21 de dezembro de 2009

Vinde, Senhor Jesus!

O Oriens, *
splendor lucis ætérnæ,
et sol justítiæ :
veni, et illúmina sedéntes in ténebris,
et umbra mortis.


Ó Sol Nascente *
resplendor da luz eterna,
e sol da justiça :
vinde, e iluminais os que estão sentados nas trevas,
e na sombra da morte.

Hino do Advento: Creator alme siderum

Creátor alme síderum,
Ætérna lux credéntium,
Jesu, Redémptor ómnium,
Inténde votis súpplicum.

Qui dæmonis ne fráudibus
Períret orbis, ímpetu
Amóris actus, lánguidi
Mundi medéla factus es.

Commúne qui mundi nefas
Ut expiáres, ad crucem
E Vírginis sacrário
Intacta prodis víctima.

Cujus potéstas glóriæ
Noménque cum primum sonat,
Et cælites et ínferi,
Treménte curvántur genu.

Virtus, honor, laus, glória
Deo Patri cum Fílio,
Sancto simul Paráclito,
In sæculórum sæcula. Amen.



Propício criador dos astros,
luz eterna dos crentes,
Jesus, Redentor de todas as coisas,
atendei os pedidos dos suplicantes.

Vós Que, para que pelas trapassas do demônio
o mundo não perecesse,
num ato de ímpeto de amor,
deste a cura ao lânguido universo.

Para expiardes, na Cruz,
os pecados do mundo inteiro,
o sacrário virginal
produziu uma vítima perfeita,

à Qual pertence o poder da glória
e o nome a que, soando pela primeira vez,
nos céus e nos infernos,
os joelhos se dobram, tremendo.

Virtude, honra, louvor, glória
a Deus Pai e ao Filho,
igualmente ao Santo Paráclito,
pelos séculos dos séculos. Amém.
(Tradução nossa.)

Nolite timere: quinta enim die veniet ad vos Dominus noster.

21 de dezembro: São Tomé Apóstolo.

Oitava Fineza de Jesus Sacramentado para com os homens

Jesus Se deixou Sacramentado para toda sorte de pessoas.

Não pode um entendimento limitado conhecer bem aonde chega esta fineza do amor de Jesus Sacramentado sem dar uma olhada no que acontece nas Cortes dos Príncipes e Grandes do mundo. Nelas encontrareis guardas, que por todas as portas defendem a entrada a seus Palácios. Nem a todos se permite chegar aos primeiros Salões, a poucos a suas Câmaras, a raros ao Quarto onde está o próprio Monarca. Mas que direi de seus Banquetes? Que autorizadas e escolhidas as pessoas que admitem a suas mesas. Há desses Príncipes no mundo, que fazem razão de estado não comer jamais nem com a própria Consorte.
Agora, percorrei com os olhos a Corte do Divino Rei Sacramentado, e vereis como, sem acepção de pessoas, têm todas suas entradas livres em Seu Palácio, e se sentam à Sua mesa o ilustre e o humilde, o senhor e o escravo, o grande e o pequeno, o rico e o pobre, e amigo e o inimigo, o justo e o injusto. Disso se maravilha São João Crisóstomo, vendo que nem os traidores são excluídos da Real mesa de Jesus Sacramentado, e que até aqueles que O vendem pelo vil interesse de um apetite levam com Ele a mão ao prato. Por isso disse Santo Ambrósio que não recusava o Redentor ir ao banquete de homens perdidos e pecadores, porque os havia de chamar depois à Sua mesa. Determinava Jesus fazer de Sua carne um banquete universal para todos, e assim quis primeiro comer com todos, para que depois todos comessem com Ele.
Na mesa do Senado Romano sentou-se uma vez um homem coberto de luto, contra o estilo que tinha o Senado, e, levantando-se, todos exclamaram: Quis unquam cœnavit attratus? Quem se atreveu jamais a vir a este jantar vestido de negro? Ó liberalidade! Ó amor infinito de Jesus! E quantos se sentam à Vossa mesa envoltos nas obscuras trevas da culpa, e com as almas mais negras que as próprias trevas, e ainda assim permitis, ó benigno Amante, comer Vossa Carne, e lhes dais a beber Vosso Sangue. Assim é: a todos vê, e a todos admite em Sua mesa o Rei da Glória; porque Este Sacramento é o sol que Seu Profeta disse que Ele faz nascer sobre bons e maus.
Para que todos cheguem a comer Sua Carne, disfarçou naquela mesa a Majestade. Oculto no véu de pobres acidentes, dá a comer por pão o que verdadeiramente é Deus. Se n'Este Augustíssimo Sacramente vestisse Seu Corpo daquelas luzes com que Se deixou ver no Tabor, poderiam temer os pobres. Se ali aparecesse armado daquele puder que pôs em Suas mãos o Eterno Padre, poderiam fugir os culpados. Mas agora já não faz ostenção daqueles títulos que o Evangelista lia impressos em Seu Corpo: Rei dos Reis e Senhor dos Senhores. Já não atemoriza com aqueles prodígios, por temor dos quais Pedro Lhe pedia que se afastasse dele. Acomoda-Se à condição de todos. Aos reis dá como a reis, aos pobres, como a pobres; para os famintos é comida, para os sedentos, fonte. Mas, ó Almas Católicas! Se ainda lhes resta alguma dúvida do muito que vosso Redentor Se humilhou e abateu Sua Majestade por vosso amor n'Este Sacramento, lede com atenção as finezas seguintes; porém preveni as lágrimas, que de certo correrão de vossos olhos ao considerar aonde chegaram os excessos do amor de Jesus Sacramentado...

