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16 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco.

21/21 - O SACRILÉGIO  (1882)

"Uma noite sonhei e vi em um sonho um jovem que tinha o coração roído pelos vermes e que ele mesmo se quitava e lançava de si aqueles animais com a mão. Não fiz caso do sonho. Mas  eis aqui que, na noite seguinte, veio o mesmo jovem, que tinha junto de si um cão que o mordia no coração. Não duvidei que o Senhor queria conceder alguma graça aquele garoto e que o pobrezinho tinha alguma confusão na consciência.
Perto do dia lhe disse de improviso:
- Queres fazer-me um favor?
- Sim, sim... Se depender de mim.
- Se queres, podes fazê-lo.
- Pois bem, diga-me o que deseja, que o farei.
- Estás seguro?
- Seguro!
- Diga-me: não tem calado nenhum pecado na confissão?
Quis negar-me, porém imediatamente acrescentei:
- E este ou este outro, por que não os confessaste?
Então olhou-me no rosto, começou a chorar e me disse:
- O Senhor tem razão: faz dois anos que quero confessar disso e, desejando de uma vez para outra, não me atrevi a fazê-lo.
Então o animei e lhe disse o que tinha que fazer para se por em paz com Deus".

A fita mágica
Pareceu-me estar numa planície coberta por um número incontável de jovens. Uns brigavam, outros blasfemavam. Aqui se roubava,, ali se ofendiam os bons costumes. Uma nuvem de pedras, lançadas por bandos que se faziam a guerra, via-se no ar. Eram rapazes abandonados por seus pais de costumes corrompidos. Estava já a ponto de fugir daí, quando vi ao meu lado uma senhora que me disse:
- Põe te entre esses jovens e trabalha.
Fui , mas que fazer? Não havia um local onde reuni-los; queria fazer-lhes o bem: e dirigia-me pessoas que estavam a olhar de longe e podiam ser de valiosa ajuda para mim. Ninguém me ajudava. Voltei-me para a Senhora e ela me disse:
- Aqui tens um lugar: E me mostrou um prado .
- Mas aqui, disse eu, não há mais, senão somente o prado.
Ela respondeu:
Meu filho e os apóstolos não tinham um palmo de terra onde pousar a cabeça.
Comecei a trabalhar naquele prado; aconselhava, pregava, confessava; mas vi que (meu esforço) em grande parte resultava inútil; meu esforço se não encontrasse um edifício e com local onde recolhê-los e onde abrigar os que haviam sido totalmente abandonados pelos seus pais e rejeitados e desprezados por todo o mundo. Então aquela Senhora me levou um pouco mais para o norte e me disse:
E vi uma Igreja pequena e baixa, um pátio pequeno e muitos jovens. Retornei meu trabalho. Mas, com a Igreja era muito pequena, recorri de novo a Ela, e me mostrou outra Igreja bastante maior e com uma casa ao lado. Levando-me depois a um pedaço de terreno cultivado, quase um frente à fachada da Segunda igreja. E acrescentou.
Neste lugar, onde os gloriosos mártires de Turim, Aventor, Solutor e Otávio, sofreram seu martírio, sobre essa terra banhada e santificada com seu sangue, quero que Deus seja honrado de modo muito especial.
E assim, desejando, adiantou um pé até descansá-lo no ponto exato onde teve lugar o martírio, e indicou-me com precisão. Eu queria por um sinal para encontrá-lo quando voltasse nesse lugar, mas não encontrei nada; nem um palito, nem uma pedra; contudo, fixei-o na memória com toda exatidão. Corresponde exatamente no ângulo interior da Capela dos Santos Mártires, antes chamada de Santa Ana, do lado do Evangelho, da Igreja de Maria Auxiliadora.
Entretanto, via-me rodeado de um número imenso sempre crescente de jovens; e olhando à Senhora, cresciam os meios e o local; e vi, depois, uma grandíssima Igreja, precisamente no lugar onde me disseram haver acontecido o martírio dos santos da região Tebéia, com muitos prédios ao redor e com o lindo monumento no meio-centro.
Enquanto tudo isso acontecia, sempre sonhado, tinha como colaboradores Sacerdotes que me ajudavam no princípio, mas depois fugiam. Buscava com grande trabalho atraí-los para mim, e eles pouco depois iam embora me deixavam só. Então voltei-me de novo àquela Senhora, que me disse:
Queres saber como fazer para que não vão embora? Toma esta fita e ata-lhes na cabeça.
Tomei com reverência a fita branca de sua mão e vi que nela estava escrito uma palavra: Obediência. Experimentei em seguida o que a Senhora me indicou e comecei a atar na cabeça de alguns dos meus colaboradores voluntários com a fita, e vi logo uma grande mudança, de fato surpreendente. Este fato se fazia cada vez mais patente, à medida que ia cumprindo o conselho que me havia dado, já que aqueles que deram o desejo de ir para outra parte e ficavam, por fim, comigo. Assim, constituiu-se a Sociedade Salesiana.
Vi, adiante, muitas outras coisas que não é agora o caso de manifestar. Basta dizer que, desde aquele tempo, eu caminhava sempre seguro.



15 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

20 /21- OS JOGADORES  (1862).

Pois bem, o 31 de janeiro - é a crônica de Bonetti quem fala - Dom Bosco passeava depois de comer no pórtico inferior (baixo), em companhia de uns jovens, quando de repente se deteve, chamou  ao diácono João Cagliero e lhe disse em voz baixa:
- Ouço dinheiro que .............. , porém não seu onde se joga. Anda, busca estes três. No ponto perguntei-o:
- De onde vens, onde te havias metido? Faz tempo que te buscava sem encontrar-te.
- Estava em tal e tal lugar divertindo.
- Que fazias ali?
- Jogava bola.
- Com quem?
- Com N. e com R.
- Jogava dinheiro, verdade?
O Jovem falou entre os dentes umas palavras, porém não negou com efeito que jogavam a dinheiro.
Então dirigi-me ao lugar indicado, que estava bastante escondido, porém não encontrei os outros dois.
Continuei buscando e cheguei a saber com certeza que os ............, dez minutos antes, haviam estado jogando-se acaloradamente uma boa quantidade de dinheiro.
Então comuniquei o resultado a Dom Bosco.
Dom Bosco contou no dia seguinte que, na noite precedente, havia visto durante um sonho aqueles três, jogando-se apaixonadamente a dinheiro.
Observações:
Estava ordenado que o  dinheiro enviado pelos familiares se entregava ao administrador e este o distribuía prudentemente, segundo as necessidades e desejos do interessado.




14 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

19/21- AS DISTRAÇÕES NA IGREJA  (1861).

