
31 de dezembro de 2011
30 de dezembro de 2011
29 de dezembro de 2011
28 de dezembro de 2011
27 de dezembro de 2011
26 de dezembro de 2011
25 de dezembro de 2011
FESTA DE NATAL
O Deus Criador
O Evangelho da 3a Missa é o grandioso e sublime início do Evangelho de São João.
Num vôo de águia celeste, João penetra a eternidade e ali contempla o Verbo de Deus, dizendo que por Ele tudo foi feito e que é Ele o Deus Criador de tudo o que existe.
Depois desce num relance, da luz suprema da glória, até às trevas deste mundo e inclinando-se sobre o presépio onde está deitada uma criancinha, o Evangelista exclama: O Verbo se fez carne e habitou entre nós.
Isto é: o Criador de tudo o que existe, está ali deitado, numa gruta, feito homem.
Contemplemos hoje este sublime assunto, em continuação da existência de Deus, que já provamos. Vejamos:
1. Que Deus é Criador
2. E o governador de tudo
I. Deus é o Criador
A palavra Criador, aplicada a Deus, significa que Deus, por um efeito da sua onipotência, fez existir o que não existia: o firmamento com seus astros luminosos, a terra com suas produções, numa palavra: o universo.
O artista faz uma estátua de um bloco de mármore, porém, nunca fará uma estátua de mármore sem mármore.
O homem apenas modifica, arranja; somente Deus pode criar.
O mundo não é eterno: isto salta aos olhos ao primeiro aspecto.
O que é eterno é necessariamente: imutável, necessário e independente.
Ora, nenhum destes atributos convém ao mundo.
Vemos que o universo está numa mudança continua, pela forma e pelas suas qualidades, enquanto a essência do ser eterno é de ser sempre o que é, sem se poder mudar, aumentar ou diminuir. O eterno é sempre o que é.
O universo não é necessário, pois um ser necessário não pode ser concebido como não existente.
Ora, concebemos perfeitamente a não existência do universo, enquanto não se pode conceber a não existência de um primeiro ser, princípio e causa de tudo.
Logo, o universo teve um princípio, foi criado.
Um ser necessário deve ser independente, isto é, deve possuir em si mesmo e por si mesmo tudo o que lhe é necessário, não recebendo nada de ninguém, nem precisando de ninguém e continuando a existir, mesmo se fora dele nada mais existisse.
Ora, o universo não tem esta independência absoluta. Podemos conceber a idéia do seu aniquilamento.
Logo, não é necessário: foi criado.
E o Criador de tudo o que existe fora dele, é Deus.
Se Deus é o Criador, Ele é também o Senhor de tudo o que existe, pois Deus devia, criando, propor-se um fim digno de si.
Este fim é a sua própria glória, como fim principal; e a felicidade dos seres racionais, como fim secundário.
II. O Deus Governador
Não somente Deus criou, mas governa tudo; e este governo chama-se: a Providência.
Que se diria de um artista que, tendo criado uma obra prima de pintura ou de escultura, ficasse completamente indiferente para com ela, recusando ocupar-se dela, não tomando as precauções para que não fosse destruída?
Que se diria de um roceiro, que comprasse um terreno fértil, e depois o abandonasse sem cultura?
Seriam ambos uns insensatos.
Deus é nosso Criador; nós somos a sua propriedade, o seu bem.
Sendo Deus sapientíssimo, não pode desinteressar-se de nós, que somos a sua obra.
Na terra, muitos homens desejam ocupar-se mais das coisas de que estão encarregados, porém não o podem por falta de tempo, de força, etc.
Para Deus, tal obstáculo não existe.
Ele vê tudo: logo, está ao par de tudo.
Ele é infinitamente bom: logo, quer prover as nossas necessidades.
Ele é todo poderoso: logo, pode valer-nos.
Todas as perfeições de Deus exigem que se ocupe de nós, que não nos abandone, depois de nos ter criado, mas preveja as nossas necessidades e proveja a tudo.
Prever e prover; é da união destas duas palavras que vem o belo nome de Providência – providere.
Deus é ainda infinitamente justo.
Ora, a justiça exige que o bem seja recompensado e que o mal seja castigado.: último motivo porque Deus não deixa a humanidade correr sem amparo, mas se faz o seu Governador, excitador e Moderador, antes de ser o seu Juiz Supremo.
III. Conclusão
A Providência de Deus é, pois, Deus conservando e governando o mundo por Ele criado, e conduzindo todos os seres ao fim que Ele, na sua sabedoria, predeterminou.
Não é propriamente um atributo divino, desde que implica a criação, mas é antes: o conjunto dos atributos de Deus: ciência, sabedoria, poder, bondade, justiça, aplicados à regência do universo.
Não objetem a existência do mal neste mundo. Sim, o mal existe e deve existir.
Há o mal moral, ou pecado. Deus não o quer, mas deve permiti-lo, porque criou o homem livre e o homem, a menos de deixar de ser livre, pode abusar desta liberdade e cometer o mal moral. Não pode ser imputado a Deus, mas unicamente a nós.
Há o mal físico. É também inevitável, porque Deus criou o homem mortal. Ora, todo ser mortal, tende à decomposição... gasta-se, estraga-se, debilita-se. Ora, tal debilitação, tal estrago causa, necessariamente, o sofrimento. É uma condição da nossa vida.
Há desigualdades sociais e deve haver. Pois, como poderia haver ricos, se não houvesse pobres? Como poderia haver grandes, se não houvesse pequenos? Como poderia haver montanhas se não houvesse vales?
Deus deve permitir tudo isso; mas sabe tirar o bem do mal. São meios de expiação e de merecimento para conquistarmos a felicidade eterna.
EXEMPLOS
1. No leme
Num navio, no meio de horrível tempestade, os passageiros lançavam brados de aflição: só um menino de 12 anos permanecia calmo. Como todos ficassem admirados:
- Nada tenho a recear, disse ele, é meu Pai que está no leme.
Porque temer? É o bom Deus que tem nas mãos o leme deste mundo.
Confiemos-Lhe também o leme da nossa alma, e Ele nos fará alcançar o céu!
2. Apólogo de Tolstoi
Ouvem-se bastantes vezes murmúrios contra a Providência de Deus. Provêm geralmente da falta de reflexão, de não compreendermos o que Deus nos outorgou e de vermos apenas o que nos falta.
Tolstoi tem este expressivo apólogo a respeito:
Um homem, descontente da sua sorte, queixava-se de Deus.
- Deus, disse ele, dá a riqueza aos outros e a mim não dá nada! Como posso iniciar a minha vida não tendo nada!
Um ancião ouviu estas queixas.
- És tu tão pobre como pensas? Respondeu.
Deus não te deu saúde e força?
- Não digo que não e ufano-me da minha saúde e força.
- Queres deixar cortar a tua mão direita por um conto de réis?
- Ah! Isso nunca! Nem por dez contos!
- E a mão esquerda?
- Nem esta!
- E o pés?
- Deus me livre! Por dinheiro nenhum!
- Olha, ajuntou o ancião, que fortuna Deus te deu e estás te queixando!
3. A lua
A torto e a direito, os homens reclamam contra a Providência de Deus.
É pena não terem estado presentes quando Deus criou as coisas! O verão é quente demais; o inverno tem um frio insuportável... é um capítulo que convém não começar, pois não acabaríamos.
Lembro-me de ter lido outrora num jornal esta palavra espirituosa de um bebê de 3 anos de idade. O bebê estava com a mamãe, no jardim da casa, ao cair da noite, para colher umas flores. A lua estava no quarto crescente! O bebê olhou espantado e disse à sua mãe: “Mamãe, olhe lá em cima! O bom Deus não teve tempo hoje de acabar a lua”!
Nós somos homens, mas falamos às vezes como bebês. Quantas luas encontramos que o bom Deus não teve o tempo de acabar!
(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 46 - 51)
24 de dezembro de 2011
23 de dezembro de 2011
22 de dezembro de 2011
21 de dezembro de 2011
18 de dezembro de 2011
QUARTO DOMINGO DO ADVENTO
O depósito da Revelação
O Evangelho de hoje é uma introdução majestosa ao grande acontecimento do nascimento de Jesus Cristo.
