30 de outubro de 2011

VIGÉSIMO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

Objeções contra o Papa

Não é dado a todos fazer objeções sérias. Mais um homem é ignorante, desprovido de inteligência e de penetração de espírito, mais facilidade terá de fabricar objeções tolas; e todas as objeções são tolas, quando não são grosseiramente ignorantes.

O Evangelho de hoje exalta o espírito de fé... a fé do régulo que lhe mereceu a cura do filho.

Ora, a objeção é uma falta de fé... uma falta de confiança em Deus, e um excesso de fé em seu próprio espírito.

Tais objeções nada poupam, tudo passa pelo crivo da ignorância e da má fé.

Eis porque o protestantismo tem acumulado contra o Papa mil objeções tolas, que provam apenas a sua má fé e a sua supina ignorância no assunto que quer combater.

Examinemos umas duas destas objeções que incluem centenas de outras.

1. A infalibilidade do Papa é uma invenção romana.
2. Houve maus Papas, logo, todos são ruins.

I. É uma invenção romana

Dizer que a infalibilidade do Papa é uma invenção romana, é asseverar que não figura na Bíblia.

Ora, tal infalibilidade está implícita e explicitamente indicada, descrita e aplicada mais de 15 vezes no Evangelho.

Basta saber ler. Não se encontra ali a palavra infalibilidade, pela razão muito simples que o divino Mestre não falava português, mas sim aramaico, hebraico e que nestas línguas a palavra “infalível” tem necessariamente outro termo equivalente em significação, embora diferente na expressão.

Que quer dizer: Não poder faltar? (Lucas, XXII. 32). Não é ser infalível?

Que significa: Ser o fundamento da Igreja infalível? (Math. XVI. 18) Não é ser infalível?

Que exprime a palavra que o erro nunca há de prevalecer contra Pedro? (Math. XVI. 18) Não é ser infalível?

Que é que se entende por: Confirmar os outros na fé? (Luc. XXII. 32) Não é ser infalível?

Que quer dizer Jesus falando a Pedro: Apascenta os meus cordeiros e as minhas ovelhas? (João. XXI. 16) Não é ser infalível?

E assim por diante.

Há no Evangelho inúmeros textos que exprimem textualmente e sob diversos aspectos a infalibilidade do Papa. Basta querer ver... e poder compreender!

Os pobres protestantes podem torcer, desviar e massacrar os textos do Evangelho, a verdade ficará sempre a mesma, e esta verdade, num breve e lúcido silogismo, nos diz:

O Cristo é infalível... infalível deve ser aquele a quem ele transmitir este privilégio. Ora, Jesus Cristo transmitiu este privilégio a Pedro e a seus sucessores. Logo: Pedro e os Papas são infalíveis.

Negar uma destas premissas seria rasgar o texto mais luminoso do Evangelho: Assim como meu Pai me enviou, também eu vos envio a vós... Recebei o Espírito Santo (Joan. XX. 21) – Quem vos escuta a mim escuta. (Luc. X. 16)

O Papa é infalível porque é o sucessor de Pedro infalível.

Esta verdade está em grandes letras no Evangelho.

O Papa é homem, bradam os protestantes, como pode ele ser infalível?

É como se alguém dissesse: O Presidente do Brasil é homem, como pode ele ser Presidente? É presidente porque foi eleito pela nação, e como tal tem nas mãos as rédeas do governo.

O Papa é homem! Perfeitamente! Que queria que ele fosse? Anjo, diabo, animal? São as espécies fora do homem.

Anjo? Mas a terra não é para eles: a pátria dos anjos é o céu.

Diabo? Deus nos livre! A terra não é deles tão pouco, apesar dos muitos representantes e emissários dele que correm neste mundo afora. A pátria deles é o inferno.

Animal? Uma espécie inferior é incapaz de governar uma espécie superior, e penso que os próprios protestantes nem quereriam um cão ou um gato como pastor.

Homem? Sim, deve ser homem, porque deve instruir e guiar homens... deve viver no meio dos homens... deve conhecer os homens a fundo, as suas fraquezas e as suas aspirações íntimas.

O Papa deve ser homem... e homem como os demais homens , pois só há uma espécie de homem. E este homem é infalível.

Sim: como o homem eleito para o cargo presidencial é Presidente sem deixar de ser homem. Ele governa, não como homem, mas como Presidente.

Não é o homem que é Presidente da República: é o homem eleito para este cargo.

Não é o homem que é infalível: mas sim o ofício próprio de um homem escolhido por Deus para governar a sua Igreja infalível.

O Presidente da República não é infalível, porque a nação que ele governa não é infalível.

O Papa é infalível, porque a Igreja que ele governa é infalível.

E porque Deus não o faria infalível?

Aquele que dá uma quase infalibilidade ao gênio, ao artista, para as coisas da terra, porque não daria uma completa infalibilidade ao seu representante, para as coisas do céu?

Devia fazê-lo... Ele o fez.

A sua autoridade soberana assim o quis e o fez, como o nosso bom senso nos diz que assim deve ser.

II. Houve maus Papas

Eu queria que provassem que os houve. Não basta repetir as calúnias inventadas pelos inimigos da religião; temos direito de exigir provas. E estas provas não existem (1)

Mas suponhamos um instante, por conveniência, que tenha havido maus Papas, que provaria isso?

Seria um argumento contra o Papado ou contra a Igreja? Absolutamente não? Seria um argumento em favor; e um argumento de primeiro valor.

Examinando a história da Igreja, notamos que ela vai sempre de progresso em progresso. Sempre ela é combatida, caluniada, perseguida, às vezes banhada no sangue de seus filhos, porém nunca foi e nunca será vencida, nunca abalada, sempre triunfante, quer nos palácios dos imperadores, quer no sangue de seus mártires.

Donde vem este eterno triunfo? Será destes maus Papas, Bispos e Padres? Mas então o milagre seria duplo. Tais elementos deviam dar-lhe a morte, em vez de dar-lhe a vida! Sendo a Igreja combatida por fora, pelos seus inimigos e dilacerada por dentro pelos seus próprios chefes, como pode ela firmar-se e progredir?

Todo reino dividido contra si, será destruído, diz o Mestre divino. (Math. XII. 25)

Como é que a Igreja não perece? É o argumento de um velho professor de História Eclesiástica, que dizia: A Igreja é divina; se não o fosse, há muito tempo que os Bispos e os padres a teriam sepultado.

Ela resistiu e resiste sempre. Logo, ela é divina.

Admitindo, pois, que haja deveras maus Papas, maus Bispos e maus Padres, deve-se concluir que a Igreja combatida deste modo não poderia resistir à investida de tantos inimigos e deveria humanamente sucumbir pelo peso da divisão de dentro e dos ataques de fora.

A sua vitória constante, sem o apoio de seus filhos e de seus chefes e contra as forças coligadas da maçonaria, do protestantismo e do epicurismo, é a prova mais cabal e mais autêntica de sua divindade.

