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2 de janeiro de 2011

A Medalha Milagrosa - Dom Antônio de Castro Mayer

Medalha Milagrosa


Oval, tendo-no anverso a imagem da Virgem Santíssima, com os braços amavelmente estendidos, as mãos abertas de onde procedem raios de graças os pés poisando sobre a cabeça de uma serpente deitada sobre um globo, bordejando a medalha e começando à altura da mão direita e terminando à altura da mão esquerda, a frase: ó Maria Concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

No reverso um “M” atravessado por um traço que sustentam a Cruz, e repousando sobre outro traço, tendo em baixo dois corações, um chamejante e coroado de espinhos, outro também chamejante e atravessado por uma espada: doze estrelas bordejam, deste lado a medalha.

Essa é a medalha que chama “milagrosa” pelas inúmeras garças que obtêm da Virgem Santíssima aqueles que a trazem devotamente com sigo. Não é, pois uma medalha comum. Não. Ela tem sua história que mostra o desvelo materno de Maria Santíssima para com seus filhos na terra. Vamos contá-la:

Origem: a visão

Vivia em Paris à rua do Bac no convento das filhas da caridade a irmã Catarina Labouré – hoje, Santa Catarina Labouré. Agraciada por diversas visitas da Virgem Santíssima, Mãe de Deus, conta ela especial que teve no dia 27 de novembro de 1830, sábado véspera do primeiro domingo de Advento apareceu-lhe Maria Santíssima por detrás do Sacrário:

A Virgem Santíssima, diz ele estava de pé sobre um globo, vestida de branco, com um véu branco a cobrir-lhe a cabeça e um manto azul que descia até os pés um o cabelo em tranças, seguro por uma fita debruada de pequena renda, o rosto bem descoberto e de uma formosura indiscritível.


As mãos elevada até as cintas sustentavam outro globo, figura do mundo rematado por uma cruzinha de ouro. A Senhora toda rodeada de tal esplendor que era impossível fixá-la. O rosto iluminou-se-lhe de radiante claridade no momento em que com os olhos levantados ao Céu, oferecia ao Senhor o globo.

– De repente os dedos cobriram-se de anéis e pedrarias preciosas de extraordinária beleza, de onde se desprendiam raios luminosos envolvendo a senhora em tal esplendor que já se lhe não via a túnica nem os pés. As pedras preciosas eram maiores umas menores outras e proporcionais eram também os raios luminosos. – O que então experimentei e aprendi naquele momento é impossível de explicar-

As palavras da Virgem

Como estivesse ocupada em contemplá-la, a Virgem Santíssima baixou para meus olhos e uma vós interior me disse no íntimo do coração: “este globo que vez representa o mundo inteiro e em especial a França e cada pessoa em particular”.
- Não sei exprimir o que descobri de beleza e brilho nos raios tão resplandecentes. A Santíssima Virgem acrescentou “eis o símbolo das graças que derrama sobre as pessoas que mais pedem”. – desapareceu então o globo que tinha nas mãos: e como se estas não pudessem com o peso das graças, os braços se abaixaram e se abriram na atitude graciosa reproduzida na Medalha.

A Medalha e a Promessa da Virgem Mãe

Formou-se, então em torno da Virgem um quadro um pouco oval onde em letras de ouro se liam estas palavras: “O Maria Concebida Sem pecado Rogai por nós que Recorremos e vós”. Fez-se então ouvir uma voz que me dizia: “manda cunhar uma medalha com este modelo : as pessoas que a trouxerem receberam grandes graças, mormente se a trouxerem ao pescoço: ao de ser abundantes as graças às pessoas que a trouxerem com confiança”.

– No mesmo instante, o quadro apareceu voltar-se e a viu no reverso a letra “M” encimada por uma Cruz, tendo um traço na base e por baixo do monograma de Maria dois corações de Jesus e Maria, o primeiro cercado de espinhos, o segundo atravessado por uma espada, e, segundo uma tradição oral comunicada pela vidente, uma coroa de doze estrelas a cercar o monograma de Maria e os dois corações. Também a mesma irmã disse que a Virgem Santíssima calçava aos pés uma serpente de cor esverdeada com pintas amarelas.

A Difusão da Medalha

Após dois anos, terminado o processo canônico o arcebispo de Paris, D. Quelen mandou cunhar a Medalha. Difundiu-se logo a Medalha, acompanhada de graças espirituais e corporais. Celebre é conversão do Judeu Afonso Ratisbona.

Ratisbona

Afonso Maria Ratisbona, nascido em Estransburgo, de família judia riquíssima, em 1º de maio de 1814, viveu como ateu dos 15 aos 23 anos, alimentando ódio mortal ao irmão Teodoro já convertido, aos padres, especialmente aos jesuítas, e às Religiosas. Visitando Roma, contra sua vontade acompanhou seu amigo o Barão Teodoro de Bussier, membro da embaixada francesa, à Igreja de Santo André delle frate.

Ficou na carruagem, enquanto o amigo fazia sua visita ao Templo. Cansado de esperar desceu ele também à Igreja, com intenção de apressar o amigo. Ali o aguardava a Misericórdia de Deus, amavelmente, pois vinha-lhe ao encontro através de Maria Santíssima. Naquele dia, 20 de janeiro de 1842, aparece a Virgem Santíssima segundo o modelo da Medalha Milagrosa, prostra o judeu incrédulo, que se levanta convertido apostolo ardorosamente voltado à conversão dos seus conacionais judeus.

Dia 31 de janeiro desse ano recebia, na Igreja de Gesú dos jesuítas, o Batismo, a confirmação e a Sagrada Comunhão. No dia 08 de dezembro de 1868 Pio IX confirmava “Instituto pela regeneração dos Israelitas”, por ele fundado e seu irmão Teodoro. Após várias obras apostólicas, morria em Jerusalém no dia 1º de maio de 1884, com o nome santíssimo de Maria Imaculada nos lábios.

Conclusão

Alimentemos a devoção à Medalha Milagrosa. Não deixemos de trazê-la ao pescoço, como recomendou a Virgem Mãe. E todos os dias rezemos pedindo-lhe a proteção, três Aves-Marias. Habituamo-nos a dá-la aos doentes que não se animam confessar-se, ou mesmo recusam o padre; pois, esta Medalha vence todas as resistências. É, pois, um meio fácil e ótimo de exercermos a caridade para como nosso próximo, a mais importante, a que cuida da salvação eterna.

