30 de maio de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

A Alma da Virgem Santíssima Cheia de Graça


Parte 2/7

Imagina que Deus criou a tua alma antes de nascerem os teus pais e que essa tua alma viveu como um anjo no mundo dos espíritos. E Deus disse um dia à tua alma: chegou a hora de aparecerem no mundo os teus pais. Deixo à tua escolha a classe de pais que deseja ter, e o ambiente em que desejas que vivam. Diz-me os teus desejos e eu os realizarei.
Imagina que Deus te tinha dito isto; como idealizarias a tua mãe?
Antes de tudo, desejarias que tivesse uma alma nobre, bondosa, doce, e carinhosa. Todas as boas qualidades que tivesses observado em alguma mulher as pedirias para tua mãe.
De que família a farias descendente? De família mais nobre e aristocrática. Onde a colocarias? Na capital mais bela da terra. E sobretudo fá-la-ias muito rica. Um esplêndido palácio à sua disposição e esse palácio ricamente mobiliado, cheio de todo o conforto. Os melhores vestidos, as jóias mais preciosas. O que encontrasses de mais belo no mundo, pedirias para ela. Isto que para ti é uma fantasia, para o Filho de Deus foi uma realidade. 
O Filho de Deus vivia eternamente com seu Pai no céu; e chegou o momento de descer à terra e para se fazer homem tinha que escolher uma mãe.
Era omnipotente: todos os tesouros do céu e da terra estavam em suas mãos. Era sapientíssimo, sabia apreciar muito bem o valor desses tesouros. Escolheu para sua mãe os que julgou mais estimáveis.
Veremos omo fez o seu corpo e a sua alma, que formosos, que perfeitos. Agora trata-se de adornar sua mãe. Que dons lhe dará? Nobreza de linhagem? Será descendente de reis, é verdade, porém a sua família decaída eram um simples aldeões. Riqueza? Essa família será aldeã e será de posição mediana, mais pobre que rica. Uma idade famosa para viverem? Colocá-la-á numa aldeia pequena e escondida, sem nenhuma história na gloriosa história de Israel.
Então, não faria Deus alguma dádiva a sua Mãe?
A sabedoria de Deus examinou todas as coisas que havia no céu e na terra; e o que encontrou de mais valor foi a graça santificante com o seu acompanhamento de virtudes sobrenaturais. E disse para si a sabedoria de Deus: a graça santificante e as virtudes, estes serão os adornos de minha mãe: estes adornos são ouro puro; os outros que os homens estimam, bagatelas sem valor.
E com esta dádiva a Santíssima Virgem ficaria satisfeita? Não invejaria esses outros adornos que tanto estimam as mulheres?
A filha de um milionário, a quem seu pai tivesse presenteado com jóias de ouro e de platina e de pedras preciosas de incalculável valor, invejaria as quinquilharias de estanho e de pedras falsas que pudessem ostentar as suas companheiras?

28 de maio de 2018

27 de maio de 2018

Sermão/Oração para a Festa de Pentecostes 20.05.2018 – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Erguei-vos, Espírito Santo – Oração para quem deseja a santidade



Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
Que o Senhor se erga, e que sejam dissipados os inimigos dEle, e que fujam da presença dEle aqueles que o odiaram. São as palavras do Introito dessa Missa de Pentecostes.
Peçamos ao Espírito Santo que se erga nesse dia de Pentecostes e nos cumule com sua graça abundante. Peçamos que o Espírito Santo se erga e afaste de nós os inimigos de nossa alma.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e não deixeis que seja perturbada minha alma pelas tentações.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e não deixeis que eu tenha medo das armadilhas do demônio, pois me apoio em Vós e em Maria Santíssima, minha Mãe.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência com a verdade da fé, para que eu possa aderir firmemente aos Vossos ensinamentos.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência para que eu possa compreender o combate espiritual em minha alma.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência para que possa viver da fé e tudo julgar profundamente com os olhos da fé.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência para que em todas as coisas, favoráveis e adversas, eu possa ver a mão amorosa da Vossa divina bondade.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e instruí a minha inteligência para que em tudo eu possa escolher o melhor meio de Vos servir.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça de Vos cultuar dignamente.
Erguei-Vos, e dai-me o zelo pela Vossa Santa Igreja Católica.
Erguei-Vos, Espírito Santo, dai-me o zelo pela salvação das almas.
Erguei-Vos, e concedei-me que meu único medo nessa vida seja o de ofendê-lO.
Erguei-Vos, Espírito Santo, dai-me a grandeza de alma e purificai-me de todo sentimento mesquinho. Purificai-me do meu orgulho, do meu amor próprio, das invejas, dos ciúmes, das picuinhas.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e fazei que abandone todas as coisas inúteis.
Erguei-Vos, e dai-me a fortaleza para que possa suportar todas as cruzes que a Vossa providência me enviar.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a paciência, sobretudo quando as cruzes vierem de quem mais deveríamos esperar a consolação.
Erguei-Vos, e dai-me humildade para suportar todas as humilhações e desprezos.
Erguei-Vos, Espírito Santo, dai-me a graça de abraçar todas as minhas cruzes, pois me unem a Vós.
Erguei-Vos, Espírito Santo, dai-me a graça de compreender que os sofrimentos são obra de Vosso amor por mim, para que me desapegue de toda a criatura.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça de compreender profundamente que Vós quereis tudo me tirar para tudo me dar. Vós quereis purificar-me de todas as minhas desordens e apegos para tudo me dar. Como diz Santo Afonso: é preciso deixar tudo, para tudo ganhar. Para Vos ganhar, ó Senhor, é preciso deixar tudo. Tire-me tudo, Senhor.
Erguei-Vos, Espírito Santo, então, e tirai-me tudo, para que eu possa ter tudo.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça da sabedoria da Cruz, loucura mesmo para tantos católicos.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e que eu não recue no caminho da santidade diante dos sofrimentos.
Erguei-Vos, e dai-me a graça de me conformar em tudo à Vossa santa vontade.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça da perseverança final, para que eu possa chegar ao Céu.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a graça de Vos amar sempre, sobre todas as coisas.
Erguei-Vos, Espírito Santo, para que minha vida seja inteiramente para a Vossa maior glória.
Erguei-Vos, Espírito Santo, para que, na minha fraqueza, eu possa fazer sinceramente esses pedidos, amparado na Vossa graça sempre. Sem isso, não poderei jamais ser verdadeiramente santo, chegar ao Céu e amar- Vos eternamente.
Erguei-Vos, Espírito Santo, e dai-me a Vossa graça.
Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

26 de maio de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 499

FLORES DIANTE DO SACRÁRIO

S. Joana Francisca de Chantal queria que sempre as houvesse no jardim do convento para pô-las diante de Jesus Sacramentado. Todos os domingos as Irmãs ofereciam-lhe um ramalhete de lindas flores; ela, porém, depois de contemplá-lo algum tempo, dava-o à Irmã sacristã, para que o pusesse no altar. Quando as flores começavam a murchar, a Irmã devia levá-lo de novo à Santa, que o colocava diante de seu crucifixo. “A cor e o perfume — dizia — são a vida das flores. Ponha-as diante de Nosso Senhor, onde pouco a pouco murcham e morrem; assim também quero que a minha vida, que vai passando aos poucos, termine diante de Deus, honrando o mistério da Santa Igreja”.

25 de maio de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 498

UM DIÁLOGO INFANTIL

Naquele ano as duas meninas Lúcia e Jacinta, videntes de Fátima, deviam espalhar flores diante de Jesus na procissão de Corpo de Deus. Jacinta estava ansiada para que chegasse aquele dia, pois queria ver a Jesus. E chegou a hora da procissão - Lúcia espalhava as suas flores e fazia sinais a Jacinta que fizesse o mesmo, mas Jacinta, só sabia fitar a custódia e não fazia nada mais. Terminada a procissão, sua cestinha estava intacta. Perguntam-lhe:
— Por que não atiraste tuas flores a Jesus?
— Porque eu não o vi.
Logo que saíram da igreja, perguntou à Lúcia:
— Viste tu o Menino Jesus?
— Não! Tu não sabes que o Menino Jesus, que está na Hóstia, a gente não vê? Está oculto. É o que nós recebemos na comunhão.
— E tu, quando comungas, falas com Ele?
— Sim.
— E por que não o vês?
— Porque está escondido.
— E como é que tanta gente recebe ao mesmo tempo o Menino Jesus escondido? Cada um leva um pedacinho?
— Não! não vês que há tantas hóstias? Em cada uma está o Menino Jesus oculto.