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 74

74) Quem transgride os Mandamentos da Lei de Deus peca gravemente?
Quem deliberadamente transgride, ainda que seja um só Mandamento da lei de Deus em matéria grave, peca gravemente contra Deus e por isso merece o inferno.
Se um filho desobedecesse às ordens de seu pai, dar-lhe-ia desgôsto, faltar-lhe-ia ao respeito e o ofenderia. Pois bem, os dez Mandamentos são as ordens de Deus. Quem não os observa e ousa transgredir, um só que seja desses Mandamentos, desobedece a Deus, falta-lhe ao respeito e O ofende.
Quem ofende a Deus comete pecado e merece castigo. Este castigo pode ser menor ou maior, conforme a gravidade da culpa.
Um menino que roubasse, por exemplo, um doce, transgrediria levemente um Mandamento de Deus - o sétimo - que proíbe roubar, e mereceria por isso um pequeno castigo.
No entanto, vê Caim! Era tão mau, que matou seu irmão Abel, por inveja, porque este era bom.
Transgrediu assim gravemente o quinto Mandamento, cometendo um horrível pecado. Foi por isso que Deus o amaldiçoou e o puniu ainda nesta vida, condenando-o a andar errante e sem paz pela terra. E o que lhe não terá acontecido na outra vida!
Quem transgride gravemente os Mandamentos de Deus merece o inferno. Peçamos, pois o santo temor de Deus, com as palavras do penitente rei Davi: " Transpassa com o teu temor as minhas carnes, porque temi os teus juízos" (Salmo, 117, 120).

20 de dezembro de 2009

Vinde, Senhor Jesus!

O clavis David, *
et sceptrum domus Israël ;
qui áperis, et nemo claudit ;
claudis, et nemo áperit :
veni, et educ vinctum de domo cárceris,
sedéntem in ténebris, et umbra mortis.


Ó chave de Davi, *
e cetro da casa de Israel,
Que abris e ninguém fecha,
fechais e ninguém abre:
vinde, e tirai do cárcere o preso,
que está sentado nas trevas e na sombra da morte.


Hino do Advento: En clara vox redarguit.

En clara vox redárguit
Obscúra quæque, pérsonans :
Procul fugéntur sómnia :
Ab alto Jesus prómicat.

