5 de agosto de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 158

A MISSA DE SÃO CARLOS

A devoção de São Carlos, arcebispo de Milão, pela Eucaristia, quem a poderá exprimir? Passava horas e noites inteiras em adoração aos pés do altar, como um puro espirito, e durante as Quarenta Horas dificilmente se afastava do Santuário.
As velas consumiam-se diante do SS. Sacramento com menos ardor que a sua alma. O incenso elevava-se ao céu com um perfume menos puro que as preces de seu coração. E, quando celebrava o divino Sacrifício, os fiéis julgavam ver um anjo ao altar. Todas as manhãs, antes de celebrar, purificava a sua, consciência, levando as suas menores faltas ao tribunal da penitência.
Uma de suas regras era: guardar absoluto silêncio desde a oração da noite até o fim da ação de graças após a missa. Antes de haver celebrado a santa missa não queria ocupar-se de nenhum negócio. Subir ao altar e distribuir a sagrada comunhão eram as suas delicias, tendo-se imposto muitas vezes grandes sacrifícios para o fazer. Depois de celebrar e fazer a sua ação de graças, o santo deixava a igreja em silencio e voltava para casa todo absorto em Deus.

4 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 10/10


E agora que chegamos ao fim dessa instrução, e que estamos diante de numerosas conclusões que a boa educação exige dos pais, que consideramos inúmeros sacrifícios, e a paciência, a renúncia que ela pede aos pais, até que estes filhos, esses fracos seres, se tornem moços e moças bem educados para a sociedade, para a nação, e para a Igreja, eu digo, se examinarmos isso profundamente, que é impossível não se despertarem em nós os sentimentos de respeito e de reconhecimento aos pais que educam seus filhos com amor e devotamento.
Não vos surpreendais se meu coração se sente apertado por esse pensamento; pois eu também conheço uma dessas mães de família, que se enviuvou na idade de trinta e um anos, com cinco filhos, dos quais o maior tinha nove anos.
Essa jovem viúva não se deixou vencer pela dificuldade da vida. Quem poderia contar os inúmeros cuidados, angústias, sacrifícios, esforços que durante anos e dezenas de anos essa mãe suportou até que seus cinco filhos crescessem?!
Mas eles cresceram.
E após 16 anos vós ouvis um desses filhos falar-vos do alto desta cátedra.
E se pelas minhas instruções um ou outro dos meus ouvintes tiver dado um só passo para Deus, peço-lhe de todo o coração, em sinal de reconhecimento, ajoelhar-se comigo e dizer uma Ave-Maria por esta mãe que já está morta; para a minha mãe, de inesquecível e abençoada memória. Amém,

3 de agosto de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 157

A MISSA DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA

Segundo S. Teresa, que o conheceu pessoalmente e muitas vezes o consultou em casos difíceis, poucos Santos tiveram vida tão interior e receberam graças tão insignes como S. Pedro de Alcântara.
O seu amor a Jesus e a sua devoção à sagrada paixão do Salvador eram inefáveis: dificilmente se faz uma ideia da piedade com que celebrava o Santo Sacrifício e do recolhimento, da fé viva e do amor com que se aproximava do santo altar. Quando celebrava, os fiéis corriam à igreja desejosos de presenciar os favores divinos que o santo recebia.
Dizem os biógrafos que, dirigindo-se à sacristia, ele transportava-se ao Pretório e a lembrança da paixão o penetrava de tal modo que os paramentos de que se revestia eram aos seus olhos como que vestes da Vítima divina. Absorto neste pensamento, dirigia-se ao altar com os mesmos sentimentos com que se teria dirigido ao Calvário; e ali, abrangendo com um olhar o mundo inteiro, oferecia o Santo Sacrifício em união com Jesus, e pedia a Deus que recebesse a Hóstia divina pela salvação de todos.
Desde as primeiras palavras, a sua devoção comovia os presentes. Quando lia o Evangelho e principalmente quando pronunciava o nome de Jesus, o ardor do seu coração era tão grande que de seu peito irrompiam suspiros e de seus olhos brotavam lágrimas. Ao Canon o seu rosto inflamava-se; e quanto mais se aproximava a Elevação, tanto mais viva era a sua comoção. Era preciso contemplá-Io depois da consagração: o corpo imóvel, o rosto inflamado, os olhos atentos e expressivos como se ele estivesse vendo realmente o mistério adorável oculto sob as sagradas espécies. Com frequência perdia os sentidos e, não obstante a sua resistência, era arrebatado e elevado da terra. Voltando a si, continuava a rezar o Pater noster com muitos suspiros e lágrimas.
Após a Comunhão os êxtases e a imobilidade recomeçavam. Ficava confundido com esses favores extraordinários, e, para evitar a admiração dos presentes, fugia o mais possível de celebrar em público.
Ordinariamente despia depressa os paramentos e corria a fechar-se em sua cela, onde gozava em paz da visita do Hóspede divino. A sua ação de graças era longa e entrecortada de suspiros amorosos. Assim se explica o que a respeito afirmaram os que o conheceram de perto: que ele conseguiu mais conversões com a celebração da santa Missa do que todos os pregadores de sua província com seus sermões; e que muitíssimos dos que o viram celebrar procuravam-no, depois, para se confessarem e receberem os seus sábios conselhos.

