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25 de abril de 2011

Sobre o Vício da Impureza




Retirado, traduzido e adaptado de catholicapologetics.info para fsspx.com.br
por Santo Alfonso Maria de Ligório






Ilustração do local onde queimam eternamente no Inferno os condenados luxuriosos, segundo Dante Alighieri em sua histórica obra literária.


Primeiro Ponto

Ilusão daqueles que dizem que os pecados contra a pureza não são um grande mal


Os impuros dizem que os pecados contra a pureza são um pequeno mal. Como "a porca... chafurdando na lama" (2 Pedro 2:22), eles estão imersos em sua própria sujeira, de modo que não veem a maldade de seus ações e, portanto, não sentem nem abominam o mau odor de suas impurezas, que provocam repulsa e horror a todos os outros. Será que você, que diz que o vício de impureza é apenas um pequeno mal, eu pergunto, será que você poderá negar que isso é um pecado mortal? Se negar, você é um herege, pois, como diz São Paulo: “Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.” - 1Coríntios 6:9-10. Isto é um pecado mortal, logo, não pode ser um pequeno mal. É um pecado maior que o roubo, que a difamação, que a violação do jejum. Como então você pode dizer que não se trata de um grande mal? Talvez para você o pecado mortal pareça ser um pequeno mal? Será que é um pequeno mal desprezar da graça de Deus, virar as costas para Ele e perder a Sua amizade por causa de um prazer transitório e bestial?
Santo Tomás ensina que o pecado mortal, por ser um insulto contra um Deus infinito, contém de certa forma uma malícia infinita. "Um pecado cometido contra Deus, tem de certa forma uma infinidade, por conta da infinidade da Divina Majestade” - Santo Tomás. Será que o pecado mortal é um pequeno mal? Ele é um mal tão grande que, se todos os anjos e todos os santos, os apóstolos, os mártires, e mesmo a Mãe de Deus, oferecessem todos os seus méritos para expiar um só pecado mortal, a oferta não seria suficiente. Não, porque a expiação ou a satisfação seria finita, mas a dívida contraída pelo pecado mortal é infinita, por conta da infinita majestade de Deus, que foi ofendida. O ódio que Deus tem dos pecados contra a pureza está além do que podemos medir. Se alguém encontrar seu prato sujo, ficará aborrecido e não irá comer. Então, imagine com que desgosto e indignação Deus, que é a própria pureza, verá as impurezas imundas pelas quais Sua lei é violada? Ele ama a pureza com um amor infinito, e consequentemente Ele tem um ódio infinito contra a sensualidade que os homens lascivos e voluptuosos chamam de pequeno mal. Até os demônios, que ocupavam um alto grau no céu antes de sua queda, desdenham de ter que seduzir os homens a cometer pecados da carne.
Santo Tomás diz que Lúcifer, que foi supostamente o diabo que tentou Jesus Cristo no deserto, tentou-O a cometer outros pecados, mas desprezou tentá-Lo a pecar contra a castidade. Seria isto um pecado pequeno mal? Seria então um pequeno mal ver um homem dotado de uma alma racional, enriquecida com muitas graças divinas, cair, pelo pecado de
impureza, ao nível de um bruto? "A Fornicação e o prazer", diz São Jerônimo, "pervertem a compreensão e transformam os homens em bestas". Nos voluptuosos e impuros, são literalmente verificadas as palavras de Davi: "O homem não permanece com o seu esplendor, é como animal que perece."- Salmo 48:13. São Jerônimo diz que não há nada mais vil e degradante, que alguém deixar-se ser conquistado pela carne. "Nihil vilius quam vinci a carne". Poderia ser um pequeno mal se esquecer de Deus e bani-lo da alma, para poder dar ao corpo uma satisfação vil, da qual você sentirá vergonha, quando acabar? O Senhor reclama disso por meio de Ezequiel: “Por isso, assim diz o Senhor Javé: Dado que te esqueceste de Mim e Me voltaste as costas, agora carrega também a tua devassidão e as tuas prostituições” - Ezequiel 23:35. Santo Tomás diz que, devido a todos os vícios, mas especialmente pelo vicio da impureza, os homens são lançados para longe de Deus. "Per luxuriam maxime recedit a Deo".
Além disso, os pecados de impureza, em virtude do seu grande número, são um mal imenso. Um blasfemador nem sempre blasfema, mas só quando está bêbado ou quando é provocado pela ira. O assassino, cujo trabalho é matar os outros, em geral não comete mais que oito ou dez homicídios. Mas os impuros são culpados de uma torrente incessante de pecados, por pensamentos, por palavras, por olhares, por complacências, e por toques, de modo que, quando vão à confissão, eles acham impossível dizer o número de pecados que cometeram contra a pureza. Mesmo durante o sono, o diabo lhes representa objetos obscenos, de modo que ao acordar, eles se deleitem com eles, e porque se fizeram escravos do inimigo, eles obedecem e aprovam as suas sugestões, porque é fácil cair no hábito deste pecado. Para os outros pecados, como a blasfêmia, a difamação e os assassinatos, os homens não estão propensos, mas para este vício, a natureza os inclina. Por isso, Santo Tomás diz que não há pecador tão pronto a ofender a Deus, como o devoto da luxúria, em toda ocasião que lhe ocorre. "Nullus ad Dei contemptum promptior". O pecado da impureza traz em sua formação os pecados da difamação, do roubo, do ódio, e de gostar de suas abominações imundas. Além disso, normalmente envolve a malícia do escândalo. Outros pecados, tais como uma blasfêmia, um perjúrio, um assassinato, criam horror naqueles que os testemunham, mas este pecado induz os outros, que são carnais, a cometê-lo, ou, pelo menos, a cometê-lo com menos horror.
"Totum hominem", diz São Cipriano, "agit in triumphum libidinis". Por meio da luxúria, o Diabo triunfa sobre o homem inteiro, sobre seu corpo e sobre sua alma, sobre sua memória, enchendo-a com a lembrança de prazeres impuros, a fim de fazê-lo gostar deles; sobre o seu intelecto, para fazê-lo desejar ocasiões de cometer o pecado; sobre a vontade, fazendo-o amar as impurezas como seu fim último, e como se não houvesse Deus. “Eu havia feito um pacto com meus olhos: não desejaria olhar nunca para uma virgem. Que parte me daria Deus lá do alto.” - Jó 31:1-2. Jó tinha medo de olhar para uma virgem, porque ele sabia que se consentisse com um mau pensamento, Deus não deveria ter parte com ele. De acordo com São Gregório, a partir da
