31 de julho de 2011

SÉTIMO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

Frutos do protestantismo

O Evangelho quadra admiravelmente com a continuação da doutrina que estamos expondo, refutando os erros protestantes.

O Salvador nos adverte de desconfiar dos falsos profetas que vêm a nós cobertos de peles de ovelhas, mas que, por dentro, são lobos devoradores.

E para podermos distinguir estes lobos vestidos, de modo diverso, o divino Mestre nos dá esta regra de discernimento: Pelos frutos os conhecereis.

Estudando os característicos da Igreja Católica, vemos que os seus frutos são: a unidade e a santidade.

A verdade, de fato, é uma só e a verdade divina é necessariamente uma semente de santidade.

Apliquemos esta regra à heresia protestante, provando que lhe falta completamente:

1. A unidade de ensino;
2 A santidade de vida.

Estes dois característicos da Igreja verdadeira são, ao mesmo tempo, dois frutos da verdadeira
Igreja, os quais a distinguem das Igrejas humanas.

I. A unidade de ensino

Já vimos precedentemente como a unidade caracteriza a Igreja Católica: unidade de fé, de sacramentos e de governo.

O protestantismo que está sempre em oposição à Igreja, está consentâneo com seu princípio, e forma uma balbúrdia em sua fé, nos sacramentos e no seu governo.

Em sua fé: desde a origem, o protestantismo varia constantemente e em todos os pontos da sua doutrina: O principio destruidor está em sua essência.

Eles podem dizer, escreveu já o ímpio Rousseau, o que não crêem, mas são incapazes de dizer o que crêem. O racionalismo, destruidor de toda revelação, invadiu até o âmago a seita protestante, ao ponto que no dizer de um bispo anglicano, pode resumir-se o protestantismo nestas palavras: “Creio em mim e protesto contra a Igreja Católica”.

Eis um trecho de um relatório protestante publicado pelo pastor Steeg (1).

“Este nome de protestantes, comum a tão grande número de homens, abriga muitas diversidades... Elas subsistem no mesmo país, na mesma cidade, na mesma rua... Pode-se afirmar altamente que não há um só ponto de doutrina admitido por alguns que não seja rejeitado por outros, submetido às interpretações mais opostas”.

Esse texto foi lido perante 80 pastores reunidos em Paris e não foi contestado por nenhum.

Um homem fica protestante logo que deixa de acreditar na Trindade, na Redenção; e menos ele crê, mais ele é protestante, ao ponto que o melhor e mais forte protestante é aquele que não admite mais nada.

Isto prova que o protestantismo é a escola autêntica da indiferença e do ateísmo prático.

Na Holanda houve 1500 pastores sobre 1800 que aderiram publicamente à “vida de Jesus” por Renan, negando a divindade de Jesus Cristo.

Numa reunião geral, convocada em Genebra em 1866, não puderam os seus delegados entrar em acordo sobre três artigos fundamentais, e a própria divindade de Jesus Cristo desapareceu da fórmula e da aliança evangélica.

O protestantismo tem somente este símbolo de fé: quot capita tot sensus! Tantas opiniões quanto cabeças.

Quanto à unidade de governo, nem vale a pena falar: nunca existiu e não pode existir.

Contam-se hoje 888 seitas principais e independentes umas das outras, não tendo outra ligação entre si, senão o seu ódio à Igreja Católica.

Os Consistórios ou sínodos protestantes não se ocupam senão em determinar o temporal, os dízimos, a subvenção do pastor, a propaganda de bíblias, e quando querem tocar no dogma ou na disciplina, são detidos em toda parte, por oposições absolutas.

Falta-lhes, por completo, com a autoridade de um só chefe que manda, a união dos espíritos que procuram somente a verdade e toda a verdade.

Os pobres protestantes estão longe do desejo de Nosso Senhor: Serão um só rebanho e um só pastor.

Esta desunião, discórdia, e muitas vezes oposição radical no ensino fundamental é o primeiro fruto da sua heresia, e por este fruto pode-se conhecer o valor da seita fundada por Lutero, Calvino, Knox, Leyde e outros inovadores.

Vejamos agora se são mais felizes no terreno da santidade.

II. Santidade de vida

A santidade, numa religião, deve mostrar-se na pessoa de seu chefe, na moral, na doutrina, no culto e numa parte de seus filhos.

Já vimos como esta santidade resplandece não só na pessoa de Jesus Cristo, único fundador da Igreja, nos Apóstolos, seus primeiros chefes, nos Papas, dos quais um grande número são Santos canonizados e todos eles são homens de virtude extraordinária, como se pode ver na história imparcial (2) e não nas fábulas inventadas pelos inimigos da Igreja.

A seita protestante nada encontra de santidade em nenhum destes objetos.

Os seus fundadores e chefes são todos homens libertinos, exploradores, como são Lutero, Calvino, Zwinglio, Henrique VIII, Knox, Leyde e outros. Os protestantes mesmos escondem tais fundadores a seus próprios filhos e deles se envergonham (3).

Deus não pode servir-se de tais homens para reformar a religião, caso ela precisasse de reforma, pois seria contrário à sua própria sentença: É pelos seus frutos que os conhecereis. Uma árvore má não pode dar bons frutos.

O protestantismo não é santo em sua moral e em sua doutrina que se pode resumir nesta frase de um protestante: A sua doutrina consiste em crer o que se quer, e em fazer o que se crê.

Pecai quanto quiserdes, dizia Calvino, desde que tendes a fé, não podeis separar-vos de Deus!
Pode-se dizer que a vida dos protestantes é melhor do que os seus princípios.

O culto protestante não é santo tão pouco: os protestantes querem ir ao céu, mas suprimem os meios que os levariam para o céu: mortificação, invocação dos Santos, culto de Maria Santíssima e os Sacramentos.

Esta santidade deve manifestar-se ainda e de modo visível na pessoa de uma parte de seus filhos. A Igreja Católica possui seus milhares e milhares de virgens, confessores, mártires, homens heróicos pela virtude e pelas obras, que depois da morte passam, como dizia Santa Terezinha, o céu a fazer o bem sobre a terra, pelos milagres que operam e os benefícios que espargem a flux sobre os homens que os invocam.

O protestantismo é de uma esterilidade espantosa. Em seu seio não se levantou nem um homem extraordinário, nem uma irmã de caridade, nem um pastor virgem, nem um mártir, nem um herói na prática do dever e da justiça.

Pode haver, aqui e acolá, protestantes bons, honestos, até virtuosos, porém isto se dá não por serem protestantes, mas não obstante serem protestantes. Contudo, nenhum deles chegou a elevar-se ao heroísmo, ao sublime da abnegação e do amor de Deus.

O protestantismo tem pastores, missionários, porém, tal apostolado não se faz por amor de Deus e zelo das almas, mas por interesse, orgulho ou despeito.

O protestantismo, para os seus chefes, é antes de tudo um meio de vida: nada mais.

As missões são um meio de adquirir popularidade e de viver bem sossegado e confortável em países longínquos, com pingues remunerações e longe dos olhos dos que os sustentam.

III. Conclusão

Pelos frutos as conhecereis, disse o Mestre divino.

Acabamos de apreciar os frutos do protestantismo. Estes frutos são a desunião, a balbúrdia em sua doutrina, que os divide em centenas de seitas, guerreando-se umas às outras.

Este primeiro fruto é completamente oposto à prece de Nosso Senhor que pedira a seu Pai que seus filhos fossem um: Que sejam um, meu Pai, como nós somos um! (Joan. XVII. 22) e que desejava que todos formassem um único rebanho e um único Pastor. (Joan. X. 16)

O primeiro Fruto é mau; logo a árvore do protestantismo é má.

Quanto ao segundo fruto, é pior ainda e mais visível. Desde Lutero até a fundação da última seita protestante, houve talvez uns 800 e tantos fundadores de seitas. Nenhum deles foi homem de virtude, mas na grande maioria uns deles foram libertinos, outros orgulhosos, outros histéricos, uns visionários, outros exploradores e até verdadeiros comunistas.

Falta a santidade nos fundadores, falta a santidade na moral e na doutrina e em conseqüência, isto falta também nos aderentes da seita.

Nenhum santo podem apresentar-nos; nenhum homem que tenha feito milagres, predito o futuro, ressuscitado mortos; nenhuma virgem por amor de Cristo, nenhum pastor casto por amor de Deus, nenhuma Irmã de Caridade, nenhum mártir, nenhum homem extraordinário pela virtude ou pelas obras. É esterilidade horrenda, a ausência completa de santidade.

Logo, o protestantismo não é santo, e não pode ser a religião santa de Jesus Cristo.

É, pois, uma seita humana, herética, incapaz de levar as almas para o Céu.

EXEMPLOS

1. Cavar mais fundo

Um embaixador francês na Inglaterra, tendo escapado de uma moléstia grave, um protestante perguntou-lhe se não teria ficado triste de morrer e de ser sepultado no meio dos protestantes.

- Não, respondeu este, teria apenas ordenado que cavassem meu túmulo mais fundo, e me teria encontrado no meio de Católicos.

Um protestante que se faz Católico volta à religião de seus pais.

2. Palavra de Erasmo

Erasmo era um holandês de muito bom senso, que pulverizava o protestantismo com suas sentenças curtas e judiciosas: Mostrai-me um único homem que se tornou mais sóbrio e mais casto pela reforma, diz ele, e eu vos mostrarei cem que se tornaram muito piores do que antes.

3. De S. Jerônimo

Somente as ovelhas sarnentas se afastam do rebanho e deixam-se devorar pelos lobos.

4. De Melanchton

Melanchton era companheiro inseparável de Lutero; abraçou a reforma, vivendo em contínuas dúvidas. Ele escreve: “Ó Elba, com todas as suas águas não pôde fornecer bastantes lágrimas para chorar as calamidades que a reforma introduziu”.

