12 de setembro de 2017

Sermão para o 12º Domingo depois de Pentecostes – Padre Daniel Pinheiro, IBP

[Sermão e Vídeo] O Bom Samaritano e o desânimo na prática da religião



Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Ave Maria…
A pergunta do doutor da lei deve ser a pergunta das nossas vidas, caros católicos: “Mestre, o que devo fazer para alcançar a vida eterna?” Não basta perguntá-la, mas é preciso colocar a resposta em prática.
O doutor da lei chama NSJC de Mestre e lhe faz a pergunta para tentá-lo, para ver se NSJC se opõe à lei mosaica, e poder, assim, condená-lo, ou para ver se NSJC cai em alguma contradição, a fim de desacreditá-lo diante do povo. Nosso Senhor, conhecendo a malícia desse doutor da lei, deixa que o próprio doutor da lei responda. E ele o faz muito bem, mostrando conhecimento do que se deve fazer para alcançar a vida eterna, embora não pareça colocar o que sabe em prática. O doutor da lei diz que se deve amar o Senhor Deus com todo o coração, com toda a alma, com todas as forças, com todo o entendimento.
É preciso que em nossas vidas, nas decisões que tomamos, nas situações em que nos encontramos, nas ações que fazemos… é preciso sempre que nos perguntemos o que devemos fazer para alcançar a vida eterna. Como nos diz o doutor da lei, confirmado por NS, devemos amar o Senhor nosso Deus de todo o coração, quer dizer, com toda a nossa vontade, querendo unicamente Deus em nossas vidas e querendo as outras coisas somente enquanto nos levam a Ele. Devemos amar o Senhor nosso Deus com toda a nossa alma, quer dizer, com todas as faculdades, com todos os sentimentos sempre ordenados para Deus, com toda nossa vida ordenada para Deus. Como nos diz São Paulo: “quer comais, quer bebais, fazei tudo para a glória de Deus.” E devemos amá-lo com todas as nossas forças, quer dizer, devemos amá-lo ao máximo. Como diz São Bernardo: a medida do amor a Deus é amá-lo sem medida. Finalmente, devemos amá-lo com todo o nosso entendimento, quer dizer, nosso amor deve ser guiado pela fé, pois para amar realmente a Deus sobrenaturalmente, a fim de alcançar a vida eterna, é preciso conhecê-lo pela fé verdadeira, pela fé católica. Amar a Deus, caros, católicos, não é algo vago, não é um sentimento mais ou menos beato, não é sentir-se em paz ou na presença de Deus. Já falamos disso várias vezes, mas insistimos, pois é esse um dos principais erros dos nossos tempos, mesmo dentro da Igreja Católica.
Mas, padre, é impossível amar a Deus dessa forma, diriam muitos. Como renunciar a tantas coisas que quase todo mundo faz normalmente? Como conformar nossa vontade com a vontade de Deus, mesmo nas cruzes? Como educar meus filhos nesse mundo? Como eu, jovem, posso abandonar todas essas coisas que meus colegas fazem?  Nós estamos no mundo, padre, se renunciarmos a tantas coisas e buscarmos a conformidade em tudo com a vontade de Deus, seremos desprezados pelos outros, vamos sofrer muito, seremos tristes, vamos tornar a nossa vida aborrecida. É impossível conseguir viver de modo verdadeiramente católico nesse mundo em que o pecado nos espera no nosso próximo passo. É impossível amar a Deus com todo o nosso ser. É impossível na sociedade em que vivemos e no momento de crise por que passa a Igreja. Temos que nos dividir entre Deus e o mundo. Se não o fizermos, será impossível viver. Eis aqui a tentação do desespero, caros católicos. Eis a tentação daquele que busca seguir a Cristo e que quer fazê-lo bem, mas que diante de tantas dificuldades e cruzes vai pouco a pouco desanimando, arrefecendo e tem a forte tentação de desistir. E quantos, de fato, terminam desistindo, dizendo que preferem abandonar tudo, já que não são capazes de amar a Deus inteiramente. Diante dessa tentação de desespero, é preciso reagir com a esperança sobrenatural, caros católicos.  