Prova-se:
31 de março de 2011
A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA – PARTE 2
Prova-se:
30 de março de 2011
Oração a São Pio X pela Santa Igreja de Deus
28 de março de 2011
A SANTÍSSIMA TRINDADE
Temos a natureza humana porque temos um corpo e uma alma. Somos cada um uma pessoa porque nosso corpo é só nosso e nossa alma é só nossa. Todos os homens têm a mesma natureza, nesse sentido que todos têm um corpo e uma alma; todos são pessoas diferentes, nesse sentido que o corpo de um não é o corpo do outro, a alma de um não é a alma do outro; cada corpo e cada alma têm características particulares e incomunicáveis.
Em Deus há três pessoas e uma única natureza. A distinção entre as pessoas não vem da natureza que é única para todas as três, mas do fato que a natureza divina mantém em cada pessoa Relações diferentes.
O Pai tem para com o Filho uma relação de Paternidade. O Filho tem com o Pai uma relação de Filiação. O Espírito Santo tem com o Pai e o Filho uma relação de Processão. A natureza divina é Pai na Pessoa do Pai, mas não é Pai na Pessoa do Filho; essa mesma natureza é filho na Pessoa do Filho, mas não é Filho na Pessoa do Pai; enfim, esta mesma natureza é Espírito Santo na terceira Pessoa, mas não é Espírito Santo nem no Pai e nem no Filho. Logo, o Pai não é a mesma pessoa que o Filho, o Filho não é a mesma pessoa que o Pai, o Espírito Santo não é a mesma pessoa que o Pai nem que o Filho.
Lemos no Símbolo de Santo Atanásio:
“O Pai não procede de ninguém, Ele não é feito, nem criado, nem engendrado”.
“O Filho procede só do Pai, Ele não é feito, nem criado, mas engendrado”.
“O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, Ele não é feito, nem criado, nem engendrado, mas procede”.
Assim, as três Pessoas divinas têm isso em comum, elas não são feitas nem criadas. E elas têm em próprio que o Pai não é de ninguém; que o Filho é do Pai unicamente, por geração; que o Espírito Santo é do Pai e do Filho por processão.
Um é o Pai, outro o Filho, outro o Espírito Santo, mas pela unidade de natureza, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só e mesmo Deus, visto que em Deus não pode haver nada além de Deus.
Vamos agora procurar as luzes que a Sagrada Escritura e a Tradição nos trazem sobre a maneira da geração do Filho pelo Pai e da maneira de processão do Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho. Mas antes é preciso ter algumas noções sobre os atos da vida divina.
[Continua]
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FONTE: EMMANUEL-ANDRÉ, Pe. O mistério da Santíssima Trindade. Niterói: Permanência, 2006. p.12-13.
A VIA SACRA
"A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e anularei a prudência dos prudentes (Is 29,14). Onde está o sábio? Onde o erudito? Onde o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo? Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem. Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos – quer judeus quer gregos –, força de Deus e sabedoria de Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." I Coríntios. I, 18-25.
"Eu não quero saber doutra coisa, senão de Jesus, de Jesus Crucificado" (I Cor. II, 2). Quem quiser, diz S. Boaventura, crescer sempre em virtude e em graça, medite incessantemente os sofrimentos de Jesus Cristo. Ao mesmo Santo, pergunta São Tomás de que livro se socorria para tão belos ensinamentos quais eram os seus, e apontou São Boaventura para a imagem do Senhor na cruz: “Eis aqui, disse, o livro onde aprendi o pouco que sei”. Não há bálsamo tão consolador nas tribulações, lenitivo tão doce aos sofrimentos, conforto tão eficaz para as desventuras, como a lembrança da Paixão de Jesus. Nas chagas de Jesus crucificado aprenderam os Santos a coragem e Constancia com que sofreram as torturas, o martírio e a morte.
Condições indispensáveis para a meditação da Via Sacra:
1º. Percorrer sucessivamente as 14 estações, exceto em vias sacras públicas, em que o ministro percorre pelos fiéis;
2º. Percorrê-las sem interrupção notável;
3º. Meditar a Paixão do Senhor.