A figura saliente deste belo quadro é João Batista, pregando o batismo de penitência como está escrito no livro das palavras do Profeta Isaías.
Esta frase nos mostra que o Precursor não pregava uma doutrina nova, pessoal, mas ia tirando do Depósito da revelação tudo o que ensinava.
Nós também temos este Depósito, o mesmo, porém, mais completo do que o de João Batista.
Para ele havia a revelação divina feita a nossos primeiros pais, a Moisés e aos Profetas, enquanto, além disto, nós temos as palavras de Jesus Cristo e dos Apóstolos.
Meditemos hoje sobre este assunto, considerando a dupla fonte da Revelação, formando um único Depósito, a saber:
1. A Sagrada Escritura;
2. A Tradição católica
Teremos, deste modo, uma idéia clara sobre o fundamento da religião e sobre a firmeza imutável de seus princípios.
I. A Sagrada Escritura
As verdades reveladas e os preceitos impostos pela revelação estão contidos na Sagrada Escritura e na Tradição.
A primeira parte da Sagrada Escritura, a que chamamos: Antigo Testamento, contém as revelações feitas antes de Jesus Cristo; enquanto o Novo Testamento contém as revelações feitas pelo próprio Jesus Cristo e pelos Apóstolos.
Temos a plena certeza da integridade e autenticidade da Sagrada Escritura, pela autoridade infalível da Igreja, que demonstraremos mais adiante.
Notemos bem que a Sagrada Escritura é a palavra de Deus, escrita sob a inspiração do Espírito Santo, tendo Deus por autor e transmitida como tal pela Igreja. (Conc. Trento: De fide II)
Sendo a Bíblia a palavra de Deus, não é a aprovação da Igreja que faz que seja a palavra de Deus. A Igreja infalível, para evitar todo equívoco ou dúvida da parte de seus filhos, declara que tal livro, e não um outro, é a Sagrada Escritura e, portanto, a palavra de Deus.
A Igreja proclama um fato, mas não é causa deste fato.
Sabemos e cremos, por exemplo, que o Evangelho contém a vida, atos de doutrina de Jesus Cristo, mas qual entre os vários livros, que têm este nome, é o Evangelho autêntico?
É a autoridade infalível da Igreja que nos dá a certeza. Sem esta autoridade, o Evangelho será sempre a palavra de Deus, mas ninguém saberá distinguir qual o Evangelho verdadeiro.
Nossos sentimentos para com a Sagrada Escritura devem ser de respeito profundo, pois devemos o mesmo respeito à palavra de uma pessoa que a própria pessoa.
É Deus que levou tal homem a escrever, instruindo-o do que devia escrever, sugerindo-lhe o fundo das verdades e o modo de dizê-las, conduzindo-o pela graça, de modo que não pode errar. Tudo o que escreveu tem por autor o próprio Deus, sendo, pois, a Sagrada Escritura: palavra de Deus.
II. A Tradição
A Tradição, rejeitada ilógica e anti-biblicamente pelos protestantes, é também a palavra de Deus, porém, a sua palavra não escrita por homens inspirados, mas transmitida oralmente e escrita depois pelos católicos dos primeiros séculos.
Não pode existir dúvida a respeito da existência da Tradição, pois é certo que tudo que fez e disse o Salvador não foi escrito, como no-lo afirma São João, no fim de seu Evangelho: Muitas outras coisas há que fez Jesus: as quais, se se escrevessem, nem o mundo todo poderia conter os livros que seria preciso escrever. (Jo. XXI. 25)
São estas as coisas que Jesus disse e fez e que não foram escritas, que chamamos Tradição.
São Paulo escreve aos Tessalonicenses: Permanecei firmes e guardai as tradições que aprendestes, ou por nossa palavras, ou nossa carta. (2. Thess. II. 14)
Esta recomendação do Apóstolo prova que ele não ensinara tudo por escrito, mas que pregou muitas coisas que não chegou a escrever.
Ora, compreende-se que a palavra falada de uma pessoa tem tanto valor quanto a sua palavra escrita. É a mesma palavra: o que difere é apenas o meio de transmissão.
Aqui de novo deve intervir a autoridade infalível da Igreja, para declarar que tal tradição em particular vem de Jesus Cristo ou dos Apóstolos.
Ao comparar estas duas vias de transmissão da palavra de Deus, pode-se dizer que a tradição é a mais importante, porque sem ela quem nos certificaria da integridade e autenticidade dos Evangelhos e outros livros sagrados?
Quem nos indica com certeza o sentido de certas passagens obscuras da Bíblia? A Tradição recolhida da Igreja.
Quem ensinou a religião de Cristo antes de serem escritos os Evangelhos? A Tradição.
O Salvador deu aos Apóstolos a missão: não de escrever a sua palavra, mas de pregá-la a todas as nações. (Marc. XVI. 15)
III. Conclusão
Tal é o grande Depósito da Revelação: - a Sagrada Escritura e a Tradição; sendo a primeira escrita por inspiração divina e a segunda pregada pela mesma inspiração, conservada oralmente pelos primeiros fiéis que a transmitiram de pai a filho, até que foi escrita por sua vez pelos escritores da Igreja, que a recolheram, sem assistência especial do Espírito Santo, mas por amor à verdade.
Este Depósito é guardado e apresentado pela autoridade infalível da Igreja, sendo esta mesma autoridade que nos apresenta a Tradição, pela voz do Papa, dos Concílios ou escritos dos Santos Padres, pelos Símbolos da fé, a liturgia, a disciplina da Igreja e os monumentos religiosos dos primeiros séculos.
Esse Depósito sagrado devia, necessariamente, ser confiado a uma sociedade, cuja finalidade é conservá-lo íntegro, interpretar e aplicar estas Revelações, conforme a ordem recebida do divino Mestre: Ide, ensinai todas as gentes a observar todas as coisas que eu vos mandei... e eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos. (Math. XXVII. 19)
Sem este depósito a religião não teria continuidade de existência, nem laço que a prendesse a Deus.
EXEMPLOS
1. Em plena água doce
Pobres náufragos, recolhidos numa canoa, faziam sinais desesperados a um grande vapor americano que passava ao largo. Foram percebidos e socorridos. Estavam morrendo de sede, e com voz fraca diziam: Dai-nos de beber!... água... água!
Admirado, o Capitão perguntou-lhes se sabiam onde estavam.
- Não! Não sabemos de nada!
Estão na embocadura do Amazonas... Estão morrendo de sede e não têm senão de estender a mão para beber: estão em plena água doce.
Assim acontece com muitos homens. Querem desalterar a sua sede de religião e não sabem onde encontrar a água doce da verdade... enquanto estão nadando no meio dela, no seio da Igreja Católica, que tem o depósito das verdades divinas na Sagrada Escritura e nas Tradições.
2. O elefante e as tartarugas
O Senhor de Mohrenheim era católico e embaixador da Rússia cismática perto da corte herética da Prússia.
Um dia atacaram a religião católica em sua presença. O caso era delicado, pois tanto o país que representava como a corte onde estava eram inimigos do Catolicismo.
O embaixador não desanimou e não querendo magoar a ninguém, nem deixar insultar a sua fé, pediu licença para fazer uma simples observação e disse:
A cosmogonia indiana representa o mundo sob a forma de um elefante, tendo as quatro patas em cima de enormes tartarugas.
Que é que sustenta as tartarugas? Os índios não o dizem.
O sistema religioso deles está, pois, no ar, sem base: é falso.
O protestantismo como o Catolicismo apóia-se sobre os quatro Evangelhos... mas sobre que apóia-se a autenticidade destes Evangelhos? Não admitem nada além do Evangelho... Logo, o sistema deles é tão falso e errado como o dos índios.
O Catolicismo apóia-se sobre os quatro Evangelhos e estes Evangelhos são sustentados, declarados autênticos, pela Tradição e a autoridade. Logo, é o único sistema religioso que tem uma base certa.
Ninguém replicou a esta demonstração; e até hoje as quatro tartarugas enormes do budismo como do protestantismo continuam suspensas no ar, enquanto o Evangelho católico está seguro e indefectível sobre a Tradição e a autoridade.
