2 de agosto de 2011

O Amor das Almas, S. Afonso de Ligório. INVOCAÇÃO A JESUS E A MARIA

Ó Salvador do mundo, ó Amor das almas, ó Senhor o mais amável de todos os objetos, vós com a vossa Paixão viestes a ganhar os nossos corações mostrando-nos o afeto imenso que tendes, consumando uma Redenção que nos trouxe um mar de bênçãos, e custou-vos um mar de penas e ignomínias. Vós para esse fim principalmente instituístes o SS. Sacramento do altar, a fim de que nós tivéssemos uma contínua memória da vossa Paixão: Ut autem tanti beneficii iugis in nobis maneret memoria, corpus suum in cibum fidelibus dereliquit, diz S. Tomás (Opusc. LVII) [1]. E já antes o dissera S. Paulo: Quotiescumque enim manducabitis panem hunc, mortem Domini annuntiabitis (I Cor. XI, 26). Vós, com tais prodígios de amor, já obtivestes de tantas almas santas que, consumadas pelas chamas da vossa caridade, renunciassem a todos os bens da terra, para dedicar-se todas a amar-vos só a vós, amabilíssimo Senhor. Fazei, pois, ó meu Jesus, que eu sempre me recorde da vossa Paixão; e que eu ainda mísero pecador, vencido de uma vez por todas por tantas finezas amorosas, me renda a amar-vos, e a dar, com o meu pobre amor, algum sinal de gratidão ao amor excessivo que vós, meu Deus e meu Salvador, me destes. Lembrai-vos, meu Jesus, que eu sou uma daquelas vossas ovelhinhas, para cuja salvação viestes à terra sacrificar a vossa vida divina. Eu sei que vós, depois de ter-me redimido com a vossa morte, não deixastes de me amar, e agora tendes por mim o mesmo amor que, por vossa bondade, tínheis-me morrendo por mim. Não permitais que eu continue vivendo ingrato a vós, meu Deus, que tanto mereceis ser amado e tanto fizestes para ser amado por mim.
E vós, ó Santíssima Virgem Maria, vós que tivestes uma participação tão grande na Paixão do vosso Filho, pelos méritos das vossas dores, impetrai-me a graça de provar uma amostra daquela compaixão que tanto vos afligiu na morte de Jesus; e obtende-me uma centelha daquele amor, que operou o martírio do vosso Coração doloroso. Amém.

Absorbeat, quaeso, Domine Iesu Christe, mentem meam ignita et melliflua vis amoris tui, ut amore amoris tui moriar, qui amore amoris mei dignatus es mori (Orat. S. Franc. Ass.) [2].

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[1]: "Ut autem tanti beneficii iugis in nobis maneret memoria, corpus suum in cibum et sanguinem suum in potum sub specie panis et vini sumendum fidelibus dereliquit." S. THOMAS, Opusculum 57: Officium de festo Corporis Christi, lectio 2. (In Breviario Romano: lectio 4).

[2]: "Completum est in illo (isto é, em S. Francisco, na impressão das chagas sagradas) quod ante petebat de seipso: "Absorbeat, quaeso, Domine, mentem meam ab omnibus quae caelo sunt ignita et melliflua vis amoris tui: ut amore amoris tui moriar, qui amore amoris mei dignatus es mori." UBERTINUS DE CASALI, Ord. Min., Arbor vitae crucifixae Iesu, Venetiis, 1485, lib. 5, cap. 4, Iesus Seraph alatus, huius capitis col. 6. - Cf. Opera S. FRANCISCI, Pedeponti, 1739, tom. 1, pag. 19: Oratio ad impetrandum divinum amorem.