24 de maio de 2018

Sermão para o 5º Domingo depois da Páscoa – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão] Como ser ouvido por Deus na oração?



Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
É o terceiro domingo seguido, caros católicos, em que NSJC nos fala de sua subida aos céus, de sua Ascensão, que será comemorada na próxima quinta-feira, 40 dias depois de sua Ressurreição. A Ascensão de NS é, à primeira vista, um motivo de tristeza para os Apóstolos e para os discípulos do Mestre, ainda muito voltados para as coisas terrenas. Da mesma forma, poderíamos pensar que, para nós, nossa alegria seria muito maior com a presença de NS na Terra. Todavia, era preciso que Cristo subisse ao Pai, para sentar-se à direita dEle – nem acima, nem abaixo, mas à direita – para manifestar a igualdade de natureza com o Pai. Era preciso que Cristo subisse aos céus também para manifestar, definitivamente, que seu sacrifício sobre a cruz foi perfeitamente aceito por Deus. Além disso, a Ascensão tem também consequências excelentes para nós. NS afirma que é bom para nós que ele suba ao Pai, a fim de poder enviar o Paráclito, que ensinará toda a verdade aos apóstolos, mas também porque no céu Ele intercederá por nós diante do Pai. Assim como o sumo sacerdote do AT entrava no Santo dos Santos para interceder pelo povo, Cristo entra na glória celestial para interceder por nós, como nos diz São Paulo (Hebreus VII, 25), pois sua simples presença, com sua natureza humana e as chagas gloriosas de seu sacrifício, é já uma intercessão por nós. Deus, vendo a natureza humana de Cristo, terá misericórdia daqueles que Cristo veio salvar, terá misericórdia de nós.
Tendo sido fortalecido na fé quanto à divindade de Cristo e de sua intercessão por nós no céu, podemos dirigir, com toda confiança, nossas orações a Deus. E tudo o que pedirmos em nome de NJSC, explicitamente ou implicitamente, obteremos, nos diz Ele no Evangelho de hoje. Todavia, nosso Salvador diz em outra ocasião que no dia do juízo haverá muitos que invocaram seu nome, mas que não se salvaram. E quantas vezes, de fato, nossas orações não são atendidas, apesar de invocarmos o nome de Cristo. Isso se explica facilmente, caros católicos. Não basta rezar, invocando o nome de NS. É preciso rezar bem. O apóstolo São Thiago nos diz claramente: “Vós pedis e não recebeis porque pedis mal” (Thiago IV, 3).
Para rezar bem, é preciso primeiramente, que nossa alma esteja em boas disposições. Em seguida, é preciso pedir coisas boas, quer dizer, coisas que nos dirigem para Deus. Finalmente, é preciso pedir de um modo digno da majestade divina à qual nos dirigimos. Se seguirmos esses três pontos, nossa oração será atendida.
É preciso, então, que estejamos bem dispostos. Isso significa que, quando rezamos, devemos estar em estado de graça, em amizade com Deus ou, pelo menos, devemos ter a determinação de sair do pecado, se por infelicidade nos afastamos de Deus pecando mortalmente. Deus não costuma ouvir o homem que, endurecido no mal e sem se preocupar com o estado de sua alma, recorre a Ele somente para pedir coisas meramente temporais ou materiais. Esse homem, inimigo de Deus e querendo permanecer assim, volta-se a Deus por mero interesse. Não será ouvido. E se às vezes Deus o ouve, pode se tratar mais de uma punição do que de um favor propriamente dito. Evidentemente, se o pecador começa a querer detestar seu pecado e começa a voltar-se para Deus, o Senhor, infinitamente bom e misericordioso, olhará com compaixão e amor para o pecador e lhe dará graças de conversão, penitência e perdão. Para rezar bem devemos estar bem dispostos.
