28 de novembro de 2011
27 de novembro de 2011
PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO
A existência de Deus
O Evangelho de hoje, início do ano eclesiástico, nos coloca, de relance, diante da cena terrificante do fim do mundo e do Juízo universal.
Olhai e levantai as vossas cabeças, diz o Salvador,... passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
Eis pois, no meio dos seres, coisas que passam e um Ser que não passa, mas que é eterno, o princípio de tudo.
O que passa é este mundo, o que não passa é Deus.
E há gente que ousa afirmar, de boca e pela sua vida que Deus não existe. O Espírito Santo nos avisa que tais idéias vêm da boca e não da inteligência: O insensato diz em seu coração: não há Deus! (Sal. 13)
Seria triste ser obrigado a convencer um filho de que teve pai; mais triste é ver um homem negar que é filho de Deus.
Em frente da cena tremenda do fim do mundo e do Salvador vindo sobre uma nuvem com grande poder e majestade, demonstremos claramente:
1. Que Deus existe verdadeiramente;
2. Que Deus é um Ser Pessoal.
Refutaremos, deste modo, as teorias dos ateístas que negam Deus, e as dos panteístas que afirmam que Deus é o universo.
Olhai e levantai as vossas cabeças, diz o Salvador,... passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.
Eis pois, no meio dos seres, coisas que passam e um Ser que não passa, mas que é eterno, o princípio de tudo.
O que passa é este mundo, o que não passa é Deus.
E há gente que ousa afirmar, de boca e pela sua vida que Deus não existe. O Espírito Santo nos avisa que tais idéias vêm da boca e não da inteligência: O insensato diz em seu coração: não há Deus! (Sal. 13)
Seria triste ser obrigado a convencer um filho de que teve pai; mais triste é ver um homem negar que é filho de Deus.
Em frente da cena tremenda do fim do mundo e do Salvador vindo sobre uma nuvem com grande poder e majestade, demonstremos claramente:
1. Que Deus existe verdadeiramente;
2. Que Deus é um Ser Pessoal.
Refutaremos, deste modo, as teorias dos ateístas que negam Deus, e as dos panteístas que afirmam que Deus é o universo.
I. Deus existe
Chamamos Deus o Ser supremo, a causa primeira de tudo o que existe; Aquele que existe por si mesmo, de quem tudo depende e que não depende de ninguém.
Os que negam a existência de Deus chamam-se: ateus.
Há bastante ateus de vida, vivendo como se não houvera Deus, porém, não há ateus de convicção, porque toda convicção exige motivos de convicção, estes não podem ser encontrados.
Entre as numerosas provas da existência de Deus, limitemo-nos às três seguintes:
a) A fé do gênero humano
Todos os povos, de todos os tempos, acreditaram na existência de um Ser Supremo, ou Deus. É a convicção fundamental do gênero humano.
É tão natural ao homem crer em Deus quão natural é às crianças crerem em seus pais.
A crença em Deus não vem da ciência, nem dos homens, vem da natureza e da razão, como expressão de uma verdade inelutável.
b) A ordem e a beleza do universo
Examinando o mundo, encontramos nele uma ordem admirável em sua organização e funcionamento. Tudo se sucede no tempo marcado, sem vacilação, sem alteração. O mundo é um verdadeiro relógio. Ora, disse Voltaire:
Quanto mais nisto cogito
Mais longe estou de pensar,
Que, sem ter relojoeiro,
Possa este relógio andar.
Na união e na variedade das suas partes, o mundo constitui uma obra prima, inimitável de poesia, de pintura, de audácia e de harmonia.
Se a existência de um relógio prova a existência de um relojoeiro; se a beleza de um quadro prova a existência de um artista; um quadro inimitável indica necessariamente um Artista Supremo.
c) A existência do gênero humano
Ninguém pode criar a si mesmo, pois se se pudesse criar, este novo ser criado já não seria o que criou, visto este último já existir.
Ora, o homem existe.
Logo teve um Criador.
Cada um de nós é obrigado a confessar que recebeu a vida de outrem e este outro de mais outro, até chegar a existência do primeiro, que a recebeu de Deus.
O primeiro deu a vida, mas não a recebeu de ninguém: é único. É Deus. Logo existe.
Ninguém dá o que não possui. Deus dá a vida. Logo Ele a possui.
Os que negam a existência de Deus chamam-se: ateus.
Há bastante ateus de vida, vivendo como se não houvera Deus, porém, não há ateus de convicção, porque toda convicção exige motivos de convicção, estes não podem ser encontrados.
Entre as numerosas provas da existência de Deus, limitemo-nos às três seguintes:
a) A fé do gênero humano
Todos os povos, de todos os tempos, acreditaram na existência de um Ser Supremo, ou Deus. É a convicção fundamental do gênero humano.
É tão natural ao homem crer em Deus quão natural é às crianças crerem em seus pais.
A crença em Deus não vem da ciência, nem dos homens, vem da natureza e da razão, como expressão de uma verdade inelutável.
b) A ordem e a beleza do universo
Examinando o mundo, encontramos nele uma ordem admirável em sua organização e funcionamento. Tudo se sucede no tempo marcado, sem vacilação, sem alteração. O mundo é um verdadeiro relógio. Ora, disse Voltaire:
Quanto mais nisto cogito
Mais longe estou de pensar,
Que, sem ter relojoeiro,
Possa este relógio andar.
Na união e na variedade das suas partes, o mundo constitui uma obra prima, inimitável de poesia, de pintura, de audácia e de harmonia.
Se a existência de um relógio prova a existência de um relojoeiro; se a beleza de um quadro prova a existência de um artista; um quadro inimitável indica necessariamente um Artista Supremo.
c) A existência do gênero humano
Ninguém pode criar a si mesmo, pois se se pudesse criar, este novo ser criado já não seria o que criou, visto este último já existir.
Ora, o homem existe.
Logo teve um Criador.
Cada um de nós é obrigado a confessar que recebeu a vida de outrem e este outro de mais outro, até chegar a existência do primeiro, que a recebeu de Deus.
O primeiro deu a vida, mas não a recebeu de ninguém: é único. É Deus. Logo existe.
Ninguém dá o que não possui. Deus dá a vida. Logo Ele a possui.
II. Deus é um ser pessoal
Deus é uma personalidade. Não somente Ele existe, mas existe completamente distinto da obra que criou, como o artista é distinto da produção de suas mãos.
A categoria dos insensatos que admitem a existência de Deus, mas que dizem não ter personalidade distinta das coisas criadas, chama-se a dos panteístas.
O ateísmo e o panteísmo são os dois extremos afastados da verdade: os primeiros não admitem a existência de Deus; os segundos pretendem loucamente que tudo seja Deus, de modo que na opinião deles há identidade substancial entre Deus e o mundo. É como se alguém dissesse que o pedreiro e a casa que ele constrói são uma só e mesma coisa.
O homem sente a necessidade de Deus, a impiedade, não podendo arrancar este sentimento inato, fabrica um deus que tem este nome, mas não tem o poder que tal título supõe.
Deus não é mais alguém, é uma coisa.
Deus não é mais uma pessoa que governa; é o universo que se governa por si!
Tal Deus não incomoda a ninguém, porque não é ninguém.
O panteísmo, para sustentar tal hipótese, é obrigado a afirmar que a mesma substância (o universo) é ao mesmo tempo: finito e infinito, mutável e imutável, passageiro e eterno, ou simplesmente: preto e branco, grande e pequeno, pois reúnem num termo único dois elementos radicalmente opostos.
As conseqüências de tal hipótese são imorais, pois se tudo é Deus: Deus é composto do que há neste mundo: erro e verdade, crime e virtude, ignorância e ciência.
De duas uma: é preciso negar a existência de Deus – o que é impossível - ou admitir um Deus – ignorante, mentiroso, vicioso.
Em outros termos: é preciso negar a evidência ou afirmar o absurdo: pois divinizar tudo é tudo justificar.
A categoria dos insensatos que admitem a existência de Deus, mas que dizem não ter personalidade distinta das coisas criadas, chama-se a dos panteístas.
O ateísmo e o panteísmo são os dois extremos afastados da verdade: os primeiros não admitem a existência de Deus; os segundos pretendem loucamente que tudo seja Deus, de modo que na opinião deles há identidade substancial entre Deus e o mundo. É como se alguém dissesse que o pedreiro e a casa que ele constrói são uma só e mesma coisa.
O homem sente a necessidade de Deus, a impiedade, não podendo arrancar este sentimento inato, fabrica um deus que tem este nome, mas não tem o poder que tal título supõe.
Deus não é mais alguém, é uma coisa.
Deus não é mais uma pessoa que governa; é o universo que se governa por si!
Tal Deus não incomoda a ninguém, porque não é ninguém.
O panteísmo, para sustentar tal hipótese, é obrigado a afirmar que a mesma substância (o universo) é ao mesmo tempo: finito e infinito, mutável e imutável, passageiro e eterno, ou simplesmente: preto e branco, grande e pequeno, pois reúnem num termo único dois elementos radicalmente opostos.
As conseqüências de tal hipótese são imorais, pois se tudo é Deus: Deus é composto do que há neste mundo: erro e verdade, crime e virtude, ignorância e ciência.
De duas uma: é preciso negar a existência de Deus – o que é impossível - ou admitir um Deus – ignorante, mentiroso, vicioso.
Em outros termos: é preciso negar a evidência ou afirmar o absurdo: pois divinizar tudo é tudo justificar.
III. Conclusão
Como acabamos de ver, o ateísmo e o panteísmo: nenhum Deus, ou: tudo Deus, são dois irmãos gêmeos, duas formas da incredulidade, de vício.
Deus existe: Para prová-lo, basta seguir o conselho do divino Mestre: Levantai as vossas cabeças e examinai o mundo. Em cada uma das suas peças constitutivas está escrito, em letras flamejantes, o nome do Criador, do ser Supremo.
Ora, o ser supremo é necessariamente único; sendo único, é também necessariamente um ser pessoal, uma personalidade distinta de tudo o que existe neste e no outro mundo.
Tão pessoal é Ele que o Evangelho no-Lo apresenta como vindo numa nuvem com grande poder e majestade, para, no fim dos tempos, julgar o universo.
Deus existe: Para prová-lo, basta seguir o conselho do divino Mestre: Levantai as vossas cabeças e examinai o mundo. Em cada uma das suas peças constitutivas está escrito, em letras flamejantes, o nome do Criador, do ser Supremo.
Ora, o ser supremo é necessariamente único; sendo único, é também necessariamente um ser pessoal, uma personalidade distinta de tudo o que existe neste e no outro mundo.
Tão pessoal é Ele que o Evangelho no-Lo apresenta como vindo numa nuvem com grande poder e majestade, para, no fim dos tempos, julgar o universo.
EXEMPLOS
1. Uma resposta de Newton
Uma noite, Newton passeava com um de seus amigos, indiferente em questões religiosas.
No meio da conversa, este disse ao sábio que lhe desse uma prova da existência de Deus, curta e sem réplica.
Newton estendeu a mão para o firmamento e respondeu simplesmente:
- Olhe!...
No meio da conversa, este disse ao sábio que lhe desse uma prova da existência de Deus, curta e sem réplica.
Newton estendeu a mão para o firmamento e respondeu simplesmente:
- Olhe!...
2. Resposta de um menino
Um sapateiro disse um dia a seu aprendiz, menino muito religioso:
- Olhe, pequeno, este negócio de crer em Deus é beatice... Deus não existe, o mundo se fez por si.
O menino respondeu com calma:
- Mas, neste caso, é mais fácil fazer um mundo do que um sapato.
- Olhe, pequeno, este negócio de crer em Deus é beatice... Deus não existe, o mundo se fez por si.
O menino respondeu com calma:
- Mas, neste caso, é mais fácil fazer um mundo do que um sapato.
3. Diálogo no trem
- O mundo funciona sozinho; não há precisão de Deus para explicar o seu movimento.
- Olhe, a porta do carro se fecha também sozinha, basta uma mola. Não há pois precisão de operário para explicar este movimento.
- Ao contrário; e o senhor o sabe tão bem quanto eu: uma porta que se fecha automaticamente por si mesma supõe mais inteligência da parte do artista que a fez do que uma porta comum.
- Olhe, a porta do carro se fecha também sozinha, basta uma mola. Não há pois precisão de operário para explicar este movimento.
- Ao contrário; e o senhor o sabe tão bem quanto eu: uma porta que se fecha automaticamente por si mesma supõe mais inteligência da parte do artista que a fez do que uma porta comum.
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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 18 - 23)
26 de novembro de 2011
COMENTÁRIO APOLOGÉTICO DO EVANGELHO DOMINICAL
Introdução
um pouco extensa, mas necessária,
PARA OS SACERDOTES
um pouco extensa, mas necessária,
PARA OS SACERDOTES
Peço aos queridos sacerdotes lerem esta introdução: nada de novo lhes ensinará, talvez, porém relembrar-lhes-à umas verdades práticas que facilmente ficam sepultadas no esquecimento.
I. Razão de ser deste trabalho
Um comentário apologético do Evangelho Dominical é quase uma novidade das Homilias, tanto estamos acostumados a ver apenas: comentários literal, dogmático e moral.
Em tempos idos, tais comentários eram suficientes, porque as crianças recebiam dos pais a instrução necessária para firmar sua fé e não deixar dúvidas em seu espírito. Deste modo, podia o sacerdote enxertar, sobre estas noções, comentários evangélicos, dogmáticos e morais, que eram compreendidos porque encontravam alicerces.
Hoje, infelizmente, estamos numa época de “falta de tempo, de gosto e de espírito religioso produtivo”, de modo que raros são os pais que ensinam a doutrina católica a seus filhos; uma mãe cristã ensina ainda a reza, ministra-lhes umas verdades fundamentais, porém, muitas vezes de modo superficial, mal assimilado, feito às pressas, sem deixar uma convicção sólida no espírito da criança.
Este trabalho fundamental e básico da convicção tem que ser refeito pelo sacerdote, no púlpito, nas Homilias do Domingo ou no catecismo de perseverança.
Para muitos, a religião é uma espécie de opinião, igual às opiniões sociais ou políticas: tomam o que lhes agradam, rejeitam o que não agrada e duvidam de uma doutrina que mal conhecem.
Para reagir contra este abuso e retificar esta idéia falsa da religião, é preciso preparar a inteligência e a vontade para a aquisição de um espírito de fé, mais intenso e mais ativo. E tal preparação se faz pela apologética.
E o presente trabalho é de intensa apologética.
Em tempos idos, tais comentários eram suficientes, porque as crianças recebiam dos pais a instrução necessária para firmar sua fé e não deixar dúvidas em seu espírito. Deste modo, podia o sacerdote enxertar, sobre estas noções, comentários evangélicos, dogmáticos e morais, que eram compreendidos porque encontravam alicerces.
Hoje, infelizmente, estamos numa época de “falta de tempo, de gosto e de espírito religioso produtivo”, de modo que raros são os pais que ensinam a doutrina católica a seus filhos; uma mãe cristã ensina ainda a reza, ministra-lhes umas verdades fundamentais, porém, muitas vezes de modo superficial, mal assimilado, feito às pressas, sem deixar uma convicção sólida no espírito da criança.
Este trabalho fundamental e básico da convicção tem que ser refeito pelo sacerdote, no púlpito, nas Homilias do Domingo ou no catecismo de perseverança.
Para muitos, a religião é uma espécie de opinião, igual às opiniões sociais ou políticas: tomam o que lhes agradam, rejeitam o que não agrada e duvidam de uma doutrina que mal conhecem.
Para reagir contra este abuso e retificar esta idéia falsa da religião, é preciso preparar a inteligência e a vontade para a aquisição de um espírito de fé, mais intenso e mais ativo. E tal preparação se faz pela apologética.
E o presente trabalho é de intensa apologética.
II. Que é apologética?
É a demonstração da verdadeira religião contra todos os seus adversários, quer sejam incrédulos, quer sejam heréticos.
O grande ponto de controvérsia está nesta questão: É ou não é a verdade, a doutrina da Igreja Católica?
Esclarecidos pela fé, nós católicos respondemos: Sim, é a pura e imutável verdade!
Mas os adversários têm o direito de pedir provas de uma afirmação tão categórica.
Estas provas são dadas pelo ensino apologético.
Há no mundo um fato público, visível, inegável, para todos: É a existência da Igreja Católica, que há 18 séculos proclama bem alto: Eu sou a única religião verdadeira! Aquele que crer em mim se salvará. Aquele que me rejeitar será rejeitado por Deus!
Para nós, católicos, tal verdade não se discute: é de absoluta certeza.
Infelizmente, há uns que ignoram e outros que negam tal verdade.
A uns e outros a Apologética dá uma resposta.
Tal resposta, para ser completa, deve apresentar três partes em sua demonstração:
1) O fundamento;
2) Os meios;
3) Os fatos.
O fundamento compreende:
a existência de Deus,
a imortalidade da alma,
a Providência divina,
a lei natural,
a necessidade da religião.
Os meios de demonstração são: os milagres e profecias, provando que a religião cristã foi divinamente revelada e divinamente provada pelos milagres.
Os fatos são:
a existência da religião cristã,
a sua admirável história,
a sua preeminência sobre as demais religiões,
a aplicação das profecias,
os milagres do antigo e novo Testamento.
Uma vez provado que a religião cristã é a única religião divina, torna-se fácil provar que esta única religião é conservada e ensinada pela Igreja Católica, tendo, ela só, insculpidos na fronte os característicos da instituição de Jesus Cristo.
Neste novo quadro vêm agrupar-se sucessivamente:
os erros das seitas dissidentes,
o Papado no Evangelho,
a necessidade da infalibilidade,
a hierarquia da Igreja,
a Igreja e o Estado,
o Papa e a Eucaristia.
É tudo isso que vamos expor nestas instruções apologéticas.
O grande ponto de controvérsia está nesta questão: É ou não é a verdade, a doutrina da Igreja Católica?
Esclarecidos pela fé, nós católicos respondemos: Sim, é a pura e imutável verdade!
Mas os adversários têm o direito de pedir provas de uma afirmação tão categórica.
Estas provas são dadas pelo ensino apologético.
Há no mundo um fato público, visível, inegável, para todos: É a existência da Igreja Católica, que há 18 séculos proclama bem alto: Eu sou a única religião verdadeira! Aquele que crer em mim se salvará. Aquele que me rejeitar será rejeitado por Deus!
Para nós, católicos, tal verdade não se discute: é de absoluta certeza.
Infelizmente, há uns que ignoram e outros que negam tal verdade.
A uns e outros a Apologética dá uma resposta.
Tal resposta, para ser completa, deve apresentar três partes em sua demonstração:
1) O fundamento;
2) Os meios;
3) Os fatos.
O fundamento compreende:
a existência de Deus,
a imortalidade da alma,
a Providência divina,
a lei natural,
a necessidade da religião.
Os meios de demonstração são: os milagres e profecias, provando que a religião cristã foi divinamente revelada e divinamente provada pelos milagres.
Os fatos são:
a existência da religião cristã,
a sua admirável história,
a sua preeminência sobre as demais religiões,
a aplicação das profecias,
os milagres do antigo e novo Testamento.
Uma vez provado que a religião cristã é a única religião divina, torna-se fácil provar que esta única religião é conservada e ensinada pela Igreja Católica, tendo, ela só, insculpidos na fronte os característicos da instituição de Jesus Cristo.
Neste novo quadro vêm agrupar-se sucessivamente:
os erros das seitas dissidentes,
o Papado no Evangelho,
a necessidade da infalibilidade,
a hierarquia da Igreja,
a Igreja e o Estado,
o Papa e a Eucaristia.
É tudo isso que vamos expor nestas instruções apologéticas.
III. O preâmbulo da fé
Os teólogos chamam a apologética o preâmbulo da fé. Vejamos a razão e a certeza desta denominação.
Muitos pregadores queixam-se da inutilidade de seus sermões e conferências.
Pode haver nesta queixa muita humildade, que ignora o bem produzido; pode haver também muita verdade.
Estará, talvez, o assunto bem adaptado às necessidades do presente?
Estamos atravessando uma crise de caráter e portanto, de fé.
A fé, embora sincera, é muitas vezes fraca, vacilante, porque não tem base.
A fé é uma virtude sobrenatural, porém, no homem, o sobrenatural está como enxertado sobre o natural.
Faltando a disposição natural na pessoa, o sobrenatural não encontra base sólida e, afora um milagre, não se sustenta.
É fácil provar isto. Basta analisar o ato de fé.
A fé completa percorre três etapas:
A credibilidade (é crível).