1 de agosto de 2011

O Amor das Almas, S. Afonso de Ligório. RELÓGIO DA PAIXÃO

Hora 1. Apartando-se de Maria, faz a ceia.
2. Lava os pés dos apóstolos e institui o SS. Sacramento.
3. Faz o sermão e vai ao horto.
4. Faz oração no horto.
5. Põe-se em agonia.
6. Sua sangue.
7. É traído por Judas, e é preso.
8. É conduzido a Anás.
9. É levado a Caifás e recebe o tapa.
10. É atado, golpeado e caçoado.
11. É conduzido ao conselho e considerado réu de morte.
12. É levado a Pilatos e acusado.
13. É caçoado por Herodes.
14. É reconduzido a Pilatos e posposto a Barrabás.
15. É flagelado na coluna.
16. É coroado de espinhos e mostrado ao povo.
17. É condenado à morte e vai ao Calvário.
18. É despido e crucificado.
19. Ora pelos crucificadores.
20. Entrega o espírito ao Pai.
21. Morre.
22. É ferido com a lança.
23. É despregado e entregue à Mãe.
24. É sepultado e deixado no sepulcro.

30 de julho de 2011

ROGAR E CANTAR A MARIA (III)

Oração à Bem-aventurada Virgem para obter consolo

1) O Filho: Misericordiosíssima Maria, Mãe de Deus, recebe a teu servo que se dirige a ti em cada tribulação. Puríssima Virgem, recebe-me como ao único que não tem quem o console. Ó Senhora minha, repara em minha aflição e abre-me o seio de tua misericórdia. Eis-me aqui: eu chamo, grito e peço.

2) Não me aparto, nem te deixo. Permanecerei sempre ao teu lado, até que te compadeças de mim. Conheço tua incomparável doçura e o maternal afeto de teu coração, tão ardoroso pela abundância do divino amor, que resulta inconcebível o temor de que chegue a faltar teu consolo.

3) Eu acudo a ti com muita freqüência e com grande esperança, para merecer sempre ser favorecido por teu auxílio e reanimado pelo alento de tuas palavras, tanto se os assuntos andam bem com se andam mal. Se tu nos ofereces teus consolos, que tristeza pode ter lugar no coração? Como o inimigo poderia causar dano ao que sempre pode recorrer a ti?

4) Ó Mãe tão benigna, ouvi minha súplicas, oferece-me, ó Virgem, teu jarro e dá-me um pouco de beber. Da superabundância de graça que há em ti até transbordar, derrama sobre mim um pequeno consolo. É-me muito necessário neste momento e é sempre bem-vindo, nem me desagradaria se fosse pequeno, posto que uma só gota, escorrida de teu rosto a meus lábios, é tão eficaz e tão importante que, em comparação, é vil e inútil qualquer elemento agradável desta vida.

5) Por isso, muito amada Maria, rica e generosa em dons, admiravelmente suave em tuas expressões de graça, conforta-me com tuas admoestações, tu, em cujo seio virginal habitou a Suma Sabedoria, o Espírito Santo desde o princípio te consagrou, o anjo te custodiou, o arcanjo te instruiu e o poder do Altíssimo te cobriu com sua sombra. Diga somente uma palavra e minha alma será consolada.

6) Não peço coisas difíceis ou impossíveis, senão só esta: diz-me uma palavra de íntimo alento, que me dê júbilo e alegria. Acudo a ti na necessidade, recebe-me, pois, com rosto benigno. Teu servidor saberá que terá encontrado graça diante de ti, se lhe concedes algo amorosamente; isto é, se não demoras muito em outorgar-lhe o consolo que implora de ti.

7) Caríssima Maria, vem com tua doce presença a visitar meu coração em suas tribulações, já que sabes tão bem mitigar suas dores e reconduzi-las à uma atmosfera de paz. Vem, piedosíssima Senhora, com uma nova graça de Cristo, e com tua santa destra levanta teu servidor. Vem, eleita Mãe de Deus, e mostra-me a bem conhecida amplitude de tua misericórdia, já que, como o vês, me encontro mal parado; mas não me esqueço nem me esquecerei jamais de ti. Vem, pois; vem, minha esperança e minha felicidade, Virgem Maria, porque se tu vens e me falas, virão a mim todos os bens; e, por outro lado, todos os males se manterão distantes.