(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 38 - 44)
17 de dezembro de 2011
16 de dezembro de 2011
15 de dezembro de 2011
14 de dezembro de 2011
13 de dezembro de 2011
12 de dezembro de 2011
Como se deve rezar o Rosário
Não é o prolongamento de uma oração que agrada a Deus e lhe conquista o coração, mas o seu fervor. Uma só Ave-Maria bem rezada tem mais mérito do que cento e cinqüenta mal rezadas.
Vejamos, pois, a maneira de rezar o Rosário para agradar a Deus e nos tomarmos santos.
Em primeiro lugar, é preciso que a pessoa que reza o Rosário esteja em estado de graça, ou pelo menos na resolução de sair do seu pecado, porque a Teologia nos ensina que as boas obras e as orações feitas em pecado mortal são obras mortas, que não agradam a Deus nem podem merecer a vida eterna.
Aconselhamos o Rosário a todas as pessoas: aos justos, para que perseverem e cresçam na graça de Deus; e aos pecadores também, mas para que saiam de seus Recados.
Deus não permita que por nossos conselhos um pecador empedernido transforme o manto da proteção de Nossa Senhora em manto de condenação para velar seus crimes! Ou que transforme o Rosário, que é remédio para todos os males, num veneno mortal e funesto! A corrupção do ótimo é péssima.
Um homem depravado costumava rezar diariamente o Rosário. Certo dia, a Virgem lhe mostrou belos frutos numa bandeja cheia de imundícies. O homem teve horror àquilo, e Ela lhe disse: "É assim que tu me serves, apresentando-me belas rosas num recipiente sujo e corrompido. Achas que posso recebê-las com agrado?"
Não basta, para rezar bem, exprimir nossos pedidos pela excelente forma de oração que é o Rosário, mas é preciso aplicar nisso uma grande atenção, pois Deus ouve antes à voz do coração que à da boca.
Rezar a Deus com distrações voluntárias seria uma grande falta de respeito, que tornaria os nossos Rosários infrutíferos e nos encheria de pecados.
Como pretender que Deus nos ouça, se nós mesmos não nos ouvimos? E se enquanto invocamos a terrível Majestade que faz a todos tremerem, nos pomos voluntariamente a correr atrás de uma borboleta?
Proceder assim é afastar a bênção do Senhor e correr o risco de vê-la mudada em maldição: "Maldito o que faz a obra de Deus com negligência" (Jer 48, 10).
De fato não é possível rezar o Rosário sem nenhuma distração involuntária; é até mesmo bem difícil rezar uma única Ave-Maria sem que a imaginação sempre mutante não vos afaste em algo a atenção. Mas vós podeis rezar sem distrações voluntárias, e deveis adotar todos os meios para diminuir as involuntárias e fixar a atenção.
Para isso, colocai-vos na presença de Deus, pensando que Ele e sua santa Mãe tem os olhos postos sobre vós.
Pensai que vosso Anjo da Guarda está à vossa direita, colhendo as Ave-Marias que rezais, quando elas são bem rezadas, como se fossem rosas, para com elas tecer uma coroa para Jesus e Maria; e que, pelo contrário, o demônio está à vossa esquerda e ronda em torno de vós para devorar vossas Ave-Marias e as anotar no seu livro da morte, se elas são rezadas sem atenção, devoção e modéstia.
Sobretudo, não deixeis de fazer os oferecimentos das dezenas em honra dos mistérios, e de vos representar na imaginação a Nosso Senhor e à sua Santíssima Mãe no mistério que estais honrando.
Lê-se na vida do Beato Hermann, da Ordem premonstratense, que quando ele rezava o Rosário com atenção e devoção, meditando nos mistérios, a Santíssima Virgem lhe aparecia toda esplendorosa de luz, com uma beleza e majestade arrebatadoras.
Mas, tendo sua devoção esfriado e não rezando mais o Rosário senão às pressas e sem atenção, Ela lhe apareceu com a face enrugada, triste e desagradada.
Hermann se espantou com a mudança, e a Virgem lhe disse: "Apareço diante dos teus olhos como me encontro na tua alma, pois tu me tratas como a uma pessoa vil e desprezível. Onde está aquele tempo em que me saudavas com respeito e atenção, meditando os meus mistérios e admirando as minhas grandezas?"
Como não há oração mais meritória à alma e mais gloriosa a Jesus e a Maria do que o Rosário bem rezado, também não há nenhuma que seja mais difícil para bem rezar e na qual seja mais difícil perseverar, sobretudo por causa das distrações que vêm como que naturalmente na repetição freqüente da mesma oração.
Quando se reza o Ofício da Santíssima Virgem, ou os Sete Salmos, ou algumas outras orações, a variedade dos termos em que essas orações são concebidas detém a imaginação e recreia o espírito, dando por isso facilidade à alma para bem rezá-las.
Mas no Rosário, como há sempre os mesmos Pais-Nosso e Ave-Marias para rezar, e a mesma forma a manter, é difícil que não se acabe aborrecendo, que não se acabe adormecendo e que não se o abandone para procurar outras formas de oração mais agradáveis e menos cansativas.
Por isso, é preciso ter infinitamente mais devoção para perseverar na recitação do santo Rosário do que para qualquer outra oração, ainda mesmo os Salmos de Davi.
O que aumenta essa dificuldade é a nossa imaginação volátil e a malícia do demônio, infatigável para nos distrair e nos impedir de rezar.
Que faz esse espírito maligno enquanto estamos rezando nosso Rosário contra ele?
Antes de começar a oração, ele aumenta nosso aborrecimento, nossas distrações e nossas prostrações. Enquanto rezamos, ele nos acossa de todos os lados. E depois que tivermos rezado com muita dificuldade e distrações, elo nos sopra ao ouvido: "Nada rezaste que preste; teu terço de nada valeu; melhor farias se trabalhasses e cuidasses dos teus negócios; perdes tempo rezando tantas orações vocais sem atenção; uma meia-hora de meditação ou uma boa leitura valeriam muito mais; amanhã, quando estiveres com menos sono, rezarás com mais atenção, deixa o resto do teu Rosário para amanhã".
É assim que o demônio, com seus artifícios, freqüentemente consegue que abandonemos o Rosário, inteiro ou em parte, ou faz com o que troquemos ou o deixemos para o dia seguinte...
Não lhe deis crédito, caro devoto do Rosário, e não desanimeis, ainda que durante todo o Rosário vossa imaginação tenha estado preenchida com distrações e pensamentos extravagantes, se vós os procurastes expulsar da melhor forma possível logo quando vos destes conta deles.
Vosso Rosário é tanto melhor quanto mais meritório for; ele é tanto mais meritório quanto mais difícil for, ele é tanto mais difícil quanto menos naturalmente for agradável à alma e mais cheio for dessas miseráveis pequenas moscas e formigas que fazem a imaginação correr de um lado para o outro apesar da vontade, não dando à alma tempo para saborear o que reza e repousar em paz.
Se for preciso combater, durante o Rosário, contra as distrações, combatei valentemente de armas na mão, ou seja, prosseguindo o Rosário, ainda que sem nenhum gosto nem consolação sensível.
É um combate terrível, mas é salutar à alma fiel.
Se deixais cair as armas, quer dizer, se abandonais o Rosário, sois vencidos, e então o demônio, como vencedor, vos deixará em paz, mas no dia do Juízo vos acusará por vossa pusilanimidade e infidelidade.
"Quem é fiel nas pequenas coisas também o será nas grandes" (Lc 16, 10). Quem é fiel em rejeitar as menores distrações na menor parte de suas orações, será também fiel nas maiores coisas.
Coragem, pois, bom e fiel servidor de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem, que tomastes a resolução de rezar o Rosário todos os dias! Que a multidão das moscas (chamo assim as distrações que vos fazem guerra enquanto rezais) não vos faça deixar covardemente a companhia de Jesus e de Maria, na qual estais quando dizeis vosso Rosário. A partir daqui indicarei os meios para diminuir as distrações.
Invocai inicialmente o Espírito Santo para bem rezar o vosso Rosário, e colocai-vos em seguida um momento na presença de Deus.
