25 de setembro de 2011

DÉCIMO QUINTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

Necessidade da infalibilidade

Tocante página a do Evangelho de hoje! Através de cada linha ouve-se como ressoar a voz suave do bom Mestre: Não chores... Moço, eu te ordeno, levanta-te... e Jesus o restitui à sua mãe.

Cena de tristeza e cena de alegria sucedem-se no intervalo de umas palavras.

O tom da voz de Jesus possui aqui um caráter especial; além da ternura que vem de seu coração, nota-se a firmeza, a convicção com que se dirige ao jovem falecido: Moço eu te ordeno, e a conseqüência desta convicção, que é a ressurreição do morto.

A Igreja Católica, continuação viva e eterna do poder de Jesus Cristo, possui esta mesma convicção de seu poder e as conseqüências são sempre as mesmas: consolar e consolidar as almas no bem.

Vejamos hoje este duplo aspecto na prerrogativa da infalibilidade que estamos meditando.

1. A convicção da Igreja ser infalível.
2. As conseqüências para cada fiel.

Eis dois pontos que vão fornecer-nos uma prova apologética da necessidade de a Igreja ser infalível, mostrando em plena luz: o fato e as conseqüências.

I. A convicção de ser infalível

A Igreja é infalível: ela sempre o acreditou, sempre o afirmou, teve sempre a plena convicção desta prerrogativa.

Esta convicção é uma prova de sua divindade.

Percorrei a lista das seitas religiosas: são muitas, de diversos credos, diversas concepções, desde o grosseiro fetichismo até o orgulhoso positivismo.

Examinai as suas doutrinas, em todas elas encontrareis pontos de contato, concordâncias parciais, pois todas elas tem por fim aproximar o homem de Deus.

Há, porém, um ponto, em que nenhuma seita concorda com a religião católica: é a infalibilidade de seu chefe.

Entre todas as religiões, só a Católica teve a ousadia, a simplicidade, ou então a sublimidade de acreditar na infalibilidade de seu chefe supremo.

É, de fato, muita ousadia... ousadia tão grande que só pode vir do céu ou do inferno, mas nunca dos homens.

O homem pode ser orgulhoso como quiser, mas nunca teve, nem terá a coragem de outorgar-se a infalibilidade. Porque isso?

Porque ele sente que está se enganando a cada instante... todos acreditam em seus erros, porque são palpáveis.

Tal palavra: infalibilidade, nem sequer foi conhecida pelos antigos.

Os velhos poetas, filósofos, como Platão, Sócrates, Cícero, Horácio, tinham fé na ciência em geral, mas desconfiavam da sua ciência em particular, sentindo-a fraca, falha, incompleta.

Jesus Cristo veio a este mundo e proclamou a infalibilidade da sua Igreja, e esta proclamação, através dos séculos, das nações, permanece sempre patrimônio exclusivo desta Igreja.

As heresias nascem, separam-se da Igreja de Cristo, formam seitas religiosas, conservam certas práticas e até sacramentos da mesma Igreja. Nenhuma seita, porém, teve a ousadia de pretender para o seu chefe o dom da infalibilidade.

Nem Lutero, nem Calvino, nem Henrique VIII, nem o Czar da Rússia, nem o rei da Inglaterra tiveram a coragem de se arrogar a infalibilidade.

Eles mesmos sentiam que se o fizessem, o mundo zombaria por demais de suas pretensões... todos ririam de tanta audácia.

A Igreja Católica acredita em sua infalibilidade e professa esta doutrina como dogma de fé... e ninguém zomba dela.

O protestante empalidece de raiva, faz mil objeções, mas sente-se vencido diante da autoridade do Papa!

E curioso é o fato de a Igreja ter tido a coragem de proclamar tal verdade.

É mais curioso ainda que nenhuma seita religiosa vendo a autoridade predominante que a Igreja adquire com esta prerrogativa, não tenha tido a coragem de imitá-la.

A ousadia da Igreja Católica neste particular é prova da sua divindade.

O medo que as seitas têm de recorrer a este poder é prova de seus erros.

A toda seita falta qualquer coisa de essencial: é a infalibilidade.

E não tem a coragem de reivindicá-la, porque sente que sendo da terra, não tem direito a um privilégio que vem do Céu.

A infalibilidade na constituição de uma religião divina é absolutamente necessária; senão o divino estaria sujeito ao humano, e tal religião não seria mais divina.

Tal privilégio só existe na Igreja Católica.

Só ela, pois, é divina e, por conseguinte: verdadeira.

II. Conseqüência para cada fiel

Eis um ponto pouco estudado e, entretanto, de imensa extensão.

Se dissesse que a ação católica, tão espalhada hoje e tão querida pelos Pontífices Romanos, é uma conseqüência direta da infalibilidade, diria uma grande verdade que muitos não compreenderiam à primeira vista.

Entretanto o fato é certo: e não será difícil compreender o fundo desta asserção.

Deus não semeou as verdades em sua Igreja como se depositam pedras inertes na construção de um monumento, mas sim, como germens vivos que devem desabrochar, como sementes de uma fecundidade inexaurível.

Estas verdades latentes devem ser cultivadas para que possam dar o seu fruto; e é o espírito humano que deve fazer esta cultura e fazê-la produzir frutos sazonados.

E como esta obra é de uma delicadeza infinita, Deus dá a um espírito humano o dom da infalibilidade, para que este homem possa guiar, sustentar a cultura das verdades divinas, como o jardineiro orienta os operários para que cada planta seja cultivada conforme as exigências da sua espécie.

Todos nós somos operários na vinha do Senhor; porém deve haver um mestre que dirija estes operários e indique a cada um a tarefa própria para alcançar o resultado comum do conjunto.

O homem, de fato, não entrou na Igreja de um modo passivo, inerte, mas sim ativo, porque fica encarregado de estudar os dogmas, de desenvolvê-los, de tirar deles conseqüências, de fazer aplicações na ordem da sua esfera. É a base e a razão de ser da ação católica.

Não é somente o Papa que pode e deve tirar conclusões novas dos princípios estabelecidos pelo Evangelho: ele é o orientador, o Mestre, mas cada fiel pode agir, meditar, estudar e tirar conclusões teológicas, que serão boas, desde que recebam a aprovação do orientador geral: o Papa.

É o que explica a origem de muitas devoções.

Santa Juliana é a fundadora da adoração das 40 horas. . .

Santa Margarida Maria, é a operária do desenvolvimento do culto do Coração de Jesus.

O santo Padre Eudes é o promotor do culto do Coração de Maria, o Bem-aventurado de Montfort, da devoção da santa escravidão - Santa Terezinha, da prática da santa infância, etc, etc.

Eis a atividade dos simples fiéis. O orientador geral rejeita ou aprova estas práticas: e a sua palavra infalível é o tutor que os sustenta como é a sentença que lhes dá vida.

Sem esta palavra infalível a Igreja Católica tão una e unida, seria o que é o protestantismo: uma balbúrdia, um corpo sem cabeça ou uma cabeça sem mioleira.

Com esta palavra infalível, toda a cristandade, todo católico pode trabalhar, estudar, interpretar, mas deve submeter a sua obra ao guia supremo, ao Papa, e eis que na imensa variedade das ações aparece a unidade perfeita da doutrina.

É a grande maravilha da Igreja de Cristo: é um dos sinais característicos que a distinguem das demais seitas religiosas erradas.

III. Conclusão

Eis dois argumentos irrefutáveis, apologéticos que provam a existência e o exercício da infalibilidade da Igreja Católica.

A Igreja sempre acreditou nesta prerrogativa e sempre agiu nesta convicção.

A ação católica que permite a cada católico agir sob a orientação dos superiores eclesiásticos, sem que desta variedade de ação surja a ruptura da unidade perfeita da Igreja

É uma prerrogativa divina e esta prerrogativa pertence exclusivamente à Igreja Católica.

Logo, ela é a única Igreja de Jesus Cristo e todas as demais seitas são errôneas.

Sentimos a necessidade da infalibilidade como sentimos os imensos benefícios que nos traz da firmeza da nossa fé e da nossa ação.

EXEMPLO

Pesquisas de um protestante

A canonização dos Santos é um ato da infalibilidade do Papa, de modo que o Papa, declarando solenemente a heroicidade das virtudes de um Santo, tal declaração torna-se exercício da sua infalibilidade, devendo ser admitida pela Igreja inteira.

Há anos um sábio professor protestante inglês da Universidade de Oxford, quis examinar de perto e de visu o proceder das canonizações, para encontrar falhas nos exames e decisões.

Partiu para Roma com carta de recomendação, pedindo para examinar por si mesmo documentos das canonizações.

O cordial prefeito, encarregado das causas, entregou-lhe o processo completo, pró e contra de umas oitenta CAUSAS em julgamento.

O professor levou os documentos para o hotel, onde, durante um mês, examinou-os detidamente, confrontando as razões a favor, citadas pelo defensor e as razões contra, dadas pelo contraditor.

Examinou, confrontou, tirou as suas conclusões favoráveis e convenceu-se de que todos os fatos, a doutrina, as virtudes e os milagres eram incontestáveis, e que estes nomes mereciam toda a auréola dos santos.

Assim disposto, foi então ter com o cardeal para entregar-lhe os documentos e agradecer-lhe a nímia gentileza, manifestando o resultado positivo de seu inquérito e dizendo-se convencido da rigorosa exatidão dos processos e da certeza dos resultados.

- Ah, se todos os processos fossem deste modo, seguros e provados, exclamou o professor protestante, ninguém mais podia duvidar dos santos existentes na Igreja Romana.

