14 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

XII
 Jesus morre na cruz
 «E clamando com voz possante disse: Pai, em tuas mãos entrego a minha alma. E, ditas estas palavras, expirou». Depois de três horas de indizível sofrimento, Jesus morre. «Está consumada a única oblação digna de Deus: Una enim oblatione consummavit in sempiternum sanctificatos.
 Jesus Cristo tinha prometido que, «quando fosse levantado na cruz, tudo atrairia a Si": Et ego si exaltatus fuero a terra omía traham ad meipsum. Nós pertencemos-Lhe por duplo título: como criaturas por Ele e para Ele tiradas do nada, como almas «resgatadas pelo Seu sangue» precioso: Redimisti nos, Domine in sanguine tuo. Uma única gota do sangue de Jesus, Homem Deus, bastaria para nos salvar, pois tudo n'Ele tem valor infinito; todavia, além de outras razões, quis derramar o Seu sangue até à última gota, deixando que Lhe abrissem o Coração Sagrado, para nos manifestar a extensão do Seu amor. E foi por todos nós que o derramou; todos podem repetir, com toda a verdade, a palavra candente de S. Paulo; «Amou-me e entregou -se por amor de mim».
 Peçamos-Lhe que nos atraia ao Seu Coração Sagrado pela virtude da Sua morte na cruz;
 peçamos-Lhe a graça de «morrer para o nosso amor próprio, para as nossas vontades próprias, fonte de tantas infidelidades e pecados, e viver para Aquele que morreu por nós». Visto que é à Sua morte que devemos a vida das nossas almas, não será justo que vivamos só para Ele? Ut et qui vivunt jam non sibi vivant, sed ei qui pro ipsis mortuus est.
 Pai, glorificai o Vosso Filho suspenso do patíbulo. «Já que Ele se humilhou até à morte e morte da cruz, exaltai-O; exaltado seja o nome que Lhe destes; que se dobre todo o joelho diante d'Ele; que toda a língua confesse que o Vosso Filho Jesus vive doravante na Vossa eterna glória» !


 XIII
O corpo de Jesus é descido da cruz e deposto no regaço de Sua Mãe
 É entregue a Maria o corpo dilacerado de Jesus.
 Não podemos imaginar a dor da Virgem naquele momento. Nunca houve mãe alguma que mais amasse o seu filho como Maria amou Jesus; o seu coração materno fora formado pelo Espírito Santo para amar a um Homem Deus. Jamais coração humano pulsou com mais ternura para com o Verbo Incarnado do que o de Maria; ela era cheia de graça e o seu amor não encontrava obstáculo ao seu pleno desabrochar.
 Depois, devia tudo a Jesus: a sua Imaculada Conceição, os privilégios que fazem dela criatura sem par, foram-lhe concedidos em previsão da morte do seu Filho. Que dor inexprimível não foi a dela, quando recebeu em seus braços o corpo ensanguentado de Jesus!
 Lancemo-nos a seus pés, pedindo-lhe perdão dos nossos pecados, que foram causa de tanto sofrimento. «Ó Mãe, fonte de amor, fazei-me compreender a intensidade da vossa dor, para compartilhar da vossa aflição: fazei que o meu coração se abrase de amor a Jesus Cristo, meu Deus, para que só pense em Lhe agradar.


 XIV
Jesus deposto no sepulcro
 «José de Arimateia, depois de descer da cruz o corpo de Jesus, envolveu-o num lençol e depô-lo num sepulcro, cavado na rocha, no qual ninguém ainda tinha sido sepultado.
 Dizia S. Paulo que Jesus Cristo devia ser «em tudo semelhante a nós». Até na sepultura Jesus é um dos nossos. «Enterraram-no, diz S. João, à moda dos judeus, envolto em panos e aromas». Mas o corpo de Jesus, unido ao Verbo, «não devia estar sujeito à corrupção». Ficará no túmulo apenas três dias; por Sua própria virtude, dele sairá vencedor da morte, resplandecente de vida e de glória, e «a morte não mais terá império sobre Ele».
 O Apóstolo diz-nos ainda que, «pelo Batismo, fomos sepultados com Jesus Cristo para morrer para o pecado»: Consepulti enim sumus cum illo per baptismum in mortem. As águas do Batismo são como que um sepulcro onde devemos deixar o pecado e donde saímos animados duma vida nova, da vida da graça. A virtude sacramental do Batismo dura sempre. Unindo-nos, pela fé e pelo amor, a Jesus Cristo deposto no túmulo, renovamos a graça de «morrer para o pecado, a fim de vivermos só para Deus".
 Senhor Jesus, fazei que eu enterre no Vosso túmulo todos os meus pecados, todas as minhas faltas e infidelidades. Pela virtude da Vossa morte e sepultura, fazei que eu renuncie cada vez mais a tudo o que me afasta de Vós, a Satanás, às máximas do mundo, ao meu amor próprio. Pela virtude da Vossa Ressurreição, dai-me a graça de viver, como Vós, unicamente para a glória do Vosso Pai!