A Igreja é uma sociedade divina, composta de homens e governada por homens, elevados a uma dignidade divina, como o são o Sacerdote, o Episcopado, o Papado. Estes homens são todos chamados à santidade... e deviam ser santos, Deus, porém, não pode tirar-lhes o livre arbítrio, de modo que apesar dos cargos divinos que ocupam, os próprios Papas podem faltar aos divinos preceitos, em outros termos: – não são impecáveis.

A Igreja deixará de ser divina por isso? Absolutamente não! São Predo caiu, negando três vezes o seu divino Mestre, sem deixar por isso de ser o chefe dos Apóstolos, o primeiro Papa.

Se um magistrado deixa de cumprir o seu dever, tornando-se injusto, deixará ele por isso de ser magistrado? Ou deixará a justiça de existir? Se um Médico abusa da medicina, significa isto que a medicina não existe mais?

Deus quis que os seus representantes fossem simples homens e não anjos do céu, para mostrar mais claramente que a Igreja é a obra d’Ele e não dos homens.

As obras divinas dependem de Deus; as obras humanas dependem dos homens. A Igreja é uma obra divino-humana: divina, pela sua fundação e finalidade; humana, pelos seus componentes.

III. Conclusão

Assim caem todas as objeções inventadas contra a Igreja e contra o Papado.

A verdade, entretanto, fica sempre firme; e esta verdade é que o Papa, como sucessor legítimo de Pedro, é o doutor supremo da Igreja. Como tal ele é infalível, como era o próprio Pedro, como o é o Cristo.

A Igreja é infalível na pessoa de seu chefe. Sim, dirá talvez alguém, mas se o Papa estivesse de um lado e a Igreja do outro, que aconteceria?

Suposição absurda! Se numa carroça uma roda fosse para um lado e a outra para outro lado, que aconteceria? Impossível: as duas rodas têm o mesmo eixo.

E se no homem a cabeça quisesse ir para um lado e os pés para o outro, que aconteceria? É impossível; cabeça e pés pertencem ao mesmo corpo e são animados pela mesma alma.

Digamos a mesma coisa do Papa e da Igreja. Eles têm a mesma alma que os anima; são dirigidos pelo mesmo Espírito Santo. É de fé que a cabeça da Igreja, como tal, nunca pode ser separada, nem da Igreja docente, nem da Igreja discente, isto é, nem do Episcopado, nem dos fiéis.

A Igreja e o Papa formam uma única e mesma coisa. Ubi Petrus, ibi Ecclesia, dizia Santo Ambrósio.

Vós sois o corpo de Cristo e membro de seus membros, disse São Paulo. (1. Cor. XII. 27)

O próprio Cristo é a cabeça do corpo da Igreja. (Col. I. 18)

Quem ama a Igreja, deve pois amar o Papa... Quem escuta a Igreja, deve escutar o Papa!

EXEMPLOS

1. Todos de joelhos

Em Abril de 1934 deu o Santo Padre audiência a 70 jornalistas, representantes de quatro mil jornais.

Nunca o Representante de Cristo se mostrará a uma reunião tão variada, pois quanto à raça, tanto havia europeus e americanos, como africanos e asiáticos; quanto à religião, ao lado dos católicos havia protestantes, judeus, maometanos e pagãos.

Reunidos na sala de audiência, ficaram esperando mais de uma hora e discutiram em voz baixa se deviam acompanhar a moda católica de se ajoelhar.

Um protestante, natural de Berlim, não gosta de dobrar os joelhos diante do Pontífice Romano; e então o árabe, inimigo do Cristianismo? E o judeu? E o japonês adorador de Buda?

Ainda não tinham chegado a um acordo, quando entrou um diplomata da corte pontifícia, que os cumprimentou sorrindo e disse: Então meus Senhores, cada um conforme o seu gosto. Era o gesto mais liberal e cavalheiresco possível: que cada um fizesse conforme lhe ditava a sua consciência, sua educação, seu modo de ver.

O Santo Padre entrou e... todos se puseram de joelhos, nenhum ficou de pé.

“E nenhum perdeu com isso uma pérola de seu diadema”, escreveu depois um jornalista protestante que esteve presente.

Admirável grandeza da dignidade papal, que mesmo a esses homens dominou e impôs tão profundo respeito!

2. Uma palavra de Brucker

Brucker é conhecido pelo repentino e o natural com que sabia responder a todas as objeções. Recolhamos mais o fato seguinte a respeito dos Bispos.

A autoridade dos Bispos é grande, mas sempre fica subordinada à do Papa.

Brucker encontrando-se um dia num salão do arrabalde S. Germano, em Paris, houve discussão entre vários presentes sobre a autoridade respectiva do Papa e dos Bispos.

Terminaram concordando que as decisões do Papa, para serem soberanas e irreformáveis, precisavam da adesão, pelo menos tácita, do Episcopado.

Brucker não havia participado da discussão; mas ouvindo a conclusão formulada, tomou a palavra.

- Senhores, disse, estou disposto a admitir a vossa conclusão, porém com a condição de fazerdes uma pequena modificação no Evangelho. Em vez de dizer: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, deveis dizer: - Vós sois um montão de pedras e sobre este montão edificarei a minha Igreja!

Todos compreenderam e tiraram a conclusão apropriada.

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1) Ver o nosso livro: "O Cristo, o Papa e a Igreja", capítulo V.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 390 - 398)

23 de outubro de 2011

DÉCIMO NONO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

A primeira definição

O Evangelho nos mostra na narração de hoje, a autoridade de um rei desprezado.

O castigo não se faz esperar: o rei mandou seus exércitos exterminarem os homicidas e porem fogo à sua cidade.

Sente-se na narração e no tom da voz do rei uma autoridade que se impõe e que quer ser obedecida.

Transfiramos esta autoridade para o caso que nos ocupa atualmente, na parte apologética da doutrina, e como conseqüência da primazia outorgada por Jesus Cristo a Pedro, escutemos um instante como Pedro exerce a autoridade infalível com que acaba de ser revestido.

É uma cena tocante e instrutiva. Consideremos as suas duas fases:

1. A resposta de Pedro.
2. A confirmação de Jesus.

Teremos deste modo, o fato e o ensino doutrinal... o exercício do ofício da infalibilidade e a sua solene confirmação pelo próprio Jesus Cristo.

I. A resposta de Pedro

Jesus disse a Pedro, depois de o ter examinado demoradamente, como faz notar o Evangelista: intuitus eum: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

Eis Pedro constituído autoridade suprema na Igreja; tal é a sua função própria.

De fato, qual é a função do Papa?

É apresentar ao mundo o Cristo, Filho de Deus vivo, como centro e foco de toda verdade.

É uma cena evangélica de uma suavidade tocante.

Um dia os Apóstolos examinavam o conflito de opiniões que se cruzavam a respeito de seu divino Mestre.

Uns diziam que era Elias, outros que era João Batista, ou qualquer outro profeta.

Jesus interpela-os bruscamente: E vós, quem dizeis que eu sou? (Math. XVI. 15)

Cabe a Pedro, como Chefe da Igreja, dar a primeira definição de fé, da pessoa de Jesus Cristo.

Ele vai dogmatizar!

Sente-se a inspiração do Espírito Santo.

É o Papa dos séculos que vai falar... O Papa assistido por Deus... o Papa infalível... o Papa que lança através dos séculos, a convite de Jesus Cristo, a sua primeira definição doutrinal.