2 de agosto de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 9/10


Felizes dos pais que com uma afeição reta, compreensiva, delicada, sabem garantir, nestas épocas difíceis, a confiança absoluta de seus filhos!
b - É justamente por isso que os bons pais controlam cuidadosamente o circulo de amigos de seus filhos. Sabeis, pais, quais são os amigos de vossos filhos? Onde vão se divertir habitualmente e quais suas reuniões? De que falam entre si?
Não tenho tempo de me preocupar com isso? Prestai atenção. Então para vós se aplica o severo juízo de São Paulo: "Se alguém não se preocupa com os seus, e principalmente dos de sua casa, renegou sua fé, e é pior que um infiel" (1 Tim 5, 8).
Cito novamente Santo Agostinho.
"Eu me precipitava na minha perda, a tal ponto cego que, entre os companheiros de minha idade, eu tinha vergonha de minha inferioridade de vergonha: porque eu os ouvia se gloriarem de sua vilania e tanto mais quanto mais infames eles eram; eu gostaria de fazer como eles, não só pelo prazer, mas também por glória ... Por temor de repreensão eu me tornava ainda mais vicioso, e na falta de crime real, que me igualasse com os mais corruptos, eu fingia ter feito o que não fizera; tinha medo de aparecer tanto mais desprezível quanto eu era inocente, tanto mais vil quanto era casto" (Confissões 2, c. 3).
E o tempo obriga-me a concluir esta instrução, e todavia teria ainda tantas coisas a dizer! Contudo há uma que eu não posso calar. Uma coisa que eu deveria lembrar em primeiro lugar, porque é a base de toda a educação, e dá força a todo o meio de educação. É a educação religiosa.
Coisa curiosa, há pais que temem, sobretudo, que os filhos caiam numa devoção exagerada.
Pergunto a uma dessas mães de família.
- Senhora, quereis que vosso filho, crescendo, se corrompa e se torne um jovem leviano?
- De nenhum modo. Qual a mãe que o quereria? Só não quero que ele se torne um beato...
- Um beato? Que quereis dizer com isso.
- Bem. Que ele não tenha uma piedade exagerada...
- Mas considerai um pouco como essas duas palavras parecem extravagantes, uma ao lado da outra: " Piedade exagerada"! Pois compreenderia se me dissésseis: "Não quero que meu filho seja um gatuno". Sim, isto teria um sentido. Não quero que ele se torne um velhaco ... Mas "uma piedade exagerada". Que temeis desse lado?
- Que ele se torne um pouco simples, concentrado, hipócrita.
- Ah! isso é outra coisa. Tendes plena razão. Mas, dizei-me, quem pretende ser isto piedade? A condição preliminar, a base e o motor de uma boa educação é a religião que vive da fé em Deus, e que se desenvolve sob os olhos de Deus. A religião não é pois alguma coisa puramente exterior. Não consiste em ir à Igreja aos domingos, e deixar, durante a semana as leis da religião com os trajes domingueiros. A religião não consiste simplesmente nas orações e nos jejuns, isso também dela faz parte: mas consiste no apego profundo a Deus, que penetra toda a nossa vida, todos os nossos planos, todas as nossas ações, nossos descansos, e nosso trabalho, nossas alegrias, nossos sofrimentos. Mas não se pode duvidar que a atmosfera religiosa, que se espalha sobre toda a vida de família, é o melhor fator de desenvolvimento para as mais belas virtudes na alma da criança.