13 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

IX
 Jesus cai pela terceira vez
Referindo-se a Jesus Cristo, dizia Isaías: «Deus quis, durante a Paixão, esmagá-lo pelo sofrimento»: Dominus voluit conterere eum in infirmitate. Jesus é esmagado pela justiça. Nunca poderemos, nem sequer no céu, calcular o que foi para Jesus ser exposto aos dardos da justiça divina. Nenhuma criatura, nem mesmo os réprobos, suportou o peso dessa justiça em toda a sua plenitude. Mas a santa Humanidade de Jesus, unida a essa justiça divina por um contacto imediato, suportou toda a força e rigor dela. Por isso, Vítima, como foi, entregue, por amor, a todos os seus golpes, é esmagada pelo peso dessa justiça santa.
 Ó Jesus, ensinai-me a detestar o pecado, que obriga a justiça a exigir de Vós semelhante expiação! F'azei que eu una aos Vossos todos os meus sofrimentos, para por eles poder apagar os meus pecados e satisfazer por eles já neste mundo.


X
.Jesus despojado dos seus vestidos
 «Repartiram entre si as minhas vestes e tiraram à sorte a minha túnica". É profecia do Salmista. Jesus é despojado de tudo e, posto na nudez da mais absoluta pobreza, nem sequer dispõe das Suas vestes, pois, logo que esteja pregado na cruz, os soldados vão-nas distribuir entre si a sortear a túnica. Jesus, por um movimento do Espírito Santo - Per Spiritum sanctum semetípsum obtulit Deo -, abandona-se aos algozes, como Vítima pelos nossos pecados.
 Nada há que mais glória dê a Deus nem mais útil seja para as nossas almas, do que unir o oferecimento absoluto e sem condições de nós mesmos ao que fez Jesus no momento em que se abandonava aos carrascos para ser despido das Suas vestes e pregado na cruz, «a fim de nos dar, pela Sua desnudez, as riquezas da Sua graça». Este oferecimento de nós mesmos é um verdadeiro sacrifício; esta imolação à vontade divina é a essência de toda a vida espiritual. Mas, para que tenha todo o seu valor, devemos uni-la à de Jesus, pois "foi por esta oblação que nos santificou a todos»: In qua voluntates anctificati sumus.
 Ó Jesus, recebei a oblação que Vos faço de todo o meu ser, uni-a à que fizestes Vós ao Pai celeste, logo que chegastes ao Calvário; despojai-me de todo o apego à criatura e a mim mesmo!


 XI
Jesus pregado na cruz
 «Crucificaram-No, e com Ele mais dois, um de cada lado, e Jesus no meio». Jesus entrega-se aos algozes «como um cordeiro, sem abrir a boca». É impossível exprimir a tortura desta crucifixão de mãos e pés. Quem poderia sobretudo dizer os sentimentos do Coração Sagrado de Jesus no meio daquele martírio. Devia repetir as palavras que dissera ao entrar neste mundo: «Pai, já não queres sacrifícios de animais; são insuficientes para reconhecer a tua santidade... Deste-me, porém, um corpo». Corpus autem aptasti mihí. "Eis-me aqui» Jesus vê continuamente a face do Pai e, com sentimentos de incomensurável amor, entrega o Seu corpo para reparar os insultos feitos à eterna majestade. Crucificam-No entre dois ladrões. Factus obediens usque ad mortem. E que morte? A morte da cruz: Mortem autem crucis. Porquê? Porque está escrito: «Maldito seja aquele que for suspenso do patíbulo». Quis ser posto "no rol dos celerados", a fim de reconhecer os direi­tos soberanos da santidade divina.
 Entrega-se também por nosso amor. Como Deus que era, via-nos a todos naquele momento. Ofereceu-se para nos resgatar, porque foi a Ele, Pontífice e Mediador, que o Pai nos entregou: Quia tui sunt. Que revelação do amor de Jesus para conosco! Majorem hac dilectionem nemo habet ut animam Suam ponat quis pro amicís suis. Não podia ter feito mais: In finem dilexit. E este amor é também o amor do Pai e do Espírito Santo, pois são um só.
 Ó Jesus que, «obedecendo à vontade do Pai e com a cooperação do Espírito Santo, destes a vida ao mundo com a Vossa morte, livrai-me, pelo Vosso santíssimo corpo e sangue, de todas as minhas iniquidades e de todos os meus males; fazei-me aderir inviolavelmente à Vossa lei e não permitais que jamais me separe de Vós". 