Lembremo-nos, caros católicos, que em nenhum momento NS prometeu a paz – como o mundo a entende – aqui na terra. Ao contrário, ele prometeu a espada, ele disse que seus discípulos deveriam carregar a cruz. Mas ao mesmo tempo, Ele disse que estaria conosco até o final dos tempos e que estaria conosco todos os dias. Se Deus nos faz viver hoje, nessa sociedade, nesse momento de crise na Igreja, é porque podemos amá-lo inteiramente, é porque podemos alcançar a vida eterna. Podemos esperar com toda confiança e certeza que Deus nos dará os meios necessários para nos salvar e nos dará esses meios com abundância, se buscamos com sinceridade observar os seus mandamentos. E devemos esperar com firme confiança em Deus porque Ele é infinitamente bom e todo-poderoso. Ele é infinitamente bom. Isso significa que Deus quer que nos salvemos. Isso significa que Ele nos dará todas as graças, todos os meios para que nos salvemos. Isso significa que Ele não pode nos pedir o impossível. Deus é todo-poderoso. Isso significa que para ele nada é impossível. O que para nós sozinhos é impossível, com Deus se torna plenamente possível. É evidente que, sozinhos, nos é impossível amar inteiramente a Deus, não somente nos tempos em que vivemos, mas em qualquer tempo. Com Deus, podemos amá-lo inteiramente sempre em qualquer circunstância. Como diz Santo Agostinho: “Porque Deus não manda coisas impossíveis, mas quando manda, quer que façamos o que podemos e que peçamos o que não podemos, e Ele nos ajuda a poder”. E como diz São João: “os seus mandamentos não são pesados” (1Jo 5, 3).
Devemos ter grande e firme confiança porque Nosso Senhor Jesus Cristo é o Bom Samaritano da parábola de hoje. O homem despojado dos seus bens e ferido somos nós, a humanidade, despojada da graça pelo pecado e ferida com suas más inclinações, consequências do pecado. Aquele homem descia de Jerusalém para Jericó. Jerusalém simboliza a pátria celeste, a virtude, o bem. Esse homem deixava o caminho da virtude e, viajando sozinho, colocava-se em situação de perigo, pois era bem sabido que na estrada havia assaltantes. Esse homem somos nós que, seguindo muitas vezes a sugestão do mundo, da nossa vontade própria ou do demônio, deixamos muitas vezes a vida da graça, nos colocamos em ocasião de pecado e caímos, somos feridos pelo pecado, despojados da graça, da amizade com Deus. Esse homem, assaltado e ferido pela própria negligência somos nós, que por nossa culpa, por nossos descuidos nos afastamos de Deus, de Jerusalém, do céu e descemos para Jericó, para o pecado, para o inferno. Ainda assim, sabendo que esse homem era culpado de seus próprios males e sabendo que se tratava de um inimigo (Judeus e samaritanos eram inimigos e se assume que o ferido e despojado é um judeu, embora não esteja dito explicitamente), o bom samaritano o socorreu, colocando vinho e óleo nas suas feridas, levando-o para a estalagem e pagando as despesas. O Bom Samaritano é NSJC. É NSJC que, nos vendo em estado de pecado (por nossa própria culpa, como é claro), que nos vendo inimigos de Deus, portanto, inimigos d’Ele pelos nossos pecados, vem em socorro. Quanta bondade! Quanta misericórdia! Nosso Senhor coloca o vinho para purificar nossas feridas, fazendo-nos expiar por elas por meio dos sofrimentos, e das cruzes. Nosso Senhor coloca o azeite, nos restituindo a graça, nos auxiliando nas nossas provações, tornando nosso jugo suave e leve. Ele nos leva para a estalagem que é Igreja, em particular nos leva para a confissão. É Ele quem paga, em primeiro lugar, pelo nosso estado de pecador. Ele paga sofrendo e morrendo na cruz por nós. Bondade infinita! Misericórdia infinita! A parábola do Bom samaritano deve nos dar, caros católicos, grande esperança! Vejamos o que Cristo faz com aquele que ainda é seu inimigo. Muito mais fará com aquele que busca servi-lo com todo o seu ser. Cabe a nós implorar o socorro desse Bom Samaritano e deixar que Ele nos salve. E quando, por infelicidade, cairmos, procuremos na Estalagem, que é a Igreja, o vinho e o azeite, que é a confissão dos nossos pecados. As quedas – que devemos procurar evitar a todo custo – não devem nos desanimar, ou nos fazer desesperar, ou diminuir nossas práticas religiosas. Devemos nos levantar para servir a Deus com maior vigor e afinco. Quando vier a tentação do desespero, de desistir, recitemos confiadamente o ato de esperança, praticando a virtude oposta a esse pecado. Não devemos arrefecer, não devemos abandonar nossas práticas devocionais, mas devemos mantê-las e até aumentá-las, se for possível.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