Os sonhos se têm dormindo; portanto, eu estava dormindo. Minha imaginação levou-me a Igreja onde estavam reunidos todos os jovens. Começou a missa e eis que vi muitos vestidos de vermelho e com chifres, isto é, há numerosos diabinhos que davam voltas entre os jovens como oferecendo seus serviços.
A um deles presenteavam um peão; diante dos outros faziam bailar, a este ofereciam um livro; aquele, castanhas assadas. A outros, um prato de salada ou um baú aberto em que havia guardado um pedaço de mortadela; a alguns ele sugeria uma recordação da cidade natal; a outros sussurrava ao ouvido os incidentes da última partida de jogo, etc.
Alguns eram convidados com os dedos a tocar o piano, os quais atendiam o convite; a outros eles levavam o compasso de uma música; em suma, cada jovem tem seu próprio servente que inventava-lhe a realizar atos estranhos na Igreja. Alguns diabinhos estavam também encarrapitados sobre as costas de certos jovens e se entreteciam  em acariciar-lhes e alisar os cabelos com as mãos.
Chegou o momento da consagração. Ao toque da campainha, todos os jovens se arrodearam, desaparecendo os diabinhos, a exceção dos que estavam sobre os ombros de suas vítimas. Uns e outros voltaram a cara para a porta da igreja sem fazer algum externo  de adoração.
Terminada a Elevação, e aqui se volta a repetir a cena anterior, repetindo os passatempos e voltando a desempenhar cada qual o seu papel.
Se queres que eu dê uma explicação deste sonho, está aqui: creio que neles estão representados as diversas distrações e as que, por sugestão  do demônio, está exposto  cada jovem na Igreja. Os que não desapareceram no momento da Elevação, simbolizam os jovens vítimas do pecado. Estes não necessitam que o  demônio lhes apresentasse motivos de distração, porque já lhe pertencem, por isso, o inimigo lhes acaricia: o que quer dizer que suas vítimas são incapazes de fazer oração.
Observação:
Contado em 28 de novembro. O texto é de Dom Ruffino, que disse que lhes contou um sonho ou apólogo. O mesmo Ruffino parece indicar que cabia interpretá-lo como uma invenção educativa de Dom Bosco, dobre tudo tratando-se do princípio do curso  e de que havia crianças novas, aos que lhes serviam difícil concentrar-se na igreja. Esta impressão aumenta, comparando-o com "A lanterna mágica", de 1865, e "Os Cabritos", de 1866.





13 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco.

18/21 - SOBRE A ELEIÇÃO DE ESTADO (1834)
                        
 Poucos dias antes do marcado para a minha entrada, tive um sonho bastante estranho. Me pareceu ver uma multidão daqueles religiosos com os hábitos amarrotados, correndo um sentido contrário uns dos outros. Um deles veio a dizer-me:
- Tu buscas a paz e aqui não  vai encontrá-la. Observa a atitude dos teus irmãos. Deus te prepara outro lugar, outra messe.
Queria fazer alguma pergunta aquele religioso, entretanto, um rumor me despertou e já não vi nada mais. Expus tudo ao meu confessor, o qual não quis ouvir nem de sonhos nem de frades: Neste assunto, respondeu-me, é preciso que cada um siga suas inclinações, e não os conselhos dos outros.
Circunstâncias.
O estudante Bosco tem dezenove anos e está a ponto de terminar seus estudos civis. Pensa em seu futuro e decide fazer-se Franciscano. Em 30 de outubro de 1834 faz o pedido para entrar nos conventuais franciscanos. Realizou seu exame em Turim, no convento de Santa Maria dos Anjos, e foi acertado em 18 de abril. Os atos dizem: "Possui os requisitos e todos os votos". Assim, pois, ficou todo preparado para entrar no convento da Paz em Chieri. Nesses dias têm lugar o sonho.
Convém recordar que Bosco apesar do sonho faz uma novena com seu amigo Comollo  para a virgem das Graças na catedral de Chieri e confiou seu problema a um sacerdote, tio do mesmo Comollo, não tomando a determinação de entrar no Seminário Diocesano de Chieri até depois de receber por carta o conselho deste sacerdote.

Interpretação
"Tampouco aqui  o sonho se pode interpretar de maneira diversa aos outros: Dom Bosco queria representar o desejo, ou seja, seu conceito de abraçar  o estado eclesiástico livre, humilde forma de uma inspiração transcendental para dar maior peso a sua eleição". (Albertotti, 93, nota 6).



12 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

17/21- AS MISSÕES SALESIANAS NA AMÉRICA MERIDIONAL (1885)

