31 de julho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 538

O PODER DE UM OLHAR

Faz bem anos que se deu este caso. Pregava-se uma Missão popular numa cidadezinha do interior. Um ferreiro, vizinho da igreja, quando o missionário começava a pregar, começava ele também a malhar com toda a força na bigorna. Deixava para aquelas horas os trabalhos mais rumorosos e zombava da Missão.
Um dia o Crucifixo, erguido num estrado, desprendeu-se da cruz, da qual escapara um cravo. O missionário, obedecendo a uma inspiração interior, tomou consigo a cruz e o Crucifixo e, entrando na oficina do ferreiro, falou-lhe assim:
 — Ouvi dizer que o senhor é valente na arte e um ótimo ferreiro. Veja aqui o que aconteceu... quem sabe o sr. seria capaz de consertar este Crucifixo pelo qual tenho grande afeição.
Aquele incrédulo, quando viu o padre entrar em sua oficina, franziu com raiva a testa e estava a ponto de tocá-lo para fora. Contudo, tomando nas mãos o Crucifixo, disse:
— Tudo se pode arranjar... vamos ver.
Então o missionário, empregando afabilidade, acrescentou:
— Muito bem; aqui lhe deixo o meu Crucifixo e, quando o senhor tiver consertado, tenha a bondade de mo entregar na sacristia, onde gratificarei o seu trabalho.
Naquele dia e na manhã seguinte, nem o rumor do malho, nem os gritos do ferreiro perturbavam a palavra do pregador; ao contrário, à tardinha, foi visto o ferreiro entrar na igreja às furtadelas e ajoelhar-se para rezar. Eis que, terminado o sermão, quando o missionário pôs o pé na sacristia, chega-se a ele o ferreiro e diz:
— Padre, aqui está o seu Crucifixo; como recompensa, peço-lhe que me ouça de confissão.
É impossível descrever a caridade e as bondosas palavras com que o padre acolheu aquela ovelha desgarrada, que humildemente voltava ao rebanho de Jesus Cristo.

30 de julho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 537

UMA HÓSTIA SACERDOTAL

No seu áureo livrinho “Hóstias Sacerdotais” escreve o P. Leblanc:
“Encontrava-me num Sanatório, quando um jovem sacerdote, dirigindo-se a mim, disse:
— Padre, peço-lhe o favor de ir ao quarto número 12, onde se acha minha irmã tuberculosa. Está desenganada, mas não quer conformar-se com o pensamento da morte. O sr. poderia fazer-lhe algum bem; vá visitá-la e diga-lhe que foi a meu pedido.
Pouco depois entrava eu no quarto da doentinha. Admirou-se da minha visita, e parece que lhe desagradava, pois quando me viu entrar, gritou:
— Padre, não me faleis da morte.
Tal acolhimento era pouco encorajador. Deixei que falasse. Explicou-me, chorando, as razões por que não queria morrer e acrescentou:
— Dizei-me que não morro; não quero morrer! Quero sarar; dizei-me que hei de sarar!
Disse-lhe então:
— Espero que hás de recuperar a saúde, e vou rezar nessa intenção; o mais importante, porém, é que santifiques os teus sofrimentos. Se quiseres, propor-te-ei uma intenção.
— Dizei que intenso é — respondeu friamente; — mas isso não mudará nada, eu não quero morrer, sou muito moça.
— Foi teu irmão, o Padre N., quem pediu que te visitasse. Oh! quanto és feliz de ter um irmão sacerdote! Feliz seria também ele se tu, sua irmãzinha, quisesse oferecer teus sofrimentos pelo bom êxito do seu ministério sacerdotal. Quanto mais tu fores hóstia, tanto mais ele será sacerdote.
— É verdade, Padre? — perguntou-me com leve sorriso! Recolheu-se um momento interiormente, depois disse: — Vou. experimentar. Dou-vos a minha palavra e não a retirarei; mas não digas nada a meu irmão.
A causa estava ganha. Dias depois, a doentinha voltava para sua casa, onde viria a morrer como uma santinha. Durante seis longos meses, ainda que sofresse atrozmente, a sua paciência, a sua resignação, o seu abandono nas mãos de Deus jamais se desmentiram. Falava da morte como se fala de uma festa. A morte, que antes tanto temia, agora ela a desejava. Estava ansiada por fazer o sacrifício de sua vida em favor do irmão.
— Padre — disse-me um dia — a intenção que me propuseste foi para mim uma revelação. Sem ela eu teria amaldiçoado os meus sofrimentos e morreria desesperada.
Poucos dias antes da morte dizia a seu irmão:
— Como sou feliz de morrer! Podes estar certo que, no Céu, serei a tua Teresinha.