impureza surgem a cegueira do entendimento, a destruição, o ódio a Deus e o desespero quanto à vida eterna. Santo Agostinho diz que, embora os impuros possam envelhecer, o vício da impureza não envelhece neles. Por isso, Santo Tomás diz que não há pecado em que o Diabo se deleite tanto como neste pecado, porque não há outro pecado a que a natureza se apegue com tanta tenacidade. Ela adere ao vício da impureza tão firmemente, que o apetite por prazeres carnais se torna insaciável. Vá agora, e diga que o pecado da impureza não é mais que um pequeno mal. Na hora da morte, você não dirá isso, todos os pecados dessa espécie lhe aparecerão como um monstro do inferno. Você não será capaz de dizê-lo ante o Juízo de Jesus Cristo, que lhe dirá o que o Apóstolo já lhe disse, "Nenhum fornicador, ou impuro... terá herança no reino de Cristo e de Deus."- Efésios 5:5. O homem que viveu como um animal, não merece assentar-se entre os anjos.
Caríssimos irmãos, continuemos a orar a Deus para nos livrar desse vício, senão perderemos nossas almas. O pecado da impureza traz com ele a cegueira e a obstinação. Todos os vícios produzem sombras no entendimento, mas a impureza produz em maior grau do que todos os outros pecados. "A fornicação, o vinho e a embriaguez acabam com o raciocínio." - Oséias 4:11. O vinho priva-nos da compreensão e da razão, o mesmo faz a impureza. Por isso, Santo Tomás diz que o homem que se entrega aos prazeres impuros, não vive de acordo com a razão. "In nullo procedit secundum judicium rationis". Ora, se os impuros estão privados da luz e já não veem o mal que fazem, como poderão odiar esse mal e mudar de vida? O profeta Oséias diz que, estando cegos devido a sua própria lama, eles nem sequer pensam em voltarem-se para Deus; porque as suas impurezas tiram-lhes todo o conhecimento de Deus. “Seu proceder não lhes permite voltarem ao seu Deus, porque um espírito de prostituição os possui; eles desconhecem o Senhor.” - Oséias 5:4. Por isso, São Lourenço Justiniano disse que este pecado faz os homens se esquecerem de Deus. “Os prazeres da carne induzem ao esquecimento de Deus". E São João Damasceno ensina que "o homem carnal não pode olhar para a luz da verdade”. Assim, os lascivos e voluptuosos não entendem o que quer dizer graça de Deus, julgamento, inferno e eternidade. "Caiu fogo sobre eles, e não viram mais o sol." - Salmo 57:9. Alguns desses cegos meliantes vão tão longe a ponto de dizer que o adultério não é em si pecaminoso. Eles dizem que ele não foi proibido na Antiga Lei, e em apoio a esta doutrina execrável, eles invocam as palavras do Senhor a Oséias: "Vai e desposa uma mulher dada ao adultério, e aceita filhos adulterinos." - Oséias 1:2. Em resposta, digo que Deus não permitiu a Oséias cometer adultério, mas desejava que ele se casasse com uma mulher culpada de adultério, e os filhos deste casamento eram chamados filhos adulterinos, porque sua mãe tinha sido culpada desse crime. De acordo com São Jerônimo, esse é o significado das palavras do Senhor a Oséias. O santo doutor diz: "Id circo fornicationis appellandi sunt filii, quod sunt de meretrice generati". Mas o adultério sempre foi proibido, sob pena de pecado mortal, na Velha
como na Nova Lei. São Paulo diz: “Nenhum fornicador, ou impuro... terá herança no reino de Cristo e de Deus." Efésios 5:5. Perceba a impiedade para a qual a cegueira de tais pecadores os carrega! Por causa desta cegueira, embora eles venham aos sacramentos, suas confissões são nulas por falta de verdadeiro arrependimento, porque como será possível para eles terem verdadeiro arrependimento, quando não conhecem nem detestam seus pecados?
O vício da impureza também traz consigo a obstinação. Para vencer as tentações, especialmente contra a castidade, a oração contínua é necessária. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.” - Marcos 14:38. Mas como os impuros, que estão sempre procurando novas tentações, poderão orar a Deus para livrá-los da tentação? Eles às vezes, como Santo Agostinho confessou de si mesmo, abstém-se da oração, devido ao medo de serem ouvidos e curados da doença, que eles desejam que não acabe. "Eu temia", disse o santo, “que Vós irieis em breve ouvir-me e curar-me do pecado da concupiscência, que eu desejava ver saciado, em vez de extinto”. São Pedro chama este vício de pecado insaciável. "Têm os olhos cheios de adultério e são insaciáveis no pecar." – 2 Pedro 2:14. A impureza é chamada de um pecado insaciável por conta da obstinação que ela induz. Alguns viciados nela dizem: Eu sempre confesso este pecado. Tanto pior, porque, como você sempre recai no pecado, essas confissões servem para fazer você perseverar no pecado. O medo da punição é diminuído, dizendo: Eu sempre confesso este pecado. Se você pensava que esse pecado certamente merecia o Inferno, você dificilmente diria: eu não vou desistir, eu não me importo de ser condenado. Mas o diabo engana você. Ele diz: Cometa esse pecado depois você o confessará. Mas, para fazer uma boa confissão de seus pecados, você deve ter verdadeira tristeza de coração e um firme propósito de não pecar mais. Onde estão essa tristeza e esse firme propósito de emenda, se você sempre volta ao vômito? Se você tivesse essas disposições, e tivesse recebido a graça santificante em sua confissão, você não teria recaído, ou pelo menos você deveria ter se abstido por um tempo considerável antes de recair. Você sempre caiu no pecado, em oito ou dez dias, e talvez em um tempo menor, após a confissão. Que sinal é esse? É um sinal de que você estava sempre em inimizade com Deus. Se um homem doente imediatamente vomita o remédio que ele toma, é um sinal de que a doença é incurável.
São Jerônimo diz que o vício da impureza, quando habitual, cessará quando o infeliz homem que se entrega a ele for lançado no fogo do inferno. "Oh, fogo infernal, luxúria, cujo combustível é a gula, cujas faíscas são as breves conversas, cujo fim é o inferno". Os impuros se tornam como o abutre que se deixar ser morto pelo caçador em vez de abandonar a podridão dos corpos de que se alimenta. Foi o que aconteceu a uma jovem, que, depois de ter vivido com o hábito do pecado com um rapaz, caiu doente, e pareceu se converter. Na hora da morte, ela pediu a seu confessor para sair e conversar com o rapaz, a fim de exortá-lo a mudar de vida com a visão de sua morte. O confessor muito imprudentemente deu a permissão, e disse-lhe o que
deveria dizer a seu cúmplice em pecado. Mas escute o que aconteceu. Logo que ela o viu, esqueceu sua promessa ao confessor e a exortação a dar ao jovem. E o que ela fez? Ela levantou-se, sentou-se na cama, esticou os braços para ele, e disse: Amigo, eu sempre te amei, e mesmo agora, no fim da minha vida, eu te amo, eu vejo que por você eu irei para o inferno, mas eu não me importo, eu estou disposta, por seu amor, a ser condenada. Após estas palavras, ela caiu de costas na cama e expirou. Esses fatos são relatados pelo Padre Segneri. Oh! Quão difícil é para uma pessoa que contraiu o hábito deste vício mudar de vida e voltar-se sinceramente a Deus! Quão difícil é para essas pessoas não caírem no inferno, como a infeliz jovem de quem acabamos de falar.


