3 de dezembro de 2017

Missa Tridentina - Padre Thiago - IBP - Capelania Militar do Exército

Missa Tridentina

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Dezembro 2017

03/12: Domingo 09:30h - Oração do Santo Terço
                           10:00h - Missa

Local: Capelania Militar Nossa Senhora das Vitórias – Capelania Militar do Exército
Endereço: Rua Francisco Rocha, nº 740
Bairro: Batel - Curitiba - Paraná
Referência: Hospital Geral de Curitiba (Hospital Militar) e Colégio Estadual Julia Wanderley



Mapa Capela

2 de dezembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Desposada

Parte 2/8


Quando os Evangelhos nos apresentam pela primeira vez Maria, dizem-nos que ela vivia em Nazaré e que estava casada com um homem santo chamado José.
Nazaré, pequeníssima povoação da Galileia, na encosta de uma colina, e encerrada num anfiteatro de montanhas. As suas casas são pobres; meio casas, meio covas, pois em parte estão cavadas na rocha.
A etimologia do seu nome é poética e simbólica. Nazaré significa flor da Galileia; porém essa flor bem podia ser a violeta, a flor que mais se oculta, ainda que o seu perfume penetrante e esquisito a descubra; como a Virgem Maria humilíssima, que tinha de passar grande parte da sua vida nessa pequena povoação de Nazaré, perfumando a terra com o aroma das suas virtudes.
Em Nazaré se celebraram os esponsais e a boda da Santíssima Virgem.
O matrimônio hebreu tinha dois atos solenes separados pela distância aproximada de um ano. Esses dois atos eram: os desposórios e a condução da esposa à casa do esposo. antes do desposórios realizavam-se certos ajustes entre as famílias dos noivos; ajustes que tinham alguma coisa de negócio. Os homens em todos os tempos foram interesseiros. É de supor que entre os parentes de Maria e José, não surgissem conflitos econômicos nesses ajustes preliminares. Os representantes dos noivos combinaram por um lado, qual seria o patrimônio e o dote de Maria, assunto fácil, pois era órfã e única herdeira.
Por outro lado, fixou-se o crédito de casamento que José daria no caso de morte ou de repúdio. Não, pôde ser muito, pois José era artífice que vivia do trabalho de suas mãos.
Uma manhã de primavera, nos grupos de nazarenas, ouviram-se diálogos como este:
- Maria vai casar-se com o seu parente José.
- Boa sorte teve o carpinteiro em ser parente de Maria.
- É mais pobre do que a noiva.
- Porém é trabalhador.
- Maria é ativa e recolhida, é muito bem educada e é formosa também; merecia melhor que José.
Não falta alguma invejosa que acrescente:
- Maria parece-me um pouco rara, não é como as mais.
- Porém é carinhosa e afável com todos.
A conclusão definitiva é que os noivos são muito parecidos e farão um lar feliz.