11 de setembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 405

VIDA SIMPLES E MODESTA

O bom Ganganelli, uma vez eleito Papa, não modificou nada em sua vida simples e modesta. Quis continuar sempre frade mesmo no meio de sua esplêndida corte. As suas refeições eram frugalíssimas, e preparadas por Frei Francisco, um converso, que, por sua humildade e ingenuidade, o Papa estimava muito. Os cortesãos observavam-lhe que a dignidade papal andava diminuída com aquele regime de vida, mas o Pontífice respondia invariavelmente:
— Que quereis que eu faça? São Pedro e São Francisco não me ensinaram a banquetear-me esplendidamente.

10 de setembro de 2017

Programação Missas Tridentinas - Padre Renato Coelho - IBP

Missas Tridentinas

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Setembro 2017

07/09: Quinta     09:30h - Atendimento Confissões
                           11:00h - Missa
08/09: Sexta       09:30h - Atendimento Confissões
                           10:30h - Oração do Santo Terço*
                           11:00h - Missa
09/09: Sábado    18:00h - Missa
                           19:00h - Palestra
10/09: Domingo 10:30h - Oração do Santo Terço
                           11:00h - Missa
* Não haverá a Oração do Terço as 19:30h

Local: Capela Nossa Senhora Aparecida da Associação da Vila Militar
Endereço: Avenida Marechal Floriano Peixoto, 2057
Bairro: Rebouças - Curitiba - Paraná

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

X X

JESUS CRISTO, COROA DE TODOS
OS SANTOS
(Festa de Todos os Santos)


DEUS pôs todas as coisas sob os pés do Seu Filho: constituiu-O chefe de toda a Igreja, que é o Seu corpo e a Sua plenitude.
Estas linhas de S. Paulo indicam-nos o mistério de Cristo, considerado no Seu Corpo Místico que é a Igreja .
Em todas as conferências precedentes, tivemos a satisfação de contemplar a própria pessoa de Jesus, os Seus estados humilhações, lutas, grandezas, triunfos; não podemos desprender os nossos olhares dessa adorável Humanidade, que é para nós o modelo de toda a virtude e a fonte única de toda a graça.
Mas todos os mistérios do Homem-Deus têm como fim o estabelecimento e a santificação da Igreja : Propter nos et propter nostram salutem. Jesus Cristo veio para constituir uma sociedade que pudesse «aparecer diante d'Ele gloriosa, sem mancha nem ruga, santa e imaculada».
Tão estreita e íntima é a união contraída com ela, que Ele é a cepa e ela os ramos. Ele a cabeça e ela o
corpo, Ele o Esposo e ela a Esposa. Assim unidos, formam o que Santo Agostinho tão justamente chama o «Cristo total».
Cristo e a Igreja são inseparáveis; não se concebe um sem o outro. Por isso, ao terminar estas conferências sobre a pessoa de Jesus e Seus mistérios, devemos falar-vos dessa sociedade que S. Paulo chama «O complemento de Cristo», sem a qual o mistério de Jesus não atinge a sua perfeição.
Como sabeis, neste mundo, esta união inefável opera-se na fé, pela graça e pela caridade; consuma-se nos esplendores dos céus e na visão beatífica. Eis porque, chegada ao fim do ciclo que se propõe percorrer, a Liturgia celebra por uma festa solene - Todos os Santos - a glória do reino de Jesus. Reúne num mesmo louvor toda a multidão da sociedade dos eleitos para exaltar o seu triunfo e glória, incitando-nos ao mesmo tempo a seguir-lhes o exemplo, para compartilharmos da sua felicidade.
É que esta sociedade é una, como Jesus Cristo é um. Ao tempo deve seguir-se a eternidade; neste mundo as almas aspiram à perfeição, mas o termo não se encontra senão nessa sociedade gloriosa;  além disto, o nosso grau de beatitude mede-se pelo grau de caridade que atingimos na hora em que deixamos este mundo.
Explicar-vos-ei, em primeiro lugar, as razões que temos para tender a esta beatitude celeste; veremos em seguida os meios de a conseguir