Mas, qual não foi o seu espanto, quando o cardeal lhe respondeu:

- Pois bem, todas estas causas que o senhor julgou irrefutáveis e certas, foram rejeitadas pela Igreja como insuficientes; nenhum destes milagres foi aprovado pela comissão.

O professor caiu das nuvens... ou melhor, saiu do erro protestante, e hoje venera e invoca os santos com tanto mais fervor quanto mais os desprezara antes, enquanto protestante.

Convenceu-se o homem que as declarações do Papa tem base sólida e obedecem a todas regras da prudência e sabedoria, e são, mesmo humanamente falando, documentos de primeiro valor, sem falar da assistência divina que assiste o Papa, quando se dirige à Igreja inteira, proclamando que tal verdade deve ser admitida como dogma de fé.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 347 - 354)

24 de setembro de 2011

CANTOS A MARIA (VI-6)

Faz-nos dignos

Ave, Virgem gloriosa,
de Deus, excelsa esposa,
louvável, formosa
e cara a todos os humanos
pela flor de castidade
com que venceste toda sedução
do império de Satã.

Faz-nos dignos de elevar
a ti o canto, e de apagar
os incêndios de luxúria.

Decidida desprezaste
toda inútil vaidade,
buscando ao Rei dos reis
com anseio sublime,
pelo que com ele mereceste
alegrar-te e adornar-te
de colares inefáveis.

Faz-nos dignos…

No fulgor de tuas jóias
ao casto Cordeiro imitaste,
para amar com fruição
o que, sendo ainda jovem,
em ti com júbilo levaste.

Faz-nos dignos…

De seus abraços ansiados
o calor ao fim recebeste, ó Rainha;
segue a teu Filho amado
com as virgens sagradas,
cantando com doçura.

Faz-nos dignos…


A Mãe da misericórdia

Eu sou a Mãe da misericórdia,
culminada de amor e de doçura,
sou a alegria especial dos santos,
porque sou boa.

Venham a mim vocês que me amam,
e no seio de meus consolos
se sentirão saciados,
porque sou boa.


A excelência de Maria

Múltipla e Grandíssima
é a excelência da vida
da Virgem Maria Santíssima.

Sua pessoa e conversação sobressaem
por sua profunda humildade,
por sua sublime castidade,
por sua imensa caridade,
por sua generosa misericórdia
e com todos piedade.

Ó venerável Virgem,
com justiça és bendita como ninguém
pelos séculos eternos. Amém.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo VI. pág. 134 - 136)

18 de setembro de 2011

DÉCIMO QUARTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

O que é infalibilidade

O Evangelho de hoje nos faz a mais tocante exposição da Providência de Deus, mostrando-nos com quanta bondade Deus se ocupa da sorte das suas criaturas.

É Ele que dá ao passarinho o alimento de cada dia, como Ele dá aos lírios dos campos o seu perfume e o seu esplendor. É Ele que veste a erva dos campos, como Ele veste os panoramas da terra e do firmamento.

Com quanto mais cuidado, ajunta o divino Mestre, Deus se ocupa de cada um de seus filhos.

Os homens precisam além do vestimento e do alimento do corpo, do alimento do espírito: e este alimento é a verdade.

Ora, esta verdade certa, luminosa, nunca vacilante, que deve iluminar nosso espírito e orientá-lo para o bem, nos é dada pela voz infalível do Papa.

Eis porque vamos meditar hoje em que consiste a infalibilidade, considerando:

1º. O lado material, ou quase infalibilidade.
2º. O lado espiritual ou infalibilidade perfeita.

Iremos, deste modo, do conhecido ao desconhecido, do fato experimental ao fato divino, que nos fará compreender em que consiste o dogma da infalibilidade muitas vezes mal entendido.

I. O lado material

Nós precisamos da verdade: e esta verdade é a doutrina de Jesus Cristo.

Mas com distingui-la entre tantos erros que hoje correm mundo e penetram em todos os recantos da terra e dos espíritos?

Pela voz de alguém que nos ensina a verdade, sem receio de errar, sem possibilidade de desviar-se do caminho reto.

E este alguém, este homem privilegiado é aquele a quem o Cristo disse:

Eis que estou convosco até o fim dos séculos. (Math. XXVIII. 20)

Eu roguei por ti para que a tua fé não desfaleça. (Luc. XXII. 32)

Quem vos escuta, escuta a mim. (Luc. X. 16)

Eis o que chamamos a verdade certa, reta, completa, sem receio de erro, e que tem o nome de infalibilidade.

Aqueles que se revoltam contra este dogma sagrado, absolutamente necessário para dar-nos a certeza da veracidade da nossa fé, mostram que nem sequer compreendem o que é a infalibilidade... confundem-na com a inspiração ou com a impecabilidade, e não acreditando nem em uma nem na outra destas duas graças, não acreditam na infalibilidade.

Em que consiste, pois, a tal infalibilidade?

Consiste no privilégio outorgado por Jesus Cristo a Pedro e a seus sucessores de gozarem da assistência divina, para conservarem e explicarem a doutrina divina, de modo a não poderem errar, quando ensinam publicamente, em nome da Igreja, com a autoridade suprema de chefe da Igreja.

Que coisa mais simples pode haver?

Chamo um professor para ensinar-me uma ciência...

Tenho as minhas dúvidas.

Sou homem como ele, e o que ele compreende, eu posso compreendê-lo também... mas não o compreendendo, porque sou talvez de inteligência inferior, vivo na dúvida.

Ora, a dúvida é um tormento!

Para sair deste tormento, procuro um outro professor mais claro ou mais profundo em sua exposição... um terceiro se necessário for, até encontrar quem me explique o que quero saber.

Continuo a duvidar ... consulto mais, até inclinar-me diante de um homem de conhecida capacidade... diante dele inclino a fronte porque sinto que este não que enganar-me e tem o preparo necessário para ele mesmo não ser enganado.

Praticamente atribuo a este homem o dom de uma quase infalibilidade.

O mundo faz isso diariamente.

Um homem vai visitar New York, Ottawa, Bogotá, Quito, e depois conta-me as maravilhas de tudo o que viu e admirou; creio sem hesitar, embora nunca tenha visto uma destas cidades.

Dou a este viajante o dom da quase infalibilidade. Eu não vi, mas ele viu, e creio.

Pobres incrédulos! Não querem aceitar a infalibilidade do Papa, por ser Papa, e aceitam a infalibilidade de qualquer viajante, andarilho, professor ou escritor.

Estes merecem fé; só o Papa não o merece porque é Papa?

Mas isto é insensato!

Então o Papa, homem escolhido entre milhares, homem de idade, de virtude, de ciência, de experiência e de sinceridade, desde que senta-se na cadeira suprema de S. Pedro, não teria mais um privilégio que os homens concedem a qualquer outro, desde que nele notam sinceridade e capacidade?

Isto é apenas o lado exterior, material, da infalibilidade. Vejamos agora o seu lado interior, espiritual, e veremos maiores e mais altas necessidades da infalibilidade completa.

II. O lado espiritual

As dúvidas a respeito das ciências humanas não são as únicas a penetrarem em nosso espírito; há também as dúvidas religiosas, que procuram às vezes perturbar a nossa alma.

A dúvida é uma fraqueza... nós somos fraquíssimos. Eis porque nós precisamos de alguém que diga clara e categoricamente: A verdade certa é esta: crê!

O grande escritor francês conde de Maistre, disse alhures que a infalibilidade não é outra coisa senão a soberania e ajuntava que reclamando para a Igreja a infalibilidade, não reclamava nenhum privilégio, senão o de que gozavam todos os soberanos, pois todos agem necessariamente como infalíveis.

É uma grande verdade!

Não haveria soberania, nem tribunal supremo, nem juiz em última apelação, cujas sentenças seriam capazes de deter os espíritos perturbados e resistir a paz à sociedade, se não gozassem de uma espécie de infalibilidade.

Em toda jurisdição é preciso chegar-se a um juiz que julgue e não possa ser julgado por ninguém.

Ali o espírito para, inclina-se, sujeitando-se pelo menos exteriormente.

É somente uma quase infalibilidade, porque exige apenas a submissão exterior, porém já tem feição de verdadeira infalibilidade.

Se a lei pudesse exigir dos súditos a obediência interior e a submissão do espírito, seria uma infalibilidade completa.

É o caso da Igreja.

A Igreja não se contenta com a obediência exterior; ela quer uma adesão completa.

A fé não se corta pela metade: É preciso crer tudo, ou rejeitar tudo.

A razão desta intransigência é que na fé se trata da palavra de Deus e esta palavra é necessariamente infalível.

Ora, uma palavra infalível em si mesma, para conservar a sua integridade, deve necessariamente passar por um canaL transmissor igualmente infalível: e este canal é a voz do Pontífice de Roma.

Como poderíamos nós dizer: creio firmemente, se houvesse qualquer possibilidade de errar?

Deus devia dar à Igreja a infalibilidade, para que a nossa fé fosse isenta de dúvida.

A fé e a dúvida não podem dar as mãos.

A fé, mesmo divina, é sempre racional.

Deus é o autor da verdade, como Ele é o criador da nossa razão.

A fé, sem a razão, não se adaptaria ao nosso espírito.

A razão, sem a fé, está exposta a todos os erros.

Por isso não basta ter, possuir a palavra infalível de Deus; é necessário possuir também um espírito humano infalível que nos transmita esta palavra de Deus; deste modo a fé divina e a razão humana encontram-se num amplexo único, perfeito, que satisfaz a Deus e satisfaz ao homem.

A fé é a adesão às verdades reveladas por Deus, por causa da autoridade d’Aquele que revela.

Mas como ter a certeza de bem compreender o que Deus revela?