Dom Antonio de Castro Mayer

(Boletim diocesano de novembro de 1975 - Diocese de Campos)

31 de dezembro de 2010

Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem

TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM por São Luís Maria Grignion de Montfort

"É mentiroso o homem que diz amar Nosso Senhor não amando sua Santíssima Mãe"

1. Foi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por ela que deve reinar no mundo.
2. Toda a sua vida Maria permaneceu oculta; por isso o Espírito Santo e a Igreja a chamam Alma Mater – Mãe escondida e secreta. Tão profunda era a sua humildade, que, para ela, o atrativo mais poderoso, mais constante era esconder-se de si mesma e de toda criatura, para ser conhecida somente de Deus.
3. Para atender aos pedidos que ela lhe fez de escondê-la, empobrecê-la e humilhá-la, Deus providenciou para que oculta ela permanecesse em seu nascimento, em sua vida, em seus mistérios, em sua ressurreição e assunção, passando despercebida aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios parentes não a conheciam; e os anjos perguntavam muitas vezes uns aos outros: Quae est ista?... – Quem é esta? (Ct 3, 6; 8, 5) pois que o Altíssimo lha escondia; ou, se algo lhes desvendava a respeito, muito mais, infinitamente, lhes ocultava.
4. Deus Pai consentiu que jamais em sua vida ela fizesse algum milagre, pelo menos um milagre visível e retumbante, conquanto lhe tivesse outorgado o poder de fazê-los. Deus Filho consentiu que ela não falasse, se bem lhe houvesse comunicado a sabedoria divina. Deus Espírito Santo consentiu que os apóstolos e evangelistas a ela mal se referissem, e apenas no que fosse necessário para manifestar Jesus Cristo. E, no entanto, ela era a Esposa do Espírito Santo.
5. Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, a quem aprouve humilhá-la e ocultá-la durante a vida para lhe favorecer a humildade, tratando-a de mulher – mulier (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estrangeira, conquanto em seu Coração a estimasse e amasse mais que todos os anjos e homens. Maria é a fonte selada (Ct 4, 12) e a esposa fiel do Espírito Santo, onde só ele pode penetrar. Maria é o santuário, o repouso da Santíssima Trindade, em que Deus está mais magnífica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem excetuar seu trono sobre os querubins e serafins; e criatura algumas, pura que seja, pode aí penetrar sem um grande privilégio.
6. Digo com os santos: Maria Santíssima é o paraíso terrestre do novo Adão, no qual este se encarnou por obra do Espírito Santo, para aí operar maravilhas incompreensíveis. É o grande, o divino mundo de Deus, onde há belezas e tesouros inefáveis. É a magnificência de Deus, em que ele escondeu, como em seu seio, seu Filho único, e nele tudo que há de mais excelente e mais precioso. Oh! que grandes coisas e escondidas Deus todo-poderoso realizou nesta criatura admirável, di-lo ela mesma, como obrigada, apesar de sua humildade profunda: Fecit mihi magna qui potens est (Lc 1, 49). O mundo desconhece essas coisas porque é inapto e indigno.
7. Os santos disseram coisas admiráveis desta cidade santa de Deus; e nunca foram tão eloqüentes nem mais felizes, – eles o confessam – que ao tomá-la como tema de suas palavras e de seus escritos. E, depois, proclamam que é impossível perceber a altura dos seus méritos, que ela elevou até ao trono da Divindade; que a largura de sua caridade, mais extensa que a terra, não se pode medir; que está além de toda compreensão a grandeza do poder que ela exerce sobre o próprio Deus; e, enfim, que a profundeza de sua humildade e de todas as suas virtudes e graças são um abismo impossível de sondar. Ó altura incompreensível! Ó largura inefável! Ó grandeza incomensurável! Ó insondável!
8. Todos os dias, dum extremo da terra ao outro, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo prega, tudo exalta a incomparável Maria. Os nove coros de anjos, os homens de todas as idades, condições e religiões, os bons e os maus. Os próprios demônios são obrigados, de bom ou mau grado, pela força da verdade, a proclamá-la bem-aventurada. Vibra nos céus, como diz São Boaventura, o clamor incessante dos anjos: Sancta, sancta, sancta Maria, Dei Genitrix et Virgo; e milhões e milhões de vezes, todos os dias, eles lhe dirigem a saudação angélica: Ave, Maria..., prosternado-se diante dela e pedindo-lhe a graça de honrá-la com suas ordens. E a todos se avantaja o príncipe da corte celeste, São Miguel, que é o mais zeloso em render-lhe e procurar toda a sorte de homenagens, sempre atento, para ter a honra de, à sua palavra, prestar um serviço a algum dos seus servidores.
9. Toda a terra está cheia de sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam como padroeira e protetora em muitos países, províncias, dioceses e cidades. Inúmeras catedrais são consagradas sob a invocação do seu nome. Igreja alguma se encontra sem um altar em sua honra; não há região ou país que não possua alguma de suas imagens milagrosas, junto das quais todos os males são curados e se obtêm todos os bens. Quantas confrarias e congregações erigidas em sua honra! quantos institutos e ordens religiosas abrigados sob seu nome e proteção! quantos irmãos e irmãs de todas as confrarias , e quantos religiosos e religiosas a entoar os seus louvores, a anunciar as suas maravilhas! Não há criancinha que, balbuciando a Ave-Maria, não a louve; mesmo os pecadores, os mais empedernidos, conservam sempre uma centelha de confiança em Maria. Dos próprios demônios no inferno, não há um que não a respeite, embora temendo.
10. Depois disto é preciso dizer, em verdade, com os santos: De Maria nunquam satis... Ainda não se louvou, exaltou, amou e serviu suficientemente a Maria, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço ela merece.
11. É preciso dizer, ainda, com o Espírito Santo: Omnis gloria eius filiae Regis ab intus – Toda a glória da Filha do Rei está no interior (Sl 44, 14), como se toda a glória exterior, que lhe dão, a porfia, o céu e a terra, nada fosse em comparação daquela que ela recebe no interior, da parte do Criador, e que desconhecem as fracas criaturas, incapazes de penetrar o segredo dos segredos do Rei.
12. Devemos, portanto, exclamar com o apóstolo: Nec oculus vidit, nec auris audivit, nec in cor hominis ascendit (1Cor 2, 9) – os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça, da natureza e da glória. Se quiserdes compreender a Mãe – diz um santo – compreendei o Filho. Ela é uma digna Mãe de Deus: Hic taceat omnis lingua – Toda língua aqui emudeça.
13. Meu coração ditou tudo o que acabo de escrever com especial alegria, para demonstrar que Maria Santíssima tem sido, até aqui, desconhecida, e que é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser. Quando, portanto, e é certo, o conhecimento e o reino de Jesus Cristo tomarem o mundo, será uma conseqüência necessária do conhecimento e do reino da Santíssima Virgem Maria. Ela o deu ao mundo a primeira vez, e também, da segunda, o fará resplandecer.
7) No sentido de: conhecida insuficientemente, como se depreende de todo este parágrafo e da expressão: “Jesus Cristo não é conhecido como deve ser”.

