto custou, sentia necessidade de nos amar com um amor de ternura para se consolar dos sofrimentos do Calvário. Quanto Ele fez por nós! O seu amor é proporcional ao que Lhe havemos custado, e Lhe custamos infinitamente!
Não se abandona aquele por quem se enfrentou o perigo da morte! Tem-se para com ele um amor semelhante ao que se experimenta para com a própria vida! E isto constitui uma felicidade inexplicável para o coração!
O coração de Nosso Senhor é, pelo menos, um coração de mãe! Ser-Lhe-ia preferível deixar a companhia dos anjos que nos abandonar. Sim, deve permanecer com aqueles a quem ama, e que somos nós, porque foi a nós que Ele salvou!

9 de julho de 2010

Flores da Eucaristia - 09 de Julho

Nenhuma ternura é mais viva, nenhum amor mais expansivo que o amor fraterno, pois a amizade, querendo igualdade, só entre irmãos poderá encontrá-la.
O amor fraternal de Jesus excede a tudo que se possa imaginar.
Diz a Sagrada Escritura que as almas de David e Jonatas, coladas uma à outra, formavam um só. Entretanto, seja qual for a união entre duas pessoas, haverá sempre em ambas um principio de egoísmo, de orgulho.
Em Nosso Senhor, porém, nada disto de verifica; ama-nos incondicionalmente, sem se tomar em consideração. Ele nos persegue com ímpeto sempre crescente.
Um irmão quer ver o seu irmão, quer viver com ele. Diz-se que Jonatas, definhava longe de David. Por isto, causava pesar a Nosso Senhor a idéia de separar-se de nós. Queria ficar ao nosso lado para nos dizer; - “Sois meus irmãos!” Que palavras repassadas de ternura!
A Eucaristia, nivelando os homens, constitui a verdadeira igualdade. Na esfera social, há preeminências; porém, à Mesa de Jesus, o primogênito, somos todos irmãos.

8 de julho de 2010

8 de julho: Santa Isabel de Aragão, Rainha e Viúva

Isabel, filha de Pedro III, Rei de Aragão, nasceu no ano de Cristo de 1271; como presságio da sua santa vida, seus pais, ao contrário do costume, fizeram batizá-la não pelo nome da sua mãe ou avó, mas pelo da tia da sua mãe, a santa D.ª Isabel da Turíngia. Tão logo ela nasceu, começou a manifestar-se seu destino de pacificadora entre reis e reinos, pois a alegria do seu nascimento pôs termo às ruinosas querelas entre seu pai e seu avô. Crescida, seu pai, admirado de sua índole, costumava afirmar que a sua Isabel, sozinha, excederia todas as filhas do reino de Aragão, e que a paz de sua casa e reino se devia unicamente aos méritos da sua filha, cuja vida celestial ele venerava, por sua indiferença às finezas carnais, sua abstinência de prazeres, seus muitos jejuns, sua instância na oração a Deus, e sua atividade em fazer obras de caridade. Essa ilustre donzela foi pedida em matrimônio por muitos príncipes, e, com doze anos de idade, foi casada, nos ritos cristãos, com D. Dinis, Rei de Portugal.
Como esposa, ela devotou-se toda à educação dos seus filhos, assim como ao seu próprio progresso nas virtudes, esforçando-se, por todos os meios, para, depois de Deus, agradar seu marido. Por quase meio ano subsistiu ela a pão e água, e certa vez, quando esteve doente, Deus mudou a água em vinho, que os médicos lhe haviam recomendado beber, mas que ela recusava. Outra vez, quando ela beijou uma ferida repugnante numa pobre mulher, ela foi curada imediatamente. Num inverno, enquanto ela dava dinheiro aos pobres, ocultando-o ao marido, as moedas tornaram-se rosas*. Deu a vista a uma jovem cega de nascença, e curou muitas outras pessoas de graves enfermidades pelo Sinal da Cruz. Os milagres que ela operou desse gênero foram muitos. Ela não apenas construiu, mas adornou ricamente conventos, escolas e igrejas. Tinha muita habilidade em fazer a paz entre reis, e labutou para aliviar todo sofrimento, seja público ou particular.
Morto D. Dinis, Isabel, que, na sua mocidade, havia sido um modelo para as virgens, e, no seu matrimônio, para as esposas, então, na sua viuvez foi um exemplo para as viúvas. Vestida com hábito das religiosas de Santa Clara, compareceu fielmente ao funeral do Rei, e logo em seguida foi a Compostela, onde doou muitos preciosos dons de seda, ouro e prata, e pedras preciosas, pelo bem da alma dele. Então, voltou para casa, e gastou em santas e piedosas obras tudo o que lhe sobrara que lhe fosse caro e precioso. Terminou o verdadeiramente régio convento de freiras de Coimbra. Alimentou os pobres, defendeu as viúvas, protegeu os órfãos; querendo aliviar as misérias de todos, vivia não para si, mas para Deus e para o bem de todos os mortais. Estourando uma guerra entre seu filho, Afonso IV, Rei de Portugal, e seu neto, Afonso XI, para reconciliá-los, for morar na famosa cidade de Estremoz, na fronteira dos dois reinos. Na viagem, contraiu uma febre severa, da qual, após uma visão da Virgem Mãe de Deus, morreu uma santa morte em 4 de julho de 1336. Tornou-se notável por milagres após a morte, especialmente pelo suavíssimo odor que exala o seu corpo já há mais de trezentos anos. E, no ano de nossa salvação de 1625, ano do jubileu, com o aplauso de todo o mundo cristão, Urbano VIII formalmente inscreveu-a entre os Santos.

