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26 de junho de 2024

A Mulher Bendita - Padre Júlio Maria

IV. Um novo culto

    O bom protestante nos acusa de termos criado um novo culto, que ele chama Mariolatria.
   Não criamos nada. Só Deus pode criar pessoas e coisas; e os amigos protestantes podem criar objeções.
   Lutero criou a Bibliolatria e a Odiolatria, como criou a libertinolatria, adorando a Bíblia e desprezando o seu conteúdo; adorando o ódio, para melhor vilipendiar a Igreja; adorando a carne pela vida dissoluta e sacrílega.
    Diz o articulista que o culto de Maria começou a sair do silencio em que a tinham envolvido os escritores do Novo Testamento, no meado do século IV.
    É muita ignorância do Evangelho, meu caro amigo! ... E' preciso muita ingenuidade para aventar uma tal asserção.
    O culto de Maria Sma. está todo indicado, delineado e desenvolvido no próprio Evangelho.
   Leiam o Evangelho. caros protestantes... mas leiam-no inteiro, e não simplesmente as passagens, escolhidas por vós ... que mais ou menos pareçam favorecer as vossas opiniões erradas pela livre interpretação dos textos.
    O culto de Maria Sma. é essencialmente um culto evangélico, todo evangélico ... e apesar de todas as homenagens que prestamos a Mãe de Jesus, nunca chegaremos a igualar nem de longe as homenagens que lhe presta o Evangelho.
    Fora do Evangelho, o culto da Mãe de Jesus seria um culto incompleto, atrofiado, raquítico...
    No Evangelho ele toma uma expansão divina, e se eleva à alturas que causam vertigem àqueles que sabem refletir.
   Dizer que o culto de Maria é uma novidade é afirmar a novidade do Evangelho, a novidade das catacumbas dos primeiros séculos, onde se encontra a cada passo a expressão da veneração a Virgem Imaculada... seria extinguir com um só golpe os acentos amorosos dos Padres dos primeiros séculos, que exaltaram a Virgem Santa com um entusiasmo jamais igualado nos séculos posteriores.
    Não, não! tais documentos não se destroem; tais acentos não se abafam; tais brados não se
extinguem; e enquanto o Evangelho for Evangelho, poderemos e deveremos dizer que o culto
da Mãe de Deus é um culto instituído por Deus, transmitido pelo Evangelho e praticado por todos os séculos.
    Dirão talvez que Jesus Cristo exaltou pouco a sua Mãe.
   Mas para que exaltar com palavras aquela que está exaltada acima de todas as criaturas, pela dignidade, pelas prerrogativas, que fazem de Maria a mulher bendita entre todas as mulheres.
    Para que repetir continuadamente uma verdade palpável, indiscutível, aceita por todos, nos primeiros séculos?
    Maria é mãe ele Jesus.
    Jesus é Deus.
    Maria é pois Mãe de Deus.
    Que é que se pode dizer mais?
    Um tal título não esgota todos os demais títulos?
    Haverá ainda honras superiores a estas?
    É impossível!
   Maria é Mãe de Deus; como tal, ela é necessariamente a mais santa e mais gloriosa de todas as criaturas.
    Jesus Cristo falou pouco de sua Mãe?
    Perfeitamente... e assim devia ser.
    Jesus veio, como ele mesmo afirmou, não para os justos, mas para os pecadorese. Non veni vocure justos, sed peccatores (Luc. V. 32).
    Ele veio restituir a saúde aos enfermos e não aos que não precisam do médico - Non egent, qui sani sunt, medico. (Luc. V. 31).
    Para quem devem pois irradiar as ternuras de seu coração?
    Não é para os infelizes, para os pecadores?
    De Pedro Ele fará o chefe de sua Igreja.
    De Mateus, o publicano, fará o seu Evangelista.
    De Saulo, o perseguidor, fará o Apóstolo das nações.
    De Madalena, a pecadora, fará uma amante estática.
    De um ladrão crucificado fará a primeira conquista de sua morte.
    De pobres pescadores ele fará seus apóstolos.
    Já pensaram nisso os caros protestantes?
   Poderia o Coração de Jesus, terno, amoroso e zeloso da honra de sua Mãe associar a Virgem Imaculada a todos estes pecadores convertidos?
    Podia ele colocar sobre a cabeça de sua Mãe a mesma coroa de louvores?
    Não!... Isso seria rebaixar a Virgem Santa, em vez de exaltá-la.
    A Pedro ele disse: Tu és bemaventurado (Mat. XVI. 17).
    A Mateus disse: Segue-me (Mat. IX 9).
    A Paulo disse: Eu sou Jesus, a quem tu persegues (Act. IX. 5).
    A Madalena disse: Teus pecados estão perdoados (Luc. VII. 48).
    Ao ladrão disse: Hoje estarás comigo no paraíso (Luc. XXIII. 43).
    Aos apóstolos disse: Vós sois meus amigos (Joao. XV. 15).
    Mas à Maria Ele disse: Tu és minha Mãe (Mat. II. 11).
    Que poderia Ele dizer mais ?...
    Jesus Cristo esgotou-se nesta única palavra.