1 de dezembro de 2017

As Mais Belas Histórias do Cristianismo - Parte 18

18. O TESTEMUNHO DOS MÁRTIRES.

Numa de suas conversas com os seus Apóstolos, depois da Ceia, Nosso Senhor os adverte das perseguições que sofreriam, para que não se escandalizassem, quando chegassem os dias difíceis. "Eu vos disse estas cousas, para que não vos escandalizeis. Lançar-vos-ão fora das sinagogas... disse-vos estas cousas, para que, quando chegar o tempo, vos lembreis de que eu vo-las disse" (S. João XVI,
4).
Outras e semelhantes advertências fez Cristo a seus apóstolos, e as encontramos nos Evangelhos: "Por isto, eis que eu vos envio profetas e sábios e escribas, e matareis e crucificareis uns, e açoutareis outros nas vossas sinagogas, e os perseguireis de cidade em cidade" (S. Mat. XXIII, 34).
"Lançar-vos-ão as mãos, e vos perseguirão, entregando-vos nas sinagogas e nos cárceres, e vos levarão à presença dos reis e governadores, por causa de meu nome" (Luc. XXI, 12). Se não fossem avisados, certamente os apóstolos e cristãos se escandalizariam diante das perseguições, das grandes heresias e da aparente inutilidade da Redenção. "Os golpes previstos e esperados, diz S. Gregório, são mais fáceis de serem suportados".
Antes de tudo, seriam expulsos das sinagogas, uma das mais infamantes penas entre os judeus. E os Apóstolos se submeteram a este opróbrio pelo nome de Jesus. E os discípulos não seriam mais do que o Mestre. "'Lembrai-vos daquela palavra que eu vos disse:
Não é o servo maior do que o seu senhor. Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós" (S. João XV, 20).
E na própria Jerusalém tiveram início as perseguições. A doutrina cristã se expande e os Apóstolos são levados ao Sinédrio, arrastados aos tribunais e se realizam as primeiras perseguições sangrentas. Saulo, zeloso pelas tradições de seus antepassados, cheio de ódio e ameaças, incentiva aqueles que apedrejam a Estêvão, e corre a Damasco para prender os fiéis cristãos. São Tiago é o primeiro Apóstolo a derramar por Cristo o seu sangue.
Em Roma, capital do Império, onde se firmaria para sempre o cristianismo, movem os Imperadores terríveis e sangrentas perseguições aos cristãos. Aos pés de seus ídolos os pagãos imolam milhares e milhares de mártires, vingando os seus deuses do ultraje que lhe faziam os servos de Cristo, que se recusavam a adorá-los, renegando sua pretensa divindade.
Diante das narrativas dos "Acta Martyrum", nos comovemos face à sublime coragem dos mártires do cristianismo. Para o heroísmo não há distinções entre os grandes e pequenos, sábios e ignorantes, nobres e plebeus. A graça a todos fortifica, e a constância, firmeza e calma, com que enfrentam a morte, causam admiração aos próprios perseguidores.
Dão os mártires o testemunho de sua fé pela palavra e pelo sangue.
Mártir é aquele que dá testemunho e que sofre torturas. Gritam bem alto a sua fé e suas palavras transmitem uma sabedoria sublime: "Gravai, pois, nos vossos corações o não premeditar como haveis
de responder, porque eu vos darei uma boca e uma sabedoria, a qual não poderão resistir, nem contradizer, os vossos inimigos" (Luc. XXI, 14-15). O destemor e coragem com que enfrentam os seus algozes, somente se explicam por um auxílio divino. Santo Estêvão, o protomartir, proclama bem alto a sua fé e desde então os exemplos se sucedem.
Basta a simples e firme declaração: "Eu sou Cristão", como o fizeram os mártires africanos. Ou então afirmações explícitas, como as de S. Justino: "Adoramos o Deus dos cristãos, cremos que é o único Deus, o Criador de tudo, e cremos no Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus anunciado pelos profetas e enviado para salvar o mundo:"
Ao testemunho da palavra, seguia-se o testemunho do sangue, e os cristãos já compreendiam, por graça de Deus, a sublimidade e glória do martírio, perder a vida para a salvar. Diante do testemunho dos mártires, os outros cristãos se entusiasmavam e criavam novas energias, e assim se estruturava o cristianismo nascente. Já para os pagãos este heroísmo era motivo de admiração e até mesmo de compaixão para muitos. E não foram poucos os algozes que se converteram à vista da convicção e fortaleza dos mártires cristãos.
O sangue dos mártires, que correu incessante durante as primeiras perseguições, foi um testemunho da Divindade de Cristo, da poderosa vitalidade da Igreja e ainda "fecunda semente de cristãos", na exclamação feliz de Tertuliano.
O mártir é o perfeito imitador de Cristo. "'Adoremos Cristo como Filho de Deus, mas, com justa razão, veneremos os mártires como discípulos e imitadores do Senhor" - é a bela expressão que encontramos na narrativa da morte de S. Policarpo.
"A maior prova de amor é dar a vida por aqueles que amamos", disse Nosso Senhor. Por nós ele deu a sua vida, na prova mais sublime de seu amor, e os mártires outra cousa não fizeram senão corresponder à infinita misericórdia de um Deus, que, morrendo por nós, retribuiu-nos a verdadeira vida da graça.
As perseguições contra os discípulos nunca cessaram. Em todos os tempos e em todos os povos, de várias e diferentes maneiras, se têm levantado, evidenciando o ódio e o medo do mundo pela verdade.
No mundo antigo, foram os cristãos perseguidos, porque sua missão era libertar os espíritos e as inteligências oprimidas pelo paganismo. Aí se travaram as grandes perseguições contra o Império Romano, detentora oficial do culto aos deuses. O cristianismo venceu pela bravura de seus membros e pela divindade de sua doutrina.
O Coliseu de Roma, no seu esplendor de ouro e mármore, permanece em suas ruínas, como lição viva da fidelidade dos cristãos primitivos. Aí correu o sangue de milhares e milhares de mártires que consagraram a arena romana pelo vigor sublime de sua fé e amor a Cristo.
No mundo moderno e atual, continuam os cristãos a serem perseguidos, pois é a luta do paganismo para readquirir o seu lugar, o que jamais conseguiu desde que brilhou no mundo a luz da verdade cristã. Vem ele agora na forma de ideologias ateias e materialistas, procurando a desordem da sociedade e a desunião entre as várias classes sociais, para assim abafar o sentimento cristão da humanidade.
E novos coliseus se levantaram pelo mundo, cercados por fortes cortinas de ferro, atrás das quais geme a Igreja do Silêncio. É o cristianismo que volta ao silêncio e recolhimento das catacumbas.
São as perseguições previstas e anunciadas pelo Salvador, "não vos escandalizeis". A verdade, por fim, ficará vitoriosa. Com todo furor e violência, os perseguidores outra cousa não fazem senão justificar a palavra de São Paulo: "Nada podemos contra a verdade, senão pela verdade" (II Cor. XIII, 8).
"Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus, pois também perseguiram os profetas, que existiram antes de vós" (S. Mat. V, 11-12).
São as célebres palavras que se extraem do extraordinário Sermão da Montanha, garantia da recompensa para aqueles que perderam a sua vida para a salvar eternamente.
E no seu discurso aos Apóstolos após a Última Ceia, Nosso Senhor os advertia P confortava: "Haveis de ter aflições no mundo, mas tende confiança, eu venci o mundo." (S. João XVI, 36).