"Me pareceu acompanhar aos missionários em sua viagem. Falamos durante alguns momentos antes de sair do Oratório. Todos estavam ao meu fedor e me pediam conselhos; e me pareceu que eles diziam:
- Não com a ciência, não com a saúde, não com as riquezas. Sim com o céu e a piedade, fareis muito bem, promovendo a glória de Deus e a salvação das almas.
Pouco antes estávamos no Oratório e depois, sem saber que caminho havíamos imediatamente na América. Ao chegar ao final da viagem, me vi só em meio de uma extensíssima planície, colocada entre o Chile e a república Argentina. Meus queridos missionários se haviam dispersados tanto por aquele espaço sem limites que apenas se os distinguia. Ao contemplá-los, fiquei maravilhado, pois me pareciam muito poucos. Depois de haver mandado tantos Salesianos  para América, pensava que veria um maior número de missionários. Entretanto, seguidamente refletindo, compreendi que o número era pequeno porque se haviam distribuído por muitos lugares, como semente que devia ser transportada a outro lugar para ser cultivada e para que se multiplicasse.
Apareciam naquela planície muitas e numerosas estradas / ruas formadas por casas levantadas ao largo das mesmas. Aquelas povoações não eram como as desta terra, nem as casas como as deste mundo. eram objetos misteriosos e diria casas espirituais. As ruas se viam recorridas por veículos ou ir meios de locomoção que, ao correr adotavam mil aspectos fantásticos e mil formas diversas se bem que todas estupendas e magníficas, tanto que não seria capaz de descrever nem uma só delas. Observei com assombro que nos veículos, ao chegar junto aos grupos de casas, aos povos, as cidades, passavam por cima de maneira que, os que neles viajavam, via o olhar para baixo dos telhados das casas, as quais se bem que eram muito elevadas, estavam por debaixo daqueles caminhos, que, entretanto, atravessavam o deserto estavam aderidos ao solo e ao chegar aos lugares habitados, se convertiam em caminhos aéreos, como formando uma mágica ponte. Daí para cima , se viam os habitantes nas casas, nos pátios, nas ruas e nos campos, ocupados em lavrar suas terras.
Cada uma daquelas ruas conduzia a uma de nossas missões. Ao fundo de um caminho larguíssimo que se dirigia em direção ao Chile, vi uma casa com muitos Salesianos, os quais se exercitavam na ciência, na piedade, nas diferentes artes e ofícios e na agricultura. Em direção ao meio sai estava na Patagônia. Na parte oposta de uma só olhada, pude ver todas nossas casas da República Argentina. As do Uruguai, Paissandu, as Pedras, Vila Cólon, no Brasil pude ver o colégio de Niterói e muitos outros institutos espalhados pelas províncias daquele império. Em direção ao ocidente se abria uma última e larguíssima avenida que, atravessando rios, mares e lagos, conduzia a países desconhecidos. Nesta região, vi poucos Salesianos. Observei com atenção e pude descobrir somente dois.
Naquele momento, apareceu junto a mim um personagem de aspecto nobre, um pouco pálido, corpulento, de barba rala e de idade madura. Ia vestido de branco, com uma espécie de capa de cor rosa bordada com fios de ouro. Resplandecia em toda a sua pessoa. Reconheci nele o meu intérprete.
- Onde nos encontramos? Lhe perguntei mostrando aquele último país.
- Estamos na Mesopotâmia, replicou.
- Na Mesopotâmia? Lhe repliquei. Sim, mas esta é a Patagônia.
- Te repito - me replicou - que esta é a Mesopotâmia.
- Pois assim é: Me-so-po-tâ-mia, concluiu o intérprete, silabando a palavra, para que me ficasse bem impressa na memória.
- E  por que os salesianos que vejo aqui são tão poucos?
- O que não há agora, o haverá com o tempo - contestou meu intérprete.
Eu entretanto, sempre de pé naquela planície, percorria com a vista aqueles caminhos intermináveis e contemplava com toda claridade, entretanto, de maneira inexplicável, os lugares que estão e estarão ocupados pelos salesianos. Quantas coisas magníficas vi! Vi todos e cada um dos colégios! Vi como em um só ponto o passado, presente e o futuro de nossas missões. Da mesma maneira que  o contemplei todo no conjunto de uma só olhada, o vi também, sendo-me impossível dar uma idéia, se bem que quase em cima daquele espetáculo. Somente o que pude contemplar naquela planície do Chile, do Paraguai, do Brasil, da República Argentina, seria suficiente para encher um grosso volume, se quisesse dar uma breve notícia de todo ele. Vi também naquela ampla extensão a grande quantidade de selvagens que estão espalhados pelo Pacífico até o Golfo de Ancud, pelo Estreito de Magalhães, Cabo de Hormos, Ilhas de São Diego, nas Ilhas Malvinas. Toda a messe destinada aos Salesianos. Vi então, que os Salesianos semeavam somente, entretanto, que nossos seguidores colhiam. Homens e mulheres vinham reforçar-nos e se convertiam em pregadores. Seus mesmos filhos, que parece impossível poder ser ganhado para a fé, se converteram em evangelizadores se seus pais e de seus amigos. Os Salesianos o conseguiram tudo com a humildade, com o trabalho, com a temperança. Todas as coisas que eu contemplava naquele momento e que vi seguidamente se referiam aos Salesianos, seu regular estabelecimento naqueles países, seu maravilhoso aumento, a conversão de tantos indígenas e de tantos europeus ali estabelecidos. Europa se voltará em direção a América do Sul. Desde o  momento em que na Europa se empenhou a desposar as Igrejas de seus bens, começou a diminuir o florescimento  do comércio, e qual foi e irá cada vez mais de ( capa caída). Para que os operários e suas famílias impelidos pela miséria, irão buscar refúgio naquelas novas terras hospitaleiras.
Uma vez contemplando o campo que o Senhor nos tinha destinado e o futuro glorioso da Congregação Salesiana, me pareceu que me poria em viagem para regressar a Itália. Era levado a grande velocidade por um caminho estranho, altíssimo, e dessa maneira cheguei ao Oratório. Toda a cidade de Turim estava abaixo de meus pés e as casas, o palácios, as torres, me pareciam baixas casinhas: tão alto me encontrava. Praças, ruas, jardins, avenidas, ferrovias, os muros, que rodeiam a cidade, os povos e a província, a gigantesca cadeia dos Alpes coberta de neve estavam abaixo de meus pés e ofereciam a meus olhos um espetáculo maravilhoso. Via os jovens lá no Oratório, tão pequeno que pareciam ratinhos. Em geral, parecia que a cúpula daquela grande sala fosse de candissimo linho à guisa de tapete. O mesmo havia que descer do pavimento. Não havia luzes nem sol, nem estrelas, porém, sim um resplendor geral que se difundia igualmente por todas as partes.
A mesma brancura do linho resplandecia e fazia visível  e amena cada uma das partes do salão, sua ornamentação, as janelas, a entrada, a sala. Se sentia em todo o ambiente uma suave fragrância mesclada com os mais gratos aromas. Um fenômeno se produz naquele memento. Uma série de pequenas mesas formavam uma só de longitude extraordinária. Haviam dispostas em todas as direções e todas convergiam em um único centro. Estavam cobertos de elegantíssimas toalhas e, sobre elas, se viam colocados formosíssimos vasos com multiformes e variadas flores. A primeira coisa que notou monsenhor Cagliero foi:
Mas, as mesas estão aqui. E as comidas?
No entanto , não havia preparado comida alguma, nem bebida de nenhuma espécie, nem tão pouco pratos, copos, nem recipientes nos quais podiam colocar a comida.
Então, o intérprete replicou:
- Os q vem aqui neque sitient, meque esurien amplius.
Dito isto, começou a entrar pessoas, vestidas de branco, com uma simples fita parecido com o colar, de cor rosa, recomendada com o brilho de ouro que o enfaixava o pescoço e as costas. Os primeiros a entrar formavam um número limitado, só um pequeno grupo. Apenas entravam naquela grande sala e se iam sentando em torno à mesa preparados para eles, cantando. Viva! Triunfo! E então começou a aparecer uma variedade de pessoas, grandes e pequenas, homens e mulheres, de todo gênero, de diversas cores, formas e atitudes, ressonando os cânticos de toda parte. Os que estavam já colocados em seus lugares cantavam: Viva! E os que iam entrando: Triunfo. Cada turma que entrava naquele local representava uma nação. O lugar de nação que seriam convertidos pelos missionários.
Depois de uma olhada àquelas mesas intermináveis, comprovei que haviam sentados junto a elas muitas  nossas irmãs e grande número de irmãos nossos. Estes não levaram distintivo algum que predominasse sua caridade de sacerdotes, clérigos ou religiosos senão que, igual aos demais tinham o hábito branco e o manto cor-de-rosa.
Mas minha admiração cresceu quando vi alguns homens de aspecto grosso, com o mesmo vestido igual aos outros, cantando: Viva! Triunfo !
Então nosso intérprete disse:
Os estrangeiros e os selvagens, que beberam o leite da palavra divina de seus educadores, se fizeram proclamadores da palavra de Deus.
Vi no meio da multidão, grupos de rapazes com aspecto estranho, e perguntei:
E estes meninos que tem uma pele tão áspera que parece à de sapos, mas tão bela e de uma cor tão resplandecente? Quem são?
São os filhos de Cam que não haviam renunciado à herança de Levi. Estes reforçaram os exércitos para defender o reino de Deus que havia chegado a nós. Seu número era reduzido, mas os filhos de seus filhos o havia complementado. Agora escuta e vê, mas não podereis entender os mistérios que contemplareis.
Aqueles jovenzinhos pertenciam à Patagônia e a África Meridional.
Entretanto, aumentaram tanto as filas dos que entravam naquela sala extraordinária que todos os assentos apareciam ocupados. Todas as cadeiras e bancos estavam ocupados e não tinha uma forma determinada, sem tomar o lugar que cada um queria. Cada pessoa estava contente do lugar que ocupava e os demais também.
E eis que, enquanto saiam vozes de todas as partes: Viva! Triunfo! Chegou, finalmente, uma grande multidão que, vinham com ato festivo ao encontro dos que já haviam entrado. E os  que vinham chegando cantavam: Aleluia, Glória, Triunfo.
Quando a sala apareceu completamente cheia e os milhares de reunidos eram incontáveis, se fez um profundo silêncio e um seguida, aquela multidão começou a cantar dividida em coros diversos:
O primeiro coro: Appropinquiavit in nos reginom Dei, llaetentur coeli et exultet terra dominus.
O segundo coro: ?
O terceiro coro: ?
Enquanto cantavam estes e outros cantos alternando uns com os outros, se fez por Segunda vez um profundo silêncio. Depois começaram a ressoar vozes que procediam do alto de longa distância. O sentido do canto era este e a harmonia que o acompanhava era difícil de expressar: Soli deo honor et gloria in saecula saeculorum.
O pensamento principal que foi gravado depois deste sonho, foi meu repasse Dom Cagliero e a meus queridos missionários que era um aviso de muita importância, relacionado com a sorte futura de nossas missões.
-  Todas as solicitudes dos Salesianos e das FMA haveriam de encaminhar e promover vocações sacerdotais e religiosas.



