13 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mártir


Parte 4/9

Chegam ao monte Calvário e presencia a crucifixão.
Vê que arrancam ao seu Filho as roupas que ela com tanto carinho e tanto primor lhe tinha feito, vê que lhe tiram a túnica inconsútil que ela tinha tecido e nem sequer tem a consolação de recebê-la como recordação; os soldados sortearam-na entre eles. Ouve as pancadas do martelo sobre os cravos que despedaçam a carne delicadíssima formada com o sangue das suas veias. Vê o seu filho despido no alto da cruz; e ela, que com tanto amor vestiu o corpinho de seu filho na noite fria de Belém, agora não pode cobrir aquele corpo ensanguentado e ferido. O filho que ela tinha tratado com tanto respeito e carinho em seus braços virginais, vê-o preso com cravos ao madeiro da cruz. A fronte que ela reclinava sobre o seu coração, esta ferida pelos espinhos, sem apoio algum onde possa descansar; e ela não pode proporcionar-lhe alívio. Aqueles lábios, que tantas vezes a chamaram com o doce nome de Mãe, estão gretados, ressequidos; dizem que tem sede e não pode chegar-lhes um pouco de água.
No momento supremo da agonia, Jesus tem para ela um olhar e uma recordação última. Já que perde o seu filho único, proclama-a publicamente Mãe dos homens; mas essa maternidade espiritual é para ela outra fonte de sofrimentos. Terá que amar com amor de mãe os verdugos de seu filho, os que o cravaram naquela cruz de madeira e os que voltarão a crucificá-lo infinitas vezes com os seus pecados. Terá que cuidar deles, e interceder por eles. Seu filho deu-lhe o exemplo rogando por todos: "Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem".
Maria vê que a morte se aproxima de seu filho. Vê levantar-se aquele peito sagrado com o estertor da agonia. Vê fecharem-se aqueles olhos mais brilhantes que as estrelas. Ouve as últimas palavras daqueles lábios: "Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito". Vê que aquela cabeça, sede da sabedoria de Deus, cai inerte sobre o peito.
Seu filho morreu.

12 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mártir


Parte 3/9

O seu filho estava na plenitude da vida, o mais formoso dos filhos dos homens, e de repente levam-lho os seus inimigos aos tribunais e lho condenam à morte.
O apóstolo São João traz-lhe a notícia.
- "Senhora, vosso filho e meu Mestre foi condenado à morte e vai a caminho do suplício".
A mãe não espera um instante. Aquelas palavras do apóstolo são um chamamento que lhe faz Jesus. Atravessa as ruas de Jerusalém em companhia de João e espera numa encruzilhada que passe a comitiva.
Essa rua do encontro de Maria com seu Filho chamar-se-á a Rua da Amargura, porque não haverá no mundo rua que tenha sido teatro de amargura tão funda como a de Maria.
Ouve primeiro longínquas e confusas as vozes da plebe. Entre elas os assobios insultuosos que vêm cravar-se como flechas no seu coração. O rumor confuso aproxima-se. Não são as aclamações que naquelas mesmas ruas dias antes faziam a Jesus. São insultos, ameaças, blasfêmias.
Começa o desfile da comitiva.
Primeiro, o centurião romano a cavalo, em traje de campanha. O capacete, as couraças, e a lança brilham batidos pelo sol oriental do meio dia.
Depois, um pelotão de soldados romanos a pé, em traje de campanha também. No meio deles três réus com as suas respectivas cruzes. Um deles, é seu filho. Custa-lhe a reconhecê-lo. Vai esmagado com o peso da cruz, dessangrado pelo suor do horto, pelos açoites e pelos espinhos; o seu andar é lento e vacilante, as pernas vergam-se-lhe, o chão esta coberto de pedras, o sangue que lhe corre pelo rosto cega-o e não permite ver onde põe os pés. O seu aspecto é tão lastimoso que umas mulheres naturalmente compassivas ao vê-lo, começam a chorar. Tão esgotado esta, que os verdugos temem que morra no caminho. Assim o encontrou sua Mãe. Ao passar diante dela, Jesus detém-se um instante; levanta a cabeça e contempla-a através de um véu de sangue. A Mãe dirige o olhar para o seu Filho e olha-o através de um véu de lágrimas. Não podem falar-se com a língua. Nem lho permitem os soldados, nem podem pela emoção. Falam com o olhar. Também as almas assomam aos olhos e falam pelo olhar. Que olhar o de Jesus e de Maria na rua da Amargura, a caminho do Calvário! Que dizem? O Filho diz à Mãe:
- "Minha Mãe, já sabes para onde vou. Disse-to muitas vezes nas horas felizes da casinha de Nazaré. Acabei de dizer-to ao despedir-me de ti no cenáculo. Vim ao mundo para remir os homens com os meus sofrimentos e com a minha morte. Chegou a hora do sacrifício. Quero que me acompanhes nele. Quero que unas os teus sofrimentos aos meus. Eu vou para o Calvário com esta cruz pesada sobre os ombros. Segue-me com a cruz da tua amargura sobre o coração. Tens de estar comigo no altar da expiação: eu, oferecendo o sacrifício da minha vida, tu, oferecendo o sacrifício do teu coração".
Maria entende claramente o que seu filho lhe diz com o olhar; e com o seu repete o "Fiat" que pronunciou ao aceitar a maternidade, e que renovou toda a vida: "que se cumpra em mim a vontade de Deus".
Jesus começa a caminhar de novo. Maria vai atrás dele, silenciosa, com a alma desfeita, porém com a força de rainha dos mártires. Que mãe se atreveu a presenciar a execução do seu próprio filho!