Mens jam resúrgat, tórpida
Non ámplius jacens humi :
Sidus refúlget jam novum,
Ut tollat omne nóxium.

En Agnus ad nos míttitur
Laxáre gratis débitum :
Omnes simul cum lácrimis
Precémur indulgéntiam ;

Ut, cum secúndo fúlserit,
Metúque mundum cínxerit,
Non pro reátu púniat,
Sed nos pius tunc prótegat.

Virtus, honor, laus, glória
Deo Patri cum Fílio,
Sancto simul Paráclito,
In sæculórum sæcula. Amen.



Eis que uma voz alta redargui
a escuridão, ressoando.
Fogem os sonhos para longe,
do alto tremendamente vem Jesus.

Levante-se de novo a alma entorpecida,
para não mais jazer no lodo.
Já refulge um novo astro,
para arrancar todo crime.

Eis o Cordeiro a nós enviado
para aliviar de graça a dívid.
Todos, juntos, com lágrimas
supliquemos indulgência.

De modo que, quando pela segunda vez refulgir,
cercando o mundo de medo,
não nos puna por causa das acusações,
mas, piedoso, então nos proteja.

Virtude, honra, louvor, glória
a Deus Pai com o Filho
e igualmente ao Santo Paráclito,
pelos séculos dos séculos. Amém.

(Tradução nossa)

Sétima Fineza de Jesus Sacramentado para com os homens

Jesus Se deixou Sacramentado para sempre, e em todas as partes do mundo.