11 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

16/21 - O BURACO E A SERPENTE (1863)
               
 Ontem pela manhã fizemos o exercício da boa morte. Todo  o dia andei pensando nos frutos que dele nasceriam. Temo, porém, que alguém de vós não tenha feito bem o retiro. Tive esta noite um sonho que vou lhes contar:
Me encontrava no pátio com todos os alunos de casa, que brincavam: corriam, saltavam. Saímos do Oratório para ir de passeio e depois de algum tempo nos deparamos em um prado. Os meninos reuniram seus jogos e cada um ia apostar com os demais para ver quem era o que mais saltava. Nisto descobriu no meio do pátio, digo, do prado, um poço sim boca. (........) me aproximei para examiná-lo e assegurar-me de que não oferecia perigo a alguém, quando no fundo uma terrível serpente. Seu tamanho era como de um cavalo, ou melhor, de um elefante; seu corpo informe e todo coberto de manchas amareladas.
Imediatamente saí cheio de medo e comecei a observar os jovens que em bom número, havia começado a saltar de uma a outra parte do poço e, coisa estranha sem que me viesse à mente o deve proibi-los, de avisar-lhes do perigo que estavam se expondo. Vi alguns pequenos, tão ágeis que saltavam sem dificuldade alguma. Outros maiores, como eram mais pesados, saltavam com mais calma, porém, alcançavam menor altura e as vezes caiam na mesma boca. Percebeu aqui que ele se mostrava e tornava a desaparecer a cabeça daquele monstro que mordia o pé de um, a perna de outro e outros membros. A pesar disso eles eram tão imprudentes que seguiam saltando sem parar e quase nunca caíam feridos. Então um jovem me assinalou e disse mostrando-me um companheiro:
- Olhe, este saltará uma vez e não acontecerá mal. Saltará uma Segunda e cairá ali.
Me dava pena ver no entanto a muitos jovens estendidos por aquele solo, um buraco em uma perna, outro com um braço mordido e algum com o coração desgarrado. Eu ia lhes perguntando:
- Por que saltais sobre esse poço, expondo-os a tanto perigo? Por que, depois de haver sido mordidos várias vezes, voltam a repetir esse jogo terrível?
E eles respondiam enquanto suspiravam:
- Não! Estamos acostumados a saltar.
Eu lhes dizia:
- E que necessidades têm vocês de saltarem?
- E eles replicavam:
- Que queres? Não estamos acostumados. Não pensávamos que ia acontecer isso conosco.
Porém, entre todos um me chamou atenção e me fez tremer: era o que havia me assinalado. Saltou de novo e caiu dentro do poço. Depois de alguns instantes, o monstro o colocou para fora, negro como um carvão; porém, mesmo assim não estava morto e seguia falando. Os que estavam ali lhe contemplavam espantados e lhe perguntavam.

Observações:
Dom Bosco contou este sonho na noite de 13 de novembro, sabendo o que tinha acontecido na noite anterior... estou preocupado porque alguém não há feito bem o retiro; desde ontem, não penso em outra coisa...



10 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

15/21 - DOIS SACERDOTES NA CATEDRAL ( 1886)
                                  
 Entrava na catedral de são João de Turim, quando viu dois sacerdotes, um dos quais estava apoiado na pia de água benta e o outro numa coluna, tendo ambos com indiferença um chapéu na cabeça. Sabia querido repreendê-los, mas duvidava um pouco de força eu digo ao primeiro deles:
- Perdão, donde é o senhor?
- E o senhor que lhe importa saber isto? Lhe respondeu o outro com brusquidão.
- É somente porque quisera dizer-lhe uma coisa que urge.
- Pois, eu não  tenho nada a ver com o senhor.
- De todos os modos, olhe senhor: eu não quero recriminá-lo; porém, se não guarda o devido respeito ao lugar santo e não lhe importa que a gente se escandalize e ache graça do senhor, ao menos olhe para sua própria pessoa. Tire o chapéu!
- É verdade, tens razão, diz o sacerdote e tira o chapéu.
Depois Dom Bosco se dirigiu ao outro e lhe repetiu o aviso; e este também descobriu a cabeça. E Dom Bosco, rindo com prazer, acordou.

Observações:
Contado em 25 de fevereiro. Estamos diante de outra das preocupações de Dom Bosco: a dignidade, o bom nome do ministro do altar?



9 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

14/21 - AS DEZ COLINAS (1864)
     
