27 de junho de 2011

Restaurar tudo em Cristo - São Pio X


Não, Veneráveis Irmãos - é necessário relembrar com energia nestes tempos de anarquia social e intelectual, em que cada um se coloca como mestre e legislador - não se poderá construir a sociedade de uma maneira diferente da que Deus a instituiu; não se edificará a sociedade se a Igreja não estabelece e dirige os trabalhos; não, a civilização não está para ser inventada, nem uma sociedade nova para ser construída das nuvens. Ela foi, ela é a civilização cristã, é a cidade católica. Trata-se somente de instaurar e restaurar sem cessar a civilização em suas bases naturais e divinas, contra os ataques sempre renascentes da rebelião e da impiedade: "omnia instaurare in Christo".

São Pio X. Notre charge apostolique. §11.

25 de junho de 2011

SEGUNDO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

A Santidade da Igreja

A parábola da Ceia, que um homem rico mandou preparar para os seus amigos, vai indicar-nos a segunda qualidade ou caráter distintivo da Igreja de Jesus Cristo, isto é: a santidade.

Este homem é o próprio Salvador; a sala da Ceia é a Igreja. Todos são convidados por Ele a entrar na sala deste festim e a participar da Ceia ali preparada.

Nesta Ceia espiritual são servidos os meios de sustentar a vida da alma, como numa ceia material são servidos os meios de sustentar as forças do corpo: são, sobretudo, os sacramentos.

Muitos se recusaram a participar desta ceia porque faltava-lhes a virtude exigida para se apresentarem a uma Ceia santa.

Três categorias de viciosos são indicadas pelo divino Mestre: os orgulhosos, os avarentos, os libertinos.

A Ceia deve ser uma reunião santa; podem entrar os pobres; não são admitidos os viciados, pois a santidade exclui necessariamente o vício.

Meditemos hoje está nota: a santidade da Igreja, examinando em que e como esta santidade deve manifestar-se:

1. Em seus membros.
2. Em sua doutrina.

Este segundo característico separa a Igreja verdadeira de todas as seitas humanas e lhe dá uma beleza única neste mundo.

I. Nos membros da Igreja

A santidade é uma marca da Igreja de Jesus Cristo, porque, sendo esta obra de Deus, deve ser santa, como é santo tudo o que sai do Coração de Nosso Senhor.

É Ele, de fato, que instituiu a Igreja, escolhendo doze Apóstolos...
É Ele que estabeleceu a hierarquia que constitui o governo da Igreja...
É Ele que ordenou aos Apóstolos que fossem pregar o Evangelho a todas as criaturas.
É Ele que transmitiu a sua autoridade, seus poderes, sua infalibilidade a Pedro e aos apóstolos.
É Ele que assegurou a estabilidade de sua Igreja até o fim dos séculos.
E' Ele, enfim, que prometeu sempre estar com ela e amá-la sempre.

São Paulo diz: Jesus Cristo amou a Igreja e por ela se entregou a si mesmo para a santificar, purificando-a para que se apresente gloriosa, sem mácula, nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e imaculada (Eph. V. 26, 27)

A santidade é, pois, inerente a esta obra que é inteiramente divina.

O princípio desta santidade está na aspiração de assemelhar-se a Jesus Cristo, conforme o desejo do Salvador: Sede perfeitos como meu Pai celeste é perfeito (Math. V. 48)
.
Tal santidade deve manifestar-se nos membros da Igreja que são: o seu chefe e os seus súditos unidos a este chefe.

Ora, este chefe é Jesus Cristo; é o seu único fundador, como o prova a história e o Evangelho. No berço das seitas religiosas encontra-se sempre um homem... só para a Igreja Católica se encontra o próprio Jesus Cristo.

Depois de Jesus Cristo ter subido ao céu, os chefes visíveis foram os Apóstolos, dirigidos e continuados pelo seu guia, São Pedro.

São Pedro, foi nomeado para esse fim pele próprio Salvador.