Em seguida, devemos pedir algo que é bom. Acabamos de ouvir NSJC dizer no Evangelho: tudo o que pedirdes a meu Pai em meu nome, Ele vos dará. Ora, Deus, sendo a bondade perfeita, nos dá tudo aquilo que pedimos, desde que isso seja uma coisa boa. Se Ele nos desse algo ruim, Ele estaria em contradição com sua bondade infinita. E uma coisa é boa nessa terra se ela nos ajuda, de um modo ou de outro, a ganhar o céu. Assim, quando pedimos a nossa salvação ou coisas necessárias para a nossa salvação – como as virtudes, por exemplo, ou a vitória sobre um vício – nós podemos estar seguros de que seremos atendidos, se estamos bem dispostos e se observamos as outras condições das quais falaremos em breve. Podemos também e devemos pedir coisas temporais (como a saúde, por exemplo, e bens materiais). Mas como essas coisas temporais podem tanto nos aproximar quanto nos afastar de Deus, com muita frequência Ele não nos concede esses bens temporais, pois eles nos afastariam de sua divina majestade. Dessa forma, pode ser melhor para a minha salvação que eu permaneça doente em dada situação. De fato, vale muito mais ser doente e suportar em união com Deus e com paciência uma doença do que estar com saúde, mas utilizar essa saúde para fazer o mal, para pecar. Assim, quando pedimos coisas temporais a Deus, devemos nos submeter inteiramente à sua divina sabedoria, que poderá nos conceder ou negar tais bens em virtude da utilidade ou não deles para a nossa salvação. E Ele sabe muito melhor do que nós o que é útil para nossa salvação. Ele sabe, então, que o emprego que às vezes tanto se deseja e que se reza para alcançar, talvez não seja bom para a minha alma. Dessa forma, nossa oração deve ter por objeto todo bem espiritual que nos dirige para a nossa salvação. Nossa oração pode ter por objeto também as coisas temporais, sabendo que Deus pode atender a essa oração ou não, na medida em que esses bens temporais são bons ou não para a nossa alma. Para rezar bem, é preciso, então, uma boa disposição e é preciso pedir coisas boas. Santo Agostinho diz que aquele que pede coisas contrárias à salvação, não as pede em nome de Cristo, por mais que o nome de NS seja invocado.
Além de ter uma boa disposição e de pedir o que é bom, devemos pedir de uma maneira que seja digna da majestade divina à qual nos dirigimos. Isso quer dizer que devemos rezar com uma verdadeira piedade. Essa piedade não se confunde com um ardor mais ou menos sentimental. Ao contrário, essa piedade se realiza com a atenção, com a humildade, com a confiança e com a perseverança.
Devemos, então, rezar com atenção: a distração voluntária – enfatizo bem: voluntária – acompanha muito mal o pedido de algo que não nos é devido. Como desejar que Deus ouça os nossos pedidos, se nós mesmos não escutamos aquilo que estamos dizendo. Se rezamos sem atenção, com sonolência, pensando em mil coisas estranhas à oração, já não se trata de oração, pois nossa inteligência e vontade estão e aplicando a outra coisa. Honramos Deus com os lábios, mas não com o nosso coração, com nosso espírito. Assim, devemos evitar as distrações voluntárias e combater as distrações involuntárias. E, se apesar de lutar contra as distrações involuntárias enquanto elas durarem, não conseguirmos afastá-las, nossa oração será, mesmo assim, plenamente agradável a Deus, pois fizemos o possível, com generosidade, para afastá-las, combatendo-as. Para evitar as distrações, é preciso escolher, na medida do possível, as circunstâncias que favoreçam a oração. Circunstâncias de lugar, horário… Ao rezarmos, devemos evitar também toda precipitação, e evitar rezar muito rápido, comendo as palavras… Para evitar as distrações, devemos procurar ter um recolhimento habitual, ter os sentidos mortificados, e a curiosidade mortificada. Se apesar disso, vêm as distrações, lutemos contra elas e nossa oração será tão meritória quanto se não houvesse distração. Uma Ave-Maria bem rezada honra mais a Nossa Senhora e dá mais frutos do que 100 rezadas de qualquer jeito. Rezar com atenção demanda esforço e paciência. Não devemos desistir sob pretexto de que não conseguimos, devemos progredir, ainda que lentamente.
Não basta rezar com atenção, devemos rezar com humildade. A Sagrada Escritura nos ensina que Deus resiste aos soberbos, mas que Ele dá a sua graça aos humildes. Devemos, então, quando rezamos, nos apresentar diante de Deus como o publicano, reconhecendo nossa incapacidade, nossas misérias, nossas fraquezas, nossa indignidade. Essa humildade é, antes de tudo, interior e ela faz que nos apoiemos unicamente na misericórdia infinita de Deus e nos méritos infinitos de Cristo. Não devemos apoiar a nossa oração nas nossos méritos, mas nos de Cristo. Essa humildade interior termina por se manifestar também exteriormente: o publicano não ousava nem levantar seus olhos. Se nos apresentamos diante de Deus com presunção e arrogância, com grande estima de nós mesmos e para mostrar nossas virtudes, nossas orações serão infalivelmente infrutíferas. Elas serão também estéreis, se, mais do que orações, elas forem exigências, como se Deus fosse obrigado a nos dar aquilo que pedimos. Deus resiste aos soberbos. Mas a oração daquele que se humilha penetra nos céus.
