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17 de janeiro de 2011

Sacerdote Eternamente - Parte 34

SACERDOTE ETERNAMENTE
Dom Emmanuel Marie André

LIVRO QUARTO
DAS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA O EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO

CAPÍTULO XI
O Padre Dever ser Desinteressado



Avaro nihil est celestus (nada há mais perverso do que o avarento — Eclo 10,9), diz o Espírito Santo. Pode-se também dizer que nada é mais contrário ao espírito do Evangelho do que o amor ao dinheiro.

Deus não é ouro nem prata; e o homem de dinheiro não poderá ser homem de Deus.

O padre, se possível fosse, não deveria pousar na terra, quia Angelus Domini exercitum est (pois ele é o Anjo do Senhor dos exércitos — Mal 2,7).

Mensageiro celeste, embaixador de Deus, o pastor não deve aspirar senão o Céu, não desejar senão Deus, herança que escolheu quando se ordenou: Dominus pars haereditatis meae (O Senhor é o quinhão da minha herança — Sl 15,5).

Um pastor ocupado com Deus e com as almas não deve ter solicitude com o beber e o comer: Nollite solliciti esse dicentes: Quid manducabimus aut quid bibemus (Não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos ou que beberemos? — Mt 6,31). Ao pastor que para tais coisas se confiasse pura e simplesmente aos cuidados da Providência nada de necessário lhe faltaria.

É o que vemos muito claramente pelo que sucedeu aos Apóstolos. Nosso Senhor os enviou a pregar; enviou-os sem nada, mas nada lhes faltou. Quando misi vos sine sacculo et pera et calceamentis, nunquid aliquid defuit vobis? At illi dixerunt: Nihil! (Quando vos mandei sem bolsa, sem alforje, sem sandálias, faltou-vos alguma coisa? Eles disseram: Nada! — Lc 22,35-36).

O pastor receberá de Deus seu pão de cada dia, mas não só para si como também para seus pobres. Receberá em uma das mãos e dará com a outra; e tanto mais terá para dar quanto mais somente de Deus espere o que lhe for necessário. Esse é o testemunho de São Vicente de Paulo, o homem que mais deu neste mundo.


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ANDRÉ, Dom Emmanuel Marie. Tratado do Ministério Eclesiástico.

16 de janeiro de 2011

Sacerdote Eternamente - Parte 33

SACERDOTE ETERNAMENTE
Dom Emmanuel Marie André

LIVRO QUARTO
DAS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA O EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO

CAPÍTULO X
O Padre Deve ser Homem Interior



A multiplicidade de ocupações que se propõem à solicitude de um pastor é muito grande. As pessoas e as coisas, os corpos e as almas, os interesses espirituais dos fiéis e os interesses temporais da Igreja, tudo recai ao mesmo tempo sobre o pastor.

Todo acontecimento pode ter alguma influência sobre os interesses das almas, e, portanto, o pastor deve necessariamente estar um pouco atento a tudo. Todas as idades, todas as condições, todos os bons e todos os demais devem ser para ele objeto de incessante solicitude.

Há, por causa disso, um verdadeiro perigo de deixar-se absorver por solicitudes exteriores, por preocupações com pessoas e coisas.

A caridade que o pastor deve a seu rebanho corre o risco de tornar-se ela própria uma causa, um pretexto, uma ocasião para ele de deixar-se absorver no cuidado das coisas exteriores, da saúde, dos interesses temporais, de quaisquer negócios.

Um pastor deve pensar um pouco em tudo, levar em conta tudo, estender sua caridade a tudo, mas, entretanto, esse tudo não o deve absorver. Acima de tudo o que concerne ao rebanho há o infinito que é Deus; e o padre se deve a Deus mais que a tudo e não poderá ser realmente útil em tudo senão sendo todo de Deus.

É em Deus que o pastor encontrará a luz, a medida, o verdadeiro zelo, a discrição, todas as virtudes necessárias para poder passar por entre as solicitudes exteriores do ministério, sendo útil ao rebanho sem diminuição de sua vida interior, prestando-se a cuidados materiais sem neles se absorver, sendo devotado ao próximo sem cessar de estar unido a Deus.


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ANDRÉ, Dom Emmanuel Marie. Tratado do Ministério Eclesiástico.

15 de janeiro de 2011

Sacerdote Eternamente - Parte 32

SACERDOTE ETERNAMENTE
Dom Emmanuel Marie André

LIVRO QUARTO
DAS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA O EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO

CAPÍTULO IX
Zelo pela Justiça



O zelo pela justiça é o devotamento perfeito aos interesses de Deus. Nos interesses de Deus estão necessariamente compreendidos os interesses das almas. Pois Deus quer a salvação da alma, e o quer com particular interesse, por ser isto a sua maior glória.