Entre as propriedades do amor, diz Ricardo que a principal é a inseparabilidade, porque tem ele por natureza fazer do amante uma coisa com o amado, assim como eram aqueles dois amigos Jônatas e Davi, dos quais se diz que a Alma de um estava estampada n'Alma do outro. Mas, sendo assim, que amor houve jamais no mundo que não experimentasse em si a espada da divisão? Ou o decurso do tempo, que acaba com todas as coisas, ou a distância dos lugares, ou a desconfiança do amigo, ou a sombra de um desgosto basta para separar os corações mais unidos. Perguntando Carlos Sétimo, Rei da França, a um íntimo amigo seu, o que seria bastante para apartá-lo de sua amizade, respondeu-lhe: Senhor, um só desprezo.
Porem esta regra não estorva o amor de Jesus Sacramentado. Bem podem passar os séculos, crescer as desconfianças com os homens, os agravos e desprezos das criaturas, sempre Ele nos está a dizer, daquele Sacrário, aqui estou convosco até o fim do mundo: Ecce vobiscum sum usque ad consummationem sæculi. Esplêndido e opulento foi o banquete de Assuero, mas não durou mais do que sete dias. Maior foi o que Deus fez no deserto a seu Povo, porém, no espaço de quarenta anos, acabou-se. Quantos dias, entretanto, quantos anos e quantos séculos são já os que há durado o precioso banquete da Carne e Sangue de Jesus, e quem poderá dizer quantos ainda lhe restam a durar!
Abrasado de amor estava São Paulo quando dizia que nada o poderia apartar da amizade de Jesus. Desafiava as tribulações, a vida, a morte, as profundezas, as distâncias e as alturas, e dizia que a tudo seria seu coração um penhasco imóvel e inexpugnável. Mas quando eu considero aquelas doces palavras do Redentor, com as quais nos promete estar conosco Sacramentado enquanto o mundo for mundo, que conceito posso formar do Seu amor? Aí ouço-O perguntar-nos: o que Me poderia separar de vossa companhia? An vita? Nem a vida que Eu passei tão penosa na terra, nem a que passo tão ultrajado no Sacramento. An mors? Nem a morte que aqui pretendeis dar-Me a cada dia, pondo-Me de novo, quanto está de vossa parte, numa Cruz. An fames? Nem a pobreza que Eu padeço em Minha Casa. Vou mendigando de porta em porta uma gota de azeite para Minhas lâmpadas, uma vela de cera para Meu Altar, necessito de um tecido decente onde reclinar Meu rosto. O que, pois, será o bastante para apartar-Me dos homens? An tribulatio? Nem os olhares impuros, que ferem Meu coração, nem as conversas imodestas, que Me afrontam, nem as sacrílegas irreverências que à Minha vista se cometem. An longitudo? Nem a distância dos tempos em o decurso dos anos, nem a multiplicidade dos séculos. Trocam-se os Impérios, acabam-se as Monarquias, muda mil vezes o mundo, mas, neste Sacrário, Eu sou o mesmo, e Eu não mudo. An altitudo? Eu sou o Unigênito do Altíssimo e Deus de infinita Majestade, Que com um sopro movo as esferas celestes, e com três dedos sustento toda a máquina do Universo. Porém nem toda a Minha grandeza, nem a profundeza, nem a baixeza das criaturas, nem a vileza de sua condição bastará para que, por um só instante, deixe Eu de estar Sacramentado com eles; porque nestes Altares tenho posto para sempre Meu coração: Ponam cor meum ibi cunctis diebus.
Assim obra conosco um Deus amante. Que ser nosso companheiro até o fim do mundo. Por todas as horas e em todos os momentos, de dia e de noite quer que sempre o encontremos naquele Sacrário. Mas o que mais torna imensa esta fineza de Jesus é que, não só para sempre, senão que em todas as partes e em todos os lugares quer estar conosco Sacramentado. Compadeço-me muito daquele pobre Paralítico, quando leio que, por espaço de trinta e oito anos, jazia em um pórtico, por não poder chegar a uma Piscina, que era a única no mundo, e só em Jerusalém se achava, para remédio de seus males. Mas aqui sente minha Alma ferir-se vivamente pelo amor, quando considero não ter parte alguma da terra onde não se possa encontrar facilmente a saudável Piscina do Sangue de Jesus, único antídoto para a paralisia de nossas culpas. Não há reino, não há província, cidade, terra ou lugar no mundo, onde não esteja ou possa estar este amante Sacramentado. Nos lugares mais humildes, nas cabanas mais pobres, nas campanhas mais desertas O pôs Seu amor. Se entro nos hospitais mais desamparados, se passo pelas ruas mais imundas aí O encontro. Se O busco nos exércitos entre o rumor das armas, aí também O adoro. Finalmente, como se toda a terra não bastasse, se navego pelos mares também navega comigo sobre as ondas o Senhor Sacramentado.
Em todas as partes e a cada passo nos expõe todos os tesouros da Glória. É festejada no mundo a ave Fênix, porque dizem que é única, mas só nasce nos montes da Arábia. Precioso é o ouro, mas a natureza o esconde nas entranhas da terra. Brilhantes são os diamantes, mas estão encerrados nos secretos seios das minas. Só o Corpo de Jesus se acha por todas as partes sem fadiga e sem dispêndio, Aquele adorável Corpo, Que é a única inexplicável pérola engastada no Peito do Divino Verbo.
Ah! quanto mais liberal e mais amoroso se mostra Deus, agora, com os homens, do que, na Lei antiga, com os israelitas! Então não havia no mundo mais do que um Templo, um Sacrifício e um Sacerdote; e ainda assim, tudo era só uma figura d'Este Sacramento. E agora não há lugar em toda a redondeza da terra onde não se possa não a figura, senão o figurado. Já não é necessário andar perguntando, como a Esposa, onde vive e onde come nosso amado, porque não só ao meio-dia, mas a todas as horas e em todas as partes se manifesta a nossos olhos, e com o Sangue de seu peito, qual Pelicano amoroso, nos alimenta.
Em um só lugar se depositava a Arca do Testamento, e era ditosa a Casa que merecia hospedá-la. Quem não se enternece agora em considerar esta fineza de Jesus? Ele não é a Arca de Deus, mas o mesmo Deus da Arca. Não é a Lei Escrita, mas o próprio Autor da Lei. Não é o Maná figurado, mas o próprio figurado pelo Maná. Não é a Vara de Moisés, senão flor bela do Paraíso, e a cada passo O vemos, encontramo-l'O, comemo-l'O, metemo-l'O em nossos corações. Com Sua Imensidão ocupa Deus todo o Universo; e se houvesse infinitos mundos, achar-Se-ia presnte em todos eles. Mas foi tão engenhoso o Seu amor que quis dar também n'Este Sacramento este tão excelente atributo [isto é, Sua Imensidão], de algum modo, também à sua humanidade. E. porque quando Ele andava no mundo num só lugar Se achava um Homem-Deus, Sua sabedoria buscou um modo de, multiplicadas infinitas vezes as transubstanciações do Pão em Sua Carne, podermos dizer que em todas as partes, e em inumeráveis mundos, se os houvesse, temos em nossa companhia um Deus-Homem.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 73