5. De Lutero

A minha religião é melhor para viver, mas a do Papa é melhor para morrer.

6. De uma senhora católica

A dois ministros protestantes que a convidavam a deixar o Catolicismo, uma senhora de bom senso respondeu: É preciso confessar que os senhores fizeram uma reforma admirável: tiraram o jejum, a Missa, a Confissão, o purgatório. Tirai o inferno e eu serei do vosso número.

7. Gatinhos protestantes

Um camponês apresentou a um pastor dois gatinhos bonitinhos, para que os comprasse, e disse: O Sr. Pastor pode comprá-los; são gatinhos protestantes.

O Pastor não os comprou.

Poucos dias depois o camponês ofereceu-lhes ao vigário do lugar, dizendo: O Sr. Vigário pode comprá-los; são gatinhos católicos.

- Mas como é isso? Perguntou o Vigário: a semana passada eram protestantes e agora são católicos.

-Perfeitamente, Sr. Padre, é que na semana passada tinham ainda os olhos fechados, agora porém, tendo-os abertos, já enxergam.

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1) Publicado no jornal protestante: “O discípulo de Cristo -15 de Maio de 1867.
2) Cf. o nosso livro: “O Cristo, o Papa e a Igreja”.
3) Cf. o nosso livro: “O diabo, Lutero e o protestantismo”.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 278 – 286)

30 de julho de 2011

ROGAR E CANTAR A MARIA (III)

Oração à Bem-aventurada Virgem para obter consolo

1) O Filho: Misericordiosíssima Maria, Mãe de Deus, recebe a teu servo que se dirige a ti em cada tribulação. Puríssima Virgem, recebe-me como ao único que não tem quem o console. Ó Senhora minha, repara em minha aflição e abre-me o seio de tua misericórdia. Eis-me aqui: eu chamo, grito e peço.

2) Não me aparto, nem te deixo. Permanecerei sempre ao teu lado, até que te compadeças de mim. Conheço tua incomparável doçura e o maternal afeto de teu coração, tão ardoroso pela abundância do divino amor, que resulta inconcebível o temor de que chegue a faltar teu consolo.

3) Eu acudo a ti com muita freqüência e com grande esperança, para merecer sempre ser favorecido por teu auxílio e reanimado pelo alento de tuas palavras, tanto se os assuntos andam bem com se andam mal. Se tu nos ofereces teus consolos, que tristeza pode ter lugar no coração? Como o inimigo poderia causar dano ao que sempre pode recorrer a ti?

4) Ó Mãe tão benigna, ouvi minha súplicas, oferece-me, ó Virgem, teu jarro e dá-me um pouco de beber. Da superabundância de graça que há em ti até transbordar, derrama sobre mim um pequeno consolo. É-me muito necessário neste momento e é sempre bem-vindo, nem me desagradaria se fosse pequeno, posto que uma só gota, escorrida de teu rosto a meus lábios, é tão eficaz e tão importante que, em comparação, é vil e inútil qualquer elemento agradável desta vida.

5) Por isso, muito amada Maria, rica e generosa em dons, admiravelmente suave em tuas expressões de graça, conforta-me com tuas admoestações, tu, em cujo seio virginal habitou a Suma Sabedoria, o Espírito Santo desde o princípio te consagrou, o anjo te custodiou, o arcanjo te instruiu e o poder do Altíssimo te cobriu com sua sombra. Diga somente uma palavra e minha alma será consolada.

6) Não peço coisas difíceis ou impossíveis, senão só esta: diz-me uma palavra de íntimo alento, que me dê júbilo e alegria. Acudo a ti na necessidade, recebe-me, pois, com rosto benigno. Teu servidor saberá que terá encontrado graça diante de ti, se lhe concedes algo amorosamente; isto é, se não demoras muito em outorgar-lhe o consolo que implora de ti.

7) Caríssima Maria, vem com tua doce presença a visitar meu coração em suas tribulações, já que sabes tão bem mitigar suas dores e reconduzi-las à uma atmosfera de paz. Vem, piedosíssima Senhora, com uma nova graça de Cristo, e com tua santa destra levanta teu servidor. Vem, eleita Mãe de Deus, e mostra-me a bem conhecida amplitude de tua misericórdia, já que, como o vês, me encontro mal parado; mas não me esqueço nem me esquecerei jamais de ti. Vem, pois; vem, minha esperança e minha felicidade, Virgem Maria, porque se tu vens e me falas, virão a mim todos os bens; e, por outro lado, todos os males se manterão distantes.

8) Que desejável, que importante e que jubiloso será para mim escutar as palavras da Mãe de meu Senhor Jesus Cristo. Quais palavras? Palavras benignas, muito doces e amistosas, como as que ouviu o apóstolo João da boca de seu amado Mestre, teu Filho, ao dizer: “Aqui tens a tua Mãe”. Ele o ouviu dos lábios de seu Senhor, porém eu desejo escutá-los dos teus, Senhora minha, em meu espírito e em minha mente devota. Diga-me, então: “Aqui tens tua Mãe, eis-me aqui, sou eu”. Que, ao som desta tua dulcíssima voz, minha alma se conforte e se regozije em tua presença, como costuma se regozijar um filho que há encontrado sua Mãe.

9) Que penetre, que penetre esta voz amiga nos ouvidos de meu coração; e que através das suas palavras de tua boca se me transmita ao mesmo tempo algum consolo sobrenatural do Espírito Santo. Assuma meu coração nova confiança; afaste-se o temor; não me turbe depois a ambigüidade; não me atormente o desespero com suas diversas tentações, mas fortaleçam-me as palavras que roguei escutar de ti e confiá-las com mais atenção ao meu coração.

10) “Eis aqui a tua Mãe”. Abraça, pois, alma minha, esta recomendação. Abraça à dulcíssima Maria, abraça à Mãe de Deus com seu menino Jesus, o mais formoso entre os homens; agradece-lhe sempre, porque é ela quem escuta as orações dos pobres e não permite que se marche sem consolo nenhum dos que diante dela veio rezar com perseverança. Esta é a virgem Maria, Mãe de Deus, a mística vara que, brotada de estirpe real, iluminou a amêndoa da flor divina, Jesus Cristo, Rei e Salvador de todos, ao que devemos tributar honra e glória pelos séculos.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo III. pág. 113 - 116)

24 de julho de 2011

Catecismo Ilustrado - Parte 21



SEXTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

Fontes dos erros protestantes

A multiplicação dos pães no deserto é uma das cenas que encerram ensinamentos admiráveis e práticos.

Jesus Cristo tinha claramente em vista o grande Sacramento do amor: a Eucaristia, como tinha em vista a doutrina evangélica.

A primeira é o alimento das almas, a segunda é o alimento do espírito, e da assimilação destes dois alimentos, resulta o amor do coração.

A inteligência precisa de luz. É a doutrina que lhe revela as maravilhas divinas.

A vontade necessita de força: é a Eucaristia, pão dos fortes, que lhe dá esta força.

O coração quer amar; mas para amar deve conhecer o objeto amável, sentir-se atraído para ele, pela vontade, de modo que a presença deste duplo pão de vida é uma nova nota distintiva da Igreja verdadeira, como a sua ausência é uma prova de falsidade.

Meditemos hoje este mistério de amor; considerando como a Igreja Católica nos administra este duplo alimento, e como a Igreja protestante fica dele completamente privada. Em outros termos, vejamos num contraste flagrante o ensino:

1. Da Igreja Católica.
2. Da Igreja protestante.

Estes dois aspectos da verdade são um raio de luz intensa que dissipa a doutrina falsa e fria do protestantismo.

I. O ensino Católico

O ensino Católico é de uma harmonia perfeita, adaptando-se admiravelmente às aspirações da humanidade.

De que precisa o homem neste mundo?

De duas coisas: luz e força.

A luz é o Evangelho; a força é a Eucaristia.

Quanto ao Evangelho, Católicos e protestantes adotam-no integralmente, embora com variantes na tradução, que os últimos facilmente desviam do sentido verdadeiro.

O Evangelho contém a palavra de Deus, como o código civil contém as leis, e o código penal, os castigos existentes numa nação.

Ora, todo livro precisa de um interprete; é absolutamente necessário. Uma palavra morta não pode governar um país; é necessária a palavra viva, atual, adaptada ao caso e às circunstâncias.

O código civil possui os advogados, juízes, desembargadores, para explicarem e aplicarem as leis.

O código penal tem a polícia, fiscais, coletores, para exigirem a aplicação de multas e penas às contravenções.

Como é que o código evangélico não teria seus intérpretes, suas autoridades legitimamente estabelecidas para o explicarem e adaptarem aos homens?

É o que se faz na Igreja Católica. O código existe, mas este código é explicado por autoridades competentes as quais Jesus Cristo disse claramente: Ide e ensinai a todas as gentes. . . Eis que estou convosco até a consumação dos séculos... Quem vos escuta, escuta a mim! etc.

Tal é a luz para nossa inteligência; vejamos agora a força para nossa vontade.

O Evangelho faz notar que Jesus tinha compaixão da multidão de povo que o havia seguido, porque ela estava em jejum e quase caindo de fraqueza. É bem o nosso caso.

Não basta ter boa vontade para seguir o divino Mestre; é preciso ainda a força para terminar a jornada e perseverar até o fim.

E eis que Jesus Cristo nos dá um alimento divino... E que alimento!...

Ele começa por nos apresentar este alimento:

Eu sou o pão da vida (Joan. VI. 48)

Este e o pão que desceu do céu, para que o que dele comer não morra!

O que me come viverá por mim!

A minha carne é verdadeira comida.

Não há, pois, dúvida, Jesus Cristo dá o seu próprio corpo e sangue eucarísticos, como alimento das almas.