Depois dos Apóstolos, os Bispos seus sucessores, sob a autoridade do Papa, sucessor de S. Pedro, continuam a reproduzir a santidade de seu chefe divino.

Dos 263 Papas, de S. Pedro a Pio XII, 86 são canonizados. Os outros têm sido homens de extraordinárias virtudes, contra quem nada podem as calúnias gratuitas dos inimigos da Igreja.

Entre as Igrejas, só a Igreja Católica possui santos entre os seus membros.

Todos os católicos não são santos, é certo, porém sempre há santos entre eles, e isto é o bastante para provar que a Igreja é santa.

Somente a Igreja Católica tem mártires ou almas generosas que dão a sua vida para ficarem fiéis ao Evangelho e ao Papa.

Somente a Igreja Católica tem apóstolos que abandonam a sua família, o bem estar, para, sem interesse material nenhum, levarem até os confins do mundo o Evangelho de Jesus Cristo.

Somente a Igreja Católica tem religiosos ou almas generosas que juntam ao cumprimento da lei de Deus as sublimes virtudes de castidade perfeita, de obediência completa, de pobreza voluntária.

Somente e Igreja Católica tem milagres, que são a afirmação positiva da ação divina em favor da santidade de seus filhos.

Logo, só a Igreja Católica possui a santidade, em seu chefe e em seus membros; ela é, pois, a única Igreja divina.

II. Em sua doutrina

A Igreja Católica é também a única santa em sua doutrina, só ela conserva em toda a sua integridade a doutrina e a moral de Jesus Cristo.

Toda religião consta de uma doutrina (dogma), de uma moral e de um culto.

De fato, basta percorrer os ensinamentos da Igreja para ver que ela adota integralmente todas as verdades ensinadas por Jesus Cristo.

Os inimigos da religião, guiados pela ignorância e pelo vício, podem acusar a Igreja de ter inventado novos dogmas e novos mandamentos, porém nunca poderão provar as suas asserções.

Não há um único ensinamento da Igreja que não tenha a sua raiz e a sua prescrição na Sagrada Escritura; como não se encontra no Evangelho uma única verdade que a Igreja não adote e não proponha aos fiéis.

O fruto da moral divina, diz S. Paulo, é a pratica de toda a espécie de bem. (Eph. V. 9) E esta espécie de bem é o afastamento do pecado e a prática da virtude.

Ora, não há um único vício que a Igreja não reprove e condene; como não há uma única virtude que ela não exalte, nem uma única boa obra que não aconselhe e favoreça.

O culto é a manifestação pública do dogma e da moral e, como tal, forma uma parte essencial da religião.

O objeto deste culto é Deus, fonte de toda a perfeição; a Virgem Maria, ideal de pureza e de virtude, que Deus elevou ao máximo grau de dignidade: o de Mãe de Jesus Cristo; os Santos, modelos admiráveis de virtude.

As formas deste culto são tocantes de simplicidade e de grandeza, harmonizando-se perfeitamente com as aspirações da alma humana. Pode-se, pois, dizer que a Igreja Católica é tão santa em seu culto, como o é em seu dogma e em sua moral.

III. Conclusão

A santidade é, pois, um dos caracteres distintivos da Igreja verdadeira.

Jesus Cristo fundou a sua Igreja, para formar santos: é a sua grande e sublime finalidade.

Se examinássemos qual é a Igreja que produz santos, verificaríamos este fenômeno estranho, que seria o bastante para dissipar qualquer dúvida..

Somente a Igreja Católica produz santos e os produz aos milhares... Santos ilustres, milagrosos, canonizados, e santos desconhecidos, não menos heróicos talvez, mas que Deus não escolheu para serem os luminares de seu tempo.

Quantos Católicos admiráveis que lutam contra as paixões, que vencem o mal e fazem o bem.

Em toda parte, em todos os países, épocas e idades, encontram-se tais homens, porque a Igreja põe em prática todos os meios de santificação estabelecidos por Jesus Cristo.

Ó santa Igreja, os grandes homens te pertencem! Exclamava José de Maistre.