Antes de começar cada dezena, parai um pouco para considerar o mistério que estais celebrando, e pedi sempre, pela intercessão de Maria Santíssima, uma das virtudes que mais ressaltam naquele mistério ou da qual tendes mais necessidade.
Tomai, sobretudo, cuidado com dois erros comuns, que cometem quase todos os que rezam o terço ou o Rosário:
O primeiro é não formular nenhuma intenção, de sorte que se lhe perguntais porque estão rezando, não vos saberiam responder. Tende, pois, sempre em vista, ao rezar o Rosário, alguma graça a pedir, alguma virtude a imitar ou algum pecado a evitar.
O segundo erro que se comete freqüentemente é não ter em vista, ao começar o Rosário, outra coisa senão acabá-lo o quanto antes.
É uma pena ver como a maior parte das pessoas rezam o Rosário. Rezam-no com uma precipitação espantosa, devoram até a maior parte das palavras. Não se cumprimentaria desse modo ridículo ao último dos homens e, no entanto se imagina que Jesus e Maria se sentem honrados com isso!...
O Beato Alano de la Roche e outros autores, entre os quais Belarmino, contam que um bom sacerdote aconselhou a três penitentes que tinha, e que eram três irmãs, que rezassem devotamente todos os dias o Rosário, durante um ano, para formar um belo vestido de glória para Nossa Senhora. Acrescentou que isso era um segredo que ele tinha recebido do céu.
As três irmãs o rezaram durante um ano. No dia da Purificação, à noite, quando as três estavam deitadas, a Virgem, acompanhada por Santa Catarina e Santa Inês, entrou no quarto delas, vestida com um traje todo resplandecente de luz, no qual estava escrito, com letras de ouro: "Ave Maria, cheia de graça".
A Rainha do Céu se aproximou do leito da mais velha das irmãs e lhe disse: "Eu te saúdo, minha filha, que tantas vezes e tão bem me saudaste. Venho agradecer-te o belo vestido que me fizeste".
As duas santas Virgens que A acompanhavam lhe agradeceram também e as três desapareceram.
Uma hora depois, a Virgem veio mais uma vez ao quarto, com as mesmas acompanhantes. Trajava um vestido verde, mas sem ouro nem luz. Aproximou-se do leito da segunda irmã e lhe agradeceu o vestido que lhe fizera.
Mas, como esta segunda irmã já tinha visto a Santíssima Virgem aparecer à mais velha com maior brilho, perguntou-Lhe o motivo: “É porque ela me fez um vestido mais bonito, rezando o Rosário melhor do que tu” - respondeu a Virgem.
Cerca de uma hora depois, Nossa Senhora apareceu uma terceira vez à mais jovem das irmãs, vestida com trapos sujos e rasgados, e disse: "Ó filha, tu assim me vestiste, Eu te agradeço por isso".
A jovem, coberta de confusão, exclamou: "Oh! Senhora, perdão por Vos ter vestido tão mal! Peço-Vos tempo para rezar melhor o Rosário e Vos preparar um vestido mais belo".
Tendo desaparecido a visão, a jovem, muito aflita, contou ao confessor o que se tinha passado. Ele exortou as três a rezarem o Rosário com mais perfeição do que antes.
Ao cabo de um ano, no mesmo dia da Purificação, a Virgem novamente lhes apareceu, vestida com um traje maravilhoso e mais uma vez acompanhada por Santa Catarina e Santa Inês, que levavam coroas, e lhes disse: "Tende certeza, filhas, do Reino dos Céus, no qual entrareis amanhã, com grande alegria", ao que as três responderam: "Nosso coração está pronto, caríssima Senhora, nosso coração está pronto".
A visão desapareceu. Na mesma noite, sentiram-se mal, mandaram procurar o confessor, receberam os últimos sacramentos e agradeceram ao confessor pela santa devoção que lhes tinha ensinado.
Depois, a Santíssima Virgem lhes apareceu, acompanhada por grande número de virgens, fez vestir as três irmãs com vestidos brancos. Depois partiram as três, enquanto os Anjos cantavam: "Vinde, esposas de Jesus Cristo, recebei as coroas que vos estão preparadas desde a eternidade".
Há muitas verdades a aprender com essa história:
1° Como é importante ter bons confessores que inspirem bons exercícios de piedade e em particular o santo Rosário;
2° Como é importante rezar o Rosário com atenção e devoção;
3° Como a Santíssima Virgem é benigna e misericordiosa para com aqueles que se arrependem do passado e se propõem a proceder melhor;
4° Como Ela é generosa para recompensar durante a vida, na hora da morte e na eternidade, os pequeno serviços que Lhe são prestados fielmente.
Acrescento que se deve rezar o Rosário com modéstia, quer dizer, tanto quanto possível de joelhos com as mãos postas, tendo o Rosário nas mãos.
Se, entretanto, se está doente, pode-se rezá-lo na cama; se em viagem, pode-se rezá-lo caminhando; se por qualquer enfermidade não se pode estar de joelhos, pode-se rezar de pé ou sentado.
Pode-se até mesmo rezar o Rosário trabalhando quando não se pode deixar o trabalho por causa dos deveres profissionais; pois o trabalho manual nem sempre é contrário à oração vocal.
Aconselho-vos a dividir o vosso Rosário em três terços, em três diferentes horas do dia; é melhor dividi-lo assim do que rezá-lo de uma só vez.
Se não tendes tempo para rezar o terço do Rosário de uma só vez, rezai uma dezena aqui, uma dezena acolá, de tal forma que, apesar das vossas ocupações e negócios, tenhais o Rosário inteiro rezado antes de vos deitardes à noite.
Vejamos, pois, a maneira de rezar o Rosário para agradar a Deus e nos tomarmos santos.
Em primeiro lugar, é preciso que a pessoa que reza o Rosário esteja em estado de graça, ou pelo menos na resolução de sair do seu pecado, porque a Teologia nos ensina que as boas obras e as orações feitas em pecado mortal são obras mortas, que não agradam a Deus nem podem merecer a vida eterna.
Aconselhamos o Rosário a todas as pessoas: aos justos, para que perseverem e cresçam na graça de Deus; e aos pecadores também, mas para que saiam de seus Recados.
Deus não permita que por nossos conselhos um pecador empedernido transforme o manto da proteção de Nossa Senhora em manto de condenação para velar seus crimes! Ou que transforme o Rosário, que é remédio para todos os males, num veneno mortal e funesto! A corrupção do ótimo é péssima.
Um homem depravado costumava rezar diariamente o Rosário. Certo dia, a Virgem lhe mostrou belos frutos numa bandeja cheia de imundícies. O homem teve horror àquilo, e Ela lhe disse: "É assim que tu me serves, apresentando-me belas rosas num recipiente sujo e corrompido. Achas que posso recebê-las com agrado?"
Não basta, para rezar bem, exprimir nossos pedidos pela excelente forma de oração que é o Rosário, mas é preciso aplicar nisso uma grande atenção, pois Deus ouve antes à voz do coração que à da boca.
Rezar a Deus com distrações voluntárias seria uma grande falta de respeito, que tornaria os nossos Rosários infrutíferos e nos encheria de pecados.
Como pretender que Deus nos ouça, se nós mesmos não nos ouvimos? E se enquanto invocamos a terrível Majestade que faz a todos tremerem, nos pomos voluntariamente a correr atrás de uma borboleta?
Proceder assim é afastar a bênção do Senhor e correr o risco de vê-la mudada em maldição: "Maldito o que faz a obra de Deus com negligência" (Jer 48, 10).
De fato não é possível rezar o Rosário sem nenhuma distração involuntária; é até mesmo bem difícil rezar uma única Ave-Maria sem que a imaginação sempre mutante não vos afaste em algo a atenção. Mas vós podeis rezar sem distrações voluntárias, e deveis adotar todos os meios para diminuir as involuntárias e fixar a atenção.
Para isso, colocai-vos na presença de Deus, pensando que Ele e sua santa Mãe tem os olhos postos sobre vós.
Pensai que vosso Anjo da Guarda está à vossa direita, colhendo as Ave-Marias que rezais, quando elas são bem rezadas, como se fossem rosas, para com elas tecer uma coroa para Jesus e Maria; e que, pelo contrário, o demônio está à vossa esquerda e ronda em torno de vós para devorar vossas Ave-Marias e as anotar no seu livro da morte, se elas são rezadas sem atenção, devoção e modéstia.