12 de junho de 2024

A Mulher Bendita - Padre Júlio Maria

IV. Um novo culto

    O bom protestante nos acusa de termos criado um novo culto, que ele chama Mariolatria.
   Não criamos nada. Só Deus pode criar pessoas e coisas; e os amigos protestantes podem criar objeções.
   Lutero criou a Bibliolatria e a Odiolatria, como criou a libertinolatria,--adorando a Bíblia e desprezando o seu conteúdo; adorando o ódio, para melhor vilipendiar a Igreja; adorando a carne pela vida dissoluta e sacrílega.
   Diz o articulista que o culto de Maria começou a sair do silêncio em que a tinham envolvido os escritores do Novo Testamento, no meio do século IV.
   É muita ignorância do Evangelho, meu caro amigo! ... É preciso muita ingenuidade para aventar uma tal asserção.
    O culto de Maria Santíssima está todo indicado, delineado e desenvolvido no próprio Evangelho.
   Leiam o Evangelho, caros protestantes... mas leiam-no inteiro, e não simplesmente as passagens, escolhidas por vós ... que mais ou menos pareçam favorecer as vossas opiniões erradas pela livre interpretação dos textos.
   O culto de Maria Santíssima é essencialmente um culto evangélico ... e apesar de todas as homenagens que prestamos à Mãe de Jesus, nunca chegaremos a igualar nem de longe as homenagens que lhe presta o Evangelho.
    Fora do Evangelho, o culto da Mãe de Jesus seria um culto incompleto, atrofiado, raquítico...
    No Evangelho ele toma uma expansão divina, e se eleva à alturas que causam vertigem aqueles que sabem refletir.
    Dizer que o culto de Maria é uma novidade é afirmar a novidade do Evangelho, a novidade das catacumbas dos primeiros séculos, onde se encontra a cada passo a expressão da veneração e do amor com que os primeiros fiéis cercavam a Virgem Imaculada... seria extinguir com um só golpe os acentos amorosos dos Padres dos primeiros séculos, que exaltaram a Virgem Santa com um entusiasmo jamais igualado nos séculos posteriores.
     Não, não tais documentos não se destroem; tais acentos não se abafam; tais brados não se extinguem; e enquanto o Evangelho for Evangelho, poderemos e deveremos dizer que o culto da Mãe de Deus é um culto instituído por Deus, transmitido pelo Evangelho e praticado por todos os séculos.
    Dirão talvez que Jesus Cristo exaltou pouco a sua Mãe.
   Mas para que exaltar com palavras aquela que está exaltada acima de todas as criaturas, pela santidade, pela dignidade, pelas prerrogativas, que fazem de Maria a mulher bendita entre todas as mulheres.
    Para que repetir continuadamente uma verdade palpável, indiscutível, aceita por todos, nos primeiros séculos?
    Maria é mãe de Jesus.
    Jesus é Deus.
    Maria é pois Mãe de Deus.
    Que é que se pode dizer mais?
    Um tal título não esgota todos os demais títulos?
    Haverá ainda honras superiores a estas?
    É impossível!
   Maria é Mãe de Deus; como tal, ela é necessariamente a mais santa e mais gloriosa de todas as criaturas.
    Jesus Cristo falou pouco de sua Mãe?
    Perfeitamente... e assim devia ser.
    Jesus veio, como ele mesmo afirmou, não para os justos, mas para os pecadores (Luc. V. 32).
    Ele veio restituir a saúde aos enfermos e não aos que não precisam de médico - Non egent, qui sani sunt, medico. (Luc. V. 31).
    Para quem devem pois irradiar as ternuras de seu coração?
    Não é para os infelizes, para os pecadores?
    De Pedro Ele fará o chefe de sua Igreja.
    De Matheus, o publicano, fará o seu Evangelista.
    De Saulo, o perseguidor, fará o Apóstolo das nações.
    De Madalena, a pecadora, fará uma amante extática.
    De um ladrão crucificado fará a primeira conquista de sua morte.
    De pobres pescadores ele fará seus apóstolos.
    Já pensaram nisso os caros protestantes?
   Poderia o Coração de Jesus, terno, amoroso e zeloso da honra de sua Mãe associar a Virgem Imaculada a todos estes pecadores convertidos?
    Podia Ele colocar sobre a cabeça de sua Mãe a mesma coroa de louvores?
    Não!... Isso seria rebaixar a Virgem Santa, em vez de exaltá-la.
    A Pedro Ele disse: Tu és bemaventurado (Mat. XVI. 17).
    A Matheus disse: Segue-me (Math. IX 9)
    A Paulo disse: Eu sou Jesus, a quem tu persegues (At. IX. 5).
    A Madalena disse: Teus pecados estão perdoados (Luc. VII. 48).
    Ao ladrão disse: Hoje estarás comigo no paraíso (Luc. XXIII. 43).
    Aos apóstolos disse: Vós sois meus amigos (João. XV. 15).
    Mas à Maria Ele disse: Tu és minha Mãe (Math. II. 11).
    Que poderia Ele dizer mais?...
    Jesus Cristo esgotou-se nesta única palavra.
Continua...