9 de setembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Noiva


Parte 6/8

Deve ser de boa família.
É verdade que numa família que não seja boa pode existir um jovem bom; porém isso não é o vulgar.
Ao homem fazem-no a natureza e a educação. A natureza recebe-a o homem de seus pais e de seus antepassados; e a educação, ainda que não completamente, também a recebe principalmente da família.
É verdade que se podem corrigir os defeitos herdados; é verdade que a má educação familiar pode ser contrariada por outra educação melhor; porém tudo isso é muito difícil. Por isso deve ser o jovem de boa família.
Deve gozar de boa saúde. sem enfermidades contraídas pelo vicio, que transmitirão taras gravíssimas aos seus filhos. sem enfermidades contagiosas que contaminarão os que vivem com ele. Sem enfermidades crônicas, que o impeçam de trabalhar e sustentar a casa e convertam a esposa numa enfermeira dele.
Não deve ser vicioso. Raparigas inconscientes e de gosto estragado, atrevem-se a dizer que preferem um jovem muito vivido; quer dizer, um jovem vicioso.
Por que o preferem? Será porque o julgam varonil? Que engano! Mais bestial, sim; porém mais varonil, não. Mais varonil é o que vive mais como homem; quer dizer, o que submete as suas paixões à razão.
O mais provável é que esse jovem vicioso conhece melhor a arte de enganar, porque enganou a muitas, e a jovem que o prefere será mais uma vitima.
O jovem vicioso leva para o matrimônio um coração envelhecido. O jovem vicioso é grosseiro, com as grosserias que aprendeu nos lugares de perdição. O homem que foi vicioso na sua juventude provavelmente continuará sendo-o depois de casado. E, sobretudo, o jovem vicioso transmitirá aos seus filhos uma natureza tarada pelo vicio.
O jovem e a jovem, que aspiram a ser esposos, devem procurar ter a maior semelhança possível. 
O primeiro matrimônio que Deus formou no paraíso foi um matrimônio ideal; e ouve o que disse Deus: Demos ao homem uma companheira semelhante a ele. Mais ideal ainda foi o matrimônio que o mesmo Deus preparou para que nesse lar vivesse o Filho de Deus feito homem. A Virgem e São José, que semelhantes eram! Nobre ele, e nobre ela. Empobrecido ele e empobrecida ela. Santo ele, e Santa ela. Com desejos de virgindade ele, e com voto de virgindade ela.
O companheiro que Deus te tem preparado, tem de ser semelhante a ti. Em que o há de ser? Há de ser semelhante na idade, um pouco mais velho do que tu.
Semelhante nos gostos e inclinações. 
Semelhantes no caráter; porque sempre haverá pequenos desgostos entre os esposos, porém dois caracteres opostos estarão chocando-se continuamente e tornarão a vida insuportável.
Semelhantes na posição social. É verdade que há esposos de posição social diferente, e que vivem felizes; porém existem nisso sérios perigos. Se o esposo é de posição muito mais elevada que a da esposa, existe o perigo de que a considere como uma criada mais. se sucede o contrário, o homem que tem pundonor, viverá numa suspeita constante, pensando que a sua esposa pode julgar que a procurou pelo dinheiro e não por amor, e qualquer motivo sem fundamento irá mexer na ferida que tem aberta no coração.
Mas os esposos devem ser semelhantes sobretudo no espírito religioso, porque nada há que una tanto os espíritos como a religião nem que os separe tanto como a diferença de crenças. Por isso a igreja põe obstáculos ao matrimônio entre pessoas de religiões diferentes.
Periga a fé do cônjuge católico e periga a educação religiosa dos filhos.
Perigos semelhantes existem entre uma jovem piedosa e um jovem sem religião.
Periga a fé da esposa, ainda que ele prometa respeitar as suas crenças; respeitá-las-á com o decorrer do tempo? E ainda supondo que as respeite, quanto terá que sofrer o coração da esposa!
sofrerá ao ver que vive na obscuridade e que corre o perigo de se condenar aquele homem a quem ela quer tanto.
Para conservar a paz, terão que evitar na conversação inumeráveis assuntos que dariam lugar a apreciações diferentes. E, sobretudo, surgirão entre eles conflitos muito graves de consciência.
É que no matrimônio existem problemas fundamentais, que tem de ser resolvidos de comum acordo; e para isso devem os esposos ter o mesmo critério cristão.
O problema dos deveres matrimoniais.
O problema do número de filhos.
O problema da educação laica ou religiosa que se deve dar a esses filhos.
Quando o marido sem religião pretenda opor-se a algum destes deveres sagrados, a esposa cristã terá que impedir isso e dizer: "Nom licet", não é permitido.
O homem sem religião não verá a razão por que é ilícito, e dar-se-á a discórdia num ponto fundamental dentro do matrimônio e tornar-se-á impossível a união.
Falamos do jovem sem religião, do jovem que não tem fé, ou a tem quase morta. Não falamos do jovem descuidado que conserva a fé que lhe infundiram na infância, porém tem-na enterrada sob as cinzas das vicissitudes da juventude.
A este jovem descuidado, a esposa pode trazê-lo a pouco e pouco ao bom caminho; poderá avivar essa fé oculta, porém não morta; ao jovem sem religião, não. Com este será uma de tantas apóstolas do marido fracassadas.
O jovem que escolheres para marido, deve ser trabalhador. Mais do que rico, trabalhador. O que foi destinado para esposo da Santíssima Virgem era pobre, mas trabalhador.
A jovem, e muito mais os pais, olham para o que o pretendente pode herdar; e não se fixam tanto em se é ou não trabalhador.
Não reparam que o rico borguista empobrecerá; e que o trabalhador, ainda que não seja rico, melhorará a sua posição social.
Não reparam que o rico se é folgazão, será vicioso; porque a ociosidade é origem de todos os males, e o dinheiro abre a porta a todos os vícios.
Esse marido rico e folgazão satisfará a sua esposa todos os caprichos; mas a esposa não será feliz, alguma traça roerá os seus vestidos preciosos.
Direis que é difícil encontrar um jovem que reúna todas estas condições.
É verdade. Mas eu pus-vos diante do jovem ideal. E apresentei-vos esse ideal, para que o jovem que escolhas, se aproxime o mais possível dele, embora não o iguale em tudo.