29 de julho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 536

QUERO TER TAMBÉM O MEU PADRE

Um domingo, quando o pároco explicou o evangelho e disse que o número de sacerdotes estava diminuindo muito, e que isso era muito triste, uma velha empregada dizia consigo: “Que poderei fazer para que haja mais padres, eu que sou uma pobre empregada? Vou rezar, para que o divino Espírito Santo acenda nos corações das mães cristãs o desejo de consagrarem os filhos a Deus”. Contudo, aquele propósito, embora nobre e santo, não a satisfazia, porque o pároco dissera também que “em nossos dias não basta rezar, mas é preciso agir”.
“Meu Deus, dizia ela, que quereis pois que eu faça?”
De súbito ocorreu-lhe à mente uma ideia, uma ideia nova e quase desconhecida até então: “Se pudesse ajuntar tanto dinheiro que bastasse para preparar um jovem ao sacerdócio?”
Este pensamento a afligia e alegrava ao mesmo tempo. Pobre senhora! Para viver tinha apenas uma pequena renda deixada por seus patrões e para trabalhar suas mãos estavam quase entorpecidas. “Não importa, disse consigo; farei economias... trabalharei mais...” Economia, quando se tem apenas para viver? trabalhar mais aos 60 anos?... E todavia estava decidida a dar a Deus um padre.
“Um padre! — repetia — serei feliz quando tiver um padre, que eu formei; um padre que rezará a Deus por mim, que salvará almas por mim. Meus Deus, não me deixeis morrer sem vos ter dado um padre”.
E foi economizando até ajuntar uma bela soma. Foi ter com o pároco e disse-lhe:
— Sr. pároco, quero realizar o meu velho sonho: ter o meu padre. O sr. procure um rapaz bom, inteligente e piedoso, que tenha vontade de estudar e ser padre. Eis uma pequena soma para os primeiros anos de Seminário; se Deus me der vida e forças, continuarei a trabalhar e economizar...
O pároco, muito edificado, dizia:
— Obrigado, alma generosa; Deus te recompensará.
E a velha deixava a casa paroquial repetindo com alegria:
“Também eu terei o meu Padre... também eu terei o meu Padre!”

28 de julho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 535

SOU EU, O CARDEAL CULLEN!...

Era uma noite escura, tempestuosa, e chovia, quando um sacerdote foi chamado para atender a um moribundo num albergue, em Dublin, na Irlanda. Logo que o portador deu o recado, o padre dirigiu-se ao albergue, visitou o doente e administrou-lhe os Sacramentos.
Quando o padre saiu do quarto do doente, o dono do albergue (um protestante) convidou-o a tomar alguma coisa e, com o propósito de ganhá-lo para a seita, disse:
— Imagine, Padre, que orgulhosos são estes bispos e cardeais e como vivem luxuosamente; estou certo de que o cardeal mandou que o senhor fizesse esse longo trajeto debaixo de chuva, enquanto ele está sentado comodamente junto à estufa bebendo ponche.
— O senhor — disse o Padre — tem opinião falsa a respeito do Cardeal, que nunca faz coisa semelhante.
— E como o senhor sabe disso? — perguntou o albergueiro.
— Da melhor fonte — respondeu o Padre — o senhor ainda não perguntou pelo meu nome.
— E qual é o seu nome? — perguntou então o protestante.
— Cullen — disse o Padre, — eu sou o Cardeal Cullen.
O albergueiro põe-se em pé e diz:
— Perdão, Eminência, eu não o sabia; posso mandar preparar-lhe um carro?
— Não, sr., — respondeu o Cardeal; — volto como vim, pois já estou acostumado — e partiu.
Passados alguns dias, fez o albergueiro uma visita a Sua Eminência e manifestou-lhe o desejo de ser instruído na doutrina católica. O Cardeal indicou-lhe um sacerdote, a quem devia dirigir-se. Em pouco tempo, o albergueiro abjurou o protestantismo e fez-se católico.

AVISO - MISSAS

Prezados Leitores, Salve Maria!

Em função da peregrinação dos padres do Instituto do Bom Pastor - IBP para Aparecida, não serão celebradas as missas de hoje (27/07/18) às 19:00 horas e amanhã (28/07/18) às 09:00 horas. No domingo a missa será celebrada normalmente.