73) Somos obrigados a observar os Mandamentos da lei de Deus?
Sim. Somos obrigados a observar os mandamentos da lei de Deus, porque são impostos por Ele, Senhor supremo, e ditados pela natureza e pela sã razão.
Assim como os pais tem direito de mandar em seus filhos, os governantes em seus súditos, assim também e com maior razão, Deus tem direito de impor às suas criaturas a observância de seus Mandamentos. Não estamos sujeitos em tudo, quanto à alma e quanto ao corpo, à vontade de Deus?
Pois bem, sendo sábio legislador, Deus nos impôs uma norma, um guia moral, a fim de que pudéssemos entender e praticar o bem e fugir do mal. Essa norma, fielmente seguida, conduzirá o homem à eterna salvação. Deus, em sua misericórdia, quer a salvação de todos os homens e, por isso, ditando as suas normas, quis fossem elas obrigatórias, promulgando-as com toda a grandeza da sua autoridade: "Eu sou o Senhor! Observai tudo o que vos tenho dito" (Êxodo, 23,13).
Antes, porém, de entregar os Mandamentos esculpidos na pedra, Deus já os havia impresso em nossa consciência. É por isso que nossa razão, quando reta e sã, diz-nos que devemos fazer justamente o que os Mandamentos nos impõem.
Os mandamentos constituem a Lei de Deus. Assim como temos obrigação de acreditar nas verdades reveladas, assim também é nosso dever observar a lei promulgada por Deus.
Rezemos com o Salmista: "Quanto eu amo a tua lei, Senhor! Ela é o objeto da minha meditação todo o dia" (Salmo, 117, 97).

19 de dezembro de 2009

Quarto Domingo do Advento: Dai frutos dignos de penitência!

Da Homilia 20 sobre os Evangelhos, do Papa São Gregório Magno.