Jesus está ali presente. Os Apóstolos, primeiros Bispos, estão também ali presentes. Todos escutam. É a primeira vez que Pedro vai exercer a sua função oficial sob o olhar do Mestre divino.

- Quem ou eu? Pergunta Jesus.

E sem hesitação, refulgente como o relâmpago... majestoso como o trovão... fulminante como o raio... Deus fala pela boca de Pedro.

Pedro é o canal infalível da infalível verdade. Ele responde:

- Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo!

Está feito: a Igreja está fundada e em pleno exercício das suas faculdades divinas.

Deus escolheu Pedro como o primeiro Chefe desta Igreja; e na mesma ocasião este chefe lança a sua primeira definição dogmática, perante seus colegas, os Apóstolos.

Ele, Pedro, é a pedra fundamental e sobre esta pedra está colocado o trono de Cristo, Filho de Deus vivo.

Pela vez primeira, a proclamação do Papa ecoa através do mundo e continuará a ecoar através dos séculos.

Todos os Papas serão os continuadores deste brado de fé, todos serão o rochedo sobre o qual o Cristo, Filho de Deus vivo, fixará para sempre o seu trono.

Eis que estou convosco até a consumação dos séculos. (Math. XXVIII. 20)

II. A confirmação por Jesus Cristo

Eis agora a confirmação divina do primeiro decreto doutrinal do primeiro Papa.

Nada falta nesta sublime cena.

Pedro falou...

O Cristo confirma a sentença de Pedro, como confirmará as sentenças doutrinais de todos os Papas.

Bem-aventurado és tu, Simão, filho de João: porque não foi a carne nem o sangue que to revelaram, mas meu Pai que está no céu. (Mat. XVI. 17)

Pode haver coisa mai clara e mais positiva? É impossível.

Jesus Cristo não quer proclamar, Ele mesmo, esta verdade. Ele deixa, ou melhor, ordena, que o Chefe infalível da sua Igreja defina a verdade da sua divindade, e Ele mesmo aprova esta proclamação, declarando que não é ele, Pedro, composto de carne e sangue, que faz esta declaração, mas sim, o Pai celeste, que lho revelou, sendo ele, Pedro, o canal infalível da doutrina divina.

Para mostrar que esta proclamação não é um fato isolado na Igreja, o divino Mestre continua: Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela! (Math. XVI. 18)

Eis a perpetuidade da autoridade e da infalibilidade prometidas a Pedro.

Ele proclamará a verdade e as portas do inferno, isto é, os vícios, as paixões, as violências, as hipocrisias, as traições, nunca hão de prevalecer contra a proclamação doutrinal de Pedro e de seus sucessores.

Notem agora a conexão lógica, admirável, entre estas diversas partes, a sucessão divina entre estas partes, a sucessão divina entre cada parte da cena e das palavras.

E para completar a cena admirável e grandiosa, o Salvador, que acaba de construir a sua Igreja, comparando-a a um edifício, continua falando das chaves que fecham os edifícios.

- Eu te darei as chaves do reino dos céus. (Math. XVI. 19) Pedro tem as chaves!

Ninguém entrará senão por seu intermédio.

Ninguém terá autoridade, senão por ele!

Apresentam-se as chaves de uma fortaleza a um rei, para se reconhecer publicamente a sua soberana autoridade.

Entregam-se as chaves a um proprietário, para demonstrar que ele é o dono da casa.

E Jesus Cristo dá as chaves do reino dos céus a Pedro, só a Pedro, exclusivamente a Pedro, para mostrar que ele é o proprietário constituído, oficial, o dono do reino dos céus e que sem ele, contra a vontade dele, ninguém ali há de penetrar!

É claro e é irrefutável!

E para que não exista nenhuma dúvida, como que para refutar de antemão, qualquer falsa interpretação, Jesus completa:

Tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra, desatado será também nos céus. (Math. XVI. 19)

TUDO! Notai a repetição d palavra: TUDO.

O Mestre divino nada excetua.

Depois de ter feito Pedro, o fundamento da sua Igreja, depois de lhe ter dado as chaves que fecham e abrem soberanamente, Ele lhe dá a administração inteira e absoluta de todos os tesouros que nela estão depositados.

É manifestamente um desígnio de Jesus Cristo, que TUDO na Igreja repouse sobre Pedro só. Não pode haver nada mais claro, mais absoluto e mais sublime que esta divina investidura, seguindo-se à primeira definição doutrinal de Pedro.

III. Conclusão

Compreendeis agora a grandeza divina do trono de São Pedro, tão admiravelmente descrita nos Evangelhos?

O homem sincero e sem preconceitos, não discute tais verdades, pois são de uma evidência tão positiva, que ofuscam o olhar, prostram o homem diante desta obra prima do poder divino, que e o Papa.

Ubi Petrus, ibi Eclesia!

Todos querem conhecer a Igreja verdadeira. Ela é sumamente conhecível. Procurem Pedro. Pedro é a pedra fundamental da Igreja de Jesus Cristo; e encontrando Pedro, estarão no centro do edifício construído pelo divino Mestre.

A Igreja e o Papa são uma coisa só!

A Igreja não repousa simplesmente sobre o Papa, como sobre um alicerce: neste caso seria um edifício morto; mas é o Papa que constitui a Igreja.

É o Papa que faz a Igreja una, santa, católica e apostólica, marcando-a com estas quatro grandes propriedades, reservadas e incomunicáveis.

O Papa é o princípio da unidade da Igreja;
É o motor da sua catolicidade;
É a fonte da sua santidade;
É o tronco da sua apostolicidade.
Tudo repousa sobre ele.

Ó, Pedro! Ó, Papa! Em que creríamos nós, no meio das vacilações deste mundo senão em vós? Vós tendes as palavras da vida eterna.

O Papa é invencível, é imutável.

Tudo neste mundo pode desfalecer, exceto a fé e a doutrina de Pedro.

Os homens erram... os gênios mais profundos têm o seu lado fraco: só o Papa não erra, nem possui seu lado fraco. Ele é a luz do mundo, ele é o sal da terra, ele é o farol divino, que ilumina as trevas da terra!

Apoiemo-nos sobre Pedro.

Sigamos a Palavra do Papa.

Ele é homem, mas representa a verdade divina... Ele é o representante do Cristo Filho de Deus. (Joan. VI. 68)

EXEMPLOS

1. O ancião de Roma

Após estas considerações gerais, os protestantes podem e devem compreender a razão porque o Papa mora num palácio e cerca-se de majestade, sem, com isso, afastar-se dos exemplos e da doutrina do divino Mestre que disse: As raposas tem suas covas e as aves do céu os seus ninhos; porém o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. (Math. VIII. 20) Jesus Cristo nada possuía para si própria, mas sempre achava um agasalho onde passar à noite e aí reunir os seus discípulos.

O Papa é tão pobre como o seu divino Mestre, e foi por ser ele pobre que a Igreja construiu-lhe um palácio, o Vaticano, que é o patrimônio da Igreja universal, mas este patrimônio não pertence a nenhum Papa em particular.