A credidade ou conveniência (convém crer).
A fé propriamente dita (creio).
Deve a fé apresentar-se com títulos sérios ou credenciais que mostram que esta ou aquela verdade é crível: são os motivos da credibilidade.
À vista destas credenciais, o espírito convence-se especulativamente de que deve crer em tais verdades críveis: é o assentimento de simples credibilidade.
Depois, saindo da ordem teórica, o espírito passa à determinação prática e diz: Se tal coisa é crível, convém, pois, crer! Sãos os ato de credidade.
A vontade, então orientada pela inteligência, faz o ato livre de fé: Á crível, convém crer, creio!
Muitos pregadores queixam-se da inutilidade de seus sermões e conferências.
Pode haver nesta queixa muita humildade, que ignora o bem produzido; pode haver também muita verdade.
Estará, talvez, o assunto bem adaptado às necessidades do presente?
Estamos atravessando uma crise de caráter e portanto, de fé.
A fé, embora sincera, é muitas vezes fraca, vacilante, porque não tem base.
A fé é uma virtude sobrenatural, porém, no homem, o sobrenatural está como enxertado sobre o natural.
Faltando a disposição natural na pessoa, o sobrenatural não encontra base sólida e, afora um milagre, não se sustenta.
É fácil provar isto. Basta analisar o ato de fé.
A fé completa percorre três etapas:
A credibilidade (é crível).
A credidade ou conveniência (convém crer).
A fé propriamente dita (creio).
Deve a fé apresentar-se com títulos sérios ou credenciais que mostram que esta ou aquela verdade é crível: são os motivos da credibilidade.
À vista destas credenciais, o espírito convence-se especulativamente de que deve crer em tais verdades críveis: é o assentimento de simples credibilidade.
Depois, saindo da ordem teórica, o espírito passa à determinação prática e diz: Se tal coisa é crível, convém, pois, crer! Sãos os ato de credidade.
A vontade, então orientada pela inteligência, faz o ato livre de fé: Á crível, convém crer, creio!
IV. O ato da fé
Estes três atos que acabamos de assinalar encadeiam-se e não podem ser separados.
Para que a fé penetre numa alma é preciso recorrer aos motivos que iluminam a inteligência e estimulam a vontade: são os motivos de credibilidade.
Os motivos de credidade são uma espécie de impulso dado à vontade para crer: convém crer!
A vontade tira a conclusão e diz: creio. – É o ato de fé.
A graça divina intervém nestas várias operações para iluminar a inteligência e inspirar a parte afetiva; ela é menos necessária, talvez, para a credibilidade, mas absolutamente necessária para a credidade (convém crer) e para a adesão final: creio.
O motivo da fé é a autoridade de Deus revelador; o meio ordinário e a regra comum é a autoridade da Igreja.
Pode-se comparar estas três etapas da fé às três etapas da impressão de um livro:
O censor do livro: Nihil Obstat. É bom... não há impedimento.
O Bispo diz: Imprimi potest: pode ser impresso...
O autor, entregando o livro à tipografia, tira a conclusão e diz: Imprimatur. Seja o livro impresso.
Em suma, estes três atos são: É bom – convém – faço!
Assim, o homem ouvindo uma exposição apologética, aprende os motivos de credibilidade: É crível. A sua vontade instruída diz logo: - Creia pois! (credidade) e, estimulada pela graça e pela inteligência, a vontade exclama: creio, Senhor!
Bem compreendido o que acabamos de dizer do ato de fé integral, podemos, com segurança, tirar uma conclusão de grande alcance.
A falta de fé sólida e convicta é o grande mal da nossa época.
É preciso, não simplesmente ensinar a doutrina, o dogma e a moral; é preciso, antes de tudo, aumentar e fundamentar a fé.
Ora, o caminho desta fé integral é o que chamamos, - introduzir nos espíritos os preâmbulos da fé.
Estes preâmbulos são a Apologética, contendo:
1o. Os motivos de credibilidade, mostrando as razões, as belezas, os atrativos, o lado racional das verdades religiosas: é preciso mostrar que a religião é crível.
2o. É preciso deduzir destas noções a necessidade de abraçar e praticar esta religião, pelos motivos de credidade ou conveniência. Se a religião é crível, convém crer nela.
3o. Só depois deste preparo do espírito e da vontade, haverá um ato de fé integral, baseado de um lado sobre o conhecimento da religião e de outro lado sobre a autoridade de Deus, revelador da religião.
Assim sendo, o primeiro ensino a dar aos fiéis é o ensino apologético; donde a necessidade de um curso completo sobre o assunto, durante um ano inteiro, na pregação dominical.
Para que a fé penetre numa alma é preciso recorrer aos motivos que iluminam a inteligência e estimulam a vontade: são os motivos de credibilidade.
Os motivos de credidade são uma espécie de impulso dado à vontade para crer: convém crer!
A vontade tira a conclusão e diz: creio. – É o ato de fé.
A graça divina intervém nestas várias operações para iluminar a inteligência e inspirar a parte afetiva; ela é menos necessária, talvez, para a credibilidade, mas absolutamente necessária para a credidade (convém crer) e para a adesão final: creio.
O motivo da fé é a autoridade de Deus revelador; o meio ordinário e a regra comum é a autoridade da Igreja.
Pode-se comparar estas três etapas da fé às três etapas da impressão de um livro:
O censor do livro: Nihil Obstat. É bom... não há impedimento.
O Bispo diz: Imprimi potest: pode ser impresso...
O autor, entregando o livro à tipografia, tira a conclusão e diz: Imprimatur. Seja o livro impresso.
Em suma, estes três atos são: É bom – convém – faço!
Assim, o homem ouvindo uma exposição apologética, aprende os motivos de credibilidade: É crível. A sua vontade instruída diz logo: - Creia pois! (credidade) e, estimulada pela graça e pela inteligência, a vontade exclama: creio, Senhor!
V. Necessidade da apologética
Bem compreendido o que acabamos de dizer do ato de fé integral, podemos, com segurança, tirar uma conclusão de grande alcance.
A falta de fé sólida e convicta é o grande mal da nossa época.
É preciso, não simplesmente ensinar a doutrina, o dogma e a moral; é preciso, antes de tudo, aumentar e fundamentar a fé.
Ora, o caminho desta fé integral é o que chamamos, - introduzir nos espíritos os preâmbulos da fé.
Estes preâmbulos são a Apologética, contendo:
1o. Os motivos de credibilidade, mostrando as razões, as belezas, os atrativos, o lado racional das verdades religiosas: é preciso mostrar que a religião é crível.
2o. É preciso deduzir destas noções a necessidade de abraçar e praticar esta religião, pelos motivos de credidade ou conveniência. Se a religião é crível, convém crer nela.
3o. Só depois deste preparo do espírito e da vontade, haverá um ato de fé integral, baseado de um lado sobre o conhecimento da religião e de outro lado sobre a autoridade de Deus, revelador da religião.
Assim sendo, o primeiro ensino a dar aos fiéis é o ensino apologético; donde a necessidade de um curso completo sobre o assunto, durante um ano inteiro, na pregação dominical.
VI. Conclusão
Concluamos que o presente curso de Apologia é de incontestável necessidade, para preparar as almas ao dom da fé, que lhes mostra a religião, não mais como uma simples opinião, mas como uma verdade revelada por Deus.
A exposição destas verdades, longe de ser árida, como uns pensam, excita nos ouvintes um imenso interesse de conhecer melhor a religião e de praticá-la integralmente.
Fruto de longa experiência no púlpito e na administração paroquial, o presente livro não tem outra ambição senão a de ajudar os zelosos sacerdotes no desempenho de sua atarefada e às vezes espinhosa missão de instruir os fiéis e de excitar neles uma fé sincera, fundada e ativa.
Nada de novo ensina, é certo, aos sacerdotes, porém, coordena, divide, adapta e deduz do Evangelho, numa ordem lógica, umas tantas verdades, que não se nota à primeira vista, mas cuja explanação relembrará aos pregadores o que sabem e lhes mostrará o modo prático de expor estas verdades ao povo.
Seja este livro nas mãos do nosso clero zeloso, um instrumento para a salvação das almas, é a única aspiração do autor.
A exposição destas verdades, longe de ser árida, como uns pensam, excita nos ouvintes um imenso interesse de conhecer melhor a religião e de praticá-la integralmente.
Fruto de longa experiência no púlpito e na administração paroquial, o presente livro não tem outra ambição senão a de ajudar os zelosos sacerdotes no desempenho de sua atarefada e às vezes espinhosa missão de instruir os fiéis e de excitar neles uma fé sincera, fundada e ativa.
Nada de novo ensina, é certo, aos sacerdotes, porém, coordena, divide, adapta e deduz do Evangelho, numa ordem lógica, umas tantas verdades, que não se nota à primeira vista, mas cuja explanação relembrará aos pregadores o que sabem e lhes mostrará o modo prático de expor estas verdades ao povo.
Seja este livro nas mãos do nosso clero zeloso, um instrumento para a salvação das almas, é a única aspiração do autor.
P. Júlio Maria S.D.N
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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 9 - 16)
21 de novembro de 2011
20 de novembro de 2011
VIGÉSIMO QUARTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
Eucaristia, Cristo e Papa
Hoje é o último Domingo do ano eclesiástico.
No 1o Domingo do advento e no 24o após Pentecostes, último do ano, o Evangelho nos apresenta a narração terrificante do juízo final.
Mas no meio destes relâmpagos e trovões, no meio das tribulações que assolam o mundo, o Evangelho nos mostra o Cristo, o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e majestade.
É o Cristo que triunfa... é também a Igreja de Cristo, que depois de ter atravessado todos os horrores do ódio e da perseguição, pode apresentar-se diante de seu Chefe, com todos aqueles que ela salvou do naufrágio da fé e da virtude.
O Cristo é a Igreja... a Igreja é o Cristo, de modo que o triunfo de Cristo será também o triunfo da Igreja.
Terminemos o nosso estudo apologético examinando um último fenômeno da vida da Igreja : a sua união inseparável com a divina Eucaristia, juntando num mesmo amor: o Cristo presente na Eucaristia e o Cristo presente no Papa.
Vejamos um instante como são inseparáveis:
1. O amor à Eucaristia e ao Papa.
2. O ódio ao Papa e à Eucaristia.
Vamos aqui averiguar um fenômeno curioso, histórico, cuja conclusão, para quem sabe raciocinar, é de grande alcance, mostrando-nos Jesus Cristo na Eucaristia e no Papa.
No 1o Domingo do advento e no 24o após Pentecostes, último do ano, o Evangelho nos apresenta a narração terrificante do juízo final.
Mas no meio destes relâmpagos e trovões, no meio das tribulações que assolam o mundo, o Evangelho nos mostra o Cristo, o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e majestade.
É o Cristo que triunfa... é também a Igreja de Cristo, que depois de ter atravessado todos os horrores do ódio e da perseguição, pode apresentar-se diante de seu Chefe, com todos aqueles que ela salvou do naufrágio da fé e da virtude.
O Cristo é a Igreja... a Igreja é o Cristo, de modo que o triunfo de Cristo será também o triunfo da Igreja.
Terminemos o nosso estudo apologético examinando um último fenômeno da vida da Igreja : a sua união inseparável com a divina Eucaristia, juntando num mesmo amor: o Cristo presente na Eucaristia e o Cristo presente no Papa.
Vejamos um instante como são inseparáveis:
1. O amor à Eucaristia e ao Papa.
2. O ódio ao Papa e à Eucaristia.
Vamos aqui averiguar um fenômeno curioso, histórico, cuja conclusão, para quem sabe raciocinar, é de grande alcance, mostrando-nos Jesus Cristo na Eucaristia e no Papa.
I. Dois amores inseparáveis
Para provar a nossa tese que o amor ao Papa cresce nas almas à medida que cresce o amor à Eucaristia, basta percorrer um instante a história da Igreja. Ali veremos que estas duas devoções nascem juntas, crescem, diminuem e morrem juntas. São como as duas rodas de um carro, das quais uma não se move sem a outra, porque têm o mesmo eixo.
Tomai um século qualquer, examinai os seus sentimentos para com o Papa e conhecereis logo os seus sentimentos para com a Eucaristia.
A Idade Média, por exemplo, distingue-se de modo particular pelo amor à Eucaristia, construindo-lhe as esplêndidas catedrais, compondo-lhe hinos ardentes, lançando para o firmamento as suas inimitáveis igrejas góticas. É um hino vibrante de pedra, de arte, de poesia para a Eucaristia.
Ao mesmo tempo examinai a devoção desta época ao Papa... é o mesmo entusiasmo, a mesma arte, os mesmos edifícios, que se dedicam ao papa, com que se canta a glória do Papado.
Não basta a Idade Média prostrar as almas aos pés do Papa, depositam a seus pés reinos , impérios, querendo que ele seja o rei do mundo como o é da Igreja; o representante do mundo, como o é de Cristo.
Este entusiasmo que a impiedade atribui às vezes à ambição dos Papas, não é senão a obra da devoção do povo.
O mesmo fenômeno que averiguamos na vida das nações, podemos verificá-lo na alma dos Santos.
Duas devoções parecem neles sem limites: a devoção à Eucaristia e a devoção ao Papa.
Do mesmo modo que estas duas devoções elevam-se juntas para o alto; assim elas se inclinam juntas para baixo.
Desde que o amor à Eucaristia inflama as almas, a veneração ao Papa se estende e se firma, mas desde que o senso da Eucaristia vai baixando, o amor ao Papa desaparece na mesma decadência.
Citemos apenas o exemplo do século XVII.
Este século teve uma grande idéia da majestade de Deus, da dignidade do sacerdócio, faltava-lhe porém a concepção do amor de Deus.
Não compreendia o amor de Deus e por isso não podia compreender a Eucaristia.
Daí esta qualquer coisa de frio, de gelado que se nota em sua espiritualidade. A escola de Jansênio, em vez de aproximar as almas da Eucaristia, as afastava sob pretexto de respeito.
Suprimiram a comunhão freqüente... e não conheciam mais senão o Deus majestoso, mas terrível da Eucaristia, em vez do pai amoroso, que quer dar-se a seus filhos.
Ao mesmo tempo e na mesma medida as almas iam-se afastando do Papa. Fechavam a Eucaristia num Tabernáculo que não se abriu mais e fechavam o Papa na prisão do Vaticano.
O primeiro era um Cristo morto.
O segundo, o seu representante, devia ficar um Papa morto.
O primeiro não podia mais ser recebido.
O segundo não devia mais ser escutado.
E neste ambiente jansenista, pouco faltava para que suprimissem os hinos de Sto. Tomás, como chegaram a suprimir a oração pelo Papa.
Tomai um século qualquer, examinai os seus sentimentos para com o Papa e conhecereis logo os seus sentimentos para com a Eucaristia.
A Idade Média, por exemplo, distingue-se de modo particular pelo amor à Eucaristia, construindo-lhe as esplêndidas catedrais, compondo-lhe hinos ardentes, lançando para o firmamento as suas inimitáveis igrejas góticas. É um hino vibrante de pedra, de arte, de poesia para a Eucaristia.
Ao mesmo tempo examinai a devoção desta época ao Papa... é o mesmo entusiasmo, a mesma arte, os mesmos edifícios, que se dedicam ao papa, com que se canta a glória do Papado.
Não basta a Idade Média prostrar as almas aos pés do Papa, depositam a seus pés reinos , impérios, querendo que ele seja o rei do mundo como o é da Igreja; o representante do mundo, como o é de Cristo.
Este entusiasmo que a impiedade atribui às vezes à ambição dos Papas, não é senão a obra da devoção do povo.
O mesmo fenômeno que averiguamos na vida das nações, podemos verificá-lo na alma dos Santos.
Duas devoções parecem neles sem limites: a devoção à Eucaristia e a devoção ao Papa.
Do mesmo modo que estas duas devoções elevam-se juntas para o alto; assim elas se inclinam juntas para baixo.
Desde que o amor à Eucaristia inflama as almas, a veneração ao Papa se estende e se firma, mas desde que o senso da Eucaristia vai baixando, o amor ao Papa desaparece na mesma decadência.
Citemos apenas o exemplo do século XVII.
Este século teve uma grande idéia da majestade de Deus, da dignidade do sacerdócio, faltava-lhe porém a concepção do amor de Deus.
Não compreendia o amor de Deus e por isso não podia compreender a Eucaristia.
Daí esta qualquer coisa de frio, de gelado que se nota em sua espiritualidade. A escola de Jansênio, em vez de aproximar as almas da Eucaristia, as afastava sob pretexto de respeito.
Suprimiram a comunhão freqüente... e não conheciam mais senão o Deus majestoso, mas terrível da Eucaristia, em vez do pai amoroso, que quer dar-se a seus filhos.
Ao mesmo tempo e na mesma medida as almas iam-se afastando do Papa. Fechavam a Eucaristia num Tabernáculo que não se abriu mais e fechavam o Papa na prisão do Vaticano.
O primeiro era um Cristo morto.
O segundo, o seu representante, devia ficar um Papa morto.
O primeiro não podia mais ser recebido.
O segundo não devia mais ser escutado.
E neste ambiente jansenista, pouco faltava para que suprimissem os hinos de Sto. Tomás, como chegaram a suprimir a oração pelo Papa.
II. Dois ódios inseparáveis
Há um outro fenômeno não menos curioso. Suprimindo estas duas devoções, a da Eucaristia e a do Papa, elas são substituídas por dois ódios iguais: o ódio à Eucaristia e o ódio ao Papa.
Além de outros exemplos, temos o da grande reforma de Lutero. Vemos nele o triste espetáculo da força lógica das doutrinas.
Condenado pelo Papa, Lutero se revolta contra ele e logo começa a revoltar-se contra a Eucaristia. Escreve: - “Prestar-me-iam um grande serviço se me indicassem um meio eficaz de negar a presença real”, pois julgava que nada lhe serviria mais para fazer mal ao Papado.
Este meio que Lutero não encontrara, Calvino o encontrou: A Eucaristia é apenas um símbolo, uma lembrança; Jesus Cristo não está presente nela, não passa de um pedaço de pão, bradou ele...
E como é impossível parar em cima do plano inclinado, vêm as blasfêmeas: zombam da Eucaristia e do Papa.
A Eucaristia é uma idolatria.
O Papado é um homem perverso.
E estes mesmos homens que vão cercar Roma, lançam brados de ódio contra o papa, invadem as igrejas, violam os Tabernáculos, atiram ao fogo as Hóstias consagradas, e dançam em redor das chamas, cantando canções vergonhosas, onde não se vê o que odeiam mais: se o Cristo presente na Eucaristia, ou velado na pessoa do Papa.
Um século não havia passado e cenas mais horríveis se apresentam, frutos maduros da Reforma.
De fato, a Revolução nasceu da Reforma, como uma filha desnaturada nasce de uma mãe perversa sobrepujando-a em monstruosidade.
A Reforma havia quebrado os Tabernáculos para roubar as Hóstias sagradas. A Revolução depois de ter violado os Tabernáculos, manchou os altares.
Ela fez subir em cima deles criaturas perdidas, para infligir-lhes o mais baixo ultraje.
Mas vejam o declive.
Apenas haviam violado o Tabernáculo, violam o Vaticano. Invadem-no de noite e arrastam para fora o papa. Estes mesmos republicanos que haviam assistido de armas na mão à profanação da Eucaristia, batiam palmas, vendo o papa quase moribundo seguir como exilado para a França.
Além de outros exemplos, temos o da grande reforma de Lutero. Vemos nele o triste espetáculo da força lógica das doutrinas.
Condenado pelo Papa, Lutero se revolta contra ele e logo começa a revoltar-se contra a Eucaristia. Escreve: - “Prestar-me-iam um grande serviço se me indicassem um meio eficaz de negar a presença real”, pois julgava que nada lhe serviria mais para fazer mal ao Papado.
Este meio que Lutero não encontrara, Calvino o encontrou: A Eucaristia é apenas um símbolo, uma lembrança; Jesus Cristo não está presente nela, não passa de um pedaço de pão, bradou ele...
E como é impossível parar em cima do plano inclinado, vêm as blasfêmeas: zombam da Eucaristia e do Papa.
A Eucaristia é uma idolatria.
O Papado é um homem perverso.
E estes mesmos homens que vão cercar Roma, lançam brados de ódio contra o papa, invadem as igrejas, violam os Tabernáculos, atiram ao fogo as Hóstias consagradas, e dançam em redor das chamas, cantando canções vergonhosas, onde não se vê o que odeiam mais: se o Cristo presente na Eucaristia, ou velado na pessoa do Papa.