8) Que desejável, que importante e que jubiloso será para mim escutar as palavras da Mãe de meu Senhor Jesus Cristo. Quais palavras? Palavras benignas, muito doces e amistosas, como as que ouviu o apóstolo João da boca de seu amado Mestre, teu Filho, ao dizer: “Aqui tens a tua Mãe”. Ele o ouviu dos lábios de seu Senhor, porém eu desejo escutá-los dos teus, Senhora minha, em meu espírito e em minha mente devota. Diga-me, então: “Aqui tens tua Mãe, eis-me aqui, sou eu”. Que, ao som desta tua dulcíssima voz, minha alma se conforte e se regozije em tua presença, como costuma se regozijar um filho que há encontrado sua Mãe.

9) Que penetre, que penetre esta voz amiga nos ouvidos de meu coração; e que através das suas palavras de tua boca se me transmita ao mesmo tempo algum consolo sobrenatural do Espírito Santo. Assuma meu coração nova confiança; afaste-se o temor; não me turbe depois a ambigüidade; não me atormente o desespero com suas diversas tentações, mas fortaleçam-me as palavras que roguei escutar de ti e confiá-las com mais atenção ao meu coração.

10) “Eis aqui a tua Mãe”. Abraça, pois, alma minha, esta recomendação. Abraça à dulcíssima Maria, abraça à Mãe de Deus com seu menino Jesus, o mais formoso entre os homens; agradece-lhe sempre, porque é ela quem escuta as orações dos pobres e não permite que se marche sem consolo nenhum dos que diante dela veio rezar com perseverança. Esta é a virgem Maria, Mãe de Deus, a mística vara que, brotada de estirpe real, iluminou a amêndoa da flor divina, Jesus Cristo, Rei e Salvador de todos, ao que devemos tributar honra e glória pelos séculos.

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“de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo III. pág. 113 - 116)

24 de julho de 2011

SEXTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

Fontes dos erros protestantes

A multiplicação dos pães no deserto é uma das cenas que encerram ensinamentos admiráveis e práticos.

Jesus Cristo tinha claramente em vista o grande Sacramento do amor: a Eucaristia, como tinha em vista a doutrina evangélica.

A primeira é o alimento das almas, a segunda é o alimento do espírito, e da assimilação destes dois alimentos, resulta o amor do coração.

A inteligência precisa de luz. É a doutrina que lhe revela as maravilhas divinas.

A vontade necessita de força: é a Eucaristia, pão dos fortes, que lhe dá esta força.

O coração quer amar; mas para amar deve conhecer o objeto amável, sentir-se atraído para ele, pela vontade, de modo que a presença deste duplo pão de vida é uma nova nota distintiva da Igreja verdadeira, como a sua ausência é uma prova de falsidade.

Meditemos hoje este mistério de amor; considerando como a Igreja Católica nos administra este duplo alimento, e como a Igreja protestante fica dele completamente privada. Em outros termos, vejamos num contraste flagrante o ensino:

1. Da Igreja Católica.
2. Da Igreja protestante.

Estes dois aspectos da verdade são um raio de luz intensa que dissipa a doutrina falsa e fria do protestantismo.

I. O ensino Católico

O ensino Católico é de uma harmonia perfeita, adaptando-se admiravelmente às aspirações da humanidade.

De que precisa o homem neste mundo?

De duas coisas: luz e força.

A luz é o Evangelho; a força é a Eucaristia.

Quanto ao Evangelho, Católicos e protestantes adotam-no integralmente, embora com variantes na tradução, que os últimos facilmente desviam do sentido verdadeiro.

O Evangelho contém a palavra de Deus, como o código civil contém as leis, e o código penal, os castigos existentes numa nação.

Ora, todo livro precisa de um interprete; é absolutamente necessário. Uma palavra morta não pode governar um país; é necessária a palavra viva, atual, adaptada ao caso e às circunstâncias.

O código civil possui os advogados, juízes, desembargadores, para explicarem e aplicarem as leis.

O código penal tem a polícia, fiscais, coletores, para exigirem a aplicação de multas e penas às contravenções.

Como é que o código evangélico não teria seus intérpretes, suas autoridades legitimamente estabelecidas para o explicarem e adaptarem aos homens?