O Papa é pobre, mora em um palácio que não é propriedade sua, mas pertence à Igreja Católica; vive por assim dizer, da caridade de seus filhos que o sustentam.

O Papa aparece majestoso, mas com paramentos e adornos que são próprios à sua DIGNIDADE e não à sua pessoa CIVIL.

Ele vive no Vaticano, longe da família e dos amigos, unicamente cercado pelos seus auxiliares na administração, exercendo uma atividade que se pode chamar quase milagrosa.

O Papa é um cidadão venerável, pela idade, pelo saber, pela virtude e, muitas vezes, pelo sangue. Um ancião, já exausto pelos trabalhos do ministério das almas, que não vive mais para si, mas unicamente para o imenso rebanho que lhe foi confiado.

E este ancião, vestido de branco, descendente de uma estirpe imortal, anel vivo de uma corrente inquebrantável, coluna indestrutível, contra a qual se quebram os dentes das feras humanas, como os golpes dos tiranos; este homem está sempre sorridente, calmo, dominando os tempos, os séculos, e os impérios.

O mar das paixões, o oceano da corrupção, o vulcão do ódio, como os esgotos dos vícios lançam-lhe a lama e as suas lavas ferventes, e este ancião, com a mesma mão que abençoa os seus filhos fiéis, abençoa também os que o maldizem e blasfemam. (O Chr., o P. e a Igreja)

2. Réplica a Napoleão


Durante o desacordo do Papa Pio VII e Napoleão, este disse um dia a seu primo Dom Barral, Bispo de Tours:

- Não é, primo, a Igreja bem pode dispensar o Papa?
- Sim, Sire, respondeu o Prelado, como o exército pode dispensar Napoleão.

O Imperador sorriu... estava ao mesmo tempo vencido e contente.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 381 - 388)

16 de outubro de 2011

DÉCIMO OITAVO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

A primazia de Pedro

Vemos hoje Jesus perdoando os pecados do paralítico e, como só Deus pode perdoar pecados, os judeus murmuram e acusam Jesus de blasfemar, porque se outorga um poder divino.

Para provar este poder, Jesus faz um milagre, cura o corpo do paralítico, como já havia curado a sua alma.

Jesus mostra e prova o seu poder, a sua autoridade suprema.

É esta mesma autoridade e poder que Ele transmitirá depois a seus Apóstolos: Do mesmo modo que meu Pai me ensinou, eu vos envio, dando a Pedro a primazia sobre a Igreja inteira.

É esta primazia que vamos meditar hoje, considerando:

1º. Pedro, sempre o primeiro,
2º. A autoridade suprema de Pedro.

A primazia espiritual de Pedro, sendo o princípio da sua infalibilidade que já meditamos, convém destacá-la para melhor compreendermos como estas duas prerrogativas são inseparavelmente unidas na autoridade suprema da Igreja.

I. Pedro, sempre o primeiro

O Concílio de Florença e depois o do Vaticano esclarecem admiravelmente esta prerrogativa:

“Ensinamos e declaramos eu esta primazia da Igreja romana, por uma disposição, é uma primazia de poder ordinário sobre todas as demais igrejas e que esta jurisdição do Pontífice romano é um poder verdadeiramente episcopal e imediato.

“Deste modo, conservando a união na comunhão e na profissão de uma mesma fé com o Pontífice romano, a Igreja de Cristo constitui um único rebanho sob a direção de um único Pastor. Tal é o ensino da verdade católica da qual ninguém pode afastar-se, sem perder a fé” ( Conc. Dogm. Eccl. Can. 3)

Estas palavras indicam claramente que a primazia de Pedro não é simplesmente de honra, mas sim de autoridade.

Para provar esta primazia de autoridade, basta abrir o Evangelho e os atos onde ela refulge com todo o brilho de uma verdade básica.

Pedro aparece como o primeiro em toda parte.

Nada se faz sem Pedro... tudo se faz sob as ordens e conforme o exemplo de Pedro.

É sempre o primeiro a ser nomeado pelos Evangelistas. O primeiro é Simão que se chama Pedro, diz S. Matheus (X. 2).

Foi o primeiro a confessar a fé: Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo. (Math. XVI. 16)

Foi o primeiro a proclamar o seu amor a Jesus: Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? Pergunta o divino Mestre. Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo, responde Pedro. (João XXI. 15)

Foi o primeiro entre os Apóstolos que viu o Salvador ressuscitado dos mortos. Na verdade o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão. (Luc. XXIV. 34)

Foi o primeiro que testemunhou perante o público a ressurreição do Salvador. Então Pedro apresentou-se com os onze e levantou a voz. (Act. II. 14)

Foi o primeiro a aparecer e falar quando foi necessário preencher o número dos Apóstolos. Naqueles dias levantando-se Pedro no meio dos Irmãos. (Act. I. 15)

Foi o primeiro a confirmar a fé pelos milagres. Mas Pedro disse: Não tenho prata nem ouro mas o que tenho, isso te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda. (Act. III. 6).

Foi o primeiro a receber os gentios. Então Pedro respondeu: Porventura pode alguém recusar a água para que não sejam batizados estes que receberam o Espírito Santo como nós? (gentios) (Act. X. 47)

Foi o primeiro a converter os judeus. Muitos daqueles que tinham ouvido a palavra (de Pedro) creram; e o número de homens elevou-se a cerca de cinco mil (Act. IV. 4).

Foi o primeiro a ser citado perante os tribunais. E chamando-os intimaram-lhes que absolutamente não falassem mais, nem ensinassem em nome de Jesus. (Act. IV. 18)

Foi o primeiro a castigar os prevaricadores da lei cristã. Pedro então disse para ela (Safira). Porque combinastes entre vós para tentar o Espírito do Senhor?... E imediatamente ela caiu a seus pés e expirou. (Act. V. 9)

Foi o primeiro a ser encarcerado em testemunho da fé. E (Herodes) vendo que isso agradava aos judeus mandou também prender Pedro. (Act. XII. 3).

Sempre em toda parte, encontramos Pedro como o primeiro, devemos tirar deste fato a lição que comporta, pois Nosso Senhor nada faz por acaso, sem premeditação.

II. A autoridade suprema de Pedro

Como acabamos de ver, Pedro é sempre nomeado e é em toda parte o primeiro. Tudo no Evangelho indica a sua primazia, até as suas próprias fraquezas; é esta primazia que Deus tem em vista e quer destacar claramente, pois infalibilidade e primazia estão necessariamente unidas inseparavelmente na pessoa do chefe da Igreja, ao ponto que se a infalibilidade doutrinal é a conseqüência necessária da sua primazia, esta própria primazia pode ser indicada como o princípio da infalibilidade.

O poder dado a diversas pessoas inclui necessariamente uma restrição na própria partilha.

O poder dado a um só e acima de todos, sem exceção, comporta a plenitude.

Todos os Apóstolos recebem o mesmo poder, pessoalmente, mas não o recebem no mesmo grau, nem com a mesma extensão. Cabe a Pedro a primazia e o ofício de confirmar os seus irmãos.

