16 de janeiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 260

ÂNSIA DE SANTIDADE

Quando S. Gema Galgani era ainda colegial, a Irmã Julia quis entreter as meninas, tirando a sorte para ver qual delas havia de ser santa. Para isso tomou tantos pauzinhos quantas meninas havia. Os pauzinhos eram todos iguais, exceto o da sorte, que era o mais comprido. Cada uma das meninas ia tirando um e a que pegasse o da sorte devia ser santa. Providencialmente, sem dúvida, o da sorte coube a Gema e ela, não podendo conter-se de alegria, deu um salto, exclamando:
— Sim, sim, eu me farei santa.
A mestra dizia-lhe com freqüência:
— Pensa que deves ser uma “Gema”. Gema, isto é, uma pedra preciosa.
Para a consolar e tranquilizar, disse-lhe um dia Nosso Senhor: “Chegarás a ser santa, farás milagres depois de tua morte e, um dia, serás elevada à honra dos altares”

15 de janeiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

III

Acontece, por vezes, que a estrela desaparece dos nossos olhos. Quer a inspiração da graça traga em si um carácter extraordinário, como no caso dos Magos, quer se prenda (e é para nós o caso maís fre-quente) à providencia sobrenatural de todos os dias, a estrela deixa, por vezes, de se manifestar; vela-se a luz; a alma mergulha nas trevas espirituais. Que fazer então?
 Vejamos como procederam os Magos nesta ocorrência. A estrela só se lhes mostrou no Oriente; depois desapareceu: Vidimus stellam ejus in Oriente. Ao revela-lhes o nascimento do Rei dos Ju- deus, não lhes indicara o astro maravilhoso o lugar preciso onde poderiam encontrá.-Lo. Que fazer? Dirigiram-se para Jerusalém, capital da Judeia metrópole da religião judaica. Onde melhor do que na cidade santa poderão eles encontrar o que procuram?
 Assim também, quando a nossa estrela desaparece, quando a inspiração divina não indica com exactidão o que temos a fazer e nos deixa na incerteza, Deus quer que recorramos à Igreja, aos que o representam entre nós, para que eles nos tracem a rota a seguir. É a economia da Providência divina. Deus quer que a alma, nas dúvidas e dificuldades da sua ascensão para Jesus Cristo, implore luz e direção daqueles que estabeleceu como Seus representantes junto de nós: Qui vos audit, me audit. Vede Saulo na estrada de Damasco. Ao chamamento de Jesus, exclama imediatamente: «Senhor que quereis que eu faça? » Que lhe responde Jesus Cristo? Em vez de lhe dar a conhecer diretamente a Sua vontade, dirige-o para os Seus representantes: «Entra na cidade e lá te será dito por outrem o que deves fazer».
Submetendo as aspirações de nossas almas à direção dos que têm a graça e a missão de nos guiar na busca e consecução da união divina, não corremos nenhum risco de nos transviarmos, quaisquer que sejam os merecimentos pessoais daqueles que nos dirigem. Na época em que os Magos chegaram a Jerusalém, a assembleia dos que tinham autoridade para interpretar as Sagradas Escrituras era em grande parte constituída por elementos indignos; e, no entanto, Deus quis que fosse por ministério e ensinamento destes que os Magos soubessem oficialmente do lugar onde nascera Jesus Cristo. Com efeito, Deus não pode permitir que a alma seja enganada, quando, com humildade e confiança, se dirige aos legítimos representantes da Sua soberana autoridade.
 Muito pelo contrário, ela tornará a encontrar a luz e a paz. Como os Magos ao sair de Jerusalém, a alma verá de novo a estrela resplandecente de brilho e, a exemplo deles, seguirá, cheia de alegria, o seu caminho: Videntes autem stellam, gavisi sunt gaudio magno valde.

14 de janeiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 258 e 259

É A VIRTUDE QUE ENOBRECE

1. Conta-se que um rei de Castela, Espanha, vestia-se de pano ordinário como a gente do povo e que, por isso, um dia, os cortesãos lhe disseram:
— Senhor, não fica bem que um rei tão poderoso se vista assim; a côrte toda veria com muito júbilo que Vossa Alteza ostentasse ricas galas e tivesse luxuosos côches em suas cavalariças, como os monarcas estrangeiros.
— Estais enganados, — respondeu o soberano — um rei não deve levar vantagem a seus súditos no traje, mas nas virtudes. O dinheiro Deus dá a qualquer um; a virtude; porém, só aos bons.

2. Carlos IX, rei de Franca, perguntou ao célebre poeta italiano Torquato Tasso:
— Que te parece? Quem é mais feliz?
— Deus — respondeu o poeta.
— Bem; mas entre os homens?
— O que mais se assemelha a Deus.
— Bem; mas como poderemos conseguir a maior semelhança com Deus? Com a força? Com o poder.?
— Não — respondeu Tasso; — mas com a prática da virtude.

13 de janeiro de 2017

Dom Columba Marmion - Jesus Cristo nos seus mistérios.

