6 de agosto de 2010

Flores da Eucaristia - 06 de Agosto

A primeira das maravilhas que se operam na Eucaristia é a transubstanciação.

Jesus, na Ceia, e, hoje em dia, os sacerdotes, por sua ordem e instituição, tomando o pão e o vinho pronuncia sobre esta matéria as palavras da Consagração, e no mesmo instante toda a substância do pão e a do vinho desaparecem mudadas que foram no Corpo sacrossanto e no Sangue adorável de Jesus Cristo!

Do pão e do vinho restam somente às aparências: a cor, o peso, o gosto; para os sentidos é pão e vinho. A fé, porém nos diz que é o Corpo e o Sangue de Jesus sob os acidentes, que substituem por milagre da Onipotência Divina, pois é contra as leis ordinárias que as qualidades dos corpos persistam sem os corpos que as sustêm.

É obra de Deus; sua vontade divina é sua razão de ser, assim como é a razão de ser de nossa existência. Deus pode tudo quanto quer; um ato não Lhe custa mais do que outro.

Eis, portanto, a primeira maravilha da Eucaristia.

5 de agosto de 2010

Flores da Eucaristia - 05 de Agosto

Do mesmo modo que Jesus Cristo substituiu com o Sacrifício da Missa todos os sacrifícios da Antiga Lei, também incluiu todas as intenções e frutos que eles se propunham.

Os judeus, por prescrição divina, ofereciam sacrifícios para quatro fins; reconhecer o domínio supremo de Deus sobre toda a criatura agradecer-Lhe os seus dons, pedir-Lhe que continuasse a lhos conceder, e aplacar sua cólera irritada pelos pecados dos homens.

Jesus Cristo faz isto e com suma perfeição, visto que, em lugar de touros e cordeiros, se oferece a Si mesmo, Filho de Deus e Deus como seu Pai.

Ó maravilha da Eucaristia! Por estado sacramental Jesus rende ao Pai homenagem nova, jamais prestada por criatura alguma, homenagem que excede a tudo o que o Verbo Incarnado pode fazer sobre a terra. Que extraordinária homenagem será esta? A homenagem do Rei da glória, consumado no poder e na majestade do céu, que, no seu Sacramento, vem imolar ao Pai não apenas a sua glória divina como na Incarnação, mas a sua glória humana, as qualidades gloriosas de sua Humanidade ressuscitada!

4 de agosto de 2010

Flores da Eucaristia - 04 de Agosto

Celebra-se diariamente sobre a terra um numero quase infinito de Missas, sucessiva e ininterruptamente, e – ó tristeza profunda para a alma que ama – quantas vezes Jesus se oferece por nós sem que esteja presente um fiel sequer!

Enquanto Jesus, nesse novo Calvário, pede misericórdia, os pecadores ultrajam a Deus e ao seu Cristo.

Porque então renova Nosso Senhor tão freqüentemente o seu sacrifício, desde que não nos aproveitamos dele?

Porque permanece Nosso Senhor dia e noite em tantos altares sem que pessoa alguma venha receber as graças que oferece a mancheias?

Ah! Ele ama, e por isto espera!

Se descesse sobre os nossos altares somente em determinados dias, talvez algum pecador, movido pela graça, vindo procurá-LO e não O encontrando, tivesse que esperar. Jesus prefere esperar pelo pecador durante anos seguidos a que este espere por Ele um só instante, o que poderia fazê-lo desanimar no momento em que resolvera sair da escravidão do pecado.

A persistência de Jesus no SSmo. Sacramento, eis uma prova irrecusável de seu amor.

3 de agosto de 2010

Flores da Eucaristia - 03 de Agosto

O melhor método de assistir frutuosamente a Santa Missa é unir-nos à augusta Vitima. Façamos o que Ela faz; ofereçamo-nos com Ela é na mesma intenção. Nossa oferenda, assim unida a Jesus Cristo, tornar-se-á nobre, pura, digna dos olhares de Deus.

Acompanhemos Nosso Senhor ao Calvário, meditando as circunstâncias de sua Paixão e Morte, mas principalmente unindo-nos ao Sacrifício pela participação da Vítima com o Sacerdote. É assim que a Santa Missa tem a sua plena eficácia e corresponde integralmente aos desígnios de Nosso Senhor.