Sobretudo, não deixeis de fazer os oferecimentos das dezenas em honra dos mistérios, e de vos representar na imaginação a Nosso Senhor e à sua Santíssima Mãe no mistério que estais honrando.
Lê-se na vida do Beato Hermann, da Ordem premonstratense, que quando ele rezava o Rosário com atenção e devoção, meditando nos mistérios, a Santíssima Virgem lhe aparecia toda esplendorosa de luz, com uma beleza e majestade arrebatadoras.
Mas, tendo sua devoção esfriado e não rezando mais o Rosário senão às pressas e sem atenção, Ela lhe apareceu com a face enrugada, triste e desagradada.
Hermann se espantou com a mudança, e a Virgem lhe disse: "Apareço diante dos teus olhos como me encontro na tua alma, pois tu me tratas como a uma pessoa vil e desprezível. Onde está aquele tempo em que me saudavas com respeito e atenção, meditando os meus mistérios e admirando as minhas grandezas?"
Como não há oração mais meritória à alma e mais gloriosa a Jesus e a Maria do que o Rosário bem rezado, também não há nenhuma que seja mais difícil para bem rezar e na qual seja mais difícil perseverar, sobretudo por causa das distrações que vêm como que naturalmente na repetição freqüente da mesma oração.
Quando se reza o Ofício da Santíssima Virgem, ou os Sete Salmos, ou algumas outras orações, a variedade dos termos em que essas orações são concebidas detém a imaginação e recreia o espírito, dando por isso facilidade à alma para bem rezá-las.
Mas no Rosário, como há sempre os mesmos Pais-Nosso e Ave-Marias para rezar, e a mesma forma a manter, é difícil que não se acabe aborrecendo, que não se acabe adormecendo e que não se o abandone para procurar outras formas de oração mais agradáveis e menos cansativas.
Por isso, é preciso ter infinitamente mais devoção para perseverar na recitação do santo Rosário do que para qualquer outra oração, ainda mesmo os Salmos de Davi.
O que aumenta essa dificuldade é a nossa imaginação volátil e a malícia do demônio, infatigável para nos distrair e nos impedir de rezar.
Que faz esse espírito maligno enquanto estamos rezando nosso Rosário contra ele?
Antes de começar a oração, ele aumenta nosso aborrecimento, nossas distrações e nossas prostrações. Enquanto rezamos, ele nos acossa de todos os lados. E depois que tivermos rezado com muita dificuldade e distrações, elo nos sopra ao ouvido: "Nada rezaste que preste; teu terço de nada valeu; melhor farias se trabalhasses e cuidasses dos teus negócios; perdes tempo rezando tantas orações vocais sem atenção; uma meia-hora de meditação ou uma boa leitura valeriam muito mais; amanhã, quando estiveres com menos sono, rezarás com mais atenção, deixa o resto do teu Rosário para amanhã".
É assim que o demônio, com seus artifícios, freqüentemente consegue que abandonemos o Rosário, inteiro ou em parte, ou faz com o que troquemos ou o deixemos para o dia seguinte...
Não lhe deis crédito, caro devoto do Rosário, e não desanimeis, ainda que durante todo o Rosário vossa imaginação tenha estado preenchida com distrações e pensamentos extravagantes, se vós os procurastes expulsar da melhor forma possível logo quando vos destes conta deles.
Vosso Rosário é tanto melhor quanto mais meritório for; ele é tanto mais meritório quanto mais difícil for, ele é tanto mais difícil quanto menos naturalmente for agradável à alma e mais cheio for dessas miseráveis pequenas moscas e formigas que fazem a imaginação correr de um lado para o outro apesar da vontade, não dando à alma tempo para saborear o que reza e repousar em paz.
Se for preciso combater, durante o Rosário, contra as distrações, combatei valentemente de armas na mão, ou seja, prosseguindo o Rosário, ainda que sem nenhum gosto nem consolação sensível.
É um combate terrível, mas é salutar à alma fiel.
Se deixais cair as armas, quer dizer, se abandonais o Rosário, sois vencidos, e então o demônio, como vencedor, vos deixará em paz, mas no dia do Juízo vos acusará por vossa pusilanimidade e infidelidade.
"Quem é fiel nas pequenas coisas também o será nas grandes" (Lc 16, 10). Quem é fiel em rejeitar as menores distrações na menor parte de suas orações, será também fiel nas maiores coisas.
Coragem, pois, bom e fiel servidor de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem, que tomastes a resolução de rezar o Rosário todos os dias! Que a multidão das moscas (chamo assim as distrações que vos fazem guerra enquanto rezais) não vos faça deixar covardemente a companhia de Jesus e de Maria, na qual estais quando dizeis vosso Rosário. A partir daqui indicarei os meios para diminuir as distrações.
Invocai inicialmente o Espírito Santo para bem rezar o vosso Rosário, e colocai-vos em seguida um momento na presença de Deus.
Antes de começar cada dezena, parai um pouco para considerar o mistério que estais celebrando, e pedi sempre, pela intercessão de Maria Santíssima, uma das virtudes que mais ressaltam naquele mistério ou da qual tendes mais necessidade.
Tomai, sobretudo, cuidado com dois erros comuns, que cometem quase todos os que rezam o terço ou o Rosário:
O primeiro é não formular nenhuma intenção, de sorte que se lhe perguntais porque estão rezando, não vos saberiam responder. Tende, pois, sempre em vista, ao rezar o Rosário, alguma graça a pedir, alguma virtude a imitar ou algum pecado a evitar.
O segundo erro que se comete freqüentemente é não ter em vista, ao começar o Rosário, outra coisa senão acabá-lo o quanto antes.
É uma pena ver como a maior parte das pessoas rezam o Rosário. Rezam-no com uma precipitação espantosa, devoram até a maior parte das palavras. Não se cumprimentaria desse modo ridículo ao último dos homens e, no entanto se imagina que Jesus e Maria se sentem honrados com isso!...
O Beato Alano de la Roche e outros autores, entre os quais Belarmino, contam que um bom sacerdote aconselhou a três penitentes que tinha, e que eram três irmãs, que rezassem devotamente todos os dias o Rosário, durante um ano, para formar um belo vestido de glória para Nossa Senhora. Acrescentou que isso era um segredo que ele tinha recebido do céu.
As três irmãs o rezaram durante um ano. No dia da Purificação, à noite, quando as três estavam deitadas, a Virgem, acompanhada por Santa Catarina e Santa Inês, entrou no quarto delas, vestida com um traje todo resplandecente de luz, no qual estava escrito, com letras de ouro: "Ave Maria, cheia de graça".
A Rainha do Céu se aproximou do leito da mais velha das irmãs e lhe disse: "Eu te saúdo, minha filha, que tantas vezes e tão bem me saudaste. Venho agradecer-te o belo vestido que me fizeste".
As duas santas Virgens que A acompanhavam lhe agradeceram também e as três desapareceram.
Uma hora depois, a Virgem veio mais uma vez ao quarto, com as mesmas acompanhantes. Trajava um vestido verde, mas sem ouro nem luz. Aproximou-se do leito da segunda irmã e lhe agradeceu o vestido que lhe fizera.
Mas, como esta segunda irmã já tinha visto a Santíssima Virgem aparecer à mais velha com maior brilho, perguntou-Lhe o motivo: “É porque ela me fez um vestido mais bonito, rezando o Rosário melhor do que tu” - respondeu a Virgem.
Cerca de uma hora depois, Nossa Senhora apareceu uma terceira vez à mais jovem das irmãs, vestida com trapos sujos e rasgados, e disse: "Ó filha, tu assim me vestiste, Eu te agradeço por isso".
A jovem, coberta de confusão, exclamou: "Oh! Senhora, perdão por Vos ter vestido tão mal! Peço-Vos tempo para rezar melhor o Rosário e Vos preparar um vestido mais belo".
Tendo desaparecido a visão, a jovem, muito aflita, contou ao confessor o que se tinha passado. Ele exortou as três a rezarem o Rosário com mais perfeição do que antes.