Jesus Cristo começa pelo primeiro e neste primeiro desenvolve tudo, para ensinar-nos que a autoridade em sua Igreja, primeiramente estabelecida na pessoa de um só, não se ramifica senão sob a condição de ficar ligada a este único tronco, e de manter com ele uma completa unidade.

E esta primazia não é simplesmente de precedência e de honra, mas sim de autoridade e de jurisdição.

É a Pedro, e só a Pedro, que Jesus Cristo promete as chaves do reino do Céu com o poder de atar e desatar, isto é: de governar a Igreja Universal (Math. XVI. 19).

Deste modo, o Papa não está mais como os protestantes imaginam, perdido num longínquo inacessível, sentado num trono, onde recebe honras e manifestações de veneração: ele é o Pastor, ele é o Pai de cada alma, de cada sacerdote, de cada Bispo.

Entre o Papa e cada cristão, ninguém pode interpor-se como obstáculo.

É certo que devido à extensão imensa da Igreja, o Papa não pode em geral, comunicar-se pessoalmente com cada um, porém ele tem o direito e o poder de fazê-lo.

Sem dúvida ainda, a sua palavra passa geralmente pelo canal do Bispo, como a deste último passa pelo canal do sacerdote, para chegar aos fiéis; este canal, porém, é um meio e nunca pode tornar-se um obstáculo. O Papa é o Pai de todos, é o Pastor supremo do rebanho inteiro.

III. Conclusão

Infalibilidade de doutrina e primazia de autoridade tal é a dupla auréola que cinge a cabeça do sumo Pontífice.

Ele é o primeiro no poder; e é o único na infalibilidade.

Como conclusão, determinemos este último ponto.

A Igreja é infalível como já ficou provado acima.

A infalibilidade concedida à Igreja reside na pessoa do Papa e é ligado ao seu ofício de Doutor supremo desta Igreja.

“Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela!”

Tudo se refere à Igreja.

Mas, coisa curiosa, Jesus Cristo prometendo a sua assistência, não diz: Eis que estou com ela, mas sim, eis que estou convosco (Math. XXVIII. 18)

Ele promete estar com o chefe da Igreja, e não propriamente com a Igreja. Porque isso?

Pela razão que a primazia pertence a uma pessoa determinada e que a infalibilidade desta Igreja se concentra sobre a cabeça daquele que está revestido desta primazia.

Se tivesse falado só da Igreja, ter-se-ia podido concluir, como certos sectários concluíram, que a primazia e a infalibilidade residiam no corpo docente da Igreja, isso é, nos Bispos, nos concílios, mesmo separados do Papa, o que é um erro monstruoso.

O único primeiro e o único infalível é o Soberano Pontífice, é o Papa de Roma.

O corpo dos Bispos, unidos ao Papa, é infalível, não como corpo, mas como unidos ao Papa.

EXEMPLOS

1. A dinastia de Pedro

O tempo passava diante de mim... o terrível tempo, que, com a foice destruidora na mão, a tudo abate, destrói e faz desaparecer.

Que fizeste tu, ó terrível destruidor, destes impérios que pareciam encher o universo com o ruído de suas conquistas?

Onde está Tebas?
Onde está Babilônia?
Onde está Atenas?
Onde estão os palácios dos césares?

E o tempo, com um sorriso melancólico e desdenhoso, indicou com o dedo uns farrapos de púrpura, restos de coroas, colunas de mármore em ruína, sobre as quais se sentavam os pastores descuidados.

- Olha Disse-me ele.
- E que farás tu dos impérios, das repúblicas que hoje dominam o mundo e destes cetros, destas coroas, destes tronos tão resplandecentes?...
- O que fiz dos outros: um pouco de pó que o vento dissipará.
- Que farás deste trono aparentemente fraco, que nenhum poder humano sustenta, deste trono, em que está sentado, na calma e na oração, aquele que o mundo católico chama o Papa.

O tempo ficou silencioso e irado, e a eternidade, indicando-o desdenhosamente com o dedo, respondeu-me com um acento que me arrepiou até no mais íntimo do meu ser: Nunca o destruirá – Non praevalebit!

É diante deste trono eterno, que venho inclinar-me, meu Deus!

2. O Papa carrega o mundo

Era em Roma no ano de 1870, durante o Concílio do Vaticano. Dom Berteaud, célebre Bispo de Tulle, tinha dado um passeio na Campanha romana, quando ali encontra o Papa Pio IX, que desceu de seu carro e foi entreter-se com ele.

Terminada a conversa, o Bispo ajudou o Papa a retomar o carro, sustentando-o vigorosamente com as duas mãos.

- Ó, exclamou sorrindo Pio IX, como o Bispo de Tulle é forte! Carrega o Papa!

O ilustre Prelado retorquiu com ternura:

- Ó, Santo Padre, é Vossa Santidade que é forte, pois carrega o mundo!

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 372 - 379)

15 de outubro de 2011

A Virgem Santíssima e a Eucaristia

Maria é fonte de bênçãos e graças, como assegura São Bernardo e muitos outros santos; todas as graças vêm através de Maria.

A honra que prestamos à Eucaristia não deve diminuir a devoção para com a Santíssima Virgem Maria. Seria uma insensatez pensar que basta o Santíssimo Sacramento e esquecer Nossa Senhora. Sempre encontramos Jesus nos braços de sua Mãe. Não foi ela que nos deu Jesus? Foi através do seu consentimento que o Verbo se encarnou e iniciou o grande mistério de reparação; graças a esta anuência podemos nos unir a Jesus sacramentado.

Sem Maria não podemos encontrar Jesus, o coração de Cristo pertence a ela, aí Cristo encontra suas delícias; todos que desejam conhecer as virtudes íntimas de Jesus, seu amor recôndito e privilegiado, devem procurar no Coração de Maria; quem realmente ama esta boa Mãe encontra Jesus em seu coração puríssimo.

Jamais devemos separar Jesus e Maria; sem ela não chegamos até Jesus. Ouso afirmar que quanto mais amamos a Eucaristia, mais cresce o nosso amor para com a Santíssima Virgem. Existe alguma criatura mais amada por Deus ou uma mãe que tenha sido mais ternamente querida por seu filho que a Santíssima Virgem Maria?

Seria uma grande falta de delicadeza com Nosso Senhor, não honrar sua Mãe; na Encarnação Jesus recebeu a natureza humana de Maria; foi por essa carne recebida de Maria que glorificou o Pai, que nos salvou e que continua a alimentar o mundo através do Santíssimo Sacramento.

Nosso Senhor deseja que a honremos; sem dúvida o Filho honrou sua Mãe no aconchego do lar de Nazaré, porém a vida pública obrigou que Maria ficasse oculta, o Filho de Deus precisava cumprir sua missão.

Hoje, podemos retribuir todo o sacrifício da Virgem Santíssima, honrando-a como Mãe de Deus e nossa Mãe. Devemos um culto particular a Maria. Pertencer ao Filho é pertencer a Maria, adorar o Filho é honrar a Mãe. Para ser verdadeiros cristãos devemos prestar um culto de especial veneração à Santíssima Virgem invocando-a como Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.

Quando honramos Jesus Cristo na Cruz, oramos a Nossa Senhora das Dores; quando meditamos a vida retirada de Nazaré, tomamos como modelo Maria; a Santíssima Virgem acompanha a vida inteira de Jesus.