Eis, portanto, a meditação da Via Sacra, segundo o método apresentado pelo Frei Goffinè, em seu "Manual do Christão":
GOFFINÈ. Manual do Christão. Rio de Janeiro, RJ. Imprensa da Sacristia da do Colégio da Imaculada Conceição: 15ª Edição, 1944.
NIHIL OBSTAT: Pe. João Baptista de Siqueira. Rio de Janeiro, 20 de maio de 1930.
IMPRIMATUR: Mons. Rosalvo Costa Rego. Rio, 20, 5, 1930.
IMPRIMI POTEST et DE PERMISSU SUPERIORUM: Pe. Affonso Maria Germe. Rio, 6, 5, 1942.
A VIA SACRA
ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Ó MEU Jesus! Amo-Vos mais que todas as coisas, porque sois infinitamente bom. Pesa-me de todo o coração, de vos ter ofendido, a Vós, que sois meu soberano bem. Ofereço-Vos este piedoso exercício em memória do que sofrestes no caminho do Calvário, por amor de mim, que sou um indigno pecador. – (Se for oferecido às almas do purgatório) Intento ganhar e aplicar às almas do Purgatório a indulgência plenária anexa a este piedoso exercício.
ESTAÇÃO I. Jesus condenado à morte.
V. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
V. Nós vos adoramos, Senhor Jesus, e vos bendizemos.
R. Porque com a vossa cruz remistes o mundo.
PODIA o Divino Salvador nosso pulverizar com uma palavra, com um olhar só, aquele infame Juiz e a turba dos Judeus e algozes; queria, porém, satisfazer à justiça de seu Pai por todos os pecados do mundo, calou-se!... Obrigue-nos este exemplo a sofrer as injustiças dos homens, como satisfação à justiça eterna, tantas vezes por nós desacatada.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI
Miserere nostri, Domine, miserere nostri
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
PELO CAMINHO:
Sancta Mater istud agas,
Crucifixi fige plagas
Cordi meo valide,
Gravai, ó Mãe Santa, em meu coração, as chagas de Jesus Crucificado.
ESTAÇÃO II. Jesus com a cruz às costas.
V. Adoramus te, etc.
RECEBE Jesus, o justo por excelência, da mão dos algozes, o pesado lenho do seu sacrifício: E nós, pecadores, como recebemos as cruzes, às vezes tão leves, que nos envia o misericordioso Senhor, para lembrar-nos a devida penitência? – Comparemos, julguemos!
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO III. Jesus cai debaixo da cruz, primeira vez.
V. Adoramus te, etc.
CAI ao peso da cruz nosso Redentor. Levanta-se no meio de sangrentos insultos. Eis como se dignou expiar nossas quedas. – Sigamo-lo, pois, com o coração sinceramente contrito e penetrado, no caminho doloroso que aceitou trilhar por nós.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO IV. Jesus encontra sua Mãe Santíssima.
V. Adoramus te, etc.
IMENSA foi a aflição da mãe e do Filho, neste crudelíssimo encontro. Maria, porém, conhecia o plano divino, sabia que Jesus havia de ser imolado pela glória do Pai e Redenção do mundo, e dela também era o holocausto. – Alcance-nos a Mão do Salvador, os sentimentos de suas virtudes heróicas com perfeita imitação do seu divino Filho.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA O PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO V. O Cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz.
V. Adoramus te, etc.
MEDITEMOS o ato que permite aqui Jesus. Não lhe falta a força àquele que sustenta o universo; quer, porém, ensinar-nos, aceitando tal auxílio, que nos devemos ajudar uns aos outros, no caminho da vida, com serviços e obséquios recíprocos.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Misere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO VI. A Verônica enxuga a face de Jesus.
V. Adoramus te, etc.
DULCÍSSIMO Jesus meu! Assim como recompensastes a compassiva e generosa Verônica, com vosso retrato, no véu que enxugou vosso rosto sagrado, dignai-vos de imprimir em nossos corações vossa imagem, e os vossos padecimentos por nós, que nunca os possa o pecado ofuscar ou delir.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO VII. Jesus cai, segunda vez.
V. Adoramus te, etc.
SUCUMBE de novo o Divino Cordeiro, ao peso dos nossos pecados antes que do lenho ignominioso. Ergue-se logo, continua sua marcha para o Calvário. – Exemplo para nós, de nunca entregarmo-nos ao desalento: retemperando-os com nova graça nas águas benditas da penitência.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO VIII. Jesus consola as mulheres de Jerusalém.