12 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

VI
Uma mulher limpa o rosto de Jesus
 A tradição conta que uma mulher movida de compaixão se aproximou de Jesus e Lhe estendeu um
lenço para enxugar o Seu rosto adorável. 
Isaías predissera de Jesus padecente que «chegaria a não ter forma nem beleza e se tornaria irreconhecível: Non est species ei, neque decor, nec reputavimus eum. O Evangelho diz-nos que os soldados Lhe davam insolentes bofetadas e Lhe cuspiam no rosto; a coroação de espinhos fizera.-·lhe correr o sangue pelas faces sagradas. Jesus Cristo quis sofrer tudo aquilo par a expiação dos nossos pecados; "quis curar-nos com as contusões» recebidas em Sua face divina.: Livore ejus sanati sumas. Como nosso irmão mais velho, substitui-nos na Sua Paixão para nos restituir a graça que faz de nós filhos do Seu Pai. "Devemos ser semelhantes a Ele, pois é essa a verdadeira forma da nossa predestinação» ; Conformes fieri imaginis Filii sui. Como? Embora desfigurado pelos nossos pecados, Jesus Cristo continua a ser, na Paixão, o Filho querido, objeto de todas as complacências do Pai. Somos semelhantes a Ele, se conservarmos a graça santificante, que é o princípio da nossa semelhança divina. Somos ainda semelhantes a Ele, se praticarmos as virtudes de que dá provas durante a Paixão, se participarmos do amor que dedica ao Pai e às almas, da Sua paciência, força, mansidão e doçura. 
O Pai celeste. em paga dos maus tratos que Vosso Filho Jesus quis sofrer por nosso amor.
 glorificai-O, exaltai-O, dai-Lhe aquele esplendor que mereceu, quando o Seu rosto adorável foi desfigurado para nossa salvação. 



 VII.

 Jesus cai pela segunda vez
 Consideremos o nosso divino Salvador caído mais uma vez sob o peso da Cruz. «Deus colocou sobre os Seus ombros todos os pecados do mundo: Posuit Dominus in eo iniquitatem omnium nostrum. São os nossos pecados que O esmagam. Vê-os todos no seu conjunto e nas suas particularidades;
 aceita-os como Seus a ponto de parecer, como diz S. Paulo um pecado vivo : Pro nobis peccatum fecit. Como Verbo eterno, Jesus é todo-poderoso; mas quer sentir toda a fraqueza da humanidade esmagada. Esta fraqueza inteiramente voluntária honra a justiça do Pai e merece-nos a força.
 Não esqueçamos nunca as nossas enfermidades; não deixemos o orgulho apossar-se de nós. Por maiores progressos que pensemos ter feito, continuamos sempre fracos para levar a nossa cruz em seguimento de Jesus: Sine me nihil potestis facere. Só a virtude divina que vem dela será a nossa força: Omnia possum in co qui me confortat. Esta força, porém, não nos é concedida, se a não pedirmos com instância. 
Ó Jesus, que por meu amor Vos tornastes fraco, esmagado sob o peso dos meus pecados, dai-me a Vossa força para Vós serdes glorificado pelas minhas obras! 



VIII
Jesus fala às mulheres de Jerusalém
«Grande multidão de povo e de mulheres seguiam a Jesus batendo no peito e lastimando-O. Voltando-se para elas, disse Jesus: "Filhas de Jerusalém não choreis por mim, mas por vós mesmas e por vossos filhos, pois dias virão em que hão de dizer: Bem aventuradas aquelas que foram estéreis... E os homens clamarão às montanhas: caí sobre nós... Porque se a lenha verde é tratada deste modo. o que será da seca? »
 Jesus conhece as inefáveis exigências da justiça e santidade do Pai. Lembra às filhas de Jerusalém que essa justiça e santidade são perfeições adoráveis do Ser divino. Quanto a Ele, é um "Pontífice santo, inocente, puro, separado dos pecadores» ; apenas os substitui a eles. No entanto, vede com que rigor a justiça divina O castiga! Se esta justiça reclama d'Ele tão rigorosa expiação, com que rigor não castigará os culpados que obstinadamente. até ao último dia, tiverem recusado unir a sua parte de expiação aos sofrimentos de Jesus Cristo? Horrendum est incidere in rnanus Dei viventis. Naquele dia será tão profunda a confusão de orgulho humano, tão terrível o suplício daqueles que não tiverem querido a Deus, que esses desgraçados, repelidos para sempre para longe de Deus, rangerão os dentes de desespero; pedirão "às colinas que os cubram», como se estas pudessem defendê-los dos dardos inflamados duma justiça cuja absoluta equidade reconhecem com evidência.
 Imploremos a misericórdia de Jesus para o dia terrível em que há  de vir, não já como Vítima, vergada sob o peso dos nossos pecados, mas como juiz soberano "a quem o Pai entregou todo o poder».
 Ó meu Jesus, tende compaixão de mim ! Vós, que sois a videira, fazei que eu permaneça unido a Vós pela graça e boas obras para produzir frutos dignos de Vós. Que eu não venha a ser, por meus pecados, "um ramo morto, que só serve para ser arrancado e lançado ao logo».