É o que se faz na Igreja Católica. O código existe, mas este código é explicado por autoridades competentes as quais Jesus Cristo disse claramente: Ide e ensinai a todas as gentes. . . Eis que estou convosco até a consumação dos séculos... Quem vos escuta, escuta a mim! etc.

Tal é a luz para nossa inteligência; vejamos agora a força para nossa vontade.

O Evangelho faz notar que Jesus tinha compaixão da multidão de povo que o havia seguido, porque ela estava em jejum e quase caindo de fraqueza. É bem o nosso caso.

Não basta ter boa vontade para seguir o divino Mestre; é preciso ainda a força para terminar a jornada e perseverar até o fim.

E eis que Jesus Cristo nos dá um alimento divino... E que alimento!...

Ele começa por nos apresentar este alimento:

Eu sou o pão da vida (Joan. VI. 48)

Este e o pão que desceu do céu, para que o que dele comer não morra!

O que me come viverá por mim!

A minha carne é verdadeira comida.

Não há, pois, dúvida, Jesus Cristo dá o seu próprio corpo e sangue eucarísticos, como alimento das almas.

E este alimento não é simplesmente de conselho, mas de absoluta necessidade, sob pena de não se poder entrar no reino do céu.

Se não comerdes a carne do Filho do homem... não tereis a vida em vós. (Joan. VI. 54)

A Igreja verdadeira de Jesus Cristo deve, pois, apresentar a seus filhos este alimento do corpo de Jesus Cristo e esta oferta torna-se um dos sinais característicos da verdadeira Igreja.

A Igreja Católica apresenta a seus filhos o Evangelho como alimento do espírito, e a Eucaristia ou corpo de Jesus sacramentado como alimento da sua alma, conforme o mandamento do Salvador.

Ela tem, pois, os característicos próprios da verdade.

II. O ensino protestante

A igreja protestante, ou melhor: o protestantismo, pois os protestantes não tendo chefe não formam uma sociedade ou igreja - o protestantismo pretende ser a religião verdadeira.

Vejamos se ela satisfaz, pelo menos a estes dois requisitos, impostos por Jesus Cristo, e tão admiravelmente preenchidos pela Igreja Católica.

O protestantismo adota a Bíblia como regra de fé, porém, não no sentido que Jesus Cristo lhe deu, ou que uma autoridade competente lhe outorga, mas conforme a interpretação pessoal de cada um.

Ora, isto é o maior absurdo que se possa imaginar. A interpretação de qualquer texto corresponde mais ou menos à capacidade intelectual de cada um.

Além disso, há vários modos de interpretação: a interpretação literal e metafórica; sem falar das várias interpretações místicas (alegóricas, tropológicas e anagógicas).

É na interpretação que está o grande erro protestante, chamado: “livre interpretação”.

O sentido literal é o que primeiro ocorre, resultando do sentido natural das palavras, tomadas em sua aceitação comum.

O sentido metafórico, ao contrário, em vez de tomar o sentido das palavras, toma o sentido da imagem expressa.

Quando Jesus Cristo diz: Eu sou e verdade, entendemos que Ele é de fato: a verdade; mas quando Ele diz: Eu sou o bom Pastor: entendemos, não que Ele seja Pastor, mas sim que tem o desvelo e o zelo de um pastor.

No primeiro caso é o sentido literal da palavra que se deve adotar; no segundo caso, é o sentido metafórico, ou o da imagem expressa.

Compreende-se que admitindo a liberdade de aceitar o sentido que se quiser, a Bíblia deixa de ser a palavra de Deus, para tornar-se a palavra do homem.

A Igreja não permite tal troca de sentidos, mas exige que se adote em primeiro lugar o sentido literal, e no caso de este sentido exprimir um absurdo ou uma contradição, que se recorra então ao sentido metafórico.

Eis como falta aos protestantes o alimento do espírito: a verdadeira palavra de Deus.

Vejamos agora como lhes falta, outrossim, o pão da alma. É uma conseqüência do primeiro erro.