Ao cabo de um ano, no mesmo dia da Purificação, a Virgem novamente lhes apareceu, vestida com um traje maravilhoso e mais uma vez acompanhada por Santa Catarina e Santa Inês, que levavam coroas, e lhes disse: "Tende certeza, filhas, do Reino dos Céus, no qual entrareis amanhã, com grande alegria", ao que as três responderam: "Nosso coração está pronto, caríssima Senhora, nosso coração está pronto".
A visão desapareceu. Na mesma noite, sentiram-se mal, mandaram procurar o confessor, receberam os últimos sacramentos e agradeceram ao confessor pela santa devoção que lhes tinha ensinado.
Depois, a Santíssima Virgem lhes apareceu, acompanhada por grande número de virgens, fez vestir as três irmãs com vestidos brancos. Depois partiram as três, enquanto os Anjos cantavam: "Vinde, esposas de Jesus Cristo, recebei as coroas que vos estão preparadas desde a eternidade".
Há muitas verdades a aprender com essa história:
1° Como é importante ter bons confessores que inspirem bons exercícios de piedade e em particular o santo Rosário;
2° Como é importante rezar o Rosário com atenção e devoção;
3° Como a Santíssima Virgem é benigna e misericordiosa para com aqueles que se arrependem do passado e se propõem a proceder melhor;
4° Como Ela é generosa para recompensar durante a vida, na hora da morte e na eternidade, os pequeno serviços que Lhe são prestados fielmente.
Acrescento que se deve rezar o Rosário com modéstia, quer dizer, tanto quanto possível de joelhos com as mãos postas, tendo o Rosário nas mãos.
Se, entretanto, se está doente, pode-se rezá-lo na cama; se em viagem, pode-se rezá-lo caminhando; se por qualquer enfermidade não se pode estar de joelhos, pode-se rezar de pé ou sentado.
Pode-se até mesmo rezar o Rosário trabalhando quando não se pode deixar o trabalho por causa dos deveres profissionais; pois o trabalho manual nem sempre é contrário à oração vocal.
Aconselho-vos a dividir o vosso Rosário em três terços, em três diferentes horas do dia; é melhor dividi-lo assim do que rezá-lo de uma só vez.
Se não tendes tempo para rezar o terço do Rosário de uma só vez, rezai uma dezena aqui, uma dezena acolá, de tal forma que, apesar das vossas ocupações e negócios, tenhais o Rosário inteiro rezado antes de vos deitardes à noite.
(São Luís Maria Grignion de Montfort. A eficácia maravilhosa do santo Rosário, Séria Cultura Religiosa n° 11, Artpress – São Paulo – 2000, Capítulo 6, p. 50-59)
11 de dezembro de 2011
TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO
Existência da Revelação
O Evangelho de hoje conta que os judeus enviaram mensageiros a João Batista, perguntando-lhe quem era. Se era o Cristo, Elias, ou qualquer outro profeta.
O precursor rejeitou todos os títulos e intitulou-se: a voz do que clama no deserto, para preparar os caminhos do Senhor; e ele termina fazendo, em nome de Deus, a grande revelação da presença de Jesus Cristo entre eles: Entre vós está quem vós não conheceis.
Nós também devemos aproximar-nos de Deus e pedir-lhe que se revele à nossa fé, pois sem esta revelação, nunca teremos uma idéia certa, clara, convicta de Deus e de sua vida em nós.
Procuremos convencer-nos fortemente da necessidade da Revelação divina, examinando hoje.
1. A existência da revelação
2. As épocas da revelação.
São duas noções necessárias para excitar em nós este espírito de fé com que devemos receber e acatar s verdades reveladas.
I. A existência da revelação
A revelação existe. É um fato.
Temos toda a certeza de que Deus manifestou aos homens verdades que a simples razão não pode descobrir, ou pode apenas conhecer superficialmente.
Deus não era obrigado a retirar o homem da abjeção em que o havia mergulhado o pecado original e a remediar as suas grandes misérias.
Mas, notemos que Deus é Pai; e um pai, vendo o seu filho no fundo da miséria, não pode deixar de estender-lhe a mão.
Quando a criança entra neste mundo, é já um ser racional, embora seja incapaz de orientar-se. Deus colocou a seu lado uma criatura, sua mãe, que se inclina sobre o berço e o semblante iluminado pelo amor, lhe fala, instrui-a, sustenta-a.
E Deus, Pai tão amoroso, não se inclinaria sobre o berço da humanidade, onde se agita e chora a sua pobre filha, pedindo luz e amparo? Ah! Isto não; é impossível! Deus seria menos terno que os nossos pais da terra!
Eis porque Deus falou, nos revelou o que ignoramos e precisamos saber.
Deus destina o homem para um fim sobrenatural; é preciso pois que lhe dê luzes sobrenaturais e tais luzes devem brotar se seu próprio Coração e lábios.
E como pode o homem conhecer que uma revelação é verdadeiramente divina?
Pelos caracteres negativos e positivos que acompanham sempre a palavra divina.
Os negativos referem-se à própria revelação, afastando o que seria oposto às perfeições divinas, à uma revelação anterior, a preceitos positivos existentes e à perfeição do homem.
Os positivos às provas que acompanham as revelações, isto é: os milagres e as profecias; dois fenômenos exteriores extraordinários, luminosos que se impõem à convicção.
Os milagres e as profecias não fazem compreender o mistério revelado, nem dão a razão do preceito positivo, mas fazem-nos aceitar como sendo de Deus.
São como o selo, o carimbo que Deus imprimisse sobre suas obras, ou as credenciais com que Ele apresenta seus enviados; os milagres e as profecias constituem o sinal divino por excelência.
II. As épocas da revelação
A revelação completa efetuou-se em três épocas.
A primeira foi feita a Adão, no berço da existência humana, nas sombras do paraíso terreno.
Continha esta revelação verdades naturais, por exemplo: a existência dos anjos bons e maus, e, depois da queda, a visão do libertador prometido.
Continha também certos preceitos positivos, por exemplo: o modo de oferecer sacrifícios.
Esta primeira revelação confirmada e cada vez mais determinada a Abraão e aos demais Patriarcas, recebeu o nome de : Revelação primitiva ou patriarcal.
A segunda revelação foi feita a Moisés, no monte Sinai e aos Profetas, encarregados de a transmitirem aos Hebreus.
Esta segunda revelação relembrava e revigorava a lei natural, as revelações anteriores, e prescrevia muitos novos preceitos, tendo em vista preparar os espíritos para a vinda do Messias. É a revelação Mosaica.
A terceira foi feita pelo próprio Jesus Cristo, sendo dirigida à humanidade inteira
Esta nova revelação que completa todas as revelações precedentes, com mais clareza e perfeição junta-lhe um conjunto completo de verdades, de preceitos e de auxílios sobrenaturais, que dão à lei antiga a sua perfeição completa e definitiva.
É a revelação cristã ou religião cristã.
Convém notar que estas três revelações, distintas quanto ao tempo em que foram feitas, constituem uma única e mesma revelação, ou religião, desenvolvida por Deus através dos tempos.
Todas estas revelações tem o mesmo autor: Deus; o mesmo fim: a fé sobrenatural; os mesmos meios sobrenaturais: a graça sobrenatural; o mesmo fundamento: o Redentor esperado e chagado; os mesmos preceitos: o decálogo; e os mesmos dogmas.
O que se constata é que os dogmas foram revelados progressivamente, manifestados pouco a pouco na medida das disposições dos espíritos; todos, porém, estavam contidos como em gérmen nas três revelações.
III. Conclusão
Pelo que precede, compreendemos os imensos benefícios que nos trouxe a revelação.
Antes de tudo, a revelação vem enxertar uma nova ordem de idéias sobre idéias existentes: a ordem sobrenatural veio elevar e aperfeiçoar a ordem natural.
A ordem sobrenatural é uma mudança radical em nossas idéias e aspirações.
A razão, tocada pela graça, tornou-se fé;
O desejo natural de gozo tornou-se esperança;
A simpatia natural, mudou-se em caridade.
Em resumo: o homem da lei natural saiu das mãos de Jesus Cristo, enaltecido, transfigurado, aperfeiçoado, não fugindo mais de Deus, como os antigos judeus, mas apresentando-se diante dele com sentimentos de amor filial.