11 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

III
 Jesus cai pela primeira vez

«Será um homem de dores e conhecerá a fraqueza»: Vir dolorum sciens infirmitatem. Esta profecia de Isaías cumpriu-se à risca. Jesus, exausto pelos sofrimentos da alma e do corpo, sucumbe sob o peso da cruz. A omnipotência cai de fraqueza. Esta fraqueza de Jesus honra o seu poder divino. Por ela, satisfaz pelos nossos pecados, repara as revoltas do nosso orgulho e "levanta o mundo, incapaz de se salvar»: Deus qui in Fillii tui humilitate jacentem mundum erexisti ... Além disso, naquele momento merecia-nos a graça de nos humilharmos pelos nossos pecados, de reconhecermos as nossas faltas, de as confessarmos sinceramente; merecia-nos a graça da força que sustenta a nossa fraqueza.
 Com Jesus Cristo, prostrado diante do Pai, detestemos as exaltações da nossa vaidade e ambição; reconheçamos a extensão da nossa fraqueza. Deus abate os soberbos; a humilde confissão da nossa fraqueza atrai a Sua misericórdia: Quomodo miseretur pater filiorum ... quoniam ipse cognovit figmentum nostrum. Nos momentos em que nos sentirmos fracos diante da cruz, da tentação, do cumprimento da vontade divina, imploremos a misericórdia de Deus: Miserere mei, Domine, quoniam infirmus sum. Proclamemos humildemente as nossas enfermidades, e então brilhará em nós o triunfo da graça, só a qual nos poderá salvar: Virtus in infirmitate perficitur.
 Ó Jesus, caído sob o peso da cruz, eu Vos adoro. «Força de Deus», mostrais-Vos acabrunhado de fraqueza para nos ensinardes a humildade e confundirdes o nosso orgulho. "Ó Pontífice, cheio de santidade, que quisestes passar pelos nossos sofrimentos para Vos tornardes semelhante a nós e compartilhardes das nossas enfermidades, não me abandoneis a mim mesmo, pois de mim não sou mais que fraqueza: «que habite em mim a Vossa força», para não sucumbir à tentação: Ut inhabitet in me virtus Christi. 


IV
 Encontro de Jesus com Sua Mãe

 Chegou para a Virgem Maria o dia em que se vai realizar completamente a profecia de Simeão: «Uma espada de dor atravessará a tua alma». Assim como se unira a Jesus, oferecendo-O outrora no templo, assim também quer agora mais do que nunca unir-se aos Seus sentimentos, partilhar dos Seus sofrimentos, nesta hora em que Jesus vai consumar o Seu sacrifício. Dirige-se para o Calvário, onde sabe que seu Filho vai ser crucificado. Pelo caminho, encontra-se com Ele. Que dor imensa ao vê- Lo em tão doloroso estado! Trocam-se os olhares, e o abismo de sofrimentos de Jesus atrai o abismo da compaixão da Sua Mãe. Que não faria ela por Ele?
 Este encontro foi ao mesmo tempo fonte de dor e princípio de alegria para Jesus. Dor, por ver a profunda desolação em que o Seu estado ia mergulhar a alma de Sua Mãe; alegria, pelo pensamento de que os Seus sofrimentos iam satisfazer o preço de todos os privilégios de que ela era e devia ser cumulada.
 Jesus quase nem se detém. Tinha um Coração o mais terno possível. Junto ao túmulo de Lázaro verteu lágrimas; chorou as desgraças de Jerusalém. Nunca filho algum amou tanto sua mãe; quando a encontrou tão desolada, a caminho do Calvário, sentiu, sem dúvida, comoverem-se todas as fibras do Seu Coração. E, no entanto, segue para a frente, continua o Seu caminho para o lugar do suplício, porque é essa a vontade do Pai. Maria associa-se àqueles sentimentos, sabe que tudo se deve cumprir para nossa salvação; compartilha dos sofrimentos de Jesus, acompanha-O até ao Gólgota, onde se tornará corredentora.
 Nada humano deve reter a nossa ascensão para Deus; nenhum amor natural deve embaraçar o nosso amor a Cristo; devemos continuar para a frente, para nos conservarmos unidos a Ele.
 Peçamos à Santíssima Virgem que nos associe à contemplação dos sofrimentos de Jesus e nos faça participar da compaixão que Lhe testemunhou, para assim concebermos ódio ao pecado que exigiu semelhante expiação. Quis Deus muitas vezes, para manifestar sensivelmente o fruto que produz a contemplação da Paixão, imprimir no corpo de alguns santos, como S. Francisco de Assis, os estigmas das chagas de Jesus ... Não devemos desejar estes sinais exteriores, mas devemos pedir que a imagem de Jesus crucificado se imprima em nossos corações. Peçamos à Santíssima Virgem esta preciosa graça: Sancta mater istud agas, crucifixi fige plagas cordi meo valide. 
Ó Mãe,"eis o vosso Filho»; pelo amor que Lhe dedicais, fazei com que a lembrança dos Seus sofrimentos nos acompanhe por toda a parte. É em nome d'Ele que vo-lo pedimos. Não no-lo podeis recusar; seria recusá-lo a Ele próprio, pois somos seus membros. Ó Jesus, eis a Vossa Mãe; por amor dela, concedei-nos a graça de nos unirmos aos vossos sofrimentos,  para nos tornarmos semelhantes a Vós. 