II

Se examinarmos agora algumas circunstâncias da narração evangélica, veremos quão rico de ensinamentos é este mistério.
 Disse-vos que os Magos, em Belém, representavam os gentios na vocação à luz do Evangelho. O procedimento dos Magos indica-nos as características que deve ter a nossa fé.
 O que se nota, em primeiro lugar, é a generosa fidelidade desta fé. Vede: a estrela aparece aos Magos. Qualquer que fosse o seu país de origem -.Pérsia, Caldeia, Arábia ou Índia, - segundo a tradição, os Magos pertenciam a uma casta sacerdotal e entregavam-se ao estudo dos astros. É mais que provável que não ignorassem a revelação feita aos judeus dum rei que seria o seu libertador e senhor do mundo. O profeta Daniel, que predissera a época da Sua vinda, estivera em relação com os Magos; pode ser até que eles não desconhecessem a profecia de Balaão, de que «uma estrela se levantaria em Jacob». Seja como for, eis que uma estrela maravilhosa lhes aparece. O seu brilho extraordinário, ferindo-lhes os olhos, chama a atenção deles e, ao mesmo tempo, uma graça interior de iluminação esclarece as suas almas; esta graça fazia-lhes pressentir a pessoa e as prerrogativas d' Aquele cujo nascimento o astro anunciava; a estrela inspirava - lhes que O fossem procurar para Lhe tributarem as suas homenagens. 
É admirável a fidelidade dos Magos à inspiração da graça. A dúvida não lhes perturba sequer o espírito; sem raciocinarem, tratam da execução imediata dos seus desígnios. A indiferença ou o cepticismo dos que os cercam, o desaparecimento da estrela, as dificuldades inerentes a uma expedição daquele gênero, a distância e os perigos do caminho, nada os demove. Obedeceram sem demora e com constância ao chamamento divino. « Vimos a Sua estrela no Oriente e viemos»;  partimos logo que ela se nos mostrou. 
Quer se trate de vocação à fé, quer dum apelo à perfeição, os Magos são nisto o nosso modelo. Há, com efeito, para toda a alma fiel uma vocação à santidade: Sancti estote quia ego sanctus sum: «Sede santos, porque eu sou santo». Assegura-nos o Apóstolo S. Paulo que, desde toda a eternidade, existe para nós um decreto divino, cheio de amor, que contém este convite: Elegit nos ante mundi constitutionem, ut essemus sancti et immaculati in conspectu ejus. E «para aqueles que Ele assim chama à santidade, Deus tudo faz convergir para o bem »: lis qui secundum propositum vocati sunt sancti. A manifestação desta vocação é para cada um de nós a sua estrela. Reveste variadas formas, segundo os desígnios de Deus, o nosso carácter, as circunstâncias em que vivemos, os acontecimentos em que estamos envolvidos; mas brilha na alma de cada um em particular. 
E qual foi o fim deste chamamento? Para nós, como para os Magos, levar-nos a Jesus. O Pai celeste faz brilhar a estrela em nós, pois, é o próprio Jesus Cristo quem o diz, «ninguém vem a mim, se meu Pai que me enviou o não atrair»: Nemo potest venire ad me, nisi Pater qui misit me, traxerit eum .
 Se ouvirmos com fidelidade o apelo divino, se seguirmos generosamente para a frente com os olhos postos na estrela, chegaremos até Jesus Cristo que é a vida das nossas almas. E, quaisquer que sejam os nossos pecados, as nossas faltas, as nossas misérias, Jesus acolher-nos-á com bondade. Assim o prometeu: «Todos aqueles que o meu Pai atrai a mim virão a mim, e aquele que vier a mim, Eu não o repelirei»: Omne, quod dat mihi Pater, ad me veniet: et eum qui venit ad me non ejiciam foras.
 O Pai atraiu aos pés de Jesus Madalena, a pecadora pública. E Madalena, seguindo imediatamente, com fé generosa, o raio divino da estrela que brilhava em sua alma miserável, precipita-se numa sala de festim para manifestar a Jesus Cristo a sua fé, o seu arrependimento e o seu amor. Madalena seguiu a estrela e esta guiou Madalena ao Salvador: «Os teus pecados te são perdoados, a tua fé te salvou, vai em paz». Et eum qui venit ad me non ejiciam foras. 
A vida dos Santos e a experiência das almas mostram que há, muitas vezes, em nossa existência sobrenatural, momentos decisivos, dos quais depende todo o valor da nossa vida interior e até a nossa própria eternidade.
 Vede Saulo a caminho de Damasco. É um inimigo, um perseguidor dos cristãos, Spirans minarum, «só respira e profere ameaças» contra tudo o que traz este nome. Mas eis que se faz ouvir a voz de Jesus. Esta voz é para ele a estrela, o apelo divino. Saulo ouve o apelo e segue a estrela: «Senhor, que quereis que eu faça? » Que presteza e que generosidade! Por isso, desde aquele momento, tornado «vaso de eleição», só viverá para Jesus Cristo.
 Vede, pelo contrário, aquele jovem cheio de boa vontade, coração reto e sincero, que se apresenta a Jesus e Lhe pergunta o que deve fazer para possuir a vida eterna. «Observa os mandamentos», responde o nosso divino Salvador. «Mestre, observo-os desde a infância. Que me falta ainda? » Então, diz o Evangelho, «Jesus, tendo olhado para ele, amou-o»: Jesus autem intuitus eum dilexit eum. Este olhar cheio de amor era a estrela. E logo se manifesta: « Falta-te uma coisa; se queres ser perfeito, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e segue -me». Mas o jovem não seguiu a estrela. «Aflito com a palavra de Jesus, abandonou-O, cheio de tristeza, porque possuía muitos bens». Alguns comentadores vêem nas palavras que Nosso Senhor pronunciou a seguir - «Como é difícil aos ricos entrar no reino de Deus» - a predição da perda daquela alma. Assim que, ou se trate do apelo à fé ou à santidade, só encontraremos Jesus Cristo e a vida de que é fonte, se prestarmos atenção à graça e perseverarmos fiéis em buscar a união divina.
 O Pai celeste chama-nos para Seu Filho pela inspiração da graça; mas quer que, como os Magos, assim que resplandecer a estrela em nosso coração, abandonemos tudo imediatamente: os nossos pecados, as ocasiões de pecar, os maus hábitos, as infidelidades, as imperfeições, os laços que nos prendem à criatura; quer que, não fazendo caso algum das críticas e da opinião dos homens ou das dificuldades da obra imposta, nos ponhamos no mesmo instante a procurar Jesus, quer O tenhamos perdido pelo pecado mortal, quer, possuindo-O já em nós pela graça santificante, sejamos chamados a uma união mais estreita e mais íntima com Ele.
 Vidimus stellam: «Senhor, eu vi a Vossa estrela e venho a Vós: que quereis que eu faça? » 