Jesus Cristo, na Santa Missa, não sofre e não morre mais é verdade. Em que consiste, pois o sacrifício? Afastai, por meio da fé, o véu do mistério, e vereis – Jesus glorioso num estado de imolação; Jesus cheio de majestade num estado de aniquilamento; Jesus onipotente, feito cativo; Jesus impassível, num estado de vitima; numa palavra, Jesus que na realidade não pode mais morrer, assumindo o estado de morte para continuar seu sacrifício.

Ah! Se as almas do Purgatório pudessem voltar a este mundo, o que não fariam para assistir uma única Missa!

2 de agosto de 2010

Flores da Eucaristia - 02 de Agosto

Assistir o Santo Sacrifício unir-se a Jesus Cristo, eis o ato mais salutar à nossa alma, pois que aí recebemos as graças de arrependimento e justificação, e o auxílio necessário para evitarmos as recaídas.

A Santa Missa é ainda o meio soberano de exercemos a caridade para com o próximo, aplicando-lhe, não os nossos insignificantes méritos, porém os merecimentos infinitos e as imensas riquezas de Jesus Cristo, que Ele põe à nossa disposição.

Por meio da Santa Missa – motivo de júbilo para todo o céu e de aumento de glória para os bem aventurados – também advogamos eficazmente a causa das almas do Purgatório e obtemos a conversão dos pecadores.

Para compreendermos o valor da Santa Missa, lembremo-nos de que este ato sublime possui em si mesmo um merecimento de que ultrapassa o de todas as boas obras, de todas as virtudes e de todos os méritos da multidão dos santos, inclusive os da augusta Virgem Maria, desde o começo do mundo até o fim, porque a Missa é o sacrifício do Homem Deus morrendo enquanto Homem e elevando, enquanto Deus, a sua morte à dignidade de ação divina, o que lhe empresta um valor infinito.

1 de agosto de 2010

Flores da Eucaristia - 01 de Agosto

O Santo Sacrifício da Missa é a mais sublime das orações Jesus Cristo aí se oferece ao Pai, adora-O, rende-lhe ações de graças e reparação, intercede em favor da Igreja dos homens, seus irmãos, e dos pobres pecadores.

E Jesus perpetua esta augusta oração por seu estado de vitima na Eucaristia. Permanece no Calvário místico repetindo sua palavra sublime: “Pai, perdoai-lhes! Ofereço-Vos por eles o meu sangue, as minhas chagas!

Jesus se multiplica por toda a parte, em todo lugar em que se faz mister alguma reparação. Onde quer que se estabeleça uma família cristã, Jesus vem fazer com ela sociedade de adoração, para glorificar seu Pai, adorando-O e fazendo com que Ele seja adorado em espírito e em verdade. Deus Pai, satisfeito, glorificado tanto quanto merece, exclama: “Grande é o meu nome por entre as nações porquanto desde o nascer do sol até o seu ocaso, é-me oferecida uma Hóstia de agradável odor!”

Unamo-nos, portanto à oração de Nosso Senhor, rezemos com Ele pelos quatro fins do Sacrifício. Esta oração resume toda a religião e compreende os atos de todas as virtudes.

DÉCIMO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES

O Fariseu e o Publicano.

Duo homines ascenderunt in templum, ut orarent: unus pharisaeus et alter publicanus – "Subiram dois homens ao templo a· fazer oração; um fariseu e outro publicano" (Luc 18, 10).

Sumário. Da parábola do Evangelho de hoje bem se conclui que, se a virtude de humildade nos é necessária sempre em toda parte, ela nos é mais indispensável ainda na oração; e especialmente quando vamos à igreja, que é casa de oração. Quem não é humilde, não espere ser atendido, pois que o Senhor protesta que "o que se exalta, será humilhado". Lancemos um olhar sobre nós mesmos, e, reprovando a altivez do fariseu, procuremos imitar sempre o procedimento tão humilde do publicano.

