19 de março de 2011

FESTA DE SÃO JOSÉ - 19 DE MARÇO

Oraçao para todos os dias do mês de março
(composta pelo Papa Leão XIII)

A vós, S. José, recorremos em nossa tribulação e (depois de ter implorado o auxílio de vossa santíssima esposa) cheios de confiança solicitamos (também) o vosso patrocínio. Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem imaculada, Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder.

Protegei, ó guarda providente da divina família, a raça eleita de Jesus Cristo.

Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, a peste do erro e do vício. Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas de seus inimigos e de toda a adversidade.

Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente, e obter no céu a eterna bem-aventurança. Amém.

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FONTE: Manual da Paróquia. Petrópolis: Vozes, 1950. p.217-218.

ENCONTRAR MARIA (III)

A lembrança e a invocação da Santíssima Virgem Maria

1) É justo lembrar-se sempre da gloriosa Virgem Maria, a Bendita Mãe de Jesus, a cujos méritos e orações deves encomendar-te cada dia, bem como a qual tens que recorrer em todas tuas necessidades, como recorre à sua querida mãe um filho golpeado e ferido. É doce o nome de Maria: infunde confiança a quem a chama e invoca. Ela, de sua parte, está sempre disposta a pronunciar uma boa palavra a seu Filho Jesus a favor de uma alma atribulada, que se encontra em necessidade. Se Maria, junto com todos os anjos do céu, não rogasse, diariamente pelo mundo, como poderia subsistir este mundo que ofende a Deus com tão graves pecados e se emenda tão pouco? Por conseguinte, todos hão de invocar a Maria: os justos e os pecadores, sobretudo os religiosos e as pessoas devotas, que fizeram o voto de castidade e aspiram com santos desejos aos bens celestiais, porém não querem ter nada a ver com o mundo.

O que deve pedir-lhe? Em primeiro lugar, o perdão de teus pecados, depois a virtude da castidade, como também o dom, com grande gratidão a Deus, da humildade, para que seja perante Ele sempre humilde e desejoso de ser tido como vil e abjeto. Finalmente, deves pedir a graça de não gloriar-te jamais de coisa alguma, para não perder tudo o que te parece que possuis.

Além disto, deves afligir-te por estar tão distante das verdadeiras virtudes: da profunda humildade, da santa pobreza, da perfeita obediência, da puríssima castidade, da devotíssima oração, da muito fervente caridade. Virtudes todas elas que habitam em Maria, Mãe de Jesus. Por isto mesmo, ajoelha-te a seus pés como um pobre mendigo, para que possas obter, pelo menos, o mínimo grau destas virtudes, já que não é capaz de alcançar a mais alta causa de sua indolência.

Seja o que for que desejas, roga humildemente a fim de consegui-lo pelas mãos de Maria. Por seus méritos gloriosos são socorridos os que se encontram no purgatório e sobre terra. Grande é sua graça e grande é sua glória em Jesus, seu Salvador, sobre todos os santos do céu. Mas tudo é em nosso benefício, que nos encontramos na terra. Confia-te totalmente em sua fidelidade. Suas orações são agradáveis a Deus, e Maria não pede nem deseja senão o que é grato a ela e também a seu querido Filho, e o que é de proveito à sua salvação, segundo os planos da vontade divina.

Agrada muito a Deus bem como à Bem-aventurada Virgem que se reze para evitar os pecados e para resguardar o coração na humildade. Ela, com efeito, se gloriou diante de Deus somente da humildade, guardando silêncio sobre o demais; e, não obstante sua inesgotável riqueza de graça, jamais se desprendeu da humildade. Que a Vigem Maria rogue por nós, com tom misericordioso, para que sejamos dignos da graça de Deus.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"

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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de Maria: Libro Primero, Capítulo III. pág. 23-25.)

17 de março de 2011

Quanto Jesus deseja unir-se conosco na santa Comunhão

Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar ― «Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes que padeça» (Luc 22, 15).

Sumário. Nenhuma abelha esvoaça com tanta avidez sobre as flores para lhes sorverem o mel, como Jesus vai morar nas almas que o desejam. Eis porque no Evangelho nos convida tantas vezes a que nos aproximemos dele na santa Comunhão. Faz tantas promessas e tantas ameaças, para manifestar o grande desejo que tem de unir-se conosco. Que ingratidão, pois, se não correspondemos a tão grande amor!