Os interesses de Deus são freqüentemente comprometidos pelos homens. Colocado entre Deus e os homens, vê-se então o pastor muitas vezes em luta com os homens por causa dos interesses de Deus.

Essa luta não deixa de apresentar dificuldades, pois se o pastor sendo homem de Deus deve servi-lo, também deve servir às almas das quais é pastor, e pastor responsável. Se vir os interesses de Deus por um olho só, por assim dizer, trabalhará por eles prova-velmente de maneira imperfeita, comprometendo as almas. Por outro lado, se pretender não melindrar as almas, poderá desatender aos interesses de Deus.

A dificuldade é grande e às vezes chega a ser extrema. Há perigo de ambos os lados, e o pastor tem que temer de um lado vir a ficar em falta com Deus, de outro lado a ficar em falta com as almas.

Em tal estado de coisas, o zelo não é conselheiro suficiente, e poderá, por si só, levar a excessos e até a comprometer o próprio bem almejado.

Ao lado do zelo é necessária a ciência; e com esta a humildade, a pureza de vistas e de intenção, isto é, coisas que o pastor jamais encontrará se antes de tudo não for homem de oração: Orationi ... instantes erimus.


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ANDRÉ, Dom Emmanuel Marie. Tratado do Ministério Eclesiástico.

14 de janeiro de 2011

Sacerdote Eternamente - Parte 31

SACERDOTE ETERNAMENTE
Dom Emmanuel Marie André

LIVRO QUARTO
DAS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA O EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO

CAPÍTULO VIII
A Humildade



O padre tem duplamente necessidade da graça de Deus, pois tem necessidade dela para si mesmo e tem necessidade dela para seu rebanho. E como Deus, segundo a muito sábia lei de sua misericórdia e de sua justiça, resiste aos soberbos e dá sua graça aos humildes, segue-se então que o padre tem uma necessidade dupla, quer dizer, uma necessidade mais imperiosa que seus fiéis de ser verdadeiramente humilde.

Ele tem necessidade de conhecer os caminhos de Deus e seus planos; ele tem necessidade de atrair para si a graça do alto e de granjeá-la também para as asmas de que é pastor. Como poderá ele ser um mediador aceito por Deus se não for humilde? Deus confiará no homem que quer entrar em seus segredos para arrebatar sua glória e atribuí-la a si próprio? Tornará canal de sua graça o homem que, por orgulho, se comporta como inimigo da graça? Como poderá tratar perante Deus da reconciliação das almas culpadas, aquele que por seu orgulho procede como revoltado contra Deus?

Sem humildade não é possível ministério. Deus quer dar-nos sua graça, mas não quer que lhe tomemos sua glória. E quando um padre quer para si mesmo a glória, deixa de ser o mediador da graça. Deus superbis resistit et gratiam praestat humilibus (Deus se opõe aos orgulhosos e dá a sua graça aos humildes — Tgo 4,6).

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ANDRÉ, Dom Emmanuel Marie. Tratado do Ministério Eclesiástico.

13 de janeiro de 2011

Sacerdote Eternamente - Parte 30

SACERDOTE ETERNAMENTE
Dom Emmanuel Marie André

LIVRO QUARTO
DAS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA O EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO

CAPÍTULO VII
A União a Deus na Oração



Da mesma forma que a caridade compassiva, a ternura paternal e mesmo maternal devem aproximar o pastor dos seus fiéis, assim também a constância na oração deve mantê-lo unido a Deus.

O pastor é homem de Deus, sem cuja graça nada pode; é de Deus que deve receber instruções; é a Deus que deve solicitar as graças necessárias seja para si seja para seu rebanho. Como poderá ele então haver-se, se antes que tudo não for homem de oração?

São Paulo diz: Nós somos os embaixadores de Jesus Cristo - Pro Christo legatione fungimur (Somos embaixadores de Cristo — 2 Cor 5,20). Ora, todo embaixador deve receber instruções daquele que o envia, a fim de trabalhar por seus interesses. Como poderá então o padre trabalhar pelos interesses de Deus junto aos fiéis se não tiver recebido orientação de Deus? E como poderá ser orientado por Deus não sendo pela oração?

Cabe aqui novamente a palavra de São Pedro, que tantas vezes já recordamos: Nos vero orationi et ministerio Verbi instantes erimus (At 6,4). Por onde se vê que o Apóstolo põe em primeiro lugar a oração, na qual receberá as luzes de Deus que transmitirá aos fiéis pela pregação: Orationi et ministerio Verbi. A palavra que não provém da oração não é senão um som vazio, pois será impotente, infecunda; e, em vez de ser palavra de Deus, não passará de palavra de homem.