Um século não havia passado e cenas mais horríveis se apresentam, frutos maduros da Reforma.
De fato, a Revolução nasceu da Reforma, como uma filha desnaturada nasce de uma mãe perversa sobrepujando-a em monstruosidade.
A Reforma havia quebrado os Tabernáculos para roubar as Hóstias sagradas. A Revolução depois de ter violado os Tabernáculos, manchou os altares.
Ela fez subir em cima deles criaturas perdidas, para infligir-lhes o mais baixo ultraje.
Mas vejam o declive.
Apenas haviam violado o Tabernáculo, violam o Vaticano. Invadem-no de noite e arrastam para fora o papa. Estes mesmos republicanos que haviam assistido de armas na mão à profanação da Eucaristia, batiam palmas, vendo o papa quase moribundo seguir como exilado para a França.
III. Conclusão
Convém notar bem este fenômeno, pois ele tem a sua moral e a sua apologia.
Há dois amores e dois ódios inseparáveis.
Estes dois amores são: a Eucaristia e o Papa. Estes dois ódios são de novo: a Eucaristia e o Papa.
Que prova isto?
Prova que há uma íntima e inseparável união entre estas duas devoções.
A devoção ao Smo. Sacramento cria nas almas o amor ao Papa; como o desprezo do Papa traz a ruína da devoção à Eucaristia. É mais do que um fato: É uma lei.
Sim, é uma lei, e esta lei prova que debaixo de cada um destes véus, o que faz o objeto da nossa fé e do nosso amor, é a mesma, a única adorável pessoa de Jesus Cristo.
Hoje, estamos no século eucarístico. Os Congressos eucarísticos atraem, elevam e orientam as almas para o Tabernáculo; e ao mesmo tempo vemos a autoridade do Papa respeitada, amada, dominar as nações e as almas.
Cultivemos a devoção ao Papa, para que penetre em nós o amor à Eucaristia; e à medida que o amor eucarístico transforma as nossas almas, o nosso amor para o Papa aumentará na mesma medida. Será Jesus Cristo adorado na Eucaristia e escutado na palavra do Papa.
Como tudo se liga, como tudo se encadeia nas sublimes verdades da religião!
Há dois amores e dois ódios inseparáveis.
Estes dois amores são: a Eucaristia e o Papa. Estes dois ódios são de novo: a Eucaristia e o Papa.
Que prova isto?
Prova que há uma íntima e inseparável união entre estas duas devoções.
A devoção ao Smo. Sacramento cria nas almas o amor ao Papa; como o desprezo do Papa traz a ruína da devoção à Eucaristia. É mais do que um fato: É uma lei.
Sim, é uma lei, e esta lei prova que debaixo de cada um destes véus, o que faz o objeto da nossa fé e do nosso amor, é a mesma, a única adorável pessoa de Jesus Cristo.
Hoje, estamos no século eucarístico. Os Congressos eucarísticos atraem, elevam e orientam as almas para o Tabernáculo; e ao mesmo tempo vemos a autoridade do Papa respeitada, amada, dominar as nações e as almas.
Cultivemos a devoção ao Papa, para que penetre em nós o amor à Eucaristia; e à medida que o amor eucarístico transforma as nossas almas, o nosso amor para o Papa aumentará na mesma medida. Será Jesus Cristo adorado na Eucaristia e escutado na palavra do Papa.
Como tudo se liga, como tudo se encadeia nas sublimes verdades da religião!
EXEMPLOS
1. O Papa e a primeira Comunhão
Na época da revolução francesa, o general Radet havia sido encarregado, em nome do Imperador, de insistir perto de Pio VII, para que renunciasse a soberania temporal de Roma.
O general penetra na sala de audiências.
Por ordem do Papa, abre-se a porta, e Radet indo até ela, avista o Santo Padre, imóvel e sereno, sentado à sua mesa de trabalho.
Maior e mais majestoso que o senado romano sobre suas sedes curnes, o Pontífice-Rei esperava os Gaulezes.
A esta vista, Radet pálido e trêmulo, leva a mão ao kepi e hesita... Uns momentos de profundo silêncio passam-se nesta atitude.
Mais tarde, falando deste acontecimento com o general Radet, um amigo lhe disse:
- Há qualquer coisa nesta expedição que não se compreende: depois de teres assaltado o Quirinal, com a espada na mão, paraste diante do Papa, sem defesa... que se passou ali?
- Que queres: Respondeu o general. Na rua, nos tetos, nas escadarias, diante dos Suíços, tudo ia bem; mas quando vi o Papa, ah! Neste momento recordei-me da minha primeira Comunhão.
O general penetra na sala de audiências.
Por ordem do Papa, abre-se a porta, e Radet indo até ela, avista o Santo Padre, imóvel e sereno, sentado à sua mesa de trabalho.
Maior e mais majestoso que o senado romano sobre suas sedes curnes, o Pontífice-Rei esperava os Gaulezes.
A esta vista, Radet pálido e trêmulo, leva a mão ao kepi e hesita... Uns momentos de profundo silêncio passam-se nesta atitude.
Mais tarde, falando deste acontecimento com o general Radet, um amigo lhe disse:
- Há qualquer coisa nesta expedição que não se compreende: depois de teres assaltado o Quirinal, com a espada na mão, paraste diante do Papa, sem defesa... que se passou ali?
- Que queres: Respondeu o general. Na rua, nos tetos, nas escadarias, diante dos Suíços, tudo ia bem; mas quando vi o Papa, ah! Neste momento recordei-me da minha primeira Comunhão.
2. Beato Claret
Lê-se na vida do Bem-aventurado Claret, fundador dos missionários do Coração Imaculado de Maria, que, estando a Espanha envolvida nas malhas da união liberal, apesar da resistência dos Bispos, ele resolveu retirar-se da Corte, porque a rainha Isabel, enganada, havia assinado um documento comprometedor.
Diante das lágrimas da rainha que reconheceu o passo errado e pediu perdão, o santo hesitou. Estando erguendo fervorosas preces perante o Bom Jesus do Perdão, Jesus Cristo lhe disse: “Antônio, retira-te!”
Tendo os Bispos insistido que voltasse para Madri e não abandonasse a rainha Isabel nestas horas difíceis, o Bem-aventurado foi consultar a Deus na visita das 40 horas de adoração, na Igreja de São Domingos em Vich.
De repente, saiu uma voz do Sacrário, dizendo: “Antônio, vai a Roma”.
O santo não hesitou e antes de dar a resposta definitiva foi ter com o Santo Padre Pio IX.
Na primeira audiência, foi recebido com afetuosas demonstrações pelo Papa, que lhe disse: - “Justamente, acabo de receber uma carta da rainha, pedindo-me que V. Excia. volte a ocupar o seu cargo o mais breve possível.
O Bem-aventurado inclinou a cabeça e resignado voltou a seu Calvário, como ele chamava a Corte, fazendo talvez o sacrifício mais generoso da sua vida.
A Eucaristia e o Papa são as duas vozes da verdade, ou melhor, é a mesma voz do único Jesus Cristo, escondido atrás destes dois véus.
O Papa manda os homens para a Eucaristia. A Eucaristia, nas horas da dúvida, os manda para o Papa.
Diante das lágrimas da rainha que reconheceu o passo errado e pediu perdão, o santo hesitou. Estando erguendo fervorosas preces perante o Bom Jesus do Perdão, Jesus Cristo lhe disse: “Antônio, retira-te!”
Tendo os Bispos insistido que voltasse para Madri e não abandonasse a rainha Isabel nestas horas difíceis, o Bem-aventurado foi consultar a Deus na visita das 40 horas de adoração, na Igreja de São Domingos em Vich.
De repente, saiu uma voz do Sacrário, dizendo: “Antônio, vai a Roma”.
O santo não hesitou e antes de dar a resposta definitiva foi ter com o Santo Padre Pio IX.
Na primeira audiência, foi recebido com afetuosas demonstrações pelo Papa, que lhe disse: - “Justamente, acabo de receber uma carta da rainha, pedindo-me que V. Excia. volte a ocupar o seu cargo o mais breve possível.
O Bem-aventurado inclinou a cabeça e resignado voltou a seu Calvário, como ele chamava a Corte, fazendo talvez o sacrifício mais generoso da sua vida.
A Eucaristia e o Papa são as duas vozes da verdade, ou melhor, é a mesma voz do único Jesus Cristo, escondido atrás destes dois véus.
O Papa manda os homens para a Eucaristia. A Eucaristia, nas horas da dúvida, os manda para o Papa.
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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 430 - 437)
19 de novembro de 2011
VIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
O Clero na Igreja
A nossa exposição apologética seria incompleta, se depois de termos estudado o Papado e o Episcopado na Igreja, nada disséssemos do Sacerdócio, que é o vínculo vivo a unir a autoridade docente da Igreja à docilidade discente dos fiéis.
Entre os dois está o Sacerdócio.
O Evangelho de hoje nos mostra o Filho do Homem ressuscitando a filha de Jairo, chefe da Sinagoga de Cafarnaum.
Este mesmo Jesus continua a ressuscitar mortos espirituais através dos séculos, por meio do Sacramento da Confissão. E o ministro principal, o dispensador de misericórdia divina é o Sacerdote.
O seu papel é, pois, importantíssimo na Igreja; é essencial, embora em grau inferior ao do Bispo, que faz parte da Igreja docente, enquanto o simples sacerdote é o canal transmissor da Igreja docente para a Igreja discente, ou fiéis.
Vamos estudar hoje brevemente estes dois pontos importantes.
1. O que é Sacerdócio
2. Como se compõe o Sacerdócio
Estes dois pontos vão revelar umas verdades novas na hierarquia da Igreja, geralmente mal conhecidas.
Entre os dois está o Sacerdócio.
O Evangelho de hoje nos mostra o Filho do Homem ressuscitando a filha de Jairo, chefe da Sinagoga de Cafarnaum.
Este mesmo Jesus continua a ressuscitar mortos espirituais através dos séculos, por meio do Sacramento da Confissão. E o ministro principal, o dispensador de misericórdia divina é o Sacerdote.
O seu papel é, pois, importantíssimo na Igreja; é essencial, embora em grau inferior ao do Bispo, que faz parte da Igreja docente, enquanto o simples sacerdote é o canal transmissor da Igreja docente para a Igreja discente, ou fiéis.
Vamos estudar hoje brevemente estes dois pontos importantes.
1. O que é Sacerdócio
2. Como se compõe o Sacerdócio
Estes dois pontos vão revelar umas verdades novas na hierarquia da Igreja, geralmente mal conhecidas.
I. O que é o Sacerdócio
Como já vimos, o Papa e os Bispos formam essencialmente a Igreja docente, mas aí não se limita a sua extensão.
Entre a parte docente e a parte discente, que é formada pelos fiéis, há o Sacerdócio, ou Padres propriamente ditos.
Por numerosos que sejam os Bispos, pois o Papa é livre de multiplicá-los conforme as necessidades, faltaria qualquer coisa à hierarquia da Igreja, à sua adaptação às necessidades, se entre os Bispos e o povo, não houvesse intermediários.
Eis porque um dia, escapou do peito do divino Mestre este brado angustioso: Ó! Como é grande a messe, mas os operários são poucos. (Luc. X. 2)
Que fará Jesus para remediar esse mal?
Além do Papa e dos Bispos, ele cria os Sacerdotes.
Não basta, de fato, ter um governo organizado; é preciso ter oficiais e ministros que, penetrando no meio do povo, transmitam e façam executar as ordens dos chefes, sigam de perto a observância destas ordens e assinalem os abusos que podem introduzir-se no meio do rebanho.
É o papel do simples Sacerdote, do Padre encarregado do ministério das almas, dos missionários semeadores da palavra divina.
Os Sacerdotes são os sucessores dos setenta e dois discípulos, escolhidos e ordenados pelo Salvador, como os Bispos são os sucessores dos doze Apóstolos, como o Papa é o Sucessor de S. Pedro, chefe dos Apóstolos.
Os Padres não possuem os poderes dos Bispos, mas são seus súditos, seus auxiliares no ministério, devendo-lhes submissão, respeito e obediência.
Há uma gradação visível e clara entre o Papa, os Bispos e os Padres.
O Papa deve confirmar os seus irmãos.
O Bispo deve pregar o Evangelho a todas as criaturas.
O Sacerdote deve ir à procura das ovelhas desgarradas.
Ao Papa, Jesus entrega as chaves do reino do Céu.
Aos Bispos, ele impõe as mãos.
Aos Sacerdotes, ele manda irem dois a dois, por todas as cidades.
Não impõe as mãos aos últimos... Não sopra sobre a fronte deles... Ele deixa a seus Apóstolos o encargo de fazê-lo, para bem marcar a dependência em que devem ficar: cordeiros com respeito ao povo; ovelhas com respeito aos Bispos.
Os poderes dos Padres, como os dos Bispos, como os do Papa, vêm diretamente de Jesus Cristo, mas são exercidos sob a dependência hierárquica estabelecida pelo próprio Jesus Cristo.
Os Bispos exercem os seus poderes sob a direção do Papa, os Padres exercem os seus poderes sob a direção dos Bispos.
Do mesmo modo que os poderes dos Bispos não dependem do Papa, assim os poderes dos Padres não dependem dos Bispos; é o exercício destes poderes que está sujeito ao beneplácito do superior.
O Sacerdócio, como o Episcopado e como o Papado, é de instituição divina e como tal é eterno, indestrutível como eles, ou melhor: há apenas um único Sacerdócio cuja plenitude está no Episcopado e cuja fonte e coração está no Papado.
Há, deste modo, três graus na hierarquia: o Papado, o Episcopado, o Sacerdócio.
É uma imagem da Santíssima Trindade neste mundo.
O Papa é o princípio da autoridade.
O Bispo é como o verbo do Papa em sua Diocese.
O Padre, unido ao Papa e ao Bispo, é como o Santificador das almas em sua paróquia.
É pelo Padre que o povo se une ao Bispo e ao Papa.
Todos os fiéis estão representados no Padre.
Todos os Padres estão representados no Bispo.
Todos os Bispos estão representados no Papa.
Augusta e sublime missão a do Padre!
Entre a parte docente e a parte discente, que é formada pelos fiéis, há o Sacerdócio, ou Padres propriamente ditos.
Por numerosos que sejam os Bispos, pois o Papa é livre de multiplicá-los conforme as necessidades, faltaria qualquer coisa à hierarquia da Igreja, à sua adaptação às necessidades, se entre os Bispos e o povo, não houvesse intermediários.
Eis porque um dia, escapou do peito do divino Mestre este brado angustioso: Ó! Como é grande a messe, mas os operários são poucos. (Luc. X. 2)
Que fará Jesus para remediar esse mal?
Além do Papa e dos Bispos, ele cria os Sacerdotes.
Não basta, de fato, ter um governo organizado; é preciso ter oficiais e ministros que, penetrando no meio do povo, transmitam e façam executar as ordens dos chefes, sigam de perto a observância destas ordens e assinalem os abusos que podem introduzir-se no meio do rebanho.
É o papel do simples Sacerdote, do Padre encarregado do ministério das almas, dos missionários semeadores da palavra divina.
Os Sacerdotes são os sucessores dos setenta e dois discípulos, escolhidos e ordenados pelo Salvador, como os Bispos são os sucessores dos doze Apóstolos, como o Papa é o Sucessor de S. Pedro, chefe dos Apóstolos.
Os Padres não possuem os poderes dos Bispos, mas são seus súditos, seus auxiliares no ministério, devendo-lhes submissão, respeito e obediência.
Há uma gradação visível e clara entre o Papa, os Bispos e os Padres.
O Papa deve confirmar os seus irmãos.
O Bispo deve pregar o Evangelho a todas as criaturas.
O Sacerdote deve ir à procura das ovelhas desgarradas.
Ao Papa, Jesus entrega as chaves do reino do Céu.
Aos Bispos, ele impõe as mãos.
Aos Sacerdotes, ele manda irem dois a dois, por todas as cidades.
Não impõe as mãos aos últimos... Não sopra sobre a fronte deles... Ele deixa a seus Apóstolos o encargo de fazê-lo, para bem marcar a dependência em que devem ficar: cordeiros com respeito ao povo; ovelhas com respeito aos Bispos.
Os poderes dos Padres, como os dos Bispos, como os do Papa, vêm diretamente de Jesus Cristo, mas são exercidos sob a dependência hierárquica estabelecida pelo próprio Jesus Cristo.
Os Bispos exercem os seus poderes sob a direção do Papa, os Padres exercem os seus poderes sob a direção dos Bispos.
Do mesmo modo que os poderes dos Bispos não dependem do Papa, assim os poderes dos Padres não dependem dos Bispos; é o exercício destes poderes que está sujeito ao beneplácito do superior.
O Sacerdócio, como o Episcopado e como o Papado, é de instituição divina e como tal é eterno, indestrutível como eles, ou melhor: há apenas um único Sacerdócio cuja plenitude está no Episcopado e cuja fonte e coração está no Papado.
Há, deste modo, três graus na hierarquia: o Papado, o Episcopado, o Sacerdócio.
É uma imagem da Santíssima Trindade neste mundo.
O Papa é o princípio da autoridade.
O Bispo é como o verbo do Papa em sua Diocese.
O Padre, unido ao Papa e ao Bispo, é como o Santificador das almas em sua paróquia.
É pelo Padre que o povo se une ao Bispo e ao Papa.
Todos os fiéis estão representados no Padre.
Todos os Padres estão representados no Bispo.
Todos os Bispos estão representados no Papa.
Augusta e sublime missão a do Padre!
II. Como se compõe o Sacerdócio
O Sacerdócio é um só: - é a participação ao Sacerdócio de Jesus Cristo. Como já disse, os Sacerdotes são os auxiliares dos Bispos na administração dos Sacramentos e na pregação da palavra divina: Sacedotem oportet praedicare.
O Sacerdócio embora único quanto ao Sacramento e a seus efeitos é duplo quanto ao modo de viver: há o Sacerdote regular e o Sacerdote secular.
O primeiro, além de ter as obrigações do Sacerdócio, é ligado a Deus pela prática dos conselhos evangélicos de obediência, castidade e pobreza.
O segundo é ligado por um destes conselhos, pela castidade, mas deve também ao Bispo, em virtude das ordens recebidas, inteira obediência.
Pertencendo ao mesmo Sacerdócio, tanto Padres regulares como seculares, em virtude, do Sacramento da Ordem que receberam, estão na mesma linha: são ministros de Deus, na dispensação das coisas sagradas, como o seu nome indica: Sacra dans: dando coisas sagradas.
O estado de vida destas duas categorias é diferente. O Padre regular, além das obrigações dos votos que faz, sujeita-se a uma regra, que indica o seu modo de viver e de agir. Daí o seu nome regular.
O Padre secular, porém, tem apenas de cumprir os seus deveres de Sacerdote e com as obrigações de seu ministério, podendo ordenar a sua vida como entende. E, como o seu nome indica, vive no meio do século: é secular.
O que, pois, difere é o modo de viver deles. Este modo constitui um estado: estado de perfeição para o Padre regular, ou religioso; e estado secular para o Padre secular.
Comparando, portanto, o Sacerdote regular e o secular, quanto ao Sacerdócio, vemos que são irmãos, que estão na mesma linha.
Comparando-os quanto ao estado, vemos ser o Padre regular superior ao secular, porque o estado que abraçou é mais perfeito e obriga a maior perfeição do que o estado do Padre secular.
Notemos bem que se trata aqui do estado ou modo de viver e não de pessoas inferiores; como num estado inferior pode haver pessoas superiores,
O hábito não faz o monge;
A casa não faz o santo;
O estado não faz a superioridade.
Se cada pessoa cumprisse perfeitamente todos os deveres de seu estado, então sim, existiria praticamente uma gradação. As misérias humanas, no entanto, são numerosas, de modo que pode haver casados mais santos do que certos celibatários e certos celibatários, no mundo, podem sobrepujar um religioso do claustro; assim pode haver, e há de fato, Sacerdotes seculares mais virtuosos e mais zelosos do que certos Sacerdotes regulares. O defeito não é do estado, é da pessoa. Se o regular cumprisse perfeitamente seus deveres de estado, seria, com certeza, mais virtuoso, mais zeloso, mais abnegado que o secular que se contentasse com cumprir simplesmente os deveres que lhe são impostos.
Em outros termos de comparação: tanto o regular como o secular, cumprindo bem os seus deveres de estado, o regular será mais virtuosos.
Se, porém, o secular cumprir bem estes deveres e o regular entregar-se ao relaxamento, claro é que, como pessoa, o secular supera o regular, porque o fervor está acima do relaxamento.