6 de junho de 2024

A Mulher Bendita - Padre Júlio Maria

III. Um objeto de adoração

Passemos depressa sobre tão bolorenta objeção.
É triste ser obrigado a responder a tais tolices.
No século vigésimo vir ainda à baila a idolatria!
É dizer que por este mundo afora a grande maioria da população, estes milhares e milhares de homens educados e instruídos adoram imagens, como vulgares fetichistas, atribuindo vida a um pedaço de pau, implorando favores de um toco de madeira, pedindo saúde e vida de um bloco de cimento... prostrando a fronte no pó do caminho diante de um papelão. Não vê o protestante que tudo isso é sumamente ridículo, e que si ta1 coisa podia ser praticada antigamente por um zulú selvagem, não pode nunca penetrar na mente de um homem civilizado,
Se perguntássemos a qualquer criança, se tal ou tal santinho é um Santo vivo, que come, bebe e dorme, a criança responderia que não, mas que é apenas um retrato, uma representação.
Qual o homem, até analfabeto, que ignora que não é a imagem ou o retrato que ele venera ou invoca, mas sim a pessoa representada pela imagem?
Ninguém adora imagens; mas sendo a imagem a representação de Jesus Cristo, pode-se adorar Jesus Cristo, representado pela imagem.
Ninguém adora a Virgem Sma., que não é Deus nem deusa, mas uma simples criatura, elevada, por graça e favor de Deus, à mais alta dignidade de que pode ser revestida uma criatura: a maternidade divina... e como tal merece ser honrada, venerada: -como Mãe de Deus - e não adorada como Deusa.
Tudo isso é tão claro, que só uma cegueira obcecada é capaz de reproduzir tais acusações.
Adorar não é beijar ou inclinar-se... Os pais beijam os filhos; os inferiores inclinam-se diante de seus superiores, sem adorá-los.
A adoração não consiste só no ato exterior, mas sim no espírito que pretende tributar honras divinas a qualquer pessoa.
Não querendo alguém adorar, não adora.
E nenhum católico já teve a ideia de adorar outra pessoa a não ser Deus.
E eles mesmos devem saber melhor o que pretendem fazer do que os seus detratores.