30 de dezembro de 2010

O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Algumas observações retiradas do livro:
O Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, editora Artpress

Origem do Carmelo

Segundo a tradição os carmelitas tiveram sua origem nos profetas Elias e Eliseu e seus seguidores, foram continuados depois pelos filhos dos profetas - instituição surgida na época do profeta Samuel e mais tarde pelos essênios. Já na era cristã, pelos ermitães que povoavam o Monte Carmelo (+ ou – no ano 83).

Uma capela foi construída em honra a Nossa Senhora no Monte Carmelo por esses ermitães. Em 1185 um monge grego chamado João Focas foi visitar o monte Carmelo e lá encontrou com São Bertoldo com mais cerca de dez eremitas que com ele viviam junto à gruta do Profeta Elias, ao morrer São Bertoldo (1208), Brocardo, passou a dirigir o grupo pedindo ao patriarca de Jerusalém, Santo Alberto de Vercelli (1214), que compusesse uma regra para a Ordem.

Em meados do século XIII por causa dos ataques mulçumanos, os eremitas tiveram que abandonar várias vezes o Monte Carmelo, até que em 1291, enquanto cantavam a Salve Regina, foram martirizados e seu convento queimado. Mas a ordem subsistiu, pois muitos dos monges eram europeus e havia fundações em vários locais da Europa, Espanha, Inglaterra, etc.

Origem do Escapulário

Latim: scapulae = ombros
No século VI com São Bento o Escapulário era constituído por uma faixa em forma de cruz posta sobre o peito e costas para auxiliar o ajuste do hábito nos afazeres.

Um século mais tarde, mudou de significado, tornou-se uma espécie de capuz alongado que protegia a testa e os ombros da chuva, frio e neve.

Em 821 essa peça já descia até os joelhos, depois descendo até os pés (1200). A imposição nas formas de profissão monástica se deu gradualmente sendo hoje parte integrante de quase todos os hábitos religiosos.

Ordem Terceiras e Oblatos – Com o tempo as ordens masculinas foram se desdobrando surgindo os ramos femininos (Ordem Segunda) e de leigos (Terceira ou Oblatos), esses “irmãos” recebiam um hábito mais simples, que usavam continuamente ou, nos domingos e festas. No início não se encontra menção do Escapulário no hábito dos Oblatos beneditinos nem é mencionado na regra da Ordem Terceira de São Francisco 1221, porém com o tempo tornou-se usual portar sob as vestes, um Escapulário de tamanho considerável, do mesmo tecido que o das Ordens Primeiras.

Confrarias

Para muitos leigos que por motivos diversos não poderiam ingressar nas Ordens Terceiras foram fundadas as confrarias, os confrades participavam dos bens espirituais das Ordens aquém estavam ligados, mas não tinham votos. A confraria de Nossa Senhora do Carmo é a mais antiga (1280).

Para essas confrarias surgiu então uma miniatura do Escapulário dos religiosos, seus confrades deveriam portá-lo continuamente. Finalmente várias Ordens religiosas receberam da Igreja a faculdade de benzer pequenos Escapulários e impô-los aos fiéis, independente de estarem os fiéis ligados ou não ligados a confrarias.


São Simão Stock (1165 a 1265)

- Nascido na Inglaterra, sua mãe o consagrou antes de nascer à Santíssima Virgem.

- Negava-se a mamar se a mãe antes não rezasse uma Ave-Maria.

- Aprendeu a rezar com pouquíssima idade e começou pelo Pequeno Ofício da Santíssima Virgem e o Saltério.

- Aos 7 anos iniciou seus estudos das Belas Artes no colégio de Oxford, foi nessa época que também consagrou sua virgindade à Santíssima Virgem.

- Aos 12 anos abandonou a família e foi viver em uma gruta em uma floresta isolada, tinha uma cruz, uma imagem de Nossa Senhora, bebia água da chuva e comia ervas e raízes. De vez em quando um cão misterioso levava um pedaço de pão para ele, assim viveu por 20 anos.

- Nossa Senhora revela a ele seu desejo de sua união com os monges que viviam no Monte Carmelo, na Palestina (Inglaterra) , estudou teologia e recebeu assim as sagradas ordens.

- Recebeu o hábito no ano de 1213 e 13 anos depois foi nomeado Vigário Geral de todas as províncias européias.

- Na manhã do dia 16/07/1251, suplicava a Mãe do Carmelo Sua proteção, pelos ataques que o Carmelo estava passando e como ele mesmo narrou ao seu secretário e confessor Padre Pedro “a Virgem me apareceu em grande cortejo, e, tendo na mão o hábito da Ordem, disse-me: Recebe, diletíssimo filho, este scapulárioE de tua ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno”.

- Essa graça foi difundida rapidamente pelos lugares onde os carmelitas estavam estabelecidos e foi autenticada por muitos milagres.

- A ordem do Carmo se multiplicou sob a direção do santo, poucos anos depois de sua morte, no fim do século XIII, a ordem contato com 7.500 mosteiros e solidões e também com 120 mil religiosos.

- Morrendo com 100 anos no dia 16 de maio de 1265, de seu sepulcro saíram raios de luz durante 15 dias depois de sepultado, o que levou o bispo mandar abrir o túmulo, e o corpo do santo emitia raios de luz e exalando delicada fragrância.

Graças dadas por Nossa Senhora a quem traz devotamente o Escapulário

1- Grande Promessa;

2- Privilégio Sabatino;

3- Participação de todas as boas obras que se praticam em toda a Ordem do Carmo.

1 – Aquele que morrer piedosamente, não padecerá das penas do inferno, receberá à hora da morte a graça da perseverança final (estado de justiça); ou então a graça de conversão e perseverança final.