V
 Jesus ajudado pelo Cireneu a levar a cruz

 «Ao saírem encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, ao qual obrigaram a levar a cruz de Jesus». Jesus está exausto; conquanto seja o Todo Poderoso, quer que a Sua santa Humanidade, carregada com todos os pecados do mundo, sinta o peso da justiça e da expiação. Mas quer que O ajudemos a levar a cruz. Simão representa-nos a todos, e é a todos nós que Jesus Cristo pede que compartilhemos dos Seus sofrimentos. Só assim seremos Seus discípulos. "Se alguém quiser vir após mim, tome a sua cruz e siga-me». O Pai decretou que uma parte das dores fosse deixada ao corpo místico de Seu Filho, que uma parte da satisfação fosse suportada pelos seus membros: Adímpleo ea quae desunt passionum Christi in carne mea pro corpore ejus, quod est Eclesia. Jesus assim o quer, e foi par  manifestar este decreto divino que aceitou a ajuda de Simão.
 Mas ao mesmo tempo mereceu-nos a graça da fortaleza para suportarmos generosamente as provações; comunicou à Sua cruz o lenitivo que torna tolerável a nossa; porque, levando a nossa cruz, é bem a d"Ele que aceitamos. Une os nossos sofrimentos aos Seus e, por esta união, confere-lhes um valor inestimável, fonte de grandes merecimentos. «Assim como a minha Divindade, dizia Nosso Senhor a Santa Matilde, atraiu a Si os sofrimentos da minha Humanidade, fazendo-os Seus (é o dote da esposa), assim Eu transportarei as tuas dores para a minha Divindade, uni-las-ei à minha Paixão e far-te-ei participar daquela glória que o meu Pai conferiu à minha santa Humanidade por todos os Seus sofrimentos.
 É o que S. Paulo nos dá a entender na sua carta aos Hebreus, com o fim de nos animar a tudo suportarmos por amor de Cristo: "Sigamos com perseverança a carreira que nos está aberta, com os olhos fixos em Jesus, o mais perfeito guia da fé. Em lugar da alegria que Lhe era oferecida, desprezando a ignomínia, aceitou a cruz e, desde então, mereceu sentar-se à direita do trono de Deus. Considerai Aquele que sofreu em Sua pessoa tão grande contradição da parte dos pecadores a fim de vos não deixardes sucumbir de desânimo».
 Meu Jesus, aceito os bocadinhos que da Vossa cruz tirais para mim. Aceito todas as contrariedades, contradições, sofrimentos, dores que permitis ou me enviais; aceito-os como parte de expiação. Uni este pouco que faço aos Vossos indizíveis sofrimentos, pois é deles que os meus tirarão todo o seu merecimento. 