A lei do temor cedeu o lugar à lei do amor.
O homem racional tornou-se o homem celestial, como o admiramos nos Santos, dizendo que são anjos numa carne mortal.
EXEMPLO
Inauguração de uma estátua
Devia ser inaugurada uma grande e bela estátua de um herói da nação.
Lá estava a estátua em pé, altiva, em cima de seu pedestal finamente esculpido...
Em baixo, lia-se o nome do herói.
A estátua, porém, ficou velada por um pano grosso, que só deixava aparecer as linhas gerais, o tamanho do herói, mas que encobria, por completo, a expressão de seus traços, seu gesto, a flama de seu olhar, a fronte altiva.
Há música, há discursos, há foguetes e vivas.
Uns oradores, em frases altissonantes retraçam a vida operosa e benfazeja do herói.
Outros mostram a sua caridade, o seu coração generoso, os rasgos da sua dedicação.
Mas a estátua permanece velada.
Lê-se no olhar da multidão o desejo de contemplar o herói, de admirar a sua fronte serena, de penetrar, como pelos seus lábios, até ao seu grande coração...
E os oradores falam, exaltam, suscitam nos ouvintes um frêmito de entusiasmo.
Enfim, é a hora de tirar o véu, de revelar o grande homem.
Os braços se estendem... as mãos se preparam... os olhos dardejam chamas, as bocas se abrem...
O véu cai... A imagem aparece em toda a sua beleza. Os seus traços se revelam... enquanto mil mãos batem palmas e mil vozes lançam retumbantes vivas!
Caiu o véu!
A estátua fica desvelada.
O herói está revelado!...
Eis o que é a Revelação divina.
Lá estava Deus, grande, majestoso, mas velado... deixando apenas aparecer contornos de sua majestade, nas obras da sua mão, no universo.
Mas Ele vai ser revelado... vai cair o véu.
Um canto do véu caiu já no paraíso terreno: É a primeira revelação. Outro canto caiu no Sinai: É a segunda revelação.
Enfim, o véu cai inteiro: e nos aparece o Cristo, Deus e Homem, falando ao mundo e revelando-lhe os mais íntimos segredos da sua natureza e da sua vida.
É a grande revelação. A revelação completa da religião.
A razão viu a estátua em seus traços gerais.
A revelação fez cair o véu e Deus aparece, tão visível quanto pode ser visível a olhos humanos a deslumbrante grandeza de Deus.
(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 32 - 37)
10 de dezembro de 2011
9 de dezembro de 2011
8 de dezembro de 2011
7 de dezembro de 2011
5 de dezembro de 2011
4 de dezembro de 2011
SEGUNDO DOMINGO DO ADVENTO
Razão e Revelação
Lendo com atenção o Evangelho de hoje, notamos que ele é a expressão de certa inquietação.
Os discípulos de João Batista querem saber se Jesus é o Messias esperado ou se devem esperar por outro.
Jesus responde a estas dúvidas, mostrando as suas obras, para que o julguem conforme estas obras.
Domingo passado, provamos a existência de Deus: hoje demos mais um passo avante e respondamos à mesma inquietação que nos invade a respeito de Deus.
Deus existe: é certo, mas podemos nós pelas luzes da nossa razão conhecê-lo plenamente, ou precisamos de outra luz para penetrar os seus aparentes segredos?
Resolvamos esta dúvida examinando:
1o. O que pode a razão humana
2o. O que não pode por si mesma
Será um duplo raio de luz lançado sobre o grande mistério da união da razão e da revelação.
Os discípulos de João Batista querem saber se Jesus é o Messias esperado ou se devem esperar por outro.
Jesus responde a estas dúvidas, mostrando as suas obras, para que o julguem conforme estas obras.
Domingo passado, provamos a existência de Deus: hoje demos mais um passo avante e respondamos à mesma inquietação que nos invade a respeito de Deus.
Deus existe: é certo, mas podemos nós pelas luzes da nossa razão conhecê-lo plenamente, ou precisamos de outra luz para penetrar os seus aparentes segredos?
Resolvamos esta dúvida examinando:
1o. O que pode a razão humana
2o. O que não pode por si mesma
Será um duplo raio de luz lançado sobre o grande mistério da união da razão e da revelação.
I. O que pode a razão humana
A nossa razão pode dar-nos umas noções sobre Deus, porém, muito limitadas e incompletas.
A nossa razão é muito limitada. Ela é para as coisas intelectuais o que é o nosso olhar para as coisas materiais: vê apenas certas coisas e não perscruta nada até no fundo.
A nossa razão é finita: Deus é infinito, de modo que podemos ver apenas o que está ao nosso alcance, todo o resto nos escapa.
Remontando da sua própria existência e da das criaturas, a nossa razão pode conhecer a existência de Deus, o seu poder criador; e refletindo, pode formar-se uma idéia de certos atributos de Deus, como a sua unidade, sua eternidade, sua justiça, bondade, etc.
Temos, pois, uma idéia de Deus; e notemos que tal idéia é já uma prova da existência de Deus, pois o homem é incapaz de ter a idéia de uma coisa inexistente, em partes ou em seu todo.
Deus assim concebido permanece, entretanto, um ser incompreensível, misterioso:
a) em sua natureza, que ultrapassa infinitamente toda natureza criada;
b) em suas perfeições, que incluem todas as perfeições;
c) em seus decretos que são impenetráveis;
d) em suas obras que o manifestam, mas não o mostram senão velado, misterioso.
A nossa razão precisa, pois, de um auxílio, que lhe permita penetrar mais no fundo das verdades entrevistas, do mesmo modo como a nossa vista para enxergar o que ultrapassa o seu raio visual, precisa de um instrumento para penetrar além
O olho nu vê certas coisas, com um binóculo vê mais longe; com uma longa vista penetra mais além ainda.
Este auxílio, este instrumento que nos permite ver mais longe, mais claramente, chama-se revelação divina, ou a voz de Deus, explicando-nos o que não compreendemos.
A nossa razão é muito limitada. Ela é para as coisas intelectuais o que é o nosso olhar para as coisas materiais: vê apenas certas coisas e não perscruta nada até no fundo.
A nossa razão é finita: Deus é infinito, de modo que podemos ver apenas o que está ao nosso alcance, todo o resto nos escapa.
Remontando da sua própria existência e da das criaturas, a nossa razão pode conhecer a existência de Deus, o seu poder criador; e refletindo, pode formar-se uma idéia de certos atributos de Deus, como a sua unidade, sua eternidade, sua justiça, bondade, etc.
Temos, pois, uma idéia de Deus; e notemos que tal idéia é já uma prova da existência de Deus, pois o homem é incapaz de ter a idéia de uma coisa inexistente, em partes ou em seu todo.
Deus assim concebido permanece, entretanto, um ser incompreensível, misterioso:
a) em sua natureza, que ultrapassa infinitamente toda natureza criada;
b) em suas perfeições, que incluem todas as perfeições;
c) em seus decretos que são impenetráveis;
d) em suas obras que o manifestam, mas não o mostram senão velado, misterioso.
A nossa razão precisa, pois, de um auxílio, que lhe permita penetrar mais no fundo das verdades entrevistas, do mesmo modo como a nossa vista para enxergar o que ultrapassa o seu raio visual, precisa de um instrumento para penetrar além
O olho nu vê certas coisas, com um binóculo vê mais longe; com uma longa vista penetra mais além ainda.
Este auxílio, este instrumento que nos permite ver mais longe, mais claramente, chama-se revelação divina, ou a voz de Deus, explicando-nos o que não compreendemos.
II. O que não pode a razão humana
A razão, como acabamos de ver, tem o seu círculo visual determinado e limitado. Existência de Deus, imortalidade da alma, princípios da lei natural: eis o seu horizonte.
Para conhecer as verdades de ordem sobrenatural, a razão precisa absolutamente de uma voz reveladora e esta voz chama-se: a revelação.
Deus, diz o Apóstolo, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos a nossos pais pelos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio de seu Filho (Hebr. I. 1-2).