E este alimento não é simplesmente de conselho, mas de absoluta necessidade, sob pena de não se poder entrar no reino do céu.

Se não comerdes a carne do Filho do homem... não tereis a vida em vós. (Joan. VI. 54)

A Igreja verdadeira de Jesus Cristo deve, pois, apresentar a seus filhos este alimento do corpo de Jesus Cristo e esta oferta torna-se um dos sinais característicos da verdadeira Igreja.

A Igreja Católica apresenta a seus filhos o Evangelho como alimento do espírito, e a Eucaristia ou corpo de Jesus sacramentado como alimento da sua alma, conforme o mandamento do Salvador.

Ela tem, pois, os característicos próprios da verdade.

II. O ensino protestante

A igreja protestante, ou melhor: o protestantismo, pois os protestantes não tendo chefe não formam uma sociedade ou igreja - o protestantismo pretende ser a religião verdadeira.

Vejamos se ela satisfaz, pelo menos a estes dois requisitos, impostos por Jesus Cristo, e tão admiravelmente preenchidos pela Igreja Católica.

O protestantismo adota a Bíblia como regra de fé, porém, não no sentido que Jesus Cristo lhe deu, ou que uma autoridade competente lhe outorga, mas conforme a interpretação pessoal de cada um.

Ora, isto é o maior absurdo que se possa imaginar. A interpretação de qualquer texto corresponde mais ou menos à capacidade intelectual de cada um.

Além disso, há vários modos de interpretação: a interpretação literal e metafórica; sem falar das várias interpretações místicas (alegóricas, tropológicas e anagógicas).

É na interpretação que está o grande erro protestante, chamado: “livre interpretação”.

O sentido literal é o que primeiro ocorre, resultando do sentido natural das palavras, tomadas em sua aceitação comum.

O sentido metafórico, ao contrário, em vez de tomar o sentido das palavras, toma o sentido da imagem expressa.

Quando Jesus Cristo diz: Eu sou e verdade, entendemos que Ele é de fato: a verdade; mas quando Ele diz: Eu sou o bom Pastor: entendemos, não que Ele seja Pastor, mas sim que tem o desvelo e o zelo de um pastor.

No primeiro caso é o sentido literal da palavra que se deve adotar; no segundo caso, é o sentido metafórico, ou o da imagem expressa.

Compreende-se que admitindo a liberdade de aceitar o sentido que se quiser, a Bíblia deixa de ser a palavra de Deus, para tornar-se a palavra do homem.

A Igreja não permite tal troca de sentidos, mas exige que se adote em primeiro lugar o sentido literal, e no caso de este sentido exprimir um absurdo ou uma contradição, que se recorra então ao sentido metafórico.

Eis como falta aos protestantes o alimento do espírito: a verdadeira palavra de Deus.

Vejamos agora como lhes falta, outrossim, o pão da alma. É uma conseqüência do primeiro erro.

Como vimos, Jesus Cristo disse clara e expressamente: A minha carne é verdadeira comida... Eu sou o pão da vida, e na última Ceia Ele diz sobre o pão ázimo: Isto é o meu corpo.

Tudo é luminoso para nós Católicos.

Nós compreendemos que Jesus Cristo mudou o pão em seu corpo, e dando-nos este pão do Céu, nos dá verdadeiramente o seu corpo para ser o alimento da nossa alma.

Tal é o sentido literal claramente expresso pelas palavras: pão, comida, ter a vida; são três expressões claras que demonstram que elas se devem tomar no seu sentido literal.

Para nós Católicos é claro; mas para os protestantes é uma balbúrdia. Não admitem o sentido literal, por oposição à Igreja, mas recorrem ao sentido metafórico, dizendo que é uma comparação, um tropo ou figura, de que usou o Salvador, e traduzem truncando e falsificando completamente o texto: Isto é a figura de meu corpo ou: Isto é o símbolo do meu corpo.

Tal tradução faz desaparecer o pão do Céu, o pão de vida, o pão que é o corpo de Jesus Cristo.

Não se lembram os pobres hereges que o sentido literal deve ser adotado sempre por primeiro, e que só se pode recorrer ao segundo, no caso de o primeiro ser visivelmente absurdo.

Aqui não há nenhum absurdo: há um dom da bondade infinita de Deus, mas não uma impossibilidade.

E assim por diante. Com tal sistema, a palavra de Deus torna-se a palavra do homem, e o corpo de Jesus Cristo, em vez de ser o seu corpo, fica um simples pedaço de pão.

III. Conclusão

Do que precede, vê-se claramente que o protestantismo peca pela base, e que num gesto satânico que intitula: “interpretação individual” transtorna completamente o Evangelho, muda até a essência do Evangelho e faz desaparecer os mais sublimes mistérios de amor que contém, mudando-os em cerimônias grotescas e ridículas.

É assim que a consagração ensinada por Nosso Senhor a seus Apóstolos: Isto é o meu corpo - Fazei isto em memória de mim, mudou-se para os protestantes numa ridícula ceia. Onde comem um pedacinho do pão em lembrança do Senhor.

É o erro Fundamental do protestantismo, o qual o separou por completo da Igreja Católica e faz com que não possua mais nada da doutrina evangélica, embora conserve o livro evangélico.

Somente a Igreja Católica administra a seus filhos este duplo alimento espiritual: a doutrina que nutre o espírito, e a Comunhão da corpo do Salvador, que sustenta a alma.

Deste fato, concluo que só a religião Católica, entre as demais religiões, satisfaz as aspirações da alma humana e realiza textualmente a palavra divina.

Logo ela é a única Igreja verdadeira de Cristo, e as demais Igrejas são apenas fabricações humanas, sem nenhum valer para Deus e para o Céu.

EXEMPLOS

1. Discussão de dois pastores

Navegavam dois ministros protestantes, que, para romper a monotonia da travessia, discutiam acerca do 39° versículo do capítulo V, de S. Mateus: “Se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”.

O colega acha isso razoável? Perguntou o menos fervoroso dos argüidores.

- Se não! Se está escrito!

- Vejamos a prova de sua sinceridade.

E sem dizer nem o, nem a, o manso filho de Lutero aplicou a mão na face direita do confrade, que, em silêncio e sem protestar, apresentou a face esquerda, levando estoicamente uma segunda tapona.

Depois, o paciente, que não era peco (1), molhou o dedo, virou algumas páginas do Evangelho e apontou fleumaticamente (2) o versículo 2° do capítulo VII, de S. Mateus, que diz: “Com a medida, com a qual medirdes, hão de vos medir também”.

E o bom pastor ministrou ao irmão na fé, meia dúzia de murros, capital e juros.

Alvoroçados com o estranho pugilato, perguntavam os passageiros:

- Que têm estes dois cavalheiros que assim brigam?

- Não é nada, respondeu um inglês, sem largar o cachimbo, não é nada! Estão os dois interpretando a Sagrada Escritura.

2. Palavra chistosa

Um ministro protestante quis um dia discutir religião com Mgr. de Cheverus.

O ilustre Prelado cortou pela raiz a discussão, perguntando ao protestante:

-Não está escrito, meu amigo, que “Judas foi enforcar se?”
- Sem dúvida, respondeu o ministro admirado.
- Não está escrito ainda: “Ide e fazei o mesmo!...” Pois vá, meu amigo, é preciso cumprir a Bíblia; admiro-me de o senhor o não ter feito ainda!

O ministro julgou prudente não discutir mais com um homem de tanto espírito!

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1. Peco: néscio, estúpido.
2. Fleumaticamente: pachorrentamente, pacientemente.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 270 – 277)

23 de julho de 2011

Catecismo Ilustrado - Parte 20

ROGAR E CANTAR A MARIA (II)

Oração ante os sofrimentos de Cristo e de sua Mãe

1) O filho. Dobro os joelhos ante Vós, Senhor Jesus Cristo, a quem contemplo suspenso na cruz por mim. Saúdo-Vos, venerável imagem de meu Senhor Jesus Cristo crucificado, por cujo sangue fui resgatado das mãos do inimigo. Agradeço-Vos, Salvador do mundo, que por mim hajas enfrentado esta dolorosíssima morte

2) Dulcíssimo Jesus, rogo pela abundância de vossa misericórdia que me concedas compadecer de todo coração de vossas penas e também das dores de vossa Santíssima Mãe, e derramar abundantes lágrimas ao pé da cruz junto ao vosso predileto discípulo João, seu fidelíssimo custódio. Tenha por certo que para mim seria um alívio se, frente à imagem de vossa cruz, pudesse derramar lágrimas inclusive exteriormente por causa da intensidade de minha compaixão por Vós, que derramastes todo vosso precioso sangue por mim.

3) Como de Vós provém todo dom, aceitai em vossa honra este desejo meu: que a partir deste momento e para sempre em mim se acenda, cresça e seja cada vez mais profundamente sensível a memória de vossa santíssima paixão, como também a lembrança particular de vossa gloriosa Mãe, junto ao vosso predileto discípulo e seu custódio João, mas aceitai igualmente o desejo de que minha vida seja melhor.

4) Rogo-Vos, ademais, que vossa crucificação esteja no centro de minha reflexão, que meu estímulo seja a dor de vossa Mãe, e minha intercessão o pranto de São João. Rogo-Vos que a imagem desoladora de vossa morte não permaneça sem produzir em mim uma profunda compaixão do coração. Façais de modo tal que, quando recorde vossa paixão, ou veja um crucifixo, sinta dentro de mim o que permitistes sentir a muitos devotos, Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo II. pág. 111 - 113)

21 de julho de 2011

Orações pelos sacerdotes

ORAÇÃO PELO CLERO



Deixai, ó Jesus, que em vosso Coração eucarístico depositemos nossas mais ardentes preces pelo nosso clero, e sede propício aos nosso pedidos. Multiplicai as vocações sacerdotais na nossa pátria: atraí ao vosso altar os filhos do nosso Brasil; chamai-os com instância ao vosso ministério. Conservai na perfeita fidelidade ao vosso serviço aqueles a quem já chamastes; afervorai-os, purificai-os, santificai-os e não permitais que se afastem do espírito da vossa Igreja.