I. Jesus Cristo chama hora sua a noite em que devia começar a sua paixão. Mas como é que pode chamar uma hora tão funesta a sua hora? É porque foi a hora por ele almejada em toda a sua vida, visto que havia determinado que naquela noite havia de nos deixar a santa Comunhão, destinada a consumar a sua união com as almas diletas, pelas quais devia em breve dar o sangue e a vida. Eis aqui o que naquela noite Jesus disse a seus discípulos: Desiderio desideravi hoc pascha manducare vobiscum ― «Tenho desejado ansiosamente comer esta Páscoa convosco». Palavra pela qual o Redentor nos quis dar a entender o desejo ansioso que tinha de unir-se conosco neste santíssimo Sacramento de amor: desiderio desideravi ― «desejei ansiosamente»; estas palavras, diz São Lourenço Justiniani, saíram do Coração de Jesus abrasado em imenso amor.

Ora, a mesma chama que então ardia no Coração de Jesus, ainda está ardendo ali até ao presente; e a todos nós renova o convite feito então aos apóstolos de o receberem: Accipite et comedite, hoc est corpus meum (Mt 26, 26) ― «Tomai e comei: isto é o meu corpo». Além disso, para atrair-nos a recebê-lo com amor, promete o paraíso: Qui manducat meam carnem, habet vitam aeternam (Jo 6, 55) ― «Quem como a minha carne, tem a vida eterna». No caso contrário ameaça-nos com a morte eterna: Nisi manducaveritis carnem Filii hominis, non habebitis vitam in vobis (Jo 6, 54) ― «Se não comerdes a carne do Filho do homem, não tereis a vida em vós».

Estes convites, estas promessas, estas ameaças nasceram todas do desejo que tem Jesus Cristo de se unir conosco na santa comunhão, e este desejo nasce do amor que nos tem. «Não há abelha», disse um dia o Senhor a Santa Matilde, «que com tanta avidez esvoace sobre as flores para lhes sorver o mel, como eu anseio entrar nas almas que me desejam». Porque Jesus nos ama, quer ser amado de nós, e porque nos deseja seus, quer ser desejado, como diz São Gregório: Sitit sitiri Deus. Bem-aventurada a alma que se aproxima da mesa da comunhão com grande desejo de se unir a Jesus Cristo!

II. Adorável Jesus meu, não podeis dar-nos maiores provas de amor par anos fazer compreender quanto nos amais. Destes vossa vida por nós; ficastes no Santíssimo Sacramento, para que venhamos aí alimentar-nos de vossa carne, e quão grande desejo tendes que Vos recebamos! Como podemos ser sabedores de tantas finezas de vosso amor, sem ficarmos abrasados no vosso amor? Longe de mim, afetos terrenos, saí de meu coração; vós é que me impedis de arder por Jesus como ele arde por mim. Ó meu Redentor, que outros testemunhos de afeto posso eu ainda esperar, depois dos que me tendes dado? Por meu amor sacrificastes a vossa vida inteira; por meu amor abraçastes uma morte tão amarga e ignominiosa; por meu amor chegastes, por assim dizer, a aniquilar-Vos, reduzindo-Vos na Eucaristia a estado de alimento, para Vos dardes todo a mim. Ah, Senhor! não permitais que eu seja ingrato a tão grande bondade.

Graças vos dou pelo tempo que me concedeis para chorar minhas ingratidões e Vos amar. Arrependo-me, ó soberano Bem, de ter tantas vezes desprezado o vosso amor. Amo-Vos, ó Bondade infinita; amo-Vos, ó Tesouro infinito; amo-Vos, ó Amor infinito, digno de infinito amor. + Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas. Por piedade, ajudai-me, ó meu Jesus, a banir do meu coração todos os afetos que não são para Vós, para que daqui por diante não deseje, não busque e não ame senão a Vós. Meu amado Redentor, fazei com que eu Vos ache sempre e sempre Vos ame. Apoderai-Vos de toda a minha vontade, para que queira somente o vosso beneplácito. Meu Deus, meu Deus, a quem então amarei, se não amo a Vós em quem se encontram todos os bens? Só a Vós quero, e nada mais. ― Ó Maria, minha Mãe, tomai meu coração e enchei-o de perfeito amor a Jesus. (II 406.)

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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 308-311.

14 de março de 2011

O MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

Sabemos pelo catecismo que os principais mistérios da nossa fé são a Santíssima Trindade, a Encarnação e a Redenção.