11 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mártir


Parte 2/9

Maria vai andando no mundo com uma espada no coração, espada que se vai cravando cada dia mais.
Apenas deu os primeiros passos no caminho da maternidade, sente que se crava essa espada nas fibras mais delicadas do coração de uma mulher; mas ela cala-se e espera que Deus salve a sua honra.
Continua a caminhar pela senda da maternidade e a espada crava-se mais e o caminho torna-se mais áspero. Tem nos braços o seu filho recém-nascido e vê-o pobre, tiritando de frio e não tem uma casa, um abrigo onde recolher-se.
Continua a andar com o seu filho nos braços e o caminho converte-se num deserto arenoso e ardente; os pés afundam-se, porém vai depressa, com a espada cravada no coração, porque procuram o seu filho querido para o matarem.
Continua a caminhar e a senda torna-se mais e mais sombria. Uma noite tenebrosa envolve-a de repente porque o sol que a iluminava escondeu-se; o filho que adoçava todas as suas amarguras perdeu-se, e não sabe se os seus perseguidores o teriam matado.
Avança mais: e agora, o caminho é a senda que conduz ao suplício mais doloroso e afrontoso; levam por esse caminho a seu filho e ela tem de acompanhá-lo. A espada enterra-se rapidamente e cruelmente no seu coração.

10 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mártir


Parte 1/9

Bastaria saber que Maria foi Mãe, para deduzir que foi também mártir.
A maternidade traz consigo alegrias inefáveis, mas é também um martírio.
Todas as mães têm as suas dores na terra, porém Maria foi a Mãe Dolorosa por antonomásia.

9 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mulher


Parte 6/6

Hoje fala-se muito em feminismo e erradamente se crê que o feminismo consiste em igualar a mulher ao homem; em fazer que a mulher se pareça o mais possível com os homens.
Isso é monstruosidade e aberração: a mulher-homem.
O verdadeiro feminismo consiste em tornar a mulher, muito mulher, para que desempenhe com perfeição a missão especial que Deus lhe deu na terra.
Consiste em cultivar e aperfeiçoar as qualidades femininas, para chegar a ser mulher perfeita. Modernamente, vai-se multiplicando cada dia mais a mulher-homem. Estas a vê-la chegar todos os dias do estrangeiro. É difícil distingui-la do homem: veste como ele, guia o automóvel como ele, anda só por toda a parte como ele, senta-se nos bares como ele, como ele cruza a perna, como ele bebe, como ele fuma.
Qual é a atitude do homem ante essa mulher?
Não pode ver bem que a mulher invada o seu campo; por isso menospreza-a. Explora-a quanto pode para satisfazer as suas paixões; adula-a para conseguir dela o que pretende; mas não a respeita, não tem com ela atenções de cavalheiro.
Diz lá para consigo o homem: se te pões no mesmo nível que eu, porque te hei-de ceder o passo? porque te hei-de dar o lugar e ficar de pé? queres ser igual? Pois sejamos iguais em tudo.
Mais lamentável é, que saindo a mulher do seu campo de ação, não pode desempenhar a missão própria dentro do lar, missão que completa a do marido, e teremos no lar um homem e uma mulher-homem, porém faltará a mulher mulher, sem a qual o lar não pode ser perfeito.
Mulher, não te estima mais o que pretende deformar-te mas o que pretende aperfeiçoar-te.
Jovem, procura a tua perfeição; e essa perfeição não esta em que chegues a ser como o homem; esta em que desenvolvas as qualidades próprias que Deus te deu; qualidades belas, qualidades que te farão respeitada e amada pelos homens, e estimada aos olhos de Deus.
Como a Virgem Santíssima procura ser uma mulher perfeita.

O homem é agressão;
até quando ama fere.
A mulher é coração; 
até quando odeia, quer.