30 de novembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Desposada


Parte 01/12

O acontecimento familiar, que mais se presta para a fotografia, é o casamento.
Tiram-se fotografias dos noivos ao entrar e ao sair da igreja; do altar primorosamente adornado, das cerimonias nupciais e da missa; tiram-se fotografias dos convidados e do banquete; e, como se isto fosse pouco, os recém casados vão ao melhor fotógrafo vestidos com os trajes de casamento, para obterem um retrato artístico, que se conservará como recordação perene nas salas de casa.
Esta coleção de retratos da Virgem ficaria incompleta, se nela faltassem as fotografias do seu casamento.

29 de novembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem


Parte 11/11

Porém ainda não chegou a suprema glorificação das almas virgens. Esta glorificação terá lugar no fim dos tempos no dia da ressurreição.
Diz Santo Ambrósio, o grande defensor e panegirista da virgindade, que os corpos virgens serão os primeiros a ressuscitar e a entrar nos céus. É justo que seja assim.
A ressurreição é a glorificação do corpo do homem, e justo é que os corpos mais mortificados, os que sacrificaram até os prazeres lícitos, para se fazerem semelhantes a Jesus crucificado sejam também os que sigam mais de perto Jesus Cristo glorioso, ressuscitando primeiro.
Por isso o corpo da Rainha das Virgens, o mais puro de todos, ressuscitou pouco depois de morrer e recebeu a sua glorificação, no dia da sua Assunção e Coroação nos céus.
Os corpos virgens serão os primeiros a ressuscitar e serão também os primeiros a entrar no céu, e serão recebidos pelos anjos, seus irmãos e seus modelos, que porão sobre eles diademas de flores incorrutíveis.
E serão os primeiros, a ser recebidos pela Mãe de Deus, Rainha das Virgens. Ela os estreitará contra o seu coração e os apresentará ao Eterno Pai dizendo: Estes são os fiéis a meu Filho, os que guardaram sem mancha os divinos desposórios. O próprio Jesus os recomendará também a seu Eterno Pai: "Meu Pai, estas são as almas que eu guardei com mais esmero, e que me serviram com maior generosidade.
Nelas, com mais gosto que em nenhumas outras, reclinei a minha cabeça, porque eram muito puras, e o meu gosto é viver entre lírios de pureza.
Por isso peço-te que onde eu esteja, elas estejam também e formem a minha corte de honra e me acompanhem para onde quer que eu vá".
As virgens ressuscitadas, guiadas pela Rainha de todas, formarão a corte de honra de Jesus Cristo glorioso no céu, como formaram também na terra.
Aí tendes o retrato de Maria Virgem, na moldura mais bela que podem ter, os seus filhos que na terra a imitaram, guardando virgindade.