Aqui intervém a infalibilidade da Igreja:

Ela nos interpreta a verdade revelada, e nos dá a certeza absoluta pela assistência divina, de ser tal o sentido e a extensão da verdade revelada.

A infalibilidade é, pois, o complemento necessário da revelação divina.

III. Conclusão

Eis como a infalibilidade da Igreja se impõe inexoravelmente ao espírito de quem sabe refletir.

Na sua parte material, tal infalibilidade é atribuída à magistratura, os governos, até aos Professores.

Em sua parte espiritual, ela é Uma necessidade para a religião e para o nosso espírito.

Sentimos instintivamente que uma religião divina deve descer do Sinai, com a fronte luminosa, tendo nas mãos as tábuas da lei; ou então sair do Cenáculo tendo sobre a cabeça línguas de fogo e sobre os lábios palavras de convite para a humanidade, dizendo-lhe:

Tu precisas de verdade: Ei-la aqui!

Tu precisas de amor: Ei-lo aqui!

Tu precisas ir a Deus: dá-me a mão eu te conduzirei a Ele.

Mas como isso se poderia dar se a religião pudesse enganar-se? Se ela pudesse dar-me erro em vez da verdade? Se ela pudesse dar-me um amor falso, em vez de amor de Deus? Se ela pudesse lançar-me no abismo, em vez de conduzir-me a Deus?

Para ter a certeza de seguir o caminho reto – e Deus não pode permitir a dúvida em assunto tão grave - é preciso que a Igreja seja infalível.

Infalível porque vem de Deus!

Infalível, porque deve conduzir-nos a Deus. São verdades que não Se discutem... impõem-se pelo bom senso.

EXEMPLO

Napoleão I e o Papa Pio VII

Achando-se na ilha de Santa Helena, o imperador francês Napoleão recordava freqüentemente a cena de Fontainebleau, em que ele se mostrará tão arrogante para com o Sumo Pontífice. Um dia disse ao Conde Rathel, um de seus companheiros no exílio:

- José, não te achavas em Fontaineblau quando Pio VII predisse o meu futuro?
- Sim, Majestade.
- Tens presente aquela entrevista?
- Sim, jamais esquecerei o que então ouvi.
- Então, estás ainda lembrado das palavras do Papa?
- Perfeitamente, majestade. O Santo Padre disse: “O deus de outrora vive ainda; esse Deus tem sempre punido os perseguidores da Igreja”, e começou a hesitar.
- O que, José? Insistiu Napoleão, quando notou a hesitação do Conde.
- Disse que esse Deus destruiria a vossa majestade, se continuasse a oprimir a Igreja.
- Foi isso mesmo. De fato, meu caro amigo, o Deus de outrora vive ainda, e castiga os opressores de seu representante na terra. Ó! Sinto não poder gritar a todos os que receberam algum poder na terra: Respeitai ao Vigário de Jesus Cristo! Não ataqueis o Papa, porque sereis aniquilados pela mão justiceira de Deus, que protege a Cátedra de São Pedro.

Napoleão reconheceu o castigo merecido... Jesus Cristo castiga os opressores de seu Vigário na terra, toma a defesa de seu representante... Com quanto maior desvelo Jesus Cristo devia assistir ao Papa, para que não errasse, ensinando aos Cristãos a verdade divina!

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 339 - 346)

17 de setembro de 2011

CANTOS A MARIA (VI-5)

Maria nossa salvação

Vara de Jessé, que produzes fruto e flor,
lâmpada no céu resplandecente
e benigna para todos,
faze que se ornem fervorosos com Deus
nossos corações tíbios para o bem.

Tu foste lírio entre os espinhos
e flor dos vales,
és porto que dá alívio,
és sempre remédio para o mal

Apressa-te, ó Mãe,
mostra a imensa misericórdia,
oferece ao Filho o peito e o regaço,
e a nós impetra-nos perdão.


Contemple a Estrela

Se surgem contra ti
os ventos da tentação,
não temas tu;
recorde e contemple a Estrela do mar,
invoque Maria, Mãe de Deus.

Se ela te sustenta, não cairás;
se ela te protege,
não te danará o inimigo.

Contemple a Estrela do mar,
invoque Maria...

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo VI. pág. 133 - 134)

11 de setembro de 2011

O Amor da Almas, S. Afonso de Ligório. CAPÍTULO V.

Amor de Jesus em se deixar a si mesmo como comida antes de ir à morte.