O homem faz a guerra.
A mulher com a sua mão,
As cicatrizes cerra.
Homem e mulher, eterno céu humano.
                           
                            Eusébio Rey, S. J.

8 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mulher


Parte 5/6

Outra qualidade muito feminina que se pode empregar para o bem ou para o mal, é a força de persuasão que Deus deu à mulher: a habilidade para conseguir o que deseja.
Com que simplicidade e com que habilidade maravilhosa, a Virgem Santíssima consegue de seu filho, não só que faça o milagre, mas que adiante a hora de fazer os milagres. E consegue-o apesar da forte repulsa que parece ter-lhe mostrado Jesus.
Condição muito própria das mulheres. A mulher tem um poder irresistível sobre a vontade do homem. A que se deve essa força? A um conjunto de circunstâncias.
Por parte do homem, há certo galanteio e carinho e superioridade que gosta de proteger e teme desgostar.
Por parte da mulher a insinuação carinhosa, a insistência e, como argumento supremo, as lágrimas.
O homem fica desarmado ante as lágrimas de uma mulher, quando são razoáveis. Magnifica condição esta, se se emprega para o bem; terrível, se é empregada para o mal. Eva empregou-a para arrastar seu marido ao pecado e acarretou a ruína a toda a humanidade.
 Maria emprega-a para fazer bem aos homens.
Como mulher que és, também tu possuis essa força de persuasão, e essa arte de render vontades; porém não a empregues para o mal; não utilizes essa arma para te ferires e ferires os mais.
Jovem, não empregues essa qualidade para tirares dinheiro aos teus pais, para o gastares em caprichos e vícios. Não a empregues para conseguir deles que te levem ou te deixem ir a sítios de pecado, ou para que te comprem vestidos provocantes com que faças pecar os mais.
Se és noiva, não empregues essa qualidade para arrastar o noivo a lugares de diversão onde tenha de gastar dinheiro que não tem.
Se és esposa, não a empregues para convencer o teu marido a comprar-te vestidos caros e a levar-te a divertimentos, que não correspondam à tua posição social, porque o levarás a necessidade de roubar para satisfazer os teus caprichos.
Não empregue essa qualidade para conseguir que te leve a bailes e diversões onde possa afrouxar o laço que une os vossos corações e ponha em perigo a felicidade conjugal.
Em quantas coisas a podes empregar bem!
Emprega-a em levar as almas a Deus...
Jovem, tens um irmão ou uma irmã que começa a extraviar-se; podes fazer com que voltem ao bom caminho. Tens um pai que vive afastado da igreja; tu podes levá-lo a pouco e pouco a Deus. Acaso é a tua própria Mãe que esta afastada; devendo ser ela a ajudar-te, tens de ser tu a ajudá-la a ela. O teu noivo não é irreligioso, senão devias deixá-lo; mas anda um pouco descuidado; e tu podes ir avivando nele o fogo que esta debaixo da cinza. 
Mulher casada, o teu marido era bom, amigo do lar; porém um grupo de amigos afasta-o da igreja e da casa. Arrastam-to pouco a pouco. Emprega essa bela qualidade para prendê-lo.
Mulher, quem quer que sejas:
Há muitas almas que vivem em pecado; a sua vontade esta muito presa ao vício e necessitam uma força muito poderosa para quebrar essa cadeia. Tu podes consegui-lo, para isso deu-te Deus a força da persuasão. Há necessidade de realizar muitas obras de caridade e para elas são necessários recursos; emprega a tua habilidade de render vontades em cativá-las para que socorram os necessitados.

7 de março de 2018

Tesouro de Exemplos - Parte 460 e 461

MENINOS VALENTES

1. Méndez Gil era um menino mexicano da vila La Piedad. Encontrando-se com alguns soldados, estes lhe perguntaram como se chamava e quiseram obrigá-lo a tirar do peito o distintivo da Cruzada Eucarística. O menino opôs-se-lhes e não tirou o distintivo. Levaram-no à presença do general, que lhe perguntou:
— Quem és tu?
— Méndez Gil, para servir a Deus — respondeu o menino.
— Por que te trouxeram aqui?
— Porque trago este distintivo.
— E que significa esse distintivo?
— Que eu pertenço à Cruzada Eucarística.
— E tu, o que és?
Méndez Gi!, descobrindo-se, exclama:
— Sou católico, apostólico, romano!
O General, admirado do valor e coragem daquele menino, disse aos soldados:
— Tirem da minha presença esse menino; mas deixem-no em liberdade.