Como vimos, Jesus Cristo disse clara e expressamente: A minha carne é verdadeira comida... Eu sou o pão da vida, e na última Ceia Ele diz sobre o pão ázimo: Isto é o meu corpo.

Tudo é luminoso para nós Católicos.

Nós compreendemos que Jesus Cristo mudou o pão em seu corpo, e dando-nos este pão do Céu, nos dá verdadeiramente o seu corpo para ser o alimento da nossa alma.

Tal é o sentido literal claramente expresso pelas palavras: pão, comida, ter a vida; são três expressões claras que demonstram que elas se devem tomar no seu sentido literal.

Para nós Católicos é claro; mas para os protestantes é uma balbúrdia. Não admitem o sentido literal, por oposição à Igreja, mas recorrem ao sentido metafórico, dizendo que é uma comparação, um tropo ou figura, de que usou o Salvador, e traduzem truncando e falsificando completamente o texto: Isto é a figura de meu corpo ou: Isto é o símbolo do meu corpo.

Tal tradução faz desaparecer o pão do Céu, o pão de vida, o pão que é o corpo de Jesus Cristo.

Não se lembram os pobres hereges que o sentido literal deve ser adotado sempre por primeiro, e que só se pode recorrer ao segundo, no caso de o primeiro ser visivelmente absurdo.

Aqui não há nenhum absurdo: há um dom da bondade infinita de Deus, mas não uma impossibilidade.

E assim por diante. Com tal sistema, a palavra de Deus torna-se a palavra do homem, e o corpo de Jesus Cristo, em vez de ser o seu corpo, fica um simples pedaço de pão.

III. Conclusão

Do que precede, vê-se claramente que o protestantismo peca pela base, e que num gesto satânico que intitula: “interpretação individual” transtorna completamente o Evangelho, muda até a essência do Evangelho e faz desaparecer os mais sublimes mistérios de amor que contém, mudando-os em cerimônias grotescas e ridículas.

É assim que a consagração ensinada por Nosso Senhor a seus Apóstolos: Isto é o meu corpo - Fazei isto em memória de mim, mudou-se para os protestantes numa ridícula ceia. Onde comem um pedacinho do pão em lembrança do Senhor.

É o erro Fundamental do protestantismo, o qual o separou por completo da Igreja Católica e faz com que não possua mais nada da doutrina evangélica, embora conserve o livro evangélico.

Somente a Igreja Católica administra a seus filhos este duplo alimento espiritual: a doutrina que nutre o espírito, e a Comunhão da corpo do Salvador, que sustenta a alma.

Deste fato, concluo que só a religião Católica, entre as demais religiões, satisfaz as aspirações da alma humana e realiza textualmente a palavra divina.

Logo ela é a única Igreja verdadeira de Cristo, e as demais Igrejas são apenas fabricações humanas, sem nenhum valer para Deus e para o Céu.

EXEMPLOS

1. Discussão de dois pastores

Navegavam dois ministros protestantes, que, para romper a monotonia da travessia, discutiam acerca do 39° versículo do capítulo V, de S. Mateus: “Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”.

O colega acha isso razoável? Perguntou o menos fervoroso dos argüidores.

- Se não! Se está escrito!

- Vejamos a prova de sua sinceridade.

E sem dizer nem o, nem a, o manso filho de Lutero aplicou a mão na face direita do confrade, que, em silêncio e sem protestar, apresentou a face esquerda, levando estoicamente uma segunda tapona.

Depois, o paciente, que não era peco (1), molhou o dedo, virou algumas páginas do Evangelho e apontou fleumaticamente (2) o versículo 2° do capítulo VII, de S. Mateus, que diz: “Com a medida, com a qual medirdes, hão de vos medir também”.

E o bom pastor ministrou ao irmão na fé, meia dúzia de murros, capital e juros.

Alvoroçados com o estranho pugilato, perguntavam os passageiros:

- Que têm estes dois cavalheiros que assim brigam?

- Não é nada, respondeu um inglês, sem largar o cachimbo, não é nada! Estão os dois interpretando a Sagrada Escritura.