2 – No século XIII Nossa Senhora apareceu ao Papa João XXII, prometeu especial assistência aos que trouxessem o Escapulário do Carmo, dizendo que os livrariam do Purgatório no primeiro sábado após a sua morte.

3 – Tudo o que cai sob o comum denominador de “boas obras” – como virtudes, satisfações, imolações, frutos das missões, prática dos votos, austeridades da vida do claustro, forma um acervo comum que se reparte entre todos.

Medalha-Escapulário

Em 1910, São Pio X, concede a permissão de se usar uma medalha de metal, devendo ter em uma das faces o Sagrado Coração e na outra a Santíssima Virgem, devem ser levados ao pescoço ou de outra maneira conveniente, ganhando-se com o seu uso quase todas as indulgências e privilégios concedidos aos pequenos Escapulários.

O Santo Papa o fez para atender aos apelos de missionários de zonas tórridas, em favor dos nativos, os pedaços de lã ficavam logo em condições intoleráveis, ás vezes sendo ninho de vermes pelo calor.

Para se gozar o privilégio da Medalha-Escapulário do Carmo "é de todo necessário que se receba antes a bênção e imposição do Escapulário de lã, com a fórmula prescrita e cumprindo com os demais requisitos. Se antes não se impõe o Escapulário uma vez para toda a vida, a medalha não serve, mesmo que benta por um sacerdote com faculdade para tal e com a intenção de que valha como Escapulário" (EE, p.293.)

Embora condescendendo em conceder à medalha as graças do Escapulário, São Pio X declarou muito explicitamente "seus veementes desejos de que todos os fiéis continuassem levando o Escapulário da mesma forma que antes", e que a medalha só fosse usada quando houvesse um incoveniente real em se levar o Escapulário de lã.

Observações finais:

- Para se gozar os privilégios, é necessário ter recebido devidamente o Escapulário, isto é, imposto por um sacerdote com o poder para tal.

- Ao contrário do que se dá com o Escapulário de lã, no qual basta só o primeiro ser bento, cada Medalha-Escapulário que se troca precisa ser benta.

- Que o Escapulário seja como prescreve a Igreja, isto é, feito de dois pedaços de lã (e não de outro material), ligado entre si por fios, e da forma quadrangular ou retangular e nas cores marrom, café ou negro.

- Que uma de suas partes caia sobre o peito e a outra sobre as costas.

- Que se observe a castidade segundo o estado.

- Que se rezem as orações prescritas pelo sacerdote que o impôs, a prática que geralmente era imposta, era a recitação dos Sete Padre-Nossos, Ave-Marias e Glória em louvor das Sete Alegrias de Nossa Senhora mais jejuns prescritos.

- Pode ser imposto mesmo em pecadores moribundos que o aceitem, pois lhe será penhor de salvação.

- O Escapulário pode ser imposto mesmo em crianças que não chegaram ao uso da razão, pois servir-lhes-á de "defesa e salvação nos perigos".

- Quando ocorre à substituição do Escapulário, o mais correto de eliminar o antigo é, por respeito, queimá-lo, e nunca jogá-lo ao lixo como traste velho.

- O Papa Pio XI, por decreto de 8 de maio de 1925, aprovou o que conhecemos por Escapulário protegido , isto é, os dois pedaços de lã protegidos por plástico ou material qualquer.

- Para atender a um apelo do Geral dos Carmelitas Descalços, São Pio X concedeu aos soldados de todo o mundo a faculdade de impor-se (em tempo de guerra) a si próprios o Escapulário do Carmo. Para isso é necessário que o soldado tenha um Escapulário propriamente bento, e que o ponha no pescoço ou, no caso de impossibilidade, ao menos no ombro, de maneira que uma parte penda no peito e outra nas costas. E que no momento da imposição ou logo depois, reze algumas preces à Santíssima Virgem, como a Ave-Maria ou o Lembrai-Vos. Deste modo ele será membro da Confraria e terá direito a todos os seus privilégios.
(Ami du Clergé, na. 30, o.683, in Santiago Costamagna, bispo de Colônia, "Tesoro Moral Litúrgico" 6, México, Escuela Tipo-Litrografica Salesiana, 1908, 4ª edição, p.287)

Os santos e o Escapulário
Santa Teresa de Jesus – zelava para que suas religiosas dormissem com ele posto.

Santo Afonso Maria de Ligório – recomendava- o aos fiéis. Seu Escapulário permaneceu incorrupto no sepulcro, e é venerado num relicário em Marianella, sua terra natal, assim como o escapulário de São João Bosco que em 1929, ou seja, 41 anos depois da morte do santo estava em perfeito estado de conservação.

31 de maio de 2010

Ad Cæli Reginam


Depois de atentas e ponderadas reflexões, tendo chegado à convicção de que seriam grandes as vantagens para a Igreja, se essa verdade solidamente demonstrada resplandecesse com maior evidência diante de todos como luz que brilha mais, quando posta no candelabro, - com a nossa autoridade apostólica decretamos e instituímos a festa de Maria rainha, para ser celebrada cada ano em todo o mundo no dia 31 de maio. Ordenamos igualmente que no mesmo dia se renove a consagração do gênero humano ao seu coração imaculado. Tudo isso nos incute grande esperança de que há de surgir nova era, iluminada pela paz cristã e pelo triunfo da religião.

Clique aqui para ler a encíclica Ad Cæli Reginam, do Santo Padre o Papa Pio XII, explicando a Realeza de Nossa Senhora e instituindo sua festa no dia 31 de maio.

31 de maio: Nossa Senhora Rainha

Sermão de São Pedro Canísio Presbítero (1521-1597)

Da incomparável Virgem Maria Mãe de Deus, livro 15, c. 13

Por que não haveríamos de chamar Rainha a beatíssima Virgem Maria, como fizeram o Damasceno, Atanásio e outros, sendo que o Seu pai, Davi, gloriosamente honrado como rei, e o Seu Filho, como Rei dos reis e Senhor dos senhores imperando sem fim, são louvados sobremaneira pelas Escrituras? É Rainha, sobretudo, se comparada com aqueles [Santos] postos como reis no reino celeste, com Cristo, sumo Rei, como seus co-herdeiros, e colocados como no mesmo trono que Ele, como diz a Escritura. E, como Rainha, ela não está abaixo de nenhum dos eleitos, mas elevada em dignidade tão alta sobre tanto Anjos como homens que nada pode ser maior ou mais alto que Ela, só a Qual tem o mesmo Filho que Deus Pai, e que acima de Si só vê a Deus e Cristo, e abaixo, todas as demais criaturas.