Mas se ambos cumprirem seus deveres, repito, o regular estará muito acima do secular, pela razão de serem seus deveres mais elevados e levarem a mais alta santidade que os do secular.
O Sacerdócio embora único quanto ao Sacramento e a seus efeitos é duplo quanto ao modo de viver: há o Sacerdote regular e o Sacerdote secular.
O primeiro, além de ter as obrigações do Sacerdócio, é ligado a Deus pela prática dos conselhos evangélicos de obediência, castidade e pobreza.
O segundo é ligado por um destes conselhos, pela castidade, mas deve também ao Bispo, em virtude das ordens recebidas, inteira obediência.
Pertencendo ao mesmo Sacerdócio, tanto Padres regulares como seculares, em virtude, do Sacramento da Ordem que receberam, estão na mesma linha: são ministros de Deus, na dispensação das coisas sagradas, como o seu nome indica: Sacra dans: dando coisas sagradas.
O estado de vida destas duas categorias é diferente. O Padre regular, além das obrigações dos votos que faz, sujeita-se a uma regra, que indica o seu modo de viver e de agir. Daí o seu nome regular.
O Padre secular, porém, tem apenas de cumprir os seus deveres de Sacerdote e com as obrigações de seu ministério, podendo ordenar a sua vida como entende. E, como o seu nome indica, vive no meio do século: é secular.
O que, pois, difere é o modo de viver deles. Este modo constitui um estado: estado de perfeição para o Padre regular, ou religioso; e estado secular para o Padre secular.
Comparando, portanto, o Sacerdote regular e o secular, quanto ao Sacerdócio, vemos que são irmãos, que estão na mesma linha.
Comparando-os quanto ao estado, vemos ser o Padre regular superior ao secular, porque o estado que abraçou é mais perfeito e obriga a maior perfeição do que o estado do Padre secular.
Notemos bem que se trata aqui do estado ou modo de viver e não de pessoas inferiores; como num estado inferior pode haver pessoas superiores,
O hábito não faz o monge;
A casa não faz o santo;
O estado não faz a superioridade.
Se cada pessoa cumprisse perfeitamente todos os deveres de seu estado, então sim, existiria praticamente uma gradação. As misérias humanas, no entanto, são numerosas, de modo que pode haver casados mais santos do que certos celibatários e certos celibatários, no mundo, podem sobrepujar um religioso do claustro; assim pode haver, e há de fato, Sacerdotes seculares mais virtuosos e mais zelosos do que certos Sacerdotes regulares. O defeito não é do estado, é da pessoa. Se o regular cumprisse perfeitamente seus deveres de estado, seria, com certeza, mais virtuoso, mais zeloso, mais abnegado que o secular que se contentasse com cumprir simplesmente os deveres que lhe são impostos.
Em outros termos de comparação: tanto o regular como o secular, cumprindo bem os seus deveres de estado, o regular será mais virtuosos.
Se, porém, o secular cumprir bem estes deveres e o regular entregar-se ao relaxamento, claro é que, como pessoa, o secular supera o regular, porque o fervor está acima do relaxamento.
Mas se ambos cumprirem seus deveres, repito, o regular estará muito acima do secular, pela razão de serem seus deveres mais elevados e levarem a mais alta santidade que os do secular.
III. Conclusão
Resumamos a parte doutrinal desta curta exposição.
O sacerdócio é o grande instrumento de santificação para o mundo.
O Sacerdócio é um só, como Sacramento, porém, os sacerdotes podem ter diferente estado de vida: Uns consagram-se a Deus, deixando tudo por amor dele, sem esperança de remuneração temporal: é o clero regular, são os religiosos.
Outros limitam-se aos deveres de seu Sacerdócio ou ministério, ficam no mundo; podem até ajudar aos pais e cuidar de seu futuro, podem possuir bens, etc.: é o clero secular
Há aqui uma tríplice distinção a fazer entre eles: de ordem, de estado, de ofício.
Como Ordem, os dois são iguais, pois só há um Sacramento de Ordem.
Como estado, o religioso é mais perfeito, pois além das virtudes próprias do sacerdote, ele se obriga a cumprir os conselhos evangélicos.
Como ofício, ambos estão na mesma linha, pois ambos se dedicam de um ou outro modo à salvação das almas.
O Sacramento da Ordem é de instituição divina.
Depois disto, o Senhor escolheu outros setenta e dois e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares, onde ele estava para ir. (Luc. X. 1)
O estado religioso também é de instituição divina: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo quanto tens e dá aos pobres e depois vem e segue-me. (Math. XIX, 21)
O ministério sacerdotal também é de instituição divina: Ide, eis que eu vos mando como cordeiros entre lobos. (Luc. X. 3)
Há uns erros a respeito destas verdades. Há quem pense ter sido a vida religiosa instituída no século 3o. Não! Foi instituída por Jesus Cristo. E a opinião mais provável é que, como diz Suarez, os Apóstolos eram verdadeiramente religiosos ou regulares.
O que foi oficialmente instituído no século 3o são os Institutos religiosos: porém, estado e instituto são completamente distintos.
No princípio, todos os Sacerdotes eram religiosos tendo vida comum. Nosso Senhor mandou-os dois a dois, isto é, em vida comum.
Foi mais tarde, devido ao desenvolvimento da Igreja e a falta de Sacerdotes, que os Bispos se viram na contingência de separar os Sacerdotes e de mandá-los isoladamente à administração das paróquias.
O que começou no tempo de Jesus Cristo foi a vida religiosa e foi no decurso dos tempos que a vida de Padre secular foi se introduzindo nos costumes, devido às necessidades do momento.
Terminemos com a palavra decisiva de Pio IX, em seu breve de 17 de Março de 1866. “Vemos, escreve este Pontífice, que as antigas leis da Igreja, não somente aprovavam, mas ordenavam que os Padres, os diáconos e subdiáconos vivessem juntos, pondo em comum tudo o que lhes vinha do ministério das Igrejas; e era-lhes recomendado que tendessem com todas as suas forças a reproduzir a vida Apostólica, que é a vida comum. Não podemos, pois, senão louvar e recomendar a todos aqueles que se unem para levar este gênero de vida eclesiástica”.
Eis restabelecida e confirmada a confraternização, a unificação do clero regular e secular, seguindo cada um o estado que escolheu, e cumprindo com zelo os seus deveres de estado para trabalharem juntos na salvação das almas e para o triunfo da santa Igreja.
O sacerdócio é o grande instrumento de santificação para o mundo.
O Sacerdócio é um só, como Sacramento, porém, os sacerdotes podem ter diferente estado de vida: Uns consagram-se a Deus, deixando tudo por amor dele, sem esperança de remuneração temporal: é o clero regular, são os religiosos.
Outros limitam-se aos deveres de seu Sacerdócio ou ministério, ficam no mundo; podem até ajudar aos pais e cuidar de seu futuro, podem possuir bens, etc.: é o clero secular
Há aqui uma tríplice distinção a fazer entre eles: de ordem, de estado, de ofício.
Como Ordem, os dois são iguais, pois só há um Sacramento de Ordem.
Como estado, o religioso é mais perfeito, pois além das virtudes próprias do sacerdote, ele se obriga a cumprir os conselhos evangélicos.
Como ofício, ambos estão na mesma linha, pois ambos se dedicam de um ou outro modo à salvação das almas.
O Sacramento da Ordem é de instituição divina.
Depois disto, o Senhor escolheu outros setenta e dois e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares, onde ele estava para ir. (Luc. X. 1)
O estado religioso também é de instituição divina: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo quanto tens e dá aos pobres e depois vem e segue-me. (Math. XIX, 21)
O ministério sacerdotal também é de instituição divina: Ide, eis que eu vos mando como cordeiros entre lobos. (Luc. X. 3)
Há uns erros a respeito destas verdades. Há quem pense ter sido a vida religiosa instituída no século 3o. Não! Foi instituída por Jesus Cristo. E a opinião mais provável é que, como diz Suarez, os Apóstolos eram verdadeiramente religiosos ou regulares.
O que foi oficialmente instituído no século 3o são os Institutos religiosos: porém, estado e instituto são completamente distintos.
No princípio, todos os Sacerdotes eram religiosos tendo vida comum. Nosso Senhor mandou-os dois a dois, isto é, em vida comum.
Foi mais tarde, devido ao desenvolvimento da Igreja e a falta de Sacerdotes, que os Bispos se viram na contingência de separar os Sacerdotes e de mandá-los isoladamente à administração das paróquias.
O que começou no tempo de Jesus Cristo foi a vida religiosa e foi no decurso dos tempos que a vida de Padre secular foi se introduzindo nos costumes, devido às necessidades do momento.
Terminemos com a palavra decisiva de Pio IX, em seu breve de 17 de Março de 1866. “Vemos, escreve este Pontífice, que as antigas leis da Igreja, não somente aprovavam, mas ordenavam que os Padres, os diáconos e subdiáconos vivessem juntos, pondo em comum tudo o que lhes vinha do ministério das Igrejas; e era-lhes recomendado que tendessem com todas as suas forças a reproduzir a vida Apostólica, que é a vida comum. Não podemos, pois, senão louvar e recomendar a todos aqueles que se unem para levar este gênero de vida eclesiástica”.
Eis restabelecida e confirmada a confraternização, a unificação do clero regular e secular, seguindo cada um o estado que escolheu, e cumprindo com zelo os seus deveres de estado para trabalharem juntos na salvação das almas e para o triunfo da santa Igreja.
EXEMPLOS
1. Bismarck e o diabo
Conta um jornal católico alemão que um Bismarck passeava no parque de Potsdam, quando foi cumprimentado por um desconhecido, que trajava e falava com distinção e elegância.
Conversavam sobre as Congregações que Bismark estava perseguindo e exilando.
De repente, o Chanceler de Ferro exclamou com ardor violento: Mais uns dias e não haverá mais uma única Congregação, ouçam, nem uma só!
- O senhor é mais forte do que eu, retorquiu o desconhecido. Há 19 séculos que eu trabalho para suprimí-las e nada consegui até hoje.
- Mas quem é o senhor? Interrogou espantado o Chanceler.
- Eu, sou o diabo.
- O diabo... repetiu trêmulo Bismarck, mas o desconhecido, já conhecido agora, desaparecera.
Conversavam sobre as Congregações que Bismark estava perseguindo e exilando.
De repente, o Chanceler de Ferro exclamou com ardor violento: Mais uns dias e não haverá mais uma única Congregação, ouçam, nem uma só!
- O senhor é mais forte do que eu, retorquiu o desconhecido. Há 19 séculos que eu trabalho para suprimí-las e nada consegui até hoje.
- Mas quem é o senhor? Interrogou espantado o Chanceler.
- Eu, sou o diabo.
- O diabo... repetiu trêmulo Bismarck, mas o desconhecido, já conhecido agora, desaparecera.
2. Para que servem os Padres
Em Bordeus, vinham no mesmo carro do trem, um senhor de sociedade e um operário.
Numa das estações, um sacerdote estava esperando outro trem.
- Para que serve esta gente? Diz o viajante ao operário, seu companheiro.
O operário ficou calado.
O trem retoma a sua marcha, atravessando um lugar deserto.
O operário, de repente aproxima-se de seu companheiro e com um acento áspero na voz lhe diz à queima roupa:
- Senhor, estamos aqui numa região deserta, longe das estações; se eu quisesse estrangulá-lo aqui, ninguém o saberia.
- Mas, exclama o burguês horrorizado, isso não lhe daria proveito nenhum.
- Desculpe-me, antes de deixar Bordeus, o senhor recebeu no Banco 30 contos de réis, que estão ali na sua maleta...
O homem passou por todas as cores e suando frio, olhava com terror para os braços vigorosos e os punhos de aço do operário.
- Fique sossegado, senhor, eu fui educado pelos Padres e eles me ensinaram a temer a Deus e a respeitar o bem alheio... Está vendo que esta gente ainda serve para qualquer coisa. Sem eles o senhor seria agora um homem morto.
Numa das estações, um sacerdote estava esperando outro trem.
- Para que serve esta gente? Diz o viajante ao operário, seu companheiro.
O operário ficou calado.
O trem retoma a sua marcha, atravessando um lugar deserto.
O operário, de repente aproxima-se de seu companheiro e com um acento áspero na voz lhe diz à queima roupa:
- Senhor, estamos aqui numa região deserta, longe das estações; se eu quisesse estrangulá-lo aqui, ninguém o saberia.
- Mas, exclama o burguês horrorizado, isso não lhe daria proveito nenhum.
- Desculpe-me, antes de deixar Bordeus, o senhor recebeu no Banco 30 contos de réis, que estão ali na sua maleta...
O homem passou por todas as cores e suando frio, olhava com terror para os braços vigorosos e os punhos de aço do operário.
- Fique sossegado, senhor, eu fui educado pelos Padres e eles me ensinaram a temer a Deus e a respeitar o bem alheio... Está vendo que esta gente ainda serve para qualquer coisa. Sem eles o senhor seria agora um homem morto.
3. Do Cura d’Ars
Deixem uma paróquia sem Padre durante 20 anos e o povo adorará os animais!
4. De Pio X
Precisamos de Padres que queiram ir para a cadeia!
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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 418 - 427)
14 de novembro de 2011
13 de novembro de 2011
VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
A Igreja e o Estado
O Evangelho de hoje trata admiravelmente e resolve divinamente o grande problema que agita as nações através dos séculos.
O Judeus querem saber a quem devem obedecer: se ao poder temporal dos Césares ou ao poder espiritual dos Pontífices dos Judeus.
A resposta do divino Mestre é um raio fulminante que, de relance, resolve a questão
Mostrai-me a moeda diz Jesus.
- De quem é esta imagem? Pergunta Ele.
- De César!
- Pois bem, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Jesus reconhece os dois poderes: o poder do Estado e o poder da Igreja, a autoridade do governo civil e a do governo espiritual.
Meditemos um instante este assunto palpitante falando sucintamente e mostrando que estes dois poderes ou soberanias:
1. São perfeitamente distintos,
2. Mas que devem ser unidos.
As relações do governo e da Igreja constituem um assunto delicado; procuremos elucidar e compreender bem os princípios que formam a base sólida destas relações.
O Judeus querem saber a quem devem obedecer: se ao poder temporal dos Césares ou ao poder espiritual dos Pontífices dos Judeus.
A resposta do divino Mestre é um raio fulminante que, de relance, resolve a questão
Mostrai-me a moeda diz Jesus.
- De quem é esta imagem? Pergunta Ele.
- De César!
- Pois bem, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Jesus reconhece os dois poderes: o poder do Estado e o poder da Igreja, a autoridade do governo civil e a do governo espiritual.
Meditemos um instante este assunto palpitante falando sucintamente e mostrando que estes dois poderes ou soberanias:
1. São perfeitamente distintos,
2. Mas que devem ser unidos.
As relações do governo e da Igreja constituem um assunto delicado; procuremos elucidar e compreender bem os princípios que formam a base sólida destas relações.
I. São soberanias distintas
Cada uma tem, de fato, uma finalidade especial que atingir e um domínio onde pode mover-se numa independência mútua.
Qual é a finalidade da Igreja?
É conduzir os indivíduos e os povos à felicidade eterna e, para alcançar esta finalidade, ela administra o domínio da fé, da moral, ela faz penetrar em toda parte a palavra e a vida de Jesus Cristo, seu Chefe.
E qual é a finalidade do estado?
É obter a felicidade temporal dos indivíduos e dos povos.
Enquanto o estado se ocupa dos interesses materiais que lhe são confiados, sem intrometer-se no domínio da fé e da moral, a Igreja não intervém de modo nenhum no domínio das coisas puramente materiais, pois o Estado é soberano nesta matéria.
Esta distinção essencial entre os dois poderes tem sido solenemente reconhecida e proclamada desde a origem pelas leis romanas, pelos Doutores da Igreja, pelos Papas e pelos concílios; e nunca o ensino Católico variou, hesitou, ou vergou sobre a questão fundamental da independência recíproca da Igreja e do Estado.
O Imperador Justiniano, em suas “Novelas”, diz: “Deus confiou aos homens o Sacerdócio e o Império, o Sacerdócio para administrar as coisas divinas e o Império para presidir as coisas humanas, uma e outra procedem do mesmo principio”.
O Papa Gelásio, dirigindo-se ao Imperador Anastácio, protetor da heresia de Eutiques, exprime-se nestes termos:
“O mundo é governado por dois poderes, o dos Pontífices e o dos Reis... se em tudo o que é da ordem pública, os Bispos, reconhecendo a autoridade que recebestes de Deus, obedecem a vossas leis; com quanto amor, augusto Imperador, vós deveis obedecer-lhes em tudo que diz respeito aos veneráveis mistérios, dos quais eles são os dispensadores”.
Cada vez que os imperadores de Constantinopla pretendem usurpar o poder espiritual, encontram um braço que os contém e uma voz que os repreende.
Ósio de Córdova escreve ao Imperador Constâncio:
“Não nos é permitido, a nós Bispos, de pretender ao Império nas coisas da terra, e não vos é tão pouco permitido, a vós Imperador, de usurpar o turíbulo ou o poder das coisas sagradas”.
O Papa Inocêncio III afirma a distinção entre os dois poderes e, além disso, exalta a superioridade do poder espiritual sobre o poder temporal.
Esta superioridade é manifesta, diz ele, pois que com toda evidência a alma sobrepuja o corpo, o Céu à terra, a Justiça divina à justiça humana, as coisas da eternidade sobrepujam as coisas do tempo.
Dos dois poderes, o mais elevado é sem contestação o poder espiritual, que se dirige a parte mais nobre do homem, que se refere a seus mais graves interesses e lhe abre a porta do Céu.
Compreendamo-lo bem, a superioridade da Igreja não suprime a autonomia do estado. A Igreja e o Estado ficam duas soberanias perfeitamente distintas.
No mundo pagão havia só um poder: César, que tudo tinha em sua mão: os corpos e as almas, a política e a religião.
No mundo cristão há duas potências: a Igreja e o estado, absolutamente distintas. Quer dizer isso, que estas duas potências devem permanecer estranhas uma para com a outra? Não! Abso1utamente não!
Qual é a finalidade da Igreja?
É conduzir os indivíduos e os povos à felicidade eterna e, para alcançar esta finalidade, ela administra o domínio da fé, da moral, ela faz penetrar em toda parte a palavra e a vida de Jesus Cristo, seu Chefe.
E qual é a finalidade do estado?
É obter a felicidade temporal dos indivíduos e dos povos.
Enquanto o estado se ocupa dos interesses materiais que lhe são confiados, sem intrometer-se no domínio da fé e da moral, a Igreja não intervém de modo nenhum no domínio das coisas puramente materiais, pois o Estado é soberano nesta matéria.
Esta distinção essencial entre os dois poderes tem sido solenemente reconhecida e proclamada desde a origem pelas leis romanas, pelos Doutores da Igreja, pelos Papas e pelos concílios; e nunca o ensino Católico variou, hesitou, ou vergou sobre a questão fundamental da independência recíproca da Igreja e do Estado.
O Imperador Justiniano, em suas “Novelas”, diz: “Deus confiou aos homens o Sacerdócio e o Império, o Sacerdócio para administrar as coisas divinas e o Império para presidir as coisas humanas, uma e outra procedem do mesmo principio”.
O Papa Gelásio, dirigindo-se ao Imperador Anastácio, protetor da heresia de Eutiques, exprime-se nestes termos:
“O mundo é governado por dois poderes, o dos Pontífices e o dos Reis... se em tudo o que é da ordem pública, os Bispos, reconhecendo a autoridade que recebestes de Deus, obedecem a vossas leis; com quanto amor, augusto Imperador, vós deveis obedecer-lhes em tudo que diz respeito aos veneráveis mistérios, dos quais eles são os dispensadores”.
Cada vez que os imperadores de Constantinopla pretendem usurpar o poder espiritual, encontram um braço que os contém e uma voz que os repreende.
Ósio de Córdova escreve ao Imperador Constâncio:
“Não nos é permitido, a nós Bispos, de pretender ao Império nas coisas da terra, e não vos é tão pouco permitido, a vós Imperador, de usurpar o turíbulo ou o poder das coisas sagradas”.
O Papa Inocêncio III afirma a distinção entre os dois poderes e, além disso, exalta a superioridade do poder espiritual sobre o poder temporal.
Esta superioridade é manifesta, diz ele, pois que com toda evidência a alma sobrepuja o corpo, o Céu à terra, a Justiça divina à justiça humana, as coisas da eternidade sobrepujam as coisas do tempo.
