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7 de junho de 2019

A .Alma de Todo Apostolado, J. B. Chautard,

A ALMA DE TODO APOSTOLADO

J. B. Chautard

Décima Primeira Verdade

11/11

Se Deus exigir assim de mim a aplicação da minha atividade à minha santificação, como às obras, antes de mais nada hei de arraigar em minha alma esta convicção firme: Jesus deve ser e quer ser a vida dessas obras.
Meus esforços por si nada são, absolutamente nada: Sine me Níhil potestis fácere. Somente serão úteis e abençoados por Deus, quando eu, por meio de uma verdadeira vida interior, os trouxer constantemente unidos à ação vivificadora de Jesus. Então se tornarão onipotentes: Omnia possum in eo qui me confortat. Se promanassem de uma capacidade orgulhosa, da confiança nos meus talentos, do desejo de bons êxitos, seriam rejeitados por Deus, porquanto não seria acaso sacrílega loucura da minha parte querer arrebatar a Deus, para com ela me adornar, uma porção de sua glória?
Longe de gerar em mim a pusilanimidade, essa convicção será minha força. E como ela me fará sentir a necessidade da oração para obter essa humildade, tesouro para minha alma, segurança do auxílio de Deus e penhor de bom êxito para minhas obras!
Compenetrado da importância deste princípio, hei de fazer durante os meus retiros sério exame de consciência para reconhecer - se, minha convicção da nulidade da minha ação quando desacompanhada e da sua força quando unida à ação de Jesus, não está abalada, - se excluo implacavelmente qualquer complacência ou vaidade, qualquer contemplação do meu "eu" em minha vida de apóstolo, - se me mantenho numa desconfiança absoluta de mim mesmo, - e se peço a Deus que vivifique minhas obras e me preserve do orgulho, primeiro e principal obstáculo a seu concurso.
Este credo da vida interior, tornado a base da existência para a alma, assegura-lhe, já neste mundo, a participação da felicidade celeste.
Vida interior, vida dos predestinados.
Corresponde ao fim que Deus se propôs ao criar-nos.
Corresponde ao fim da Encarnação: Filium suum unigénitum misit Deus in mundum ut vivamus per eum.
Estado bem aventurado: Finis humanae creaturae est adhaerere Deo: in hoc enim felicitas ejus consistit. Ao contrário das alegrias do mundo, se exteriormente existem nele espinhos, dentro subsistem as rosas. Como se deve lamentar essa pobre gente do mundo! dizia o Santo Cura D'Ars. Pesa-lhes sobre os ombros um manto de espinhos; não podem fazer um movimento sem se picarem; ao passo que os verdadeiros cristãos têm um manto forrado de arminho. Crucem vident, unctionem non vident.
Estado celeste! A alma torna-se um céu vivo.
Como santa Margarida Maria, ela canta:

Eu possuo constantemente
E acompanha os passos meus
O Deus do meu coração
E o coração do meu Deus.

É o começo da bem aventurança: Inchoatio quaedam beatitúdinis. A graça é o céu em germe.

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