1 de agosto de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 156

O VIÁTICO LEVADO EM AVIÃO

Era um bravo soldado francês e estava em terras de Argélia, na África, lutando contra os inimigos de sua pátria. Por seu valor, e talento chegara em pouco tempo a comandante... Cristão e piedoso fora em sua infância, cristão e piedoso em sua juventude e, agora, nos campos de batalha e nas tendas de campanha era ele muito mais piedoso e cristão.
Recebeu ordem de avançar e avançou até internar-se no deserto muito distante das cidades onde viviam os europeus. Estava em frente do exército dos árabes e tinha consigo apenas um regimento de soldados. Teve que dar batalha; nela o nosso comandante lutou como um leão. Fugiram vencidos e completamente derrotados os inimigos; ele, porém, recebeu uma bala no peito e caiu na areia candente do deserto sob um sol abrasador. Acorreu o médico, examinou a ferida e franziu a testa com visível mau humor.
— Doutor, — disse-lhe o comandante, — não me oculteis a verdade: Estou ferido de morte?
O médico replicou friamente:
— Pode ser.
— Está bem, — disse o moribundo com a maior serenidade. — Vou perguntar-vos outra coisa: Quantas horas julgais que posso viver?
— Três horas... quatro no máximo. ..
— Morrer, morrer... — exclama o comandante — isso não me aterra. O que sinto é ter que morrer aqui no deserto sem um sacerdote que me absolva, sem o consolo da divina Eucaristia.
Ao ouvir estas palavras, um aviador, que estava ali perto, disse-lhe:
— Meu comandante, se quiserdes agora mesmo tomo o meu avião, que voa mais que os pássaros, e antes de três horas estarei aqui de volta com o padre.
— E onde ireis buscar esse sacerdote? Daqui ao primeiro lugar aonde podereis ir buscá-lo há mais de duzentos quilômetros.
— É verdade, meu comandante; por isso mesmo, não há tempo a perder. — Senhor Doutor, conservai-lhe a vida três horas ao menos, que antes disso eu estarei aqui com um sacerdote.
Era um relâmpago aquele aviador. Subiu ao aparelho e em poucos instantes já havia desaparecido no horizonte. Entretanto, o comandante, moribundo, beijava com fervor o seu Crucifixo e dizia:
— Três horas de vida, Senhor, três horas até que venha um sacerdote... até que me deem o vosso sagrado Viático.
Deixemos o moribundo por um instante. Voemos com o aviador. Já chegou felizmente a Laghouat, onde está o hospital francês. Corre ao padre Capelão e diz-lhe:
— Padre, quer subir comigo ao avião? Temos que percorrer duzentos quilômetros. Lá está a morrer um comandante e não quer morrer sem um padre e sem a comunhão. Se o sr. vai, não podemos perder nem um minuto.
— Pois não... neste instante — responde o Capelão.
E corre à capela e toma consigo a hóstia santa e os santos óleos. Sobe ao avião, e o aviador toma o volante do aparelho.
Antes das três horas convencionadas estava o Capelão à cabeceira do comandante moribundo. Ouviu-lhe a confissão, deu-lhe a absolvição e apresentou-lhe a divina Eucaristia.
Naquele momento solene, soldados e oficiais enchiam a tenda onde agonizava o valente comandante. O sacerdote elevou em suas mãos a hóstia santa e disse: Eis o Cordeiro de Deus, eis o que tira os pecados do mundo.
O sacerdote inclinou-se para depositar a branca hóstia nos lábios do herói. O comandante abriu pela última vez os olhos e exclamou do fundo da alma:
— Obrigado, meu Deus, obrigado...
Momentos depois, o Capelão, chorando como criança, dizia:
— Morreu um herói... morreu um santo.
Sim, quem morre amando a Jesus como este comandante, certamente morre como um santo.

