30 de novembro de 2021

Comunicado do Superior do Distrito - IBP - América Latina

Comunicado do Superior do Distrito

29 Novembro 2021

Comunicado do Superior do Distrito da América Latina do Instituto Bom Pastor, Pe. Daniel Pinheiro 

Brasília, 28 de novembro de 2021 

O Instituto Bom Pastor é uma Sociedade de Vida Apostólica de direito pontifício. Na sua organização interna, ele pode ser dividido em Distritos. Atualmente, temos o Distrito da Europa e o Distrito da América Latina. 

No Distrito da América Latina, falam, em nome do Instituto Bom Pastor, o Superior Geral, o Superior do Distrito e, nos respectivos apostolados, os superiores locais. Portanto, aqui no Brasil, as iniciativas do Instituto Bom Pastor dizem respeito ao Superior Geral, ao Superior do Distrito e aos superiores locais com os seus colaboradores. Como dizem nossos Estatutos: “o Superior do Distrito é o responsável, diante do Superior Geral, pelo bem comum do seu Distrito; ele vela pela unidade doutrinal e litúrgica, e preside à caridade entre os confrades.” 

Portanto, as ações oficiais do Instituto no Brasil são estabelecidas tão somente por esses eclesiásticos, tendo em vista o bem comum do Instituto e dos fiéis que nos são confiados e que, por disposição da Providência, crescem dia após dia, vindos de todos os horizontes: são católicos que não conhecem a Missa Tridentina, são protestantes que se convertem à Igreja Católica e não batizados que se tornam filhos de Deus. O Instituto no Brasil, longe de se fechar sobre si mesmo, vai em busca das ovelhas na medida de suas possibilidades. 

Com efeito, procuramos trabalhar arduamente, dentro de nossas fraquezas, pela difusão da doutrina, da liturgia, da moral e da espiritualidade católicas dentro do que é a natureza do Instituto e dentro do que é a sua missão, dada pela própria Santa Sé. 

De modo particular, não favorecemos erros para evitar erros maiores nem favorecemos erros para alcançar bens. O erro não tem direitos. O erro pode ser tolerado quando dessa tolerância vierem bens maiores, mas o erro jamais pode ser favorecido e promovido como um bem, ainda que seja considerado um bem intermediário ou um passo intermediário. 

Na prática, o Instituto Bom Pastor no Brasil não apoia grupos, movimentos, associações, centros, fóruns, congressos, centros de estudos específicos, ou ainda congregações de leigos, confrarias ou comunidades de vida, etc. O Instituto apoia as iniciativas que estão em relação direta com o seu apostolado em cada localidade e, quando isso ocorre, é de conhecimento dos fiéis. 

Achamos por bem fazer tal comunicado para evitar qualquer confusão nesse âmbito e para não vermos o nome do Instituto ligado a iniciativas que lhe são alheias, de uma maneira ou de outra. 

http://ibpamericalatina.org/pt-br/noticias/item/366-comunicado-do-superior-do-distrito?fbclid=IwAR35SUXAhtpoZNVN-7l2eRMScMvNJB7J7-zYJuz5mGx37dl8Y0iagoclHwg
 

29 de novembro de 2021

Transmissão dos Horários de missas no Apostolado do IBP em Curitiba

Na Capela São José de Chambéry:

⛪️ Domingo, 28/11
I Domingo do Advento
08h30, Missa Rezada
10h00, Missa Cantada

Na Capela Militar Nossa Senhora das Vitórias

⛪️ Domingo, 28/11
I Domingo do Advento
19h00, Missa Rezada
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Na Casa do Padre: Olavo Bilac, 76

⛪️ 2ª feira, 29/11
07h30, Missa Rezada

⛪️ 3ª feira, 30/11
NÃO HAVERÁ MISSA

⛪️ 4ª feira, 01/12
NÃO HAVERÁ MISSA
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Na Capela São José de Chambéry

⛪️ 5ª feira, 02/12
18h30, Exposição do Santíssimo
19h30, Missa Rezada

⛪️ 6ª feira, 03/12
Primeira Sexta-feira do mês
18h30, Hora Santa Reparadora
19h30, Missa Rezada