V. Adoramus te, etc.
NÃO choreis por Mim, chorais antes por vós e por vossos filhos, diz Jesus ás mulheres de Jerusalém, pensando só nas calamidades iminentes sobre sua pérfida pátria... E nos ensina que mais agradável lhe será nossa compaixão, se primeiro chorarmos nossos pecados, causa que são do seu sacrifício.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO IX. Jesus cai, terceira vez.
V. Adoramus te, etc.
TANTAS e tão graves são as nossas ofensas, que de novo prostram o nosso Salvador. – O que, porém, lhe causa tristeza mortal, é que será baldado para muitos, o sangue que derrama. Não sejamos nós ingratos tais, protestemos antes, corresponder amorosamente à sua divina graça.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO X. Jesus despido da túnica inconsútil.
V. Adoramus te, etc.
ABRACARAM-LHES os algozes a túnica inconsútil, pegada ao corpo pelas feridas sem conta da flagelação, e o despojaram, à vista do amotinado povo. – E eu, seu discípulo, tão apegado às vaidades, tão cobiçoso dos bens presentes... Livrai-me Senhor, e restituí-me a veste nupcial da vossa graça!
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO XI. Jesus pregado na cruz.
V. Adoramus te, etc.
QUE atroz suplício nosso Redentor, quando lhe transpassaram as mãos e os pés sagrados com enormes cravos, e o crucificaram! Com este sangue a correr em jorro, conheçamos o preço duma alma, e quanto custou a nossa. Detestemos o pecado, causa de tantas dores. Prendei, Senhor e Redentor meu, à vossa cruz minha vontade, nada a separe da vossa.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO XII. Jesus expira na cruz.
V. Adoramus te, etc.
DEPOIS de três horas de agonia, expira o nosso Redentor. Logo o céu, o sol, a lua, a terra, as pedras, todos os elementos se comovem em pavoroso assombro... – Choremos nossas iniqüidades, causa desta morte, e prometamos a Jesus pagar amor com amor, procurando com zelo ardente a salvação das almas.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO XIII. Jesus descido da cruz.
V. Adoramus te, etc.
MARIA recebeu em seus braços o corpo inânime de seu adorado Filho. Então mais fundo que nunca lhe penetrou à alma o gládio profetizado outrora por Simeão. Então seria aquela dor grande como o mar... – Ó Mãe dolorosíssima, nossas culpas foram a causa do martírio vosso, e de vosso Filho; suplicai-lhe por nós, que nos penetre o coração o sincero arrependimento e o firme propósito de emenda para todo o sempre.
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
ESTAÇÃO XIV. Jesus depositado no sepulcro.
V. Adoramus te, etc.
O SEIO do Pai eterno, o seio da Virgem, a gruta de Belém, a cruz do Calvário, o sepulcro de Gethsemani... Aqui termina a fulgurante carreira do nosso Redentor... Aí está debaixo de enorme pedra! Tudo para me salvar... e eu tão pouco farei pela minha salvação que tão caro custou a Jesus Deus-Homem!
PAI NOSSO – AVE MARIA – GLÓRIA AO PAI.
Miserere nostri, etc.
Sancta Mater etc.
PAI NOSSO (6x) – AVE MARIA (6x) – GLÓRIA AO PAI (6x)
CONCLUSÃO
SENHOR meu Jesus Cristo, que para resgatar o mundo quisestes nascer, ser circuncidado, reprovado pelos ímpios Judeus, entregue com um ósculo pelo traidor Judas, amarrado e levado ao sacrifício como um cordeiro, arrastado pelas ruas, levado com tanta ignomínia aos tribunais da Anáz, Caifás, Pilatos e Herodes, acusado por falsas testemunhas, cruelmente rasgado com tantos açoites, ludibriado, cuspido com repugnantes escarros, coroado de agudos espinhos, fustigado com a cana... que vos tapassem os olhos por zombaria, que vos despissem, vos pregassem com três cravos, e vos erguessem na cruz no meio de dois ladrões... que vos dessem a beber vinagre e fel, e vos transpassassem o coração com a lança!... Ó piedosíssimo Redentor, por tantas dores e penas, por nosso amor padecidas, e que nós vamos meditando agora, livrai-nos das penas do inferno, levai-nos ao paraíso, como o ladrão convosco crucificado, ó meu bom e dulcíssimo Jesus, que com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
27 de março de 2011
TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA (II)
Do grande mal que fazem os que ocultam os pecados na confissão.