8 de setembro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 404

OUTRA DO MESMO PAPA

Uma princesa perguntou, certa vez, a Clemente XIV se jamais tivera de lamentar-se de indiscrição de seus secretários. — Não — respondeu o Papa, — e são dez os meus secretários ...
E assim falando, mostrava à dama os dez dedos das mãos...

7 de setembro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

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E por isso que, sem perder de vista o temor (não o temor servil do escravo que tem medo do castigo, mas o temor de ofender a Deus que nos criou ), sem pôr de parte o pensamento da recompensa que nos espera se formos fiéis, devemos procurar ter habitualmente para com Deus aquela atitude de confiança filial e amor que Jesus Cristo nos revelou como sendo a da Nova Aliança.
Efetivamente, Jesus Cristo sabe, melhor do que ninguém, quais devem ser as nossas relações com Deus, pois conhece os segredos divinos. Ouvindo-O, não corremos risco algum de nos perdermos: Ele é a própria Verdade. Ora, que atitude quer Ele que tenhamos para com Deus? Sob que aspecto quer que O contemplemos e honremos? Ensina-nos, é certo, que Deus é o Senhor soberano a quem devemos adorar. «Está escrito: Adorarás ao Senhor e só a Ele servirás». Mas «este Deus que devemos adorar é um Pai»: Veri adoratores adorabunt Patrem in spiritu et veritate, nam et Pater tales quaerit qui adorent eum.
E será a adoração o único sentimento que deve fazer palpitar os nossos corações? Constituirá ela a única atitude que devemos ter diante desse Pai que é Deus? Não: Jesus Cristo ajunta-lhe o amor, um amor pleno, perfeito, sem reserva nem restrição. Quando perguntaram a Jesus qual era o maior dos mandamentos, o que é que respondeu? «Amarás ao Senhor teu Deus, com todo o coração, com todo o espírito, com toda a alma, com todas as forças». Amarás: amor de complacência para com este Senhor de tão grande majestade, para com este Deus de tão elevada perfeição; amor de benevolência com que se procura a glória d 'Aquele que é objeto desse amor; amor recíproco para com Deus «que primeiro nos amou».
Deus quer, portanto, que as nossas relações com Ele estejam impregnadas de reverência e ao mesmo tempo de profundo amor. Sem a reverência, o amor corre perigo de degenerar em negligência grosseira, altamente perigosa: sem o amor que nos impele com todo o entusiasmo para o Pai, a alma vive no erro e faz um ultraje ao dom divino.
E, para conservar em nós estes dois sentimentos aparentemente contraditórios, Deus comunica-nos o Espírito do Seu Filho Jesus que, pelos dons de temor e piedade, harmoniza em nós, na justa proporção que reclamam, a mais íntima adoração com o mais temo amor: Quoniam estis fílli, misít Deus spiritum Filli sui in corda vestra.
É este o espirito que, segundo os ensinamentos do próprio Jesus, deve reger e governar toda a nossa vida; é «O espírito de adoção da Nova Aliança», que S. Paulo opôs ao «espirito de completa escravidão» da Antiga Lei.
Perguntar-me-eis talvez a razão desta diferença. É que, desde a Incarnação, Deus vê a humanidade no
Seu Filho Jesus: por causa d' Ele, envolve toda a humanidade no mesmo olhar de complacência de que é objeto Seu Filho, nosso irmão mais velho; por isso, quer que, como Ele, com Ele, por Ele, vivamos «como filhos muito amados».