A piedade na oração implica também uma grande confiança. Nossa oração deve ser confiante porque ela se dirige a Deus, que é todo-poderoso e que quer o melhor para nós. Nossa oração se dirige à infinita bondade de Deus, que nos governa, que cuida de nós e que quer o melhor para nós. Se Deus nos ajuda tantas vezes mesmo quando não pedimos – como foi o caso nas Bodas de Caná – podemos ter certeza que Ele nos ouvirá se rezamos bem. Essa confiança na oração é um preceito dado por São Thiago : “se alguém quer pedir algo a Deus, peça com confiança.” Não deixemos de ter essa confiança total, caros católicos, em nossas orações. Começar a oração já pensando que Deus não me atenderá é um passo certeiro para Ele não me ouvir. E, claro, lembremos que Ele pode ou não nos conceder bens temporais na medida em que são bons ou não para a nossa alma. Falta confiança. É preciso notar que humildade e confiança não se contradizem na oração. A humildade é pelas fraquezas e misérias de quem reza. A confiança é pela onipotência e bondade de Deus.
A última qualidade da oração piedosa é a perseverança. Não basta pedir um instante, uma vez ou algumas vezes para sermos ouvidos, como se pudéssemos determinar o momento em que Deus deve nos conceder seus favores. Deus nos pede a perseverança na oração porque com muita frequência Ele não nos atende imediatamente, a fim de provar e purificar a nossa fé, a nossa confiança e a nossa humildade, a fim de nos fazer rezar mais, a fim de nos fazer apreciar melhor suas graças ou por outra razão digna de sua sabedoria. Vejamos, por exemplo, a perseverança do paralítico na piscina probática: ele esperou 38 anos, ele perseverou durante 38 anos. 38 anos. Ele poderia ter se revoltado e perdido a confiança em Deus. Mas não… Perseverou humildemente e com grande confiança e serenidade. E por que Deus fez esse paralítico esperar 38 anos? Para que ele fosse curado pelo Messias e para que por essa cura, os outros pudessem reconhecer o Verbo de Deus encarnado. Após 38 anos de espera, a cura foi muito mais perfeita não somente para o paralítico, mas também para os outros. A espera de 38 anos foi recompensada pela cura da alma dos que presenciaram a cena, vendo o milagre. A cura faz bem para nós, pois é um dos sinais que confirmam a missão divina de Cristo. E quantos exemplos de perseverança no Evangelho: a cananéia, que insiste para que NS dê as migalhas destinadas aos cachorros, o amigo importuno que pede o pão e tantos outros. Se pedimos bens espirituais – virtudes, conversão, perdão dos pecados – perseveremos sempre.
Devemos, ainda, acrescentar um desejo ardente de sermos atendidos, pois é a nossa salvação que está em jogo. Devemos rezar com diligência e querendo ser atendidos e não com indiferença ou tibieza. O Anjo disse ao Profeta Daniel: você foi atendido porque você é um homem de desejos
Eis, então, caros católicos, como devemos rezar. Mas falta algo que aumenta muito a eficácia de nossas orações: confiá-la nas mãos de Maria Santíssima para que ela apresente nossas súplicas ao seu Filho. Assim, se não estamos endurecidos no pecado, se pedimos coisas úteis para nossa salvação, e as pedimos com atenção, humildade, confiança, perseverança e fervor, seremos sempre e infalivelmente atendidos por Deus, se pedimos algo para nós mesmos. Rezemos, então, e rezemos muito e rezemos bem porque a oração bem feita é o alimento da nossa alma. Ela é a arma de defesa e de ataque contra o demônio, contra as tentações, contra o pecado. A oração bem feita é a chave dos tesouros celestes. Ela é o grande meio para nossa santificação e salvação. E se temos dificuldades para fazer uma boa oração, e certamente o temos, façamos como os Apóstolos e peçamos a NS que nos ensine a rezar, porque aquele que reza bem se salva, enquanto aquele que não reza se condena.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.