Sermão para o XI Domingo depois de Pentecostes - Diác. Marcos Mattke, IBP

XI Domingo depois de Pentecostes.

Diác. Marcos Vinicius Mattke, IBP

31.07.2016

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Revmos. Padres,
Prezados seminaristas,
Caríssimos fiéis,

“Meteu-lhe Jesus os dedos nos ouvidos, e tocou-lhe a língua com a sua saliva; depois, levantando os olhos ao céu, suspirou, e disse-lhe: Effeta, que quer dizer: Abre-te. Imediatamente se lhe abriram os ouvidos, e se lhe soltou a prisão da língua, falando normalmente”
 (Mc. VII, 33-35)

A liturgia de hoje nos recorda o dia de nosso batismo, quando o sacerdote, seguindo o exemplo de Cristo, tocou nossos ouvidos e língua dizendo essas mesmas palavras: “effeta, abre-te”, para que nós também, pela graça do batismo, possamos escutar e falar a Deus, bem como, falar de Deus, cooperando com a sua graça, que, como apresenta a Epístola, não deve ser vã em nós (I Cor. XV, 10).

Vejamos, primeiramente, o que Jesus fez.

Estava Nosso Senhor indo de Tiro, ao Mar da Galiléia quando trouxeram-lhe um surdo-mudo e rogaram-lhe que lhe impusesse a mão e Jesus assim o faz. Porque essa atitude de Jesus? Aliás, ele não somente lhe impõe a mão, mas toca seus ouvidos e impõe saliva na língua do doente, numa atitude que pode parecer estranha a muitos atualmente.

Com efeito, Jesus, sendo verdadeiramente Deus, poderia perfeitamente curá-lo com um simples ato de sua vontade, como fez ele com o servo do centurião, que, em um ato de fé na divindade de Cristo, afirmou “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado” (Mt. VIII, 8).

Mas, segundo São Tomás de Aquino, busca o Salvador mostrar por estes atos corporais que é pela sua encarnação que ele traz a salvação, pois é assumindo a carne humana que ele estabeleceu a ponte entre Deus e os homens e pôde obrar nossa redenção, donde afirma Tertuliano (De carnis resurrectione, VIII, 3: PL 2, 806): “caro salutis est cardo”, “a carne é o eixo da salvação”.

Diz o Grande Doutor em sua Suma de Teologia (IIIa, q. XLIV, a. 3, ad 2um): “Cristo veio salvar o mundo não somente pelo poder divino, mas também pelo mistério da própria encarnação. Por isso muitas vezes ao curar os doentes não somente se servia do poder divino, curando com uma ordem, mas também aplicando algo pertencente à própria humanidade”.
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Além disso, todos os atos de Nosso Senhor transmitem ensinamentos necessários para a nossa salvação. Neste Evangelho Cristo cura a surdez e a mudez física, que representa, segundo Santo Agostinho, uma surdez e uma mudez muito pior, a surdez e a mudez espiritual.

A surdez espiritual: o surdo espiritual é todo-ouvidos ao barulho ensurdecedor dos inimigos de nossa alma: o demônio, o mundo e a carne. Escravo do pecado, ele é incapaz de ouvir a palavra de Deus que fala ao homem das mais diversas maneiras: seja pela própria criação, que proclama a glória de Deus, como diz o salmista (Sl. XVIII, 2),  possibilitando um conhecimento natural de Deus, Criador do universo, que tem em si de forma infinita todas as perfeições das criaturas; pela revelação sobrenatural de Deus, que revelou-se a si mesmo aos homens, primeiramente, pelos profetas e mais tarde por meio da encarnação do seu Verbo, Nosso Senhor Jesus Cristo; seja pela sua Santa Igreja, instituída para ser guardiã do depósito da fé, para defender a sã doutrina e pregá-la, sem  corrupção, para todo o mundo, por meio de seu magistério; enfim através da consciência, que em primeira instância acusa o homem dos pecados cometidos.

Não imaginem, caríssimos, que os surdos espirituais são somente aqueles que nunca ouviram a pregação evangélica ou que nasceram no erro. Também os cristãos podem se tornar surdos espirituais: pelo pecado, pela vida cristã medíocre, pela vida mundana, pelos vícios não combatidos, pois que assim o homem se faz surdo a Deus, que, pela sua graça busca incessantemente conduzi-lo à vida eterna, e dá ouvidos ao demônio, que quer impedir o homem de atingir o seu fim último que é Deus, conduzindo-o para a escravidão do pecado.