O grande Atanásio disse claramente: Maria não é somente a Mãe de Deus, mas também pode ser chamada em verdade Rainha e Senhora, visto que o Cristo Que nasceu da Virgem Mãe é Deus e Senhor e também Rei. É a Esta Rainha, portanto, que se aplicam as palavras do Salmista: À Vossa destra estava a Rainha num vestido de ouro. Assim, Maria é retamente chamada Rainha, não só do céu mas também dos céus, como Mãe do Rei dos Anjos, e como Esposa e amada do Rei dos céus. Ó Maria, augustíssima Rainha e fidelíssima Mãe, a Quem ninguém reza em vão se reza devotamente, e a Quem todos os homens mortais estão ligados pela memória duradoura de tantos benefícios, repetidamente Vos imploro que aceiteis e Vos agradeis com todas as demonstrações da minha devoção para conVosco, deis valor ao pobre dom que eu ofereço de acordo com o zelo com que é oferecido, e o recomendeis ao Vosso Filho onipotente.

13 de fevereiro de 2010

Recorrer à Santíssima Virgem

Como se mesmo depois da morte quisesse continuar a guerra que declarara ao desalento, São Francisco de Sales arrancou ao próprio demônio uma confissão repleta de estímulo até para as almas mais criminosas.
Trouxeram para junto do túmulo do bispo de Genebra, no tempo em que se instruía o processo de sua beatificação, um jovem que havia cinco anos estava possuído pelo espírito maligno. Tardou vários dias em ver-se curado e, entretanto, foi submetido pelo bispo Charles-Auguste de Sales e pela Madre de Chaugy a vários interrogatórios junto dos restos mortais do Santo. Relata uma testemunha ocular que, numa dessas ocasiões, o demônio gritava com mais furor e confusão, dizendo: - "Por que hei de sair?", e a Madre de Chaugy exclamou com aquela veemência que lhe era peculiar: - "Ó Santa Mãe de Deus, rogai por nós! Maria, Mãe de Jesus, socorrei-nos!"
A essas palavras, o espírito infernal redobrou os seus horríveis alaridos e bradou: - "Maria! Maria! Ah! E eu, que não tenho Maria!... Não pronuncieis esse nome, que me faz estremecer. Se houvesse uma Maria para mim, como a tendes para vós, não seria o que sou!... Mas eu não tenho Maria!" Todos choravam. - "Ah!", continuou o demônio, "se eu tivesse um só instante dos muitos que desperdiçais, sim, um só instante e uma Maria, não seria um demônio!"*
Pois bem. Nós que vivemos (Sl 113, 18) temos o momento presente para regressar a Deus, e temos Maria para nos obter essa graça. Quem há então que possa desesperar?
_____
* Relato da Irmã E.-C. de la Tour, do primeiro mosteiro da Visitação.

Extraído de TISSOT, J. A arte de aproveitar as próprias faltas. 2.ª ed. Quadrante, São Paulo 1995.

11 de janeiro de 2010

"[Q]uem não tem Maria por mãe, não tem Deus por pai" - São Luís Maria Grignion de Montfort

Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem
São Luís Maria Grignion de Montfort

Capítulo I, arts. 29 e 30.

29. Por meio de Maria, Deus Pai quer que aumente sempre o número de seus filhos, até a consumação dos séculos, e diz-lhes estas palavras: In Iacob inhabita – Habita em Jacob (Ecli 24, 13), isto é, faze tua morada e residência em meus filhos e predestinados, figurados por Jacob e não nos filhos do demônio e nos réprobos, que Esaú figura.

30. Assim como na geração natural e corporal há um pai e uma mãe, há, na geração sobrenatural, um pai que é Deus e uma mãe, Maria Santíssima. Todos os verdadeiros filhos de Deus e os predestinados têm Deus por pai, e Maria por mãe; e quem não tem Maria por mãe, não tem Deus por pai. Por isso, os réprobos, os hereges, os cismáticos, etc., que odeiam ou olham com desprezo ou indiferença a Santíssima Virgem, não têm Deus por pai, ainda que disto se gloriem, pois não têm Maria por mãe. Se eles a tivessem por Mãe, haviam de amá-la e honrá-la, como um bom e verdadeiro filho ama e honra naturalmente sua mãe que lhe deu a vida.

O sinal mais infalível e indubitável para distinguir um herege, um cismático, um réprobo, de um predestinado, é que o herege e o réprobo ostentam desprezo e indiferença pela Santíssima Virgem [17] e buscam por suas palavras e exemplos, abertamente e às escondidas, às vezes sob belos pretextos, diminuir e amesquinhar o culto e o amor a Maria. Ah! Não foi nestes que Deus Pai disse a Maria que fizesse sua morada, pois são filhos de Esaú.

17) Quicumque vult salvus esse, ante omnia opus est ut teneat de Maria firmam fidem (São Boaventura, Psalter. maius B.V., Symbol. Instar Symboli Athanasii).