Dos dois poderes, o mais elevado é sem contestação o poder espiritual, que se dirige a parte mais nobre do homem, que se refere a seus mais graves interesses e lhe abre a porta do Céu.
Compreendamo-lo bem, a superioridade da Igreja não suprime a autonomia do estado. A Igreja e o Estado ficam duas soberanias perfeitamente distintas.
No mundo pagão havia só um poder: César, que tudo tinha em sua mão: os corpos e as almas, a política e a religião.
No mundo cristão há duas potências: a Igreja e o estado, absolutamente distintas. Quer dizer isso, que estas duas potências devem permanecer estranhas uma para com a outra? Não! Abso1utamente não!
II. Devem ser unidas
A Igreja e o estado devem ser unidos e andar de mãos dadas.
Examinando, de fato, a natureza da constituição da humanidade, concluímos que a Igreja e o Estado são como a alma e o corpo
A alma dá ao corpo a vida, a beleza, perfeição, enquanto o corpo empresta à alma os órgãos sensíveis, de que necessita para agir, exprimir-se e manifestar-se.
A alma e o corpo não são simplesmente justapostos, mas unidos e fundidos, embora distintos, para constituir um ser único, uma pessoa inteira e completa.
A separação produz a morte.
Assim a Igreja e o Estado devem ajudar-se mutuamente e completar-se um pelo outro. Muitas vezes, estes dois poderes têm que se encontrar para combinar certos assuntos que dizem respeito a ambos.
O interesse comum reclama a união da Igreja e do Estado. Se forem desunidos, enfraquecem-se em lutas inevitáveis e estéreis.
O próprio homem sendo ao mesmo tempo cristão e cidadão, não pode obedecer a duas direções contrárias; ei-lo pois, entregue à mais cruel alternativa. Submetendo se à Igreja desobedece ao Estado ou submetendo-se ao Estado desobedece à Igreja.
E até onde deve ir esta união?
Em princípio, mais íntima é esta união, mais eficaz será a ação de ambos. A união faz a força.
É certo, tal união depende dos tempos, dos lugares e das circunstancias. Podem imaginar-se três regimes diferentes nas relações entre a Igreja e o Estado: o regime do direito comum, o das concordatas e o da proteção.
No regime do direito comum, a Igreja e o Estado ficam unidos pelo respeito mútuo. É o mínimo que se pode pedir, é o mínimo de aliança. Vejamos o que se passa nos Estados Unidos, aqui no Brasil, na maior parte dos Estados Americanos, excluindo o triste México escravizado.
O poder temporal admite a Igreja em benefício da liberdade comum e a deixa cumprir em paz a sua missão divina, sob a garantia das instituições civis.
Estes Estados não protegem nenhuma confissão de fé, mas as respeitam todas. Não é ateu, é cristão.
Mais de um orador fez na tribuna ou no jornal o elogio da separação em princípio, da Igreja do Estado, sem compreender bem o que exprime tal palavra.
Nos Estados Unidos, que se cita muitas vezes, a Igreja é muito menos separada do Estado que em muitos outros países. Vêem se desabrochar livremente as grandes virtudes e a dedicação heróica que são a força e a honra da religião, cuidando da educação da mocidade e da assistência aos pobres e desvalidos.
As fundações pias são isentas de impostos – o repouso do Domingo é assegurado ao operário – o ensino do Estado é cristão – os sacerdotes e as Igrejas são cercados do respeito universal – o clero é isento do serviço militar, etc. É muito... e entretanto este regime de direito comum e de respeito mútuo não é o ideal. Há coisa melhor.
O regime de concordata vai mais além: a Igreja e o Estado são unidos numa combinação cordial, por convenções recíprocas. Não se contentam em saudar-se mutuamente ao se encontrarem; aproximam-se e tratam amigavelmente de certos pontos que interessam ao mesmo tempo o cristão e o cidadão.
É o segundo grau da aliança.
A Igreja e o Estado fazem concessões recíprocas. A Igreja não sacrifica nenhum de seus princípios, mas se mostra moderada no exercício de seus direitos. O Estado não concede à Igreja uma situação privilegiada, mas lhe concede certos favores conciliáveis com a paz e a ordem públicas.
Este regime pode produzir bons frutos, porém, não é ainda a união perfeita e completa.
Examinando, de fato, a natureza da constituição da humanidade, concluímos que a Igreja e o Estado são como a alma e o corpo
A alma dá ao corpo a vida, a beleza, perfeição, enquanto o corpo empresta à alma os órgãos sensíveis, de que necessita para agir, exprimir-se e manifestar-se.
A alma e o corpo não são simplesmente justapostos, mas unidos e fundidos, embora distintos, para constituir um ser único, uma pessoa inteira e completa.
A separação produz a morte.
Assim a Igreja e o Estado devem ajudar-se mutuamente e completar-se um pelo outro. Muitas vezes, estes dois poderes têm que se encontrar para combinar certos assuntos que dizem respeito a ambos.
O interesse comum reclama a união da Igreja e do Estado. Se forem desunidos, enfraquecem-se em lutas inevitáveis e estéreis.
O próprio homem sendo ao mesmo tempo cristão e cidadão, não pode obedecer a duas direções contrárias; ei-lo pois, entregue à mais cruel alternativa. Submetendo se à Igreja desobedece ao Estado ou submetendo-se ao Estado desobedece à Igreja.
E até onde deve ir esta união?
Em princípio, mais íntima é esta união, mais eficaz será a ação de ambos. A união faz a força.
É certo, tal união depende dos tempos, dos lugares e das circunstancias. Podem imaginar-se três regimes diferentes nas relações entre a Igreja e o Estado: o regime do direito comum, o das concordatas e o da proteção.
No regime do direito comum, a Igreja e o Estado ficam unidos pelo respeito mútuo. É o mínimo que se pode pedir, é o mínimo de aliança. Vejamos o que se passa nos Estados Unidos, aqui no Brasil, na maior parte dos Estados Americanos, excluindo o triste México escravizado.
O poder temporal admite a Igreja em benefício da liberdade comum e a deixa cumprir em paz a sua missão divina, sob a garantia das instituições civis.
Estes Estados não protegem nenhuma confissão de fé, mas as respeitam todas. Não é ateu, é cristão.
Mais de um orador fez na tribuna ou no jornal o elogio da separação em princípio, da Igreja do Estado, sem compreender bem o que exprime tal palavra.
Nos Estados Unidos, que se cita muitas vezes, a Igreja é muito menos separada do Estado que em muitos outros países. Vêem se desabrochar livremente as grandes virtudes e a dedicação heróica que são a força e a honra da religião, cuidando da educação da mocidade e da assistência aos pobres e desvalidos.
As fundações pias são isentas de impostos – o repouso do Domingo é assegurado ao operário – o ensino do Estado é cristão – os sacerdotes e as Igrejas são cercados do respeito universal – o clero é isento do serviço militar, etc. É muito... e entretanto este regime de direito comum e de respeito mútuo não é o ideal. Há coisa melhor.
O regime de concordata vai mais além: a Igreja e o Estado são unidos numa combinação cordial, por convenções recíprocas. Não se contentam em saudar-se mutuamente ao se encontrarem; aproximam-se e tratam amigavelmente de certos pontos que interessam ao mesmo tempo o cristão e o cidadão.
É o segundo grau da aliança.
A Igreja e o Estado fazem concessões recíprocas. A Igreja não sacrifica nenhum de seus princípios, mas se mostra moderada no exercício de seus direitos. O Estado não concede à Igreja uma situação privilegiada, mas lhe concede certos favores conciliáveis com a paz e a ordem públicas.
Este regime pode produzir bons frutos, porém, não é ainda a união perfeita e completa.
III. Conclusão
Terminemos indicando esta união perfeita entre a Igreja e o Estado: É o regime da proteção; ambos ficam unidos por uma assistência recíproca.
A Igreja apresenta-se como mãe da civilização, instrumento do bem, órgão da verdade, intérprete da moral, guarda da ordem social; e de seu lado o Estado aceita as leis da Igreja, fa-las cumprir e pune os violadores.
Os dois poderes constituem um poder único, como o corpo e a alma constituem uma única pessoa.
O máximo da aliança: a que devia existir em todas as nações.
Tem-se visto outrora e, sob o regime da união íntima entre os dois poderes, a verdade penetrar nas constituições... o Evangelho presidir a educação dos povos e ao aperfeiçoamento da moral pública... Tem-se visto, nas épocas de fé integral, as forças espirituais e civis trabalhar de mãos dadas para a integridade da fé e a felicidade da humanidade... Tem-se visto e Igreja protegendo o Estado e o Estado como divinizado pela autoridade da Igreja
Este regime tem tido as suas inconveniências, e muitas vezes a inveja, a covardia e a corrupção têm feito pagar caro à Igreja a proteção de que gozava... porém a Igreja tem sabido conservar sempre a sua calma, a justiça de seu proceder, pagando com o bem o mal que procuravam fazer-lhe... e hoje ainda como outrora, ela está de pé, bela, radiante, de mãos estendidas para acolher os náufragos da vida e abençoar aqueles que tombam na grande refrega da vida.
A Igreja apresenta-se como mãe da civilização, instrumento do bem, órgão da verdade, intérprete da moral, guarda da ordem social; e de seu lado o Estado aceita as leis da Igreja, fa-las cumprir e pune os violadores.
Os dois poderes constituem um poder único, como o corpo e a alma constituem uma única pessoa.
O máximo da aliança: a que devia existir em todas as nações.
Tem-se visto outrora e, sob o regime da união íntima entre os dois poderes, a verdade penetrar nas constituições... o Evangelho presidir a educação dos povos e ao aperfeiçoamento da moral pública... Tem-se visto, nas épocas de fé integral, as forças espirituais e civis trabalhar de mãos dadas para a integridade da fé e a felicidade da humanidade... Tem-se visto e Igreja protegendo o Estado e o Estado como divinizado pela autoridade da Igreja
Este regime tem tido as suas inconveniências, e muitas vezes a inveja, a covardia e a corrupção têm feito pagar caro à Igreja a proteção de que gozava... porém a Igreja tem sabido conservar sempre a sua calma, a justiça de seu proceder, pagando com o bem o mal que procuravam fazer-lhe... e hoje ainda como outrora, ela está de pé, bela, radiante, de mãos estendidas para acolher os náufragos da vida e abençoar aqueles que tombam na grande refrega da vida.
EXEMPLOS
1. São Basílio e o Prefeito
No quarto século, Basílio ocupava a sede episcopal de Cesárea.
O Prefeito da Capadócia quis convencê-lo de sujeitar-se aos caprichos do Imperador Valente.
- Que razão tens tu, disse ao Bispo, de resistir tu sozinho a um tão grande Imperador?
- O Imperador é grande, respondeu Basílio, porém não é superior a Deus.
- Mas então, ignoras, retornou o refeito, quantos suplícios eu posso infligir-te?
- Quais são eles? Respondeu o Prelado, impávido.
- Posso confiscar os teus bens, exilar-te, torturar-te, mandar te matar.
- A confiscação? Podes fazê-la, pois como toda riqueza tenho apenas uns livros.
- O exílio? O cristão considera-se neste mundo como um exilado e sabe que toda a terra pertence a Deus!
- Os suplícios? Pode abater logo o meu corpo já enfraquecido.
- A morte? Aspiro por ela, pois ela me unirá a Deus, a quem procuro.
- Ninguém até hoje, disse o Prefeito admirado, me falou com tanta liberdade.
- É que talvez, respondeu Basílio, o senhor não encontrou ainda um Bispo em seu interrogatório.
O Prefeito da Capadócia quis convencê-lo de sujeitar-se aos caprichos do Imperador Valente.
- Que razão tens tu, disse ao Bispo, de resistir tu sozinho a um tão grande Imperador?
- O Imperador é grande, respondeu Basílio, porém não é superior a Deus.
- Mas então, ignoras, retornou o refeito, quantos suplícios eu posso infligir-te?
- Quais são eles? Respondeu o Prelado, impávido.
- Posso confiscar os teus bens, exilar-te, torturar-te, mandar te matar.
- A confiscação? Podes fazê-la, pois como toda riqueza tenho apenas uns livros.
- O exílio? O cristão considera-se neste mundo como um exilado e sabe que toda a terra pertence a Deus!
- Os suplícios? Pode abater logo o meu corpo já enfraquecido.
- A morte? Aspiro por ela, pois ela me unirá a Deus, a quem procuro.
- Ninguém até hoje, disse o Prefeito admirado, me falou com tanta liberdade.
- É que talvez, respondeu Basílio, o senhor não encontrou ainda um Bispo em seu interrogatório.
2. Pedro e o Rei
Nos primeiros séculos, surgiu uma discussão sobre a data da Páscoa.
Em Northumberlaud (Inglaterra) foi estabelecida uma discussão pública em presença do Rei Oswin.
Um dos teólogos invocou a autoridade de São João e o outro a de São Pedro: - Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.
O Rei mandou parar a discussão, perguntando ao primeiro se tais eram bem as palavras de Cristo a Pedro.
A resposta foi afirmativa.
O Rei continuou: Poderá o senhor citar-me uma palavra equivalente, dirigida a São João?
- Não!
- Então ambos estão de acordo em reconhecer que as chaves do reino do céu foram dadas a Pedro?
- Então, concluiu o Rei, eu não quero meter-me em oposição com o porteiro do céu... ao contrário, quero obedecer-lhe em tudo. A Páscoa deve ser no dia que a Papa marcou.
E deu por finda a discussão.
Em Northumberlaud (Inglaterra) foi estabelecida uma discussão pública em presença do Rei Oswin.
Um dos teólogos invocou a autoridade de São João e o outro a de São Pedro: - Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.
O Rei mandou parar a discussão, perguntando ao primeiro se tais eram bem as palavras de Cristo a Pedro.
A resposta foi afirmativa.
O Rei continuou: Poderá o senhor citar-me uma palavra equivalente, dirigida a São João?
- Não!
- Então ambos estão de acordo em reconhecer que as chaves do reino do céu foram dadas a Pedro?
- Então, concluiu o Rei, eu não quero meter-me em oposição com o porteiro do céu... ao contrário, quero obedecer-lhe em tudo. A Páscoa deve ser no dia que a Papa marcou.
E deu por finda a discussão.
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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 408 - 416)
12 de novembro de 2011
Máximas Eternas
Meditações para cada dia da semana
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para Sábado
Sobre a Eternidade das Penas
Considera como o inferno não tem fim: sofre-se todas as penas e todas são eternas. De modo que passar-se-ão cem anos daquelas penas, mil anos, e o inferno estará começando. Passar-se-ão cem mil, cem milhões, mil milhões de anos e de séculos e o inferno começará sempre de novo. Se um anjo levasse a um condenado a notícia que Deus o quer tirar do inferno quando passados tantos milhões de séculos quantas forem as gotas de água, as folhas de todas as árvores frondosas, os grãos de areia do mar e da terra, vocês ficariam espantados; mas a verdade é que Ele (o condenado) faria uma festa tão grande que vocês não superariam se recebessem a notícia de ter conquistado um reinado. Sim, pois o condenado diria a si mesmo: É verdade que muitos séculos terão que escoar-se, mas chegará um dia em que eles acabarão...Mas, ao contrário, este fim não chegará jamais; passar-se-ão todos estes séculos e o inferno de novo, começará; multiplicar-se-ão estes séculos pelos números de grãos de areia, das gotas, das folhas e, mesmo assim, o inferno começará outra vez. Todo condenado faria, com Deus, o seguinte pacto: “Senhor, acrescei minha pena o quanto quiseres, basta que haja um termo e ficarei contente”. Mas não, este termo jamais existirá. Se ao menos o danado pudesse enganar-se a si mesmo e iludir-se dizendo: “Quem sabe um dia, Deus terá piedade de mim e me tirará do inferno!”. Não, o danado verá sempre, diante de si, a sentença de sua danação eterna e, então, dirá: “De maneira que todas estas penas que agora padeço, não terão nunca fim? Nunca?”. Durarão para sempre, sempre...Ó nunca! Ó eternidade! Ó inferno! Como? Os homens crêem na tua existência e mesmo assim pecam e seguem vivendo em pecado?
Meu irmão, preste atenção, pense que ainda mereces o inferno, se pecares. Já arde sob teus pés esta horrenda fornalha; e neste momento em que estás lendo, quantas almas nela estão caindo? Pense que se você lá chegar não mais sairá. E se algumas vezes já mereceste o inferno, agradece a Deus por lá não estar; e depressa remedia o quanto puderes, depressa; chora por teus pecados; leia este ou outro livreto de espiritualidade, todos os dias; torna tua devoção a Maria com o Santo Rosário diariamente e com o jejum todos os sábados; resiste às tentações chamando freqüentemente por Jesus e Maria; foge às ocasiões de pecar e se Deus te chamar a deixar o mundo, cada coisa feita para escapar de uma eternidade de penas é pouco, é nada. “Nulla nimia securitas, ubi periclitatur aeternitas” (S.Bern). Não há cautela bastante para nos assegurar a vida eterna. Veja quantos anacoretas, para escapar do inferno, foram viver em grutas, em desertos...E você, que tantas vezes mereceu o inferno, o que faz? Que faz? Cuidado para não te danares. Dá-te a Deus. “Maria ajudai-me”.
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para Sábado
Sobre a Eternidade das Penas
Considera como o inferno não tem fim: sofre-se todas as penas e todas são eternas. De modo que passar-se-ão cem anos daquelas penas, mil anos, e o inferno estará começando. Passar-se-ão cem mil, cem milhões, mil milhões de anos e de séculos e o inferno começará sempre de novo. Se um anjo levasse a um condenado a notícia que Deus o quer tirar do inferno quando passados tantos milhões de séculos quantas forem as gotas de água, as folhas de todas as árvores frondosas, os grãos de areia do mar e da terra, vocês ficariam espantados; mas a verdade é que Ele (o condenado) faria uma festa tão grande que vocês não superariam se recebessem a notícia de ter conquistado um reinado. Sim, pois o condenado diria a si mesmo: É verdade que muitos séculos terão que escoar-se, mas chegará um dia em que eles acabarão...Mas, ao contrário, este fim não chegará jamais; passar-se-ão todos estes séculos e o inferno de novo, começará; multiplicar-se-ão estes séculos pelos números de grãos de areia, das gotas, das folhas e, mesmo assim, o inferno começará outra vez. Todo condenado faria, com Deus, o seguinte pacto: “Senhor, acrescei minha pena o quanto quiseres, basta que haja um termo e ficarei contente”. Mas não, este termo jamais existirá. Se ao menos o danado pudesse enganar-se a si mesmo e iludir-se dizendo: “Quem sabe um dia, Deus terá piedade de mim e me tirará do inferno!”. Não, o danado verá sempre, diante de si, a sentença de sua danação eterna e, então, dirá: “De maneira que todas estas penas que agora padeço, não terão nunca fim? Nunca?”. Durarão para sempre, sempre...Ó nunca! Ó eternidade! Ó inferno! Como? Os homens crêem na tua existência e mesmo assim pecam e seguem vivendo em pecado?
Meu irmão, preste atenção, pense que ainda mereces o inferno, se pecares. Já arde sob teus pés esta horrenda fornalha; e neste momento em que estás lendo, quantas almas nela estão caindo? Pense que se você lá chegar não mais sairá. E se algumas vezes já mereceste o inferno, agradece a Deus por lá não estar; e depressa remedia o quanto puderes, depressa; chora por teus pecados; leia este ou outro livreto de espiritualidade, todos os dias; torna tua devoção a Maria com o Santo Rosário diariamente e com o jejum todos os sábados; resiste às tentações chamando freqüentemente por Jesus e Maria; foge às ocasiões de pecar e se Deus te chamar a deixar o mundo, cada coisa feita para escapar de uma eternidade de penas é pouco, é nada. “Nulla nimia securitas, ubi periclitatur aeternitas” (S.Bern). Não há cautela bastante para nos assegurar a vida eterna. Veja quantos anacoretas, para escapar do inferno, foram viver em grutas, em desertos...E você, que tantas vezes mereceu o inferno, o que faz? Que faz? Cuidado para não te danares. Dá-te a Deus. “Maria ajudai-me”.