Contemplando a vida do Catolicismo, a exuberância da sua santidade, dezenove séculos depois da partida de seu fundador, podemos exclamar também:

Ó! santa Igreja, os grandes e pequenas santos te pertencem!

EXEMPLOS

1. Os ladrilhos da Catedral

Um professor de história natural, acostumado a tudo examinar nas minúcias com o microscópio, entrou um dia na Catedral de Reims, para examinar a construção e ver, se de fato, era o monumento artístico tão falado no mundo dos artistas.

Percorreu todas as partes do imenso edifício, examinou tudo com o binóculo, desde as abóbadas da entrada até os ladrilhos de mosaico.

Enquanto estava assim examinando tudo, entrou um engenheiro, igualmente atraído pela mundial fama da Catedral. Este parou no fundo da nave central e examinou longamente o conjunto da arquitetura, das colunas, arcos e arquitraves; com o lápis na mão, anotava, calculava e, no fim, sentiu-se como extasiado diante da ousadia e majestade desta arquitetura inimitável.

Enfim, os dois observadores encontraram-se, e logo se reconheceram como estando a fazer um mesmo exame artístico.

O engenheiro não pôde conter-se.

- É admirável! É inimitável! Exclamou em alta voz... Que ousadia de linhas, que força de concepção! E olhava, embevecido, estas maravilhas da arte.

O professor de história natural ficou insensível, e objetou logo: - Não é bonito, não! Há defeitos, falhas! Olhe, lá em cima encontrei seis ladrilhos quebrados e duas janelas sem vidros... é feio isto, a catedral não possui beleza, nem arte.

Custou ao engenheiro fazer compreender ao professor que a arte de um edifício esta no conjunto das linhas, na combinação das partes, e que uns ladrilhos quebrados nada influem no conjunto da obra.

Os inimigos da religião empregam o mesmo método. Olham para a Igreja, examinam uns escândalos locais, bradam que tem havido maus padres, que há abusos, superstições, descobrindo deste modo uns ladrilhos quebrados no imenso edifício da Igreja, e não enxergam a santidade total, universal, que esta Igreja possui e comunica a seus filhos.

Sim, são sombras num quadro artístico... porém, é precisamente tais sombras que fazem sobressair o conjunto da virtude que ali floresce

2. O patrão e o jardineiro

O patrão percorreu o seu vasto jardim em companhia do jardineiro. Encontraram uma macieira carregada de frutos, mas tendo no chão uma dúzia de frutos caídos.

O patrão examinou as maçãs caídas, que estavam bichadas. Indignado, deu ordem ao jardineiro que arrancasse a macieira por ter maçãs bichadas.

- Mas, patrão, exclamou o jardineiro, não é a macieira que está bichada, são apenas umas frutas mordidas por insetos, que amadureceram antes do tempo e caíram. Note, porém, que ao lado de uma dúzia de maçãs caídas, há centenas em condições perfeitas.

Quantos homens, sem espírito de Deus, encontrando um escândalo ou um abuso na Igreja, perpetrado por particulares, acusam logo a Igreja de não prestar.

A culpada não é a Igreja. São certos maus católicos, indignos de pertencer a esta Igreja.

A Igreja é santa, embora não o sejam todos os seus filhos, como a macieira pode ser boa, apesar de todos os seus frutos não serem de primeira qualidade.

----------
(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 235 – 243)

AMAR MARIA (V)

Dores e consolos de Maria

1) Deves meditar com grande firmeza os exemplos da amável Virgem Maria, a que, como preciosa mirra, produz perfumados frutos de paciência, e foi enchida de maneira suavíssima, com abundante medida, de consoladoras doçuras divinas.Também tu encontrarás grandíssimos consolos, se levas no coração o nome de Maria. Enquanto estiver bem com ela, obterás muitas vantagens, porque seu amor expulsa todo ardor de concupiscência carnal, dá o alívio da castidade, induz a desprezar o mundo, faz servir a Cristo na humildade, afugenta toda má companhia e educa para uma vida casta e religiosa.