Não consintais, ó Jesus, nós vos suplicamos, que debaixo do céu brasileiro sejam, por mãos indignas, profanados os vossos mistérios de amor. Também vos pedimos com instância: deixai que a misericórdia do vosso Coração vença a vossa justiça divina por aqueles que se recusaram à honra da vocação sacerdotal ou desertaram das fileiras sagradas.



Atendei, ó Jesus, a esta nossa insistente oração, vo-lo pedimos por vossa Mãe, Maria Santíssima, Rainha dos sacerdotes. Ó Maria, a vosso Coração confiamos o nosso clero; guiai-o, guardai-o, protegei-o, salvai-o.



ORAÇÃO PARA PEDIR VOCAÇÕES



Senhor, dai-nos padres — padres santos — e tornai-nos dóceis aos seus ensinamentos!

(repete-se depois de cada uma das seguintes invocações)



1. Para que o vosso santo nome seja santificado em nossa paróquia, em nossas famílias, em nosso Brasil! (Senhor, dai-nos padres...)

2. Para que o vosso reino venha a nós, aos nossos corações e ao coração dos nossos filhos!

3. Para oferecer cada dia sobre o vosso altar o santo sacrifício, redenção dos nossos pecados, alívio para os nossos defuntos!

4. Para absolver os nossos pecados e restituir a vida às nossas almas e a paz aos nossos corações!

5. Para alimentar com a Eucaristia nossas almas, cansadas das lutas na vida!

6. Para que tenhamos o conforto dos vossos divinos sacramentos durante a nossa vida e, sobretudo, na hora da nossa morte!

7. Para ensinar às nossas crianças a vos conhecer, amar e servir!

8. Para ensinar aos nossos jovens seus deveres seus deveres para consigo mesmo, para com seus pais e sua Pátria!

9. Para ensinar às nossas donzelas a guardar a modéstia, a honra, e fazer delas valorosas mães cristãs!

10. Para ensinar-nos o amor uns aos outros!

11. Para ensinar-nos a todos o cumprimento corajoso do nosso dever e os meios de merecer a vida eterna!

12. Para pregar-nos a verdadeira justiça e caridade!

13. Para acalmar os ódios sociais e trabalhar para a união dos corações!

14. Para atrair as vossas bênçãos sobre nossas casas, nossas terras e nossos bens!

15. Para que um dia possamos todos nos encontrar na mansão dos eleitos!

16. Coração sacratíssimo de Jesus que, para testemunhar-nos o vosso amor infinito, instituístes o sacerdócio católico, a fim de permanecer entre nós pelo ministério dos padres: Dai-nos padres — padres santos — e tornai-nos dóceis aos seus ensinamentos!



ORAÇÃO PARA MARIA, RAINHA DO CLERO



Ó Maria, augusta Rainha do clero, vós que fostes dada por Mãe a São João no dia seguinte à sua ordenação sacerdotal; vós que presidistes a oração unânime e perseverante dos apóstolos e dos discípulos no dia de Pentecostes; dignai-vos orar conosco pelos sucessores dos apóstolos, pelo Papa, pelos Bispos, pelos Padres, a fim de que essa santa falange aumente cada vez mais e que, a exemplo do vosso divino Filho Jesus, trabalhe eficazmente para sustentar os fracos, consolar os aflitos, converter os pecadores e estender sobre a terra o reino de Deus, que vive por todos os séculos dos séculos. Assim seja.



Ó Maria, Rainha do clero, rogai por nós.



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Manual da Paróquia. Rio de Janeiro, Vozes, 5ª. edição, 1950, p. 248-250. Compilado por Mons. Leovigildo Franca.





Leia mais em: Blog Mulher Católica

As 7 excelências da batina - Pe. Cel. Jaime Tovar Patrón

As 7 excelências da batina




1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE
Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.


2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO
Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos. Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento. As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.


3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS
O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.


4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS
A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade. Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais. Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros. Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.


5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS
O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?


6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR
A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja. Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.


7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO DA IGREJA
Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.


O autor: Padre Jaime Tovar Patrón, coronel capelão, ocupou importantes responsabilidades no Vicariato Castrense. Oriundo de Extremadura, Espanha, foi grande orador sacro. Autor do livro Los curas de la Cruzada, autêntica enciclopédia dos heróicos sacerdote que desenvolveram seu trabalho pastoral entre os combatentes da gloriosa Cruzada de 1936. É, ademais, uma história do sacerdócio castrense. Faleceu em janeiro de 2004.



 - Código de Direito Canônico (1983): Livro II, I Parte, Título III, Capítulo III:

Cân. 284 Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais.

Cân. 285 § 1. Os clérigos se abstenham completamente de tudo o que não convém ao seu estado, de acordo com as prescrições do direito particular.

§ 2. Os clérigos evitem tudo o que, embora não inconveniente, é, no entanto, impróprio ao estado clerical.

- Convém recordar: muitos sacerdotes e religiosos mártires pagaram com seu sangue o ódio à fé e à Igreja desencadeado nas terríveis perseguições religiosas dos últimos séculos. Muitos foram assassinados simplesmente por vestirem a batina. O sacerdote que veste a batina é para todos um modelo de coerência com os ideais que professa, à vez que honra o cargo que ocupa na sociedade cristã. 

Se bem é certo que o hábito não faz o monge, também é certo que o monge veste hábito e o veste com honra. Que podemos pensar do militar que despreza seu uniforme? O mesmo que do vigário que despreza sua batina!

(Traduzido por Luís Augusto Rodrigues Domingues)

Fonte: Associação Cultural Montfort

17 de julho de 2011

QUINTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

O erro protestante

O Evangelho começa com uma solene afirmação da necessidade da justiça e com a condenação dos fariseus:

Se a vossa justiça não exceder à dos escribas e fariseus, diz o Salvador, não entrareis no reino dos céus!

Tal justiça farisaica era toda de aparência.

Evitavam os fariseus cuidadosamente tudo o que podia desacreditá-los aos olhos dos homens, mas não davam importância ao interior que só Deus enxerga.

Assim fazem também as seitas religiosas falsas, fazem consistir a sua religião em certas práticas exteriores e não se preocupam com o interior.

Entre estas seitas apresenta-se em primeiro lugar o protestantismo.

Depois de termos estudado os quatro principais distintivos da Igreja verdadeira, e em conseqüência, da religião verdadeira, será útil verificar que nenhuma das seitas religiosas humanas possui tais característicos.

Falemos do erro mais espalhado, ou melhor, dos milhares de erros englobados sob o título de protestantismo, averiguando que tal protestantismo, fundado por Lutero é uma aberração radical contra os princípios básicos da religião.

Vejamos:

1. O que é o protestantismo.
2. Quais são os seus erros básicos.

Basta conhecer estes dois aspectos do protestantismo para se compreender que nada possui dos requisitos de uma religião divina.

I. O que é o protestantismo

Não devia haver no cristianismo senão uma única religião, pois que Jesus Cristo ensinou um único conjunto de doutrinas e estabeleceu uma única autoridade, porém espíritos irrequietos, levados pelo orgulho ou arrastados pela sensualidade, achavam certas verdades difíceis de crer e penosas de praticar, por isso procuravam adaptá-las às suas paixões, negando-as ou desnaturando-as.

É a origem das seitas heréticas entre as quais a principal é o protestantismo.

A igreja protestante foi fundada por Martinho Lutero, monge apóstata, de um orgulho sem medida e de uma sensualidade sem barreira.

Foi em 1517 que o herege separou uma parte da Alemanha da Igreja Católica.

Pouco depois, em 1532, Calvino fez na França o que Lutero havia feito na Alemanha.

Os discípulos destes dois hereges, ambos de vida escandalosa e devassa, chamam-se protestantes, porque protestaram contra a autoridade da Igreja.

O nome de reformados lhes foi dado em alusão à pretensa missão que Lutero e Calvino se arrogaram, de reformarem a Igreja de Jesus Cristo.

Um protestante é, pois, um cristão que protesta contra as doutrinas e práticas da Igreja Católica.

É a sua definição essencial: É uma aversão comum à doutrina Católica, ou ainda: É a doutrina Católica hostilizada, ou ainda: É uma negação de tudo o que afirma a Igreja Católica.

Eis três definições exatas da essência do protestantismo.

Quando a Igreja Católica diz: Sim; o protestantismo retruca: não. Quando Ela diz: Não; o protestantismo brada: sim.

Esta mania de protestar fez dizer a um bispo protestante com uma sinceridade um tanto brutal, porém, clara: O protestantismo é a abjuração do papismo.

O celebre De Maistre, tem uma frase profunda neste mesmo sentido: O protestantismo, diz ele, conserva apenas o mesmo nome, mudando continuadamente a sua fé, porque, seu nome sendo puramente negativo, e exprimindo apenas a renúncia ao Catolicismo, menos ele acredita, mais ele protesta e melhor protestante ele é. (Do Papa L. IV. C. 5)

Protestar é, pois, da essência do protestantismo.

“No dia em que eles deixassem de reformar e protestar, diz Sabatier, professor protestante da faculdade de Paris, no dia em que reconhecessem uma autoridade exterior, como regra e prova de fé, nesse dia deixariam de ser protestantes, nesse momento se suicidariam.”

O protestantismo, como religião não existe, o que existe são protestantes, ou homens que protestam contra a religião Católica, e estes homens não têm outra ligação entre eles, senão o protesto comum.