Dir-me-eis ainda: Como é possível amar a Deus que não vemos? Deum nemo vidit unquam. -É verdade que «a luz divina é inacessível neste mundo »; Deus, porém, revelou-se-nos em Seu Filho Jesus: lpse illuxít cordibus nostris . . . in facie Christi Jesu. O Verbo Incarnado é a revelação autêntica de Deus e das Suas perfeições; e o amor que Jesus Cristo nos mostrou não é mais do que a manifestação do amor que Deus nos tem.
Com efeito, o amor de Deus é, em si, incompreensível: ultrapassa completamente o nosso entendimento; não entra no espírito do homem conceber o que é Deus; n'Ele as perfeições não são distintas da natureza; o amor de Deus é o próprio Deus: Deus caritas est.
Como poderemos então ter uma ideia verdadeira do amor de Deus? Vendo a Deus, que se nos manifesta duma forma tangível. E que forma é esta? A Humanidade de Jesus. Cristo é Deus, mas Deus que se revela a nós. A contemplação da Santa Humanidade de Jesus é o caminho mais seguro para chegar ao verdadeiro conhecimento de Deus. «Quem me vê, vê o Pai»; o amor que nos mostra o Verbo Incarnado revela o amor do Pai para conosco, pois «O Verbo e o Pai são um só»: Ego et pater unum sumus.
Uma vez estabelecida esta ordem, nunca mais se altera. O cristianismo é o amor de Deus a manifestar-se ao mundo por Jesus Cristo; e toda a nossa religião deve resumir-se na contemplação deste amor em Cristo e corresponder a este amor de Cristo para chegar até Deus.
Tal é o plano divino; tal é o pensamento de Deus a nosso respeito. Se não nos adaptarmos a ele, não haverá para nós nem luz nem verdade; não haverá segurança nem salvação.
Ora a atitude essencial que de nós reclama este plano divino é a de filhos adotivos. Somos seres tirados do nada, e diante «deste Pai de imensa majestade» devemos prostrar-nos com o sentimento da mais profunda reverência; mas a estas relações fundamentais que nascem da nossa condição de criaturas sobrepõem-se, não para as destruir, mas para as completar, relações infinitamente mais extensas e íntimas, que resultam da nossa adoção divina e se resumem todas em servir a Deus por amor.
Esta atitude fundamental, que deve corresponder à realidade da nossa adoção celeste, é particularmente favorecida pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Fazendo-nos contemplar o amor humano de Cristo para conosco, esta devoção introduz-nos nos segredos do amor divino; inclinando as nossas almas a reconhecê-Lo por uma vida toda movida pelo amor, conserva em nós
aqueles sentimentos de piedade filial que devemos ter para com o Pai.
Quando recebemos a Nosso Senhor na Sagrada Comunhão, possuímos em nós este Coração divino que é uma fornalha de amor. Peçamos-Lhe instantemente que nos faça compreender esse amor, pois nisto um raio de luz do alto é mais eficaz do que todos os raciocínios humanos; peçamos-Lhe que acenda em nós o amor à Sua pessoa. «Se, por uma graça do Senhor, dizia Santa Teresa, o Seu amor se gravar um dia no nosso coração, tudo nos será fácil; rapidamente e sem a menor dificuldade, chegaremos às obras».
Se este amor à pessoa de Jesus estiver em nosso coração, dele nascerá a nossa atividade. Poderemos encontrar dificuldades, ser submetidos a grandes provações, sofrer violentas tentações; mas, se amarmos a Jesus Cristo, estas dificuldades, estas provações, estas tentações achar-nos-ão firmes: Aquae multae non potuerunt exstínguere caritatem. Porque, «quando o amor de Jesus Cristo nos impele, já não queremos viver para nós mesmos, mas para Aquele que nos amou e que morreu por nós»: Ut et qui vivunt,  jam non sibi vivant, sed ei qui pro ipsis mortuus est.