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(Eymard, são Pedro Julião. Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento: Um mês com Maria. São Paulo: Factash Editora, 2008, p. 16 - 18)

9 de outubro de 2011

DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

Extensão da infalibilidade

Temos diante de nós o grande mandamento da lei de Deus: amar a Deus de todo o seu coração; e o segundo, que o Mestre proclama semelhante a este: ama ao próximo como a si mesmo.

O amor de Deus e o amor ao próximo ficam deste modo, inseparavelmente entrelaçados. Deus é a cabeça do corpo da humanidade, os homens são os membros deste corpo.

Estudando a infalibilidade da Igreja, encontramos nela este mesmo entrelaçamento: O Papa e os fiéis... a Igreja docente e a Igreja discente: a infalibilidade ativa e passiva...

Para esclarecer bem estas distinções vamos examinar hoje até onde se estende a infalibilidade e como são ligadas entre si:

1. A ativa e a passiva.
2. O Papa e os fiéis.

São questões conhecidas confusamente pelo povo, mas que convém destacar, para dar mais firmeza ao amor que devemos à santa Igreja.

I. A ativa e a passiva

O Papa sendo infalível, a Igreja inteira o é igualmente, não por si, mas pela sua inseparável união com o Papa.

A Igreja compõe-se da parte docente e da parte discente: a primeira ensina e a segunda é ensinada.

A parte docente é infalível ativamente na pessoa do Papa, isto é: ensina sem poder enganar-se.

A Igreja discente é infalível passivamente; isto é, os fiéis escutando a voz do Papa e dos Bispos unidos ao Papa e dos Padres unidos ao Bispo, não podem ser induzidos ao erro.

Deste modo, a Igreja inteira é infalível, uma parte pelo ensino e a outra pela obediência.

Eis porque Jesus Cristo disse: Ide e ensinai a todas as nações... ensinando-lhes a observar todas as coisas que vos mandei; e eis que eu estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos. (Math. XXVIII. 20).

Examinai bem este texto e vereis que ele tem uma extensão que à primeira vista não aparece.

Eis que estou convosco: estas palavras resumem e encerram tudo: não há exclusão de poder, nem de auxílio nenhum: Foi me dado todo poder no céu e na terra (Math. XXVII. 18).

Notai esta disposição. Jesus Cristo fala de seu poder, de seus Apóstolos e de todas as nações e, reunindo estes três elementos, Ele diz que está com eles, até o fim dos tempos.

É a infalibilidade completa da Igreja docente e discente, como acabamos de ver.

Até a consumação dos séculos. Não é somente convosco, com quem estou falando, completa o divino Mestre, a minha promessa se estende além, atinge todos os vossos sucessores, pois outros vos sucederão e a vossa raça nunca terá fim.

Eis como combinam admiravelmente estes dois termos: a Igreja e o Papa.

A Igreja e o Papa são um só.

Onde está o Papa aí está a Igreja.

E onde está a Igreja é aí que está o Papa.

Neste mundo vêem-se às vezes cabeças separadas do corpo, mas são de cadáveres.

Não é o bastante dizer que o Papa falando, a Igreja adere. Entende-se a Igreja no Papa.

O Papa fala com ela e nela. O que ele diz, ele o lê nas entranhas da Igreja. O mesmo Espírito Santo que põe tais palavras sobre os lábios do Papas põe também no coração da Igreja; ou melhor, ela já as tinha posto no coração, pois elas não sobem aos lábios do Papa senão porque saem do coração da Igreja.

É o encontro destas duas infalibilidades: a ativa, na cabeça, e a passiva no corpo, fundidas numa só, que forma a infalibilidade total da Igreja.

II. O Papa e os fiéis

Com este princípio geral, compreendemos melhor a paz e a tranqüilidade que formam o fundo e a auréola da fé católica.

Não é preciso ser cientista para, logicamente, o católico concluir a verdade absoluta da religião que professa.

Pode e deve dizer:

A minha religião, aprendi-a dos lábios de meu vigário, que depositou em minhas mãos e me explicou um pequeno livro: o Catecismo.
O que o vigário me ensina remonta ao Bispo que o mandou com este livrinho, resumo perfeito do Evangelho.
Por meio do Bispo, este ensino remonta ao Papa, que enviou o Bispo.
Pelo Papa, este ensino remonta, de Papa em Papa, em S. Pedro, que o recebera de Jesus Cristo.
A minha religião é a mesma que S. Pedro recebeu de Jesus Cristo.
Eu tenho a plena certeza disto, porque, se o Vigário que me ensina mudasse qualquer coisa na doutrina Católica, os outros sacerdotes e até os próprios fiéis, o denunciariam ao Bispo.
E se o Bispo mudasse qualquer coisa, os outros Bispos e até os Padres e os simples fiéis o denunciariam ao Papa, guarda vigilante da fé, e este o separaria da Igreja.
Uma mudança de fé, é pois, impossível hoje, como o foi em todos os tempos, pelas mesmas razões.
A minha religião é, pois, a religião que Jesus Cristo ensinou.

O católico mais instruído pode raciocinar do seguinte modo:

Negar um único artigo da minha fé seria negar a infalibilidade da Igreja.
Negar a infalibilidade da Igreja seria negar a eficácia da palavra de Jesus Cristo.
Negar a eficácia desta palavra seria negar a sua divindade, que provou por milagres.
Negar a divindade de Jesus Cristo seria negar o próprio Deus.
Negar a Deus seria negar a razão humana que reconhece invencivelmente a sua existência.
Ora, não se pode, sem loucura, negar a razão humana.

Tenho, pois, absoluta certeza que tudo o que a Igreja me ensina é o próprio Deus que mo ensina, de tal modo que se, o que é impossível, a Igreja me fizesse errar, teria eu o direito de poder dizer a Deus, o que disse um doutor: sois Vós Senhor, que me enganastes.

III. Conclusão

A palavra de Deus está primeiro em Deus.

Deus a deu a seu Filho e seu Filho a dá à Igreja, dizendo: Como meu Pai me enviou, assim eu vos envio: quem vos escuta, escuta a mim; quem os despreza, despreza a mim.

Basta: ouvindo a Igreja ouvimos o próprio Deus: estamos na luz e vivemos na certeza da nossa fé.

Tiremos a conclusão prática destas considerações. Quatro obrigações se nos impõem a respeito da Igreja.

1. Devemos escutar a Igreja, como escutaríamos o próprio Jesus Cristo, se Ele nos falasse.
2. Devemos consultar a Igreja quando qualquer dúvida ameaça a nossa fé.
3. Devemos obedecer à Igreja, certos de que sua palavra é a palavra infalível de Jesus Cristo, que no-la transmite pelo magistério infalível da Igreja.
4. Devemos amar a Igreja e o seu chefe, o soberano Pontífice, personificação da Igreja e até se necessário fosse, dar a nossa vida para defendê-lo.

EXEMPLOS

1. Conversão de Adão Stobaens

O pastor protestante Adão Stobaens foi um dos protestantes mais instruídos e mais sinceros do século XVII.