Sumário. O demônio, depois de obcecar tantas pobres ovelhas de Jesus Cristo, induzindo-as a pecar, faz como o lobo; apanha-as pelo pescoço, afim de que não gritem por socorro, confessando-se sinceramente. E deste modo fazendo que cometam novo pecado, de ordinário mais grave que o primeiro, como é o sacrilégio, leva-as com segurança ao inferno. Oxalá que aquelas almas desgraçadas compreendessem o grande mal que causam a si mesmas, e o grande bem de que se privam pela maldita vergonha na confissão!
I. Diz Santo Agostinho que o lobo, para que a ovelha lhe não escape, a apanha pelo pescoço, de modo que não possa gritar por auxílio balando, e assim a leva com segurança, e a devora. O mesmo pratica o demônio com tantas infelizes ovelhas de Jesus Cristo. Depois de obcecá-las, para que não vejam o mal que cometem ofendendo a Deus, apanha-as pelo pescoço, para que não se confessem. Deste modo fá-las cometerem pecado, de ordinário mais grave que o primeiro, como é o sacrilégio, e assim conduz a preza com segurança ao inferno. Oxalá que aqueles pecadores desgraçados compreendessem o grande mal que causam a si mesmos, e o grande bem de que se privam pela maldita vergonha!
Nos tribunais da terra se diz que o que confessa é condenado; mas no tribunal de Jesus Cristo acontece o contrário: o que confessa é o que obtém o perdão. Mais, para quem cometeu um pecado grave, não há outro remédio de salvação, senão a confissão do pecado. Ou confissão, ou condenação! Não basta que se arrependa de coração; não basta que vá ao deserto e pratique a penitência mais sincera: Ou confissão, ou condenação!
Que esperança de salvação pode ter aquele que vai confessar-se, e, calando o pecado, se serve da confissão para mais ofender a Deus, e constituir-se mais escravo do demônio? Que dirias do inferno que tomasse uma taça de veneno, em vez do remédio que o médico lhe tinha ordenado? Ó céus! Que é a confissão para um pecador que cala os pecados, senão uma taça de veneno, que lhe agrava a consciência com a malícia do sacrilégio?
Quando o confessor absolve o penitente, ministra-lhe o Sangue de Jesus Cristo, visto que o absolve pelos merecimentos deste sangue. Mas o que cala os pecados, calca aos pés o Sangue de Jesus, e, se além disso recebe a comunhão, atira em certo modo, como diz São João Crisóstomo, a hóstia consagrada aos esgotos. Daí provém que tais sacrilégios já nesta terra sofrem um inferno antecipado; como se carregassem com tantas víboras, quantos são os sacrilégios que cometem.
Se ao menos os criminosos de tão nefandos excessos pudessem consolar-se com o pensamento: Ninguém conhecerá jamais o meu pecado. Não, porque o mesmo pecado que agora eles se recusam a confessar em segredo a um só homem, que tem compaixão e nunca dele poderá falar, a fé nos diz que, para maior confusão deles, o Senhor o manifestará no dia do juízo em presença dos Anjos e de todos os homens. Revelado pudenda tua in facie (1) – “Descobrirei tuas infâmias diante de tua própria face”.
II. Ânimo, pois, meu irmão; se porventura tivesses cometido o erro de calar pecados por vergonha , escuta o que te aconselha Santo Ambrósio: O demônio tem preparado o processo de todos os teus pecados, para deles te acusar no tribunal de Deus. Queres fugir a esta acusação? Toma a dianteira a teu acusador, diz o Santo, acusa-te tu mesmo a um confessor: Praeveni accusatorem tuum. Basta que lhe digas: “Meu pai, tenho um escrúpulo sobre a vida passada, mas tenho vergonha de o dizer”. Basta que digas isso, porque será dever do confessor tirar-te do coração a serpente que te roa a consciência.