São comunistas na doutrina, como os bolchevistas são comunistas nos bens exteriores.

II. O erro básico

Os erros protestantes são tantos quantas são as verdades que a Igreja Católica ensina.

O protestantismo só acredita em seu protesto contra a Igreja e se fossem sinceros deviam resumir a sua religião nesta frase: “afirmamos tudo o que a Igreja Católica nega; e negamos tudo o que Ela afirma.”

- A Igreja Católica crê que S. Pedro e seus sucessores são os representantes de Cristo na terra.

Os protestantes protestam: não querem chefe.

- A Igreja crê que Jesus Cristo está realmente presente na Eucaristia.

Os protestantes protestam: não admitem a Eucaristia.

- A Igreja crê na pureza imaculada da Mãe de Jesus honrando-a e invocando-a.

Os protestantes protestam: Maria Santíssima é uma mulher como as demais.

-A Igreja crê na confissão, no poder que o sacerdote recebe de Cristo de perdoar os pecados.

Os protestantes não admitem o perdão dos pecados, são uns santinhos.

- A Igreja crê no céu para os justos, no inferno para os maus e no purgatório para aqueles que têm de expiar ainda umas faltas.

Os protestantes protestam: o céu é para eles só; o inferno para os Romanos e o purgatório não existe.

- A Igreja crê na intercessão dos santos, no culto dos finados, na união entre os vivos e os mortos.

Os protestantes protestam: não há santos; os mortos devem ficar esquecidos e nada há de comum entre os vivos e os mortos.

- A Igreja crê nos sete sacramentos, no poder da oração, no valor das boas obras, nas indulgências concebidas para o bem das almas.

Os protestantes protestam: não há sacramentos, a oração não tem valor, só valem os cânticos; o homem não deve fazer boas obras e as indulgências são uma invenção do demônio.

- A Igreja crê na Bíblia como um livro divino, exigindo uma interpretação autêntica, feita por uma autoridade legítima.

Os protestantes protestam, considerando a Bíblia toda humana, a qual interpretam humanamente e que se adapta ao sabor de cada um.

- A Igreja crê na tradição, ou palavra pregada por Nosso Senhor e os Apóstolos e não escrita.

O protestantismo só aceita a palavra escrita que torce a seu talante e faz dizer o que ele quer.

III. Conclusão

Tal é o protestantismo: é uma continua oposição à Igreja; um parasita do Catolicismo; só vive pela negação e da negação.

A Igreja Católica tem um ensino positivo: o protestantismo é a sua negação.

A Igreja Católica é o sol luminoso e resplandecente do dia; o protestantismo constitui as trevas da noite.

A Igreja Católica é uma instituição divina, harmoniosa, hierárquica; o protestantismo é a desordem, a revolta, a balbúrdia.

A Igreja Católica é a árvore frondosa, em cujos ramos as aves do céu, que são os Santos, se aninham; o protestantismo é o parasita que chupa a seiva do tronco e dos galhos, para esterilizá-los.

A Igreja Católica é a ponte que liga a terra ao céu, onde os homens devem passar, para da terra subirem ao céu.

O protestantismo é o abismo horrendo, que passa por baixo da ponte, onde se precipitam aqueles que desprezam a ponte.

Para terminar, resumamos tudo em duas palavras.

A Igreja Católica é a obra de Deus, fundada por Deus, sustentada por Deus, inspirada por Deus, fazendo as obras de Deus.

O protestantismo é obra de Lutero, Calvino, Knox, Leyde e outros hereges, cada um mais triste que o outro; obra inspirada pelo orgulho e a libertinagem, sustentada pela teimosia e o interesse, fazendo obras de revolta e destruição. Vós os conhecereis pelos seus frutos, profetizou o divino Mestres (Math. VII. 20).

Para retomar o versículo do Evangelho, por onde começamos, pode-se dizer que o protestantismo é a justiça dos fariseus, e estes não entrarão no reino dos Céus.

EXEMPLOS

1. Lutero e Catarina

Uma tarde Lutero passeava no seu jardim com a sua amásia Catarina de Bora.

As estrelas brilhavam com extraordinário fulgor: o céu parecia em festa.

- Vês como brilham estas estrelas, disse Catarina, apontando para o firmamento, como é belo lá em cima!

Lutero, levantado os olhos, exclamou com um riso zombeteiro:

- Oh! Deslumbrante iluminação!... mas... infelizmente não é para nós!

- E por que? Replicou Catarina, seríamos, por acaso, deserdados do reino do céu?

Lutero suspirou tristemente, impressionado por esta pergunta, e respondeu:

- Talvez, em castigo de termos abandonado o nosso estado.

- Seria bom, então, voltar para ele? Perguntou Catarina.

- É' muito tarde, o carro está por demais atolado, respondeu o herege, mudando de conversa.

Que confissão dolorosa, porém, clara!

2. O medo de Lutero

Conta-se na vida de Lutero o seguinte:

Uma noite estava sentado ao lado da sua amásia Catarina, esquentando as mãos ao fogão da sala. Parecia taciturno, contrariado.

De repente, pegando pelo pulso o braço da companheira, introduziu-lhe a mão violentamente no meio das chamas.

Catarina soltou um grito...

- Que tens, mulher? Disse Lutero, sombrio, que tens?! Temos que nos acostumar ao fogo, pois é o que nos espera no outro mundo!

Vê-se neste fato, que o fundador do protestantismo não acreditava em sua reforma; nem podia acreditar, pois ele sabia que tudo era o fruto da revolta.

Naqueles momentos de lucidez, não podia impor silêncio à sua consciência e, mau grado seu, revoltada contra si mesma, ela proclamava a única verdade.

3. Confissão de Melanchton

Melanchton era companheiro inseparável de Lutero. A seu próprio convite, sua mãe se fizera protestante, porém, sem convicção.

Caiu, doente e sentiu a morte aproximar-se. Chamou o filho, que a amava sinceramente. Juntando as mãos, a velhinha perguntou suplicante a Melanchton: “Meu filho, como sabes eu abjurei o Catolicismo para lhe agradar, mas sinto-me perturbada; seja sincero, agora que estou para morrer, e diga-me, se é melhor morrer como protestante ou voltar atrás e morrer como católica!”

O apóstata não hesitou.

-Minha mãe, disse ele, inclinando a cabeça, não posso enganá-la: O protestantismo é talvez melhor para viver, mas o catolicismo é melhor para morrer.

E Melanchton mandou chamar um Padre católico para dar os últimos Sacramentos à sua mãe moribunda. (1)

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1) Cf. o nosso livro: “O diabo, Lutero e o protestantismo”

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 260 – 268)

16 de julho de 2011

ROGAR E CANTAR A MARIA (I)

Oração para o amor e a glória da Bem-aventurada

1) O Filho. Rogo-te benigníssima Mãe de Deus, Virgem Maria, que te dignes manifestar-me agora e para sempre, a mim teu pobre e débil servidor, tua misericórdia e tua suavíssima caridade, das que estiveste sempre culminada, e tu me inocule no mais profundo do coração a doçura que entesouras no peito e guardas escondida em teu sagrado seio, para que eu possa amar com pureza e integridade de sentimento, e louvar com grande devoção e acima de todas as coisas a ti, bendita Mãe, assim como teu Filho unigênito e Senhor Nosso, Jesus Cristo. Com o qual eu receberia um grande benefício, porque durante todos os dias de minha vida na terra serviria com amor e fervor de espírito a ti e a teu único Filho.

2) Virgem Maria, rosa de ouro, toda suave e bela, rogo que cheguem a ti minhas orações, que elevo com insistência. Por meio delas eu bato à porta de tua morada na casa do Senhor, confiado em tua generosa misericórdia agora e em qualquer momento de tribulação, porque é Mãe da misericórdia e através de ti o pecador alcança maior esperança de perdão. Porém tua bondade e tua piedade são maiores do que nó podemos pensar na terra, posto que estás além de todo louvor e glória dos santo, e inclusive superas aos anjos em doçura e mansidão, Virgem Bem-aventurada e Venerável Senhora.

3) Se assim não fosse, como poderia infundir-se nos miseráveis e nos pecadores uma doçura tão intensa no consolo e como poderia comunicar-se tanta esperança de perdão? Por outro lado, tu não poderias ser menos, já que levaste em teu seio durante nove meses a Jesus Cristo, fonte de infinita bondade.

4) Tu és a honra do céu, o gozo de todos os santos, a almofada revestida de ouro do Santo dos santos, o júbilo e a expectativa dos Padres antigos. Por teu intermédio, Mãe bendita e Virgem eleita de singular maneira, aos que pedem a misericórdia divina se lhes promete e concede o perdão dos pecados, a glória dos filhos de Deus e a bem-aventurança do reino dos céus.

5) Estrela luminosíssima que brilhas no céu; Rainha da glória, Senhora do mundo, nenhuma virgem cheia de celestial virtude pode se igualar à tua virginal beleza, dado que, depois de teu único Filho Jesus, és a primeira entre todos os santos e santas, assim como a mais nobre criatura que Deus Pai previu antes de todos os séculos e criou na plenitude dos tempos, para que fosses a Mãe Virgem de teu unigênito Filho, dado à luz com estupendo gozo, inefável e eterno milagre, para a salvação de todos os crentes.