Segundo Ponto

Ilusão daqueles que dizem que Deus se apieda deste pecado


Os adeptos da luxúria dizem que Deus se apieda deste pecado, mas não é isso o que diz Santo Tomás de Villanova. Ele diz que nas Sagradas Escrituras nós não lemos sobre qualquer pecado tão severamente castigado como o pecado da impureza. "Luxuriae facinus prae aliis punitum legimus" - Sermão 4. Encontramos nas Escrituras que em punição a este pecado, um dilúvio de fogo desceu do céu sobre quatro cidades e, em um instante, consumiu não só os habitantes, mas até as pedras. "O Senhor fez então cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu. E destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos os habitantes das cidades e a vegetação do solo." - Gênesis 19:24-25. São Pedro Damião relata que um homem e uma mulher que haviam pecado contra a pureza foram encontrados queimados e negros como carvão.
Salviano escreve que era em castigo ao pecado de impureza que Deus enviou à Terra o dilúvio universal, que foi causado por contínua chuva durante quarenta dias e quarenta noites. Neste dilúvio, as águas subiram quinze côvados acima dos topos das montanhas mais altas, e apenas oito pessoas, contando com Noé, foram salvas na arca. O resto dos habitantes da Terra, que eram mais numerosos do que os que existem hoje, foram punidos com a morte em
castigo ao vício da impureza. Notem as palavras do Senhor ao falar deste castigo que Ele infligiu por causa deste pecado. "Meu espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne." - Gênesis 6:3. "Ou seja", diz Nicolau de Lira, "profundamente envolvidos em pecados carnais". O Senhor acrescentou: "Porque eu me arrependo de tê-los criado." - Gênesis 6:7. A indignação de Deus não é como a nossa, que encobre a mente e nos leva a excessos; Sua ira é um julgamento perfeitamente justo e tranquilo, pelo qual Deus castiga e repara as desordens do pecado. Mas para nos fazer compreender a intensidade de Seu ódio ao pecado da impureza, Ele Se representa como arrependido por ter criado o homem, que o ofendeu tão gravemente por este vício. Nós, nos dias de hoje, vemos mais penas temporais graves infligidas contra esse pecado, do que contra qualquer outro. Vá aos hospitais, e ouça os gritos de tantos rapazes que, em punição a suas impurezas, são obrigados a submeter-se aos mais severos tratamentos e às mais dolorosas operações, e que, se escapam da morte, ficam, de acordo com a ameaça divina, fracos e sujeitos à dor mais excruciante para o resto de suas vidas. "Dado que te esqueceste de Mim e Me voltaste as costas, agora carrega também a tua devassidão e as tuas prostituições."- Ezequiel 23:35.
São Remígio escreve que, excetuadas as crianças, o número de adultos que são salvos é pequeno, por causa dos pecados da carne. "Exceptis parvulis ex adultis propter vitiam carnis pauci salvantur". Em conformidade com esta doutrina, foi revelado a uma santa alma que como o orgulho encheu o inferno de demônios da mesma forma a impureza o enche de homens. Santo Isidoro atribui este motivo: ele diz que não há nenhum vício que tanto escraviza os homens ao Diabo como a impureza. "Magis per luxuriam, humanum genus subditur diabolo, quam per aliquod aliud" - Santo Isidoro. Por isso, Santo Agostinho diz que, com relação a este pecado, o combate é comum, e a vitória rara. Assim, por causa deste pecado, o inferno está cheio de almas.
Tudo o que eu disse sobre este assunto, não foi para que as pessoas afligidas pelo vício da impureza fiquem desesperadas, mas para que possam ser curadas. Vamos, então, estudar os remédios. Existem dois grandes remédios, a oração e a fuga das ocasiões perigosas. A oração, diz São Gregório de Nissa, é a salvaguarda da castidade. "Oratio pudicitiae praesidium et tutamen est". E antes dele, Salomão, falando de si mesmo, disse a mesma coisa. "Sabendo que jamais teria conquistado a continência, se Deus não ma tivesse concedido ... voltei-me então para o Senhor e supliquei-lhe." - Sabedoria 8:21. Assim, a nós é impossível vencer este vício sem a ajuda de Deus. Por isso, tão logo a tentação contra a castidade se apresente, a solução é se voltar de imediato à ajuda de Deus e repetir várias vezes os santíssimos nomes de Jesus e Maria, que têm uma força especial para banir os maus pensamentos desse tipo. Eu disse imediatamente, sem ouvir ou começar a discutir com a tentação. Quando um mau pensamento ocorre na mente, é necessário removê-lo imediatamente, como se fosse uma centelha que voa saindo do fogo, e imediatamente invocar a ajuda de Jesus e Maria.
Quanto à fuga das ocasiões perigosas, São Filipe Néri costumava dizer, que os covardes - ou seja, aqueles que correm das ocasiões – recebem a vitória. Portanto, você deve, em primeiro lugar, ser cauteloso com os olhos e deve abster-se de olhar para as moças. Caso contrário, diz Santo Tomás, você dificilmente poderá evitar este pecado. Por isso, Jó disse: “Eu havia feito um pacto com meus olhos: não desejaria olhar nunca para uma virgem.” - Jó 31:1. Ele tinha medo de olhar para uma virgem, porque a partir de olhares é fácil passar aos desejos e dos desejos aos atos. São Francisco de Sales costumava dizer que olhar para uma mulher não faz tanto mal quanto olhar para ela uma segunda vez. Se o diabo não teve a vitória de primeira, ele a terá na segunda vez. E, se é necessário abster-se de olhar para as mulheres, é muito mais necessário evitar a conversa com elas. "Não te sentes no meio das mulheres." - Eclesiástico 42:12. Devemos estar convencidos de que, para evitar ocasiões deste pecado, nenhuma precaução é suficiente. Por isso, é necessário estarmos sempre atentos e correr das ocasiões. "O sábio é precavido e afasta-se do mal; o insensato segue em frente sem pensar.” - Provérbios 14:16 Um homem sábio é tímido e corre para longe, um insensato é confiante e cai.