I. Eis aqui a bela parábola que Jesus Cristo propôs a uns que confiavam em si mesmos como se fossem justos, e desprezavam os outros. "Subiram dois homens ao templo a fazer oração, um fariseu e outro publicano. O fariseu, em pé, orava, em seu interior, desta forma: Graças te dou, meu Deus, porque não sou como os demais homens, que são uns ladrões, uns injustos, uns adúlteros, nem como é este publicano. Jejuo duas vezes na semana; pago dízimo de tudo que tenho. O publicano, pelo contrário, posto lá de longe, não ousava nem sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Meu Deus, sê propício a mim, pecador. - Digo-vos que este voltou justificado para sua casa, e não o outro; porque todo o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha, será exaltado: "Omnis qui se exaltat, humiliabitur; et qui se humiliat, exaltabitur."

Desta parábola, meu irmão, pode-se deduzir que, se a virtude da santa humildade nos é necessária sempre e em toda parte, ela nos é mais indispensável ainda quando dirigimos a Deus as nossas orações, e especialmente quando estamos na igreja, que é a Casa de oração. – Quem não é humilde, não espere ser atendido; porquanto Deus não pode suportar aqueles orgulhosos que confiam em suas próprias forças e se julgam melhores que os outros. Por isto, como escreve São Tiago (1), resiste aos pedidos dos orgulhosos, não os ouve, não os defere, antes os rejeita. Muitas vezes as próprias orações daqueles orgulhosos, segundo a expressão do Salmista, mudam-se em pecado: Et oratio Fiat in peccatum (2) – "A sua oração se lhe impute a pecado".

Ao contrário, o Senhor não sabe desprezar um coração contrito e humilhado, ainda que no passado tenha sido grande pecador; para com este é liberal de suas graças. É-lhe, por assim dizer, impossível deixar de atendê-lo; pois que, como nos assegura o Eclesiástico: "A oração do humilde penetrará as nuvens, e não se consolará enquanto não chegar até o Altíssimo, e não se retirará até que o Senhor ponha nele os olhos." (3) - Numa palavra, assim conclui Santo Agostinho: Quando alguém se humilha, Deus lhe vai ao encontro para o abraçar; mas quando alguém se exalta e se gloria da sua sabedoria, das suas ações, Deus afasta-se dele e o abandona, de sorte que infalivelmente será humilhado.

II. Eis, pois, meu irmão, o que tens de fazer, se desejas que Deus atenda a teus pedidos, te perdoe as faltas cometidas e te faça sempre progredir mais no caminho da perfeição: Ao passo que reprovas o orgulho e a arrogância do fariseu, procura imitar a humildade do bom publicano, de quem fala a parábola do Evangelho,

Vê como ele fica, o mais possível, longe do altar: a longe stans, reconhecendo-se desta maneira indigno de estar na presença de Deus e na companhia de homens de bem. - O pejo que ele tem de seus pecados, confunde-o a ponto de nem sequer se atrever a levantar os olhos ao céu: Nolebat nec oculos ad coelum levare. Finalmente, batendo nos peitos em sinal de arrependimento, repete incessantemente: Meu Deus, tende piedade de mim, pecador; palavras estas que, em contraste com o fariseu, o fazem voltar para casa justificado: Descendit hic iustificatus in domum suam.

Por este exemplo deves modelar a tua oração afim de que seja aceita de Deus; com a única diferença, porém, de que, como o publicano por temor reverencial ficou longe do sagrado altar, assim, acedendo ao desejo de Jesus Cristo, te aproximes dele o mais possível, para receber a santa comunhão ou celebrar o sacrifício divino. Lembrado de tua indignidade, aproxima-te sempre, não só com amor, mas também com temor e tremor (4); admirando-te de como Deus se dignou de te admitir entre os convidados à sua mesa eucarística.

Quando tiveres recebido teu Senhor dentro de ti, humilha-te mais ainda na presença de sua Majestade divina, e dize com o mesmo publicano: Ó Deus, sê propício a mim, pecador. – "Ó meu Deus, que manifestais a vossa onipotência particularmente em perdoar e usar de misericórdia, multiplicai sobre mim a vossa misericórdia, para que, atraído pelas vossas promessas, me façais participante dos bens celestes." (5) - Fazei-o pelo amor de Maria Santíssima.

1. Tg. 4, 6.
2. Sal. 108, 7
3. Ecl. 35, 21.
4. Ef. 6, 5.
5. Or. Dom. curr.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 303-306.)