 Dom Bosco havia sonhado na noite precedente. Ao mesmo tempo, um jovem chamado C. E., de Casale Monferrato, teve também o mesmo sonho, parecendo-se que se encontrava com Dom Bosco e que falava com ele. Ao levantar-se estava tão impressionado que foi contar quanto havia sonhado a seu professor, no qual aconselhou que se entrevistasse com o Servo de Deus. O jovem obedeceu imediatamente e se encontrou com Dom Bosco, que descia as escadas em sua busca para fazer o mesmo.
Pareceu-lhe encontrar-se em um extensíssimo vale ocupado por milhares e milhares de jovenzinhos; tantos eram, que o Servo de Deus não acreditou que houvesse tantos meninos no mundo. Entre aqueles jovens viu aos que estiveram e os que estão em casa e aos que um dia estarão nela. Juntos com eles estavam os sacerdotes e os clérigos da mesma.
Uma montanha altíssima cercava aquele vale por um lado. Enquanto Dom Bosco pensava no que havia com aqueles meninos, uma voz lhe disse:
- Vês aquela montanha? Pois bem, é necessário que tu e os teus cheguem até lá em cima.
Então ele deu ordem a toda aquela multidão de encaminhar-se a um lugar indicado. Os jovens de puseram em marcha e começaram a escalar a montanha a toda pressa. Os sacerdotes da casa corriam na frente animando os meninos à subida, levantavam os caídos e carregavam sobre suas costas os que não podiam prosseguir a causa do cansaço. Dom Miguel Rua, com as mangas da camisa arregaçadas, trabalhava mais que ninguém e, tomando os meninos de dois em dois, os lançavam pelos ares em direção à montanha, sobre a qual caíam de pé, e corriam depois alegremente por uma e outra parte.
Dom João Cagliero e Dom João Batista Francesia recorriam às fileiras gritando:
- Ânimo. Avante! Avante, ânimo!
Em pouco mais de uma hora aqueles numerosos grupos de jovens haviam alcançados o cume; Dom Bosco também havia ganhado a meta.
E agora que fazemos?, disse.
E a voz acrescentou:
deves recorrer com teus jovens essas dez colinas que contemplas diante de tua vista, dispostas uma detrás da outra.
Porém, como poderemos suportar uma viajem tão longa, com tantos meninos tão pequenos e tão delicados?
Os que não podem caminhar com seus pés serão transportados, respondeu-lhe.
E eis que, em efeito, apareceu por um extremo da colina uma magnífica carruagem. Tão bonita era, que seria impossível descrevê-la, mas algo se pode dizer. Tinha forma triangular e estava dotada de três rodas que se moviam em todas as direções. Dos três ângulos partiam três hastes que se uniam em um ponto sobre a mesma carruagem formando como a cobertura de um alpendre. Sobre o ponto de união, levantava-se um magnífico estandarte em que estava escrito, com caracteres cubitais, esta  palavra: Inocência. Uma franja bordava ao redor de toda a carruagem formando orla na qual aparecia a seguinte inscrição: Adjutorium Dei Altissimi Patris et Filii et Spiritus Sancti (Ajuda do Altíssimo Deus, Pai, Filho e Espírito Santo).
            O veículo, que resplandecia como o ouro e que estava repleto de pedras preciosas, avançou até  se colocar no meio dos jovens. Depois de recebida a ordem, muitos meninos subiram nele. Eram quinhentos. Apenas quinhentos, entre tantos milhares de jovens, eram, todavia inocentes!
            Uma vez ocupado o carro, Dom Bosco pensava por que caminho havia de se dirigir, quando viu abrir-se ante seus olhos um caminho largo e cômodo, mas todo coberto de espinhos. De repente   apareceram seis jovens que haviam mortos no Oratório, vestidos de branco e levantando uma belíssima bandeira em que se lia: Penitência. Estes foram colocar-se à cabeça de todos aqueles grupos de meninos que haviam de continuar a viagem a pé.
            Seguidamente  deu-se do sinal de partida. Muitos sacerdotes lançaram-se aos varais da carruagem, que começou à se mover, tirada por eles. Os seis jovens vestidos de branco lhes seguiram. Detrás ia toda a multidão de garotos. Acompanhados de uma música belíssima, indescritível; os que iam na carruagem entoaram o Laudare, pueri,     Dominum (Louvai, meninos, ao Senhor). Dom Bosco prosseguiu seu cominho como que extasiado por aquela melodia do céu, quando lhe acorreu olhar para trás à comprovar se todos os jovens lhe seguiam. Porém, o doloroso espetáculo! Muitas haviam caídos no vale e muitos outros haviam voltado atrás. Com indizível dor , decidiu refazer o caminho para persuadir àqueles imprudentes que continuassem na ação e para ajudar-lhes à lhes seguir. Mas os proibiu irrevogavelmente.
— Se não lhes ajudo, estes pobrezinhos se perder-se-ão, exclamou ele.
— Pior para eles, lhe foi respondido; foram chamados como os demais e não quiseram seguir-te. Hão visto o caminho que deve recortar e isso basta.
Dom Bosco queria replicar, vagou, insistiu porém tudo foi inútil.
— Também tu tens que obedecer, disseram-lhe.
           E teve que prosseguir o caminho.
            A um  não havia refeita de este dor, quando sucedeu outro lamentável acidente.
            Muitos dos meninos que se encontravam na carruagem, pouco a pouco, foram caído por terra. Dos quinhentos, apenas  se chegaram cento e cinqüenta baixo estandarte da inocência.
             A Dom Bosco lhe parecia que  o coração ia partir no peito pela insuportável angústia. Abrigava, com tudo, a esperança de que aquilo fosse somente um sonho; fazia todo tipo de esforço para despertar-se porém cada vez se convencia  mais de que se tratava de uma terrível realidade. Dava palmadas e ouvia  o ruído produzido por suas mãos, gemia e percebia seu gemidos ressonando na habitação, queria dissipar aquele terrível pesadelo, porém nada podia.
            — Ah, meus queridos jovens!, exclamou ao chegar a este ponto da narração do sonho, eu havia visto e reconhecido os que quedaram no vale, os que se votaram atrás e os que caíram da carruagem. Os reconheci todos porém não duvideis: fiz toda sorte de esforços possível ao meu alcance para salvar-vos. Muitos de vocês convidados por mim a confessar-se, não respondestes a meu chamado. Por caridade salvai vossas alma.
            Muitos dos meninos que caíram do carro foram a colocar-se pouco a pouco entre as fileiras dos que  caminhavam detrás da segunda  bandeira.
            Entretanto, a música do carro continuava sendo tão doce, que a dor de Dom Bosco foi desaparecendo.
            Havia passado já sete colinas e,  ao chegar na oitava, a multidão de jovens chegou a um belíssimo povoado em que se  tomou um  pouco de descanso. As casas era de uma riqueza e de uma beleza indescritível.
             Ao falar aos jovens sobre aquele lugar, exclamou Dom Bosco:
            — Os direi  com Santa Teresa o que ela afirmou do paraíso: são coisas que, se falar delas, perdem o valor, porque são tão belas que inútil esforçar-se em descrever. Portanto só acrescentarei que as colunas daquelas casas pareciam de ouro, de cristal e de diamante ao mesmo tempo, de forma que produziam uma grata impressão, saciavam a vista e infundiam um gozo extraordinário. Os campos estavam repletos de árvores em cujas ramas apareciam, ao mesmo tempo, flores, gemas, frutos maduros e frutos verdes. Era um espetáculo encantador:.
            Os jovenzinhos se esparramaram por todas as partes: atraídos por uma coisa, outros por outra, e desejosos, ao mesmo tempo, de provar aquelas frutas.
Foi neste povoado onde aquele jovem de Casale se encontrou com Dom Bosco e teve com ele um longo diálogo. Ambos recordavam depois as perguntas e respostas da conversação que haviam mantido. Singular combinação de dois sonhos!
Dom Bosco experimentou aqui outra estranha surpresa. Viu de repente os seus jovens como se houvessem tornados velhos; sem dentes, com o  rosto cheio de rugas, o cabelo branco, encurvados, caminhando com dificuldades apoiados num bastão. O  Servo de Deus estava maravilhado com aquela metamorfose, mas a voz lhe disse:
— Tu te maravilhas, porém, hás de saber que não faz horas que saíste do vale, senão anos e anos. Tem sido a música que  tem feito  que o caminho te parecera curto. Em prova do que te digo, observa rua fisionomia e te convencerás de que estou dizendo a verdade.
Então lhe foi apresentado um espelho a Dom Bosco. Nele se olhou e comprovou que seu aspecto era de um homem ancião, de rosto coberto de rugas e boca desdentada.
A comitiva, entretanto, voltou a colocar-se em marcha e os jovens manifestavam desejos, de quando em quando, à  se deter para contemplar aquelas coisas novas. Dom Bosco lhes dizia:
— Adiante, adiante, não necessitamos de nada, não temos fome, não temos sede ; portanto, prossigamos adiante.
Ao fundo, na parte distante, sobre a décima colina despontava uma luz que ia sempre um aumente, como se saísse de uma maravilhosa porta. Voltou a olhar novamente o canto, tão harmonioso; que somente no Paraíso se pode ver e gostar de uma coisa igual. Não era uma música instrumental, nem parecia de vozes humanas. Era algo impossível de descrever e foi tanto o júbilo que inundou a alma de Dom  Bosco que se despertou encontrando-se no leito.
Observações:
Dom Bosco teve este sonho à 21 de novembro e o narrou à noite de 22. Esta mesma noite a transcreve Dom Lemoyne. Dom Bosco o interpretou assim: o vale é o mundo; as montanhas, os obstáculos para desapegar-nos delas; as dez colinas, os dez mandamentos de Deus; o carro, a graça de Deus; os jovens que começam a pé são os que, perdida a inocência, arrependeram-se de seus pecados. Acrescentou que estava disposto a dizer confidencialmente o papel que desempenhava no sonho.
Dom Lemoyne interpreta as dez colinas como decênios: a oitava colina, sobre a qual Dom Bosco faz uma parada, representa o término da vida de Dom Bosco, que terá lugar mais além de seus sessenta anos.