8 de setembro de 2009

O Céu Aberto pela prática das Três Ave-Marias

O Céu aberto pela prática das Três Ave-Marias


Um dos meios de salvação mais eficaz e um dos sinais mais seguros de predestinação é, indubitavelmente, a devoção à Santíssima Virgem. Todos os Santos Doutores da Igreja são unânimes em dizer com Santo Afonso Maria de Ligório: “Um servo devoto de Maria nunca perecerá.”
O mais importante é perseverar fielmente nesta devoção até à morte.
Haverá prática mais fácil ou mais adaptável a todos que a recitação diária das três Ave-Marias, em honra dos privilégios outorgados à Santíssima Virgem pela Trindade Adorável?
Um dos primeiros a rezar as três Ave-Marias e a recomendá-las aos outros foi o ilustre Santo António de Lisboa. O Seu objetivo especial nesta prática foi honrar a Virgindade sem mácula de Maria e guardar uma pureza perfeita da mente, do coração, e do corpo no meio dos perigos do mundo. Muitos, como ele, têm sentido os seus efeitos salutares.
Mais tarde, o célebre missionário São Leonardo de Porto Mauricio rezava as três Ave-Marias, de manhã e à noite, em honra de Maria Imaculada, para obter a graça de evitar todos os pecados mortais durante o dia, ou durante a noite. Além disso, prometeu de um modo especial a salvação eterna a todos aqueles que permanecessem fiéis a esta prática.
Depois do exemplo daqueles dois grandes Santos Franciscanos, Santo Afonso Maria de Ligório adotou esta prática piedosa e deu-lhe o seu apoio entusiástico e poderoso. Não só a aconselhava, como a impunha em penitência àqueles que não tivessem adotado este bom costume.
O Santo Doutor exorta, em particular, os padres e confessores a velarem cuidadosamente para que as crianças sejam fiéis em rezar diariamente as suas três Ave-Marias, de manhã e à noite. E, melhor ainda, São Leonardo de Porto Mauricio recomendava a todos esta santa prática: “aos piedosos e aos pecadores, aos jovens e aos velhos”.
Até as pessoas consagradas a Deus obterão desta prática muitos frutos preciosos e salutares. Exemplos numerosos demonstram que agradáveis são à Mãe de Deus as três Ave-Marias e que graças especiais obtêm, durante a vida e à hora da morte, para aqueles que nunca as omitem todos os dias, sem exceção.
Esta prática foi revelada a Santa Matilde (Século XIII) com a promessa de uma boa morte se fosse fiel a ela todos os dias.
Está escrito também nas revelações de Santa Gertrudes: “Enquanto esta Santa cantava a Ave-Maria nos cantos matinais da Anunciação, viu subitamente três chamas brilhantes brotar do Coração do Pai, do Filho e do Espírito Santo, as quais penetraram o Coração da Santíssima Virgem”. E logo escutou as seguintes palavras: “Depois do Poder do Pai, da Sabedoria do Filho e da Ternura misericordiosa do Espírito Santo, nada se aproxima do Poder, da Sabedoria e da Ternura misericordiosa de Maria”.
Sua Santidade Bento XV elevou a Confraria das Três Ave-Marias a uma Arquiconfraria, outorgando-lhe indulgências preciosas com o poder de unir, assim, todas as Confrarias do mesmo tipo, e comunicar-lhes as suas próprias indulgências.
Prática: Reze, de manhã e à noite, três Ave-Marias em honra dos três grandes privilégios de Nossa Senhora, seguidas desta invocação: de manhã - “Ó minha Mãe, livrai-me do pecado mortal durante este dia,”; à noite - “Ó minha Mãe, livrai-me do pecado mortal durante esta noite”.

26 de julho de 2009

INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA

NECESSIDADE QUE TEMOS DA INTERCESSÃO DE
MARIA SANTÍSSIMA PARA NOSSA SALVAÇÃO
Santo Afonso
(Fonte: “Meditações para todos os dias do ano”, Tomo III)

“Gens et regnum, quod non servierit tibi, peribit” – “A gente e o reino que te não servir, perecerá” (Is LX, 12).


I.Que a prática de invocar aos Santos, afim de nos alcançarem a divina graça, seja não somente lícita, mas também útil, é um ponto da fé. Entre os Santos, porém, que são amigos de Deus, e a Santíssima Virgem, que é sua verdadeira Mãe, há esta diferença, que a intercessão de Maria não é só utilíssima, mas também moralmente necessária, de modo que o Bemaventurado Alberto Magno e São Boaventura chegam a afirmar que todos os que se descuidam da devoção a Nossa Senhora, não a servem, e consequentemente não são por ela protegidos, morrerão todos em pecado mortal, e se condenarão: “A gente que te não servir, perecerá”. É esta, diz Soares, a opinião universal da Igreja.

E com razão; porquanto, não sendo nós capazes de conceber um só bom pensamento em ordem à vida eterna, a graça divina nos é indispensável para a salvação. Verdade é que só Jesus Cristo nos mereceu esta graça, por ser Medianeiro de justiça. Mas, para nos inspirar mais confiança de obtermos a graça, e ao mesmo tempo para exaltar sua Mãe Santíssima, Jesus a depositou nas mãos de Maria, e, constituindo-a medianeira de graça, decretou que nenhuma graça fosse dispensada aos homens sem que passasse pelas mãos de Maria.

Numa palavra, diz São Bernardo, Deus constituiu Nossa Senhora como que um “aqueduto” dos bens celestes que descem à terra, e determinou que por meio de Maria recebamos o Salvador que por seu intermédio nos foi dado na Incarnação. Vede, pois, conclui o Santo, vede, ó homens, com que afeto de devoção quer o Senhor que honremos à nossa Rainha, refugiando-nos sempre a ela e confiando em seu patrocínio!

II. Assim como Holofernes, para conquistar a cidade de Bethulia, ordenou que se cortassem os aquedutos, também o demônio faz quanto pode, afim de que as almas percam a devoção à Mãe de Deus. Pela experiência o espírito maligno sabe que, tapado este canal das graças, depois fácil ou, antes, certamente consegue conquista-las. Quantos cristãos estão agora no inferno por se terem deixado iludir assim. Nós, portanto, demos graças á divina Mãe, por nos ter tomado debaixo de seu santíssimo manto, como no-lo garantem as graças recebidas pela sua intercessão. Ao mesmo tempo, porém, examinemos se por ventura estamos resfriados na sua devoção, e renovemos nosso propósito de sermos para o futuro mais constantes.

Sim, eu vos dou graças, ó minha Mãe amorosíssima, por todos os bens que tendes feito a este desgraçado réu do inferno. Ó minha Rainha, de quantos perigos me tendes livrado! Quantas luzes e quantas misericórdias me tendes alcançado de Deus! Que grande bem, ou que grande honra recebestes de mim para vos empenhardes tanto a meu favor? Foi só a vossa bondade que a isso vos moveu. Ah! Se eu pudesse dar por vosso amor o sangue e a vida, ainda seria pouco, à vista da obrigação que vos devo, pois que me livrastes da morte eterna e me fizestes recuperar, como espero, a graça divina; a vós sou devedor de toda a minha felicidade.

Senhora minha amabilíssima, eu, miserável, não tenho que vos dar senão os meus louvores e o meu amor. Ah, não desprezeis o afeto de um pobre pecador, abrasado em amor pela vossa bondade. Se o meu coração é indigno de vos amar, por estar imundo e cheio de afetos terrestres, vós o podeis mudar: mudai-o, pois. Ah, minha Senhora prendei-me a meu Deus, e prendei-me de tal modo que nunca mais possa separar-me de seu amor. Vós quereis que eu ame o vosso Deus; e eu quero que me alcanceis este amor; fazei que o ame sempre e nada mais deseje.