25 de junho de 2010

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana

Sexta-feira

Ó Jesus! E como pudestes eleger-me, dentre milhares, para Vosso sacerdote? A mim, que tantas vezes Vos voltei as costas, e, por nada, desprezei a Vossa graça? Amantíssimo Senhor meu, doem-me de toda a minha alma os meus pecados. Dizei-me, redimistes os meus pecados? Assim espero. Fostes, na verdade, meu Redentor não uma só vez, mas todos os dias me perdoastes. Ah, meu Salvador, que dera nunca Vos houvesse ofendido! Fazei-me ouvir o que dissestes à Madalena: Estão redimidos os teus pecados. Fazei-me sentir ter sido recebido na Vossa graça, dando-me uma suma dor dos meus pecados. - Nas Vossas mãos eu entrego o meu espírito; redimistes-me, Senhor Deus da verdade. Ó diviníssimo Pastor! Descestes do céu para encontrar-me a mim, ovelha perdida, e, por mim, desceis todos os dias sobre o altar; entregastes a vida para salvar-me: não me abandoneis. Nas Vossas mãos eu entrego a minha alma, tomai-a clementemente, e não me permitais jamais me separar de Vós. - Por mim, derramastes todo o Vosso Sangue. Pedimo-Vos, pois, vinde em auxílio dos Vossos servos, que redimistes com o Vosso precioso Sangue. Agora sois meu advogado, e não juiz; consegui-me o perdão junto de Vosso Pai; obtende-me a virtude e a luz de amar-Vos de toda a minha alma. Dai-me passar o restante de minha vida de modo que, quando Vos contemplar como juiz, me veja agradável a Vós.Reinai, peço-Vos, pelo Vosso amor no meu coração, fazei-me ser todo Vosso; e assim, amável Salvador, fazei-me lembrar sempre do amor com que me amastes, e do quanto fizestes e padecestes para me salvar e para serdes amado por mim. Para isso foi que me fizestes sacerdote, para que nada ame mais do que a Vós. - Meu Jesus, desejo deveras agradar-Vos; eu Vos amo, e nada mais desejo amar mais do que a Vós. - Fazei-me humilde e paciente nos trabalhos desta vida, manso nas humilhações, averso às delícias terrenas e desligado das criaturas, e dai-me expulsar do meu coração todos os afetos que não vêm de Vós. Tudo isso Vos imploro e espero pelos méritos da Vossa paixão. Ó graciosíssimo Jesus, ó bom Jesus, atendei-me. Ó minha mãe e minha esperança, Maria, atendei-me também Vós, e rogai por mim a Jesus.










Feria sexta

O Iesu! et quomodo potuisti me ex millibus in sacerdotem tuum eligere? Me, qui toties tibi terga verti, et pro nihilo gratiam tuam sprevi? Amantissime Domine mi, doleo ex tota anima mea de peccatis meis. Dicito mihi, remisisti ne peccata mea? Spero quidem. Fuisti quippe Redemptor meus non semel tantum, sed quoties mihi pepercisti. Ah , Salvator mi, numquam te offendissem ! Fac, obsecro, me sentiré quod Magdalenae dixisti: Remittuntur tibi peccata tua. Fac ut sentiam me in gratiam tuam iam esse receptum donans mihi magnum dolorem de peccatis meis — In manus tuas commendo spiritum meum ; redemisti me Domine Deus veritatis. Oh ! divinissime Pastor, tu de coelo descendisti ad inveniendum me, perditam ovem, et pro me quotidie super altare descendis ; posuisti vitam tuam ut salvum me faceres, ne derelinquas me. In manus tuas commendo animam meam, suscipe clementer eam, et ne permittas umquam separari a te. - Tu pro me totum Sangui nem tuum f udisti; Te ergo quaesitmus, tuis famulis subveni, quos pretioso Sanguine redemisti. Nunc es advocatus meus, non vero iudex; veniam pro me apud Patrem tuum implora; obtine mihi lumen et virtutem amandi te ex tota aüima mea. Da residuum vitae meae sic transire, ut quum te iudicem aspexero, mihi te placatum videam. Regna, quaeso, amore tuo in corde meo, fac ut sim totus tuus; et ideo, Salvator amabilis recorda mihi semper amorem, quo me dilexisti, et quanta operatus et passus es, ut me salvares, et amareris a me. Ad hoc me sacerdotem fecisti, ut nihil diligam praeter te. - Iesu mi, volo quippe tibi complacere; ego diligo te, et nihil aliud diligere volo praeter te. - Fac me humilem et patientem in laboribus huius vitae, mansuetum in humiliationibus, a terrenis deliciis abhorrentem, et a creaturis abstractum, et praesta ut a corde meo eiiciam omnes affectus, qui non sunt ad te. Haec omnia a te imploro, et spero per merita passionis tuae. O Iesu iucundissime, amabilis Iesu, o bone Iesu exaudi me. O mater mea, et spes mea; Maria, tu quoque exaudi me, et ora Iesum pro me.

24 de junho de 2010

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana

Quinta-feira

Ó Deus de infinita majestade, eis um traidor prostrado a Vossos pés, o qual tão gravemente Vos ofendeu! Vós muitas vezes me perdoastes os pecados, e eu, desprezando os benefícios e as proteções que me destes, injuriava-Vos novamente. Os outros pecaram nas trevas, eu, porém, na luz. Mas ouvi a voz deste Vosso Filho, que Vos ofereci, e que agora está em meu peito: Ele implora a misericórdia e o perdão para mim junto de Vós. Perdoai-me, ó Bondade infinita, pelo amor de Jesus Cristo, porque me arrependo de todo o meu coração de Vos ter ofendido.
Sei que de bom grado, por amor de Jesus Cristo, Vos fazeis propício aos pecadores: Comprazi-me, por Ele, em reconciliar nele todas as coisas. (Colos I 19-20). Por amor, pois, de Jesus Cristo, sede-me propício também a mim. Não me expulseis de diante de Vossa face, ainda que o mereça; perdoai-me e mudai o meu coração. Criai em mim um coração limpo, ó Deus. Fazei-o ao menos pela Vossa honra, porque me elegestes para sacerdote e ministro para oferecer-Vos o Vosso próprio Filho. Fazei-me viver como convém a um sacerdote. Dai-me um coração com o qual Vos ame como deve um sacerdote. Extingui, suplico-Vos, e destruí em mim, com o fogo do Vosso amor, todos os afetos terrenos. Fazei que, daqui em diante, mostre-me grato pelos tantos benefícios a mim dedicados, e por tanto amor com que me amastes. Se no passado desprezei a Vossa amizade, agora a estimo mais que todos os reinos do mundo, e anteponho o Vosso beneplácito a todas as riquezas e às delícias do céu e da terra.
O meu Pai, pelo amor de Jesus Cristo, desligai-me de todas as coisas. Quereis que os Vossos sacerdotes estejam de todos desligados de tudo o que há no mundo, e vivam para Vós só e para as obras da Vossa glória. Separai-me Saulo e Barnabé para a obra para a qual os tomei (Atos XIII 2). Sei que o exigis também de mim, e proponho fazê-lo, mas ajudai-me com a Vossa graça. Atraí-me todo para Vós. Dai-me paciência e força de vontade nos trabalhos e adversidades. Dai-me que, por Vosso amor, me mortifique. Concedei-me o espírito da verdadeira humildade, no qual me alegre de ser vil e imperfeito. Ensinai-me a fazer a Vossa vontade, e mostrai-me o que exigis de mim, porque o desejo executar. Recebei, meu Deus, um pecador para amar-Vos, que já pecou muito contra Vós, mas agora sinceramente deseja amar-Vos e ser Vosso. Ó Deus eterno, espero fortemente que Vos ame eternamente. E, assim, quero já nesta vida amar-Vos muito, para que muito Vos consiga amar na eternidade. E, porque Vos amor, quero que sejais conhecido e amado por todos; e assim, Senhor, porque me fizestes Vosso sacerdote, fazei-me trabalhar por Vós, e me ocupe da salvação das almas. Isso tudo espero pelos Vossos méritos, ó Jesus Cristo, e pela Vossa intercessão, ó Minha Mãe Maria.