Ânimo pois: “Pelo amor de tua alma, não te envergonhes de dizer a verdade; há vergonha que traz consigo glória e graça”- Pro anima tua ne confundaris dicere verum (2). – Vai prontamente , ovelha perdida, Jesus Cristo te espera; tem os braços abertos para te perdoar e te abraçar, desde o momento em que confesses o teu pecado. Asseguro-te que depois de uma confissão completa, sentirás uma alegria tão grande, por teres limpado a tua consciência e recuperado a graça de Deus, que sempre bendirás a hora em que fizeste uma boa confissão.
Apressa-te, pois, a procurar o teu confessor, e não dês mais tempo ao demônio, para de novo te tentar; apressa-te, porque Jesus Cristo te está esperando. Qual bom pastor, deixa de novo as outras noventa e nove ovelhas, procura-te com ânsia e suspira pelo momento em que sobre os ombros te possa reconduzir ao aprisco e dizer aos anjos e santos do céu: Congratulai-vos comigo, porque achei a minha ovelha desgarrada (3) – Ó Eterno Pai, fortalecei tantos pobres pecadores para vencerem o respeito humano e fazerem confissão sincera de todos os seus pecados. Vós também, ó grande Mãe de Deus, e Refúgio dos pecadores, ajudai-os (*III 414)
1. Nah. 3, 5.
2. Ecclus. 4, 24.
3. Luc. 15, 6.
TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA (I)
O demônio mudo e as confissões sacrílegas.
Sumário. O demônio mudo de que fala o Evangelho, significa o falso pejo com que o espírito infernal, depois de seduzir o cristão a ofender seu Deus, procura fazê-lo ocultar o pecado na confissão. Ah, quantas almas caem todos os dias no inferno por este ardil diabólico! Meu irmão, se jamais o demônio te vier tentar assim, pensa que, se é vergonhoso ofender a Deus tão bom, não o é o confessar o pecado cometido e o livrar-se dele. Quantos santos são venerados sobre os altares, que até fizeram uma confissão pública!
I. O demônio mudo de que fala o Evangelho, é o falso pejo com que o espírito infernal procura fazer-nos calar na confissão os pecados cometidos, depois de primeiro nos ter cegado para não vermos o mal que cometemos e a ruína que nos preparamos ofendendo a Deus. – Com efeito, exclama São João Crisóstomo, o demônio faz em todas as coisas o contrário do que Deus faz. O Senhor pôs vergonha no pecado, para que não o cometamos; mas depois de o havermos cometido, anima-nos a confessá-lo, prometendo o perdão a quem se acusa. O demônio, ao contrário, inspira confiança ao pecador com a esperança do perdão; mas cometido o pecado, cobre-o de vergonha, para que se não confesse.
Por este ardil diabólico, ó, quantas alma já foram precipitadas e ainda se precipitam cada dia no inferno! Sim, porque os miseráveis convertem em veneno o remédio que Jesus Cristo nos preparou com seu preciosíssimo sangue, e ficam presas com uma dupla cadeia, cometendo depois do primeiro pecado outro mais grave: o sacrilégio.
Irmão meu, se por desgraça a tua alma está manchada pelo pecado, escuta o que te diz o Espírito Santo: Pro anima tua ne confundaris dicere verum (1). Sabe, diz ele, que há duas qualidades de vergonha; deves fugir daquele que te faz inimigo de Deus, conduzindo-te ao pecado; mas não da que se sente ao confessá-lo e te faz receber a graça de Deus nesta vida e a glória do paraíso na outra.
Se, pois, te queres salvar, não te envergonhes de fazer uma boa confissão; aliás a tua alma se perderá. As feridas gangrenosas levam à morte, e tais são os pecados calados na confissão; são chagas da alma que se gangrenaram.
II. Meu filho, vergonhoso é o entrar nesta casa, mas não o sair dela. Assim falou Sócrates a um seu discípulo que não quis ser visto ao sair de uma casa suspeita. É o que digo também àqueles que, depois de cometerem um pecado grave, tem pejo de o confessar. Meu irmão, coisa vergonhosa é ofender a um Deus tão grande e tão bom; mas não o é confessarmos o pecado cometido e livrar-nos dele. Foi porventura coisa vergonhosa para Santa Maria Madalena o confessar em público aos pés de Jesus Cristo, que era uma mulher pecadora? Foi motivo de pejo confessar-se uma Santa Maria Egipcíaca, uma Santa Margarida de Cortona, um Santo Agostinho, e tantos outros penitentes, que algum tempo tinham sido grandes pecadores? Por meio de sua confissão fizeram-se santos.