2) Ama Maria, então, e receberás uma graça especial; invoca a Maria, e obterás vitória; honra Maria, e conseguirás a eterna recompensa. Traz consigo dois benefícios especiais o viver com ela: ensina a agradecer a Deus desde o íntimo do coração quando as coisas andam bem, assim como suportá-las com paciência quando andam mal. Ela foi a primeira a agradecer continuamente e com todas as forças a Deus, pelos benefícios que recebeu d’Ele mais que todos os outros; e se portou sempre com mansidão em todos os sofrimentos deste mundo, preferindo constantemente as coisas mais humildes às que conotam jactância. Não viveu um só dia sem dores e, entretanto, em meio às angústias, nunca careceu de grande consolo, porque toda tribulação abraçada por Cristo produz doçura e alegria, e quanto maior a freqüência com que alguém é tomado como alvo e ferido pelo mal, mais merece ser ajudado.

3) A Virgem Bem-aventurada sofreu muitíssimo pelos erros do mundo e pela perversidade de tanta gente; se compadeceu dos que estavam verdadeiramente arrependidos ou duramente tentados. Afligiu-se pela enorme ingratidão dos homens, para quem Deus Pai havia mandado seu Filho unigênito, encarnado por amor, a fim de que reconquistassem o paraíso que um dia haviam perdido pelo pecado de Adão. Teve pesar pela condenação dos maus, que, menosprezando a palavra de Deus, preferiam o mundo antes que o céu e perseguiam as falsas riquezas ao invés das autênticas virtudes. Sofreu pela perseguição dos inocentes e pela violência dos malvados, pelo desprezo dos mandamentos de Deus; e constituía para ela motivo de profundo padecimento o fato de que o mundo inteiro estivesse submergido no mal e fossem poucos os dispostos a receber a luz eterna, acesa no mundo por meio dela, Mãe de imensa piedade. Teve para com todos grandíssima paciência e levou uma vida repleta de sofrimentos, ao mesmo tempo que rogava com lágrimas e soluços pela salvação das almas.

4) Se queres conhecer mais a fundo quais e quantos sofrimentos agüentou Maria an perseguição e na paixão de seu amado Filho, saberás que bebeu até à última gota o cálice de tantos amargos pesares como os que bebeu Jesus em cada instante de sua vida e a causa de todas as feridas infligidas em seu corpo. Efetivamente, quando Jesus teve que sofrer, de parte dos homens, contrariedade e desprezo, sem que também ela os sofresse por compaixão? Se ela sofreu quando perdeu Jesus só por alguns dias, quanto não haverá chorado ao vê-Lo crucificado e logo morto? Os que amam a Jesus sabem bem que o afeto maternal de Maria superou no sofrimento ao de todas as almas piedosas. Por isso, se queres conhecer a violência da dor na Mãe, pensa na veemência do amor na Virgem.

5) Ninguém pode expressar o júbilo de Maria; ninguém está em condições de compreender a abundância de sua doçura e a grandeza de seu consolo, porque onde mais superabunda a graça, mais superabundam a alegria e o consolo, e também Deus com maior freqüência se acostuma a efetuar suas visitas. Do qual se segue que sempre mais fervorosamente aumenta o amor pelo louvor de Deus e se renova toda vida interior do homem. Portanto, a graça celestial não permite que um cristão, que ama a Deus sobre todas as coisas, viva sem consolo interior, senão que o eleva continuamente aos bens celestiais e o ilumina sabiamente sobre o que convém fazer. Inflama-o nas santas meditações e o impulsiona ao agradecimento, posto que quanto maior é a graça e mais pura a vida, tanto mais jubilosa é a consciência e mais devota a oração.

6) Uma vida afastada do alvoroço do mundo e dos maus desejos sente uma sede constante e sempre mais intensa de que se a introduzisse nos coros dos anjos, se eleva acima das realidades presentes e arde em desejos de desfrutar a Suma Trindade na eterna glória. Glória que nenhum santo nesta vida saboreou antecipadamente com maior intensidade que a bendita e gloriosa Virgem Maria, constituída como medianeira mais eficaz que todos aqueles que contemplam e bendizem a Deus.