2. Durante os tristes dias da Segunda República Espanhola, quando tanta guerra se fazia ao Crucifixo, uma menina muito piedosa ia pela rua, ostentando alegremente em seu peito a pequena imagem de Jesus Crucificado. Alguns operários, logo que a viram, começaram a zombar. A menina, sem fazer caso deles, tomou o crucifixo e beijou-o com muita reverência, continuando depois o seu caminho. A tarde tomou a passar por ali e viu como um operário, ajoelhando-se diante dela, disse: "Menina, esta manhã nós te insultamos e insultamos o teu Cristo. Tu nos deste um bom exemplo de coragem cristã; eu quero aproveitá-lo e reparar o mal que fizemos. Permite-me que adore e beije o teu crucifixo”.

6 de março de 2018

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Mulher


Parte 4/6

Porém não cai só na conta da falta, compadece-se da vergonha que sofrerão os noivos, e nisso aparece também mulher perfeita, pois é uma nota característica do caráter feminino, a compaixão.
Uma mulher verdadeiramente feminina não pode ver ninguém a sofrer. Compadece-se e procura aliviar o sofrimento ainda que seja a custa de sacrifício próprio. Por isso há mais mulheres que homens nas casas de beneficência onde se executa a caridade.
Os homens malvados exploram esta bela qualidade da alma feminina. Faz-me pena. É a frase que sai continuamente dos lábios da mulher: faz-me pena.
Esta bem que tenhas pena, porém só daquilo que mereça a tua compaixão. Que tenhas pena dos doentes, dos pobres, e procures ajudá-los com obras de caridade, com essas mãos delicadas de anjo que Deus te deu; e deu-tas para isso. Que tenhas pena dos atribulados, dos que sofrem ma alma tristezas mais dolorosas que as dores corporais; que tenhas pena e procures aliviar essas tristezas com palavras consoladoras, que só um coração sensível e dedicado, como o que Deus te deu, pode inspirar.
Que tenhas pena dos seres mais desgraçados que são os pecadores, e faças obras de zelo para os salvar. Que tenhas pena dos seres extraviados que vão pelo caminho da perdição eterna; Talvez alguém da própria família; e para salvá-lo sacrifiques tudo, se for necessário a própria vida, pois de tudo é capaz o coração compassivo e sacrificado da mulher. Há raparigas que se encerram num convento de vida rigorosa para conseguirem a conversão de seus pais ou de alguém da família.
Quantos seres desgraçados merecem a compaixão do teu coração? Que tenhas pena de tudo o que entristecia o coração da Virgem Santíssima. Porém não tenhas pena do que não merece compaixão.
Não tenhas pena desse homem vicioso mesmo da tua família que gastou os seus haveres e talvez os dos filhos em folias, em vícios e em pecados e agora quer comover o teu coração, para arrancar-te também a ti o teu dinheiro e arrastar-te com ele à miséria.
Tem pena, sim, dos teus pecados, de que ele não esta arrependido; mas não tenhas pena dos seus vícios, nem o auxilies com dinheiro contribuindo assim para multiplicar as suas ofensas a Deus.
Não tenhas pena desse homem casado, que diz ser uma vitima, um incompreendido de sua mulher e te pede consolo, como? cometendo ele um adultério e tu o pecado mais horrendo, que destruirá toda a tua vida. Não tenhas pena do seu sofrimento, se é que de fato sofre, e não é ele o verdugo que faz sofrer, como sucede quase sempre. Tem pena da sua esposa a quem esta atraiçoando; e pensa o que sentirias se estivesses no seu lugar. Tem pena da alma desse desgraçado que vai para o inferno, e não o empurres para que vá mais depressa pela pendente abaixo. Tem pena da tua pobre alma que grita: Para aliviar as penas desse que diz sofrer atiras-me a mim para o inferno?
Sê caritativa, mas que comece a caridade pela tua pobre alma. Não tenhas pena desse jovem hipócrita que chama sofrimento ao ímpeto da sua paixão brutal que não é dominada e sim fomentada por toda a classe de pecados; e para remediar isso que ele chama sofrimento, pede-te que sacrifiques a tua honra e condenes a tua alma. Tem pena do pecado que ele cometeria contigo e do qual tu serias responsável. Tem pena de excitar ainda mais a sua paixão com esse pecado que poderias cometer com ele. Tem pena de teus bons pais que se esmeraram tanto em educar-te bem; e irias tornar nulos todos os seus cuidados com uma ação abominável. Tem pena de teus pais, pensando o que sofreriam, se algum dia chegassem a conhecer a tua conduta. Tem pena de teus filhos, se Deus tos der, que sofreriam a desonra de ter tido por mãe uma mulher que se portou indignamente na sua juventude. Tem pena de ti, que vais perder o mais belo, o mais precioso que pode ter uma mulher: a pureza, a honra. Tem pena de ti, que devendo ser um anjo, vais tornar-te um ser desprezível aos olhos de Deus e aos olhos dos homens.
assim serás a mulher perfeita como a Santíssima Virgem.