Ânimo, pois, meu irmão, ânimo! (Falo a quem cometeu a falta de ocultar por vergonha um pecado.) Tem ânimo e dize tudo a um confessor. Dá glória a Deus, e confunde o demônio que, como diz o Evangelho, quando saiu do homem, anda por lugares secos, buscando repouso, e não o acha. – Porém, depois de teres confessado bem, prepara-te para novos e mais violentos assaltos da parte do inimigo infernal. Ai de quem o deixa entrar novamente, depois de o haver expulso! Et fiunt novíssima hominis illius peiora prioribus – “O último estado do homem virá a ser pior do que o primeiro”.
Ó meu amabilíssimo Jesus! Iluminai o meu espírito, afim de que nunca mais me deixe obcecar pelo espírito maligno a cometer de novo o pecado. Pesa-me de Vos haver ofendido, e proponho com a vossa graça antes morrer que tornar a ofender-Vos. Mas, se por desgraça recair, dai-me força para sempre vencer o demônio mudo e confessar-me sinceramente ao vosso ministro. “Peço-Vos, Deus Todo-Poderoso, que atendais propício às minhas humildes súplicas, e que em minha defesa estendais o braço de vossa majestade”. (2) + Doce Coração de Maria, sêde minha salvação. (*III 413)
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1. Ecclus. 4, 24.
2. Or. Dom. curr.
26 de março de 2011
CONHECER MARIA (I)
2) Observastes a enorme aflição de vosso povo sobre a terra e a grave herança dos filhos de Adão. E, em virtude de um profundo impulso de amor, começastes a ter pensamentos de paz e de redenção. Assim, quando chegou a plenitude dos tempos, viestes a visitar-nos, baixando do céu, e mediante a encarnação apareceste entre os homens em vossa condição de verdadeiro Deus e verdadeiro homem, levando a cabo as expectativas dos profetas.
3) Bendigo-Vos e Vos exalto, Salvador nosso, Jesus Cristo, pela imensa humildade com que Vos dignastes eleger como Mãe a uma donzela pobre que fizestes desposar com um pobre carpinteiro José, homem santo e justo.
4) Bendigo-Vos pelo anúncio da digníssima encarnação e pela reverente saudação angélica, que o Arcanjo Gabriel pronunciou, impregnado de intensa devoção, quando se encontrou com a santíssima Virgem Maria, para anunciar-lhe o divino mistério do Filho de Deus, que ia encarnar-se nela.
5) Exalto-Vos e Vos rendo homenagem pela grandeza da fé da Virgem Maria, por seu decidido consentimento, por sua humildíssima resposta e por todas suas virtudes confirmadas quando, ao arcanjo que trazia o gozoso anúncio, respondeu com dócil submissão: Eu sou a seva do Senhor, que se cumpra em mim o que foi dito” (Lc 1, 38).
6) Exalto-Vos e Vos glorifico, ó eterna Sabedoria do Pai, por haver-se interessado vossa inacessível alteza no mísero cárcere de nossa natureza mortal, e por vossa puríssima concepção que teve lugar em Maria por obra do Espírito Santo (Lc 1, 35): em seu seio virginal, o inefável poder do Altíssimo, ao descer sobre ela, formou de sua carne imaculada vossa carne sacrossanta. Por conseguinte, vós que sois o verdadeiro Deus, consubstancial com o Eterno Pai, passastes a ser uma só carne conosco, porém sem contágio do pecado, para transformar-nos em um só espírito conVosco, mediante a adoção como filhos de Deus (Gál 4, 4).
7) Exalto-Vos e Vos glorifico por haver querido esvaziar-Vos de vossa grandeza, assumindo nossa fragilidade, a pobreza, as penas e a mortalidade abrasada com amor, para encher-nos com vosso esvaziamento, para salvar-nos com vossa paixão, para enaltecer-nos com vossa humilhação, para robustecer-nos com vossa debilidade e para conduzir-nos à glória da imortalidade com vossa mortalidade.