Portanto, antes de tudo e acima de tudo, é necessário rezar.


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ANDRÉ, Dom Emmanuel Marie. Tratado do Ministério Eclesiástico.

12 de janeiro de 2011

Sacerdote Eternamente - Parte 29

SACERDOTE ETERNAMENTE
Dom Emmanuel Marie André

LIVRO QUARTO
DAS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA O EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO

CAPÍTULO VI
A Caridade Compassiva para com Todo Mundo



O padre deve dedicar-se a Deus e ao próximo; a Deus pela oração; ao próximo por uma terna e compassiva caridade.

Nosso Senhor, — que nos deu, no Evangelho, tantas divinas lições de ternura para com os pecadores, que nos contou as parábolas tão tocantes do filho pródigo e da ovelha desgarrada, e a história da mulher adúltera —, é Ele próprio o modelo dessa terna caridade de um pastor de almas.

“Que o pastor — diz São Gregório — seja unido a todos os fiéis pela compaixão; que pelas entranhas de sua misericórdia atraia a si e tome a si, para carregá-las, as enfermidades de todos. Que um pastor se mostre de forma tal que os fiéis não sintam vergonha alguma de lhe revelar o que tenham de mais secreto, e, quando agitados pelas ondas das tentações, que encontrem acolhida na alma do pastor como em um seio materno. Quase ad matris sinum! (como em um seio de mãe)”.



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ANDRÉ, Dom Emmanuel Marie. Tratado do Ministério Eclesiástico.

11 de janeiro de 2011

Sacerdote Eternamente - Parte 28

SACERDOTE ETERNAMENTE
Dom Emmanuel Marie André

LIVRO QUARTO
DAS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA O EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO

CAPÍTULO V
A Utilidade no Uso da Palavra




Há tempo para calar e tempo para falar, diz o Espírito Santo. O homem de Deus deve saber discernir esses tempos. E, quando chegar o tempo de falar, é preciso que cuide de dizer o que Deus quer que ele diga, ou o que as almas têm direito de esperar de um enviado de Deus.

São Pedro, ensinando a todos os cristãos, dizia: Si quis loquitur, quase sermones Dei (Se alguém falar, que seja como palavra de Deus — 1 Ped 4,11). Mas, se tivesse escrito especialmente para os padres, ele certamente teria dito: Si sacerdos loquitur, sermones Dei (Se o padre falar, que sejam palavras de Deus). Excluiria o termo quase (como).

No púlpito, o padre deve falar como o próprio Deus. Fora dele, como um homem de Deus.

É conhecido o dito de São Bernardo a respeito de palavras jocosas:

In ore saecularium nugae, nugae sunt; in ore sacerdotum, blasphemiae (na boca de homens do mundo, os gracejos são gracejos; na boca de sacerdotes, são blasfêmias).

A palavra do padre deve ser sempre digna sem afetação, afável sem trivialidade, doce sem lisonja, grave sem dureza, de forma que lembre às almas o pensamento de Nosso Senhor do qual foi dito: Nunquam sic locutus est homo, sicut hic homo (Nunca homem algum falou como este homem — Jo 7,46).



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ANDRÉ, Dom Emmanuel Marie. Tratado do Ministério Eclesiástico.

10 de janeiro de 2011

Sacerdote Eternamente - Parte 27

SACERDOTE ETERNAMENTE
Dom Emmanuel Marie André

LIVRO QUARTO
DAS VIRTUDES NECESSÁRIAS PARA O EXERCÍCIO DO MINISTÉRIO

CAPÍTULO IV
A Discrição no Silêncio



O padre deve saber guardar um silêncio discreto. O respeito que ele deve ter a Deus e a Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento bem como às almas de que ele é pastor fazem desse silêncio discreto uma lei indispensável.

Uma palavra de mais que saia de seus lábios poderá comprometer seu ministério, e causar prejuízo à própria palavra de Deus quando for por ele anunciada.

O padre não deveria falar senão quando tendo ordem de Deus para fazê-lo, pois faz parte das obrigações de um ministro só abrir a boca de conformidade com as intenções do soberano que o envia.

Sendo homem de oração, o padre não terá dificuldade em observar esta lei da discrição e do silêncio. Quando se tem a honra de privar habitualmente com Deus na oração, com Nosso Senhor no Santo Sacrifício, não se tem tendência para ir conversar com os homens.

O padre muito falador nunca será julgado pelas almas como um homem de Deus, pois nisso as almas jamais se enganam.


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ANDRÉ, Dom Emmanuel Marie. Tratado do Ministério Eclesiástico.