O Deus infinitae maiestatis, en proditor ad pedes tuos, qui tam graviter in te deliquit ! Tu multoties pepercisti peccatis meis, et ego, spretis beneficiis, et praesidiis, quibus me donasti, iterum te iniuriis affeci. Ceteri peccaverunt in tenebris ego autem in luce. Sed audi vocem huius filii tui, quem modo tibi obtuli, et qui nunc est in pectore meo, ipse pro me misericordiam et veniam apud te implorat. Parce mihi, o Bonitas infinita, per amorem Iesu Christi, quia te offendisse toto corde me poenitet.
Scio quod tu Iesu Christi amore peccatoribus te placare delecteris: Complacuit per eum reconciliare omnia in ipsum (Coloss. I, 19, 29). Per amorem igitur Iesu Christi, placa te etiam mihi. Ne p'roiicias me a facie tua quamvis id merear; parce mihi, et muta cor meum. Cor mundum crea in me Deus. Hoc age ob honorem saltem tuum quoniam elegisti me in Sacerdotem et ministrum ad offerendum tibi ipsum Filium tuum. Fac me vivere sicut decet sacerdotem. Da cor mihi, quo te sacerdos amare debet. Extingue, precor, et destrue in me tui amoris igne omnes terrenos affectus. Fac ut gratum deinceps me tibi probem pro tantis beneficiis mihi collatis, et pro tanto amore, quo amasti me. Si olim amicitiam tuam sprevi, nunc eam magis aestimo quam cuncta mundi regna, et beneplacitum tuum omnibus divitiis ac coeli terraeque antepono. - O Pater mi, per Iesu Christi amorem separa me ab omnibus rebus. Tu vis ut sacerdotes tui ab omnibus, quae in mundo sunt, omnino segregati sint, ac tibi soli, et operibus gloriae tuae vivant. Segregate mihi Saulum et Barnabam in opus, ad quod assumpsi eos (Act. XIII, 2). Scio quod etiam id a me requiris, et hoc facere propono, sed tu adiuva me gratia tua. Trahe me totum ad te. In laboribus et in adversis mihi patientiam et voluntatis conformationem tribue. Da ut per amorem tuum meipsum mortificem. Concede mihi spiritum verae humilitatis, quo gaudeant me abiectum et imperfectum reputari. Doce me facere voluntatem tuam, et quod inde a me requiris indica mihi, id enim exequi volo. Recipe, Deus meus, ad amandum te peccatorem, qui in praeteritum nimis in te peccavit, sed nunc vere te diligere vult et esse tuus. O Deus aeterne, spero te amaturum in aeternum. Et ideo volo etiam in hac vita te multum amare, ut multum te amare valeam in aeternitate. - Et quia amo te, ab omnibus te cognosci et amari desidero. Et ideo, Domine, quoniam fecisti me sacerdotem tuum, fac ut pro te laborem, et saluti animarum incumbam. Haec omnia spero per merita, o Christe Iesu, et per tuam intercessionem, o mater mea Maria.

23 de junho de 2010

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana
















Feria quarta


Oh! Iesu mi, video quanta operatus et passus es, ut mihi necessitatem imponeres amandi te, et ego tam ingratum me tibi probavi ? Quoties ob vilem oblectationem et desiderium nequam, tuam gratiam commutavi, et amisi te, o Deus animae meae! Creaturarum beneficia et grata memoria sum prosequutus, tibi soli me ingratum praebui. Ignosce mihi, Deus meus; doleo eiusmodi ingrati animi crimen, et toto corde moereo, et veniam a te spero cum sis infinita bonitas. Si tu bonitas infinita non esses, mihi desperandum foret, nec amplius misericordiam
tuam implorare auderem.
Tibi sint grates, amor meus, quia ad infernum, quem promerui, non me damnasti, et tanto tempore me sustinuisti. Sola quidem patientia tua in me, Deus meus, ad amandum te trahere me deberet. Quis umquam me tolerare potuisset, nisi tu, qui es infinitae misericordiae Deus ? Iamdiu est, ex quo invitas me ad amandum te ; nolo amplius resistere amori tuo; ecce me tibi totum dedo. Sufficit quantum in te peccavi, nunc te diligere volo. Amo te, o summum Bonum meum diligo te, o Bonitas infinita, amo te, Deus meus, qui es infinito amore dignus, et semper repetere volo in tempore et in aeternitate: amo te, amo te. - O Deus, et quot annos amisi, in quibus te diligere et in amore tuo progredi potuissent, et eos insumpsi ad peccandum in te! At sanguis tuus, o Iesu, spes mea est. Numquam, spero, te amare cessabo. Ignoro quantum mihi vivendum superest; residuum tamen vitae meae sive breve sive longum sit, illud tibi totum consecro. Ad hunc finem hactenus expectasti me. Volo quippe tibi complacere, volo te, amantissime Dñe, semper amare, teque solum diligere volo. Quid mihi deliciae! Quid divitiae! Quid honores! Tu solus, Deus meus, tu solus, solus es, et semper eris amor meus, et omnia. Sed nihil possum, nisi tu adiuves me gratia tua. Vulnera quaeso cor meum, infiamma illud sancto amore tuo, tibique totum coniunge, et ita coniunge, ut a te numquam separari possit. Tu amare promisisti qui te diligit: Ego diligentes me diligo (Prov. VIII, 17). Nunc amo te: parce audaciae meae, ama tu etiam me, et ne permittas me quidquam facere, quod impediat quominus diligas me: Qui non diligit manet in morte (I. Ioann. III. 14). Libera me ab ista morte, qua impediar quominus amem te. Fac ut semper diligam te, ut semper tu queas amare me; et sic dilectio nostra aeterna sit, nec inter me et te amplius dissolvatur. Hoc praesta, Pater aeterne, per amorem Iesu Christi. Hoc ipsum concede, iucundissime Iesu, per merita tua, in quibus me semper te amaturum, et te semper me dilecturum confido.
O Maria, Mater Dei, et mater mea, tu etiam deprecare Iesum pro me.