8) Exalto-Vos e Vos glorifico por esses intermináveis nove meses dos quais vos escondestes como menino na pequenez de um seio virginal, esperando seu tempo para nascer. Vós, que como Deus, não tende tempo nem tende idade, mas ordenastes todas as coisas no tempo com admirável harmonia.
9) Ó admirável e maravilhosa dignação, Deus de imensa glória, que não Vos desdenhastes de fazer-se desprezível e de assumir, para salvar-nos, nossos sofrimentos, Vós, que criastes todas as coisas sem esforço. Ó dulcíssimo Jesus, esplendor da glória eterna, quanto mais Vos eis humilhado na humanidade, tanto mais me hás demonstrado vossa bondade, quanto mais Vos tende tornado desprezível por mim, tanto mais Vos amo.
10) Bendigo-Vos e Vos agradeço, Senhor Jesus, Filho unigênito do Pai, único gerado antes da existência do mundo, porque, de modo inefável e por causa de vossa grandíssima humildade, Vos dignastes nascer em um sujo estábulo e ser colocado por amor à santa pobreza em uma rústica manjedoura. Exalto-Vos, amadíssimo Jesus, pelo vosso advento coroado de luz, por vosso glorioso nascimento da Imaculada Virgem Maria, por vossa pobreza e por vossa humilde adaptação em uma manjedoura tão pequena e vil. Quem poderia imaginar o Deus altíssimo reduzido a tanta pequenez por amor aos homens? Quantas graças não deve tributar-Vos todo o gênero humano, porque elegeste a pequenez de uma manjedoura para redimi-lo?
11) Que imensa ternura, admirável doçura e delicadíssimo amor nos invadem ao ver a Deus feito menino, envolto em pobres fraldas e deitado em uma estreita manjedoura em frente a animais! Que incompreensível humildade, que o Senhor de todos os Senhores se digne converter-se em servidor dos servidores! E isto, Senhor e Deus meu, Vos pareceu ainda pouco, já que quisestes chegar a ser meu Pai, Vós que sois meu Criador. Até Vos dignastes a ser meu irmão e minha carne na realidade de Vossa natureza humana, mesmo assim sem contrair no mínimo a antiga corrupção.
12) Vosso nascimento é superior às leis da natureza, mas como este devia precisamente reparar a natureza, com um grande milagre supera o modo em que nascem os homens e conforta com divino poder nossos dificultosos nascimentos. Quão feliz e amável é vosso nascimento, dulcíssimo Jesus, Filho de uma Virgem excelsa, ou seja, de nossa excelente Mãe Maria, o qual renova o nascimento de todos, melhora sua condição, dissipa seus prejuízos e rasga o decreto condenatório da natureza. E, desta maneira, aquele que se envergonha de fazer parte da estirpe pecadora de Adão, pode alegrar-se por vosso nascimento não contaminado, certo de haver renascido felizmente por vossa graça.
13) Ó Jesus, Filho unigênito de Deus, agradeço vosso milagroso e ilustre nascimento, em virtude do qual temos acesso a esta graça na que vivemos, e confiamos na esperança da glória dos filhos de Deus, que o céu prometeu. Vós sois o penhor de nossa redenção, Vós sois a eterna esperança de todos nós fiéis. A Vós recorremos, humildes pecadores, a Vós que fostes o primeiro em buscar-nos, quando ainda não Vos conhecíamos.
14) Ó santa e doce infância, que infunde no coração dos homens a verdadeira inocência, pela qual toda idade retorna a Vós afortunada e se torna semelhante a Vós, não por debilidade dos membros, senão pela humildade dos sentimentos e pela bondade dos costumes. Conceda-me seguir vossas santas pegadas, clementíssimo Jesus, que para dar a todos os homens exemplo de virtude e de eterna salvação, quisestes nascer da Virgem Maria à meia-noite. Permita-me, pois, que possa dar-Vos graças e cantar vossos louvores com os anjos e com toda milícia celestial, aos que quisestes como felizes mensageiros de vosso sagrado nascimento.