1. Sciens Iesus, quia venit hora eius, ut transeat ex hoc mundo ad Patrem, cum dilexisset suos... in finem dilexit eos (Io. XIII, 1). O amantíssimo nosso Redentor, na última noite de sua vida, sabendo que já chegara o suspirado tempo de morrer por amor do homem, não lhe sofreu o coração de abandonar-nos sós neste vale de lágrimas; mas, para não se separar de nós nem mesmo com a sua morte, quis deixar-nos todo a si mesmo em comida no Sacramento do altar: dando-nos com isso a entender que depois deste dom infinito não tinha nada mais que dar-nos para mostrar-nos o seu amor. In finem dilexit eos [1]. Explica Cornélio de Lápide com o Crisóstomo e Teofilato segundo o texto grego a palavra finem, e escreve: Quase dicat extremo amore et summe dilexit eos. Jesus neste Sacramento fez o último esforço de amor para com os homens, como diz Guerrico abade: Omnem vim amoris effudit amicis (Ser. I, de Asc.) [2].
E melhor foi isso expresso pelo sacro Concílio de Trento, que, falando do Sacramento do altar, disse que o nosso Salvador, nele, pôs para fora, por assim dizer, todas as riquezas do seu amor para conosco: Divitias sui erga homines amoris velut effudit (Sess. XIII, c. 2) [3]. Tinha, portanto, razão S. Tomás o Angélico em chamar este Sacramento, Sacramento de amor e o maior penhor de amor que nos podia dar um Deus: Sacramentum caritatis, summae caritatis Christi pignus est (Opusc. LVIII, cap. 25) [4]. E S. Bernardo o chamava amor amorum [5]. E S. Maria Madalena de Pazzi dizia que uma alma, depois de ter comungado, pode dizer consummatum est, esto é, o meu Deus tendo-me dado a si mesmo nesta comunhão não tem nada mais que dar-me [6]. Um dia esta santa perguntou a uma noviça no que tinha ela pensado após a comunhão. Respondeu ela: “No amor de Jesus”. - “Sim, replicou então a santa, quando se pensa do amor não se pode passar adiante, mas é preciso parar no amor.” [7]
Ó Salvador do mundo, e que ganhais dos homens que sois induzido a dar-lhes até vós mesmo em comida? E que vos restou agora a dar-nos depois deste Sacramento para obrigar-nos a amar-vos? Ah, meu Deus amantíssimo, iluminai-me para fazer-me conhecer qual excesso de bondade foi este de reduzir-vos a ser minha comida na santa comunhão. Se vós, portanto, todo a mim vos destes, é justo que também eu me dê todo a vós. Sim, meu Jesus, eu todo a vós me dou. Amo-vos sobre todo bem e desejo receber-vos para amar-vos mais. Vinde, pois, e vinde amiúde à minha alma e fazei-a toda vossa. Ah, quem pudesse deveras dizer-vos como vos dizia o enamorado S. Filipe de Neri no momento em que comungou por viático: “Eis o meu amor, eis o meu amor, dai-me o meu amor” [8].
2. Qui manducat meam carnem et bibit meum sanguinem, in me manet et ego in illo (Io. VI, 57). Diz S. Dionísio Aeropagita que o amor tende sempre à união do objeto amado [9]. E porque a comida se faz uma mesma coisa com quem a come, por isso o Senhor quis reduzir-se a comida, a fim de que nós, recebendo-o na santa comunhão, nos tornássemos uma mesma coisa com ele: Accipite et comedite, disse Jesus, hoc est corpus meum (Matth. XXVI, 26). Como se quisesse dizer, considera S. Jo. Crisóstomo: dixit, me comede, ut summa unio fiat (Hom. XV) [10]: Homem, alimenta-te de mim, a fim de que de mim e ti se faça uma só coisa [11]. Assim como duas ceras liquefeitas, diz S. Cirilo de Alexandria, unem-se, assim uma alma que assim comunga une-se com Jesus que Jesus está nela e ela em Jesus [12]. Ó meu amado Redentor, exclama aqui S. Lourenço Justiniano, e como pudestes chegar a amar-nos tanto que quisestes unir-nos de tal modo a vós, que do vosso e do nosso coração se fizesse um só coração? O quam mirabilis est dilectio tua, Domine Iesu, qui tuo corpori taliter nos incorporari voluisti, ut tecum unum cor haberemus! (De div. am. c. IV) [13].
Bem, pois, dizia S. Francisco de Sales, falando da santa comunhão: “O Salvador não pode ser considerado em nenhuma ação nem mais amoroso nem mais terno que nesta, na qual se aniquila, por assim dizer, e se reduz a comida para penetrar nas nossas almas e unir-se ao coração dos seus fiéis” [14]. De modo que, diz S. Jo. Crisóstomo, àquele Senhor, no qual não ousam os anjos nem fixar os olhos, Huic nos unimur, et facti sumus unum corpus, uma caro [15]. Mas qual pastor, ajunta o santo, apascenta as suas ovelhinhas com o próprio sangue? As mesmas mães dão os seus filhos às nutrizes para alimentá-los; mas Jesus no Sacramento nos alimenta com o seu próprio sangue e a si nos une: Quis pastor oves próprio pascit cruore? Et quid dico pastor? Matres multae sunt, quae filios aliis tradunt nutricibus: hoc autem ipse non est passus, sed ipse nos proprio sanguine pascit (Hom. LX) [16]. Em suma, diz o santo, ele, porque ardentemente nos amava, quis fazer-se nosso alimento e uma mesma coisa conosco: Semetipsum nobis immiscuit, ut unum quid simus: ardenter enim amantium hoc est (Hom. LXI) [17].
Ó amor infinito, digno de infinito amor! Quando vos amarei, meu Jesus, como vós me amastes? Ó alimento divino, Sacramento de amor, quando me atraireis todo a vós? Vós não tendes mais o que fazer para fazer-vos amar por mim. Eu quero sempre começar a amar-vos, sempre vo-lo prometo, mas nunca começo. Quero começar desde hoje a amar-vos de verdade, ajudai-me vós. Iluminai-me, inflamai-me, desprendei-me da terra e não permitais que eu resista ainda a tantas finezas do vosso amor. Eu vos amo com todo o coração, e por isso quero deixar tudo para dar-vos gosto, minha vida, meu amor, meu tudo. Quero unir-me frequentemente convosco neste Sacramento, para desprender-me de tudo e amar-vos só a vós, meu Deus. Espero, pela vossa bondade, fazê-lo com a vossa ajuda.
3. Diz S. Lourenço Justiniano: Vidimus sapientem amoris nimietate infatuatum [18]: vimos um Deus, que é a própria sabedoria, tornado louco pelo muito amor pelos homens. E acaso não parece uma loucura de amor, exclama S. Agostinho, um Deus dar-se por alimento às suas criaturas? Nonne insânia videtur dicere: Manducate meam carnem, bibite meum sanguinem? [19] E que mais poderia uma criatura ter dito ao seu Criador? Audebimus et loqui, quod auctor omnium prae amatoriae bonitatis magnitudine extra se sit [20]: Fala assim S. Dionísio (V. de div. nom. c. 4) e diz que Deus, pela grandeza do seu amor, quase saiu fora de si, enquanto chegou a, sendo Deus, fazer-se homem, e até alimento dos homens. - Mas, Senhor, um tal excesso não era decente à vossa majestade. - Mas o amor, responde por Jesus S. Jo. Crisóstomo, não procura razão quando procura fazer bem e fazer-se conhecer ao amado; ele não vai onde lhe convém, mas onde é levado pelo seu desejo: Amor ratione caret, et vadit quo ducitur, non quo debeat (Serm. CXLVII) [21].
Ah meu Jesus, quanto me envergonho em pensar que, tendo à frente vós, bem infinito, amável sobre todo bem e tão enamorado pela minha alma, eu me voltei a amar bens vis e mesquinhos, e por eles deixei-vos. Ah, meu Deus, descobri-me sempre mais as grandezas da vossa bondade, a fim de que eu sempre mais me enamore de vós e me afadigue em dar-vos gosto. Ah meu Senhor, e qual objeto mais belo, melhor, mais santo, mais amável posso eu amar fora de vós? Amo-vos, bondade infinita, amo-vos mais do que a mim mesmo, e quero viver só para amar-vos, a vós que mereceis todo o meu amor.
4. Considera então S. Paulo o tempo no qual Jesus nos fez esse dom do Sacramento, dom que avança todos os outros dons que nos pode fazer um Deus onipotente, como fala S. Clemente: Donum transcedens omnem plenitudinem [22]. E S. Agostinho diz: Cum esset omnipotens plus dare non potuit [23]. Nota o Apóstolo dizendo: Dominus Iesus in qua nocte tradebatur accepit panem, et gratias agens fregit et dixit: Accipite et manducate, hoc est corpus meum quod pro vobis tradetur (I Cor. XI, 23, 24). Naquela mesma noite, então, na qual os homens pensavam em preparar para Jesus tormentos e morte, o amante Redentor pensou em deixar-lhes a si mesmo no Sacramento; dando-nos a entender que o seu amor era tão grande, que em vez de esfriar-se com tantas injúrias, mais ainda que nunca avançou-se em nossa direção. - Ah Senhor amorosíssimo, e como pudestes amar tanto os homens que quisestes permanecer com eles na terra para ser o seu alimento, depois que eles vos perseguiam com tanta ingratidão?
Note-se mais ainda o desejo imenso que teve Jesus na sua vida, que chegasse aquela noite que tinha destinado para deixar-nos este grande penhor do seu amor; pois que, em ponto de instituir este dulcíssimo Sacramento, disse: Desiderio desideravi hoc pascha manducare vobiscum (Luc. XXII, 15). Palavras com as quais nos revelou o ardente desejo que ele tinha de se unir conosco na comunhão pelo amor que nos tinha: Flagrantissimae caritatis est vox haec, diz S. Lourenço Justiniano [24]. E o mesmo desejo ainda conserva Jesus hoje em dia para com todas as almas que o amam. Não se encontra abelha, disse ele um dia a S. Matilde, que com tanto ímpeto se lança sobre as flores para sugar-lhes o mel, quanto eu por violência de amor venho à alma que me deseja [25].
Ó amante por demais amável, a vós não restam provas maiores a me serem dadas para persuadir-me de que me amais. Agradeço a vossa bondade. Atraí-me, meu Jesus, todo a vós: fazei que eu vos ame de hoje em diante com todo o meu afeto e com toda a ternura. Baste aos outros o amar-vos com amor somente apreciativo e predominante: bem sei que vós vos contentais com isso; mas eu não me considerarei contente se não quanto vir que vos amo ainda com toda a ternura, mais que amigo, mais que irmão, mais que pai e mais que esposo. E onde poderei eu encontrar para mim um amgo, um irmão, um pai, um esposo que me ame tanto quanto me amastes vós, meu Criador, meu Redentor e meu Deus, que por meu amor destes o sangue e a vida, e depois vos destes todo a mim neste sacramento de amor? Amo-vos, portanto, meu Jesus, com todos os meus afetos, amo-vos mais do que a mim mesmo. Ajudai-me a amar-vos e nada mais vos peço.
5. Diz S. Bernardo que Deus não nos amou por outro motivo senão para ser por nós amado: Ad nihil aliud amavit Deus, quam ut amaretur (In Cant.) [26]. E por isso protestou o nosso Salvador que ele viera à terra para se fazer amar: Ignem veni mittere in terram (Luc. XII, 49). E, ó, que chamas de santo amor acende nas almas Jesus neste diviníssimo Sacramento! Dizia o V. P. D. Francisco Olímpio Teatino que nada é tão apto a inflamar os nossos corações para amar o sumo bem, quanto a santa comunhão [27]. Hesíqui chamava Jesus no Sacramento: Ignis divinus [28]. E S. Catarina de Siena viu um dia em mão de um sacerdote Jesus sacramentado em semelhança de uma fornalha de amor, da qual se maravilhava como não ficasse queimado o mundo todo [29]. - O altar é mesmo, diz Ruperto abade [30] com S. Gregório de Nissa, aquela adega onde a alma esposa é inebriada de amor pelo seu Senhor [31]; de tal modo que, esquecida da terra, docemente arde e consome-se de santa caridade. Introduxit me rex, diz a esposa dos Cânticos, in cellam vinariam, ordinavit in me caritatem. Fulcite me floribus, stipate me malis quia amore langueo (Cant. II, 4, 5) [32].
Ó amor do meu coração, Santíssimo Sacramento! Ó, que eu me recordasse sempre de vós, para esquecer-me de tudo e amar só a vós sem intervalo e sem reserva! Ah meu Jesus, tanto batestes à porta do meu coração, que finalmente entrastes, como espero! Mas já que entrastes, roubai todos os afetos que não tendem a vós. Empossai-vos de mim de tal modo que eu ainda possa dizer-vos, com o profeta, em verdade, de hoje em diante: Quid mihi est in caelo, et a te quid volui super terram? Deus cordis mei, et pars mea in aeternum (Os. LXXII, 25, 26) [33]: Meu Deus, e que outra coisa desejo senão vós nesta terra e no céu? Vós só sois e sereis sempre o único Senhor do meu coração e da minha vontade; e vós só haveis de ser toda a minha partilha, toda a minha riqueza nesta e na outra vida.
6. Ide, dizia o profeta Isaías, ide publicar por todo o mundo as amorosas invenções do nosso Deus para fazer-se amar pelos homens: Haurietis aquas in gaudio de fontibus Salvatoris, et dicetis in illa die: Confitemini Domino et invocate nomen eius: notas facite in populis adinventiones eius (Is. XII, 3, 4). E que invenções não encontrou o amor de Jesus para fazer-se amar por nós? Ele na cruz quis abrir-nos nas suas chagas tantas fontes de graças que, para recebê-las, basta pedir-lhe com confiança. E, não contente com isso, quis dar-nos todo a si mesmo no SS. Sacramento!
Ó homem, diz S. Jo. Crisóstomo, e por que és tão baixo e vais no teu amor com tanta reserva com aquele Deus que sem reserva se deu a si mesmo todo a ti? Totum tibi dedit, nihil sibi reliquit [34]. Isso mesmo foi o que fez Jesus no Sacramento do altar, diz o Angélico, onde ele nos deu tudo o que é e tudo o que tem: Deus in Eucharistia totum quod est et habet dedit nobis (Op. LXIII, c. 2) [35]. Eis, acrescenta S. Boaventura, aquele Deus imenso que o mundo não pode compreender, tornado nosso prisioneiro e cativo, para que nós o recebamos no nosso peito na santa Comunhão: Ecce quem mundus capere non potest, captivus noster est (In praep. Miss.) [36]. Por isso S. Bernardo, considerando isso, extático de amor, ia dizendo: O meu Jesus quis fazer-se hóspede inseparável do meu coração: Individuus cordis mei hospes [37]. E já que o meu Deus, concluía, quis gastar-se todo por meu amor, Totus in meos usus expensus [38], é razão, dizia, que eu todo quanto sou me empregue em servir-lhe e amá-lo.
Ah meu caro Jesus, dizei-me, que outra coisa vos resta a inventar para fazer-vos amar? E eu haverei de continuar a viver tão ingrato a vós como fiz até agora? Senhor, não o permitais. Vós dissestes que quem se alimenta das vossas carnes na comunhão viverá por virtude da vossa graça: Qui manducat me, et ipse vivet propter me (Io. VI, 58). Já que, então, não desdenhais que eu vos receba na santa comunhão, fazei que a minha alma sempre viva com a verdadeira vida da vossa graça. - Arrependo-me, ó sumo bem, de tê-la desprezado pelo passado; mas vos agradeço que me dais tempo para chorar as ofensas que vos fiz, e tempo para amar-vos nesta terra. Na vida que me resta eu quero colocar em vós todo o meu amor, e quero comprazer-vos o quanto eu posso. Socorrei-me, meu Jesus, não me abandoneis. Salvai-me pelos vossos méritos, e a minha salvação seja amar-vos sempre nesta vida e na eternidade.
Maria, minha mãe, ajudai-me ainda vós. Amém.