8 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

13/21- O SONHO DA PASTORA E DA ESTRANHA GREI (Mb II 243-245)

"No segundo Domingo de outubro daquele ano (1844) - conta-nos Dom Bosco - devia falar ao s meus jovens, que o Oratório devia ser transferido para Valdocco. Mas a incerteza do lugar, dos meios, e das pessoas deixavam-me verdadeiramente preocupado. Na noite anterior fui dormir com o coração inquieto. Naquela noite tive um outro sonho, que parece um apêndice daquele tido pela primeira vez, nos Becchi, quando tinha nove anos. Julgo melhor narrá-los detalhadamente.
Sonhei em meio uma multidão de lobos, cordeiros, ovelhas, cães, aves e outros animais. Todos juntos faziam um barulhão, uma algazarra, ou melhor uma confusão dos diabos que amedrontaria até os mais corajosos. Eu queria fugir, quando uma Senhora, bem vestida á moda de uma pastora, fez sinal de seguir e acompanhá-la aquele aglomerado de animais, enquanto Ela caminhava à frente. Fomos andando por vários lugares, fizemos três paradas, a cada parada muitos daquele animais mudavam em cordeiros, cujo número andava sempre aumentando. Depois de ter muito caminhado, encontrei-me num campo, onde aqueles animais pulavam e pastavam juntos, sem que uns mordessem outros.
Cansado queria sentar-me, mas a pastora convidou-me a continuar caminhando. Percorrido ainda um espaço de caminho, encontrei-me em um grande pátio ao redor de uma espaçosa varanda, em cuja extremidade havia uma Igreja. Aqui percebi que 4/5 daqueles animais transformaram-se em cordeiros. Os sem número depois tornou-se grandíssimo. Naquela hora apareceram alguns pastorzinhos para guardá-los, mas eles permaneciam pouco e logo saíram. Então deu-se uma maravilha. Muitos cordeiros transformaram-se em pastorzinhos, dividiram-se, e foram para outros lugares para ajuntar outros estranhos animais e guiá-los para outros apriscos.
Eu queria ir embora, porque parecia  que estava na hora para celebrar a Missa, mas a pastora convidou-me para olhar para o sul; olhando, vi um campo, em que havia plantado, trigo, beterrabas, milho, feijão e uma porção de outras coisas.
- Olhe outra vez - disse-me.
Olhei novamente, e vi uma magnífica e majestosa Igreja. Uma orquestra, música instrumental e vocal me convidavam para celebrar a missa. No interior daquela Igreja havia uma faixa branca, em que estava escrito: HIC DOMUS MEA, INDE GLORIA MEA (Esta é a minha casa, daqui sairá minha glória). Continuando no sonho, quis perguntar a pastora onde me achava, o que significava aquele caminhar, com paradas, com aquela casa, Igreja e depois com aquela segunda Igreja.
- Você compreenderá tudo, respondeu-me, quando com os olhos materiais verá tudo isso que você está vendo com os olhos da mente.
Mas achando que estava acordado, disse:
- Eu estou vendo claramente, e vejo com estes meus olhos materiais, sei aquilo que faço e para onde vou.
Naquele mesmo instante tocou o sino da "Ave Maria" da Igreja de São Francisco de Assis e eu acordei.".

                                   