2. Palavra chistosa

Um ministro protestante quis um dia discutir religião com Mgr. de Cheverus.

O ilustre Prelado cortou pela raiz a discussão, perguntando ao protestante:

-Não está escrito, meu amigo, que “Judas foi enforcar se?”
- Sem dúvida, respondeu o ministro admirado.
- Não está escrito ainda: “Ide e fazei o mesmo!...” Pois vá, meu amigo, é preciso cumprir a Bíblia; admiro-me de o senhor o não ter feito ainda!

O ministro julgou prudente não discutir mais com um homem de tanto espírito!

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1. Peco: néscio, estúpido.
2. Fleumaticamente: pachorrentamente, pacientemente.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 270 – 277)

23 de julho de 2011

ROGAR E CANTAR A MARIA (II)

Oração ante os sofrimentos de Cristo e de sua Mãe

1) O filho. Dobro os joelhos ante Vós, Senhor Jesus Cristo, a quem contemplo suspenso na cruz por mim. Saúdo-Vos, venerável imagem de meu Senhor Jesus Cristo crucificado, por cujo sangue fui resgatado das mãos do inimigo. Agradeço-Vos, Salvador do mundo, que por mim hajas enfrentado esta dolorosíssima morte

2) Dulcíssimo Jesus, rogo pela abundância de vossa misericórdia que me concedas compadecer de todo coração de vossas penas e também das dores de vossa Santíssima Mãe, e derramar abundantes lágrimas ao pé da cruz junto ao vosso predileto discípulo João, seu fidelíssimo custódio. Tenha por certo que para mim seria um alívio se, frente à imagem de vossa cruz, pudesse derramar lágrimas inclusive exteriormente por causa da intensidade de minha compaixão por Vós, que derramastes todo vosso precioso sangue por mim.

3) Como de Vós provém todo dom, aceitai em vossa honra este desejo meu: que a partir deste momento e para sempre em mim se acenda, cresça e seja cada vez mais profundamente sensível a memória de vossa santíssima paixão, como também a lembrança particular de vossa gloriosa Mãe, junto ao vosso predileto discípulo e seu custódio João, mas aceitai igualmente o desejo de que minha vida seja melhor.

4) Rogo-Vos, ademais, que vossa crucificação esteja no centro de minha reflexão, que meu estímulo seja a dor de vossa Mãe, e minha intercessão o pranto de São João. Rogo-Vos que a imagem desoladora de vossa morte não permaneça sem produzir em mim uma profunda compaixão do coração. Façais de modo tal que, quando recorde vossa paixão, ou veja um crucifixo, sinta dentro de mim o que permitistes sentir a muitos devotos, Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

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“de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo II. pág. 111 - 113)

21 de julho de 2011

Orações pelos sacerdotes

ORAÇÃO PELO CLERO



Deixai, ó Jesus, que em vosso Coração eucarístico depositemos nossas mais ardentes preces pelo nosso clero, e sede propício aos nosso pedidos. Multiplicai as vocações sacerdotais na nossa pátria: atraí ao vosso altar os filhos do nosso Brasil; chamai-os com instância ao vosso ministério. Conservai na perfeita fidelidade ao vosso serviço aqueles a quem já chamastes; afervorai-os, purificai-os, santificai-os e não permitais que se afastem do espírito da vossa Igreja.



Não consintais, ó Jesus, nós vos suplicamos, que debaixo do céu brasileiro sejam, por mãos indignas, profanados os vossos mistérios de amor. Também vos pedimos com instância: deixai que a misericórdia do vosso Coração vença a vossa justiça divina por aqueles que se recusaram à honra da vocação sacerdotal ou desertaram das fileiras sagradas.



Atendei, ó Jesus, a esta nossa insistente oração, vo-lo pedimos por vossa Mãe, Maria Santíssima, Rainha dos sacerdotes. Ó Maria, a vosso Coração confiamos o nosso clero; guiai-o, guardai-o, protegei-o, salvai-o.