31 de maio de 2024

A Mulher Bendita - Padre Júlio Maria

CAPÍTULO 1

O culto de Maria Santissima

    É sabido que o protestantismo concentrou o seu ódio sobre a Virgem Santissima, Mãe de Deus.
    Porque este ódio?
    Para poderem os seus adeptos protestar contra a Igreja Católica.
    É a grande, e talvez a única razão.
   A Igreja Católica, na unidade perfeita e na firmeza granitica de seu ensino, atribui a cada pessoa o culto que lhe compete.
    Adora única exclusivamente a Deus, porque só Ele é Senhor Supremo, só Ele é Deus, e
somente Ele tem direito ao culto supremo da adoração.
    Dominus Deus noster, Dominus unus est (Deut. VI. 4).
    Venera a Virgem Maria, por ser Mãe de Jesus Cristo e, como tal, revestida de uma dignidade acima do todas as dignidades, tendo direito a um culto acima do culto tributado aos Santos.
    -Super modum, Mater mirabilis (2 Mach. VII. 20)
    Honra os Santos, por serem amigos de Deus e por gozarem, como tais, perto de Deus, de um poder de intercessão acima das criaturas, neste mundo.
    Temos, deste modo, um tríplice culto, essencialmente distinto um do outro, numa gradação harmoniosa e lógica.
    1. O culto de adoração (latria) devido a Deus.
    2. O culto de super veneração (hyperdulia) devido à Maria Santíssima.
    3. O culto de veneração (dulia) devido aos Santos.
    Tal é a base do culto católico, e basta compreender estas noções, para compreender a injustiça e o ridículo das objeções protestantes, acusando os católicos de Mariolatras, de adorarem a Mãe de Jesus.
    Vamos examinar tais objeções neste primeiro capítulo, dando-lhes a resposta que merecem.

I. A Mariolatria
    Não quero inventar nenhuma objeção; os amigos protestantes se encarregam da fabricação
e da propaganda.
    Vou tirar literalmente de seus escritos as tais objeções, para eles não me poderem acusar
de exagero ou de má interpretação.
    Eis a acusação de Mariolatria, tal qual a transcrevo de um jornal protestante.
    Chama-se Mariolatria a adoração de Maria Santíssima.
    Diz o articulista:
    "Indiscutivelmente, e não há quem ouse negar, no catolicismo Maria ocupa o lugar de destaque, é o "fac totum" da corte celeste. Todas as invocações, todas as adorações são dirigidas, apenas e unicamente a ela. Representa no catolicismo tudo, a substancia e a essência. A Maria são feitos os sermões e oferta dos presentes, os fiéis são convidados a confiar quase exclusivamente nela e no seu poder absoluto.
    Essa adoração toda, essa idolatria, criou o que se chama Mariolatria, que não passa de uma criação tardia, muito tempo depois de lançadas as bases do catolicismo.
    Maria começou a sair do silêncio em que a tinham envolvido os escritores do Novo Testamento, no meio do IV século. Foi obra de uma seita, composta quase que só de mulheres, aparecida na Thracia e naa Scisia superior, que começou a divulgar aos quatro ventos a divindade de Maria, e torná-la digna de adorações e cultos.
    EStes sectários foram chamados de "Colliridianos", por oferecerem à Mãe de Jesus algumas tochas chamadas em grego Kohhúga.
    Nos primeiros séculos nós não encontramos culto algum a Maria. Todos são unisonos e de acordo em pregar digno de culto somente Deus e o seu unigênito filho Jesus Cristo.
    Nem Justino Martir, nem Irineu, nem Tertuliano, nem Cipriano, nem Latancio, podem ser invocados como sustentadores e propugnadores do culto da grande "mãe de Deus", porque eles, como São Pedro, São Paulo e São João, não aludem a outra mediação senão à Deus e Jesus Cristo.
    Volvamos ao passado, isto é, aos primeiros séculos e os percorramos com atenção.
    Século I. Clemente Romano, o suposto sucessor de São Pedro, escreve nas suas Constituições Apostólicas: "Não é permitido avisinhar-se a Deus onipotente, que por Jesus Cristo seu filho. (Const. Apost. liv. 2 e 33)
    Século II. Inácio, discípulo do apóstolo João, escreve de Roma aos Filadelfios: "Nas vossas orações deveis ter perante os olhos apenas Jesus Cristo e o pai de Jesus Cristo".
    Século III. Origênes disse claramente: "Não tenhamos a desfaçatez de invocar algum outro, a não ser aquele que é Deus sobre todas as coisas, bastando a tudo por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Século IV. Atanásio pregava e escrevia: "Nós verdadeiramente somos adoradores de Deus, porque não invocamos nem criaturas nem homens; invocamos o filho, que por nascimento procede de Deus, e que é o verdadeiro Deus, que nasceu homem, é verdade, porém que não obstante é Deus e Salvador".
    Século V. João Capistrano se opõe aqueles que queiram introduzir outros mediadores além de Cristo.
    Nestes cinco primeiros séculos não se concebia outra adoração, outra veneração que não fosse Deus e Jesus Cristo. Como, pois, pode o catolicismo passar uma esponja no quadro negro do passado, e fazer valer todos os pontos de vista a opinião da seita de Colliridianos?
    Como, pois?
    Deixando mesmo em segundo plano Jesus Cristo? Mas porque? Acaso admitem a imaculada conceição de Maria?"
Continua... (vamos deixar o suspense para o martelo do Padre Júlio Maria)