- Ó MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

24 de julho de 2009

Devoção a Nossa Senhora

MARIA SANTÍSSIMA LIVRA OS SEUS DEVOTOS DO INFERNO
Santo Afonso(Fonte: "Meditações para todos os dias e festas do anos", Tomo III)

“ Qui audit me, non confundetur: et qui operantur in me, non peccabunt” - “Aquele que me ouve, não será confundido, e os que obram por mim, não pecarão” (Ecclus XXIV, 30)

I. A asserção de que é impossível um devoto de Maria Santíssima condenar-se, não se estende àqueles devotos que abusam da sua devoção afim de pecar com menos temor; porque esses presumidos, pela sua confiança temerária, merecem castigo e não misericórdia. Estende-se tão somente àqueles devotos que, com o desejo de se emendarem , são fiéis em obsequiar à divina Mãe e em recomendar-se a ela . Estes digo eu que é moralmente impossível perderem-se, porquanto a benigníssima Senhora alcançar-lhes-á luz e força para saírem do estado de perdição.
Esta sentença é conforme à doutrina dos Padres e Doutores da Igreja. Santo Anselmo diz que “assim como quem não é devoto de Maria nem dela é protegido, é impossível que se salve ; assim também é impossível que se condene quem se encomenda à Virgem e dela é visto com complacência”. Confirma isto Santo Antonino quase com as mesmas palavras. E Santo Hilário acrescenta que isto sucederá ainda àqueles que no tempo passado ofenderam muito a Deus. Pelo que Santo Efrém dá a Nossa Senhora o belo título de Protetora dos condenados: “Patrocinatrix damnatorum”; e chama a devoção à Virgem salvo-conduto para não ser desterrado para o inferno: “Charta libertatis”.

E na verdade, se é certo o que diz São Bernardo , que a Maria não pode faltar nem poder nem vontade de nos salvar, como poderá suceder que um seu devoto fiel se perca? Que mãe, podendo facilmente livrar seu filho da morte com um só pedido de graça ao juiz, deixaria de o fazer? E poderemos pensar que Maria, a Mãe mais amorosa que possa haver , podendo livrar um filho da morte eterna, e podendo-o fazer tão facilmente, não o queira fazer? Ah! Isso é impossível!

Eis porque tanto desagrada ao demônio ver uma alma que persevera na devoção à divina Mãe, e porque ele se esforça tanto para faze-la perder esta devoção. O espírito maligno sabe que nunca sucedeu e nunca jamais sucederá que um servidor humilde e obsequioso de Maria se perca eternamente.

II . Examina a tua devoção a Maria, e toma uma resolução firme de a aumentar continuamente, dá graças ao Senhor por te haver dado esse afeto e confiança para com a divina Mãe, porque Deus não faz esta graça senão àqueles aos quais quer salvar. Dá graças também à Santíssima Virgem pela proteção que te dispensou até agora, livrando-te tantas vezes de cair no inferno; pede-lhe perdão de tua pouca correspondência ao seu amor, e pede-lhe que para o futuro continue sempre a proteger-te.

Ó Mãe de Deus, Maria Santíssima , quantas vezes tenho, pelos meus pecados, merecido o inferno! Talvez se houvesse executado a sentença desde o primeiro pecado meu, se, na vossa misericórdia para comigo, não tivésseis suspendido a ação da divina justiça; triunfando depois da dureza do meu coração , me reduzistes a por em vós a minha confiança. Ai! Em quantas outras faltas não teria caído depois, no meio dos perigos que me cercavam , se vós, ó Mãe Santíssima, não me tivésseis preservado pelas graças que me alcançastes. Ó minha Rainha, de que me servirão vossa misericórdia e os favores com que me tendes prevenido , se vier a condenar-me? Se houve um tempo em que não vos amava, de presente amo-vos, depois de Deus, acima de todas as coisas.

Não permitais, eu vos conjuro, que me separe de vós e de Deus, que por intermédio vosso me cumulou de tantas misericórdias. Amabilíssima Soberana minha , não consintais que eu vá odiar-vos e maldizer-vos eternamente no inferno. Podereis sofrer que se condene um dos vossos servos que vos ama? Ó Maria, que me respondeis? Condenar-me-ei? Serei condenado se vos abandono; mas quem teria coragem para vos abandonar? Como poderia esquecer o amor que me tendes consagrado? Não, não se perderá aquele que fielmente se recomenda a vós e a vós recorre. Ó minha Mãe, não me abandoneis a mim mesmo; de contrário perder-me-ei. Fazei que sempre recorra a vós . Salvai-me, esperança minha, preservai-me do inferno e primeiro que tudo do pecado, que só me pode precipitar no inferno.

- Ó MARIA, CONCEBIDA SEM PECADO, ROGAI POR NÓS QUE RECORREMOS A VÓS!

23 de janeiro de 2009

NOSSA SENHORA


A FÉ DE NOSSA SENHORA
Santo Afonso de Ligório


A bem-aventurada Virgem, assim como é Mãe do amor e da esperança, também é Mãe da fé. "Eu sou a Mãe do belo amor, do temor e do conhecimento e da santa esperança" (Eclo 24, 24). Acertadamente tal se chama, diz S.Irineu, porque o dano que Eva com sua incredulidade causou, Maria o reparou com sua fé. Palavra essa que Tertuliano confirma, dizendo: Eva deu crédito à serpente, em oposição à palavra de Deus e com isso trouxe a morte; nossa Rainha, ao invés, crendo na palavra do anjo, segundo a qual devia ser Mãe do Senhor e permanecer virgem, gerou ao mundo a salvação. De acordo está com isso a seguinte sentença, atribuída a S.Agostinho: Dando Maria seu consentimento à Encarnação do Verbo, abriu aos homens o paraíso por sua fé. Identicamente exprime-se também Ricardo de S.Vítor, com referência à palavra de S.Paulo: O marido infiel é santificado pela mulher fiel (I Cor 7,7). E Maria, diz Ricardo, essa mulher fiel, porque com sua fé salvou Adão e a toda descendência dele. Por causa desta fé, proclamou-a Isabel bem-aventurada: "E bem-aventurada tu, que creste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas" (Lc 1,45). Porque abriu seu coração à fé em Cristo, é Maria mais bem-aventurada do que por haver trazido no seio o corpo de Jesus Cristo.