ORAÇÃO PARA PEDIR VOCAÇÕES



Senhor, dai-nos padres — padres santos — e tornai-nos dóceis aos seus ensinamentos!

(repete-se depois de cada uma das seguintes invocações)



1. Para que o vosso santo nome seja santificado em nossa paróquia, em nossas famílias, em nosso Brasil! (Senhor, dai-nos padres...)

2. Para que o vosso reino venha a nós, aos nossos corações e ao coração dos nossos filhos!

3. Para oferecer cada dia sobre o vosso altar o santo sacrifício, redenção dos nossos pecados, alívio para os nossos defuntos!

4. Para absolver os nossos pecados e restituir a vida às nossas almas e a paz aos nossos corações!

5. Para alimentar com a Eucaristia nossas almas, cansadas das lutas na vida!

6. Para que tenhamos o conforto dos vossos divinos sacramentos durante a nossa vida e, sobretudo, na hora da nossa morte!

7. Para ensinar às nossas crianças a vos conhecer, amar e servir!

8. Para ensinar aos nossos jovens seus deveres seus deveres para consigo mesmo, para com seus pais e sua Pátria!

9. Para ensinar às nossas donzelas a guardar a modéstia, a honra, e fazer delas valorosas mães cristãs!

10. Para ensinar-nos o amor uns aos outros!

11. Para ensinar-nos a todos o cumprimento corajoso do nosso dever e os meios de merecer a vida eterna!

12. Para pregar-nos a verdadeira justiça e caridade!

13. Para acalmar os ódios sociais e trabalhar para a união dos corações!

14. Para atrair as vossas bênçãos sobre nossas casas, nossas terras e nossos bens!

15. Para que um dia possamos todos nos encontrar na mansão dos eleitos!

16. Coração sacratíssimo de Jesus que, para testemunhar-nos o vosso amor infinito, instituístes o sacerdócio católico, a fim de permanecer entre nós pelo ministério dos padres: Dai-nos padres — padres santos — e tornai-nos dóceis aos seus ensinamentos!



ORAÇÃO PARA MARIA, RAINHA DO CLERO



Ó Maria, augusta Rainha do clero, vós que fostes dada por Mãe a São João no dia seguinte à sua ordenação sacerdotal; vós que presidistes a oração unânime e perseverante dos apóstolos e dos discípulos no dia de Pentecostes; dignai-vos orar conosco pelos sucessores dos apóstolos, pelo Papa, pelos Bispos, pelos Padres, a fim de que essa santa falange aumente cada vez mais e que, a exemplo do vosso divino Filho Jesus, trabalhe eficazmente para sustentar os fracos, consolar os aflitos, converter os pecadores e estender sobre a terra o reino de Deus, que vive por todos os séculos dos séculos. Assim seja.



Ó Maria, Rainha do clero, rogai por nós.



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Manual da Paróquia. Rio de Janeiro, Vozes, 5ª. edição, 1950, p. 248-250. Compilado por Mons. Leovigildo Franca.





Leia mais em: Blog Mulher Católica

As 7 excelências da batina - Pe. Cel. Jaime Tovar Patrón

As 7 excelências da batina




1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE
Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.


2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO
Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos. Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento. As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.


3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS
O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.


4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS
A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade. Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais. Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros. Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.


5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS
O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?


6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR
A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja. Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.


7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO DA IGREJA
Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.


O autor: Padre Jaime Tovar Patrón, coronel capelão, ocupou importantes responsabilidades no Vicariato Castrense. Oriundo de Extremadura, Espanha, foi grande orador sacro. Autor do livro Los curas de la Cruzada, autêntica enciclopédia dos heróicos sacerdote que desenvolveram seu trabalho pastoral entre os combatentes da gloriosa Cruzada de 1936. É, ademais, uma história do sacerdócio castrense. Faleceu em janeiro de 2004.



 - Código de Direito Canônico (1983): Livro II, I Parte, Título III, Capítulo III:

Cân. 284 Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais.

Cân. 285 § 1. Os clérigos se abstenham completamente de tudo o que não convém ao seu estado, de acordo com as prescrições do direito particular.