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NOTAS:

[1]: “In finem, scilicet vitae, id est usque ad mortem... Secundo, in finem, scilicet amoris et dilectionis, quasi dicat: Extremo amore, et summe dilexit eos.” CORNELIUS A LAPIDE, Commentaria in Ioannem, in h. 1. - “Viden quomodo relicturus eos vehementiorem amorem exhibeat? Illud enim, Cum dilexisset suos, in finem dilexit eos, hoc significat: nihil praetermisit eorum quae ardenter amantem oportet facere.” S. Io. CHRYSOSTOMUS, In Ioannem, hom. 70, n. 1. MG 59-381, 382. - “Relicturus enim illos, vehementiorem caritatem ostendit. Nam per hoc quod dicit, Cum dilexisset suos, usque ad finem dilexit eos, hoc vult, quod nihil omiserit eorum quae facere decet eum qui multum diligit.” THEOPHYLACTUS, Bulgariae Archiepiscopus, Enarratio in Evangelium Ioannis, cap. 13, v. 1. MG 124-146.

[2]: GUERRICUS Abbas, Sermo in die Ascensionis Domini, n. 1. ML 185-155.

[3]: “Sacramentum hoc instituit, in quo divitias divini sui erga homines amoris velut effudit.” CONCILIUM TRIDENTINUM, Sessio XIII, de Eucharistia, cap. 2.

[4]: S. THOMAS, Opusculum 58, cap. 25 et cap. 5. - Vedi Appendice, 6.

[5]: “Potesne aestimare quale vel quantum est hoc Sanctum sanctorum, et sacramentum sacramentorum, amor amorum, dulcedo omnium dulcedinum?” De Cena Domini alius sermo. Opera S. BERNARDI, Basileae, 1552, col. 188. - Questo sermone, il quale comincia: Panem angelorum manducavit homo, è del tutto diverso da quello, sullo stesso argomento, che dal Mabillon (ML 183-22, n. XXV, e 184-950) viene rigettato come del tutto alieno dallo stile e genio di S. Bernardo, e che comincia: Sedisti ad mensam divitis. Però non viene accettato, e neppur ricordato, dal medesimo Mabillon tra le Opere di S. Bernardo.

[6]: “Tomada em êxtase, enquanto ela contemplava aquelas palavras que disse Jesus Cristo na cruz, Consummatum est, frequentemente se sentia atrair e fecundar o ânimo e outros conceitos e devotos sentimentos; então, assim cheia de grande afeto, prorrompeu nestas palavras: ‘Quando a alma recebeu em si o Pão de vida no Santíssimo Sacramento do Altar, por aquela união estreita que nele fez com Deus, pode bem ainda dizer: Consummatum est. Naquele alimento celeste todos os bens se encontram, aí todos os desejos se realizam em Deus: e que mais pode a alma querer, se contém em si aquilo que todas as coisas contém? Se ela deseja a caridade, tendo tem si aquilo que é a perfeita caridade, Deus caritas est, vem a ter em si a perfeição desta caridade. Assim da viva fé e da esperança, da pureza, da paciência, da humildade, da mansidão; porque Cristo na alma, mercê deste alimento, produz todas as virtudes. E que pode mais querer e desejar a alma, se todas as virtudes, dons e graças que ela possa querer e desejar, estão encerradas naquele admirável Deus, que está verdadeiramente sob aquelas espécies sacramentais, como em verdade está estado à direita do Pai no paraíso? In quo sunt omnes thesauri sapientiae et scientiae Dei. Ó, ó, quanto bem, então, tendo e possuindo a alma este Deus em si, pode dizer com verdade: Consummatum est. Outra coisa não quer ela, não deseja outra coisa, outro não almeja que ele, o qual então todo se lhe é dado, comunicando-lhe consigo mesmo todos os seus bens.” PUCCINI, Vita, Firenze, 1611, parte 4, cap. 4.

[7]: “Dava ela uma vez os exercícios espirituais de S. Inácio a uma sua filhinha, e tendo esta feito a meditação da instituição do Santíssimo Sacramento, ao referir-lha, disse que havia parado em considerar o amor com que Jesus instituiu, e que não havia passado adiante; à qual palavra de amor, a Irmã Maria Madalena ficou tomada de êxtase, e replicou muitas fezes estas palavras: ‘Quando se para no amor, não se pode mais ir adiante, mas é preciso parar no amor’.” CEPARI E FOZI, S. I., Vita, cap. 48.

[8]: “Tão logo entrou Borromeu (Cardeal Frederico) na câmera com o Santíssimo Sacramento na mão, que o santo velho, subitamente - ainda que antes estivesse com os olhos fechados e parecesse morto - abriu os olhos, e com grande fervor de espírito disse em alta voz com muitas lágrimas: ‘Eis o meu amor! Eis todo o meu amor e todo o meu bem! Dai-me logo o meu amor!’ E isso dizia com tanto afeto que todos aqueles que estavam ali presentes choravam... Quando estava no ato de comungar, todo afervorado disse: ‘Vem, vem, ó Senhor! Vem, meu amor!’ e comungou.” BACCI, Vita, lib. 4, cap. 1, n. 4.

[9]: “Amorem, sive divinum, sive angelicum, sive spiritalem, sive animalem, sive naturalem dixerimus, vim quamdam sive potestatem copulantem et commiscentem intelligamus.” DIONYSIUS AREOPAGITA, De divinis nominibus, cap. 4, § 15.

[10]: “Propter te (ait Christus) sputa et alapas tuli, gloriam evacuavi, Patrem reliqui, et ad te veni, qui me odio habebas et aversabaris nec nomen meum audire volebas; persecutus sum et cucurri, ut te detinerem; univi et coniunxi te mihi: Comede me, dixi, bibe me... Comedor, in frusta concidor, ut multa sit coniunctio et commixtio et unio.” S. Io. CRYSOSTOMUS, (Brixio interprete, Venetiis, 1583: ut summa coniunctio, et commixtio atque unio fiat.) In Epistolam I ad Timotheum, homilia 15, n. 4. MG 62-586.

[11]: Nas edições anteriores a 1755 e na Romana (De' Rossi 1755), lê-se: “a fim de que de mim e ti se faça a maior união que seja possível.”

[12]: “Servator ipse: “Qui manducat meam carnem, inquit, et bibit meum sanguinem, in me manet, et ego in illo.” Hic enim animadvertere est operae pretium, Christum non dicere se dumtaxat in nobis futurum secundum relationem quamdam affectualem, sed et per participationem naturalem. Ut enim si quis ceram cerae indutam igne simul liquaverit, unum quid ex ambobus efficit, ita, per corporis Christi et pretiosi sanguinis participationem, ipse quidem in nobis, nos autem rursus in eo, simul unimur.” S. CYRILLUS ALEXANDRINUS, In Ioannis Evangelium liber 10, n. 2. MG 74-342.

[13]: “O quam mirabilis est dilectio tua, Domine Iesu, qui, antequam ascenderes in caelum, dimisisti homini potestatem ut te, qui velit, habeat in Altari, et tuo corpori taliter nos incorporare voluisti et sanguine potare pretioso, ut sic tuo inebriati amore, tecum unum cor, et unam animam haberemus inseparabiliter colligatam.” S. LAURENTIUS IUSTINIANUS, De incendio divini amoris, cap. 5. Opera, Venetiis, 1721, pag. 621, col. 2.

[14]: “Non, le Sauveur ne peut être consideré en une action ni plus amoureuse ni plus tendre que celle-ci, en laquelle il s' anéantit, par maniére de dire, et se réduit en viande, afin de pénétrer nos âmes et s' unir intimement au coeur et au corps de ses fidéles.” S. FRANCOIS DE SALES, Introduction à la vie dévote, partie 2, ch. 21. (Euvres, III, Annecy, 1893.

[15]: “Quod angeli videntes horrescunt, neque libere audent intueri propter amicantem inde splendorem, hoc nos pascimur, huic nos unimur, et facti sumus unum Christi corpus, et una caro.” S. IO. CHRYSOSTOMUS, Opera, V, Venetiis, 1574. Homilia 60 ad populum Antiochenum. - Alias: In Matthaeum, hom. 82 (al. 83), n. 5 MG 58-743.