28 de novembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem


Parte 10/11

Jesus permanece na terra, perpetuado na Eucaristia e nos pobres; porém vive glorioso e viverá eternamente no céu.
E Jesus Cristo glorioso no céu tem também a sua corte de honra: a mesma de sempre, as almas virgens. "Pascitur inter lilia".
Contemplou esse espetáculo grandioso, quando ainda vivia na terra, João Evangelista. Com o seu olhar de virgem viu Jesus Cristo, rei da glória, sentado no seu trono, à direita do Pai, e à volta d'Ele como uma teoria de apoteose, as almas virgens, a sua corte de honra.
Como timbre de nobreza, essas almas têm gravado na sua fronte o nome de Jesus e o do Pai Eterno, que as coroam a modo de um diadema. Entoam um cântico belo e harmonioso, cântico novo que ninguém no céu consegue aprender. Esse hino é forte como o estrondo da catarata que se desprende da montanha, é ao mesmo tempo harmonioso, como a música de centenas de cítaras.
As almas virgens têm o privilégio de acompanhar de perto o cordeiro de Deus, Jesus Cristo Rei, para onde quer que vá, e escalam com Ele os cumes mais altos da bem aventurança aonde não podem subir os outros bem aventurados.
Santo Agostinho, que teve uma juventude tormentosa, vê com santo pesar este exército de virgens e diz: Além, nas regiões da glória, Cristo vai acompanhado por todos os bem aventurados que povoam o céu: os que foram pobres de espírito, os que choraram, os que tiveram misericórdia...
Porém chega um momento em que o Rei da glória começa a escalar cumes elevadíssimos. atrás d'Ele, vai primeiro a sua Santíssima Mãe, a Rainha das almas virgens; e atrás dela os que a imitaram na terra, guardando a virgindade.
Os que não foram virgens no mundo detêm-se ao pé da montanha, não podem seguir o voo daquelas almas privilegiadas e com pesar os vêem escalar cumes, para eles inacessíveis, donde desfrutam panoramas desconhecidos para os outros santos do céu.

27 de novembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.,

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Virgem


Parte 9/11


Porém Jesus, ainda que subindo glorioso aos céus, perpetuaria a sua presença na terra: perpetua-la-ia na eucaristia e nos pobres; e nesta sua permanência contínua, não quis prescindir da sua corte de honra, quis viver rodeado de almas virgens.
"Pascitur inter lilia".
Vive Jesus perpetuamente na Eucaristia e à volta do seu trono quer ver almas virgens. 
Virgens quer que sejam os sacerdotes que pegam no seu corpo: os lábios que o fazem baixar dos céus e as mãos que o sustentam e apresentam à adoração dos fiéis como o sustentou e apresentou sua Santíssima Mãe.
Virgens quer que sejam os coros de religiosos que velam dia e noite diante do sacrário formando a sua guarda perpétua.
Jesus vive também perpetuado nos doentes, nos velhos desamparados, em todos os pobres.
Disse-o Ele mesmo: Tive fome, tive sede neles. O que fizerdes com eles, comigo o fazeis. E Jesus nos seus pobres quer viver rodeado e cuidado por almas virgens.
São essas religiosas que oferecem a Deus a virgindade e se dedicam a cuidar de Jesus nos pobres, nas crianças, nos velhos, nos doentes e satisfazem assim o instinto de maternidade que Deus deu a todas as mulheres.
Quer Jesus que a sua corte de honra na terra seja formada por almas virgens; e para recrutar a sua guarda predileta, um dia lançou o pregão de recrutamento.
Disputavam os apóstolos com certo egoísmo filosófico, as vantagens e desvantagens do matrimônio; e Jesus, o rei das almas virgens, aproveita a ocasião para promulgar a carta magna da virgindade. Começa com uma advertência necessária. Nem todos são capazes de compreender esta doutrina. Há pessoas, diz Jesus, que são incapazes para o matrimônio, por defeito físico de nascimento. Outras o são por malefício dos homens; e há finalmente quem o seja voluntariamente pelo reino dos céus. Está lançado o pregão, quem possa entender que entenda.
A voz de Jesus transpôs muito depressa as fronteiras da Palestina, transbordou pelos peristilos das academias helênicas e pelos palácios dos magnatas romanos e chegou até aos desertos áridos do Egito e aos vales solitários da Síria; e de toda a parte surgiram legiões de virgens dispostas a seguir o seu chamamento.
A todo este exército glorioso deu Jesus uma rainha, um modelo e uma protetora, a Virgem por excelência, sua Mãe Santíssima; e disse a todos: "Já que haveis de cuidar de mim na eucaristia e nos meus pobres, fazei-o como cuidou de mim minha Mãe Santíssima na terra; aí tendes o modelo, sede virgens como ela." E desde então Maria começou a ser a Rainha das virgens. "Regina virginum".
E desde então, centenas e milhares de jovens se afastarão do carinho do lar paterno e renunciarão às satisfações legítimas de um lar próprio, para seguir o convite de Jesus, é verdade, porém estou em dizer, que mais talvez para imitar e seguir de perto a Maria, a Rainha das Virgens.