11 de novembro de 2011
Máximas Eternas
Meditações para cada dia da semana
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para Sexta-Feira
Sobre o Inferno
Considera como o inferno é uma prisão infeliz, cheia de fogo. Neste fogo estão submersos os condenados, tendo um abismo de fogo acima, um abismo aos lados, um abismo abaixo. Fogo nos olhos, fogo na boca, fogo por inteiro. Todos os sentidos têm sua própria pena: os olhos cegos pelo fumo e pelas trevas, aterrorizados pela vista dos demônios e dos outros condenados. Com a audição escutarão dia e noite urros contínuos, prantos e blasfêmias. O olfato será afetado pelo fedor daqueles corpos mal cheirosos. O paladar atormentado por uma ardente sede e por uma fome canina, sem jamais obter uma gota d’água nem uma côdea de pão. Por isso, aqueles infelizes encarcerados, abrasados, pela sede, devorados pelo fogo, afligidos por todo tipo de tormentos, choram, gritam, desesperam-se, mas não existe, nem existirá, quem os alivie ou console. Ó inferno, inferno! Muitas só crêem quando em ti caem. Que dizes, tu que está lendo? Se tivesses, agora, que morrer, para onde irias? Tu que não suportas uma centelha de vela em tua mão, suportarás, depois, o estar em um lago de fogo, desconsolado e abandonado por todos, por toda a eternidade? A memória dos condenados será sempre atormentada pelo remorso da consciência: Este é o verme que sempre roerá o condenado, pensar no porque, por poucos prazeres envenenados, danou-se voluntariamente. Ó Deus, o que lhe padecerão, então, aqueles prazeres momentâneos, depois de cem mil, milhões de anos de inferno? Este verme recordar-lhe-á o tempo que Deus pôs à sua disposição para salvar-se; as comodidades que lhe apresentou o Senhor; os bons exemplos dos companheiros; os bons propósitos feitos, mas nunca seguidos. E então verá que não mais existe remédio para sua eterna ruína. O intelecto conhecerá o grande bem que perdeu: o Paraíso e Deus. “Ó Deus, ó Deus, perdoai-me por amor de Jesus Cristo”.
Pecador, tu que agora não te importas em perder o paraíso e Deus, conhecerás a tua cegueira ao ver os bem-aventurados triunfarem e gozar no reino dos céus; e tu, como um cão fétido, serás expulso daquela pátria santa privado, da bela face de Deus, da companhia de Maria, dos Anjos e dos santos. Então, delirando, gritarás: “Ó paraíso de contentes, ó Deus infinito, não és, e nem serás, mais meu?”. Então vamos com a penitência...Muda de vida: não esperes que o tempo termine. Dê-te a Deus: começa a amá-lo verdadeiramente . Roga a Jesus, Roga a Maria – que eles tenham piedade de ti.
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para Sexta-Feira
Sobre o Inferno
Considera como o inferno é uma prisão infeliz, cheia de fogo. Neste fogo estão submersos os condenados, tendo um abismo de fogo acima, um abismo aos lados, um abismo abaixo. Fogo nos olhos, fogo na boca, fogo por inteiro. Todos os sentidos têm sua própria pena: os olhos cegos pelo fumo e pelas trevas, aterrorizados pela vista dos demônios e dos outros condenados. Com a audição escutarão dia e noite urros contínuos, prantos e blasfêmias. O olfato será afetado pelo fedor daqueles corpos mal cheirosos. O paladar atormentado por uma ardente sede e por uma fome canina, sem jamais obter uma gota d’água nem uma côdea de pão. Por isso, aqueles infelizes encarcerados, abrasados, pela sede, devorados pelo fogo, afligidos por todo tipo de tormentos, choram, gritam, desesperam-se, mas não existe, nem existirá, quem os alivie ou console. Ó inferno, inferno! Muitas só crêem quando em ti caem. Que dizes, tu que está lendo? Se tivesses, agora, que morrer, para onde irias? Tu que não suportas uma centelha de vela em tua mão, suportarás, depois, o estar em um lago de fogo, desconsolado e abandonado por todos, por toda a eternidade? A memória dos condenados será sempre atormentada pelo remorso da consciência: Este é o verme que sempre roerá o condenado, pensar no porque, por poucos prazeres envenenados, danou-se voluntariamente. Ó Deus, o que lhe padecerão, então, aqueles prazeres momentâneos, depois de cem mil, milhões de anos de inferno? Este verme recordar-lhe-á o tempo que Deus pôs à sua disposição para salvar-se; as comodidades que lhe apresentou o Senhor; os bons exemplos dos companheiros; os bons propósitos feitos, mas nunca seguidos. E então verá que não mais existe remédio para sua eterna ruína. O intelecto conhecerá o grande bem que perdeu: o Paraíso e Deus. “Ó Deus, ó Deus, perdoai-me por amor de Jesus Cristo”.
Pecador, tu que agora não te importas em perder o paraíso e Deus, conhecerás a tua cegueira ao ver os bem-aventurados triunfarem e gozar no reino dos céus; e tu, como um cão fétido, serás expulso daquela pátria santa privado, da bela face de Deus, da companhia de Maria, dos Anjos e dos santos. Então, delirando, gritarás: “Ó paraíso de contentes, ó Deus infinito, não és, e nem serás, mais meu?”. Então vamos com a penitência...Muda de vida: não esperes que o tempo termine. Dê-te a Deus: começa a amá-lo verdadeiramente . Roga a Jesus, Roga a Maria – que eles tenham piedade de ti.
10 de novembro de 2011
Máximas Eternas
Meditações para cada dia da semana
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para Quinta-Feira
Sobre o Juízo Final
Considera que tão logo a alma sair do corpo será conduzida para diante do tribunal do Senhor Deus, para ser julgada. O Juiz é um Deus Onipotente, por ti maltratado, e encolerizado. Teus acusadores são os demônios inimigos; os processos são teus pecados; a sentença sem apelo; a pena o inferno... Não existem mais companheiros, parentes, amigos... Deverás ter-te com Deus.Então perceberás a feiúra de teus pecados e não poderás desculpá-los como agora fazes. Serás examinado a respeito de teus pecados por pensamentos, por palavras, por complacência, por obras, por omissões e escândalos. Tudo será pesado na grande balança da Justiça Divina e se faltares em algo estarás perdido. “Meu Jesus e meu juiz, perdoa-me antes de julgar-me”. Considera como a Divina Justiça há de julgar toda a gente no vale de Josafá, quando (no fim do mundo) ressuscitarão os corpos para receber, junto com a alma, o prêmio ou a pena. Reflete que se fores condenado pegarás de volta teu mesmo corpo que, então, servira de prisão para tua alma desventurada. Na ocasião deste amargo encontro a alma amaldiçoará o corpo e o corpo à alma, de maneira que a alma e o corpo que agora concordam entre si na procura de prazeres proibidos, unir-se-ão a força, depois da morte, para serem verdugos de si mesmos. Se te salvares do dito encontro, teu corpo ressurgirá belo, impassível e resplandecente: e assim em corpo e alma serás digno da vida santa. E assim acabará tua cena neste teatro da vida. Acabar-se-ão todas as riquezas, os prazeres, as pompas desta terra; tudo acabou. Somente existem duas eternidades, uma de glória e outra de pena; uma bem-aventurada e outra infeliz: uma de alegrias, outra de tormentos. No Paraíso os justos, no inferno os pecadores. Pobre daquele que tiver amado o mundo e por causa dos míseros prazeres desta terra tudo terá perdido: a alma, o corpo, o paraíso e Deus. Considera a eterna sentença. Cristo Jesus voltar-se-á contra os réprobos e a eles dirá: Acabaram? Acabaram? Já, minha hora chegou, hora de verdade e de justiça, hora de desdém e de vingança. E vai, celerados, vocês amaram a maldição, que ela caia sobre vocês: Que vocês sejam malditos nos tempos, malditos por toda a eternidade. Saí da minha frente, ide, privados de quaisquer bens e carregados de todas as penas, para o fogo eterno”. “Discedite a me, maledicti, in ignem aeternum” (Mt 25,41). Depois Jesus se voltará para os eleitos e dirá: “Vinde filhos meus benditos, possuir o reino dos céus posto para vós. Vinde para ser herdeiros das minhas riquezas, companheiros de minha glória; vinde cantar, em eterno, as minhas misericórdias; vinde do exílio à Pátria, das misérias à alegria; vinde das lágrimas ao riso, vinde das penas ao eterno repouso: “Venite, benedicti Patris Mei, possidete paratum vobis regnum” (Mt 25,34)”. “Jesus meu, espero, eu também, ser um destes benditos. Eu Vos amo acima de todas as coisas; desta hora em diante bendizei-me; e bendizei-me Vós, Maria minha Mãe”.
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para Quinta-Feira
Sobre o Juízo Final
Considera que tão logo a alma sair do corpo será conduzida para diante do tribunal do Senhor Deus, para ser julgada. O Juiz é um Deus Onipotente, por ti maltratado, e encolerizado. Teus acusadores são os demônios inimigos; os processos são teus pecados; a sentença sem apelo; a pena o inferno... Não existem mais companheiros, parentes, amigos... Deverás ter-te com Deus.Então perceberás a feiúra de teus pecados e não poderás desculpá-los como agora fazes. Serás examinado a respeito de teus pecados por pensamentos, por palavras, por complacência, por obras, por omissões e escândalos. Tudo será pesado na grande balança da Justiça Divina e se faltares em algo estarás perdido. “Meu Jesus e meu juiz, perdoa-me antes de julgar-me”. Considera como a Divina Justiça há de julgar toda a gente no vale de Josafá, quando (no fim do mundo) ressuscitarão os corpos para receber, junto com a alma, o prêmio ou a pena. Reflete que se fores condenado pegarás de volta teu mesmo corpo que, então, servira de prisão para tua alma desventurada. Na ocasião deste amargo encontro a alma amaldiçoará o corpo e o corpo à alma, de maneira que a alma e o corpo que agora concordam entre si na procura de prazeres proibidos, unir-se-ão a força, depois da morte, para serem verdugos de si mesmos. Se te salvares do dito encontro, teu corpo ressurgirá belo, impassível e resplandecente: e assim em corpo e alma serás digno da vida santa. E assim acabará tua cena neste teatro da vida. Acabar-se-ão todas as riquezas, os prazeres, as pompas desta terra; tudo acabou. Somente existem duas eternidades, uma de glória e outra de pena; uma bem-aventurada e outra infeliz: uma de alegrias, outra de tormentos. No Paraíso os justos, no inferno os pecadores. Pobre daquele que tiver amado o mundo e por causa dos míseros prazeres desta terra tudo terá perdido: a alma, o corpo, o paraíso e Deus. Considera a eterna sentença. Cristo Jesus voltar-se-á contra os réprobos e a eles dirá: Acabaram? Acabaram? Já, minha hora chegou, hora de verdade e de justiça, hora de desdém e de vingança. E vai, celerados, vocês amaram a maldição, que ela caia sobre vocês: Que vocês sejam malditos nos tempos, malditos por toda a eternidade. Saí da minha frente, ide, privados de quaisquer bens e carregados de todas as penas, para o fogo eterno”. “Discedite a me, maledicti, in ignem aeternum” (Mt 25,41). Depois Jesus se voltará para os eleitos e dirá: “Vinde filhos meus benditos, possuir o reino dos céus posto para vós. Vinde para ser herdeiros das minhas riquezas, companheiros de minha glória; vinde cantar, em eterno, as minhas misericórdias; vinde do exílio à Pátria, das misérias à alegria; vinde das lágrimas ao riso, vinde das penas ao eterno repouso: “Venite, benedicti Patris Mei, possidete paratum vobis regnum” (Mt 25,34)”. “Jesus meu, espero, eu também, ser um destes benditos. Eu Vos amo acima de todas as coisas; desta hora em diante bendizei-me; e bendizei-me Vós, Maria minha Mãe”.
9 de novembro de 2011
Máximas Eternas
Meditações para cada dia da semana
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para Quarta-feira:
Sobre a Morte
Considera como esta vida há de acabar. A sentença proferida: você tem que morrer. A morte é certa, mas não se sabe em que momento virá. O que se requer para morrer? Uma parada do coração, o rompimento de uma veia no peito, uma sufocação por catarro, um bocado de algo na garganta a mordedura de um animal venenoso, uma febre, uma picada, uma chaga, uma inundação, um terremoto, um relâmpago, bastam para tirar-te a vida. A morte te assaltará quando menos pensares. Quantos, à noite, puseram-se a dormir e de manhã, foram encontrados mortos. E então, isso pode ocorrer contigo também. Tantos dos que morreram de repente não pensavam em morrer assim; mas assim morreram e, se morreram em pecado, aonde estão agora? E onde estarão por toda a eternidade? Mas, de qualquer maneira haverá de chegar o dia em que verás o anoitecer mas não o amanhecer ou far-se-á dia mas a noite não verás”. Virei às escondidas, como a um ladrão à noite” diz Nosso Senhor (Mt 24,46-44). Isto foi, avisado pelo teu bom Senhor, pois que ama tua saúde espiritual.
Correspondas a Deus, aproveite de seu aviso, prepara-te a bem morrer, antes que a morte chegue: “Estote parati” (Lc 12,40). É certo que tens de morrer. Acabara tua cena no palco da vida e não sabes quando. Quem sabe se em um ano, um mês, ou até mesmo amanhã. “Meu Jesus, dai-me Luz e perdoa-me”.
Considera que na hora da morte estarás estendido em teu leito, assistido por um sacerdote que te lembrará de tua alma, com teus parentes, ao lado de ti, chorando... Com um crucifixo na cabeceira e uma vela aos pés, já próximo de passares para a eternidade... Tu sentirás a cabeça doendo, a visão turva, a língua seca, as mandíbulas fechadas, o peito pesado, o sangue gelado, a carne consumida, o coração trespassado: Deixarás tudo para trás e pobre, e nu, serás jogado numa vala; aqui os vermes e os ratos roerão toda a tua carne e não restará de ti senão um bocado de pó fedorento e alguns ossos carcomidos. Abra uma fossa e veja o que restou daquele ricaço, daquele avarento, daquela mulher vã! Assim acaba a vida. Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te porão face a face com todos os teus pecados, desde quando eras criança. Pois bem, saiba que o demônio para induzir-te a pecar, cobre e perdoa a culpa; te diz que aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor, nada têm de mal; que aquela conversa nada teve de malévolo... Mas na hora da morte te fará conhecer a gravidade de teu pecado e, a luz daquela eternidade para a qual hás de passar, conhecerás o mal que fizestes para ofender um Deus infinito... Vamos pois, remedia em tempo, agora que o podes, porquanto, então, não haverás mais tempo.
Considera como a morte é um momento do qual a eternidade depende. Jaz o homem perto de morrer e, por conseguinte, vizinho a uma das duas eternidades; do último suspiro depende a sorte de estar a alma a salvo ou danada para sempre, momento do qual depende uma eternidade; uma eternidade de glórias ou de penas. Uma eternidade sempre feliz ou infeliz: ou de contentamentos ou de angústias e ansiedade. Uma eternidade gozando de todo o bem ou padecendo de todo o mal. Um paraíso ou um inferno, pela eternidade. Se naquele momento te salvares, não terás mais problemas, viverás contente e beato; mas se perdes a oportunidade serás feliz e desesperado enquanto que Deus será sempre Deus. Na morte conhecerás o que significa paraíso, inferno, pecado, ofender a Deus, lei de Deus desprezada, pecados sem confissão, coisas a restituir. “Mísero de mim!” dirá o moribundo. “Daqui a poucos momentos comparecerei perante o Senhor e sabe-se lá qual será minha sentença. Para onde irei, para o Paraíso ou para o inferno? Gozar entre os anjos ou arder entre os condenados? Serei, eu, um filho de Deus ou um escravo do demônio? Em poucos minutos sabê-lo-ei e, ai de mim, onde alojarei da primeira vez, ali ficarei em eterno. Ah...Daqui a algumas horas, alguns minutos, o que será de mim? O que acontecerá comigo se não ressarcir aquele dano, se não restituir aquilo que não é meu, se não restituir a fama a quem a fez perder, se, de coração, não perdoar ao meu inimigo, se não me confessar bem?” Então detestarás mil vezes aquele dia em que pecaste, aquele gosto, aquela vingança... O arrependimento será tardio e sem frutos porquanto vindo do temor do castigo e não do amor a Deus”. Ah Senhor, deste momento converto-me a Vós, não quero esperar a morte; eis que, agora, eu Vos amo, vos abraço e quero morrer abraçado a Vós. Maria minha mãe, fazei-me morrer sob Vosso manto, ajudai-me!
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para Quarta-feira:
Sobre a Morte
Considera como esta vida há de acabar. A sentença proferida: você tem que morrer. A morte é certa, mas não se sabe em que momento virá. O que se requer para morrer? Uma parada do coração, o rompimento de uma veia no peito, uma sufocação por catarro, um bocado de algo na garganta a mordedura de um animal venenoso, uma febre, uma picada, uma chaga, uma inundação, um terremoto, um relâmpago, bastam para tirar-te a vida. A morte te assaltará quando menos pensares. Quantos, à noite, puseram-se a dormir e de manhã, foram encontrados mortos. E então, isso pode ocorrer contigo também. Tantos dos que morreram de repente não pensavam em morrer assim; mas assim morreram e, se morreram em pecado, aonde estão agora? E onde estarão por toda a eternidade? Mas, de qualquer maneira haverá de chegar o dia em que verás o anoitecer mas não o amanhecer ou far-se-á dia mas a noite não verás”. Virei às escondidas, como a um ladrão à noite” diz Nosso Senhor (Mt 24,46-44). Isto foi, avisado pelo teu bom Senhor, pois que ama tua saúde espiritual.
Correspondas a Deus, aproveite de seu aviso, prepara-te a bem morrer, antes que a morte chegue: “Estote parati” (Lc 12,40). É certo que tens de morrer. Acabara tua cena no palco da vida e não sabes quando. Quem sabe se em um ano, um mês, ou até mesmo amanhã. “Meu Jesus, dai-me Luz e perdoa-me”.
Considera que na hora da morte estarás estendido em teu leito, assistido por um sacerdote que te lembrará de tua alma, com teus parentes, ao lado de ti, chorando... Com um crucifixo na cabeceira e uma vela aos pés, já próximo de passares para a eternidade... Tu sentirás a cabeça doendo, a visão turva, a língua seca, as mandíbulas fechadas, o peito pesado, o sangue gelado, a carne consumida, o coração trespassado: Deixarás tudo para trás e pobre, e nu, serás jogado numa vala; aqui os vermes e os ratos roerão toda a tua carne e não restará de ti senão um bocado de pó fedorento e alguns ossos carcomidos. Abra uma fossa e veja o que restou daquele ricaço, daquele avarento, daquela mulher vã! Assim acaba a vida. Na hora da morte ver-te-ás rodeado de demônios que te porão face a face com todos os teus pecados, desde quando eras criança. Pois bem, saiba que o demônio para induzir-te a pecar, cobre e perdoa a culpa; te diz que aquela vaidade, aquele prazer, aquele rancor, nada têm de mal; que aquela conversa nada teve de malévolo... Mas na hora da morte te fará conhecer a gravidade de teu pecado e, a luz daquela eternidade para a qual hás de passar, conhecerás o mal que fizestes para ofender um Deus infinito... Vamos pois, remedia em tempo, agora que o podes, porquanto, então, não haverás mais tempo.
Considera como a morte é um momento do qual a eternidade depende. Jaz o homem perto de morrer e, por conseguinte, vizinho a uma das duas eternidades; do último suspiro depende a sorte de estar a alma a salvo ou danada para sempre, momento do qual depende uma eternidade; uma eternidade de glórias ou de penas. Uma eternidade sempre feliz ou infeliz: ou de contentamentos ou de angústias e ansiedade. Uma eternidade gozando de todo o bem ou padecendo de todo o mal. Um paraíso ou um inferno, pela eternidade. Se naquele momento te salvares, não terás mais problemas, viverás contente e beato; mas se perdes a oportunidade serás feliz e desesperado enquanto que Deus será sempre Deus. Na morte conhecerás o que significa paraíso, inferno, pecado, ofender a Deus, lei de Deus desprezada, pecados sem confissão, coisas a restituir. “Mísero de mim!” dirá o moribundo. “Daqui a poucos momentos comparecerei perante o Senhor e sabe-se lá qual será minha sentença. Para onde irei, para o Paraíso ou para o inferno? Gozar entre os anjos ou arder entre os condenados? Serei, eu, um filho de Deus ou um escravo do demônio? Em poucos minutos sabê-lo-ei e, ai de mim, onde alojarei da primeira vez, ali ficarei em eterno. Ah...Daqui a algumas horas, alguns minutos, o que será de mim? O que acontecerá comigo se não ressarcir aquele dano, se não restituir aquilo que não é meu, se não restituir a fama a quem a fez perder, se, de coração, não perdoar ao meu inimigo, se não me confessar bem?” Então detestarás mil vezes aquele dia em que pecaste, aquele gosto, aquela vingança... O arrependimento será tardio e sem frutos porquanto vindo do temor do castigo e não do amor a Deus”. Ah Senhor, deste momento converto-me a Vós, não quero esperar a morte; eis que, agora, eu Vos amo, vos abraço e quero morrer abraçado a Vós. Maria minha mãe, fazei-me morrer sob Vosso manto, ajudai-me!