É muito importante lembrar sempre que desses três mistérios, o da Santíssima Trindade é o maior, o mais impenetrável, o mais adorável; e que os demais lhe são subordinados.

De fato, a encarnação e a redenção são atos temporais realizados no Homem-Deus, Jesus Cristo. Já o primeiro, ao contrário, tem por objeto os atos eternamente subsistentes da vida divina, ou seja, a geração do Filho e a processão do Espírito Santo.

Se a Encarnação e a Redenção ultrapassam a medida de nossa inteligência é porque elas se unem a uma das três Pessoas divinas, ao Filho de Deus: é isso que leva esses dois fatos a uma ordem absolutamente divina, ultrapassando inteiramente a luz da razão. É por estarem na dependência do mistério da Santíssima Trindade que eles são também mistérios. Assim, só há um mistérios, e todos os outros são prolongamentos desse dogma fundamental.

Segue daí que ele é o objeto principal da nossa fé e como o centro para onde ela é levada e para onde ela tende.

Sim, ela tende. Pois a fé traz com ela uma tendência a nos unir a Deus: Pai, Filho e Espírito Santo. Por essa razão nós dizemos: eu creio em Deus.

Jesus Cristo Nosso Senhor, na sua natureza humana e no mistérios de sua vida temporal é um laço destinado a nos unir à Santíssima Trindade, que é nosso fim supremo e último.

Não devemos nunca nos esquecer que Jesus Cristo, como homem, é apenas um intermediário, um mediador, como diz São Paulo, entre a Santíssima Trindade e a alma humana. Mediator Dei et hominum homo Christus Jesus (I Timot. II,5). Ele cimentou no seu Sangue essa aliança indissolúvel; é só por Ele que se realiza essa união eterna; mas ele não é, como homem, a finalidade superior que a fé nos revela, onde a esperança nos eleva e a caridade nos faz participar por antecipação. “Ninguém vem ao Pai senão por mim”, nos diz Ele (Jo XIV, 6). Só podemos ir ao Pai por Jesus Cristo; mas é ao Pai que devemos ir. O Pai é tomado aqui como toda a Trindade.

Essas considerações nos mostram como é importante para nós conhecer a Santíssima Trindade. Ela é o principal objeto de nossa fé: esforçar-se para conhece-la é alimentar a fé, mas ao mesmo tempo é preciso estudar esse mistério com imenso respeito, como Moisés diante do arbusto que ardia. Devemos suplicar a Deus que ele queira, ele próprio se descobrir a nós, nessas sombras luminosas da fé que apagam toda luz desse mundo e que são a bendita aurora da visão beatífica.

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FONTE: EMMANUEL-ANDRÉ, Pe. O mistério da Santíssima Trindade. Niterói: Permanência, 2006. p.9-10.

VIA-SACRA EUCARÍSTICA - PARTE IV


VIA-SACRA EUCARÍSTICA
São Pedro Julião Eymard
(1811-1868)



Décima segunda estação
Jesus morre na Cruz

V. Nós Vos adoramos, etc.

Jesus morre para nos redimir. E sua derradeira Graça é o perdão aos seus carrascos. Seu derradeiro dom, todo de amor, é sua divina Mãe. Seu derradeiro desejo, a sede de sofrer. Seu derradeiro ato, o abandono de sua Alma e de sua Vida nas mãos do seu Pai.

Na divina Eucaristia, Jesus continua a me testemunhar o mesmo amor que me testemunhou na morte. Imola-se, todas as manhãs, no Santo Sacrifício da Missa, para depois perder sua existência sacramental no coração daquele que o recebe, e, se cair num coração pecaminoso, morrer pela sua condenação.

Da sua Hóstia Santa, ele me oferece as Graças de minha Redenção, o preço de minha salvação, mas, querendo que eu participe de tudo, pede-me para morrer com ele e por ele.

Concedei-me tão grande Graça, ó meu Deus – a Graça da morte ao pecado, e a mim mesmo, a Graça de não mais viver senão para vos amar na vossa Eucaristia.

Pai-Nosso etc.

Décima terceira estação
Jesus é entregue à sua Mãe

V. Nós Vos adoramos, etc.

Jesus é descido da Cruz e entregue nos braços de sua divina Mãe, que o aperta junto ao seu Coração, oferecendo-o a Deus, qual Vítima de salvação.