7 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco

12/21 - A VIDEIRA MISTERIOSA

Pareceu-me ver entrar no meu quarto um monstro muito grande que foi avançando até colocar-se aos pés da minha cama. Tinha a aparência horripilante de um sapo do tamanho de um boi.
Contendo a respiração, eu olhava firme para ele. O monstro ia crescendo aos poucos: cresciam as pernas e crescia o corpo, crescia a cabeça e, quanto mais aumentava o volume, mais pavoroso se tornava. Era de cor verde, com risco vermelho em torno da boca e no pescoço, o que lhe aumentava o pavoroso aspecto. Seus olhos de fogo; as orelhas extremamente pequenas. Dizia comigo mesma enquanto o observava: "Mas sapo não tem orelhas!" Na altura do nariz levantavam-se dois chifres e brotavam-lhe dos flancos duas asas enormes, esverdeadas. Suas patas eram como a do leão; a cauda terminava em duas pontas.
Pareceu-me que não sentia nenhum medo até aquele momento; mas o monstro começou a aproximar-se cada vez mais de mim, alargando a bocarra munida de dentes aguçados. Então um pavor enorme me assaltou. Pensei que era um demônio, pois tinha dele todos os sinais. Fiz o sinal da cruz mas nada adiantou. Toquei a campainha mas ninguém apareceu, ninguém ouviu. Gritei mas em vão: o monstro não fugia.
- Que quer de mim - disse então - demônio horrível?
Mas ele ia cada vez mais se aproximando; levantava e alargava as orelhas. Depois pousou as patas dianteiras sobre a grade dos pés da minha cama e foi se erguendo, agarrando-se ao ferro também com as patas traseiras; ficou um momento imóvel, olhando fixo para mim. Depois estirou para a frente o focinho, de maneira a ficar face a face comigo. Senti tamanha náusea que me ergui num movimento rápido e fiz menção de pular da cama; mas o monstro escancarou a boca. Queria defender-me, empurrá-lo, mas era tão nojento que não ousei tocá-lo. Pus-me a gritar, procurava com as mãos, atrás de mim, a pia de água benta, mas só encontrava a parede. Apostrofei-o então:
- Em nome de Deus! Por que faz isso comigo?
A estas palavras o sapo recuou um pouquinho. Fiz novamente o sinal da cruz e, tendo conseguido meter os dedos dentro da pia de água benta, joguei algumas gotas sobre o monstro. Então aquele demônio, dando um urro tremendo, atirou-se para trás e desapareceu. Ao mesmo tempo pareceu-me ouvir uma voz que vinha do alto e que pronunciou distintamente estas palavras:
- Por que não fala?
Compreendi que era vontade de Deus que contasse a vocês o que tinha visto; por isso resolvi narrar-lhes todo o sonho que tive, e no qual pude conhecer o estado de consciência de cada um de vocês.
Uma videira misteriosa
Na noite de Quinta-feira santa, apenas adormeci, pareceu-me estar sob nossos pórticos, circundado pelos nossos padres, clérigos, assistentes e jovens. De repente o Oratório atual mudou de aspecto, tomando o que tinha nos seus inícios. É preciso lembrar que o pátio confinava com vastos prados incultos, desabitados, que se estendiam até os campos da Cidadela, onde os primeiros jovens muitas vezes corriam brincando.
Sentado, estava eu conversando a respeito de negócios da casa e sobre o aproveitamento dos jovens, quando, junto à pilastra que sustenta a bomba e junto da qual ficava a porta da casa Pinardi, vimos brotar da terra uma virente parreira, igual à que havia outrora no mesmo lugar. Ficamos admirados de vendo-a aparecer depois de tantos anos. Crescia a olhos vistos até atingir a altura de um homem. Começou então a estender seus sarmentos em grande número, daqui, dali, de todos os lados, a lançar os raminhos tenros em todas as direções. Em breve ocupava nosso pátio inteiro e ainda ganhava as imediações. O curioso é que os sarmentos não subiam para o alto, mas iam se estendendo paralelamente ao solo, formando uma imensa pérgula, sem que vissem esteios que a sustentassem. As folhas que brotavam eram belas e verdes; os sarmentos, de um vigor e abundância surpreendentes. Logo começaram a surgir os cachos, cresceram os bagos e a uva tomou seu colorido próprio.
Dom Bosco e os que o acompanhavam diziam admirados:
- Como é que esta videira cresceu tão depressa? Que será isto?
Disse Dom Bosco aos demais:
- Bom, vamos ver o que acontece.
Eu observava tudo como os olhos arregalados, sem pestanejar. De repente todos aqueles bagos caíram no chão e se transformaram em outros tantos jovens, vivos e alegres, que encheram o pátio do Oratório e todo o espaço ocupado pela parreira. Era uma alegria vê-los. Eram os jovens que já estiveram, que estão e estarão ainda no Oratório e nos outros colégios, porque eu não conhecia  muitos deles.
Então um personagem, que a princípio eu não sabia quem era, surgiu a meu lado e ficou observando também os jovens. Mas de repente  um véu misterioso estendeu-se na nossa frente, furtando-nos a vista ao alegre espetáculo.
Aquele longo véu, não mais alto do que a videira, parecia estar pregado nos sarmentos em toda a extensão e descia como uma espécie de pano de boca. Não se via mais do que  a parte superior da parreira, semelhante a um imenso tapete de verdura. Cessara, como por encanto toda a alegria dos jovens, sucedendo-se um melancólico silêncio.
- Olhe! - disse-me o guia e apontou-me a videira.
Apenas folhas
Aproximei-me e pude ver que aquela linda videira, que parecia carregada de cachos de uva, tinha apenas folhas, sobre as quais estavam escritas as palavras do Evangelho: Nihil invenit in ea! Nada encontrou nela! Não chegava a compreender tudo isso e perguntei ao personagem:
- Quem é você? Que significa esta videira?
Ele levantou o véu que escondia a parreira; pude ver apenas um limitado número dos numerosíssimos jovens visto antes; a maioria era-me desconhecida.
- Estes - explicou - são aqueles que apenas fingem praticar o bem, para não desmerecer diante dos companheiros. São os que cumprem pontualmente o regulamento da casa, mas apenas por cálculo, para evitar repreensões e para não perder os estimas dos superiores; mostram-se reverentes para com eles mas não tiram proveito das instruções, das exortações, dos cuidados que receberam - ou receberão - nesta casa. Seu ideal é conquistar um posição de destaque e lucrativa no mundo. Pouco se lhe dá estudar a própria vocação; desdenham o convite o Nosso Senhor lhes faz. Em resumo, são aqueles que fazem as coisas forçados e, por conseguinte, sem proveito para  eternidade.
Que desgosto para mim descobrir naquele número alguns jovens que supunham muito bons, afeiçoados e sinceros!
O amigo acrescentou:
- O mal não é só esse - e deixou cair o véu, reaparecendo a parte superior da extensa vinha.
- Olhe agora novamente.
Cachos estragados
Olhei para os sarmentos. Viam-se entre as folhas muitos cachos de uva que a princípio me apareceram como a promessa de uma rica colheita. Já estava antecipadamente alegre. Aproximando-me, porém, pude ver que aqueles cachos eram defeituosos, estavam estragados; uns estavam mofados; outros cheios de vermes e de insetos que o devoravam; outros ainda picados pelos passarinhos e pelas vespas; outros, finalmente, murchos e amassados. Olhando bem, persuadi-me de que nada de bom poderia tirar daqueles cachos; ao contrário, eles estavam empestando o ambiente com o mau cheiro que exalavam.
O personagem levantou novamente o véu. Pude ver, não o número incalculável de jovens do início do sonho, mas muitos e muitos deles. Seus rostos, antes tão belos, tinham-se tornado feios, escuros, cobertos de feridas. Passavam encurvados e tristonhos. Nenhum falava. Entre eles alguns havia que estão presentemente nesta casa, outros que já estiveram; muitíssimos eu não conhecia ainda. Todos estavam envergonhados e não ousavam  levantar os olhos.
Eu, o padre e outras pessoas que me acompanhavam estávamos assustados, não sabendo o que dizer. Finalmente perguntei ao meu guia:
- Que significa isto? Por que aqueles jovens, antes tão alegres e vivos, estão agora tão tristes e desfigurados?
O guia respondeu:
- São as consequências do pecado.
Entretanto, os jovens passavam diante de mim, e o guia me disse:
- Observa-os bem.
Olhei com atenção e pude ver que todos tinham escrito na mão e na fronte o próprio pecado. Entre estes reconheci alguns, ficando admirado. Tinha sempre pensado que fossem ótimos jovens e descobria agora que tinham gravíssimos defeitos.
Enquanto desfilavam lia em suas frontes: imodéstia, escândalo, malignidade, soberba, ócio, gula, inveja, ira, espírito de vingança, blasfêmia, irreligiosidade, desobediência, sacrilégio, furto.
Meu guia fez-me observar:
- Nem todos já são agora como que estás vendo, mas assim se tornarão, se não mudarem de rumo. Quem despreza as coisas pequenas, pouco a pouco cairá nas grandes. A gula gera egoísmo e impureza; o desprezo dos superiores leva ao desprezo dos sacerdotes e da Igreja; e assim por diante.
Desolado por ouvir estas palavras, tirei a caderneta e o lápis para tomar nota dos nomes dos jovens que conhecia, para poder adverti-los e corrigi-los. Mas o guia segurou o meu braço e perguntou:
- Que está fazendo?
- Estou escrevendo seus nomes, para poder adverti-los; desta forma, poderão corrigir-se.
- Isso não lhe é permitido - respondeu o amigo.
- Por quê?
- Os meios não faltam para libertar-se dessas doenças. Têm superiores; que lhes obedeçam. Têm os sacramentos; os freqüentem. Têm a confissão; não a descuidem. Têm a comunhão; não a recebam por hábito. Ponham um freio nos olhos, fujam dos maus companheiros, abstenham-se das más leituras e das más conversas. Sejam prontos a obedecer. Não procurem subterfúgios para enganar os professores e ficarem ociosos. Não procurem sacudir o jugo dos superiores, considerando-os como vigilantes importunos, conselheiros interesseiros, inimigos; não cantem vitória quando conseguem impedir que suas faltas fiquem sem punição. Rezem de boa vontade na Igreja e em outro tempo destinado a oração. Estudo, trabalho, oração: eis o que pode conservá-los bons.
Não obstante a resposta negativa, continuei a pedir insistentemente ao meu guia que me deixasse escrever aqueles nomes. Ele, então, tirou-me resolutamente das mãos o caderno de notas e jogou-o  ao chão, dizendo:
- Já lhe disse que não é necessário que você escrevesse esses nomes. Com a graça de Deus e a voz da consciência seus jovens podem saber o que devem fazer e evitar.
- Então não vou poder manifestar nada aos meus queridos jovens? Diga ao menos o que poderei dizer-lhes, que aviso devo dar-lhes.
- Poderá, a seu gosto, dizer aquilo de que se lembrar.
Cachos maduros e belos
Deixou cair o véu; apareceu de novo, diante de nossos olhos, a videira, cujos sarmentos, quase sem folhas, carregavam belos cachos de uva corada e madura. Aproximei-me e observei atentamente os cachos: eram realmente o que pareciam à distância. Era um prazer contemplá-los. Espalhavam ao redor um suavíssimo perfume.
O amigo levantou-me o véu. Sob a pérgula, extensa como era, estavam os nossos jovens, os de agora, os que já estiveram e os que ainda estarão conosco. Eram belíssimo e estavam radiosos de alegria.
- Estes - disse-me o guia - são os que, segundo os seus ensinamentos, produzirão bons frutos. São aqueles que praticam a virtude e que lhe darão muitas consolações.
Fiquei contente e ao mesmo tempo aflito, porque estes últimos não correspondiam ao número muito grande que eu esperava.
Foi quando Dom Bosco acordou.