10 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

I
Jesus condenado à morte

 «Jesus está de pé diante do governador romano»: Stetit ante praesidem. Está de pé, porque, como segundo Adão, é o chefe de toda a raça que vai resgatar com a Sua imolação. O primeiro Adão «merecera a morte pelo Seu pecado»: Stípendia enim peccatí mors. Jesus, inocente, carregado com os pecados dos homens, tem de os expiar pelo Seu sacrifício cruento. Os príncipes dos Sacerdotes, os fariseus, o Seu próprio povo «rodeiam-no como touros furiosos». Os nossos pecados clamam e exigem tumultuosamente a morte do Justo: Tolle, tolle, crucifige eum! O covarde governador romano «entrega-lhes a Vítima, para ser pregada na cruz»: Tradidit eis illum ut crucifigeretur.
 Que faz Jesus? Se está de pé por ser o nosso chefe, se, como diz S. Paulo, «dá testemunho» da verdade da Sua doutrina, da Divindade da Sua pessoa e da Sua missão, no entanto, interiormente curva-se diante da sentença pronunciada por Pilatos; reconhece nele um poder autêntico: Non haberes potestatem adversun me ullam, nisi tibi datum esset desuper. Neste poder terrestre, indigno mas legítimo, Jesus vê a majestade do Pai. E que faz? «Entrega-se mais do que é entregue»: Tradebat judicanti se injuste. Humilha-se, obedecendo até à morte; aceita voluntariamente por amor de nós, para de novo nos dar a vida, a sentença de condenação: Oblatus est quia ipse voluir. «Assim como a desobediência dum só homem, Adão, arrastou um grande número à perda, assim também a obediência dum só, Jesus Cristo, os estabelecerá na justiça».
 Devemos unir-nos a Jesus na Sua obediência, aceitar tudo o que o nosso Pai dos Céus nos impuser, seja por quem for, por um Herodes ou por um Pilatos, uma vez que a sua autoridade seja legítima. Aceitemos também, desde já, a morte, em expiação dos nossos pecados, com todas as circunstâncias de que aprouver à Providência rodeá-la; aceitemo-la como homenagem prestada à justiça e santidade divinas ultrajadas pelos nossos pecados: unida à de Jesus, tornar-se-á «preciosa aos olhos do Senhor».
 Meu divino Mestre, uno-me ao Vosso Coração Sagrado, na sua completa submissão, no seu inteiro abandono à vontade do Pai. Que a virtude da Vossa graça produza em minha alma esse espírito de submissão que, sem reserva e murmuração, me entregue à vontade do Alto, a tudo o que Vos aprouver enviar-me no momento em que deva deixar este mundo.


 II
 Jesus com a cruz aos ombros

"Pilatos entregou-lhes Jesus para ser crucificado, e eles levaram-no carregado com a Sua cruz»: Bajulans sibi crucem. Jesus tinha praticado um ato de obediência, entregara-se à vontade do Pai; e agora o Pai mostra-Lhe o que Lhe impõe a obediência: a cruz. Aceita-a, como vinda das mãos do Pai, com tudo o que ela encerra de dores e ignomínias. Naquele momento, Jesus aceitava o aumento de sofrimentos que essa pesada cruz vinha trazer aos Seus ombros doridos, as torturas indizíveis que afligiriam os Seus sagrados membros no momento da crucifixão; aceitava os amargos sarcasmos, as odiosas blasfêmias com que os seus piores inimigos, na aparência triunfantes, iam oprimi-Lo, apenas O vissem suspenso do infame patíbulo; aceitava a agonia de três horas, o abandono por parte do Pai ... Jamais poderemos sondar o abismo de aflições a que o nosso divino Salvador se sujeita ao receber a cruz. Naquele momento, Jesus Cristo, que nos representava a todos e ia morrer por nós, aceitava a cruz por todos os Seus membros, por cada um de nós: Vere languores nostros ipse tulit, et dolores nostros ipse portavit. Uniu então todos os sofrimentos do Seu corpo místico aos Seus próprios, comunicando-lhes, nessa ocasião, todo o seu valor e mérito.
 Aceitemos, pois, a nossa cruz, em união com Ele, como Ele, para sermos dignos discípulos deste divino chefe. Aceitemo-la sem discutir, sem murmurar. Por muito pesada que fosse para Jesus a cruz que o Pai Lhe impunha, acaso fez diminuir o Seu amor, a Sua confiança para com Ele? Pelo contrário. "Hei de beber o cálix da amargura que meu Pai me apresenta»: Calicem quem dedit mihi Pater, non bibam illum? Seja assim conosco. «Se alguém quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz e siga-me». Não sejamos daqueles que S. Paulo chama "inimigos da cruz de Cristo". Antes tomemos a nossa cruz, aquela que Deus nos envia. É na aceitação generosa desta cruz que acharemos a paz. Nada dá maior paz à alma que sofre, do que este completo abandono à vontade divina.
 Meu Jesus, aceito todas as cruzes, todas as contradições, todas as adversidades que o Pai me destinou. Que a unção da Vossa graça me dê a força de levar estas cruzes com o mesmo abandono que nos mostrastes ao receber a Vossa por amor de nós. "Que eu não busque a minha glória senão na participação dos Vossos sofrimentos». 