Cabe-nos, agora, oferecer Jesus, Vítima no Altar e nos corações, tanto por nós mesmos como por aqueles que nos são caros. Pertence-nos, é nosso. Deus Pai no-lo dá e Ele dá-se a si mesmo, para que frutifique em nossa alma.

Que desgraça, se um tal Dom, de infinito valor, não realizar o seu fim no meu coração, devido à minha indiferença!

Ofereçamo-nos em união com Maria e roguemos a essa tão boa Mãe que o venha oferecer conosco.

Pai-Nosso etc.

Décima quarta estação
Jesus é depositado no sepulcro

V. Nós Vos adoramos, etc.

Jesus quer passar pela humilhação do túmulo, ficando entregue à guarda de soldados inimigos, cujo prisioneiro ainda é.

É na Eucaristia, porém, que Jesus de fato está sepultado. Em vez de ficar três dias, fica para sempre entregue à nossa guarda. Constituiu-se nosso Prisioneiro de Amor.

O corporal envolve-o, qual outro sudário. A lâmpada arde ante seu Altar qual luz à entrada da sepultura. O silêncio de morte reina em redor.

Jesus, entrando em nosso coração pela Comunhão, quer ainda sepultar-se em nós. Saibamos, pelo menos, preparar-lhe uma sepultura honrosa, nova, alva, inteiramente livre de todo afeto terreno e embalsamemo-lo com o perfume das nossas virtudes.

Cheguemo-nos a Ele por aqueles que não se chegam, honrando-o e adorando-o no seu Tabernáculo, consolando-o na sua prisão. E para tal peçamos-lhe a Graça do recolhimento, e da morte ao mundo, a fim de levarmos uma vida toda escondida na Eucaristia.

Pai-Nosso etc.
Salve, ó Cruz, nossa única esperança,
Do mundo, salvação e glória;
Concedei ao justo aumento de graça
E, aos pecadores, perdoai-lhes os pecados.

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FONTE: A Divina Eucaristia - escritos e sermões de São Pedro Julião Eymard. São Paulo: Loyola, 2002. v3. p.261-278.

12 de março de 2011

VIA-SACRA EUCARÍSTICA - PARTE III

VIA-SACRA EUCARÍSTICA
São Pedro Julião Eymard
(1811-1868)

Oitava estação
Jesus consola as piedosas mulheres

V. Nós Vos adoramos, etc.

Tendo o Salvador por missão, nos dias de sua Vida mortal, consolar os aflitos e os abandonados, quer ser fiel a este dever até no meio dos maiores sofrimentos. Ao aproximarem-se as piedosas mulheres que choravam suas Dores e sua Paixão, esquece-se de Si mesmo para enxugar-lhes as lágrimas. Que excesso de Bondade!

Jesus, no seu divino Sacramento, raramente tem quem o venha consolar do abandono dos seus, dos crimes de que é objeto. Permanece só, dia e noite. Se seus Olhos ainda pudesse chorar, quantas lágrimas não derramaria pela ingratidão dos seus filhos, pelo desamparo em que o deixam. Se seu Coração ainda pudesse sofrer, quantos tormentos não havia de padecer, vendo-se abandonado até pelos próprios amigos! Mas, pelo contrário, apenas nos chegamos a ele, acolhe-nos com Bondade, ouve-nos as queixas, presta atenção à nossa miséria, contada, por vezes, longa e egoisticamente, esquecendo-se a si mesmo para consolar-nos, para refazer-nos.

Divino Salvador, por que procuro eu tantas vezes as consolações humanas, em lugar me dirigir a vós? Ah! quanto deve isto ferir-vos o Coração, tão cioso do meu! Sede, Jesus, na vossa Eucaristia, o único consolo, o único confidente de minha alma. Uma palavra, um Olhar todo de Bondade bastam-me. Possa eu amar-vos de todo coração, e então, fazei de mim o que quiserdes.

Pai-Nosso etc.

Nona estação
Jesus cai pela terceira vez

V. Nós Vos adoramos, etc.

Que sofrimento nessa terceira queda de Jesus! O peso da Cruz esmaga-o e os esforços cruéis dos seus carrascos mal conseguem levantá-lo.

Jesus, antes de ser elevado na Cruz, quer cair uma terceira vez e assim dizer-nos de certo modo quanto sente por não poder fazer a volta do mundo com a Cruz às costas.