6) Que todo gênero humano te louve, glorifique, venere em sumo grau e te ame intimamente com máximo júbilo do coração e com puríssimo afeto, a ti, a mais bela Rainha de todas as Virgens, ó sempre Virgem Maria, constituída como medianeira de todo o mundo. E que toda criatura do céu e da terra, que Deus criou para louvor e glória de seu altíssimo nome, eleve a ti, em ação de graças, as mais doces melodias.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Cuarto, Capítulo I. pág. 109 - 111)

11 de julho de 2011

O abominável carismatismo

O CARISMATISMO SUPER-EMOTIVO



1 – O atual Carimastimo protestante e superemotivo das seitas teve sua origem, no começo do século passado, nos Estados Unidos. Uma estudante protestante afirmou ter sentido, de repente, uma sensação de paz e de gozo, e começou a falar, como disse, em “línguas desconhecidas”. Ela atribuiu esses fenômenos a Cristo. Passados alguns dias, em toda a comunidade se davam as mesmas manifestações que foram interpretadas como sendo um “batismo no Espírito”. Assim nascia o movimento pentecostal, cuja característica é pretender provocar artificialmente, em clima superemotivo, os carismas extraordinários concedidos pelo Espírito Santo aos Apóstolos no dia de Pentecostes.



2 – Esta atitude já estava implícita na “fé-sentimento-de-confiança”, de Lutero, com seu descaso inato pela precisão doutrinária das verdades a crer que são de natureza radicalmente racionais (Cf. Fol. Cat., n° 15). São reveladas por Deus e propostas pela Igreja à nossa fé como necessárias de se crer para a salvação. Devemos, pois, prestar-lhes um assentimento da mente. Não pode resvalar para um exacerbado sentimento religioso, como acontece no carismatismo das seitas.



3 – “Pentecostes” é palavra de origem grega que significa “quinquagésimo dia”, porque foi 50 dias após a sua Ressurreição que Jesus enviou o Espírito Santo sobre os Apóstolos, como lhes havia prometido. Para isso, ao subir ao Céu, ordenou-lhes que permanecessem reunidos na cidade, pois “sereis, disse-lhes, batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias.” (Atos 1, 4-5) “Batizados” aqui, significa, “inundados”, “cheios”. Não é, pois, um outro batismo diverso do Sacramento do Batismo, mas a graça especial da vinda do Espírito Santo, com a abundância de seus dons extraordinários, com seus efeitos tanto interiores, como exteriores visando a edificação da Igreja.



4 – A abundância de dons extraordinários do dia de Pentecostes visava, pois, socorrer a Igreja, sobretudo nos seus difíceis começos em que devia aplicar-se a converter judeus endurecidos e pagãos idólatras. Eram dons da ordem dos carismas, os quais – quando verdadeiros – não se destinam diretamente ao bem da pessoa que os recebe, mas ao da comunidade dos fiéis.



Para o bem pessoal da santificação e salvação de cada fiel em particular, Jesus já havia instituído na sua Igreja os S. Sacramentos como canais ou meios normais e permanentes de comunicação da graça e dos dons divinos.



5 – São Paulo encontrou em certas comunidades uma prática especial, chamada “glossolália”, ou “fala em línguas estranhas” – não confundir com o “dom das línguas” do dia de Pentecostes (At. 2,4) – e procurou regular o seu exercício, cercando-o de precauções para que não se transformasse em descontrolada explosão do sentimento religioso. Para isso exigiu necessariamente um intérprete (1 Cor. 14, 27). Trata-se de alguém com o encargo de vigilante da fé, pois, São Paulo submete também à vigilância da autoridade o exercício dos carismas proféticos (1 Cor. 14, 37). A “glossolália” teve duração transitória. Não ultrapassou à Igreja primitiva e desapareceu cedo.



6 – O atual Carismatismo das seitas, em seu livre curso, expõe os fiéis a serem iludidos com a esperança de estarem recebendo graças especiais, quando se trata freqüentemente de manifestações naturais do sentimento religioso. Além disso, o demônio pode servir-se desses estados de superexaltação para produzir certos fenômenos extraordinários com aparência de carismas, para enganar e perder a muitos.



7 – Eis o que, nesse sentido, nos ensina o grande doutor da Igreja, São Francisco de Sales (Trat. do Amor de Deus, t.2, c. IV):



Tem-se visto em nossa época, muitas pessoas que crêem que foram muito freqüentemente raptadas em êxtases; e ao cabo, descobria-se que o fato não passava de ilusões diabólicas. Assim, certo sacerdote, no tempo de Santo Agostinho, punha-se em êxtase sempre que queria, cantando ou fazendo cantar uma ária lúgubre; (…). O admirável é que seu êxtase ia tão longe, que não sentia o fogo que se lhe aplicava, a não ser depois de ter voltado a si…, e ficava sem respirar”. E o santo adverte-nos ainda que o maligno pode transformar-se em espírito de luz, operar êxtases e outras coisas extraordinárias para confundir e perder as almas.



E São João da Cruz afirma: “Quando a alma procura estas comunicações carismáticas, abre a porta ao demônio”.



8 – O Carismatismo das seitas repete ainda o erro de Lutero que pretendeu uma comunicação do Espírito Santo e da graça divina, por meios livres, que não os Santos Sacramentos estabelecidos para esse fim específico por Nosso Senhor. Daí ter Lutero supresso quase todos os Santos Sacramentos. E nos meios católicos influenciados pelo carismatismo protestante, em geral, nota-se um certo descaso para com a admirável obra sacramentária de Nosso Senhor.



Ouve-se dizer que católicos estão imitando o carismatismo superemotivo protestante. Para eles vale o que foi dito. Seria o caso de dizer-lhes com São Paulo “Não tentemos o Espírito Santo” com posturas emotivas estranhas, a ver se Ele produz em nós algum efeito extraordinário; nem “O injuriemos” atribuindo-Lhe tantas coisas estranhas!



9 – No entanto, a prática constante da Igreja vê na administração correta dos Santos Sacramentos, efeitos autenticamente carismáticos de transformação espiritual. Podemos dizer que Jesus instituiu aí um verdadeiro “Carismatismo Católico”: “Quem não renascer pela água e pelo Espírito Santo, não entrará no Reino dos Céus” (Jo 3, 5). “Ide… e pregai o Evangelho a toda criatura, ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinai-as a observar tudo o que vos mandei”; “quem crer e for batizado será salvo, quem não crer será condenado.” (Mt 25, 19-20; Mc 16, 15-16)



10 – De fato, a comunicação normal da alma com o Espírito Santo se faz pela graça do Sacramento do Batismo que a transforma em templo da Santíssima Trindade. Por isso, já em Pentecostes, o que os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, julgavam mais necessário fazer para cumprir a ordem do Divino Mestre, foi batizar os primeiros convertidos (At 2, 38).



11 – Mas, também os outros Sacramentos, embora de modo diverso, operam no sentido de garantir a permanência do Espírito Santo, do Pai e o Filho, na alma do fiel, ou no sentido de recuperar nela a sua habitação, quando vier perder essa divina habitação pelo pecado grave.



12 – Para os católicos que crêem no valor divino dos Santos Sacramentos e da admirável Ação do Espírito Santo em nossas almas através deles, e para outros de boa vontade, eis aqui uma bela página de verdadeira renovação carismática:



O que fizeram os Apóstolos antes de tudo, senão batizar? Eles comunicaram o Espírito Santo a todos os que tinham fé, a todos os que criam em Nosso Senhor Jesus Cristo.



É assim que a Igreja, sob a influência de Cristo, sempre comunica o Espírito Santo. Todos nós O recebemos em nosso Batismo. [E se não O perdemos pelo pecado mortal, Ele continua a operar em nós através de seus dons e frutos as maravilhas de suas dádivas]. Devemos meditar com mais atenção a grande realidade de nosso Batismo que nos tornou templos de Deus e moradas do Espírito Santo. A recepção desse Sacramento opera nas almas uma grande transformação de ordem sobrenatural.



Os outros Sacramentos vêm completar esta efusão do seu Espírito Santo, operada em nosso Batismo. Assim, o Sacramento da Confirmação nos comunica também, com uma maior profusão, os dons do Espírito Santo, pois temos necessidade deles para alimentar e bem exercer a nossa vida espiritual e cristã.



Mas não é tudo. Com efeito, Nosso Senhor quis que dois Sacramentos, em particular, intensifiquem em nós a comunicação do seu Espírito com a efusão de seus dons, de forma freqüente. São os Sacramentos da Penitência e da Eucaristia. A Penitência reforça a graça que recebemos em nosso Batismo e purifica nossa alma de seus pecados. Pois não podemos pensar em receber abundantes graças do Espírito Santo, se O estamos contristando pelo pecado. Este Sacramento restitui, pois, a força do Espírito Santo e o poder da graça.



E que direi do Sacramento da Eucaristia que nos é dado pela celebração do Santo Sacrifício da Missa, que renova a oblação sacrifical de Cristo, e nos aplica os frutos da Redenção? (…) Na Eucaristia recebemos ao mesmo tempo a santificação de nossas almas, que nos afasta do pecado, e a união com N. S. Jesus Cristo, bem como a força do Espírito Santo.



Os Sacramentos do Matrimônio e da Ordem santificam a sociedade. O primeiro, santifica as famílias. O segundo, a Ordem é verdadeiro carisma. É concedido para comunicar precisamente o Espírito Santo a todas as famílias cristãs, a todas as almas.



Por fim, o Sacramento da Extrema-Unção nos prepara para receber a verdadeira, plena e definitiva efusão do Espírito Santo, quando receberemos a nossa recompensa no Céu.” (Renovation Carismática – [Instrução de Dom Lefebvre] - fev/1998)



13 – Portanto, supliquemos todos os dias as luzes e a força do Espírito Santo, e os seus outros dons divinos, para que Ele nos ilumine e nos fortaleça todos os dias e momentos de nossa vida, nos santifique e salve. Enfim, para que o Divino Espírito exerça em nossas almas seus verdadeiros carismas santificadores, sobretudo através dos seus Santos Sacramentos.