30 de maio de 2024

A Mulher Bendita - Padre Júlio Maria

Prezados Amigos, Salve Maria!
Repetindo o comentário do Padre Júlio Maria "Defender a honra de uma mãe querida é dever e felicidade para um filho amoroso", portanto, não tenham medo de perder uma amizade ao defender a honra de nossa Querida Mãe, pois ela é a nossa porta de entrada para o céu. Os protestantes não são nossos irmãos e sim inimigos da nossa fé. Devemos rezar incessantemente para a conversão deles e quem sabe um dia chamar os mesmos de irmãos.
Um grande abraço em Cristo.


Introdução
que é necessário ler

    Defender a honra de uma mãe querida é dever e felicidade para um filho amoroso.
    É
a razão de ser do presente livro. Não precisaria de outra apresentação.
    Diariamente são atacados pelas blasfêmias, ora ignorantes, ora maldosas, das seitas protestantes, a dignidade, a gloria, as prerrogativas, o poder da Virgem Santíssima.
    Como pode um filho calar-se diante dos ataques contínuos dirigidos à sua Mãe?
    Urge, pois, lhes dar uma resposta completa, fulminante, sem replica.
    Pode haver, sem dúvida, entre estes protestantes pessoas de boa fé, devido à ignorância religiosa em que vivem, seduzidas também, como o são pela livre interpretação da Bíblia; porém da parte de seus pastores, há muita perfídia e má fé, ou então uma ignorância fenomenal.
    Entre estes pastores há muitos traficantes, tristissimos cavadores da vida, fazendo de seu oficio, não um instrumento de fazer amar a Deus, mas, sim, de ódio, de calunia contra a Igreja Católica, vendendo as almas a troca do dinheiro que lhes vai proporcionando a sua vida de caluniadores.
    É preciso desmascarar estes mercadores das almas do próximo, e refutar os erros que vão espalhando, não só na alma de seus adeptos, mas no espírito dos católicos Incautos.

I. A. fonte dos erros protestantes
    Escondida na relva rastejante da estrada, a serpente venenosa do erro procura morder o transeunte descuidado, seja ele quem for.
    É preciso assinalar a presença da serpente, para precaver de seu contato o viandante e e evitar-lhe a mordedura.
    O ódio destes infelizes sectários, excitado pela serpente que já seduziria nossos primeiros pais, concentra-se de modo particular sobre a Virgem Santíssima, por saberem que, no dizer dos
Santos, um verdadeiro devoto de Maria não pode perder-se.
    Satanás, que quer perder as almas, custe o que custar, procura arrancar das mãos dos cristãos esta garantia de salvação e, para isso, suscita bandos de exploradores que ele intitula e faz chamarem-se pelo nome de pastores, mas que não passam de lobos devoradores, como diz o Mestre divino.
    Estes pastores querem antes de tudo ganhar a vida, e como não se pode ser bom protestante, sem atacar a Igreja Católica, ei-los a repetirem a dúzia de objeções tolos, que aprenderam nos pasquins da seita, sem querer compreender a resposta católica.
    À necessidade de ganhar a vida sucede o fanatismo; ao fanatismo sucede o materialismo grosseiro e ao materialismo sucede o ateísmo completo.
    Numa reunião geral de pastores, na Alemanha, dizem os jornais que sobre 1000 pastores presentes havia 800 que nem acreditavam mais na divindade de Jesus Cristo, nem na inspiração da Sagrada Escritura.
    Em tais condições compreende-se o ódio que tais homens votam à Igreja Católica onde todos são unidos na fé, na moral e no culto.

    Esta explosão de ódio se concentra sobre a Virgem Imaculada, sob o pretexto de que seu culto é pagão, é idolatria, abuso, excesso, etc.
    Pobres cegos! Infelizes caluniadores!