Jesus virá a mim, em Viático, pela última vez antes de deixar eu também esta terra de exílio. Não me recuseis, Senhor, tão preciosa Graça – a mais preciosa de todas, o complemento de todas as outras.

Seja-me dado, porém, receber-vos piedosamente nessa derradeira Comunhão tão cheia de amor!

Ah! quão terrível é a queda de Jesus ao cair pela última vez no coração dum moribundo impenitente que, a todos os pecados passados, acrescenta o crime do sacrilégio e recebe indignamente aquele que vai brevemente julgá-lo, profanando destarte o Viático de sua salvação.

Quão doloroso lhe deve ser encontrar-se num coração que o detesta, num espírito que o despreza, num corpo de pecado todo entregue a satanás.

E que julgamento terão esses desgraçados? Só a idéia faz tremer.

Perdão, Senhor, perdão por eles. Rogamo-vos por todos os moribundos. Dignai-vos conceder-lhes a Graça de morrer em vossos braços depois de vos ter recebido dignamente no santo Viático.

Pai-Nosso etc.

Décima estação
Jesus é despojado de suas vestes

V. Nós Vos adoramos, etc.

Quanto deve sofrer Jesus nesse despojamento cruel e desumano! Arrancam-lhe as vestes presas às suas Chagas, que novamente se rasgam e se abrem.

Quanto deve sofrer na sua modéstia, vendo-se tratado como não se ousaria tratar um escravo vil e miserável, que morre pelo menos na mortalha em que será enterrado.

Jesus é ainda despojado de suas vestes no seu estado sacramental. Não contente de vê-lo despojado, pelo Amor que nos tem, da glória de sua Divindade e da beleza de sua Humanidade, seus inimigos despojam-no ainda da honra que lhe dá o culto, saqueando as Igrejas, profanando os Vasos sagrados, o mesmo Tabernáculo e lançando-o por terra. Está entregue às suas mãos sacrílegas, Ele o Rei e o Salvador de todos os homens, tal qual no dia de sua crucifixão.

Deixando-se despojar de tudo na Eucaristia, quer Jesus reduzir-nos ao estado de pobreza voluntária que não tem mais apego a nada, para então revestir-nos de sua Vida e de suas Virtudes.

Ó Jesus-Eucaristia, sede vós meu único bem!

Pai-Nosso etc.

Décima primeira estação
Jesus é pregado na cruz

V. Nós Vos adoramos, etc.

Por quantos e tão horríveis tormentos passa Jesus ao ser crucificado! Só um milagre do seu poder fá-lo tudo suportar, sem cair morto.

No Calvário, Jesus está pregado num madeiro inocente e puro. Na Comunhão indigna, é crucificado pelo pecador num corpo de pecado. É atar um corpo vivo a um cadáver em decomposição!

No Calvário, Jesus é crucificado por inimigos declarados. Aqui pelos seus próprios filhos numa hipócrita devoção.

No Calvário, só é crucificado uma vez. Aqui o é todos os dias e por inúmeros cristãos!

Ó meu Salvador, perdão, perdão pela imortificação dos meus sentidos, que ora expiais mui cruelmente!

Quereis pela vossa Eucaristia crucificar minha natureza, imolar incessantemente o velho homem e unir-me à vossa Vida crucificada e ressuscitada. Fazei, Senhor, que me entregue, pois, todo a vós, sem reserva e sem condições.

Pai-Nosso etc.

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FONTE: A Divina Eucaristia - escritos e sermões de São Pedro Julião Eymard. São Paulo: Loyola, 2002. v3. p.261-278.

ENCONTRAR MARIA (II)

O consolo da Virgem Maria

1) O Filho: Agora, Senhora minha, rogo-te que fale um pouco comigo. Abre teus lábios em nome de teu Filho, que tem te preenchido de toda graça espiritual.

2) A Mãe: Eu sou a Mãe de misericórdia, cheia de caridade e de doçura. Sou a escada dos pecadores, a esperança e o perdão dos culpados, a Consoladora dos aflitos e o gozo particular dos santos. Vinde a mim todos vós que me amam e ficarão satisfeitos em meio aos meus consolos, porque sou boa e misericordiosa para com todos os que me invocam.

3) Venham todos, justos e pecadores, e eu rogarei ao Pai por vocês. Rogarei também ao Filho para que se reconcilie convosco no Espírito Santo. Os convido a todos, os espero a todos, desejo que todos venham a mim. Não deprecio a nenhum pecador; senão, ao contrário, por um pecador que se converte, me regozijo com grande afeto junto com os anjos de Deus no céu. Porque não em vão foi derramado pelo mundo o sangue de meu Filho.