12 de janeiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 257

TAMBÉM UM CHINÊS ILUSTRE

Lu, embaixador da China na Suíça, converteu-se ao catolicismo. Logo depois enviou ao Papa suas muitas e valiosas condecorações, e entrou no noviciado do mosteiro dos beneditinos de Lophem, na Bélgica.

11 de janeiro de 2017

Missas Tridentinas - Agradecimento

Prezados Leitores, Salve Maria!
O blog São Pio V agradece o Coral Gregoriano da Igreja da Ordem, em especial o Sr. Gustavo, que possibilitou a vinda do Padre Jefferson para Curitiba. Além da missa de domingo, celebrada pelo Padre Jefferson, o mesmo rezou duas missas na Capela da Polícia Militar nos dias 09 e 10 de janeiro. Muito obrigado e que Deus ilumine o apostolado do Coral.

Missas Tridentinas
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09/01/17 - 2ª feira - 20:00 horas
10/01/17 - 3ª feira - 20:00 horas
Padre: Jefferson Pimenta de Paula - Santo André - SP
Local:       Capela da Polícia Militar
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 2057
Bairro:      Rebouças - Curitiba - Paraná

Tesouro de Exemplos - Parte 256

UMA PRINCESA NO CONVENTO

Com grande luxo de pormenores descreve F. Spirago a profissão religiosa da princesa Luisa, filha de Luís XV, rei de França. Recebeu o véu no convento das carmelitas perto de Paris, em presença do núncio, que ostentava a representação do Papa Clemente XIV e de toda a corte. A capela foi engalanada com esplendor nunca visto. A princesa apareceu vestida com maravilhoso traje que reluzia de ouro e pedras preciosas, e em sua cabeça levava coroa de puríssimos diamantes. A princesa, em dado momento, despojada de todas aquelas jóias, recebeu em troca o hábito grosseiro e o véu e prostrou-se por terra. Muitas lágrimas correram dos olhos das pessoas da corte. Viveu no claustro dezessete anos com o nome de Irma Teresa de Santo Agostinho, em grande pobreza com as demais religiosas, e faleceu aos cinqüenta anos de idade em odor de santidade.

10 de janeiro de 2017

Tesouro de Exemplos - Parte 255

SE OS RELIGIOSOS... E RELIGIOSAS...

Se os padres e freiras não fossem um beneficio para os povos, se a instrução e educação que dão em seus colégios e escolas não fossem as mais sólidas e esmeradas, as aulas de seus colégios estariam vazias; se não soubessem praticar a caridade e misericórdia até ao heroísmo, nem os pobres e doentes bateriam às portas de seus asilos e hospitais, nem os ricos poriam em suas mãos as esmolas para esses fins. Mas por isso - porque em todas as suas obras se movem pelo impulso daquele duplo amor a Deus e aos homens, e não pelo baixo e mesquinho interesse — por isso suas obras prosperam e levam a palma, e por isso, precisamente, são tão perseguidas pelos maus. Certo é, portanto, que, quem faz guerra aos frades e freiras faz guerra à instrução e à caridade, à escola e ao hospital; faz guerra aos meninos e aos anciãos, aos pobres e aos doentes, porque eles, sim, eles são a fonte onde o menino bebe as águas saudáveis da instrução e educação cristãs; eles são a fonte, onde o enfermo busca a saúde, onde o pobre busca o pão, onde o triste busca o consolo e o fraco, ajuda e fortaleza.