Quarta-feira

Ó meu Jesus, vejo o quanto fizestes e sofrestes para impor-me a necessidade de amar-Vos: e eu me provei tão ingrato para convosco! Todo dia, por uma vil deleitação e um desejo malvado, desprezei a Vossa graça e perdi-Vos, ó Deus da minha alma! Retribuí suficientemente todos os benefícios recebidos das criaturas com uma grata memória, só convosco mostrei-me ingrato. Perdoai-me, meu Deus; dói-me sobremaneira o crime desta alma ingrata, e de todo o coração me arrependo, e espero vênia de Vós, que sois infinita bondade. Se não fosses a bondade infinita, desesperaria, e não mais ousaria implorar pela Vossa misericórdia.
Graças Vos sejam dadas, meu amor, porque não me condenastes ao inferno que eu mereci, mas me suportastes por tanto tempo. Portanto, somente a Vossa paciência para comigo, meu Deus, já deveria arrastar-me a amar-Vos. Quem mais poderia tolerar-me senão Vós, que sois Deus de infinita misericórdia? Já é tempo em que me convidais a amar-Vos; não mais quero resistir ao Vosso amor; eis que me entrego totalmente a Vós. Basta o quanto pequei contra Vós, agora Vos quero amar. Amo-Vos, ó meu sumo Bem; amo-Vos, ó Bondade infinita; amo-Vos, meu Deus, que sois digno de infinito amo, e sempre quero repetir, no tempo e na eternidade: amo-Vos, amo-Vos. - Ó Deus, e quantos anos perdi, nos quais poderia ter-Vos amado e progredido nesse amor, e usei-os para pecar contra Vós! Mas o Vosso sangue, ó Jesus, é a minha esperança. Espero que jamais cessarei de amar-Vos. Ignoro quanto tempo de vida me resta: mas o que resta da minha vida, seja breve, seja longo, consagro-o totalmente a Vós. Para esse fim me esperastes até agora. Quero, portanto, agradar-Vos, quero sempre amar-Vos, amantíssimo Senhor, e amar-Vos a Vós só. Que quero com as delícias? Com as riquezas, as honras? Vós só sois o meu Deus, Vós só sois e sempre sereis o meu único amor e o meu tudo. Mas nada posso eu se Vós não me ajudardes com a Vossa graça. Feri, peço-Vos, o meu coração, inflamai-o do Vosso santo amor, e uni-o totalmente a Vós, e uni-o de tal forma que não possa ser separado jamais. Prometestes amar quem Vos ama: Eu amo os que Me amam (Prov. VIII 17). Agora Vos amo; perdoai os meus atrevimentos, amai-me, e não me permitais fazer nada que Vos impeça de me amar: Quem não ama permanece na morte (I Jo III 14). Livrai-me dessa morte, da qual só serei poupado se Vos amar. Dai-me que sempre Vos ame, para que Vós sempre possais me amar; e assim o nosso amor seja eterno, e não mais seja dissolvido entre mim e Vós. Dai-mo, eterno Pai, por amor de Jesus Cristo. Concedei-mo, graciosíssimo Jesus, pelos Vossos méritos, pelos quais espero sempre amar-Vos e, por minha vez, ser amado por Vós.
Ó Maria, Mãe de Deus e minha mãe, rogai também Vós por mim a Jesus.

Tradução minha.

22 de junho de 2010

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana

Feria tertia

Ah! Domine mi, quomodo potui te multoties offendere, sciens quod peccando tibi summe displicebam? Per merita, quaeso, passionis tuae ignosce mihi, et vinculo amoris tui me tibi obstringe; non te separet a me fetor culparum mearum. Fac ut magis ac magis tuam bonitatem et amorem, qui tibi debetur, et caritatem, qua me dilexisti, semper agnoscam.
Cupio, bone Iesu, me totum pro te devovere, qui temetipsum pro me in sacrificium offerre voluisti. Tu innumeris caritatis argumentis me tibi obstrinxisti; ne, quaeso, permittas me umquam separari a te. Amo te, Deus meus, teque semper diligere volo. Et quomodo a te disiunctus, et sine gratia tua vivere potero, cum amorem tuum cognoverim ?- Gratias ago tibi quia me pertulisti quando sine gratia tua vivebam, et quia tempus adhuc mihi praestas amandi te. Si tunc mihi superventus esset interitus, te amplius amare non possem. Quoniam vero adhuc te diligere possum, omnibus viribus te amare volo, dulcissime Iesu, tibique in omnibus placere peropto. Diligo te, o Bonitas infinita, amo te plusquam me; et quia amo te, dono tibi corpus meum, animam meam, ac totam voluntatem meam. Fac, Domine, et dispone de me iuxta beneplacitum tuum, in omnibus me tibi subiicio. Dummodo mihi concedas ut semper diligam te, nihil aliud posco. Terrena bona da volentibus illa; non aliud ego desidero, nihilque peto, nisi perseverantiam in gratia tua, et sanctum amorem tuum.
Innixus ego, o Pater aeterne, Filii tui promissis: Amen , amen dico vobis, si quid petieritis Patrem in nomine meo, dabit vobis (Ioann.XYl, 23), in nomine Iesu Christi peto ate sanctam perseverantiam, et gratiam amandi te ex toto corde meo, perfecte faciendo deinceps voluntatem tuam. O Iesu, tu pro me victima factus es, et mihi teipsum dedisti, ut tradam tibi meipsum, tibique immolem voluntatem meam, inquis enim: Praebe, fili mi, cor tuum mihi (Prov. XXIII, 26). Ecce cor meum, Domine, ecce cor meum, et animam meam, quam tibi dono, et omnino pro te devoveo. Verum, tu scis, Domine, infirmitatem meam: succurre mihi; ne permittas me hanc voluntatem meam a te recipere ad peccandum in te. Minime: noli hoc permittere; da ut semper diligam te, fac ut amem te quantum Sacerdos te diligere debet; et quemadmodum Filius tuus in cruce moriens dicere potuit: Consummatum est, ita in morte mea dicere valeam, quod ex hac die mandata tua custodivi. Praesta, ut in omnibus tentationibus, et periculis in te peccandi semper ad te recurram, et auxilium tuum per merita Iesu Christi implorare non omittam.
O Maria sanctissima, quae omnia potes apud Deum, impetra mihi hanc gratiani, ut in tentationibus semper ad Deum, et ad te confugiam.