7) Depois de haver escutado o elogio de seus louvores, imita tu também à Mãe de Deus, para que possas merecer e fazer parte do número de seus devotos. Esforça-te por seguir cuidadosamente à Maria Santíssima em suas celebradas virtudes, e conseguirás a palma da glória celestial. Entristeça-te muito por tuas passadas negligências e pelos defeitos ainda não vencidos, com os que há ofendido a Deus e a todas as criaturas. Obras-te mal nesta terra e te portaste com tibieza no serviço de Cristo, pelo qual deves chorar antes de tudo a causa de ti mesmo e logo, por caridade, a causa do próximo. Portanto, compadece-te daqueles que nos perigos se comportam mal e não o advertem. Muitos, ainda que reconhecendo suas próprias maldades, não se emendam. Por estes é necessário afligir-se e rezar, para que Deus lhes conceda o espírito de compunção para poderem salvar-se.

8) Roga por teus amigos e benfeitores; roga também por teus detratores, para que aos bons, se lhes conceda uma graça adequada, aos inimigos um juízo com equidade, a todos a paz e a misericórdia de Cristo. Roga com o fim de que todos os homens, pelos quais Deus realizou tantas maravilhas e se rebaixou, submetendo-se humildemente a Maria e a José, o amem, pratiquem seus mandamentos e dêem glória a seu Criador.

9) Seja reconhecedor dos benefícios que Deus gratuitamente concedeu a todo gênero humano por meio de sua Santíssima Mãe, e tributa-lhe continuamente gratidão e honra, posto que, se a lei natural ordena ter respeito e amor pelos progenitores carnais, muito mais os filhos da Igreja devem sentir-se agradecidos e obrigados com relação de sua Mãe espiritual, e amar à Mãe de Deus mais que a todos os parentes e amigos. É necessário que aprendas a elevar-se em direção a Deus com Maria por meio de louvores e orações. É necessário que te apóies confiadamente em seu patrocínio, sem crer-te seguro com tuas forças, para que tua mente, dominada pelas paixões, não fique enredada nas baixezas, senão que, inflamada cada dia por novos desejos, possa tender livremente para o alto, onde reina felizmente com Jesus, Rei dos anjos, a doce Virgem Maria, gloriosa rainha do céu.

10) Lamentavelmente, depois de haver degustado por breve tempo os divinos consolos, a debilidade da carne te empurra uma vez mais a baixar a este vale de lágrimas. Mas então tens que recorrer com todas tuas forças à Mãe das abundantes misericórdias, para que sugira a seu Filho compassivo que tu não tens mais vinho e necessitas o sagrado ungüento da devoção para poder louvá-lo dignamente. É Ele, com efeito, o que toma a seu cuidado os pobres, os que desprezam o mundo e os que no mundo são menosprezados por causa de Jesus e do evangelho do Reino. Por isso é muito útil saber onde encontrar refúgio contra o inimigo, ao reparo dos agudos dardos, e onde refugiar-se do frio e das tempestuosas tribulações. Não há lugar onde refugiar-se mais seguramente que no colo de Maria, nem cavalgadura mais veloz para fugir das mãos do tentador que uma oração dirigida com fé à fortaleza de Maria, nossa Rainha.

11) O mesmo Jesus entrou nesta fortaleza, assumindo dela os sagrados membros de seu corpo, com o fim de vencer o príncipe das trevas. Tu também, então, entra para refugiar-te à sombra desta fortaleza, rogando dia e noite ser salvo pelos méritos da Santíssima Virgem, de todos os males que te ameaçam, mantendo-te bem seguro sob o amplo manto de Nossa Senhora, já que, quando Maria roga, desaparece toda horda maligna. Se Maria te ajuda, te salvarás de todo perigo. Nela encontra refúgio o pobre; acha remédio o enfermo; encontra consolo o aflito; recebe conselho o vacilante; encontra energia o desencorajado. Será um bem, melhor dito, um grande bem para ti, se o mereceras e fora propenso e dócil aos desejos de Maria, porque receberás seus favores aqui na terra e a glória com todos os eleitos no céu. Aproxima-te de Maria e não a soltes, até que te haja conduzido com sua feliz orientação à mansão do céu. Amém.