9 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

II

 Façamos agora juntos a Via Sacra. As considerações que vou apresentar-vos em cada estação não têm outro fim (escusado será dizê -lo) senão o de ajudar a meditação. Cada um poderá tirar delas o que lhe convier, variar essas considerações e afetos, conforme as suas aptidões e as necessidades da sua alma. 
Antes de começar, convém lembrar-nos das recomendações de S. Paulo: «Tende em vós os mesmos sentimentos que animavam Jesus Cristo ... Humilhou-se, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz". Quanto mais nos compenetrarmos das disposições que animavam o Coração de Jesus ao percorrer a via dolorosa - amor ao Pai, caridade para com os homens, ódio ao pecado, humildade e obediência - , mais as nossas almas ficarão cheias de graças e de luzes, porque o Pai Eterno verá em nós uma imagem mais perfeita do Seu Divino Filho.
 Meu Jesus, por amor de mim percorrestes este itinerário, com a cruz aos ombros. Quero fazer o mesmo convosco e como Vós; inundai o meu coração dos mesmos sentimentos que transbordavam do Vosso naquelas horas sagradas. Oferecei por mim ao Pai o sangue precioso que então derramastes pela minha salvação e santificação. 

8 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

I

Esta contemplação dos sofrimentos de Jesus é deveras fecunda. Estou convencido que, fora dos sacramentos e dos atos litúrgicos, não há prática mais útil para as nossas almas do que a Via Sacra feita com devoção. A sua eficácia sobrenatural é enorme. E porquê?
 Primeiro, porque a Paixão de Jesus é a Sua obra por excelência; quase todos os seus pormenores foram preditos; não há mistério de Jesus cujas circunstâncias fossem anunciadas com tanto cuidado pelo Salmista e pelos Profetas. E quando lemos no Evangelho a narrativa da Paixão, ficamos impressionados com o cuidado que Jesus Cristo tem em "realizar» o que d'Ele foi anunciado. Se
permite a presença do traidor na Ceia, é "para que se verifique a palavra da Escritura». Aos judeus que vinham para O prender, diz que se entrega "para que se cumpra a Escritura»: Ut adimplerentur Scripturae. Na cruz «ia ser tudo consumado», diz S. João, quando o Salvador se lembra de que o salmista predissera: «Morto de sede, dar-me-ão a beber vinagre». Então, para que esta profecia -apenas de pormenor - se cumprisse também, Jesus exclamou! «Tenho sede»: Postea, sciens Jesus quia omnia consummata sunt, UT consumaretur Sriptura, dixit: Sitio. Nisto, nada há de menos importância, pois, todas estas particularidades marcam os gestos dum Homem Deus.
Todas estas ações de Jesus são objeto das complacências do Pai. O Pai contempla o Filho com amor, não só no Tabor, quando Jesus Cristo está revestido do esplendor da Sua glória, mas também quando Pilatos O apresenta à multidão, coroado de espinhos, feito refugo da humanidade. O Pai envolve o Filho em olhares de infinita complacência, tanto nas ignomínias da Paixão, como nos esplendores da Transfiguração: Hic est Filius meus dilectus, in quo mihi bene complacui. E qual o motivo?
 É que Jesus, durante a Paixão, louva e glorifica o Pai numa medida infinita, não só porque é o Filho de Deus, mas também porque se abandona a tudo o que a justiça e o amor do Pai reclamam d'Ele. Se, no decurso da Sua vida pública, pode dizer que "fazia tudo o que era agradável ao Pai» - Quae placita sunt ei fado semper -, isso é sobretudo verdade naquelas horas em que, para reconhecer os direitos da majestade divina ultrajada pelo pecado e salvar o mundo, se entregou à morte, e morte de cruz: Ut cognoscat mundus quia diligo  Parem. "O Pai ama-O com amor ilimitado, porque dá a vida pelas Suas ovelhas e porque, pelos Seus sofrimentos e satisfações, merece para nós todas as graças que nos dão a amizade do Pai": PROPTEREA me diligit Pater, QUlA ego pono animan meam.
 Devemos ainda meditar a Paixão com amor, porque é nela também que Jesus Cristo faz brilhar as Suas virtudes. Possui em Sua alma todas as virtudes, mas a ocasião de as manifestar é sobretudo a Paixão. O amor imenso para com o Pai, a caridade para com os homens, o ódio ao pecado, o perdão das injúrias, a paciência, a mansidão, a fortaleza, a obediência à autoridade legítima, a compaixão, todas estas virtudes brilham dum modo heroico nesses dias dolorosos.
Quando contemplamos a Jesus na Sua Paixão, vemos o exemplar da nossa vida, o modelo admirável e ao mesmo tempo acessível, das virtudes de compunção, abnegação, paciência, resignação, abandono, caridade, mansidão, que devemos praticar para nos tornarmos semelhantes ao nosso divino Chefe: Si quis vult post me venire, abneget semetipsum, et tollat crucem suam, et sequatur me.
 Há um terceiro aspecto que muitas vezes esquecemos e que no entanto é de enorme importância. Quando contemplamos os sofrimentos de Jesus, Ele dá-nos, na medida da nossa fé, a graça de praticar as virtudes que revelou durante aquelas horas santas. Como assim?
Quando Jesus vivia neste mundo, «da Sua pessoa divina emanava uma força omnipotente que curava os corpos», iluminava as inteligências e vivificava as almas: Virtus de illo exibat, et sanabat omnes.  Algo de análogo se dá, quando nos pomos em contacto com Jesus pela fé. Aqueles que O seguiam com amor a caminho do Calvário ou assistiam à Sua imolação foram certamente concedidas por Jesus Cristo graças especiais. Este poder conserva-o ainda hoje; e, quando, em espírito de fé, a fim de nos unirmos aos Seus sofrimentos e O imitarmos, O seguimos do Pretório até ao Calvário e ali ficamos ao pé da cruz, concede-nos estas mesmas graças, faz-nos participar destes mesmos favores. Nunca esqueçais que Jesus Cristo não é um modelo morto e inerte; pelo contrário, sempre vivo, produz sobrenaturalmente em quem d'Ele se aproxima nas devidas disposições a perfeição que contemplam na Sua pessoa.
Em cada estação, o nosso Divino Salvador apresenta-se a nós com um duplo carácter: de Mediador que nos salva pelos Seus merecimentos; de perfeito modelo de virtudes sublimes; de causa eficiente capaz de produzir em nossas almas, pela Sua omnipotência divina, as virtudes de que nos dá o exemplo.
 Dir-me-eis que todos estes caracteres se encontram em todos os mistérios de Jesus Cristo. É verdade; mas com maior plenitude na Paixão, que é, por excelência, o mistério de Jesus!
 E assim, se todos os dias, durante alguns instantes, suspendendo os vossos trabalhos, abandonando as vossas preocupações, fazendo cessar em vossos corações o ruído das criaturas, acompanhardes o Homem Deus no caminho do Calvário, com fé, humildade e amor, com sincero desejo de imitar as virtudes que manifesta na Sua Paixão, tende a certeza de que as vossas almas receberão graças especialíssimas que as transformarão, pouco a pouco, na imagem de Jesus, e de Jesus crucificado. E não é nesta imagem que S. Paulo resume toda a santidade? Para colher os frutos preciosos desta prática, bem como para ganhar as inúmeras indulgências com que a Igreja a enriqueceu, basta parar em cada estação e meditar a Paixão do Salvador. Nenhuma fórmula especial de oração é necessária, nenhuma forma de meditação nos é imposta, nem sequer a do assunto evocado na «estação.». Cada qual pode à vontade seguir o seu gosto e a inspiração do Espirito Santo.