* "Levava uma vez a Rainha santa moedas no regaço para dar aos pobres(...) Encontrando-a el-Rei lhe perguntou o que levava,(...) ela disse, levo aqui rosas. E rosas viu el-Rei não sendo tempo delas."
—Crônica dos Frades Menores, Frei Marcos de Lisboa, 1562

Citações de santos a respeito da vinda do Anticristo

Santo Ambrósio
“O Senhor não virá como juiz antes que o reino romano seja dissolvido, e que o Anticristo apareça. Este matará os santos e restituirá aos Romanos sua liberdade mas sob seu próprio nome”.

Santo Anselmo
“O Anticristo procurará passar-se por religioso, a fim de poder seduzir sob este exterior de piedade; e há mais, ele dirá que e Deus e se fará adorar e prometerá o céu”.
“Porque, que incrédulo se converterá à fé, que cristão não ficará abalado e quebrado em sua fé, quando o perseguidor da religião se tornar autor de grandes prodígios?”
“Mas, o Espírito Santo é bastante poderoso para sustentar o coração dos seus, mesmo no meio desses grandes prodígios; esses prodígios extraordinários seduzirão somentes aqueles que merecem ser seduzidos”.

Santo Antônio
“O Anticristo será designado como chefe dos hipócritas, porque este homem tão perverso recorrerá sobretudo à hipocrisia para seduzir”.

Santo Agostinho
“Quando o Anticristo, filho do demônio, autor o mais perverso de toda malícia, vir perturbado o mundo inteiro e tiver atormentado o povo de Deus por diversos suplícios; depois que tiver morto Enoch e Elias e tiver martirizado todos os que perseveraram na Fé, a cólera de Deus tombará enfim sobre ele e Nosso Senhor o fará perecer pelo sopro de sua boca”.

São Boaventura
“Marcas do advento do Anticristo:
Quando os velhos não tiverem nem bom senso nem prudência;
Quando os cristãos estiverem sem fé;
Quando o povo estiver sem amor;
Quando os ricos forem sem misericórdia;
Quando os jovens não tiverem respeito;
Quando os pobres forem sem humildade;
Quando as mulheres tiverem perdido o pudor;
Quando, no casamento, não houver mais continência;
Quando os clérigos forem sem honra e sem santidade;
Quando os religiosos não tiverem verdade nem austeridade;
Quando os prelados não se inquietarem de sua administração e não tiverem piedade;
Quando os mestres da terra não tiverem misericórdia nem liberdade.”

São Gregório Magno
“O Anticristo se levantará tão alto, reinará com tanto poder, aparentará uma tão grande santidade por prodígios e sinais extraordinários, que ninguém poderá contradizer suas obras porque somará ao poder do terror os sinais mais aparentes de sua santidade exterior”.
“É coisa diferente de uma testemunha de Anticristo aquele que, não mais considerando como sagrada a Fé que deu a Deus, dá testemunho do erro?”

São Jerônimo
“O Anticristo deverá sair do povo judeu e tais serão sua simplicidade e sua humildade que se não lhe prestarem as honras devidas a um rei, ele se tornará mestre do poder por suas falsidades e seus artifícios e ele forçará os exércitos do povo romano a se renderem e os quebrará”.
“O Anticristo fingirá ser casto para pegar de surpresa um grande número de pessoas”.

São Berlarmino
“O Anticristo estará em entendimento secreto com o demônio que ele servirá secretamente. Em desígnio cheio de fingimento, ele mostrar-se-á como Cristo para enganar os cristãos e, ao mesmo tempo, aprovará a circuncisão e o sábado para seduzir os judeus”.

Fonte: FLEICHMAN, Júlio. O itinerário espiritual da Igreja Católica. Rio de Janeiro: Permanência, 2004. Ps. 155-158.