O estudo do magistério infalível na Igreja Católica foi o grande assunto de suas pesquisas.

Após muitas relutâncias tirou a conclusão que entrevira, mas que enfim parecia apalpar com os dedos.

A Igreja fundada por Jesus Cristo é necessariamente uma sociedade visível.

Tal sociedade, divina em sua fé, deve possuir uma autoridade que sustente esta fé, e para isso que seja infalível.

Tal autoridade não existe no protestantismo: logo, ele não é a religião de Cristo; ela existe na Igreja Católica: logo, ela é a religião divina.

Renunciou ao protestantismo e tornou-se em fervoroso católico.

2. A infalibilidade segundo a Razão

O poeta protestante Shaw, escreveu: É bom informar os meus leitores protestantes que o famoso dogma da infalibilidade do Papa é o título mais modesto que se pode dar a um soberano.

Comparando a infalibilidade do Papa com as nossas democracias infalíveis, com as assembléias de médicos infalíveis, com as cortes de juízes infalíveis, com os nossos astrônomos infalíveis, com os nossos parlamentares infalíveis, devemos dizer que estes se proclamam infalíveis em tudo o que fazem e resolvem, enquanto o Papa, de joelhos perante Deus, confessa a sua ignorância e exige apenas que se lhe conceda a infalibilidade em certos casos urgentes, de conseqüências graves para a manutenção da doutrina de Jesus Cristo.

3. Resposta do Capuchinho

Durante o Concílio do Vaticano, conta Monsenhor de Segur, estava na moda o criticar a infalibilidade do Papa, cujo dogma os Prelados estavam estudando.

Depois da definição, uma rica dama apresentou-se um dia no Convento dos Capuchinhos, pedindo um padre para confessar-se.

- Meu pai, começou a Dama, aconteceu-me uma coisa singular: o meu confessor recusa-se dar-me a absolvição porque não creio na infalibilidade do Papa. Não posso crer nisto, é mais forte do que eu.

O Capuchinho, com uma expressão de bonomia, responde, sorrindo:

- Como? O seu confessor recusa-lhe a absolvição por causa disso? Pois bem, eu vou dá-la.
- V. Rvma. me absolve! Ó, meu pai, como o senhor é bom!
- Sim, absolvo a senhora, sem dificuldade.
- Mas então, como é que o meu confessor não quer absolver-me?
- Ó! É porque ele tomou a senhora por uma outra pessoa.
- Como me tomou por outra pessoa? Ele me conhece há muito tempo.
- Pode ser, porém ele julgou que a senhora era instruída.
- Instruída... mas meu pai, eu não sou uma ignorante!
- Não digo isso... porém a senhora não sabe o que é a infalibilidade do Papa. Tais questões não são do domínio de todos.

E aproveitando a surpresa da Dama o Capuchinho explicou-lhe simplesmente o estado da questão. Pela primeira vez a Dama viu claro no assunto.

- Como? Exclamou ela, a infalibilidade é só isso?... Mas eu creio nela de muito boa vontade.
- Está vendo, retomou um pouco sarcasticamente o Capuchinho, que a senhora pode receber a absolvição, pois labora num erro por ignorância, mas não está em pecado...

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 363 - 370)

8 de outubro de 2011

CANTOS A MARIA (VI-7 e final)

Maria Rainha e Porta do céu

Salve, ó Virgem,
esperança dos pecadores,
Mãe do eterno Rei,
deles rompe as correntes
com tua oração, ó Senhora.

Salve, ó Virgem,
não te demores,
apressa-te em abrir-nos as portas,
ordena que entremos contigo
na glória do céu.

Salve, ó Virgem,
de Deus amada,
seja nossa advogada,
tu, que és chamada
Estrela do mar
que ao céu conduz.


Rainha e Senhora do mundo

Salve, ó Senhora do mundo,
única sem igual;
rogamos-te que por ti
seja o Senhor aplacado,
Ele, que por nós quis
encarnar-se em ti
e cruelmente ser transpassado
no lenho da cruz.

Salve, ó cheia de graça,
Senhora dos anjos
consoladora de todos
e esperança dos desgraçados.
Estás muito elevada
no reino dos céus.
Rogamos-te que apagues
as manchas de nossos pecados.

Salve, ó Mãe de Jesus,
totalmente graciosa,
Virgem prudente e humilde
e toda virtuosa;
entre as filhas de Sião
és deliciosa;
conduz-nos à gloriosa
alegria do céu.
Amém.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo VI. pág. 138 - 139)

2 de outubro de 2011

DÉCIMO SEXTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

Centro da infalibilidade

O Evangelho de hoje nos faz assistir a uma Ceia em que Jesus tomou parte com os fariseus.

Um ponto de doutrina é logo levantado por estes censores farisaicos. É permitido ou não curar em dia de Sábado?

A pergunta era importantíssima para os judeus materialistas, escravos da letra, que mata; e entre eles havia discussões continuas a respeito.

Jesus vai resolver o problema. Ele é a autoridade suprema, o órgão da verdade infalível e o assunto da pergunta toca ao âmago da moral e da disciplina.

Temos aqui, diante de nós, os dois elementos que estamos a meditar para ter uma compreensão completa e nítida da infalibilidade.

1. O órgão desta infalibilidade.
2. O objeto da infalibilidade.

Aqui o órgão é Jesus Cristo e o objeto a santificação do Sábado. Na Igreja este órgão é o Papa, representante de Cristo e o objeto é tudo o que diz respeito à fé e à moral.

I. O órgão da infalibilidade

Qual é o órgão próprio a infalibilidade?

Este órgão é o próprio Papa.

Sempre a Igreja acreditou na existência desta prerrogativa, mas houve, às vezes, erros, no tocante ao órgão da infalibilidade.

Uns julgavam que ela estivesse como que difundida no corpo docente da Igreja.

Era uma opinião humana.

Mil ou dois mil Bispos dificilmente se enganam.

A infalibilidade, porém, sendo uma prerrogativa divina, não pode depender do número.

O que provém do número, provém da terra.

Nas coisas divinas, o número não tem valor.

Citando um texto dos livros sagrados, tanto prova este um, como provam vinte.

Se um bispo não é infalível, nem cinqüenta, ou mil o serão.

A infalibilidade é uma prerrogativa completa em si; quem a possui, possui-a inteira; quem a não possui inteira, nem tão pouco em parte.

Não pode haver o mais ou menos neste privilégio: é uma prerrogativa integral e completa.

Eis porque o Concílio do Vaticano proclamou solenemente que tal privilégio reside na pessoa do Papa.

Na pessoa do Papa, não como escritor, como pregador, legislador ou teólogo, pois tudo isso pode sê-lo, sem ser Papa, mas o que não pode ser sem ser Papa é: Doutor universal da Igreja.

É, pois, neste título, em outros termos, é na função de Doutor universal que o Papa é infalível.

Esta função exige que fale o Papa à Igreja inteira, definindo um ponto de doutrina ou de moral.

E para concentrar ainda mais o ponto essencial da infalibilidade, nos próprios decretos dogmáticos, é preciso destacar a decisão dogmática, pois é nesta decisão que está concentrada a sua infalibilidade.