Tenha-se, ainda, cuidado com uma surdez muito mais sutil, que advém pelas distrações do mundo e que tira a atenção dos ensinamentos que foram até escutados e assimilados, mas que não foram postos em prática ou foram rapidamente esquecidos, fazendo o homem se desviar de seu fim último. E, de fato, é grande a agressividade que têm os inimigos de nossa alma na sociedade atual! Com efeito, se o católico não se mantém firme e vigilante na sua vida espiritual, será ele fácil e rapidamente esmagado pelos inimigos de sua alma, que entram em sua vida por tão variados meios, como a TV, a Internet, os jogos, o celular, o rádio, as más companhias, etc. etc. etc.

E com essa surdez espiritual, vem junto a mudez espiritual: ignorando a palavra de Deus, os mudos espirituais não dão ao Senhor o louvor e a glória que lhe são devidos. Escravos do pecado, eles não conseguem dirigir suas ações para Deus. Eles não têm Deus em seus lábios e não elevam seu pensamento àquele que é o Senhor do universo e da história. Não ordenados ao seu fim último, ofendem a Deus por seus pecados; buscam glorificar-se a si mesmo em suas ações, e não Deus; gloriam-se de suas perfeições, como se não as tivessem recebido de Deus; enfim, não buscam a amizade de Deus, não se unem a ele nesta vida – e separados dele nesta vida, caminham para separação eterna de Deus. Enfim, tais mudos, não somente não falam a Deus e não falam de Deus como também, pelo seu mau exemplo pregam e espalham a vida sem Deus, colaborando para o domínio do pecado sobre os homens.

Mas qual é o remédio para esta deplorável e terrível doença, que se não curada leva à morte eterna? Nada mais é que a mão estendida por Cristo. Somente Deus pode curar alguém que chega em tal estado de surdez e mudez espiritual. E o que faz Nosso Salvador com o surdo-mudo que lhe foi apresentado? Ele o põe antes de tudo à parte da multidão, isto é, longe das atrações do mundo, dos prazeres carnais, das pompas do demônio. No meio do caos e das atrações do mundo não é possível ao homem notar a sua situação espiritual e ouvir a Deus. Donde a importância do recolhimento e da meditação no dia a dia para que possamos ter sempre diante de nossos olhos o fim de nossa vida e possamos escutar e louvar a Deus, e a Ele nos dirigir e nos unir. Ainda, note-se que, incapaz de ter consciência e pedir o remédio necessário para sua cura, o surdo-mudo do Evangelho foi levado por outros a Cristo – trouxeram-lhe – um bom símbolo da necessidade do apostolado para a salvação das almas. Em seguida, Nosso Redentor olha para o Céu, mostrando donde se deve esperar a salvação e geme, compadecendo-se da miséria do homem separado de Deus. Então toca os ouvidos, para abri-los para a palavra de Deus e o toca a língua com sua saliva, símbolo da sabedoria divina, para que seus atos sejam por ela guiados.

Caríssimos, com a graça de Deus, que recebemos no nosso batismo, nossos ouvidos foram abertos para a palavra de Deus e nossas línguas libertas para seu louvor, e, recebemos o Evangelho da Salvação. Roguemos, pois, a Deus a graça de sermos fiéis à sua palavra e não a silenciarmos, mas que a proclamemos do alto dos telhados (Mt. X, 27), como ordenou Nosso Senhor, para que possamos dizer com São Paulo, na epístola de hoje , “ensinei-vos o mesmo que me foi transmitido” e “sua graça não foi estéril em mim”.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. 

31 de julho de 2016

Casamento e Família - Dom Tihamer Toth.