---------------
de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
---------------
(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Tercero, Capítulo V. pág. 95 - 102)

18 de junho de 2011

Maomé e sua falsa religião - São João Bosco

por Dom Bosco, no livro História Eclesiástica.

Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai gentio e mãe judia. Errando em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o nomeou seu procurador e mais tarde casou-se com ele. Como era epilético, soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha inventado e afirmava que suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o arcanjo Gabriel. A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta.

Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força. Ditou suas crenças em árabe e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o seguinte milagre, ridículo em sumo grau. Disse que tendo caído um pedaço da lua em sua manga, ele soube fazê-la voltar a seu lugar; por isso os maometanos tomaram por insígnia a meia lua. Sendo conhecido por homem perturbador, seus concidadãos trataram de dar-lhe morte; sabendo disto o astuto Maomé fugiu e retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da cidade. Esta fuga de Maomé se chamou Egira, isto é, perseguição; e desde então começou a era muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era.

O Alcorão está cheio de contradições, repetições e absurdos. Não sabendo Maomé escrever, ajudaram-no em sua obra um judeu e um monge apóstata da Pérsia chamado Sérgio. Como o maometismo favorecesse a libertinagem teve prontamente muitos sequazes; e como pouco depois se visse seu autor à frente de um formidável exército de bandidos, pode com suas palavras e ainda mais com suas armas introduzi-lo em quase todo o Oriente. Maomé depois de ter reinado nove anos tiranicamente, morreu na cidade de Medina no ano 632.

AMAR MARIA (IV)

Recordação e Devoção à Maria

1) Maria é amiga da pobreza, o caminho da humildade, o modelo da paciência e da perfeição em tudo. Desde o nascimento de Jesus levou uma vida muito pobre e, até a morte dele na cruz, foi sempre paciente. É doce segui-la, é justo honrá-la com humilde e devota homenagem; deve-se pensar cada dia no que se pode oferecer-lhe dignamente em sinal de gratidão e amor.

2) Seguramente queiras desfrutar o céu com Maria, mas tens que suportar de boa vontade com Maria também a pobreza e o desprezo na terra. Reflita sobre seus humildes costumes e sua virginal reserva com as amigas; refreia tuas leviandades e fuja do alvoroço. Não ofendas a Jesus e Maria com discursos frívolos e com ações indignas, porque não é assunto de pouca monta ofender a amigos tão queridos. Eles estão ao teu lado em tudo o que fizeres; e, na medida do empenho com que te esforças em emendar-te, acudirão ao teu encontro com auxílio. Sua prudência é superior à tua malícia e sua benignidade te conduzirá à penitência.

3) Se reconheces teus erros, mude sua vida para melhorá-la; persevera no bem e dá devotamente graças a Deus por seus dons. Fez outro tanto a Bem-aventurada Virgem Maria, culminada do Espírito Santo, quando gestava a Jesus em seu ventre. A exemplo de sua mansidão, aprende a suportar com paciência as cruzes que encontres, submetendo-te à vontade de Deus, tal como Ele o estabeleceu desde toda eternidade. Jesus será tua força e Maria tua fidelíssima Mãe, se te comportas como filho dócil e como servo devoto, sempre disposto a fazer o bem. Queres praticar o que agrada à Virgem Bem-aventurada? “Seja humilde, paciente, sóbrio, casto e pudico; fervoroso, manso, profundamente devoto, sejam raras tuas saídas, lê e escreva, porém com mais freqüência roga.”