26 de novembro de 2017

Sermão para o 24° Domingo depois de Pentecostes – Padre Daniel Pinheiro, IBP


[Sermão] A Meditação Católica




Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
“Meditando as coisas racionais, possamos executar, pelas palavras e atos, o que Vos agrada.”
São as palavras da oração da coleta deste Domingo de hoje. A meditação é, de fato, necessária para que possamos executar bem aquilo que é a vontade de Deus, executar bem e com verdadeira constância. A oração da coleta nos fala das coisas racionais. O que são essas coisas racionais? São a verdade e, ainda mais propriamente, as verdades eternas, as virtudes, os fatos da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Nossa Senhora, dos Santos.
É preciso meditar, caros católicos, porque as coisas espirituais não se vêem com os olhos do corpo, mas somente com os olhos da alma. Quem não medita, não vê, portanto, as coisas espirituais. Caminha sem enxergar, sem ter luz. Caminha tateando. E quem caminha tateando no escuro tem risco de errar o caminho e de cair e não levantar-se. Aquele que não tem em vista – com os olhos da alma e pela Meditação  – as coisas espirituais, vai deixar-se levar facilmente pelas coisas sensíveis, pelas paixões, pelas coisas sensuais, pelas coisas do mundo.
Falamos aqui, é evidente, da meditação católica, que não se confunde nem de longe com essa meditação  oriental, às vezes chamada de meditação  transcendental, ou de qualquer outro nome  que queiramos dar. Essa meditação errônea que visa não querer nada, não desejar absolutamente nada. A meditação católica é precisamente o contrário. A meditação católica nos leva ao conhecimento da verdade, ao amor pela verdade e pelo bem. E nos leva a desejar a verdade ardentemente e nos dispõe a sofrer bem por ela. A meditação é a aplicação da nossa razão, movida ou iluminada pela fé, a uma verdade, a uma virtude, a um fato da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Nossa Senhora, dos Santos. Ela é a aplicação da nossa razão iluminada pela fé para considerar o bem dessa virtude ou a profundidade dessa verdade; aplicação da razão para mover nossa vontade, pela caridade, a amar esse bem, essa virtude; aplicação da razão para que eu considere como está a minha vida com relação a essa verdade, com relação a essa virtude, com relação a esse exemplo dado por Nosso Senhor, Nossa Senhora, ou os Santos; aplicação da razão para que eu possa fazer uma resolução, corrigindo, então, a minha vida nesse ponto considerado na meditação. Finalmente, ela se conclui com uma ação de graças a Deus pela meditação bem feita.
Quem não medita, caros católicos, não conhece verdadeiramente seus erros e não os abomina, como nos diz São Bernardo. Quem medita, ao contrário, vê – com o tempo de meditação constante – claramente seus erros e procura remédio para os seus defeitos, os seus pecados. Ao mesmo tempo, aquele que medita, considera também as perfeições divinas e é levado assim ao amor de Deus.
Portanto, a meditação considera duas coisas. Primeiro, o conhecimento de si mesmo diante de Deus, com nossas misérias, com os nossos pecados, com os nossos defeitos. Mas ao mesmo tempo, a meditação nos faz considerar as perfeições divinas, nos leva ao conhecimento de Deus. Se a meditação fosse somente para o conhecimento de nós mesmos, seríamos levados ao desespero. Se fosse somente para o conhecimento de Deus, poderíamos ser levados à presunção, a pensar que poderíamos nos salvar sem nos converter verdadeiramente. A meditação considerando as duas coisas, minhas misérias e as perfeições de Deus, me leva, então, à boa vida espiritual, a corrigir os meus defeitos, apoiando-me com confiança na graça divina.