Dom Licínio Rangel

Campos/RJ



10 de julho de 2011

Missa de sempre em Curitiba

QUARTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

A Apostolicidade da igreja

Para terminar os quatro característicos que devem distinguir a Igreja verdadeira das demais seitas religiosas, resta-nos um último a considerar: a apostolicidade, isto é, o fato de ter sido fundada por Jesus Cristo, sobre os Apóstolos.

É o Evangelho que nos fornece mais esta quarta nota. Este Evangelho de hoje narra a pesca milagrosa e a vocação dos Apóstolos.

Esta pesca representa a ação dos Apóstolos no mundo: devem ser pescadores de homens.

Havia lá duas barcas que estavam à margem do lago, diz o Evangelho.

Jesus entrou numa delas, na de Pedro, e dela manda lançar as redes para pescar.

Como tudo é significativo e claro!

Jesus muda o ofício dos Apóstolos: de pescadores de peixes vão tornar-se pescadores de homens.

Jesus estava com eles, na barca de Pedro.
Ele preside: Pedro é o piloto.
Esta barquinha é a Igreja Católica.
Jesus é o chefe supremo.
Pedro é o seu representante.
Os Apóstolos são os seus auxiliares.

A Igreja está fundada. O seu chefe está escolhido, o ofício de seus ministros esta determinado.

Basta agora provar que a Igreja fundada nesta hora solene se tenha perpetuado através dos séculos, continuando a ser a Igreja Apostólica. É o que vamos fazer meditando esta Apostolicidade:

1. No governo da Igreja;
2. Na doutrina que ensina.

Eis dois pontos importantes que devem dissipar as últimas trevas que podem envolver o espírito dos ignorantes ou iludidos.

I. Apostolicidade no governo

A Apostolicidade da Igreja é fundada sobre as palavras de Jesus Cristo que disse que iria fundar a sua Igreja sobre Pedro, o chefe dos Apóstolos: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja (Math. XVI. 18)

Disse-lhes também: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura. (Marcos, XVI. 15)”

Por ordem divina, a Igreja tem, pois, o dever de espalhar a religião de Jesus Cristo no mundo inteiro.

Este ensino deve encontrar-se em todos os tempos, sem interrupção, sempre idêntico e sempre pregado pelos Apóstolos e seus sucessores.

A razão nos demonstra a mesma verdade: a Igreja é uma sociedade, é a significação da palavra: Igreja, significa: reunião.

Ora, em toda sociedade é necessário, para a sua estabilidade, que os governantes recebam o seu poder da autoridade suprema, diretamente ou indiretamente, por um intermediário seguro.

É preciso, pois, que na Igreja verdadeira, em qualquer momento da sua existência, se possam encontrar os Apóstolos, e por eles, Jesus Cristo vivo, falando, agindo, pelo Papa, e pelos Bispos, pois S. Paulo disse: que o Espírito Santo havia posto os Bispos para regerem a Igreja. (Atos XX. 28)

Cada um deles deve poder dizer: não sou eu quem mando ou ensino, mas sim, Pedro, Jesus Cristo.

Examinando de perto o governo da Igreja, achamos necessariamente que o modo de governar que a distingue hoje é o mesmo, sem nenhuma modificação, que aquele estabelecido por Jesus Cristo.

Podemos remontar de Pontífice a Pontífice, de Pio XII governando hoje, até chegar a São Pedro, e até à Jesus Cristo, sem encontrar outra dificuldade a não ser a da eleição do Papa em certas épocas perturbadas.

Nunca alguém pode dizer: “a Igreja Católica não existe mais! Ela mudou o seu modo de governar.”

Os impérios são substituídos pelas monarquias, as monarquias, pelas repúblicas, as repúblicas, pelo totalitarismo, um só governo não muda: é o governo da Igreja.

Sente-se neste fato qualquer coisa de sobre-humano, pois as mudanças de nações, de tempo, de civilização, de idéias, se produzem com uma imperiosidade irresistível, abatendo instituições, homens e reinos, e no meio destas revoluções demolidoras, o governo da Igreja Católica permanece sempre o mesmo.

Não pode ser uma instituição humana: é necessariamente divina.

II. Apostolicidade na doutrina

Eis, porém, uma maravilha mais admirável ainda: A Igreja Católica pode provar que o seu ensino é o mesmo que o dos Apóstolos.

Nesta larga sucessão de Soberanos Pontífices, guardas da doutrina, interroguemos por acaso, a um destes Papas.

Um S. Clemente, do segundo século,
Um S. Victor, do terceiro,
Um S. Marcelino, do quarto,
Um Sto. Anastácio, do quinto,
Um S Símaco, do sexto,
Um S. Bonifácio, do sétimo,
Um S. Sérgio, do oitavo, etc.

Ou aos últimos, do século passado, indaguemos deles qual é a sua doutrina... e cada um deles repetirá a palavra de Jesus Cristo:

Mea doctrina non est mea, sed ejus qui misit me (Joan. VII. 16).

A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.

É o que o Papa Leão XIII, escreveu numa das suas encíclicas em nome de todos os Papas.

“Esta doutrina não é nossa; transmitimo-la tal qual a temos recebido, e não nos é permitido subtrair ou ajuntar-lhe nem um jota”.

A Apostolicidade da Igreja Católica constitue a sua força principal, pois o dilema é irrefutável. A Igreja remonta até aos Apóstolos, é histórica e evangelicamente certo; ora, Jesus Cristo prometeu estar sempre com a sua Igreja não permitindo que as portas do inferno prevalecessem contra ela.

Logo, das duas uma conclusão deve ser adotada: ou o Cristo foi fiel à sua palavra ou mentiu. Se foi fiel, a Igreja não pode ter caído no erro, e continua a professar a religião verdadeira. Se foi mentiroso, Ele deixa de ser Deus, e então fora com o Cristianismo inteiro, estamos todos iludidos, enganados.

Este argumento impressionava tanto os antigos doutores, que faziam dele o argumento exclusivo contra os hereges.

“D'onde vindes?” perguntavam.

De quem recebestes a vossa missão?

O que anunciais é novo... não sucedestes a ninguém; sois somente de ontem.

No segundo século, certos cristãos diziam-se discípulos de Marcião: Tertuliano os fulminava com estas palavras: “Sois de ontem”.

No 4o e 5o séculos certos cristãos diziam-se discípulos de Ário e de Nestório. Santo Atanásio, S. Leão e Santo Agostinho os confundiam com estas simples palavras: “Sois de ontem”.

Em tempos mais recentes, Lutero, Calvino, Henrique VIII, Knox, Allan Kardec, apareceram na cena do teatro herético. Para confundi-los basta dizer: “Sois de ontem!”.

São novidades, são obras dos homens, pois não têm nenhuma ligação com os Apóstolos e com Jesus Cristo. São ramos decepados do tronco, e o pouco de odor que possuem, devem-no ao pouco de seiva católica que lhes resta.

III. Conclusão

A conclusão é de longo alcance: de consolação para os Católicos, de esmagadora revelação para os dissidentes.

É certo que Jesus Cristo instituiu uma Igreja: “Edificarei a minha Igreja”.

É certo que esta Igreja foi construída sobre Pedro: “Sobre esta pedra (Pedro) edificarei”.

É certo que esta Igreja é uma só: a minha Igreja. E para descobrir esta Igreja, no meio das muitas Igrejas heréticas e cismáticas que pretendem ser a Igreja verdadeira, é preciso remontar aí ao berço destas Igrejas, e escolher aquela que por uma sucessão ininterrupta fique ligada aos Apóstolos e ao próprio Cristo.

É uma verificação relativamente fácil.

O protestantismo em bloco, sem falar das suas centenas de denominações ou seitas, não remonta além de Lutero.

É em 1518 que Lutero lança o seu protesto contra a autoridade da Igreja e funda o seu triste protestantismo.

É em 1847 nos Estados Unidos, que as irmãs Fox protestantes lançaram as bases do louco espiritismo.

E quando nasceu a Igreja Católica?

Quem foi o seu fundador?

A história emudece, os séculos emudecem... e só uma voz: a da verdade, exclamou: Ela nasceu à beira do lago de Genesaré, sob a voz de Cristo dizendo: “Farei de vós pescadores de homens... Pedro, apascenta as minhas ovelhas, apascenta os meus cordeiros... Dou-te as chaves do reino do céu... Quem vos escuta, a mim escuta... Ide no mundo inteiro, pregai o Evangelho à toda criatura”.

Eis o fundamento da Igreja Católica, posto por Jesus Cristo, sobre os Apóstolos.

Somente esta Igreja é Apostólica...

Somente ela é a Igreja verdadeira de Jesus Cristo.

EXEMPLO - O engano é impossível

Incalculável é o número dos inimigos da Igreja. Ela é o objeto do ódio dos escravos do pecado, por causa do zelo com que persegue o vício - dos hereges, por causa do testemunho que dá a verdade - dos incrédulos, por causa da perseverança com que põe a calvo os sofismas da sua falsa sabedoria e da sua profunda ignorância.

E estes inimigos não se apresentam isolados contra a Igreja; embora estejam eles mesmos, continuadamente em guerra entre eles, fazem causa comum, desde que se trate da Igreja.

Luterano e reformado, mytho e racionalista, herege e cismático, maçom, panteísta, ateu, livre-pensador, todos contrataram uma aliança sagrada contra a Igreja. Mais de um príncipe empresta a esta liga de ódio a espada que lhe foi confiada por Deus para castigar os criminosos.

Esta liga de ódio tem nas mãos a imprensa, que se enche de calúnias contra a Igreja, e tem também recursos pecuniários imensos.

E apesar de toda esta potência que se levanta contra ela, a Igreja Católica, tão ultrajada, tão caluniada, nos jornais, nas escolas, nos livros, apresentada como um cadáver em putrefação, despojada de todo esplendor terrestre, esta Igreja Católica permanece sempre a mesma, faz cada dia novas conquistas.