O tempo em que tomou o ofício da pregação o Precursor do nosso Redentor é designado mencionando-se o príncipe da república romana e os reis da Judeia. Visto que ele vinha pregar Aquele Que havia de redimir alguns da Judeia e muitos das Nações, o tempo da sua pregação é indicado pelo rei das Nações e os príncipes dos judeus. E visto que Ele haveria de congregar as Nações, e dispersar a Judeia, devido à culpa da perfídia, o Evangelista dá essa descrição do principado terreno, citando um só na república romana, e, no reino da Judeia, vários: um para cada quarta parte.
Diz-se, pois, pela voz do nosso Redentor: Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Provado, portanto, que o reino da Judeia chegara ao fim, sob tantos reis se encontrava dividida. Observa-se também que, além dos reis, os sacerdotes são mencionados. Porque João Batista pregava Aquele Que é, ao mesmo tempo, Rei e Sacerdote, Lucas Evangelista designa o tempo de sua pregação pelos reinos e sacertodes.
Veio, pois, a toda a região do Jordão, pregando um batismo de penitência em remissão dos pecados. Fica provado para todos os que lerem que João não apenas pregou um batismo de penitência, senão que de fato também o deu; porém, um seu batismo em remissão dos pecados, não o poderia dar. A remissão dos pecados só nos é dada no batismo de Cristo. Deve-se reparar também no que é dito: Pregando um batismo de penitência em remissão dos pecados: aquele que não podia dar o batismo que perdoa os pecados, pregava-o. Pois, quanto o Verbo do Pai superava o pregador, tando o Seu batismo, pelo qual os pecados são perdoados, supera o batismo de João, que não podia perdoar os pecados.
Dizia João às turbas que saíam para ser batizadas por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? A ira vindoura é a punição da vingança final, da qual, naquele tempo, não conseguirá fugir o pecador que agora não recorrer aos lamentos da penitência. Note-se que a a raça má, dos que imitam os males dos pais, é chamada gênero de víboras, porque, invejando os bons e perseguindo-os, retribuíam males com males, procurando modos de lesar os próximos, nisso tudo seguiam os caminhos de seus pais carnais, do mesmo modo que filhos venenosos nascem de pais venenosos.
Mas, porque temos pecado, porque estamos envolvidos pelo hábito dos maus costumes, que ele nos diga o que devemos fazer para conseguir fugir da ira vindoura. Segue-se: Dai, pois, frutos dignos de penitência. Nessas palavras percebe-se como o amigo do Esposo não só frutos de penitência, mas dignos de penitência, admoesta que se façam. Porque uma coisa é fazer frutos de penitência, e outra e fazer frutos dignos de penitência. Quando se fala em frutos dignos de penitência, deve-se entender que: Quem não se empenha em nenhum prazer ilícito, por isso tem o direito de fazer uso dos lícitos - assim também faça as obras de piedade, sem deixar de fazer justamente as coisas do mundo. Porém, quem está em culpa de fornicação ou, o que é muito pior, de adultério, este, na mesma medida em que perpetrou as coisas ilícitas, deve se abster dos prazeres lícitos. Portanto, os frutos de boas obras não devem ser na mesma quantia para aquele que pecou mais e aquele que pecou menos, ou para aquele que em nenhum, e aquele que em alguns crimes caiu, e aquele que teve muitos tropeços. Por isso que ele diz: Fazei frutos dignos de penitência: cada qual, de acordo com a consciência, tanto maiores lucros de boas obras adquira pela penitência, quanto mais graves danos retraiu pela culpa.

Rorate cœli desuper et nubes pluant justum, apariatur terra e germinet Salvatorem

EGO DOMINUS, ET NON EST ALTER; FORMANS LUCEM, ET CREANS TENEBRAS; FACIENS PACEM, ET CREANS MALUM: EGO DOMINUS FACIENS OMNIA HÆC. RORATE CŒLI DESUPER ET NUBES PLUANT IUSTUM : APERIATUR TERRA ET GERMINET SALVATOREM: ET IUSTITIA ORIATUR SIMUL: EGO DOMINUS CREAVI EUM.

Liber Isaiæ. XLV, 6-8. Ex Lectione IV, Sabbato Quattuor Temporum Adventus.



SOU EU O SENHOR E NÃO HÁ OUTRO; SOU EU QUE FORMO A LUZ, CRIO AS TREVAS, FAÇO A PAZ, CRIO OS MALES; EU, O SENHOR, É QUE FAÇO TODAS ESTAS COISAS. CÉUS, LANÇAI LÁ DO ALTO O VOSSO ORVALHO, E AS NUVENS FAÇAM CHOVER O JUSTO; ABRA-SE A TERRA E GERMINE O SALVADOR, E AO MESMO TEMPO NASÇA NA TERRA A JUSTIÇA. EU, O SENHOR, É QUE A CRIEI.

Isaías. XLV, 6-8. Da 4ª leitura do Sábado das Têmporas do Advento.


O radix Jesse, *
qui stas in signum populórum,
super quem continébunt reges os suum,
quem Gentes deprecabúntur :
veni ad liberándum nos,
jam noli tardáre.


Ó raiz de Jessé, *
Que ficais de pé como sinal aos povos,
sobre a Qual os reis fecham sua boca,
e pela Qual os gentios suplicam, em orações :
vinde libertar-nos,
já não tardeis.


Árvore de Jessé