“A meditação regra nossas paixões, dirige nossas ações, corrige os nossos defeitos”, como diz São Bernardo. E Santa Teresa D’Ávila dizia que quem negligencia a meditação não precisa de demônio para levá-lo ao inferno. Quem negligencia a meditação não precisa de um demônio que o tente. Quem negligencia a meditação caminha sozinho, com seus próprios passos para o inferno, assim diz a Santa. E Santo Afonso de Ligório nos diz claramente, com toda razão, é evidente, que a meditação católica não pode coexistir com o pecado mortal. Se a pessoa se entrega à meditação cotidiana, no tempo que lhe é possível – que sejam quinze minutos por dia para começar – ou vai deixar o pecado mortal, ou deixará a meditação. É impossível que as duas coisas convivam. Isso porque, pela meditação, vamos considerar e conhecer toda a malícia do pecado e toda a bondade de Deus, nos levando assim a evitar o pecado, em primeiro lugar, para não ofender a Deus. Muitos ficam num estado de pecado mortal ou não conseguem sair dele com estabilidade, simplesmente porque não pensam, porque não meditam. Não pensam, não meditam, como dissemos mais acima, nas verdades eternas, nas virtudes, nos próprios defeitos, nas ocasiões de pecado a serem evitadas. Não meditam nas causas que o conduzem ao pecado e não meditam nas perfeições divinas, na Sua bondade, na Sua justiça, na Sua misericórdia, por exemplo. E assim dizia já o profeta Jeremias: “A terra está em desolação porque ninguém se recolhe em seu coração para meditar.” (Jer 12, 11) Ninguém pára para pensar nas verdades eternas.
É preciso então, caros católicos, se ainda não o fazemos, começar a Meditação hoje. Aplicar a nossa razão durante alguns minutos, a uma verdade eterna, a uma virtude. Considerar o bem disso, mover a nossa vontade a amar isso, ver como está a minha vida com relação a esse ponto e tomar uma resolução firme, bem concreta, bem prática, para ser praticada no dia, e, claro, para influenciar toda a vida. Começar e perseverar. Não desistir nas primeiras distrações que virão certamente quando não temos o hábito da meditação. Perseverar apesar das eventuais omissões que faremos nas meditações em algum dia. Perseverar para alcançarmos essa estabilidade. Perseverar apesar das mais variadas dificuldades, das interrupções que teremos que fazer, eventualmente, em virtude dos nossos deveres de estado. Assim, se diz, na vida de Santa Francisca Romana, que ela começou a meditar um salmo, quando seu marido a chamou para fazer algo. Ela deixou, então, a meditação. Feito aquilo que lhe tinha sido pedido, voltou à meditação. Uma segunda vez seu marido a chamou, e novamente interrompeu a Meditação, depois voltando à oração. E assim quatro, cinco vezes, porque o dever de estado é preciso ser cumprido, mas ao mesmo tempo a Santa voltava à meditação, pois isso lhe era possível. Quando voltou na quinta vez, viu, então, os anjos em festa pela sua devoção, pela sua grande dedicação.
Perseverar apesar das dificuldades, que não serão poucas. O demônio sabe o valor da meditação e o quanto ela contribui para a nossa santificação. São Luís Maria Grignion de Montfort diz que o demônio fará de tudo para que não rezemos nosso Terço cotidiano por causa do seu valor imenso. Fará ainda mais contra a meditação, que é muito mais eficaz ainda do que o Terço para a nossa santificação. Sem a meditação não é possível desejar seriamente, buscar seriamente a vida de santidade. Devemos, então, buscar as coisas profundamente pela meditação. “Duc in altum”, nos diz Nosso Senhor Jesus Cristo, “lançai as redes no mar profundo”. (Luc 5, 4)
Devemos, então, nos entregarmos à meditação para nos mantermos unidos a Deus de maneira estável, inamovível, se assim podemos dizer. Estando assim unidos a Deus, encontraremos a alegria em todas as situações, mesmo nas cruzes, essa alegria profunda da alma. Se começarmos e perseverarmos na meditação bem feita, na qual vamos melhorando pouco a pouco, a nossa vida espiritual crescerá como o grão de mostarda, do qual nos fala Nosso Senhor Jesus Cristo no Evangelho. Começará pequeno, mas se tornará uma árvore frondosa, na qual vêm habitar os pássaros, isto é, todas as virtudes. Comecemos e perseveremos na meditação, caros católicos. Meditando as coisas racionais, possamos executar, pelas palavras e atos, o que Vos agrada.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.