[16]: “Quis pastor oves proprio pascit cruore? Et quid dico pastor? matres multae sunt quae, post partus dolores, filios aliis tradunt nutricibus: hoc autem ipse non est passus, sed ipse nos proprio sanguine pascit, et per omnia nos sibi coaugmentat.” Ibidem. - MG 58-744.

[17]: “Unum corpus sumus et membra, ex carne eius, et ex ossibus eius... Ut itaque non tantum per caritatem hoc flamus, verum et ipsa re in illam misceamur carnem, hoc per escam efficitur quam largitus est nobis, volens ostendere desiderium quod erga nos habet. Propterea semetipsum nobis immiscuit, et corpus suum in nos contemperavit, ut unum quid efficiamur, tamquam corpus capiti coaptatum: ardenter enim amantium hoc est.” S. Io. CHRYSOSTOMUS, Opera, V, Venetiis, 1574, Homilia 61 ad populum Antiochenum. - Alias: In Ioannem, hom. 46 (al. 45.) n. 2 et 3. MG 59-260.

[18]: “Adeamus cum fiducia, non ad thronum gloriae, sed ad diversorium humanitatis eius (specum Bethleemiticum)... Ibi namque agnoscemus exinanitam maiestatem, Verbum abbreviatum, solem carnis nube obtectum, et sapientiam amoris nimietate infatuatam.” S. LAURENTIUS IUSTINIANUS, Sermo in festo Nativitatis Domini. Opera, Venetiis, 1721, pag. 328, col. 1.

[19]: “Recordamini Evangelium: quando loquebatur Dominus noster Iesus Christus de corpore suo... discipuli eius... expaverunt, et exhorruerunt sermonem, et non intelligentes putaverunt nescio quod durum dicere Dominum... Ille autem dicebat: Nisi quis manducaverit carnem meam et biberit sanguinem meum... Quasi furor iste et insania videbatur dare carnem meam et bibite sanguinem meum? Et dicens: Quicumque non manducaverit carnem meam, et biberit sanguinem meum, non habebit in se vitam, quasi insanire videtur. Sed.... insanire videtur... stultis et ignorantibus.” S. AUGUSTINUS, Enarratio in Ps. XXXIII, sermo 1, n. 8. ML 36-505.

[20]: “Est praeterea divinus amor extaticus, qui non sinit esse suos qui sunt amatores, sed eorum quos amant... Audendum est hoc etiam pro veritate, dicere quod ipsemet omnium Auctor, pulchro et bono omnium amore, propter excellentiam summam amatoriae bonitatis, extra se per providentias omnium rerum exsistit (verbo ad verbum extra se... fit), et bonitate atque dilectione et amore veluti delinitur et oblectatur (proprie: attrahitur, quadam nempe quasi incantatione).” DIONYSIUS AREOPAGITA, De divinis nominibus, cap. 4, § 13. MG 3-711.

[21]: “Quid erit, quid debeat, quid possit, non respicit ius amoris. Amor ignorat iudicium, ratione caret, modum nescit. Amor non accipit de impossibilitate solatium, non accipit de difficultate remedium. Amor, nisi ad desiderata pervenerit, necat amantem; et ideo vadit quo ducitur, non quo debeat. Amor parit desiderium, gliscit ardore, ardor ad inconcessa pertendit.” S. PETRUS CHRYSOLOGUS (non già S. Gio. Grisostomo), Sermo 147, De Incarnationis sacramento. ML 52-595.

[22]: “Et cum tam copiosa fuerit erga nos eius (Christi) munificentia, volens adhuc ipse in nobis suam exuberantem caritatem praecipua liberalitate monstrare, semetipsum nobis exhibuit, et transcendens omnem plenitudinem largitatis, omnem modum dilectionis excedens, attribuit se in cibum. Oh singularis et admiranda liberalitas, ubi donator venit in donum, et datum est idem penitus cum datore!” CLEMENS PP. V., (non già S. Clemente) in Concilio Viennensi, Clementinarum lib. 3, tit. 16, cap. unico: Si Dominum.

[23]: Lohner, Bibliotheca concionatoria, tit. 52, § 3, n. 32: “Audeo dicere quod Deus, cum sit omnipotens, plus dare non potuit; cum sit sapientissimus, plus dare nescivit; cum sit ditissimus, plus dare non habuit.” E é citada como fonte, “ S. Augustinus, in Ioannem, tract. 48”, onde não se encontra; como tampouco no tratado 84 (In Ioannem), ao qual refere Mansi, Bibliotheca moralis praedicabilis, tract. 26, discursus 8, n. 7: i.e. II, 201. Emprega as mesmas palavras, mas sem atribuí-las a S. Agostinho nem a outros, o Contenson, Theologia mentis et cordis, lib. 11, dissertatio 3, como título da Speculatio II.

[24]: “Vulnerati cordis et flagrantissimae caritatis est vox haec. Habet in se unde pascat ruminantes se.” S. LAURENTIUS IUSTINIANUS, De triumphali Christi agone, cap. 2. Opera, Venetiis, 1721, p. 229.

[25]: “Acordando uma noite do son, esta esposa de Cristo, e saudando com todo o coração o Senhor, viu aquele que, do palácio do céu vinha a ela, e aplicava o seu divino coração ao coração da alma, dizendo-lhe: ‘Nenhuma belha se lança tão avidamente nos verdejantes prados para eleger as doces flores, como faço eu vindo à tua alma, quando me chamas’.” Libro della spiritual grazia, delle rivelazioni della B. METILDE, Vergine, raccolto dal R. P. F. Gio. Lanspergio, lib. 2, cap. 4.

[26]: “Cum amat Deus, non aliud vult quam amari: quippe non ad aliud amat nisi ut ametur, sciens ipso amore beatos qui se amaverint.” S. BERNARDUS, In Cantica, sermo 83, n. 4. ML 183-1183.

[27]: Costumava dizer que não havia coisa que mais vivamente inflamasse o afeto e o amor dos homens, que este inefável sacramento, que sob um sutil véu de poucas espécies sacramentais, encerrava o mais puro miolo do céu, as delícias da divina caridade, os alimentos da vida, e o mesmo Deus.” Giuseppe SILOS, Vita del Ven. D. Francesco Olimpio, lib. 2. cap. 5.

[28]: “Quando.....ad divina et impolluta mysteria Christi.... admittimur, tum maiorem et accuratiorem temperantiam et mentis custodiam demonstrare debemus, ut ignis divinus, nempe corpus Domini nostri Iesu Christi, peccata nostra, et tam magnas quam exiguas sordes absumat.” HESYCHIUS, presbyter Hierosolyminatus, De temperantia et virtute, Centuria 1, n. 100. MG 93-1511.

[29]: “Ela não vinha nunca ao sacro altar sem que muitas coisas lhe fossem mostradas superiores aos sentidos, e singularmente quando ela recebia a sagrada comunhão, porque frequentemente via escondido nas mãos do sacerdote um bebê, às vezes uma criança um pouco maior, outra vez uma fornalha de fogo ardente, na qual lhe parecia que entrava o sacerdpte até que tomava o Sacramento.” B. RAIMONDO da Capua, O. P., Vita, parte 2, cap. 6, n. 3.

[30]: Não expressamente este versículo dos Cânticos: Introduxit me in cellam (II, 4), mas o precedente: Sub umbra illius quem desideraveram, sedi, et fructus eius dulcis gutturi meo (II, 3), aplica Ruperto ao sacramento da Eucaristia, dizendo: “Ubi tempus venit huiusce fructus edendi, accipiens panem et vinum, et benedicens: Accipite, inquit, et comedite, hoc est corpus meum. Accipite et bibite hic est sanguis meus (Matt. XXVI).” RUPERTUS Abbas, Commentaria in Cantica Canticorum, lib. 1. ML 168-860.

[31]: “Introducite me in cellam vinariam... Rogat (anima) ut deducatur ad ipsam cellam vinariam, et ipsis torcularibus os subiiciat, et dulce vinum scatens aspiciat, botrumque qui exprimitur in torcularibus, et vitem illam quae hunc botrum alit, et verae illius vitis agricolam, qui adeo optimum et suavem efficit botrum... Cupit ingredi domum, in qua est vini mysterium ac sacramentum.” S. GREGORIUS NYSSENUS, In Cantica Canticorum, hom. 4. MG 44-846.

[32]: Introduxit me rex in cellaria sua. Cant. 1, 3. - Introduxit me in cellam vinariam, ordinavit etc. Cant. II, 4, 5.

[33]: Quid enim mihi est in caelo? et a te quid volui super terram? Defecit caro mea et cor meum: Deus cordis mei, et pars mea Deus in aeternum. Ps. LXXII, 25, 26.

DÉCIMO TERCEIRO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

A palavra do Papa

O Evangelho de hoje nos ensina o grande dever da gratidão.

O divino Mestre, tendo curado dez leprosos, queixa-se de que só um lhe venha agradecer, glorificando a Deus.

A gratidão é uma virtude tão rara, porque rara é a humildade que sabe reconhecer os dons que recebe.

Nós católicos temos milhares de razões de agradecermos a Deus os benefícios recebidos; há, porém, um benefício, do qual nos esquecemos facilmente, e não agradecemos bastante: é a felicidade de possuirmos o dom da fé na palavra de Deus, na palavra caída diretamente dos lábios do Divino Mestre e indiretamente pelos lábios do Soberano Pontífice.

Para excitar em nós esta gratidão, vamos contemplar hoje a palavra de Jesus Cristo passando pelos lábios do Papa, palavra infalível porque é divina.

A infalibilidade deve ser bem conhecida para que se dissipem preconceitos acumulados contra este dogma, tão simples quanto evangélico.

Vejamos, pois:

1º. Em que consiste a infalibilidade;
2º. Como o Papa é infalível.