4) Aproximem-se então a mim, filhos dos homens: observem meu zelo para convosco ante Deus e ante meu Filho Jesus Cristo. Está claro: carregarei sobre mim sua ira e aplacarei com minhas fervorosas orações aquele que, como vocês sabem, hão ofendido.

5) Convertam-se e venham; façam penitência, e eu invocarei o perdão para vocês. Não esqueçam: eu estou situada entre o céu e a terra, entre Deus e o pecador; e obtenho com meus rogos que este mundo não pereça. Mas não queiram abusar da misericórdia de Deus nem de minha clemência; mas bem mantenham-se distantes de todo pecado, para que não desça sobre vós sua ira e sua terrível vingança.

6) Exorto a meus filhos, insto aos que tanto amo: sejam imitadores de meu Filho e da que é vossa Mãe. Recordem-se de mim, que não posso esquecer-me de vocês, porque sinto compaixão de todos os infelizes e sou uma muito misteriosa advogada de todos os fiéis.

7) O Filho: Palavras maravilhosas, transbordantes de toda doçura celestial. Sublime voz que desce do alto como orvalho sobrenatural, trazendo alento aos pecadores e alegria aos justos; melodia do céu que se derrama na consciência dos desesperados. E quem sou eu para que a Mãe de meu Senhor fale a mim? Bendita seja, Mãe Santíssima, e sejam benditas tuas palavras. Elas são leite e mel sobre tua língua, e seu aroma é superior a todos os demais aromas.

8) Minha alma ficou profundamente comovida por tuas palavras, ó Maria. Por certo, apenas tua voz consoladora chegou a meus ouvidos, minha alma estremeceu de alegria, meu espírito recuperou vigor e todo meu coração se inundou de novo gozo, posto que hoje me anunciou coisas boas e jubilosas. Estava triste, porém agora estou feliz por tuas palavras. Tua voz é suave a meus ouvidos: eu estava oprimido e desalentado, mas agora me encontro alegre e verdadeiramente confortado.

9) Estendeste-me a mão desde acima e me tocaste; assim fiquei curado de minhas misérias. Com muita dificuldade podia falar, enquanto agora tenho ânsia de cantar e agradecer-te. Se a vida a mim havia se tornado tediosa, agora não tenho medo sequer da morte, porque sei que tu és minha advogada ante teu Filho, a cuja misericórdia me encomendo desde este momento e para cada instante de minha vida vindoura. Desde que falaste ao coração de teu desolado órfão, de imediato mudei para melhor e me sinto profundamente transformado em meu interior. Estava prostrado como quem não tem esperança, porém tu te aproximaste de mim, me infundiu consolo e alento, falando-me com grande amor.

10) A Mãe: O que há, Filho? Quem quer te causar dano? Não temas; eu me encarregarei disto. Conte comigo e com meu Filho, teu irmão, quem está à direita do Pai e é fiel mediador e intercessor por teus pecados. Deves ter total confiança n’Ele, porque é Ele quem dá a vida, é Ele quem vence a morte. Havendo assumido carne de mim no tempo, gerado pelo pai desde a eternidade, há sido enviado para a salvação de todo o mundo. D’Ele procedem a esperança e o consolo, a fé e a vitória. Por isso, recorda-te sempre de Jesus e de Maria, e não sentirás medo de nenhum inimigo.

11) O Filho: Feliz esse momento em que te dignas aproximar-te a meu coração dominado pelo desconsolo, misericordiosa Virgem Maria. Oxalá fosse mais prolongado, para poder escutar tuas palavras de alento, que com tanta intensidade me inflamam e purificam, tão logo entram em contato com meu interior e me renovam profundamente. Feliz teu seio, ó Maria, que não cessa de brindar o dulcíssimo leite do consolo. Pela abundância de graça do Menino Jesus, a quem tu amamentaste, não podes negar tua inata misericórdia a quem te a pede, e melhor, concede freqüentemente graça inclusive aos grandes pecadores.