⛪️ Sábado, 04/12
08h30, Atendimento de Confissões
09h00, Missa Rezada

⛪️ Domingo, 05/12
II Domingo do Advento
08h30, Missa Rezada
10h00, Missa Cantada

Na Capela Militar Nossa Sra das Vitórias

⛪️ Domingo, 05/12
II Domingo do Advento
19h00, Missa Rezada

Deus abençoe!
Pe. Thiago, IBP

27 de novembro de 2021

A Humilde Santa Bernadette - Colette Yver

1857

É a saída do catecismo. As meninas com seu capuzinho, num sussurro de tagarelices e de tamancos, descem pela estrada abaixo ao voltarem da igreja situada num morrinho. Uma delas, comportada e séria, moreninha mal aparentando dez anos, de grandes olhos negros, imperscrutáveis, maçãs salientes, boca largamente rasgada, apressa-se sozinha em demanda daquele casario branco, lá no fim da segunda esquina, que assim fica fronteira ao presbitério. O jovem cura, Padre Ader, atalhou pelo cemitério, tomando-lhe a dianteira. Ei-lo em casa à janela da sala de jantar, quando a menina passa pela estrada. Chama a empregada (que provavelmente punha a mesa).
- "Olhe para esta menina. Quando a Virgem SSma. se digna mostrar-se na terra, deve escolher crianças que se pareçam com esta".
* *
Treze anos antes, tinha aparecido a Mãe de Jesus no monte sobranceiro de oitocentos metros à aldeia já muito alta de La Salette. Lá, num local, cercado formidavelmente por montanhas despidas de árvores, mal verdejantes de grama rala, paisagem lunar de serenidade inalterável com suas linhas harmônicas, onde não se enxerga ponta alguma de rochedo, a Virgem Maria escolhera, para a eles se manifestar, dois pastorinhos cujos carneiros tosavam o capim nos alcantis da serra. Chamavam-se Maximino e Melânia. Ela os abençoara. Falara-lhes dos pecadores. Chorara, com o rosto nas lindas mãos, ao pensar naquelas multidões que se não valem dos dons de Deus e pelo contrário ofendem seu Criador.
Confiou-lhes um segredo e fizera brotar água de uma nascente que sempre secava no verão e desde então nunca deixou de correr. Viram-na depois, trajada de vestido bizantino, com largas mangas, toucada de coifa do mesmo estilo a formar-lhe um diadema, viram-na subir voando para o céu de anil.
O Padre Ader, sacerdote místico, que no findar aquele ano havia de ingressar num mosteiro, ficara muito comovido com aquela bela história de La Salette. Os prantos de Maria, a sua tristeza, seu amor aos pobres pecadores a transparecer nas frases relativas à sua tarefa tão pesada de medianeira, todas essas recordações patéticas preocupavam-lhe certamente o espírito.
Mas que havia, no rostinho da criança que passava, para se fazer, quase instantaneamente, no espírito do Padre Ader, aquele cotejamento?
Chamava-se a menina Maria Bernarda e, mais familiarmente, Bernadette Soubirous. Fazia de criadinha, no verão, em casa de sua antiga ama, Maria Aravant, senhora Lagües, isto é, vinha durante os mais belos meses, sem salário, só pela comida, tomar conta do lindo rebanho de carneiros e cordeiros da granja Lagües, fronteira ao presbitério, na segunda volta do caminho.
Bernadette não era de Bartrés. Seus pais, outrora moleiros em Lourdes, tinham passado mal nos negócios e agora moravam na parte mais alta da cidade, na rua das Valetas (Petits Fossés). Ali viviam
apertados com seus quatro filhos, num pardieiro da sala única, por uma só janela iluminada, no rés do chão da antiga cadeia denominada ainda hoje o calabouço. O dono daquele imóvel, André Sajou, primo dos Soubirous. deixava-lhes por serem incapazes de pagar aluguel, o uso daquela miserável morada.
O pai e a mãe ganhavam o sustento trabalhando a jornal nos campos da cercania de Lourdes.

26 de novembro de 2021

A Humilde Santa Bernadette - Colette Yver

CAP1TULO II

A INFÂNCIA

É Bartrés (1) uma aldeazita situada ao norte de Lourdes, a meia légua da cidade.
Na cumeeira do morro bastante elevado, verdejante e arborizado, de aspecto vicejante como as pradarias bigorrenses, à beira da encosta de Leste, Bartrés está assentada no côncavo de uma dobra do chão, como no porão de comprido barco, entre duas ladeiras relvosas remontadas de carvalhais.
A estrada de Lourdes passa por ela fazendo uma espiral inclinada...
Não se pense num grande povoado, não. Só poucas casas de camponêses, esparsas à direita e à esquerda
sem nenhum plano. Igreja boa, bem restaurada.
Caminhos que qualquer chuva torna medonhamente lamacentos, como todos os fundos de bacia.
Trezentos moradores.
Nas beiras deste profundo valezinho, rebanhos atarefados com os focinhos no capim, vacas das charnecas, de chifres delgados, de pelo louro, vaquinhas bretãs malhadas de preto e branco; e sobretudo carneiros lanzudos e gordos, imóveis quais pedras de alvenaria, surgidas na sua tarefa de pastar.
Ao sul, e quão perto nos parece! surge diante de nós, a cada instante, a série de altos e baixos agigantados dos Pirineus; o Pico de Ger, a delgada agulha do Pico do Meio-Dia bigorrense e, a seguir, os cumes de Arbizon e de Nouvielle. E aqueles montes de dois ou três mil metros, tão vizinhos que aparentam vegetação, com seu dédalo de vales escuros, com suas vertentes caindo abruptas, tornam mais meiga e sorridente a aldeola de Bartrés tão molemente semi-sepultada entre duas intumescências da terra, que se alonga em linhas arredondadas.