II. A feição especial deste livro
    É pois de absoluta necessidade mostrar a Mãe de Jesus, na auréola de sua grandeza, de seu poder, de seu amor e de sua misericórdia, e mostra-la, não somente por considerações piedosas, entusiastas, mas com provas autenticas, tiradas diretamente da Sagrada Escritura.
    É a feição especial deste livro.
    É um livro de doutrina.
    Um livro evangélico.
    Um livro de exegése, mostrando os fundamentos do culto de Maria Santíssima, os alicerces
evangélicos da sua grandeza e a fragilidade das objeções adversas.
    Nenhuma tese, nenhum principio, nenhuma conclusão, nenhum titulo será admitido neste livro que não tenha a sua base na Sagrada Escritura.
    Deve ser um livro revelador... indicador... iluminador... e tudo isto não pode ser feito senão pela palavra de Deus contida na Sagrada Escritura e na tradição ininterrupta das doutrinas apostólicas.


III. O dragão de sete cabeças
    A serpente, a mesma serpente do paraíso terrenal, procurando morder e perder as almas,
está reencarnada no ódio protestante.
    É mister, diante desta serpente, mostrar a Mulher bendita, que uma primeira vez lhe
esmagou a cabeça, ao da cruz, no alto do Calvário, e que continua a esmaga-la por onde
rastejar a serpente.
    A mulher bendita esmagou a cabeça da serpente, como Deus o predisse no paraíso: Esta
te esmagará a cabeça (Gen. III. 15J; porém, a tal serpente tem inúmeras outras cabeças; é um
dragão de sete cabeças, como viu o Vidente de Patmos.
    Eis o dragão... tendo sete cabeças (Apoc. XII. 3).
    E não somente tem sete cabeças, mas cada uma delas foi se proliferando, produzindo centenas de outras cabeças.
    Quando Lutero lançou ao mundo o seu brado de revolta contra a Igreja, era apenas uma
cabeça, mas logo cresceram em redor do Luteranismo, o Calvinismo, o Anglicanismo, o Presbiterianismo, o Metodismo, o baptisanismo, etc... até perfazer o numero de mais ou menos 900
seitas.
    E' o mesmo dragão.. . mas de cabeça multiformes havendo de comum entre estas cabeças: o ódio a Igreja Católica, as blasfêmias contra a Virgem Santa e as calunias contra os Sacerdotes.
    Ódio, blasfêmia e calunia, é o tríplice alicerce do protestantismo em geral, e de cada seita em particular.

IV. A mulher bendita
    Em outros volumes respondi ao ódio sectário contra a Igreja (1) contra os Sacerdotes (2) contra a doutrina Católica (3); no presente estudo quero responder às blasfêmias atiradas à puríssima Virgem, à Mulher bendita entre todas as mulheres.
    Nada inventarei ... recolherei os ataques nas revistas e livros protestantes, dando sempre a preferência a trabalhos assinados por sumidades da seita.
Não se admire o leitor ao ver-me insistir, de
modo particular, sobre o grande privilégio da Imaculada Conceição de Maria, pois é ele a preparação à incomparável dignidade de Mãe de Deus e o resumo de todas as suas prerrogativas.
    Admitido este primeiro privilegio, devem-se admitir todos os outros, pois estes brotam daquele, como o fruto brota da flor.
    A maternidade divina de Maria Santíssima é o principio de toda a sua grandeza.
    A Imaculada Conceição é a preparação a esta grandeza.
    A Assunção ao Céu é o seu corolário indispensável.

V. Para quem este livro?
    Para quem?
    Para todos.
    Leiam este livro aqueles que querem conhecer bem a Mãe de Jesus e amai-a muito.
    Estas páginas abrir-lhes-ão horizontes novos na devoção mariana, e lhes mostrarão uma Maria, que talvez desconheciam.
    Quanto aos infelizes protestantes... estes, sim, é que deviam lê-lo; e lendo-o, estou certo que reconheceriam o erro em que laboram... mas eles têm medo da luz, não o lerão, senão por raríssimas exceções...
    Os pastores não o deixarão ler!...
    Pobres e infelizes protestantes!... oremos por eles... são tão infelizes!
    Leiam-no, sobretudo, esta legião de Filhos e Filhas de Maria, flôr e esperança da Mocidade
Católica, que hoje constitui a vanguarda da regeneração de um Brasil futuro, e esta leitura será para eles um farol e um estandarte.
    Leiam-no Católicos e protestantes sinceros, e verão iluminarem-se todos os recantos e esconderijos do erro e da ignorância, para mostrar-lhes a bela e incomparável fisionomia da Mãe de Jesus e Mãe dos homens.

Padre Júlio Maria