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"sobre Maria nunca se falará o bastante"
24 de março de 2011
A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA – PARTE 1
“A Eucaristia é um Sacramento que, pela admirável conversão de toda a substância do pão no Corpo de Jesus Cristo, e de toda a substância do vinho no seu precioso Sangue, contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade do mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor, debaixo das espécies de pão e de vinho, para ser nosso alimento espiritual”. (Catecismo de São Pio X)
A PRESENÇA REAL DE CRISTO NA EUCARISTIA – PARTE 1
ARTIGO 1 – O fato da presença real
Neste artigo nos propomos unicamente a expor o fato da presença real de Cristo na Eucaristia tal como nos propõe a fé, sem entrar em averiguação alguma do modo com que se produz tal fato. Isto nós veremos no artigo seguinte.
Vamos estabelecer a doutrina católica em forma de conclusão.
CONCLUSÃO. Na Eucaristia se contém verdadeira, real e substancialmente o Corpo, o Sangue, a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se faz realmente presente sob as espécies sacramentais. (de fé divina, expressamente definida)
Se prova:
1. PELA SAGRADA ESCRITURA. Transcrevemos em colunas paralelas os textos dos evangelhos sinóticos alusivos à instituição da Eucaristia, completados com o de São Paulo aos Coríntios:
| MATEUS, 26 26. Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. 27. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: “Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados”. | MARCOS, 14 22. Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo”. 23. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam. 24. E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos”. | LUCAS, 22 19. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim”. 20. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós”. |
23. Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão 24. e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim”. 25. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim”. 26. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que ele venha. 27. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. 28. Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. 29. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação.
Compare-se estes textos com os da promessa da Eucaristia na sinagoga de Cafarnaum e se verá claramente o realismo indiscutível daquelas expressões que tanto escandalizaram os judeus:
“Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. (Jô, 6, 53-56)
É impossível falar mais claro e de maneira mais realista. O que Cristo prometeu em Cafarnaum o realizou em Jerusalém na última Ceia. Consta claríssimamente pela Sagrada Escritura a presença real de Cristo na Eucaristia.
2. PELO MAGISTÉRIO DA IGREJA. A doutrina da presença real de Cristo na Eucaristia, repetida constante e unanimemente pela tradição cristã, recebeu no Concílio de Trento a sanção infalível da Igreja. Eis aqui o texto das principais declarações dogmáticas contra os erros protestantes:
“Se alguém negar que no Santíssimo Sacramento da Eucaristia está contido verdadeira, real e substancialmente o corpo e sangue juntamente com a alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por conseguinte o Cristo todo, e disser que somente está nele como sinal, figura ou virtude — seja excomungado”. (D 883)
“Se alguém negar que no venerável sacramento da Eucaristia, debaixo de cada uma das espécies e debaixo de cada parte dessas espécies, quando elas se dividem, está presente o Cristo todo — seja excomungado”. (D 885)
“Se alguém disser que no admirável sacramento da Eucaristia, depois da consagração, não estão o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas somente no uso, quando se recebe, e não antes nem depois; e que nas hóstias ou partículas consagradas, que se guardam ou sobram depois da comunhão, não permanece o verdadeiro corpo do Senhor — seja excomungado”. (D 886)
3. PELA RAZÃO TEOLÓGICA. É evidente que a razão humana não pode demonstrar por si mesma a presença real de Cristo na Eucaristia, já que se trata de uma verdade estritamente sobrenatural, que só pode ser conhecida por divina revelação. Mas, suposta essa divina revelação, a razão teológica encontra facilmente argumentos de altíssima conveniência. Santo Tomás expõe esplendidamente as seguintes principais razões (Cf.III, 75, I):
a) Pela perfeição da Nova Lei, que deve expressar em sua plena realidade o que na Antiga se anunciava por meio de símbolos e figuras.
b) Pelo amor de Cristo para conosco, que lhe impulsionou a ficar na Eucaristia como verdadeiro amigo, já que a amizade impulsiona a conviver com os amigos. “Por isso, este sacramento é o sinal da maior caridade e reconforto de nossa esperança por causa da união tão familiar de Cristo conosco”.
c) Para a perfeição da fé, que se refere a coisas não visíveis e deve exercitar-se com relação à divindade de Cristo (na Encarnação) e com relação à sua humanidade (na Eucaristia).
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FONTE: MARIN, A.R. Teologia Moral para Seglares. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 1958. v.II: Los Sacramentos. p.127-128.