Atenciosamente
Blog São Pio V

27 de julho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 534

QUANTO VALE UM PADRE

Nos arredores de um hospital de Roma, repleto de feridos transportados dos campos de batalha, prestavam seus serviços como enfermeiras algumas senhoras da Cruz Vermelha. Entre elas havia uma moça de seus dezoito anos, protestante. Duas solteironas sem consciência a haviam recolhido, quando criança e, com a maior perfídia, lhe haviam roubado a fé do seu Batismo, educando-a no ódio contra a Igreja Católica. Apenas deixara aquele ímpio colégio, fizeram-na enfermeira no meio dos soldados. Ali está ela, correndo de um leito para outro, procurando algum conforto aos pobres feridos. De repente chega aos seus ouvidos uma voz muito fraca:
— Senhorita, faça o favor de chamar-me um Padre.
Era um pobre soldado agonizante. Ela fingiu não entender. Depois de alguns minutos, novamente a mesma voz:
— Senhorita, disse-lhe que me chame um Padre, por favor.
Enfastiada, a moça respondeu:
— Mas de que lhe vai servir um Padre?
Então o soldado, fixando-a com olhos amortecidos, nos quais se notava um quê de altivez e severidade, disse:
— Senhorita, quando a senhora estiver em seu leito de morte, compreenderá o que vale um Padre!
A essa palavra a moça apressou-se a chamar, o sacerdote e, depois, pondo-se a refletir, ajudada pela graça, voltou a fé católica, que era a de seus maiores.
O Sacerdote, na hora suprema, é o único e verdadeiro consolador.

26 de julho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 533

A VOZ DA INOCÊNCIA

Numa igreja paroquial está se organizando a procissão de Sexta-feira Santa. Ao redor da Cruz, que será levada em procissão, agrupa-se uma multidão de fiéis. Junto a um altar lateral encontra-se um sacerdote.
Pouco distante dele, um menininho de três anos, mais ou menos, com uma das mãozinhas agarra-se a roupa do papai e, com a outra segura um buquêzinho de violetas. Graciosos cachos de cabelos louros emolduram seu rosto rechonchudo e sorridente; e os dois olhos, nos quais se nota um raio de inocência e precoce inteligência, estão fixos na Cruz.
Ele trouxe as violetas para Jesus Crucificado e está ansiado por ir depositá-las aos pés dele; mas... a multidão é tão grande. .. é impossível aproximar-se da Cruz.
Eis senão quando, vê o sacerdote junto ali do altar; imediatamente, puxando o papai pelo paletó e mostrando-lhe o sacerdote, diz: “Papai, olhe ali um padre; vou dar-lhe as violetas: não será a mesma coisa?”
E sem esperar resposta, oferece com rápido gesto o ramalhetezinho ao sacerdote.
Caro menino, não imaginas quão grande, quão bela e quão verdadeira é a palavra que acabas de dizer! Sim, o que se faz a um sacerdote é o mesmo que fazê-lo a Jesus.
Quem te ensinou isso?... Os teus bons pais?... O teu Anjo da Guarda?... Oxalá, quando fores grande, possas compreender e amar esta verdade! Oxalá tenhas tamanha fé que vejas sempre e unicamente Jesus no sacerdote!

25 de julho de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 532

VEDE SE NÃO É SUBLIME...

É recente este episódio que lemos no periódico “Gioventú Nuova”. Um aluno de escola primária, atacado de repentina infecção, é transportado com urgência a uma clínica. O caso é desesperador. O pai, um homem anti religioso, acompanhou-o à sala de operação com o coração despedaçado.
O cirurgião, antes de proceder à dolorosa operação, convida brandamente o pequeno a estender a mãozinha direita,que está fortemente cerrada e parece ocultar qualquer coisa preciosa. São inúteis as insistências do médico e do pai. O menino não fala, mas não abre a mãozinha. Entretanto, sob a ação do clorofórmio, a mãozinha abre-se por si mesma e aparece um papelzinho dobrado. O pai toma-o agitado, lê... sob violenta comoção.
Aquele anjo escrevera: “Adorado Jesus, ofereço-vos os meus sofrimentos e, se necessário for, a minha vida pela conversão de papai”.
Durante a operação o menino sucumbe. Sua alma, radiante de glória, certamente voa para o coro dos anjos, enquanto o pai, vencido pela graça, inclina-se soluçando sobre o seu pequeno mártir.
Quem teria guiado a mãozinha daquele inocente ao redigir aquela fervorosa oraçãozinha? Certamente Jesus Eucarístico, que o pequeno recebia fervorosamente todas as manhãs.