24 de novembro de 2021

A Humilde Santa Bernadette - Colette Yver

CAPÍTULO I

O PRIMEIRO ENCONTRO COM A SANTA

Vai correndo o trem através de um parque relvoso, onde capões elegantes de árvores se sucedem de espaço a espaço. Os taboleiros de relva vêm divididos por estacadas como na Inglaterra. Lindas novilhas brancas, quais animais sagrados, ali pastam, espalhadas com quase elegância, enquanto galinhas nanicas, não menos alvas, vão dando vida ao gramado com seu amiudado bicar. A luz é de tal modo serena que permite reconhecer a zona de Loire, única faixa donde se levanta neblina bastante rala e espalhadiça  para dar à natureza o suave aspecto e às cores o levíssimo filó das manhãs perpétuas. É a zona do Nivernês.
Eis agora Nevers, a cidade das religiosas, por recordação do seu passado clássico. Toda sonora devido aos sinos de seus mosteiros, lá nos aparece debruçada na sua balaustrada, no ponto em que o Loire faz um meandro dos mais majestosos.
O mosteiro de S. Gildardo, que lã no alto hospeda as Irmãs de Caridade de Nevers, desce com seus pomares o declive da cidade até os trilhos da estrada de ferro. Poder-se-ia, ao chegar, tocar com a mão
no paredão que o cerca, na sua esquina. É um ângulo de paredão como se vê em qualquer quJntal fechado. Não se apresenta murado como uma fortaleza.
O muro é comum e nada tem de feroz. Não podemos, todavia, ver o que se oculta, por detrás dêle, ai nêsse recanto de jardim monacal. Mas em dado momento da nossa romaria voltaremos a divisar o que ali se dá. Entretanto, já, desde o trem, cumpre saber que êsse recanto de ângulo encerra um J)2queno oratório e que um nicho aí abriga uma antiga e linda estátua da ·Virgem, tôda alva, de sorriso enigmático e meigo e de braços ternamente acolhedores: é Nossa Senhora das Aguas. Eis, sumàriamente, o mistério todo contido naquela extremidade de cêrca e invisível para os viajantes do trem. O mistério, entretanto, é maior do que se pensa .
• • •
Vamos, neste entrementes, visitar à capela que lá no alto campeia, desde o limiar meio engastada dentro do quadrilátero grandioso das construções, donde apenas sobressai a delgada ábside. Capela de estilo gótico com duas naves laterais, mais ampla que a média das igrejas aldeãs e que nos impressiona com um céu sereno.
Por ela vão e vêm, sempre um pouco aterafadas como mulheres de muita lida, mas conservando aquêle passo ligeiro e suave das jovens religiosas a deslisar, as Irmãs do mosteiro, trajadas de preto. com o rosto estreitamente moldurado por uma ogiva de linho branco, que, debaixo do manto, se divide em duas tiras a caírem pelo peito.
Prece rápida, o serviço de caridade as reclama.
E aqui está uma delas, dormindo num esquife de cristal e ouro, erguido na capela de Maria, no fim da galeria reta.
Num colchão de setim branco, deitada a pequenina, seus pezinhos mal chegam com as meias pretas,
a sair fora das fartas dobras do hábito monacal; levemente voltada para a esquerda, seu rosto ao qual um banho de cera restituiu o frescor e feições de mocinha, pende para o ombro: d ir-se-ia que a vemos respirar com ritmo debilitado pelo sono que lhe deixa sossegadas as mãos postas, também
elas ungidas com pálida cera.
Meu Deus! eis portanto, aqui cerrados e selados com cera aqueles olhos que se enlevaram na beleza da Virgem! Eis aqui, hoje vendados e fechados aqueles ouvidos que lhe escutaram a voz! Esta é a boca que a saudou com Ave-Marias tão puras como a do Anjo. Estas as mãozinhas que se erguiam alvoroçadas para a Senhora celeste através de chama impotente. Este é o pé que ela despia da meia à beira do córrego no instante em que a eminência da Aparição desencadeava, para ela, na natureza, um ruído de temporal - sinal que a levou totalmente para a Gruta de repente luminosa!
Este é o corpo virginal que foi todo dor de expiação por amor daqueles coitados que de vós escapam nesta terra, ó meu Deus! Esta é a pastorita da encantadora aldeia de Bartrés. A pobre menina do casebre da rua das Valetas em Lourdes. A pensionista do mosteiro pirenaico, aonde iam desde os confins da terra para dela implorar uma audiência.
Esta a postulante que, para deixar a terra natal e a mãe, tanto sofreu que ficou insensível. Esta a religiosa de Nevers de quem se dizia: " É uma religiosa como as demais", mas que guardava sob a bela
fronte teimosa os três. segredos do céu. Aqui está aquela que viveu a sua vida encantada por ter entrevisto na manifestação da Mãe de Jesus a Beleza do Além. Esta é a Santa novinha que o Santo Padre, após prolongado processo, oferece qual guia aos que militam na Igreja de Cristo, qual medianeira para suas preces, qual modelo para sua boa vontade, qual heroína das virtudes para os garimpeiros da perfeição.
Já as relíquias dela nos tomam de respeito.
Parece-nos sagrado tudo quanto roçou no cristal da sua urna. Pedi que encostassem nela o estilógrafo que lhe há de descrever a vida. Sentimento não nítido, religião da lembrança, idealizamento das coisas materiais.
Quem é que não conserva piedosamente algum instrumentozinho de costura, dedal, tesoura, tear ou máquina que sua mãe outrora manejava? Ou não lhe imprime um impulso consolador?
Nossos antepassados da primitiva Igreja levavam para casa retalhos de pano embebidos no sangue dos mártires. Aquele sangue emblemático, relíquia substancial de seu sacrifício, tinha ainda o condão de comunicar a fortaleza e a graça daqueles heróis. Por isso, que veneração não inspirava imediatamente!
Assim também hoje tudo o que tocou neste despojo humano, que é da santa, parece-nos abençoado e veículo das graças que nele habitavam.
Fetichismo (dizem os incrédulos). Culto de amuleto! Sentimento de bárbaros! Mas o selvagem materializa as forças ocultas no seu talismã, e o cristão, venerando as relíquias segundo a tradição, vai, pelo contrário, espiritualizando o culto da recordação. Nele os sentidos veem e tocam um pedaço do véu da Santa. A sua fé espera encontrar ali vestígios da virtude de Deus da qual a Santa estava compenetrada.