Via o Filho na manjedoura de Belém e cria-o Criador do mundo. Via-o fugir de Herodes, sem entretanto deixar de crer que era ele o verdadeiro Rei dos reis. Pobre e necessitado de alimento o viu, mas reconheceu seu domínio sobre o universo. Viu-o reclinado no feno e confessou-o onipotente. Observou que ele não falava e venerou-lhe a infinita sabedoria. Ouviu-o chorar e o bendisse como as delícias do paraíso. Viu finalmente como morria vilipendiado na cruz, e, embora outros vacilassem, conservou-se firme, crendo sempre que ele era Deus. "Junto à cruz estava a Mãe de Jesus" (Jo 19, 25). Aqui observa S.Antonino: Maria ficou firme na sua jamais abalada fé na divindade de Cristo. Em memória disso, explica o Santo, é que no Ofício das Trevas se conserva uma única vela acesa. Com muito acerto, S.Leão refere a Maria a seguinte passagem dos Provérbios: A sua candeia não se apagará de noite (31,18). Vem a propósito agora o texto de Isaías: Eu calquei o lagar sozinho, e das gentes não se acha homem algum comigo (63,3). Comentando-o, observa S.Tomás: As palavras "homem algum" devem ser acentuadas por causa da Virgem, cuja fé nunca vacilou. Assim Maria – conclui S.Alberto Magno – exercitou a fé por excelência; enquanto até os discípulos vacilaram em dúvidas, ela afugentou toda e qualquer dúvida.
"Virgem da luz para todos os fiéis", é título que lhe dá S.Metódio, justamente por causa dessa sua inabalável e grande fé. S.Cirilo de Alexandria saúda-a como Rainha da fé ortodoxa. A própria Santa Igreja atribui aos merecimentos de sua fé a extirpação de todas as heresias. "Alegra-te, ó Virgem Maria, porque sozinha extirpaste todas as heresias". Dizem os Cânticos: Feriste o meu coração, minha irmã, esposa minha, com um dos teus olhares (4,9). Na explicação de S.Tomás de Vilanova os olhares de Maria foram a sua fé, pela qual se tornou tão agradável a Deus.

- Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós!

11 de janeiro de 2009

NOSSA SENHORA


DEVOÇÃO À MARIA SANTÍSSIMA
São João Bosco

"Um grande sustentáculo é a devoção a Maria Santíssima. Tenha a mais íntima convicção de que obterá todas as graças desta boa Mãe, contanto que seus pedidos contenham retidão. Deve pedir com insistência particular, três favores que são necessários.

O primeiro é de não cometer nenhum pecado mortal. Entende o que significa pecado mortal? Renunciar ser filho de Deus, para tornar escravo de Satanás: perder todos os merecimentos adquiridos para a vida eterna, ficar pendurado na boca do poço do inferno, ofender a Bondade Divina. Todas as graças recebidas seriam inúteis se cair no pecado mortal. Peça a Maria, sempre a graça de não cair em pecado mortal, de manhã e de noite, em todas as práticas de piedade que fizer.

O segundo favor é a conservação da virtude da pureza, quem a conserva é semelhante aos anjos do Céu; o Anjo da Guarda o considera como um irmão e se alegra de estar sempre em sua companhia.

Para preservar essa bela virtude, aconselho que evite a companhia do sexo oposto em ambientes perigosos, como por exemplo, só os dois em uma casa. Tenha muito respeito nas conversas. A guarda dos sentidos contribui muito para a conservação dessa bela virtude. Portanto, evite o excesso na comida e na bebida, muito cuidado na escolha dos programas de divertimento, que, atualmente em sua grande maioria, são a ruína dos bons costumes.

Guarde principalmente os olhos, que são as janelas pelas quais o pecado entra no coração e o demônio vem tomar posse de nossa alma. Nunca se detenha em olhar para algo que seja contrário ao pudor.

Certa vez, perguntaram a um jovem, porque era tão recatado no olhar, este respondeu: "Tomei a resolução de nunca fitar uma mulher, com intenções dúbias, para assim, poder sempre contemplar o rosto puríssimo de Maria Santíssima".

A terceira graça que você deve implorar da Virgem Imaculada é a de ficar sempre afastado da companhia de pessoas, que possuem um péssimo linguajar, mesmo que sejam da própria família. Posso garantir que é mais prejudicial a companhia de um desses, que a do próprio demônio. Fugindo dessas companhias, você será feliz e trilhará o caminho que conduz ao Paraíso.

Por isso, quando algum amigo proferir blasfêmias, desprezar as práticas religiosas e dizer palavras que vão contra a virtude da pureza, fuja como se fosse da peste. Fique certo de que quanto mais puros forem os olhares e as conversas, tanto mais Maria intercederá por você, junto de seu Filho e nosso Redentor.

Com certeza, você alcançar de Nossa Senhora esses favores, se sempre for devoto sincero, proferindo-lhe jaculatórias e rezando todos os dias o Rosário.

NOSSA SENHORA


MARIA, ESTRELA DA NOITESanto Agostinho

"Uma vez decorrida a noite deste mundo, haverá lugar para nós, à ressurreição da carne, em vista do Reino, da qual a ressurreição de nossa Cabeça foi um exemplo antecipado. Esse é o motivo pelo qual o Senhor quis ressuscitar de noite, conforme declara o Apóstolo: "Deus que disse: Em meio às trevas brilhe a luz! Foi ele mesmo quem reluziu em nossos corações" (II Cor IV, 6). Quis ele simbolizar esse brilhar da luz em meio às trevas, nascendo de noite e ressuscitando, igualmente, de noite. É Cristo a luz que surge das trevas, ele, nascido dos judeus, de quem foi dito: "Comparei vossa mãe com a noite" (Os IV, 5).

Mas em meio desse povo, mesmo pertencendo àquela noite, a Virgem Maria não foi noite, mas, de certo modo, uma estrela na noite. Por isso, o seu parto foi assinalado pela estrela que conduziu de uma longínqua noite os magos do Oriente, para adorarem a Luz. A fim de que, também neles, se cumprisse o dito: "Brilhe a luz em meio às trevas".

A ressurreição e o nascimento de Cristo estão concordes: tal como naquele sepulcro novo onde não foi posto ninguém, nem antes nem depois dele, tampouco no seio virginal de Maria foi concebido mortal algum, nem antes nem depois".
(Sermão 223D, 2)