12) Ó Mãe de imensa piedade, de grandíssima misericórdia e caridade; Virgem incomparável, amável e venerável para todos; Mãe singular do Filho de Deus, que nasceu de ti, como também Mãe universal de todos os cristãos e Mãe particular e especial em relação com o grau de devoção que abrigamos em direção a ti; Virgem Rainha do mundo e Senhora dos anjos, atraí-me a ti, para que não permaneça abaixo do peso de meus pecados. Distribua a graça, salvífico orvalho do céu, da que és Medianeira, a fim de que eu mereça conhecer que és a Mãe da graça e a fonte da misericórdia.

13) A Mãe: Eu sou a Mãe do nobre amor, do casto e santo temor, do piedoso alívio e do suavíssimo consolo. Pelo qual, ao ouvir meu nome, regozija-te de todo coração. Inclina-te com respeito e saúda-me com alegria, porque ao honrar à Mãe honras também ao Filho, que tem Deus por Pai. Eu sou Maria, a Mãe de Jesus, e este será para sempre o meu nome. E quem é Jesus? É o Cristo. O Filho de Deus vivo, o Salvador do mundo, o Rei do céu e da terra, o Senhor dos anjos e o Redentor dos fiéis, o juiz de vivos e mortos.

14) Ele é a esperança das almas boas, o consolo dos devotos, a paz dos mansos, a riqueza dos pobres, a glória dos humildes, a fortaleza dos débeis, o caminho dos extraviados, a luz dos cegos, a bengala dos aleijados, o alívio dos oprimidos, a ajuda dos atribulados e o refúgio particular de todos os bons. Bendiga o Filho com a Mãe, e serás amado pelo Pai. Toda vez que me dê atenção, rende-Lhe honra e glória, porque sua glória é minha alegria, e a homenagem tributada a Ele é um elogio dirigido a mim. Ponha a mim, assim como Jesus, como selo sobre teu coração, como selo sobre teu braço. Se estás de pé ou sentado, se rogas, lês, escreves ou trabalhas, que Jesus e Maria estejam com freqüência em seus lábios e sempre em teu coração.

15) O Filho: Que te sirvam todos os povos, todas as nações e todas as línguas. Que todas as criaturas se ajoelhem ante ti. Que o céu diga: “Alegra-te, ó Maria”. Responda a terra: “Ave para sempre e... ainda depois”. Que todos os santos glorifiquem teu nome, e que todos os devotos vibrem de júbilo diante de ti e do Cordeiro, Jesus Cristo, teu Filho e Senhor nosso. Amém.

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“de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"

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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de Maria: Libro Primero, Capítulo II. pag. 17 - 23.)

11 de março de 2011

VIA-SACRA EUCARÍSTICA - PARTE II

VIA-SACRA EUCARÍSTICA
São Pedro Julião Eymard
(1811-1868)

Quarta estação
Jesus encontra sua santa Mãe

V. Nós Vos adoramos, etc.

Maria acompanha a Jesus no caminho do Calvário, sua Alma, então, passa por um verdadeiro martírio. E, porque muito ama, muito também se compadece.

Infelizmente, hoje em dia, Jesus-Eucaristia, não encontra quem o console, como Maria, encontra, pelo contrário, e por entre os filhos do seu Amor, as esposas do seu Coração, os ministros de suas Graças, muitas almas que se unem aos seus carrascos para humilhá-lo, blasfemando o seu Nome e renegando a sua Pessoa.

Ah! quantos o renegam, quantos apostatam, quantos abandonam o serviço e o amor da Eucaristia, se esse serviço lhes pedir um sacrifício maior, um ato de fé prático!
Ó Jesus! doce Salvador de minha alma, quero seguir-vos humilhado, insultado, maltratado, a exemplo de Maria minha Mãe e reparar pelo meu amor tantos crimes!

Pai-Nosso etc.

Quinta estação
O Cireneu ajuda Jesus a levar a Cruz

V. Nós Vos adoramos, etc.

Jesus, enfraquecido cada vez mais, dobra sob o seu fardo. Os judeus, ansiosos por fazê-lo morrer na cruz, para que atingisse o auge da humilhação, pediram a Simão, o Cireneu, que ajudasse a levar a Cruz. Simão quis se esquivar, mas foi constrangido a carregar esse instrumento, que lhe parecia tão ignominioso. Submeteu-se e mereceu que Jesus lhe tocasse o coração, convertendo-o.

Jesus, no seu Sacramento, chama os homens a si e mui poucos respondem ao seu apelo. Convida-os a participar do Banquete eucarístico e eles encontram mil pretextos para recusar. A alma ingrata e infiel também recusa a Graça de Jesus Cristo, dom por excelência do seu Amor, deixando-o só e abandonado, enquanto as suas Graças, que quisera derramar em abundância, são desprezadas. Ah! tem-se medo do seu Amor.