Mais ela é perseguida por causa da verdade, mais ela se firma na verdade.

Os Impérios caem e ela fica em pé no meio das ruínas.

É bem diante de tal cena que se deve exclamar: o dedo de Deus está aí!... e dizer com Ricardo de São Victor: “Se nós nos enganamos, Senhor, és tu que nos enganaste, pois todas estas coisas têm sido confirmadas por tantos prodígios e por milagres tão estupendos, que não podem se ter realizados sem Vós”.

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(MARIA, P. Júlio. Comentário Apologético do Evangelho Dominical. O Lutador, 1940, p. 252 – 259)

9 de julho de 2011

AMAR MARIA (VII)

Invocação dos santos nomes de Jesus e da Bem-aventurada Virgem

1) Senhor Jesus Cristo, vossos caminhos são belos e seguros para percorrer com retidão e perfeição; todos vossos caminhos são pacíficos e santos para conduzir ao vosso reino celestial todos os vossos fiéis e os humildes de coração.

2) Portanto, qualquer que seja o lugar a que te dirijas, qualquer o lugar em que caminhes, ou te detenhas, ou te estabeleças, invoca a Jesus e Maria, sua doce Mãe, repetindo com amor esta santa invocação: “Senhor, meu Deus, dirigi meu caminho diante de ti”, e acrescentando esta outra semelhante: “Ó bom Jesus, façais que sejam firmes meus passos ao longo de vossos caminhos, a fim de que não se distanciem para se fixar nas vaidades ou para discorrer sobre temas ociosos e nocivos para minha alma”. Repita esta doce invocação inclusive quando te dispõe a tomar teu alimento, e tenha-a sempre ao alcance de tua mão, como um bastão em que apoiar-te, reiterando-a com freqüência e devoção.

3) Que Jesus e Maria estejam sempre comigo no caminho, em todo lugar e em todo o momento, como bons guardiões, para não correr perigo de equivocar-me por caminhos perigosos e para que não me distraiam tantos fantasmas interiores e exteriores.

4) Esta santa invocação: “Jesus e Maria”, é breve para se dizer e para recordar, mas também é doce para meditar. É proteção eficaz, custódia fiel, amiga no caminho, doce consolo, auxílio poderoso, prudência e perseverança no reto caminho até à vida eterna, para todo fraco peregrino que despreze as coisas mundanas; ela possui a força dos melhores e mais aguerridos combatentes que estão ao serviço dos reis e dos príncipes deste mundo, e também dos santos do céu e da terra. Ela une no fervor espiritual a todos os cidadãos do céu, que seguem com todo respeito a Jesus Cristo e Maria Santíssima, sua amada Mãe, incomparavelmente digna de todo louvor e de toda honra da parte de cada um. Portanto, aquele que conta com Jesus e com Maria como companheiros no caminho desta vida, os terá como afetuosos advogados na hora da morte.

5) Não abandones a Jesus, se desejas viver e gozar para sempre com Jesus e Maria. Caminha bem e com segurança quem leva no coração a Jesus e Maria, os tem sempre nos lábios e os bendiz; os chama com a voz e sente como se regozija seu próprio coração; os invoca com o olhar, suspira com o semblante, os aplaca com beijos, os abraça e os suplica de joelhos. Feliz o que invoca com freqüência e saúda com devoção a Jesus e Maria, o que os recorda com carinho, os honra e canta festivamente em sua honra. Que doce é Jesus e que doce é Maria, sua amada e santa Mãe. Feliz o peregrino que, em todo lugar e em todo tempo de seu exílio no corpo, se recorda da pátria celestial, onde Jesus e Maria gozam com todos seus anjos e santos na maior alegria e na glória eterna.

6) Feliz o peregrino que não pede para ficar neste mundo, mas deseja desatar-se e estar com Cristo no céu. Feliz o pobre e mendigo que cada dia estende a mão, para receber o pão do céu, e que enquanto não recebe pelo menos uma migalha, não cessa de suplicar humildemente diante da mesa de Deus. Feliz o que é convidado à ceia do cordeiro e recebe seu sacramento, enquanto não chega ao supremo convite. Com efeito, cada vez que alguém comunga com devoção ou um sacerdote celebra com recolhimento em honra de Deus, espiritualmente comem e bebem com Jesus bendito e com sua Mãe. Quem obra assim é discípulo de Jesus, íntimo da Bem-aventurada Virgem Maria, companheiro dos anjos, concidadão dos apóstolos, familiar de Deus, parente dos santos e amigo do céu. Ele foge do alvoroço e dos murmurinhos, medita as palavras de Jesus e controla com diligência seu coração junto com os demais sentidos, para não ofender a Jesus, a Maria e aos outros santos.

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de Maria nunquam satis"
"sobre Maria nunca se falará o bastante"
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(KEMPIS, Tomás de. Imitación de María: Libro Tercero, Capítulo VII. pág. 104 - 107)

8 de julho de 2011

Sermão do III Domingo depois de Pentecostes

“O mundo sempre nos fará guerra” - São Francisco de Sales

Assim que a tua devoção se for tornando conhecida no mundo, maledicências e adulações te causarão sérias dificuldades de praticá-la. Os libertinos tomarão a tua mudança por um artifício de hipocrisia e dirão que alguma desilusão sofrida no mundo te levou por pirraça a recorrer a Deus.

Os teus amigos, por sua vez, se apressarão a te dar avisos que supõem ser caridosos e prudentes sobre a melancolia da devoção, sobre a perda do teu bom nome no mundo, sobre o estado de tua saúde,sobre a necessidade de viver no mundo conformando-se aos outros e, sobretudo, sobre os meios que temos para salvar-nos sem tantos mistérios.

Filoteia, tudo isso são loucas e vãs palavras do mundo e, na verdade, essas pessoas não têm um cuidado verdadeiro de teus negócios e de tua saúde: Se vós fôsseis do mundo, diz Nosso Senhor, amaria o mundo o que era seu; mas, como não sois do mundo, por isso ele vos aborrece.

Vêem-se homens e mulheres passarem noites inteiras no jogo; e haverá uma ocupação mais triste e insípida do que esta? Entretanto, seus amigos se calam; mas, se destinamos uma hora à meditação ou se nos levantamos mais cedo, para nos prepararmos para a santa comunhão, mandam logo chamar o médico, para que nos cure desta melancolia e tristeza. Podem-se passar trinta noites a dançar, que ninguém se queixa; mas por levantar-se na noite de Natal para a Missa do Galo, começa-se logo a tossir e a queixar de dor de cabeça no dia seguinte.

Quem não vê que o mundo é um juiz iníquo, favorável aos seus filhos, mas intransigente e severo para os filhos de Deus?

Só nos pervertendo com o mundo, poderíamos viver em paz com ele, e impossível é contentar os seus caprichos – Veio João Batista, diz o divino Salvador, o qual não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Ele está possesso do demônio. Veio o Filho do Homem, come e bebe, e dizeis que é um samaritano.

É verdade, Filoteia, se condescenderes com o mundo e jogares e dançares, ele se escandalizará de ti; e, se não o fizeres, serás acusada de hipocrisia e melancolia. Se te vestires bem, ele te levará isso a mal, e, se te negligenciares, ele chamará isso baixeza de coração. A tua alegria terá ele por dissolução e a tua mortificação por ânimo carrancudo; e, olhando-te sempre com maus olhos, jamais lhe poderás agradar.

As nossas imperfeições ele considera pecados, os nosso pecados veniais ele julga mortais, e malícias, as nossas enfermidades; de sorte que, assim como a caridade, na expressão de S. Paulo, é benigna, o mundo é maligno.

A caridade nunca pensa mal de ninguém e o mundo o pensa sempre de toda sorte de pessoas; e, não podendo acusar as nossas ações, condena ao menos nossas intenções. Enfim, tenham os carneiros chifres ou não, sejam pretos ou brancos, o lobo sempre os há de tragar, se puder.

Procedamos como quisermos, o mundo sempre nos fará guerra. Se nos demorarmos um pouco mais no confessionário, perguntará o que temos tanto que dizer; e, se saímos depressa, comentará que não contamos tudo. Espreitará todas as nossas ações e, por uma palavra um pouco menos branda, dirá que somos insuportáveis. Chamará avareza o cuidado por nossos negócios, e idiotismo a nossa mansidão. Mas, quanto aos filhos do século, sua cólera é generosidade; sua avareza, sábia economia; e suas maneiras livres, honesto passatempo. É bem verdade que as aranhas sempre estragam o trabalho das abelhas!

Abandonemos este mundo cego, Filoteia; grite ele quanto quiser, como uma coruja para inquietar os passarinhos do dia. Sejamos firmes em nossos propósitos, invariáveis em nossas resoluções e a constância mostrará que a nossa devoção é séria e sincera. Os cometas e os planetas parecem ter o mesmo brilho; mas os cometas, que são corpos passageiros, desaparecem em breve, ao passo que os planetas brilham continuamente. Do mesmo modo muito se parece a hipocrisia com a virtude sólida e só se distingue porque aquela não tem constância e se dissipa como a fumaça, ao passo que esta é firme e constante.

Demais, para assegurar os começos de nossa devoção, é muito bom sofrer desprezos e censuras injustas por sua causa; deste modo nós nos premunimos contra a vaidade e o orgulho, que são como as parteiras do Egito, às quais o infernal Faraó mandou matar os filhos varões dos judeus no mesmo dia de seu nascimento. Enfim, nós estamos crucificados para o mundo e o mundo deve ser crucificado para nós. Ele nos toma por loucos; consideremo-lo como um insensato.

São Francisco de Sales. Filoteia: Introdução à Vida Devota.  Petrópolis: Vozes, 2008. Ps. 363-367.