Terça-feira

Ah! Meu Senhor, como pude ofender-Vos tantas vezes, sabendo que, pecando, Vos desagradava sumamente? Pelos méritos da Vossa paixão, peço-Vos, perdoai-me, e ligai-me a Vós com o vínculo do Vosso amor; não me separe de Vós o fedor das minhas culpas. Fazei que mais e mais reconheça sempre a Vossa bondade, o amor que é devido a Vós e a caridade com que me amastes.
Desejo, ó bom Jesus, dedicar-me todo a Vós, que quisestes oferecer-Vos a Vós mesmos em sacrifício por mim. Envolvestes-me de inúmeras provas de caridade; não permitais, peço-Vos, separar-me de Vós. Amo-Vos, ó meu Deus, e quero amar-Vos sempre. E como poderia eu viver separado de Vós e sem a Vossa graça, tendo conhecido o Vosso amor? Graças Vos dou, que me suportastes enquanto vivia sem a Vossa graça, e que ainda me dais tempo para amar-Vos. Se tivesse morrido, não mais poderia ter-Vos amado. Mas, porque ainda Vos posso amar, com todas as minhas forças desejo fazê-lo, dulcíssimo Jesus, e em todas as coisas quero agradar-Vos. Amo-Vos, ó Bondade infinita, amo-Vos mais que a mim; e porque Vos amo dou-Vos meu corpo, minha alma e toda minha vontade. Fazei e disponde de mim, Senhor, segundo o Vosso beneplácito; submeto-me a Vós em tudo. Desde que me concedais amar-Vos sempre, nada mais peço. Os bens terrenos, dai-os aos que os desejem, que eu nada peço senão a perseverança na Vossa graça e o Vosso santo amor.
Eu repouso, ó eterno Pai, nas promessas do Vosso Filho: Em verdade, em verdade vos digo que o que quer que peçais ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará (Jo XVI 23), em nome de Jesus Cristo peço-Vos a santa perseverança, e a graça de amar-Vos de todo o meu coração, e, por isso, cumprir perfeitamente a Vossa vontade. Ó Jesus, fizestes-Vos vítima por mim, e destes-Vos a Vós mesmo por mim, para que eu me entregue todo a Vós, e Vos imole a minha vontade; pois dizeis: Dai-Me, Meu filho, o teu coração (Prov XXIII 26). Eis o meu coração, Senhor, eis o meu coração e a minha alma, que Vos dou, e dedico inteiramente a Vós. Vós conheceis, na verdade, Senhor, a minha fraqueza: socorrei-me; não me permitais retomar de Vós essa minha vontade, pecando contra Vós. Ao menos não o permitais; dai-me que sempre Vos ame, fazei que Vos ame o quanto um Sacerdote deve amar-Vos; e, como pôde dizer o Vosso Filho morrendo na cruz: Tudo está consumado, também na minha morte possa dizer que até aquele dia guardei os Vossos mandamentos. Dai-me que, em todas as tentações e perigos de pecar contra Vós, a Vós recorra sempre, e não deixe de implorar o Vosso auxílio pelos méritos de Jesus Cristo.
Ó Maria santíssima, que tudo podeis junto de Deus, dai-me esta graça, que nas tentações sempre recorra a Deus e a Vós.

Tradução minha.

21 de junho de 2010

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana


Feria secunda

O Bonitas infinita ! O caritas infinita ! Deus mihi se totum dedit, factus est totus meus ! Anima mea, convoca omnes affectus tuos, teque intime coniunge Domino tuo, qui dedita opéra venit ad te, ut coniungatur tibi et redametur a te.
O Redemptor amabilis, amplector te, amor et vita mea me tibi coniungo, noli me despicere. Hei mihi ! quodam tempore vitae meae te reieci ex anima mea, et me separavi a te; sed in posterum vitam meam millies ponere potius volo, quam iterum amittere te, summum Bonum meum. Obliviscere, Domine, omnium iniuriarum, quibus te affeci , et mihi miseratus ignosce; toto corde me illarum poenitet, et prae dolore mori vellem. Quamvis autem in te peccaverim, mihi praecipis ut amem te: Diliges Dominum Deum tuum, eoo toto corde tuo. Oh, Domine mi, quis ego sum ut a me diligi cupias? Quoniam hoc desideras, amore te prosequi volo. Tu pro me mortem subire voluisti, et carnes tuas in cibum mihi dedisti, ego omnia relinquo, omnibus valedico, et te solum, amantissime Salvator, amplector. Quis me separabit a caritate- Christi? O Redemptor amabilis, et quem alium diligere volo, nisi te,'qui es infinita bonitas, e.t infinito amore dignus? Quid mihi est in coelo? et a-te quid volui super terram? Deus cordis mei, et pars mea Deus in aeternum. Profecto quidem, Deus meus, et ubinam sive in coelo, sive in terra bonum te maius invenire possum, vel qui magis quam tu me dilexerit? Adveniat regnum tuum. Oh! bone Iesu, sume, precor, hoc mane totius cordis mei dominium, illud ego tibi totum praebeo. Tu illud semper ac totum posside, et omnes affectus, qui non sunt ad te, ab eo repelle. Te solum in partem meam, et in meas divitias eligo: Deus cordis mei, et pars mea, Deus, in aeternum. Da, ut semper illud s. Ignatii a Loyola in ore habeam, et petam: Amorem tui solum eum gratia 'tua mihi dones, et dives sum satis. Da, mihi amorem et gratiam tuam, fac videlicet ut amem te, et amer a te, et dives sum satis, nec amplius ultra desidero, nec aliud quaero.
Verumtamen tu scis infirmitatem meam, et quam saepe tibi infidelis extiterim; adiuva ergo me gratia tua, nec umquam permittas me separari ab amore tuo sancto. Ne permittas me separari a te. Hoc nunc tibi dico, semperque dicere volo, et idipsum, tribue, ut repetere tibi semper queam: Ne permittas, ne permittas me separari a te. O Virgo sanctissima, spes mea, Maria, impetra mihi a Deo hanc duplicem gratiam: sanctam perseverantiam et sanctum amorem; nihil amplius a te peto.







Segunda-feira

Ó Bondade infinita! Ó caridade infinita! Deus deu-Se totalmente a mim, fez-Se todo meu! Ó minh'alma, convoca todos os teus afetos, e une-te intimamente ao teu Senhor, que amorosamente veio a ti, para unir-Se a ti e ser por ti amado em retribuição.
Ó Redentor amável, abraço-Vos, meu amor e minha vida; uno-me a Vós, não me deixeis. Ai de mim! houve um tempo na minha vida em que Vos expulsei da minha alma, e separei-me de Vós; mas, de agora em diante, prefiro mil vezes perder a minha vida a perder-Vos, meu sumo Bem. Esquecei-Vos, Senhor, de todas as injúrias com que Vos agravei, e perdoa-me a mim humilhado; arrependo-me delas de todo meu coração, e quisera morrer de dor. Porém, por tanto que contra Vós pequei, tanto me mandais que Vos ame: Ama o Senhor teu Deus, de todo o teu coração. Ó! Senhor meu, quem sou eu para que queiras ser amado por mim? Porque assim desejas, quero seguir-Vos no amor. Vos quisestes morrer por mim, e me destes a carne como comida; eu tudo deixo, de tudo me despeço, e abraço-Vos a Vós só, ó amantíssimo Salvador. Quem me separará do amor de Cristo? Ó amável Redentor, que outro quero eu amar senão a Vós, que sois a bondade infinita, e digno de infinito amor? Que quero eu no céu, e, fora de Vós, que quero sobre a terra? Deus do meu coração, e a minha Deus é eternamente a minha parte. Assim é, meu Deus, e onde, no céu e na terra, posso encontrar um bem maior que Vós, ou quem me amaria mais que Vós? Venha o Vosso reino. Ó bom Jesus! Assume, peço-Vos, nesta manhã, o domínio de todo o meu coração: ofereço-Vo-lo inteiro. Possuí-o sempre e totalmente, e expulsai dele todos os afetos que não vêm de Vós. Escolho a Vós só para minha herança e minhas riquezas: Deus do meu coraçãom e a minha herança é Deus para sempre. Dá-me que sempre tenha na boca e peça, como Santo Ignácio de Loyola: "Dai-me somente o Vosso amor e a Vossa graça, e de riquezas estou satisfeito". Dai-me o Vosso amor e a Vossa graça; fazei, pois, com que Vos ame e seja por Vós amado, e estou saciado de riquezas: nada além disso desejo, nem outra coisa quero.
Todavia conheceis a minha fraqueza, e quão frequentemente Vos fui infiel; ajude-me, pois, a Vossa graça, e nunca me permita separar-me do Vosso santo amor. "Não me permitais separar-me de Vós." Digo-Vo-lo agora e sempre o quero dizer-Vos, e dai-me, ainda, que sempre possa repetir-Vos: "Não me permitais separar-me de Vós".
Ó Virgem santíssima, esperança minha, Maria, consegui-me de Deus esta dúplice graça: a santa perseverança e o santo amor. Nada mais Vos peço.