Em lugar do respeito que lhe é devido, Jesus só recebe, a maior parte das vezes, irreverências. Envergonha-nos encontrá-lo nas ruas e fugimos logo que o avistamos, por não ousarmos dar-lhe um testemunho aberto da nossa fé.

Ó meu divino Salvador, será possível que assim seja? Infelizmente é verdade e sinto já remorsos de consciência. Quantas vezes, preso ao que me agradava, recusei ouvir vosso apelo. Quantas vezes, para não ser obrigado a me corrigir, rejeitei o convite tão cheio de amor quanto honroso para mim, em que pedíeis para assentar-me à vossa Mesa. Arrependo-me do fundo do coração. Compreendo que é melhor deixar tudo a deixar, por culpa própria, uma só Comunhão, a maior e mais amável das Graças. Esquecei o passado, doce Salvador, e recebei e guardai vós mesmo as resoluções que faço para o futuro.

Pai-Nosso etc.

Sexta estação
Verônica enxuga o Rosto de Jesus

V. Nós Vos adoramos, etc.

A Face do Salvador não se assemelha mais a uma face humana. Está coberta de Sangue. Os carrascos cospem nela, cobrem-na com lodo. E, Ele, o esplendor de Deus, torna-se irreconhecível. Seu Rosto divino está todo maculado.

Mas, eis que, sob tão vil aspecto, Verônica reconhece o seu Salvador e seu Deus, e, cheia de coragem, afronta a soldadesca. Vem, movida por compaixão, enxugar a Face augusta de Jesus, que, para recompensá-la, imprime os seus traços na toalha com que Verônica lhe presta tão piedoso serviço.

Ah! divino Jesus, quão ultrajado, insultado e profanado sois no vosso Adorável Sacramento! E onde encontrar as Verônicas compassivas que vêm reparar tamanhas abominações? Ah! quanto nos entristece e nos apavora tão grande número de sacrilégios cometidos com tanta facilidade contra o augusto Sacramento. Dir-se-ia que Jesus Cristo, entre nós, não passa dum simples estrangeiro, indiferente, desprezível, mesmo.

Vela, é verdade, sua Face sob a nuvem de espécies bem fracas e humildes. E fá-lo para que nosso amor possa descobrir, pela fé, seus traços divinais.

Creio, Senhor, que sois o Cristo, o Filho do Deus vivo, e adoro vossa Face adorável, cheia de Glória e de Majestade, oculta pelo véu eucarístico. Dignai-vos, Senhor, imprimir vossos traços no meu coração a fim de que, por toda a parte, eu leve comigo a Jesus, e Jesus-Eucaristia.

Pai-Nosso etc.

Sétima estação
Jesus cai pela segunda vez

V. Nós Vos adoramos, etc.

Apesar de Simão ajudá-lo a carregar a Cruz, Jesus, pela sua fraqueza, cai uma segunda vez, e isto lhe causa novos sofrimentos. Seus Joelhos, suas Mãos se dilaceram por tantas quedas no caminho árduo que segue, enquanto aumentam os maus-tratos ao aumentar a raiva dos carrascos.

Ah! que vale o auxílio do homem se não tivermos o de Jesus Cristo! E quantas quedas esperam aqueles que só se apóiam em meios humanos!

Todos os dias – e quantas vezes por dia! – o Deus da Eucaristia cai pela Comunhão em corações covardes e tíbios, que o recebem sem preparo, guardam-no sem piedade, deixam-no ir sem um ato sequer de amor ou gratidão. Se, portanto, Jesus, ao visitar-nos, permanece de mãos atadas, é devido à nossa tibieza.

Quem ousaria receber uma alta patente da terra com o pouco caso com que recebemos diariamente o Rei do Céu?

Divino Salvador, quero fazer ato de desagravo por todas as minhas Comunhões tíbias e sem devoção. Viestes a mim um sem-número de vezes. Agradeço-vos de coração e quero, para o futuro, ser-vos fiel. Dai-me o vosso Amor e de nada mais precisarei.

Pai-Nosso etc.

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FONTE: A Divina Eucaristia - escritos e sermões de São Pedro Julião Eymard. São Paulo: Loyola, 2002. v3. p.261-278.