4) Que o serviço a Maria nunca te pareça longo nem pesado, porque servir com o coração e com a palavra à semelhante Rainha proporciona deleite e alegria. Ademais, te procurará uma notável recompensa por qualquer ato, mesmo que mínimo, que fizeres em sua honra. A humilde Mãe não menospreza as humildes atenções; a piedosa Virgem aceita de bom grado mesmo os modestos obséquios, quando são oferecidos com espontaneidade e devoção. A doce Rainha e Senhora misericordiosa sabe bem que não somos aptos para oferecer-lhe grandes coisas, nem exige de seus pobres servidores atitudes impossíveis. Maria, de cuja indicação obedece o paraíso, não busca nem necessita nossos bens. Ela quer nosso bem, quando busca nosso serviço; deseja nossa salvação, quando nos pede que a louvemos; persegue a ocasião de ajudar-nos, quando nos incita a honrar seu nome, posto que se compraz em renovar a seus servidores. Em suma, é fidelíssima nas promessas e muito generosa nos dons.

5) Maria está culminada de delícias e sempre é alegrada pelos cantos dos anjos; no entanto, desfruta quando os crentes se põem a seu serviço, porque assim se difundem em maior escala a glória de Deus e a salvação para muitos. Comove-se pelas lágrimas dos indigentes; compadece os sofrimentos dos atribulados; socorre nos perigos aos que são tentados, e escuta as orações dos devotos. Se alguém se dirige a ela sem vacilações e com humildade, invocando seu doce e glorioso nome, não se distanciará com as mãos vazias.

6) Conta com numerosos aliados e a obedecem os coros dos anjos, aos que pode mandar em ajuda dos abandonados. Ordena aos demônios para que não se atrevam a tentar nenhum dos que lhe hão pedido auxílio e se puseram sob sua proteção. Os espíritos malignos têm terror à Rainha do céu e empreendem a fuga apenas ouvem seu santo nome, como se fugissem do fogo. Sentem espanto do sagrado e temível nome de Maria, enquanto ele resulta sumamente amável e invocado em todas partes pelos cristãos; não ousam fazer-se visíveis nem exercer seu nefasto poder ali onde sabem que brilha o nome de Maria Santíssima porque, somente ao ouvir este nome, tombam violentamente ao chão, como se caísse um raio do céu e quanto mais freqüentemente se invoca este nome com amor e fervor, tanto mais velozmente e mais longe eles fogem.

7) Por conseguinte, o nome de Maria deve ser venerado e amado por todos os fiéis, preferido pelos religiosos, recomendado pelos leigos, inculcado aos pecadores, sugerido aos enfermos e invocado por todos nos perigos, posto que Maria é a mais próxima de Deus e a mais cara a seu bendito Filho Jesus. É, portanto, onipotente por graça para interceder a favor dos desgraçados filhos de Adão, a fim de que o Senhor possa perdoar-lhes as culpas e socorrê-los nas ocasiões de risco. Se a ocasião se apresenta, Maria não deixará por certo de pronunciar uma boa palavra ao ouvido de seu Filho e de implorar misericórdia pelos necessitados. E, em toda causa confiada a ela, é imediatamente escutada por sua singular dignidade, dado que seu amoroso Filho Jesus, autor da salvação do gênero humano, a honra não negando-lhe nada.

8) Por isso, qualquer fiel e devoto, que deseja evitar os naufrágios do mundo e alcançar a porta da salvação eterna, tem que refugiar-se em Maria, Nossa Senhora, cuja incomensurável bondade é experimentada de modo particular e com maior força pelos desgraçados. Por isto mesmo, é justo esperar dela inclusive os maiores dons. Em realidade, a misericórdia cresceu nela desde a infância. E, por certo, não a abandonou quando subiu ao céu, antes bem, a culminou de si com maior abundância e suavidade, pela qual não poderá jamais esquecer-se de seus pobrezinhos. Mesmo que seja a maior de todos e se encontre imersa em júbilos que a fazem tão feliz, não se esquece jamais de sua humildade, pela que mereceu ser enaltecida acima dos demais. Ela sabe inclinar-se ainda até os mais pequeninos entre seus servidores e é feliz ao ser considerada advogada dos desgraçados e ao ser invocada como Mãe dos órfãos. Amém.

---------------
de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
---------------
(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Tercero, Capítulo I. pág. 90 - 95)