As considerações que precedem, os diferentes argumentos que dispõem o espírito, não se encontram na decisão dogmática, mas preparam esta decisão; e não entrando na decisão, não pertencem à infalibilidade.

É infalível a decisão clara, solene, em que o Papa afirma que tal e tal verdade foi revelada por Deus, e que é preciso crer nela, sob pena de ser excluído do seio da Igreja.

Assim, bem determinada, a infalibilidade não é mais um privilégio vago, confuso, ligado à pessoa do Papa, de que pode usar ou não usar à vontade, quase sem que o saiba.

Nada disso: É um privilégio ligado à função solene e rara, e que interessa à Igreja inteira, pela qual o Papa determina que tal ponto de doutrina deve ser admitido por todos.

II. O objeto da infalibilidade

Já foi indicado várias vezes, porém é bom repetí-lo em síntese para mais clareza do assunto.

O Concílio do Vaticano indica claramente que o objeto próprio da infalibilidade é tudo o que diz respeito à fé ou à moral.

Santo Antônio, 14 séculos antes, já havia indicado teologicamente este objeto.

“É necessário admitir na Igreja, diz ele, um único Chefe, a quem pertence resolver as dúvidas em tudo o que diz respeito à fé, seja na ordem especulativa, seja na ordem prática”.

De fato, a Igreja foi fundada para iluminar o nosso espírito e dirigir a nossa consciência.

É, pois, absolutamente necessário que ela não possa exigir de seus súditos um ato de fé em um erro, ou um ato de obediência a um vício. O seu arbítrio é a verdade ou a santidade sobrenaturais.

No terceiro capítulo, o Concílio do Vaticano declara que o Papa possui pleno e soberano poder, não somente nas coisas que dizem respeito à fé e à moral, mas ainda nestas que se referem à disciplina e ao governo da Igreja.

Devemos agora fazer notar que estes dois últimos, embora dependentes do poder supremo do Papa, não são, entretanto, objeto da infalibilidade.

O próprio Concílio o faz notar no capítulo quarto das sessões, onde, deixando de lado a disciplina e o governo da Igreja, declara que o objeto próprio da infalibilidade é a fé e a moral.

Duas condições são essencialmente exigidas para o exercício da infalibilidade:

1. O objeto da decisão deve ser uma doutrina que se refira à fé e à moral.
2. O Papa deve declara, ex-cathedra, em virtude da sua suprema autoridade doutrinal que esta doutrina faz parte integrante da verdade revelada por Deus, que deve ser acreditada pela Igreja católica inteira e que aqueles que não a aceitam deixam de ser membros da Igreja.

Estas duas condições devem ser unidas; faltando uma, não haveria mais definição. Reunidas as duas, há definição dogmática infalível.

III. Conclusão

Concluamos agora claramente o órgão e o objeto da infalibilidade. Este conhecimento dá à nossa fé uma base bem determinada e firme, que não permite à dúvida penetrar em nosso espírito e nos dá uma resposta curta e decisiva para refutar os erros opostos.

A admirável organização da Igreja e a segurança da sua doutrina devem inspirar-nos uma confiança sem limites.

- Piloto, dizia César ao guia da embarcação que o transportava para Farsália, no meio de uma tempestade, Piloto, não tenhas medo, tu levas César e a sua fortuna.

Não tenhamos medo da sorte da barquinha da Igreja! Em redor dela a tempestade, o vício, os poderes, os falso sábios, a hipocrisia e a mentira acusam-na de retrógrada, de intransigente, de tirânica ou de relaxada. É uma verdadeira tempestade, que ruge ao seu redor; pouco importa. Na popa e na proa desta barquinha está gravada esta palavra que os séculos não desmentiram nem apagaram: - Eis que estou convosco até ao fim dos séculos... As portas do inferno não prevalecerão contra ela!

Deus não se desencaminha.
Deus não se engana.
Deus não morre.
É Ele que dirige a sua Igreja pela infalibilidade que lhe outorgou solenemente.

EXEMPLOS

1. Raciocínio de um protestante

Rudlfo Hafest era filho de um Bispo luterano, e converteu-se à religião católica em 1852, pela consideração da necessidade de uma autoridade suprema e infalível na Igreja de Jesus Cristo.

“A Sagrada Escritura é a palavra infalível de Deus, raciocinava ele, os leitores, porém são homens falíveis, de modo que, para conservar a própria infalibilidade de Deus, é preciso que haja uma autoridade viva, instituída por Deus, que esteja acima da Sagrada Escritura e a interprete no seu sentido autêntico.

Tal autoridade existe única e exclusivamente na Igreja Católica; ela é, pois, a única Igreja de Cristo, a única verdadeira. Eis porque desejo humilhar-me diante desta autoridade, ser o seu súdito para sê-lo do próprio Cristo e da sua palavra divina.

É a razão porque deixo de ser luterano e adiro plenamente à religião católica”.

2. A obra dos Papas

Herder, o grande filósofo alemão, escreve: Ninguém pode contestar que o Bispo de Roma ou o Papa, faz muito para o mundo cristão.

Se a extensão do Cristianismo é, em si, um mérito, a sua obra civilizadora é um mérito maior ainda, e o Papa tem este mérito; pois, se a Europa não foi tragada para sempre pelos Hunos, Sarracenos, Tártaros, Turcos, Mongolas, etc., devemo-lo à ação dos Papas.

3. Palavra de Schiller

Já vimos imperadores, reis, políticos ilustres e guerreiros valorosos pisarem com os pés os direitos dos fracos e dos pobres; nunca, porém, isto tem acontecido com os Papa.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 356 - 361)

1 de outubro de 2011

CANTOS A MARIA (VI-7)

Salve, Rainha dos céus

“Salve, Rainha dos céus,
salve, dos anjos Senhora,
broto sagrado e porta feliz,
donde despontou
do mundo a aurora.”

Ó gloriosa,
que dissimulas os delitos da gente,
melodia para as tristes multidões,
és para o pobre o livro da lei
o texto e o comentário:
rosa e prosa,
Mãe do Sumo Rei.

Desfruta, Virgem gloriosa,
formosa como ninguém.

Salve, porta da esperança,
perfumada como uma rosa,
palmeira, flor das virgens,
paz do réu depois da tormenta,
és lei com graça: aos condenados
traz a anistia.

“Salve ó belíssima”.

Luz excelsa e virginal,
refulgente como a aurora,
que sobes até o templo eterno,
roga por nós,
para que na hora da morte
não nos encontre o inferno.

“Roga a Cristo por nós”.


Alegra-te, ó Rainha do céu

Em ti a razão se assombra,
Virgem Mãe,
por quem a estirpe de Adão
está reconciliada.
E tu, por divino ditame santificada,
segundo o anúncio de Gabriel
és por Mãe elevada.

“Ressuscitou como havia dito,
aleluia!”

Roga por nós ao Senhor,
aleluia!

Não submetida a humanos contatos
e, entretanto, um Filho traz,
de todo vício ilesa,
bem recebida por tua pureza,
maravilhosamente exaltada
ao palácio do céu,
leva-nos, ó bem-aventurada,
ao regaço da paz.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo VI. pág. 136 - 138)