8 de novembro de 2011
Máximas Eternas
Meditações para cada dia da semana
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para terça-feira
Sobre o pecado mortal
Considera como tu, criado por Deus para amá-Lo, te rebelaste contra Ele com ingratidão infernal; trataste-o como inimigo, desprezas-te sua graça, a sua amizade. Quem peca o que faz? Dá de costas a Deus, perde o respeito para com Ele, levanta a mão para dar-Lhe uma bofetada, põe aflito o coração de Deus: “Et afflixerunt Spiritum Sanctum eius” (Is 63). Quem peca diz a Deus: “Vá para longe de mim, não quero obedecer-Te, não, não quero servir, não quero reconhecer-Te como meu Senhor: Não Te quero como Deus, o meu Deus é o prazer, o interesse, a vingança”. Assim você falou em teu coração quando preferindo a criatura no lugar de Deus. Santa Maria dos Loucos não podia acreditar que um cristão pudesse, de olhos abertos, cometer um pecado mortal: E você que está lendo, o que diz? Quantos pecados mortais você cometeu? “Deus meu, perdoa-me, tenha piedade de mim. Te ofendi, bondade infinita: odeio os meu pecados e me arrependo de, erradamente, ter-te ofendido, ó meu Deus digno de infinito amor”.
Considera o que te dizia Deus quando pecavas: Filho, eu sou o teu Deus, que do nada te criou e te recomprou com o meu sangue; proíbo-te pecares sob pena de tua desgraça. Mas você, pecando, disse a Deus: “Não quero obedecer-te, quero ter este prazer e não importa o quanto Te doa e que eu fique sem tua graça”. “Dixisti, non serviam”. “Ah! meu Deus...E dizer que várias vezes fiz isso... Como pudeste me suportar? Ó tivesse eu morrido antes de ofender-Vos... Não quero mais magoar-Vos: Quero amar-Vos, Bondade infinita! Dá-nos a perseverança; dá-nos o Teu Santo Amor”.
Considera que Deus abandona o pecador quando o número de pecados chega a certo ponto: “Dominus Patienter Exspectat, ut cum iudicii dies advenerit in plenitudine peccatorum puniat (II Mac 6,14)”. Então, irmão meu, se de novo tiver gana de pecar não digas mais: “Depois hei de confessar-me!” E se Deus, neste mesmo instante, tira tua vida? E se Deus te abandona? O que será de ti por toda a eternidade? Muitos perderam-se desta maneira. No entanto, esses muitos, esperavam o perdão mas aí chegou a morte e então condenaram-se. Teme, e treme, que o mesmo não suceda a ti. Não é digno de misericórdia quem quer servir-se da bondade de Deus para ofendê-Lo. Depois de perdoar tantos pecados mortais que você cometeu, é justo temer a falta de perdão ao cometer mais um pecado mortal. Dê graças por Ele ter esperado você até agora. De hoje em diante diga sempre: “Senhor, Já basta o tanto que Vos ofendi; o restante de minha vida quero gastá-Lo amando-Vos e a chorar pelas ofensas que Vos dirigi. Arrependo-me de todo o coração. Meu Jesus, quero amar-Vos, dai-me forças. Maria, minha Mãe, ajudai-me. Amém”.
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para terça-feira
Sobre o pecado mortal
Considera como tu, criado por Deus para amá-Lo, te rebelaste contra Ele com ingratidão infernal; trataste-o como inimigo, desprezas-te sua graça, a sua amizade. Quem peca o que faz? Dá de costas a Deus, perde o respeito para com Ele, levanta a mão para dar-Lhe uma bofetada, põe aflito o coração de Deus: “Et afflixerunt Spiritum Sanctum eius” (Is 63). Quem peca diz a Deus: “Vá para longe de mim, não quero obedecer-Te, não, não quero servir, não quero reconhecer-Te como meu Senhor: Não Te quero como Deus, o meu Deus é o prazer, o interesse, a vingança”. Assim você falou em teu coração quando preferindo a criatura no lugar de Deus. Santa Maria dos Loucos não podia acreditar que um cristão pudesse, de olhos abertos, cometer um pecado mortal: E você que está lendo, o que diz? Quantos pecados mortais você cometeu? “Deus meu, perdoa-me, tenha piedade de mim. Te ofendi, bondade infinita: odeio os meu pecados e me arrependo de, erradamente, ter-te ofendido, ó meu Deus digno de infinito amor”.
Considera o que te dizia Deus quando pecavas: Filho, eu sou o teu Deus, que do nada te criou e te recomprou com o meu sangue; proíbo-te pecares sob pena de tua desgraça. Mas você, pecando, disse a Deus: “Não quero obedecer-te, quero ter este prazer e não importa o quanto Te doa e que eu fique sem tua graça”. “Dixisti, non serviam”. “Ah! meu Deus...E dizer que várias vezes fiz isso... Como pudeste me suportar? Ó tivesse eu morrido antes de ofender-Vos... Não quero mais magoar-Vos: Quero amar-Vos, Bondade infinita! Dá-nos a perseverança; dá-nos o Teu Santo Amor”.
Considera que Deus abandona o pecador quando o número de pecados chega a certo ponto: “Dominus Patienter Exspectat, ut cum iudicii dies advenerit in plenitudine peccatorum puniat (II Mac 6,14)”. Então, irmão meu, se de novo tiver gana de pecar não digas mais: “Depois hei de confessar-me!” E se Deus, neste mesmo instante, tira tua vida? E se Deus te abandona? O que será de ti por toda a eternidade? Muitos perderam-se desta maneira. No entanto, esses muitos, esperavam o perdão mas aí chegou a morte e então condenaram-se. Teme, e treme, que o mesmo não suceda a ti. Não é digno de misericórdia quem quer servir-se da bondade de Deus para ofendê-Lo. Depois de perdoar tantos pecados mortais que você cometeu, é justo temer a falta de perdão ao cometer mais um pecado mortal. Dê graças por Ele ter esperado você até agora. De hoje em diante diga sempre: “Senhor, Já basta o tanto que Vos ofendi; o restante de minha vida quero gastá-Lo amando-Vos e a chorar pelas ofensas que Vos dirigi. Arrependo-me de todo o coração. Meu Jesus, quero amar-Vos, dai-me forças. Maria, minha Mãe, ajudai-me. Amém”.
7 de novembro de 2011
Máximas Eternas
Meditações para cada dia da semana
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para segunda-feira:
Sobre a Importância do fim último
Considera, homem, o quão importante é o conseguires alcançar tua meta final: importa tudo; porque se o consegues e te salvas, serás para sempre Santo e gozarás de corpo e alma de todos os bens: mas se não o consegues, perderas alma e corpo, paraíso e Deus: serás eternamente mísero, serás para sempre condenado. Então este é o negócio de todos os negócios, o único importante, o único necessário: o servir a Deus e salvar-se a alma. Então não diga: Irei satisfazer-me e depois me darei a Deus e espero salvar-me. Esta falsa esperança quantos não mandou para o inferno, os quais assim diziam e agora são condenados, e não existe remédio para eles! Qual o condenado, que queria realmente condenar-se? Mas Deus amaldiçoa quem peca com esperança no perdão: “Maledictus homo qui peccat in spe”. Tu dizes: Quero fazer este pecado, e depois me confessarei. E quem sabe tu terás este tempo? Quem te dá a certeza de que não morrerás logo após o pecado? Entrementes perdes a graça de Deus. E se não a achas mais? Deus é misericordioso para quem o teme e não para quem o despreza: “Et misericordia eius timentibus eum” (Lc I). Não digas mais que dois ou três pecados dão no mesmo: Não, porque Deus perdoar-te-á dois pecados, mas não três. Deus suporta, mas não para sempre: “In plenitudine peccatorum puniat” (II Mc 5). Quando cheia está a medida Deus não perdoa mais; ou castiga com a morte ou com o abandono do pecador, de maneira que, de pecado em pecado, acabará no inferno, castigo este pior do que a morte. Atenção irmão a isto que agora lês. Acabe com isso, doa-te a Deus. Pense que este é o último aviso que te manda Deus. Basta o quanto já o ofendeste. Basta o tanto que Ele te suportou. Fica trêmulo ao pensar que ao cometer mais um pecado Deus não mais te perdoará. Presta atenção: Trata-se da alma e da eternidade. A quantos este pensamento levou para o deserto, para os conventos, para as grutas. Pobre de mim que estou repleto de pecados! Com o coração aflito, a alma pesada, o inferno adquirido, Deus perdido. Ah! Deus meu e Pai meu, ata-me em teu amor”.
Considera como este negócio é de todos o mais descurado. Em tudo pensamos, na salvação nunca. Para tudo achamos tempo, menos para Deus. Fale-se a um mundano para que freqüente os sacramentos, que por meia hora ao dia faça orações, responderá: Tenho filhos, netos, posses, tenho mais o que fazer... Ó Deus, e tu não tens alma? chama teus filhos e netos, eles te tirarão do inferno, terão este poder? Você não pode por de acordo Deus e o mundo, paraíso e pecado. A salvação não é negócio que possa ser tratado levianamente; é preciso usar de violência contra si mesmo, é preciso coragem se queres ganhar a coroa imortal. Quantos cristãos se vangloriavam de poder postergar o serviço devido a Deus, e mesmo assim, salvarem-se... Agora estão no inferno!Que rematada loucura, pensar no que logo passa, e tão pouco pensar no que jamais terá fim! Ah cristão, pensa no que já fizeste! Pensa que em breve desalojarás desta terra e irás para a casa da eternidade! Pobre de ti se fores condenado! Não terás mais a chance de remediar.
Considera o que vem a seguir e diga: “Tenho uma alma, se a perder perdi tudo: Tenho uma alma, se em troca dela obtiver um mundo de que me servirá? Se me torno um grande homem e perco a minha alma o que me ajuda? Se acumulo riquezas, se aumento o tamanho de minha casa, se faço crescer os meus filhos, nada lhes faltando, se perder a minha alma do que me valerá tudo isso? A que valeram as riquezas, as grandezas, os prazeres, as vaidades a tantos que viveram no mundo e que agora são pó numa fossa e já confinados no inferno? Então, se a alma é minha, se tenho uma alma e a perder, perdê-la-ei para todo o sempre, devo pensar na minha salvação”. Este ponto é muito importante. Trata-se de sermos para sempre felizes ou para sempre infelizes. “Ó meu Deus, confesso e envergonho-me de, até agora, ter vivido como cego, ter ido para tão longe de Ti e de não ter pensado em salvar esta única, minha alma. Salvai-me, ó Pai, por Jesus Cristo: Alegro-me em tudo perder contanto que não vos perca, meu Deus.
-Maria, esperança minha, salvai-me com vossa intercessão”.
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para segunda-feira:
Sobre a Importância do fim último
Considera, homem, o quão importante é o conseguires alcançar tua meta final: importa tudo; porque se o consegues e te salvas, serás para sempre Santo e gozarás de corpo e alma de todos os bens: mas se não o consegues, perderas alma e corpo, paraíso e Deus: serás eternamente mísero, serás para sempre condenado. Então este é o negócio de todos os negócios, o único importante, o único necessário: o servir a Deus e salvar-se a alma. Então não diga: Irei satisfazer-me e depois me darei a Deus e espero salvar-me. Esta falsa esperança quantos não mandou para o inferno, os quais assim diziam e agora são condenados, e não existe remédio para eles! Qual o condenado, que queria realmente condenar-se? Mas Deus amaldiçoa quem peca com esperança no perdão: “Maledictus homo qui peccat in spe”. Tu dizes: Quero fazer este pecado, e depois me confessarei. E quem sabe tu terás este tempo? Quem te dá a certeza de que não morrerás logo após o pecado? Entrementes perdes a graça de Deus. E se não a achas mais? Deus é misericordioso para quem o teme e não para quem o despreza: “Et misericordia eius timentibus eum” (Lc I). Não digas mais que dois ou três pecados dão no mesmo: Não, porque Deus perdoar-te-á dois pecados, mas não três. Deus suporta, mas não para sempre: “In plenitudine peccatorum puniat” (II Mc 5). Quando cheia está a medida Deus não perdoa mais; ou castiga com a morte ou com o abandono do pecador, de maneira que, de pecado em pecado, acabará no inferno, castigo este pior do que a morte. Atenção irmão a isto que agora lês. Acabe com isso, doa-te a Deus. Pense que este é o último aviso que te manda Deus. Basta o quanto já o ofendeste. Basta o tanto que Ele te suportou. Fica trêmulo ao pensar que ao cometer mais um pecado Deus não mais te perdoará. Presta atenção: Trata-se da alma e da eternidade. A quantos este pensamento levou para o deserto, para os conventos, para as grutas. Pobre de mim que estou repleto de pecados! Com o coração aflito, a alma pesada, o inferno adquirido, Deus perdido. Ah! Deus meu e Pai meu, ata-me em teu amor”.
Considera como este negócio é de todos o mais descurado. Em tudo pensamos, na salvação nunca. Para tudo achamos tempo, menos para Deus. Fale-se a um mundano para que freqüente os sacramentos, que por meia hora ao dia faça orações, responderá: Tenho filhos, netos, posses, tenho mais o que fazer... Ó Deus, e tu não tens alma? chama teus filhos e netos, eles te tirarão do inferno, terão este poder? Você não pode por de acordo Deus e o mundo, paraíso e pecado. A salvação não é negócio que possa ser tratado levianamente; é preciso usar de violência contra si mesmo, é preciso coragem se queres ganhar a coroa imortal. Quantos cristãos se vangloriavam de poder postergar o serviço devido a Deus, e mesmo assim, salvarem-se... Agora estão no inferno!Que rematada loucura, pensar no que logo passa, e tão pouco pensar no que jamais terá fim! Ah cristão, pensa no que já fizeste! Pensa que em breve desalojarás desta terra e irás para a casa da eternidade! Pobre de ti se fores condenado! Não terás mais a chance de remediar.
Considera o que vem a seguir e diga: “Tenho uma alma, se a perder perdi tudo: Tenho uma alma, se em troca dela obtiver um mundo de que me servirá? Se me torno um grande homem e perco a minha alma o que me ajuda? Se acumulo riquezas, se aumento o tamanho de minha casa, se faço crescer os meus filhos, nada lhes faltando, se perder a minha alma do que me valerá tudo isso? A que valeram as riquezas, as grandezas, os prazeres, as vaidades a tantos que viveram no mundo e que agora são pó numa fossa e já confinados no inferno? Então, se a alma é minha, se tenho uma alma e a perder, perdê-la-ei para todo o sempre, devo pensar na minha salvação”. Este ponto é muito importante. Trata-se de sermos para sempre felizes ou para sempre infelizes. “Ó meu Deus, confesso e envergonho-me de, até agora, ter vivido como cego, ter ido para tão longe de Ti e de não ter pensado em salvar esta única, minha alma. Salvai-me, ó Pai, por Jesus Cristo: Alegro-me em tudo perder contanto que não vos perca, meu Deus.
-Maria, esperança minha, salvai-me com vossa intercessão”.
6 de novembro de 2011
Máximas Eternas
Meditações para cada dia da semana
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para o Domingo
Sobre a Finalidade do Homem
Considera, ó alma, que teu ser foi dado por Deus, que te criou à sua imagem, sem teres mérito algum. Adotou-te como filho através do batismo, amou-te mais que um Pai, criando-te para que o amasses e o servisses nesta vida para gozá-Lo, depois, no Paraíso. Não nasceste, pois, nem deves viver para te satisfazeres, para tornar-te rico e poderoso, para comer, para beber e dormir, como fazem os pagãos, mas somente para amar teu Deus e para que te salves eternamente. As coisas criadas foram-te dadas para que te ajudassem a alcançar o grande fim. “Ai de mim, infeliz, que em tudo pensei, menos no meu fim! Pai meu, por amor de Jesus, fazei que eu comece uma vida nova, toda ela santa e em conformidade com a Vossa vontade divina”.
Considera quais terríveis remorsos, pois, sentirás na hora da morte, se agora não te aplicares em servir a Deus. Que pesar quando, no termo da vida, perceberes que não te resta senão um punhado de moscas de todas as tuas riquezas, grandezas, glórias e prazeres! Ficaras atônito ao ver como, por vaidade e ninharias, perdeste tua alma e a graça de Deus, sem que possas refazer o mal feito; nem terás tempo para tomar o bom caminho. Ó desespero! Ó tormento! Verás então o quanto vale o tempo, mas será tarde. Gostarias de comprá-lo com teu sangue, mas não poderás.
Ó dia amargo para quem não serviu nem amou a Deus.
Considera o quanto se descura este grande fim. Pensa-se em acumular riquezas, em banquetear-se, em festejar, em viver à toa: E não se serve a Deus, e não se pensa na salvação da alma e o fim eterno. Estima-se com nada. E assim, a maior parte dos cristãos, banqueteando, cantando, tocando, vão para o inferno. Ah! se eles soubessem o que significa o inferno! Ó homem, te fadigas tanto para condenar-te e nada queres fazer para salvar-te... Enquanto morria, um secretário de Francisco, Rei da Inglaterra, dizia “Misero de mim! Gastei tanto papel escrevendo cartas para meu príncipe e não gastei nem uma folha para lembrar-me de meus pecados e fazer, assim, uma boa confissão!” Filipe II, Rei da Espanha dizia ao morrer: “Oh, tivesse eu ido ao deserto servir a Deus e jamais tivesse sido Rei!” Mas para que servem estes suspiros, estes lamentos? Servem para aumentar o desespero. Aprende, à custa de outros, a viver, se não queres cair no mesmo desespero. Fora do gosto de Deus, tudo está perdido. Vamos logo, é tempo de mudar de vida. Queres esperar a morte chegar? Às portas da eternidade, sobre a boca do inferno, quando não mais existe a chance de emendar o erro? “Deus meu perdoa-me. Eu te amo acima de tudo. Arrependo-me de ofender-vos”.
“Maria, esperança minha, roga a Jesus por mim”.
Por Santo Afonso Maria de Ligório
Tradução do Italiano para o Português de Pier Giorgio Citeroni
Atos de preparação às meditações
1. Alma minha reaviva tua Fé, porquanto te achas diante de teu Deus. Adora-O profundamente.
2. Humilha-te aos pés de Deus e peça-Lhe, do fundo do coração, perdão.
3. Procura Luz em Deus por amor de Jesus Cristo. Recomenda-te a Maria Santíssima e aos Santos com uma Ave-Maria, Glória ao Pai, etc.
Meditação para o Domingo
Sobre a Finalidade do Homem
Considera, ó alma, que teu ser foi dado por Deus, que te criou à sua imagem, sem teres mérito algum. Adotou-te como filho através do batismo, amou-te mais que um Pai, criando-te para que o amasses e o servisses nesta vida para gozá-Lo, depois, no Paraíso. Não nasceste, pois, nem deves viver para te satisfazeres, para tornar-te rico e poderoso, para comer, para beber e dormir, como fazem os pagãos, mas somente para amar teu Deus e para que te salves eternamente. As coisas criadas foram-te dadas para que te ajudassem a alcançar o grande fim. “Ai de mim, infeliz, que em tudo pensei, menos no meu fim! Pai meu, por amor de Jesus, fazei que eu comece uma vida nova, toda ela santa e em conformidade com a Vossa vontade divina”.
Considera quais terríveis remorsos, pois, sentirás na hora da morte, se agora não te aplicares em servir a Deus. Que pesar quando, no termo da vida, perceberes que não te resta senão um punhado de moscas de todas as tuas riquezas, grandezas, glórias e prazeres! Ficaras atônito ao ver como, por vaidade e ninharias, perdeste tua alma e a graça de Deus, sem que possas refazer o mal feito; nem terás tempo para tomar o bom caminho. Ó desespero! Ó tormento! Verás então o quanto vale o tempo, mas será tarde. Gostarias de comprá-lo com teu sangue, mas não poderás.
Ó dia amargo para quem não serviu nem amou a Deus.