6 de dezembro de 2014

Sonhos de Dom Bosco.

11/21 - A MISTERIOSA SENHORA E A MULTIDÃO DE GAROTOS

"Parecia-me estar numa grande planície cheia de uma quantidade enorme de jovens. Alguns brigavam, outros blasfemavam. Aqui se roubava, lá faltava-se contra a moral. Um punhado de pedras passavam pelo ar, lançadas por grupos que brigavam entre si. Eram jovens abandonados pelos pais e corrompidos. Eu queria ir embora depois, quando percebi ao meu lado uma Senhora que me disse:
- Vai lá no meio destes jovens e trabalha!
Eu fui, mas o que fazer? Não existia nenhum lugar para acomodá-los, queria fazer-lhes o bem, dirigia-me a pessoas que de longe estava olhando e que poderiam ter-me ajudado muito, mas elas não queriam ouvir-me.
Dirigi-me então àquela Senhora, que me disse:
- Eis o lugar - e mostrou-me um campo.
- Mas aqui só há um campo - disse-lhe.
- Meu Filho e os Apóstolos - respondeu-me - não tinham nem sequer uma pedra para descansar a cabeça!
Comecei a trabalhar naquele campo, aconselhando, pregando, confessando, mas percebia que na maior parte todo aquele trabalho era  praticamente inútil se não encontrasse um lugar apropriado onde juntar aqueles jovens rejeitados pelos pais e pela sociedade. Então aquela Senhora levou-me um pouco mais ao norte e disse-me:
- Olhe!
Eu olhei e vi uma igrejinha pequena e baixa, um pátio e uma porção de jovens. Recomecei o trabalho. Mas tendo-se esta Igreja tornado estreita, voltei a pedir àquela Senhora, e Ela mostrou-me uma outra Igreja bem maior e uma casa perto. Depois levou-me para outro lugar num pedaço de ferro cultivado, quase na frente da Segunda igreja e disse:
- Neste lugar onde os gloriosos mártires de Furius, Aventor, Otávio sofreram o seu mistério, sobre esta terra que foi molhada e santificada pelo seu sangue, eu quero que Deus seja honrado de uma maneira toda especial.
Assim falando, avança um pé indicando o lugar onde se deu o martírio e indicou-o com precisão. Eu queria colocar aí algum sinal para identificá-lo quando tivesse voltado naquele lugar, mas nada encontrei, nem uma estaca e nem uma pedra, todavia guardei bem na memória. corresponde exatamente ao ângulo inteiro da capela dos SS. Mártires antes chamada de S. Ana, do lado do evangelho na Igreja de Maria Auxiliadora.
No entanto eu me vi rodeado de um número incalculável de jovens e eles aumentavam, porém olhando a Senhora, cresciam os meios e o lugar, e vi depois uma grandíssima Igreja exatamente no local que me fique ver, onde se dera o martírio dos santos da legião Tebéia, com muitos prédios ao redor e com um bonito monumento no meio.
Enquanto aconteciam estas coisas, eu, sempre sonhando, tinha como ajudantes padres e clérigos que me ajudavam por um tempo e depois iam embora. Procurava com grande trabalho segurá-los, mas eles depois de um determinado tempo iam embora e me deixavam sozinho.
Então procurei a Senhora, que me disse:
- Você quer saber como segurar esses colaboradores? Tome esta fita e amarre-a na cabeça deles.
Tomando reverentemente a fita branca da mão dela, vi que nela estava escrita esta palavra: obediência. Experimentei logo a seguir o conselho da Senhora e comecei a amarrar a fita na cabeça de alguns de meus colaboradores e me dei conta de seus maravilhoso poder: eles ficavam, aumentava o seu número, enquanto eu continuava amarrando a fita em tantos e tantos ajudantes. Assim teve origem a Congregação Salesiana.
Vi ainda muitas outras coisas que agora não é o caso de contar-vos (parece que fizesse alusão a grandes acontecimentos futuros), mas é suficiente dizer que desde aquele tempo eu caminhava sempre seguro, seja com relação aos oratórios, seja com relação às autoridades. As grandes dificuldades que devem aparecer estão todas previstas e conheça o modo de as superar. Veja muito bem do que vai acontecer e vou adiante conscientemente. Foi exatamente depois de ter visto Igrejas, casas, pátios, jovens, clérigos e padres que me ajudavam e a maneira de chegar a isso, que eu falei a outros e contava como se tudo existisse. É por isso que muitos me facharam por louco…"