Conferência XVI


Parte 8/10


D - É preciso mencionar um dever importante dos pais: educar seus filhos na moralidade.
a - Duas são as graves obrigações dos pais, neste ponto: instruí-los e vigiá-los.
Que é preciso ensinar-lhes? Os grandes desígnios de Deus, o plano sublime que atesta sua tocante confiança no homem, quando chegar o momento.
E como vigiá-los? Uma atmosfera de alta moralidade deve reinar na família e nada deve aí existir que fira o melhor escudo da alma jovem, a sua pureza.
Muitos compreendem esta última obrigação e consequentemente agem; muitos, porém, recuam sempre mais ante a primeira. "É uma tarefa difícil e delicada", dizem. Sei que deveria dizer alguma coisa, mas não encontro palavras para dizê-lo.
Primeiramente, não vejo por que isto seria tarefa tão delicada para os pais, compenetrados de um santo respeito ao pensamento divino, e que refletem eles mesmos, com piedosa gravidade, no santo poder criador que Deus concebeu ao homem. Estes pais acharão o tom e as expressões convenientes.
Mas, mesmo se este trabalho fosse difícil, não teria o direito de subtrair-se a ele, quando se consideram os danos espirituais irreparáveis, que o silêncio dos pais produz nos filhos em idade de crescimento.
Com efeito, não é preciso mostrar que se guarda silêncio a este respeito diante dos filhos já crescidos, a questão está liquidada. Pois as reuniões mundanas, a rua, o teatro, o cinema, o jornal, o romance, as vitrines, os cartazes não ficam mudos ... todos falam, mas em um tom e de um modo que irremediavelmente os arrastam ao pecado.
Se dependesse de mim faria com que todos os pais lessem os capítulos das "Confissões" de Santo Agostinho onde ele descreve com uma força comovedora seus terríveis combates de jovem contra os pecados dos sentidos. É verdade que então ele ainda não era cristão, mas infelizmente quantos jovens cristãos poderiam escrever outro tanto!
"Onde estava eu, Senhor? e como, neste exílio, estava longe das delícias de vossa casa no 16º ano de minha carne, escreve ele, quando tomou o cetro sobre mim, e com uma completa submissão de minha parte - o frenesi da voluptuosidade. Os meus não cuidavam senão de me verem fazer belos discursos e a persuadir pela arte da palavra" (Livro II, cap. 2). Neste 16º ano, a falta de recursos dos meus obrigou-me a suspender meu trabalho. Livre de toda a escola, morava com meus pais. Foi, então, que os espinhos das paixões se levantaram em cima da minha cabeça, sem que mão alguma daí os pudesse arrancar (Livro II, cap. 3).
Pais, não esqueçais que se um dia vossos filhos tiverem necessidade de alguém, a quem possam dirigir-se com uma completa confiança e diante de quem não tenham segredo algum, será justamente na sua juventude. Feliz do filho que nestes anos puder se dirigir a seus pais com absoluta confiança!

30 de julho de 2016

Tesouro de Exemplos - Parte 155

QUE SANTOS BEIJOS!

Margarida acabava de completar vinte anos. Não era mais uma menina. Entretanto, desde a sua primeira comunhão, amava a Jesus-Hóstia com um amor imenso, apaixonado.
Sua maior alegria e felicidade consistia em lavar e engomar os objetos que serviam para o altar. Lavava as toalhas e, quando acabava de engomá-las, depositava nelas um beijo porque sabia que sobre elas Colocariam os sacerdotes o cálice, o cibório, a custódia... Lavava e engomava os corporais e beijava-os não uma mas muitas vezes, porque — dizia — sobre eles repousará a branca hóstia, depois de consagrada.
As vezes estava sozinha na igreja e não podia conter-se: corria ao altar do Santíssimo e, quando julgava que ninguém a via, subia a uma cadeira e beijava a portinha do sacrário, porque — dizia — ali atrás está escondido o meu amor.
Aquela alma estava madura para o céu. Margarida morreu na flor dos anos. Tendo sido sacramentada, ia receber o sagrado viático; e foi então que fez o que sempre desejara fazer. Quando o sacerdote aproximou de seus lábios a hóstia divina, que seria a sua última comunhão, antes de tomá-la, imprimiu-lhe um beijo. E dizia depois, satisfeita, que nada mais lhe faltava para ser feliz. E partiu para o céu...
Todo ato de amor, toda jaculatória de amor, passará através da portinha do Sacrário e encherá de alegria o coração de Jesus tão desprezado dos maus e tão esquecido dos bons.