7 de abril de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

XIV

 SEGUINDO OS PASSOS DE JESUS, DO PRETÓRIO AO CALVÁRIO 

 A PAIXÃO constitui o «santo dos santos» dos mistérios de Jesus. É o termo da Sua vida pública, a culminância da Sua missão neste mundo, obra para a qual todas as outras convergem ou da qual tiram o seu valor e eficácia.
 Todos os anos, na Semana Santa, a Igreja comemora passo a passo as suas diversas fases: todos os dias, no Santo Sacrifício da Missa, renova a sua memória e realidade para nos aplicar os seus frutos. Com este ato capital da Liturgia relaciona-se uma prática de piedade que, sem fazer parte do culto público oficial, organizado pela Esposa de Jesus Cristo, se tornou, em virtude da abundância de graças de que é fonte, muito querida das almas piedosas. É a devoção à Paixão de Jesus, sob a forma muito conhecida da Via Sacra. 
A preparação imediata, feita pelo Salvador para a Sua oblação de Pontífice no Calvário, foi levar a cruz do Pretório até ao Gólgota, vergado ao peso de sofrimentos e opróbrios.
 Com certeza que a Virgem Maria e os primeiros cristãos percorreram piedosamente mais de uma vez este mesmo itinerário, regando de lágrimas os lugares santificados pelos sofrimentos do Homem  Deus.
 Sabeis com que entusiasmo e devoção os fiéis do Oriente, na Idade Média, empreendiam a longa e penosa romagem aos Lugares Santos para venerarem as pegadas ensanguentadas do Salvador; a sua piedade alimentava-se numa fonte fecunda de graças de inestimável valor. De regresso às suas terras, esforçavam-se por conservar carinhosamente a lembrança dos dias passados em Jerusalém na oração. Veio-se assim, sobretudo desde o século XV, a reproduzir mais ou menos por toda a parte os santuários e «estações» da cidade santa. Deste modo, a devoção dos fiéis satisfazia-se com uma peregrinação espiritual, que podia repetir à vontade. Mais tarde, em época relativamente recente, a Igreja enriqueceu esta prática com as mesmas indulgências que ganham aqueles que percorrem as «estações» em Jerusalém.