6 de setembro de 2017

Retratos de Nossa Senhora, Juan Rey, S. J.

RETRATOS DE NOSSA SENHORA

Nossa Senhora Noiva


Parte 5/8

Jovem, que vais crescendo e sentes que desperta o teu coração com ânsias veementes de amor e procuras à tua volta um companheiro a quem entregar esse amor, com a condição de que ele te entregue o seu!
Ainda não tens idade de procurar esse companheiro e já estas inquieta sobre a tua sorte. Tens pais na terra que também pensam no teu futuro, porém talvez com miras pouco elevadas. Mas tens um pai no céu. Deus também é teu Pai. E Deus, que te destina ao matrimônio, já te tem preparado o companheiro da tua vida, com o qual serás feliz. Não duvides que já o tem preparado.
Disse-nos Jesus Cristo que não cai um cabelo da nossa cabeça sem a disposição divina; como não há de Deus intervir com a sua providência neste assunto, um dos mais importantes da vida do homem?
Porém tu não confias em Deus, afastas-te d'Ele, e antes de tempo lanças-te em busca desse companheiro, com o receio de ficares solteira. Teus pais, levados pelo mesmo receio, empurram-te a isso também.
E encontrarás talvez algum jovem; porém não é esse o que Deus te destinou, porque procuraste-o antes de Deus querer.
Esse não te apresenta Deus, mas sim o demônio. E para que? Para que sejas a pedra de escândalo em que tropeces e caias, e sejas desgraçada.
Também não encontrarás o companheiro que Deus te destinou numa diversão pecaminosa; porque a essa diversão não manda Deus que vás, nem tu nem ele.
Tampouco será o companheiro destinado por Deus o que te incite a pecar; o que te diga que lhe mostres o carinho que lhe tens, ofendendo a Deus.
A Providência divina manifesta-se, às vezes com um encontro que parece casual, e foi preparado por Deus. Em todo o caso tu mesma tens que escolher empregando os meios naturais que estão ao teu alcance.
É difícil  a escolha, porque a paixão do amor cega muito a inteligência e impede-a de discorrer acertadamente.
A jovem que está apaixonada não quer ver as más qualidades daquele a quem ama, só reconhece as boas qualidades.
Não quer fazer caso das pessoas que a aconselham bem. Por isso tens que fazer a escolha, antes que o coração esteja muito interessado. E tens que orar e rezar muito para fazeres uma escolha acertada.
E rezar não é fazer novenas aos santos, aos quais o povo atribui a especialidade de arranjar noivos. Rezar é pedir a Deus e à Virgem Santíssima que te iluminem e disponham as coisas de maneira que, se o jovem não te convém, se desfaçam as relações. Rezar é refletir à luz das verdades sobrenaturais se o jovem que se te apresenta reúne as qualidades que deve ter um bom esposo.
Dirás: Que condições são essas?
Dir-te-ei as qualidades de um jovem ideal; para que aquele que escolheres se assemelhe o mais possível com ele.