Esta voz de Jesus Cristo ensinando-nos a verdade é o caminho sobrenatural, um como complemento do caminho natural da razão.
Há, sobretudo, três verdades importantes que a nossa razão não pode conhecer, são:
A origem das misérias humanas.
Os meios de expiação.
Os destinos futuros do homem.
Para estas verdades a revelação é absolutamente necessária.
Ela é moralmente necessária para serem conhecidos e com certeza os preceitos da lei natural, que devem guiar a nossa vida e os quais a razão pode apenas distinguir vagamente.
Antes do pecado original, os nossos primeiros pais conheciam perfeitamente o bem e o mal; depois do pecado, a razão humana ficou obscurecida, enfraquecida e como paralisada pelas paixões que nos dominam, falsificam a nossa vista intelectual e nos fazem tomar o mal pelo bem e o bem pelo mal, como dizia o Apóstolo: O homem faz às vezes o mal que não quer e não faz o bem que quer. (Rom. VII. 19).
É um fato de experiência que um povo sem sacerdotes para instruí-lo e exortá-lo cai inevitavelmente na ignorância das verdades da ordem natural.
É preciso que os princípios da lei natural lhe sejam, vez ou outra, claramente formulados, freqüentemente repetidos e incutidos com vigor, senão, em breve, ficam alterados ou esquecidos.
“Deixem uma paróquia sem sacerdote, dizia o santo Cura d’Ars, durante vinte anos, os seus habitantes adorarão os animais!”.
O povo precisa ser instruído até nos princípios da lei natural; com quanto mais razão nos da lei sobrenatural.
Para conhecer as verdades de ordem sobrenatural, a razão precisa absolutamente de uma voz reveladora e esta voz chama-se: a revelação.
Deus, diz o Apóstolo, tendo falado outrora muitas vezes e de muitos modos a nossos pais pelos profetas, ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio de seu Filho (Hebr. I. 1-2).
Esta voz de Jesus Cristo ensinando-nos a verdade é o caminho sobrenatural, um como complemento do caminho natural da razão.
Há, sobretudo, três verdades importantes que a nossa razão não pode conhecer, são:
A origem das misérias humanas.
Os meios de expiação.
Os destinos futuros do homem.
Para estas verdades a revelação é absolutamente necessária.
Ela é moralmente necessária para serem conhecidos e com certeza os preceitos da lei natural, que devem guiar a nossa vida e os quais a razão pode apenas distinguir vagamente.
Antes do pecado original, os nossos primeiros pais conheciam perfeitamente o bem e o mal; depois do pecado, a razão humana ficou obscurecida, enfraquecida e como paralisada pelas paixões que nos dominam, falsificam a nossa vista intelectual e nos fazem tomar o mal pelo bem e o bem pelo mal, como dizia o Apóstolo: O homem faz às vezes o mal que não quer e não faz o bem que quer. (Rom. VII. 19).
É um fato de experiência que um povo sem sacerdotes para instruí-lo e exortá-lo cai inevitavelmente na ignorância das verdades da ordem natural.
É preciso que os princípios da lei natural lhe sejam, vez ou outra, claramente formulados, freqüentemente repetidos e incutidos com vigor, senão, em breve, ficam alterados ou esquecidos.
“Deixem uma paróquia sem sacerdote, dizia o santo Cura d’Ars, durante vinte anos, os seus habitantes adorarão os animais!”.
O povo precisa ser instruído até nos princípios da lei natural; com quanto mais razão nos da lei sobrenatural.
III. Conclusão
Eis, pois, duas verdades bem esclarecidas: a nossa razão enfraquecida pode conhecer a existência de Deus e umas outras verdades elementares, porém, tudo bastante superficialmente; para um conhecimento total, sobrenatural, precisamos do auxílio da revelação divina.
As conseqüências desta revelação em nossa razão são imensas e admiráveis.
É a revelação que reforma as idéias falsas, retifica as idéias inexatas, esclarece as idéias confusas, tornando impossíveis a inquietação e a dúvida.
A razão nos mostra que a alma é incorruptível; a fé nos diz que é imortal.
A razão indica uma vida futura; a fé nos dá uma promessa positiva da mesma.
A razão entrevê recompensas e castigos; a fé nos mostra a sua extensão e natureza.
A razão vislumbra um destino futuro; a fé no-lo apresenta luminoso e indica os meios de adquiri-lo.
A razão nos esmaga sob o peso de nossas misérias; a fé nos levanta pela misericórdia divina.
Em suma: A revelação satisfaz todas as aspirações do homem:
O nosso espírito precisa de uma doutrina certa: a revelação lha dá.
Ele precisa de um código moral: a revelação lho fornece.
Ele precisa de uma lei social de caridade: a revelação lha ministra.
Ele precisa de conselhos de perfeição: a revelação lhos dá.
As conseqüências desta revelação em nossa razão são imensas e admiráveis.
É a revelação que reforma as idéias falsas, retifica as idéias inexatas, esclarece as idéias confusas, tornando impossíveis a inquietação e a dúvida.
A razão nos mostra que a alma é incorruptível; a fé nos diz que é imortal.
A razão indica uma vida futura; a fé nos dá uma promessa positiva da mesma.
A razão entrevê recompensas e castigos; a fé nos mostra a sua extensão e natureza.
A razão vislumbra um destino futuro; a fé no-lo apresenta luminoso e indica os meios de adquiri-lo.
A razão nos esmaga sob o peso de nossas misérias; a fé nos levanta pela misericórdia divina.
Em suma: A revelação satisfaz todas as aspirações do homem:
O nosso espírito precisa de uma doutrina certa: a revelação lha dá.
Ele precisa de um código moral: a revelação lho fornece.
Ele precisa de uma lei social de caridade: a revelação lha ministra.
Ele precisa de conselhos de perfeição: a revelação lhos dá.
EXEMPLOS
1. Resposta de um filósofo
Pode-se definir Deus... porém, toda definição é humana e incompleta.
Um dia uma comissão de estudantes foi ter com o seu professor de filosofia pedindo que lhes dissesse claramente o que é Deus.
- Pensarei, respondeu este, voltem depois de uma semana.
Oito dias depois, a comissão está de novo com o seu professor, pedindo a resposta.
- Pensarei, voltem depois de uma semana.
Após uma semana, nova pergunta e idêntica reposta.
- Mas, exclamaram os estudantes, é sempre a mesma resposta... até quando devemos voltar depois de oito dias?
- Até o fim da vida, respondeu o Filósofo, pois Deus é tão grande que é impossível fazer d'Ele uma definição perfeita.
2. Morte de Garcia Moreno
Garcia Moreno era Presidente da República do Equador.
Católico fervoroso, tinha atraído o ódio da maçonaria, que resolveu suprimi-lo.
Em 6 de Agosto de 1875 Garcia tinha comungado antes de abrir solenemente a sessão legislativa.
Neste mesmo dia caiu assassinado pelos sicários... e caindo exclamou:
- Deus não morre! E exalou o último suspiro.
Pode-se definir Deus... porém, toda definição é humana e incompleta.
Um dia uma comissão de estudantes foi ter com o seu professor de filosofia pedindo que lhes dissesse claramente o que é Deus.
- Pensarei, respondeu este, voltem depois de uma semana.
Oito dias depois, a comissão está de novo com o seu professor, pedindo a resposta.
- Pensarei, voltem depois de uma semana.
Após uma semana, nova pergunta e idêntica reposta.
- Mas, exclamaram os estudantes, é sempre a mesma resposta... até quando devemos voltar depois de oito dias?
- Até o fim da vida, respondeu o Filósofo, pois Deus é tão grande que é impossível fazer d'Ele uma definição perfeita.
2. Morte de Garcia Moreno
Garcia Moreno era Presidente da República do Equador.
Católico fervoroso, tinha atraído o ódio da maçonaria, que resolveu suprimi-lo.
Em 6 de Agosto de 1875 Garcia tinha comungado antes de abrir solenemente a sessão legislativa.
Neste mesmo dia caiu assassinado pelos sicários... e caindo exclamou:
- Deus não morre! E exalou o último suspiro.
----------
(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 25 - 30)
Assinar:
Postagens (Atom)





