No primeiro ponto formaremos uma idéia certa da infalibilidade e no segundo mostraremos que o Papa é verdadeiramente infalível.

I. Em que consiste a infalibilidade

A palavra do Papa é infalível. Qual é o sentido desta asserção?

Será que o Papa possui ciência universal?

Não; Jesus Cristo disse aos apóstolos: Ide, ensinai todas as gentes... ensinado-as a observar todas as coisas que eu vos mandei. (Math. XXVIII. 19)

Ora, Jesus Cristo não ensinou a seus Apóstolos, nem química, nem zoologia, nem botânica, nem medicina, nem métodos contingentes da política e da economia social; ensinou-lhes a religião, que é a regra das nossas relações para com Deus e com próximo, e que compreende o dogma para o espírito e a moral para o coração. Eis o que é claro.

A palavra do Papa é, pois, infalível; não em todas as ciências, mas unicamente na ciência da religião.

Aqui ainda é necessária uma explicação. A palavra do Papa é infalível.

Quer dizer isto que ele pode à vontade criar ou modificar dogmas?

Absolutamente não! O Papa nada cria, nada inventa, nada muda.

Jesus Cristo ensinou aos Apóstolos tudo o que deviam dizer e o Papa não tem outra função senão a de conservar e ensinar a doutrina recebida, sem nada ajuntar, sem nada suprimir. Tal função é já bastante nobre por si mesma.

Quererá dizer isto que o Papa está preservado de todo perigo de erro no ensino da religião?

A infalibilidade compreende tudo o que diz respeito ao depósito da revelação, a todas as coisas da fé e da moral; é este o seu domínio próprio.

A infalibilidade estende-se a tudo o que se deve crer, isto é, a todo o ensinamento dogmático.

Jesus disse a seus discípulos: O Espírito Santo vos ensinará todas as coisas e vos relembrará tudo o que vos tenho dito. (João XIV. 26)

Esta infalibilidade estende-se também a tudo o que se de fazer, isto é, ao ensino moral, pois Jesus Cristo disse ainda:

Ensinai-lhes... a observar todas as coisas que vos mandei (Math. XXVIII. 19)

No ensino dogmático como no ensino moral, o Espírito Santo não sugere e não ensina senão o que Jesus Cristo já dissera e ensinara aos Apóstolos.

A fé e os costumes, o dogma e a moral, eis, pois, o objeto próprio da infalibilidade.

Nada mais, nada menos.

II. Como o Papa é infalível

As próprias necessidades da Igreja supõem e exigem a infalibilidade de seu Chefe.

Porque a supõem?

Porque há 19 séculos que os cristãos sofrem, lutam, e derramam o seu sangue para não renunciarem a um só ponto da sua religião! Isso é heróico, sem dúvida, é, porém, antes de tudo, o cumprimento de um dever.

A Igreja exige uma fé completa, absoluta. Para ficarmos filhos da Igreja temos de crer com uma firmeza tal que nem os tormentos, nem o medo da morte nos possam abater.

Ora, para se submeter a tais exigências, é preciso que o católico tenha absoluta certeza de que dizendo: creio, adere à verdade, sem possibilidade de erro.

Como admitir que alguém sacrifique a vida por causa de uma palavra que pode ser talvez errada? É impossível, seria a mais tremenda tirania!

As nossas necessidades exigem seja o Papa infalível.

O homem quer ter certeza em questão tão importante de que depende a salvação da sua alma.

Dante, o grande poeta italiano, fugindo de um inimigo poderoso e cruel, foi de noite bater à porta de um convento:

- Que deseja o Sr.? Perguntou o Irmão porteiro.
- Desejo e procuro a paz – respondeu o grande proscrito.

Pois bem, todos nós, em certas horas da vida ouvimos, no fundo da consciência, estas perguntas capitais:

- Donde vens tu? Para onde vais? Porque sofres? Que será de ti? Enquanto não obtivermos resposta certa a este terrível questionário não podemos possuir a paz: vivemos na inquietação e na ansiedade!

E quem nos dará a resposta certa? Os livros? Mas, quantas pessoas há que nem sabem ler! E quantos outros não têm o tempo de ler! E quantos livros errados, mentirosos, perversos, andam por este mundo afora!

E, depois supondo que encontremos as respostas nos livros, ou sobre lábios amigos, mesmo assim, serão sempre um “talvez” e nunca darão a certeza absoluta.

Ora, quem arrisca a vida por causa de um “talvez”?

Queremos a certeza, e esta certeza nos é dada pela palavra do representante de Cristo na terra, o Papa; sua palavra infalível nos dá a certeza do que pedimos e do que nos diz.

O Papa fala; a fé me diz que a sua palavra é o eco certo da palavra divina: toda a dúvida se dissipa... eis que na alegria da certeza, me prostro, pronunciando o meu: “creio”!

Tenho a certeza e a paz!

A infalibilidade é pois uma necessidade e tanto as almas como a Igreja exigem esta infalibilidade.

III. Conclusão

Como disse no começo, esta grande e consoladora verdade exige, da nossa parte, um imenso brado e gratidão.

Os mais ilustres espíritos da antiguidade reconheciam que, com toda a sua ciência e filosofia, não chegariam em questão de fé e de moral, senão ao ridículo e, muitas vezes à podridão mais abjeta.

Platão dizia: “Não pensamos em reformar os costumes dos homens antes de Deus nos mandar alguém que nos ensine em seu nome”.

E Cícero confessava: “O único meio de reconstituir a verdade religiosa é recorrer aos ensinamentos divinos”.

Este ensino divino, esta doutrina certa que os sábios antigos reclamavam tão ansiosamente, nós o possuímos graças à infalível palavra do Papa.

Enquanto fora da Igreja as almas, os sábios e os sensatos reclamam esta infalibilidade sem encontrá-la, nós a possuímos na palavra de Deus infalível representada pelo seu substituto infalível, o Papa.

Fora da Igreja, as almas andam às palpadelas na obscuridade e na noite, em busca do caminho certo da verdade e da virtude, enquanto nós católicos ouvimos ressoar a nossos ouvidos a afirmação clara e positiva do Salvador: Quem vos escuta, escuta a mim – Pedro... confirma os teus irmãos - Pedro roguei por ti para que a tua fé não desfaleça...

EXEMPLO

A palavra de Cristo

É no Papa que o Cristo depositou a sua palavra. Se o ruído das doutrinas opostas vos inquieta; se um livro novo, aplaudido pelo mundo, vos perturba a fé, se os continuadores de Ário, de Lutero, de Jansênio lançarem o seu brado de revolta contra a divindade de Cristo, contra a confissão, a graça, etc.; se, atormentados na hora presente pela questão social, procurais, com boa fé, uma luz, uma solução, uma palavra decisiva... ide ao Papa!

Economistas, não cristãos, até são obrigados a reconhecer que lá no alto do Vaticano há lampejos, há iluminações admiráveis, que tudo põem em plena luz!

É no Papa que Jesus Cristo depositou a sua palavra! (Mons. Gibier)

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 331 - 337)

10 de setembro de 2011

CANTOS A MARIA (VI-4)

Terna Jovem

Quão bela és, terna jovem,
quão delicada e isenta de mancha,
quão poderosa e eterna Rainha,
segundo atestam teus numerosos milagres.

Tu foste a lã sobre a era,
Arca de aliança, Torre de marfim,
sê tu nosso escudo salvador,
grão puro sem casca.

Digníssima Filha de David,
Virgem, a mais bela entre as mulheres,
cidade real e torre forte,
defende-nos da má morte.

A beleza de Maria

Ei-la visto como uma pomba
que subia sobre os espelhos das águas,
e seu inestimável perfume
fluía em abundância de suas vestes.

Como dias de primavera
a circundavam pétalas de rosas
e lírios dos vales.

Quem é esta que sobe do deserto
como nuvem de vapor,
com aromas de mirra e incenso?

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo...

Como dias de primavera
a circundavam pétalas de rosas
e lírios dos vales.

4 de setembro de 2011

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

O Papa na História

Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes, exclamou o divino Mestre.

Que viram os discípulos?

Viram a grande obra começada por Jesus Cristo: a fundação da Igreja, as virtudes divinas, que dela já se irradiavam; a transformação que estava realizando.

Esta Igreja imortal combatida em sua origem, como é combatida todos os dias sem nunca vacilar sob a sua base divina, ensinando a verdade a todas as criaturas: eis a grande maravilha que os discípulos podiam presenciar e cuja contemplação os faz bem-aventurados.

Eles podiam apenas contemplar o início, a fundação; nós podemos contemplar a sua irradiação através do mundo.

Os discípulos só viram Pedro, feito pedra fundamental da Igreja: nós podemos estender as nossas vistas sobre os 263 sucessores de São Pedro. Eles só podiam ver o Papa na pessoa de Pedro, nós podemos vê-lo na História: o que é a Grande e perpétua maravilha do mundo.

Examinemos hoje, de perto, a dinastia do Papado.

1. Em si mesma;
2. Em sua ação social.

Este duplo aspecto do Papado revela horizontes por muitos desconhecidos, e que, entretanto, sendo mais sensíveis, são facilmente compreendidos pelo povo.

I. O Papado em si mesmo

A origem do Papado é diferente das origens de qualquer governo, porque vem diretamente de Deus.

Não são, nem os reis, nem o povo, nem os Bispos, nem os concílios, que dão ao Papa a sua autoridade: ela vem diretamente de Deus.

A dinastia dos Papas tem, sobretudo, dois caracteres que a distinguem das dinastias da terra: ela é acessível a todos, ela é uma fonte de santidade.