§ 2. Os clérigos evitem tudo o que, embora não inconveniente, é, no entanto, impróprio ao estado clerical.

- Convém recordar: muitos sacerdotes e religiosos mártires pagaram com seu sangue o ódio à fé e à Igreja desencadeado nas terríveis perseguições religiosas dos últimos séculos. Muitos foram assassinados simplesmente por vestirem a batina. O sacerdote que veste a batina é para todos um modelo de coerência com os ideais que professa, à vez que honra o cargo que ocupa na sociedade cristã. 

Se bem é certo que o hábito não faz o monge, também é certo que o monge veste hábito e o veste com honra. Que podemos pensar do militar que despreza seu uniforme? O mesmo que do vigário que despreza sua batina!

(Traduzido por Luís Augusto Rodrigues Domingues)

Fonte: Associação Cultural Montfort

16 de julho de 2011

ROGAR E CANTAR A MARIA (I)

Oração para o amor e a glória da Bem-aventurada

1) O Filho. Rogo-te benigníssima Mãe de Deus, Virgem Maria, que te dignes manifestar-me agora e para sempre, a mim teu pobre e débil servidor, tua misericórdia e tua suavíssima caridade, das que estiveste sempre culminada, e tu me inocule no mais profundo do coração a doçura que entesouras no peito e guardas escondida em teu sagrado seio, para que eu possa amar com pureza e integridade de sentimento, e louvar com grande devoção e acima de todas as coisas a ti, bendita Mãe, assim como teu Filho unigênito e Senhor Nosso, Jesus Cristo. Com o qual eu receberia um grande benefício, porque durante todos os dias de minha vida na terra serviria com amor e fervor de espírito a ti e a teu único Filho.

2) Virgem Maria, rosa de ouro, toda suave e bela, rogo que cheguem a ti minhas orações, que elevo com insistência. Por meio delas eu bato à porta de tua morada na casa do Senhor, confiado em tua generosa misericórdia agora e em qualquer momento de tribulação, porque é Mãe da misericórdia e através de ti o pecador alcança maior esperança de perdão. Porém tua bondade e tua piedade são maiores do que nó podemos pensar na terra, posto que estás além de todo louvor e glória dos santo, e inclusive superas aos anjos em doçura e mansidão, Virgem Bem-aventurada e Venerável Senhora.

3) Se assim não fosse, como poderia infundir-se nos miseráveis e nos pecadores uma doçura tão intensa no consolo e como poderia comunicar-se tanta esperança de perdão? Por outro lado, tu não poderias ser menos, já que levaste em teu seio durante nove meses a Jesus Cristo, fonte de infinita bondade.

4) Tu és a honra do céu, o gozo de todos os santos, a almofada revestida de ouro do Santo dos santos, o júbilo e a expectativa dos Padres antigos. Por teu intermédio, Mãe bendita e Virgem eleita de singular maneira, aos que pedem a misericórdia divina se lhes promete e concede o perdão dos pecados, a glória dos filhos de Deus e a bem-aventurança do reino dos céus.

5) Estrela luminosíssima que brilhas no céu; Rainha da glória, Senhora do mundo, nenhuma virgem cheia de celestial virtude pode se igualar à tua virginal beleza, dado que, depois de teu único Filho Jesus, és a primeira entre todos os santos e santas, assim como a mais nobre criatura que Deus Pai previu antes de todos os séculos e criou na plenitude dos tempos, para que fosses a Mãe Virgem de teu unigênito Filho, dado à luz com estupendo gozo, inefável e eterno milagre, para a salvação de todos os crentes.

6) Que todo gênero humano te louve, glorifique, venere em sumo grau e te ame intimamente com máximo júbilo do coração e com puríssimo afeto, a ti, a mais bela Rainha de todas as Virgens, ó sempre Virgem Maria, constituída como medianeira de todo o mundo. E que toda criatura do céu e da terra, que Deus criou para louvor e glória de seu altíssimo nome, eleve a ti, em ação de graças, as mais doces melodias.

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“de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo I. pág. 109 - 111)