Santa Bernadette, ajoelhados perante vossos despojos terrestres - pois o respeito e emoção fizeram-nos logo prostrar nas lajes - ó morta mais viva do que nós! - Contemplamo-vos nesse sepulcro transparente, no qual o ourives acumulou profusamente e sem medida todos os sinais e indícios da vossa glória. Impotentes como são os homens para representarem o triunfo da outra vida a vós prometido, pela Mãe de Deus, forçoso lhes é acumular aqui elementos valiosos, ornatos, florões, escudos, emblemas de vossas virtudes, evocações de vossas prerrogativas. Imagina-se até que anjos devem adejar à roda deste santo corpo, que foi tão sublime templo do Espírito Santo, altar da Eucaristia e alvo do sorriso de Maria.
Somos romeiros encantados pelo brilho da vossa glória, e encontrando-vos aqui, de repente, reconhecemo-vos, humildemente, no termo esplendoroso de vossa carreira. Quiséramos outrossim achar na Santa, cumulada hoje de honras e de vivas, a pobre rapariguinha que todos aqui neste mundo conheceram.
Tencionamos seguir vossos passos desde o tempo em que, pastorinha de oito anos, conduzíeis os cordeirinhos pelas encostas relvosas de algum morro dos Pireneus, até o dia em que, consumida pelo mal arcano, aparentemente apanágio das almas de escol, fostes morrendo aos poucos na poltrona da enfermaria, curtindo alegre aquele misterioso definhar das jovens religiosas predestinadas, sob o meigo
olhar de uma Virgem de gesso.
Desejamos palmilhar piedosamente todas vossas etapas e, mais que tudo, conhecer bem vossa alma, pois somos pobres seres humanos, muito ávidos de saberem tudo o que é do homem, e principalmente de conhecerem aqueles jorras de luz que às veles a criatura projeta ao entrar em contacto com seu Deus.
Santa Bemadette Soubirous, tomai-nos pela mão. Amém.