Tradução minha.

20 de junho de 2010

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana


Die Dominica

Amantissime Iesu, Redemptor, et Deus, adoro te praesentem in pectore meo sub speciebus panis et vini, quibus factus es oibus et potus animae meae.
Sit infinite benedictus adventus tuus ad animam meam, Deus meus, et pro tanto beneficio tibi ex intimo corde gratias ago, et doleo eo quod digne tibi grates rependere non valeo. Et quasnam dignas gratiarum actiones habere posset humilis villicus, si rustica in domo sua ab ipso suo rege se visitatum videret, nisi ad illius pedes se procumbere, et tacito admirari et laudare tantam dignationem? Procido ergo coram te, o Rex divine, o Iesu dulcissime, teque adoro ex abysso vilitatis meae. Coniungo adorationem meam adorationi, quam tibi praestitit beatissima Virgo Maria quando in uterum suum sacrosanctum te recepit, et quo ipsa te amavit amore, eodem te prosequi vellem. O Redemptor amabilis, tu hodie verbis meis obediens, de caelo in manus meas descendisti: et ego? eheu! quoties praeceptis tuis inobediendo, te, ingrato animo, sprevi, et gratiam et amorem tuum reieci ! O bone Iesu, meorum venialn delictorum iam te mihi tribuisse confido; quod,si culpa mea, nondum mihi pepercisti, modo, quaeso, agnosce mihi, o Bonitas infinita, nam te offendisse toto corde me poenitet. Utinam, o Iesu, te semper amavissem! A die saltem quo primam missam celebravi, unice pro te amore flagrare debuissem. Tu ex millibus me in sacerdotem et amicum tuum elegisti, quid ultra facere debuisti, ut a me diligereris? Sed gratias.ago tibi quia tempus mihi praestas agendi, quod facere omisi. Ex toto corde meo te amare volo. Minime, nullum affectum in corde meo admittere volo nisi pro te, qui me tantis beneficiis ad te redamandum obstrinxisti. Deus meus et omnia. O Deus meus, quid mihi divitiae! quid honores! quid mundi voluptates! tu omnia mihi es. Tu solus eris deinceps unicum bonum, unicus amor meus. Dicam tibi cum sancto Paulino: Sibi habeant divitias suas divites, regna sua reges; mihi Christus gloria et regnum est. Fruantur reges, ac divites terrae, regnis suis, suisque divitiis, tu, o bone Iesu, divitiae meae et regnum meum mihi solus eris.
O Pater aeterne, per amorem huius Filii tui, quem hodie tibi obtuli, et in cor meum recepi, da quaeso, mihi sanctam perseverantiam in gratia tua, et donum tui sancti amoris. Tibi etiam commendo propínquos meos, amicos et inimicos; animas item purgatorii, omnesque peccatores. O Mater mea, Maria sanctissima, impetra mihi sanctam perseverantiam et Iesu Christi amorem.










Domingo

Amantíssimo Jesus, Redentor e Deus, adoro-Vos, presente em meu peito sob as espécies do pão e do vinho, nas quais Vos fizestes comida e bebida da minha alma.
Seja infinitamente bendita a Vossa vinda à minha alma, ó meu Deus, e por tamanho benefício dou-Vos graças do íntimo do meu coração, e dói-me de não poder retribuir-Vos dignamente com agradecimentos. E que dignas ações de graças pode dar um humilde servo, se se vir visitado em sua rústica casa pelo seu próprio rei, senão prostrar-se aos seus pés, e, calado, admirar e louvar tanta clemência? Prostro-me, portanto, diante de Vós, ó divino Rei, ó dulcíssimo Jesus, e adoro-Vos do abismo da minha vileza. Junto minha adoração àquela que Vos presta a beatíssima Virgem Maria, quando em Seu seio sacrossanto recebeu-Vos, e o mesmo amor com que Ela Vos amou queria eu apresentar-Vos. Ó amável Redentor, Vós, hoje, obedecendo as minhas palavras, descestes do céu para as minhas mãos; e eu? Ai! todos os dias desobedecendo os Vossos preceitos, ingratamente desprezei-Vos, e rejeitei a Vossa graça e o Vosso amor! Ó bom Jesus, confio que já me haveis dado o perdão das minhas faltas; porque se por minha culpa ainda o não fizestes, peço-Vos, então, perdoai-me, ó Bondade infinita, porque me arrependo de todo o coração de Vos ter ofendido! Oxalá, ó Jesus, Vos amasse sempre! Desde o dia em que celebrei a primeira missa, devesse tão somente arder de amor por Vós. Vós, dentre milhares, me elegestes para Vosso sacerdote e amigo; por que o teríeis feito, senão para ser por mim amado? Mas dou-Vos graças porque me dais tempo para fazer o que tenho omitido. De todo o meu coração quero amar-Vos. Nenhum afeto quero admitir no meu coração senão por Vós, que, para que Vos amasse em retribuição, me envolvestes com tantos benefícios. Meu Deus e meu tudo. Ó meu Deus, para que as riquezas, para que as honras, para que os prazeres do mundo! Vós sois tudo para mim. Vós somente sereis, daqui por diante, o meu único bem e o meu único amor. Dir-Vos-ei com São Paulino: Tenham para si as suas riquezas os ricos, os seus reinos os reis; para mim Cristo é a glória e o reino. Desfrutem os reis e ricos da terra dos seus reinos e riquezas; só Vós, ó bom Jesus, sereis minhas riquezas e meu reino.
Ó eterno Pai, por amor do Vosso Filho, que hoje Vos ofereci, e recebi em meu coração, dai-me, peço-Vos, a santa perseverância na Vossa graça e o dom do Vosso santo amor. Recomendo-Vos, também, os meus próximos, amigos e inimigos; bem como as almas e purgatório e todos os pecadores. Ó minha Mãe, Maria santíssima, consegui-me a santa perseverância e o amor de Jesus Cristo.

Tradução minha.