Considera o quanto se descura este grande fim. Pensa-se em acumular riquezas, em banquetear-se, em festejar, em viver à toa: E não se serve a Deus, e não se pensa na salvação da alma e o fim eterno. Estima-se com nada. E assim, a maior parte dos cristãos, banqueteando, cantando, tocando, vão para o inferno. Ah! se eles soubessem o que significa o inferno! Ó homem, te fadigas tanto para condenar-te e nada queres fazer para salvar-te... Enquanto morria, um secretário de Francisco, Rei da Inglaterra, dizia “Misero de mim! Gastei tanto papel escrevendo cartas para meu príncipe e não gastei nem uma folha para lembrar-me de meus pecados e fazer, assim, uma boa confissão!” Filipe II, Rei da Espanha dizia ao morrer: “Oh, tivesse eu ido ao deserto servir a Deus e jamais tivesse sido Rei!” Mas para que servem estes suspiros, estes lamentos? Servem para aumentar o desespero. Aprende, à custa de outros, a viver, se não queres cair no mesmo desespero. Fora do gosto de Deus, tudo está perdido. Vamos logo, é tempo de mudar de vida. Queres esperar a morte chegar? Às portas da eternidade, sobre a boca do inferno, quando não mais existe a chance de emendar o erro? “Deus meu perdoa-me. Eu te amo acima de tudo. Arrependo-me de ofender-vos”.
“Maria, esperança minha, roga a Jesus por mim”.
VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES
Os Bispos na Igreja
A lição moral do Evangelho de hoje é o perdão das ofensas; a lição apologética é a organização que existe na execução das ordens do rei.
Vemos na narração a perfeita organização da hierarquia deste rei: ele tem os seus auxiliares, os administradores de seus bens, a sua justiça, os executores desta justiça.
Na Igreja encontramos a hierarquia mais bem organizada, mais completa e mais eficiente que se possa imaginar.
O Papa é o Chefe Supremo; porém ele não fica só, nem isolado. Como poderia ele alcançar todas as almas e todas as extremidades do espaço?
Ao lado do Papado, Jesus Cristo colocou o Episcopado; como a seu lado havia colocado Pedro como Chefe e os outros Apóstolos como auxiliares deste chefe.
O Episcopado é, pois, uma instituição divina, instituição necessária para o completo funcionamento da hierarquia: O Papa, os Bispos, os Sacerdotes e os fiéis.
Vamos estudar hoje esta questão interessante, vendo o que são:
1o. Os Bispos na Igreja;
2o. Os Bispos em sua Diocese.
Veremos deste modo a dupla ligação do Episcopado: em cima com o Papa; embaixo com os Sacerdotes e os fiéis.
Vemos na narração a perfeita organização da hierarquia deste rei: ele tem os seus auxiliares, os administradores de seus bens, a sua justiça, os executores desta justiça.
Na Igreja encontramos a hierarquia mais bem organizada, mais completa e mais eficiente que se possa imaginar.
O Papa é o Chefe Supremo; porém ele não fica só, nem isolado. Como poderia ele alcançar todas as almas e todas as extremidades do espaço?
Ao lado do Papado, Jesus Cristo colocou o Episcopado; como a seu lado havia colocado Pedro como Chefe e os outros Apóstolos como auxiliares deste chefe.
O Episcopado é, pois, uma instituição divina, instituição necessária para o completo funcionamento da hierarquia: O Papa, os Bispos, os Sacerdotes e os fiéis.
Vamos estudar hoje esta questão interessante, vendo o que são:
1o. Os Bispos na Igreja;
2o. Os Bispos em sua Diocese.
Veremos deste modo a dupla ligação do Episcopado: em cima com o Papa; embaixo com os Sacerdotes e os fiéis.
I. Os Bispos na Igreja
Há dois modos de contemplar a ação dos Bispos: de um lado, enquanto são inseparáveis do Papa; de outro lado enquanto são indispensáveis ao povo cristão.
Jesus Cristo os institui ao mesmo tempo que o Papa, ficando subordinados à autoridade deste último.
Depois de ter dito a Pedro: Sobre ti edificarei a minha Igreja, disse aos Apóstolos: Ide, ensinai todas as nações.
É pelo Papa que Jesus Cristo começa a sua Igreja e é pelos Bispos que Ele a faz irradiar através do mundo.
Havia Ele dito a Pedro: Tudo o que ligardes na terra, será ligado no céu; e aos Apóstolos Ele diz também: Tudo o que ligardes será ligado.
São as mesmas palavras, porém ditas primeiramente a Pedro só, separado dos Apóstolos; depois aos Apóstolos unidos a Pedro.
Entre o Papa e os Apóstolos, a união é indissolúvel, assim o quis o divino Mestre.
De fato, há 19 séculos que vemos os Bispos associados ao chefe Supremo da Igreja, como colaboradores obrigados, divinamente instituídos e sempre respeitados.
O Papado, longe de eliminar o Episcopado, afirma-lhe solenemente a sua autoridade e os seus direitos, chamando-o em seu auxílio no governo das almas, especialmente pelos Concílios.
Os Bispos são inseparáveis do Papa.
Pouco importa a distância. Perdido numa choupana dos Montes Rochosos, ou nas sombrias florestas da Nigéria... gelado sob a camada de uma neve perpétua, ou queimado pelos ardores do sol, nos desertos Africanos, o Bispo-Missionário, o Vigário Apostólico, vira o seu olhar moribundo para Roma e separado do resto do mundo ele permanece em comunhão de fé, de caridade e de vida com o Pontífice Romano.
É desta união com Roma que lhes vem a força, a abnegação, o zelo incansável, unidos ao Papa os bispos são invencíveis.
Os Bispos são também indispensáveis ao povo cristão.
São eles que, ligando à sua sede a mais humilde paróquia, a fazem entrar na órbita maravilhosa da Igreja Católica.
Povos sem sacerdotes são povos sem religião, porém, fora dos Bispos, que são os sacerdotes senão estrelas errantes?
Se se suprimisse o Episcopado, o povo cristão não passaria mais de um rebanho sem pastor. Temos uma prova sensível disso na Igreja do Oriente.
Os Bispos orientais, em séculos passados, separaram-se do Pontífice Romano e nesta separação perderam a luz e o calor do Evangelho e não possuindo mais a vida tornaram-se incapazes de comunicá-la a seus povos.
Às pulsações poderosas da vida Cristã sucedeu a atonia da morte... Eis porque o Oriente, hoje em dia, não é mais senão um simulacro de povo, uma espécie de múmia vacilante que a diplomacia enrola com tiras até que uma nação civilizada se apodere dela.
São os Bispos que salvam a fé dos povos. Eles ocupam na Igreja um lugar essencial: são inseparáveis do Papa e indispensáveis ao povo Cristão.
Jesus Cristo os institui ao mesmo tempo que o Papa, ficando subordinados à autoridade deste último.
Depois de ter dito a Pedro: Sobre ti edificarei a minha Igreja, disse aos Apóstolos: Ide, ensinai todas as nações.
É pelo Papa que Jesus Cristo começa a sua Igreja e é pelos Bispos que Ele a faz irradiar através do mundo.
Havia Ele dito a Pedro: Tudo o que ligardes na terra, será ligado no céu; e aos Apóstolos Ele diz também: Tudo o que ligardes será ligado.
São as mesmas palavras, porém ditas primeiramente a Pedro só, separado dos Apóstolos; depois aos Apóstolos unidos a Pedro.
Entre o Papa e os Apóstolos, a união é indissolúvel, assim o quis o divino Mestre.
De fato, há 19 séculos que vemos os Bispos associados ao chefe Supremo da Igreja, como colaboradores obrigados, divinamente instituídos e sempre respeitados.
O Papado, longe de eliminar o Episcopado, afirma-lhe solenemente a sua autoridade e os seus direitos, chamando-o em seu auxílio no governo das almas, especialmente pelos Concílios.
Os Bispos são inseparáveis do Papa.
Pouco importa a distância. Perdido numa choupana dos Montes Rochosos, ou nas sombrias florestas da Nigéria... gelado sob a camada de uma neve perpétua, ou queimado pelos ardores do sol, nos desertos Africanos, o Bispo-Missionário, o Vigário Apostólico, vira o seu olhar moribundo para Roma e separado do resto do mundo ele permanece em comunhão de fé, de caridade e de vida com o Pontífice Romano.
É desta união com Roma que lhes vem a força, a abnegação, o zelo incansável, unidos ao Papa os bispos são invencíveis.
Os Bispos são também indispensáveis ao povo cristão.
São eles que, ligando à sua sede a mais humilde paróquia, a fazem entrar na órbita maravilhosa da Igreja Católica.
Povos sem sacerdotes são povos sem religião, porém, fora dos Bispos, que são os sacerdotes senão estrelas errantes?
Se se suprimisse o Episcopado, o povo cristão não passaria mais de um rebanho sem pastor. Temos uma prova sensível disso na Igreja do Oriente.
Os Bispos orientais, em séculos passados, separaram-se do Pontífice Romano e nesta separação perderam a luz e o calor do Evangelho e não possuindo mais a vida tornaram-se incapazes de comunicá-la a seus povos.
Às pulsações poderosas da vida Cristã sucedeu a atonia da morte... Eis porque o Oriente, hoje em dia, não é mais senão um simulacro de povo, uma espécie de múmia vacilante que a diplomacia enrola com tiras até que uma nação civilizada se apodere dela.
São os Bispos que salvam a fé dos povos. Eles ocupam na Igreja um lugar essencial: são inseparáveis do Papa e indispensáveis ao povo Cristão.
II. Os Bispos em sua Diocese
O Bispo é Pontífice e como tal entretém e dirige o culto público, dando a Deus sacerdotes pelo Sacramento da Ordem, a Jesus Cristo, soldados, pela Confirmação, à religião, a dignidade o esplendor das grandes cerimônias litúrgicas.
O bispo é Doutor, e como tal propõe a seu povo as verdades evangélicas, condena as opiniões contrárias à fé que surgem em sua Diocese.
Não podendo satisfazer por si mesmo as extensas obrigações de seu cargo, é o Bispo que envia os sacerdotes para dirigirem as paróquias e semearem a verdade pela pregação do Evangelho.
O Bispo é Legislador e como tal aplica as leis da Igreja à vicissitudes dos tempos e às necessidades do lugares.
Cabe a ele conformar a sua legislação com a do soberano Pontífice e publicar editos e regulamentos particulares que dirijam os Sacerdotes e os fiéis.
O Bispo é Príncipe. Nenhuma Paróquia pode ser erigida sem o seu consentimento. É ele que designa os sacerdotes para cada paróquia dando-lhes a jurisdição para o exercício do ministério sagrado.
O Bispo é a Atalaia vigilante, que perscruta o horizonte da sua Diocese, descobre o inimigo e lança o primeiro brado de alarme ante a invasão dos lobos devoradores.
A sua fronte é cingida com a mitra de honra, como de um capacete e um estandarte de triunfo nas lutas da fé e da mora, enquanto o seu báculo, como o do pastor, congrega em redor dele as ovelhas fiéis, para conduzi-las ao único aprisco divino.
O Bispo dá a grande prova de sua autoridade, da sua solicitude paternal, na ocasião da visita Pastoral.
Nesta ocasião, ele entra em contato direto com seu povo, visita a aldeia mais pobre e mais afastada, como visita as cidades opulentas. Entra no templo rústico das aldeias cujo mais belo adorno são as virtudes do sacerdote ou vigário e a inocência do rebanho que cerca o altar.
Ora nos degraus do altar e levanta-se, fala aí ao povo reunido redizendo-lhe o que o velho vigário vem dizendo e repetindo há 10, 20 anos e mais anos às vezes.
O Bispo visita o seu povo, consola este povo, mostra-lhe o céu e depois retira-se enquanto a multidão inclina a cabeça para receber a benção de seu Pai e de seu Chefe, que vem visitá-lo em nome do Senhor.
O Bispo faz isso hoje, ele o fará amanhã e o fará até o último suspiro.
Cabe-lhe a nobilitante tarefa de confirmar a fé, de estreitar a união dos povos, de conservá-los no caminho da verdade e da virtude, são eles que fazem os povos: são os Bispos, exclamou um dia Guizot, que fizeram a França, como as abelhas fazem a sua colméia.
São os Bispos que fazem o nosso Brasil forte, unido, brioso, mostrando-lhe o seu futuro e a sua glória.
O bispo é Doutor, e como tal propõe a seu povo as verdades evangélicas, condena as opiniões contrárias à fé que surgem em sua Diocese.
Não podendo satisfazer por si mesmo as extensas obrigações de seu cargo, é o Bispo que envia os sacerdotes para dirigirem as paróquias e semearem a verdade pela pregação do Evangelho.
O Bispo é Legislador e como tal aplica as leis da Igreja à vicissitudes dos tempos e às necessidades do lugares.
Cabe a ele conformar a sua legislação com a do soberano Pontífice e publicar editos e regulamentos particulares que dirijam os Sacerdotes e os fiéis.
O Bispo é Príncipe. Nenhuma Paróquia pode ser erigida sem o seu consentimento. É ele que designa os sacerdotes para cada paróquia dando-lhes a jurisdição para o exercício do ministério sagrado.
O Bispo é a Atalaia vigilante, que perscruta o horizonte da sua Diocese, descobre o inimigo e lança o primeiro brado de alarme ante a invasão dos lobos devoradores.
A sua fronte é cingida com a mitra de honra, como de um capacete e um estandarte de triunfo nas lutas da fé e da mora, enquanto o seu báculo, como o do pastor, congrega em redor dele as ovelhas fiéis, para conduzi-las ao único aprisco divino.
O Bispo dá a grande prova de sua autoridade, da sua solicitude paternal, na ocasião da visita Pastoral.
Nesta ocasião, ele entra em contato direto com seu povo, visita a aldeia mais pobre e mais afastada, como visita as cidades opulentas. Entra no templo rústico das aldeias cujo mais belo adorno são as virtudes do sacerdote ou vigário e a inocência do rebanho que cerca o altar.
Ora nos degraus do altar e levanta-se, fala aí ao povo reunido redizendo-lhe o que o velho vigário vem dizendo e repetindo há 10, 20 anos e mais anos às vezes.
O Bispo visita o seu povo, consola este povo, mostra-lhe o céu e depois retira-se enquanto a multidão inclina a cabeça para receber a benção de seu Pai e de seu Chefe, que vem visitá-lo em nome do Senhor.
O Bispo faz isso hoje, ele o fará amanhã e o fará até o último suspiro.
Cabe-lhe a nobilitante tarefa de confirmar a fé, de estreitar a união dos povos, de conservá-los no caminho da verdade e da virtude, são eles que fazem os povos: são os Bispos, exclamou um dia Guizot, que fizeram a França, como as abelhas fazem a sua colméia.
São os Bispos que fazem o nosso Brasil forte, unido, brioso, mostrando-lhe o seu futuro e a sua glória.
III. Conclusão
Tal é a bela e harmoniosa hierarquia da Igreja. Pedro é o chefe supremo dos Apóstolos. Os Apóstolos unidos a Pedro constituem a parte docente da Igreja divinamente instituída e organizada.
E através dos séculos esta mesma hierarquia sucede-se sem interrupção e sem sombra. Pedro é o Papa. Os Apóstolos são os Bispos. O Papa é o Bispo de Roma: é Apóstolo como os outros; é Bispo como os outros Bispos, mas é mais do que isso.
Como Pedro foi o chefe dos Apóstolos, o Papa é o chefe dos Bispos. É nele que reside a infalibilidade nele só e na corporação dos Bispos unidos a ele.
É no Papa e nos Bispos reunidos ao Papa que reside a infalibilidade da Igreja divina de Cristo.
Sempre haverá o Papa: sempre haverá Bispos na Igreja de Cristo, pois ambos são de instituição divina.
E através dos séculos esta mesma hierarquia sucede-se sem interrupção e sem sombra. Pedro é o Papa. Os Apóstolos são os Bispos. O Papa é o Bispo de Roma: é Apóstolo como os outros; é Bispo como os outros Bispos, mas é mais do que isso.
Como Pedro foi o chefe dos Apóstolos, o Papa é o chefe dos Bispos. É nele que reside a infalibilidade nele só e na corporação dos Bispos unidos a ele.
É no Papa e nos Bispos reunidos ao Papa que reside a infalibilidade da Igreja divina de Cristo.
Sempre haverá o Papa: sempre haverá Bispos na Igreja de Cristo, pois ambos são de instituição divina.
EXEMPLOS
Fidelidade ao Papa
Em 1572 a Polônia foi dominada pelos partidos políticos que iam se sucedendo, devorando-se uns aos outros.
Protegido pelo landgrave de Hesse, um adepto de Lutero, Wolodoroski chegou a dominar o país.
Apenas havia conquistado o país, mandou chamar o velho Bispo de Posen, Dom Zamoviski e lhe disse:
- Excia., sou senhor de Posen e daqui a pouco a Polônia inteira obedecerá a minha vontade. Ora, entendo ser o senhor de tudo e de todos, por isso, não posso tolerar um clero que obedeça a um Chefe que reside em Roma. Rompei os laços que vos prendem ao Papa e sereis o Papa da Polônia, a primeira e suprema autoridade religiosa do país.
- Como? Exclamou o Prelado... Queres que eu rompa os laços que me prendem ao Papa? Isto nunca! A minha razão de existir é ser filho obediente ao Papa, sem ele nada sou; sou o seu delegado para administrar uma parcela da Igreja. Jurei administrar a minha Diocese sob a autoridade do Papa; não quero ser perjuro a meu juramento, ainda que me custe a vida.
Era a sua sentença de morte.
O fanático Wolodoroski mandou chamar o chefe da polícia, deu uma ordem secreta e o Prelado foi levado ao rio Warta, cujas águas estavam geladas.
Os algozes levaram-no até o meio do rio, e um deles, tomando o machado cortou uma abertura no meio do gelo. Abriu-se um abismo debaixo de seus pés, um redemoinho d’água passava turbulento por debaixo da camada de gelo.
O Bispo compreendeu... era o seu túmulo. Prostrou-se de joelhos, recomendou-se a Deus e dando a sua pelissa forrada ao algoz lhe disse: Meu amigo, nada trouxe comigo, aceite esta pelissa, como gratificação de seus serviços, pois o senhor está me abrindo a porta do céu. Para Deus e para o Papa dou a minha vida.
Dom Zamoviski ajoelhou-se à beira da abertura e exclamou: Senhor, em vossas mãos entrego a minha alma.
Um golpe de machado na cabeça fez cair o Prelado na abertura do gelo, o seu corpo desapareceu no redemoinho das águas... os blocos de gelo fecharam a abertura e selaram o túmulo do mártir da fidelidade ao Papa.
Protegido pelo landgrave de Hesse, um adepto de Lutero, Wolodoroski chegou a dominar o país.
Apenas havia conquistado o país, mandou chamar o velho Bispo de Posen, Dom Zamoviski e lhe disse:
- Excia., sou senhor de Posen e daqui a pouco a Polônia inteira obedecerá a minha vontade. Ora, entendo ser o senhor de tudo e de todos, por isso, não posso tolerar um clero que obedeça a um Chefe que reside em Roma. Rompei os laços que vos prendem ao Papa e sereis o Papa da Polônia, a primeira e suprema autoridade religiosa do país.
- Como? Exclamou o Prelado... Queres que eu rompa os laços que me prendem ao Papa? Isto nunca! A minha razão de existir é ser filho obediente ao Papa, sem ele nada sou; sou o seu delegado para administrar uma parcela da Igreja. Jurei administrar a minha Diocese sob a autoridade do Papa; não quero ser perjuro a meu juramento, ainda que me custe a vida.
Era a sua sentença de morte.
O fanático Wolodoroski mandou chamar o chefe da polícia, deu uma ordem secreta e o Prelado foi levado ao rio Warta, cujas águas estavam geladas.
Os algozes levaram-no até o meio do rio, e um deles, tomando o machado cortou uma abertura no meio do gelo. Abriu-se um abismo debaixo de seus pés, um redemoinho d’água passava turbulento por debaixo da camada de gelo.
O Bispo compreendeu... era o seu túmulo. Prostrou-se de joelhos, recomendou-se a Deus e dando a sua pelissa forrada ao algoz lhe disse: Meu amigo, nada trouxe comigo, aceite esta pelissa, como gratificação de seus serviços, pois o senhor está me abrindo a porta do céu. Para Deus e para o Papa dou a minha vida.
Dom Zamoviski ajoelhou-se à beira da abertura e exclamou: Senhor, em vossas mãos entrego a minha alma.
Um golpe de machado na cabeça fez cair o Prelado na abertura do gelo, o seu corpo desapareceu no redemoinho das águas... os blocos de gelo fecharam a abertura e selaram o túmulo do mártir da fidelidade ao Papa.
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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 400 - 407)
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