Não é rei quem o quer ser; é uma herança, uma conseqüência de hereditariedade. É o sangue que faz os reis: e é a escolha de Deus que fez os Papas.

Nenhum homem fica excluído do Papado: todos podem sê-lo. . .

Encontrando em vosso caminho um pobre pequeno pastor de rebanho, esfarrapado e comendo um pedaço de pão preto, ninguém pode dizer-lhe: Meu amigo, nunca tu serás Papa; pois ele poderia responder-vos que um dia um homem da sua condição sentou-se na cátedra de Pedro e operou ali grandes coisas, chama-se o Papa Sixto V. E não há só este.

O Papa Adriano IV era filho de uma mãe que pedia esmola.

Urbano IV era filho de um tropeiro, Benedito VI era filho de uma lavadeira, Benedito XII, filho de um padeiro, Sixto IV, filho de um pescador, Adriano VI, filho de um marinheiro, Pio X, filho de modestos agricultores.

Há, pois, no número dos Papas, filhos de pobres operários, como há filhos de príncipes, de generais e de homens ilustres.

O que voga aí não é o sangue, é a escolha divina: Não sois vós que me escolhestes, disse o Salvador aos Apóstolos, mas sou eu que vos escolhi.

Eis uma primeira particularidade da dinastia dos Papas: a sua acessibilidade para todos; a segunda particularidade é a sua santidade.

Os inimigos da religião procuram, nas épocas perturbadas e obscuras da História, figuras de Papas menos dignos da sublimidade da sua missão e imaginam que envergonham os católicos citando estes seus chefes; mas enganam-se.

A História verdadeira imparcial mostra as calúnias assacadas à memória destes Pontífices e com documentos na mão, prova que tais e tais Papas acusados de uma vida menos austera, são muitas vezes homens de extraordinárias virtudes. (1)

Mas, mesmo admitindo que um ou outro Papa tenha sido menos digno da autoridade suprema, que provaria isto?

Provaria que as defecções pessoais de um Papa nada tem com a indestrutibilidade da Igreja, que é independente das pessoas que a governam.

Provaria ainda que tais Papas, nunca ensinaram na Igreja, nem falsos dogmas nem moral perversa.

Provaria ainda que tais pretensas manchas do Papado, como as do sol, são excepcionais e afogadas no esplendor do conjunto.

Provaria enfim que nenhum trono do universo brilhou com tanta sabedoria, ciência e virtude, e que em sua quase totalidade, a dinastia dos Papas se nos aparece imaculada, radiante de santidade.

II. O Papado em sua ação social

Uma dupla irradiação desprende-se do Papado: nas almas e no mundo.

O Papado comunica às almas a verdade, a graça divina, a santificação.

Comparai o Papado às demais dinastias, e ficareis espantados pelo contraste: a maior parte dos soberanos não pensa senão em seus interesses pessoais, em sua raça; os melhores entre eles pensam em seu país.

Quais são estes que pensam na humanidade?

Quem olha mais alto que os interesses que passam?

O cume dos mais nobres é de cuidar da civilização. Mas quem pensa nas almas? Quem pensa em Deus? Quem pensa na eternidade?

Só o Papado!

Há dezenove séculos que cuida e trabalha nisto.

Fazei as reservas que quiserdes, nomeai tal ou tal Papa que cuidava em outra coisa.

Mesmo tratando de outras coisas, ele pensava nisso, e a imensa maioria dos Papas não cuidava senão nisso.

Isto seria o bastante para que um homem sincero se prostrasse de joelhos diante desta dinastia, que durante 19 séculos tem apenas um objetivo: as almas; uma finalidade: a instrução, a purificação e a transfiguração sobrenatural da raça humana.

Acusar-nos-ão talvez de colocarmos o Papado nas nuvens!

Não! A alma é uma realidade e não uma palavra vã; e ocupar-se das almas não é uma obra estéril, mas sublime.

Desde que se admite que nos homens há outra coisa que uma poeira organizada, é uma obra esplêndida tratar da parte mais nobre do homem: da sua alma.

Ora, é o que os Papas fazem desde S. Pedro até Pio XII.

Uma, segunda irradiação do Papado encobre o mundo Inteiro.

Todos concordam que a lei moral é a saúde das nações, e que povos corrompidos são povos acabados.

Ora, o que fazem os Papas? O que fizerem durante os 19 séculos de seu reino?

Conservam, pregam, protegem, aplicam a lei moral. São infalíveis, intolerantes, dizem inimigos, sobre o Decálogo, como sobre o Símbolo, e isto é a sua glória insuperável.

Nunca os Papas sacrificam uma sílaba do dogma, nem da moral.

O mundo atual geme sob o triunfo da injustiça e sobre a derrota do direito, que constituem o grande escândalo da história.

Ora, que fizeram os Papas durante estes 19 séculos, senão fulminar a iniqüidade e vingar a justiça oprimida?

Os homens exaltam o progresso das letras; das ciências e das artes. Ora, o que fazem os Papas, senão trabalhar para a difusão das luzes? Eles são os inimigos irreconciliáveis da ignorância: compõem livros, fundam Universidades, Seminários, constroem monumentos, encorajam a pintura, a música, as artes.

Nós, apenas ensaiamos o que eles nunca deixam de fazer, o que fizeram antes de nós, e melhor do que nós.

Ide a Roma e computai as suas riquezas artísticas: sereis obrigados a proclamar que os Papas têm sido grandes artistas da civilização no que ela tem de mais elevado e delicado.

Ah, sem o Papado, não teríamos nem estes príncipes, reis, imperadores cristãos, não teríamos estas belas nações cristãs, esta civilização cristã; este mundo cristão; seríamos apenas o que é a China, a África, a Ásia, e tantos outros países, que não souberam progredir nem na civilização, nem na justiça, nem na virtude.

É preciso rasgar a história ou proclamar a influência benfazeja e civilizadora da dinastia dos Papas!

III. Conclusão

Eis o Papado considerado em si mesmo e considerado em sua influência social.

O homem sincero deve confessar que o Papado é uma força divina neste mundo, uma força sempre ativa e sempre conquistadora.

Pode se prender, exilar, matar o Papa; mas ele, prisioneiro, exilado, até morto, continua a falar com a mesma força e o mesmo poder. A razão é que o Papado não é simplesmente uma pessoa, é uma instituição divina, encarnada numa pessoa humana.

Há séculos que os maus bradam que vão sepultar o Papado; mas ele, calmo e sublime, representado por um ancião sem armas e sem exércitos continua a abençoar a virtude, a civilizar os povos, a condenar o vício; e quando a impiedade julga lançar a pá de cal sobre o túmulo do Papado, os próprios perseguidores caem na sepultura que tinham aberto, exclamando como Julião o Apóstata: Galileu, tu venceste!

O Papado é eterno, porque é divino, e por ser divino, ele domina o mundo, subjuga os séculos, e estende a todos os náufragos da vida a sua mão paternal que segura o farol da verdade, a palma da virtude e a corda do triunfo.

EXEMPLOS

1. Palavra de Guizot

Guizot escreveu: “Ao considerar as coisas, deve-se confessar que o Papado, e só ele, tem sido o poder medianeiro conciliador. É ele que pôs a pedra fundamental do direito internacional, levantando-se contra as pretensões, as paixões e a força brutal”.

2. O rei de Siam

O rei de Siam, em 1906, narrando a sua viagem à Europa, escreveu:

- Em toda parte tenho sido esplendidamente recebido; tudo isso, porém, era oficial. É somente no Vaticano que tenho visto a alma de um pai. Sente-se que em seu coração há qualquer coisa de divino.

3. Lamoriciere


A causa do Papa é a causa da liberdade do mundo.

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1) Cfr. A este respeito o nosso livro: “O Cristo, o Papa e a Igreja”, cap. V, “Os maus Papas”, onde tais calúnias estão refutadas.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 323 - 330)

3 de setembro de 2011

CANTOS A MARIA (VI-3)

As dores da Virgem

Abaixo da luz se senta, em pranto,
a Mãe de Deus,
enquanto aproxima Jesus de seu casto regaço.
Como chora ao contemplar o rosto
de seu Filho dilacerado!

Beija com seus piedosos lábios
as vermelhas chagas de Jesus,
estreita com ambos os braços
seus ombros e seus flancos.

Ó Maria, vermelha rosa,
branco lírio,
doce, pia, amorosa,
aplaca a seu Filho.

Feliz, o deste à luz
entre angelicais cantos;
agora, desprendido da cruz,
O estreitas com feridos braços.

Alma piedosa,
compadece a Cristo e à sua Mãe;
se desejas gozar
com eles no céu.

Jesus, Filho de Deus, apieda-Te de mim
pelas preces de tua devota Mãe,
salva-me por tua cruz,
leva-me contigo ao céu até a verdadeira luz.

Tu, que ao ladrão contrito
prometestes o paraíso,
perdoa-me, pecador,
por teu sangue redimido.

Filhas de Jerusalém,
venham e vejam;
convertam-se ao Crucificado
e ponham-se a chorar.


Jóia de pudor

Maria, fidelíssima guardiã
de seu próprio pudor,
como rola fugia,
e na solidão do coração vivia
como em pequeno ninho de candor.

Guiava seus pensamentos
com santa meditação,
até a posse de consumada virtude
e até os frutos de contemplação.

Assim a dulcíssima Maria
era amiga do sossego,
gostava de permanecer em casa
em vez de sair à rua.

A muito humilde Maria
odiava os tumultos,
fugia das aglomerações
para não sofrer detrimento
nem em sua alma ou em seu nome.

Jóia de pudor,
conceda-nos assim viver.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo VI. pág. 129 - 131)