30 de junho de 2010

O Juramento Antimodernista

Ego N. firmiter amplector ac recipio omnia et singula, quae ab inerranti Ecclesiae magisterio definita, adserta ac dedarata sunt, praesertim ea doctrinae capita, quae huius temporis erroribus directo adversantur.

Ac primum quidem: Deum, rerum omnium principium et finem, naturali rationis lumine per ea quae facta sunt (Rom 1,20), hoc est, per visibilia creationis opera, tamquam causam per effectus, certo cognosci, ideoque demonstrari etiam posse, profiteor.

Secundo: externa revelationis argumenta, hoc est facta divina, in primisque miracula et prophetias admitto et agnosco tamquam signa certissima divinitus ortae Christianae religionis, eademque teneo aetatum omnium atque hominum, etiam huius temporis, intellegentiae esse maxime accommodata.

Tertio: firma pariter fide credo Ecclesiam, verbi revelati custodem et magistram, per ipsum verum atque historicum Christum, cum apud nos degeret, proxime ac directo institutam eamdemque super Petrum, apostolicae hierarchiae principem, eiusque in aevum successores aedificatam.

Quarto: fidei doctrinam ab apostolis per orthodoxos patres eodem sensu eademque semper sententia ad nos usque transmissam, sincere recipio; ideoque prorsus reicio haereticum commentum evolutionis dogmatum, ab uno in alium sensum transeuntium, diversum ab eo, quem prius habuit Ecclesia; pariterque damno errorem omnem quo divino deposito, Christi sponsae tradito ab eaque fideliter custodiendo, sufficitur philosophicum inventum, vel creatio humanae conscientiae, hominum conatu sensim efformatae et in posterum indefinito progressu perficiendae.

Quinto: certissime teneo ac sincere profiteor, fidem non esse caecum sensum religionis e latebris «subconscientiae» erumpentem, sub pressione cordis et inflexionis voluntatis moraliter informatae, sed verum assensum intellectus veritati extrinsecus acceptae ex auditu, quo nempe, quae a Deo personali, creatore ac Domino nostro dicta, testata et revelata sunt, vera esse credimus, propter Dei auctoritatem summe veracis.

Me etiam, qua par est reverentia, subicio totoque animo adhaereo damnationibus, declarationibus, praescriptis omnibus, quae in encyclicis litteris Pascendi et in decreto Lamentabili continentur, praesertim circa eam quam historiam dogmatum vocant.

Idem reprobo errorem affirmantium, propositam ab Ecclesia fidem posse historiae repugnare, et catholica dogmata, quo sensu nunc intelleguntur, cum verioribus Christianae religionis originibus componi non posse.

Damno quoque ac reicio eorum sententiam, qui dicunt Christianum hominem eruditiorem induere personam duplicem, aliam credentis, aliam historici, quasi liceret historico ea retinere, quae credentis fidei contradicant, aut praemissas adstruere, ex quibus consequatur, dogmata esse aut falsa aut dubia, modo haec directo non denegentur.

Reprobo pariter eam Scripturae sanctae diiudicandae atque interpretandae rationem, quae, Ecclesiae traditione, analogia fidei et apostolicae Sedis normis posthabitis, rationalistarum commentis inhaeret, et criticam textus velut unicam supremamque regulam haud minus licenter quam temere amplectitur.

Sententiam praeterea illorum reiicio, qui tenent, doctori disciplinae historicae theologicae tradendae aut iis de rebus scribenti seponendam prius esse opinionem ante conceptam sive de supernaturali origine catholicae traditionis, sive de promissa divinitus ope ad perennem conservationem uniuscuiusque revelati veri; deinde scripta patrum singulorum interpretanda solis scientiae principiis, sacra qualibet auctoritate seclusa eaque iudicii libertate, qua profana quaevis monumenta solent investigari.

In universum denique me alienissimum ab errore profiteor, quo modernistae tenent in sacra traditione nihil inesse divini, aut, quad longe deterius, pantheistico sensu illud admittunt, ita ut nihil iam restet nisi nudum factum et simplex, communibus historice factis aequandum: hominum nempe sua industria, solertia, ingenio scholam a Christo eiusque apostolis inchoatam per subsequentes aetates continuantium.

Proinde fidem patrum firmissime retineo et ad extremum vitae spiritum retinebo, de charismate veritatis certo, quad est, fuit eritque semper in episcopatus ab apostolis successione (1), non ut id teneatur, quod melius et aptius videri possit secundum suam cuiusque aetatis culturam, sed ut numquam aliter credatur, numquam aliter intellegatur absoluta et immutabilis veritas ab initio per apostolos praedicata (2).

Haec omnia spondeo me fideliter, integre sincereque servaturum et inviolabiliter custoditurum, nusquam ab us sive in docendo sive quomodolibet verbis scriptisque deflectendo. Sic spondeo, sic iuro, sic me Deus adiuvet, et haec sancta Dei Evangelia.



Eu, N., firmemente aceito e creio em todas e em cada uma das verdades definidas, afirmadas e declaradas pelo magistério infalível da Igreja, sobretudo aqueles princípios doutrinais que contradizem diretamente os erros do tempo presente.

Primeiro: creio que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza e pode também ser demonstrado, com as luzes da razão natural, nas obras por Ele realizadas (Cf. Rm I 20), isto é, nas criaturas visíveis, como [se conhece] a causa pelos seus efeitos.

Segundo: admito e reconheço as provas exteriores da revelação, isto é, as intervenções divinas, e sobretudo os milagres e as profecias, como sinais certíssimos da origem sobrenatural da razão cristã, e as considero perfeitamente adequadas a todos os homens de todos os tempos, inclusive aquele no qual vivemos.

Terceiro: com a mesma firme fé creio que a Igreja, guardiã e mestra da palavra revelada, foi instituída imediatamente e diretamente pelo próprio Cristo verdadeiro e histórico, enquanto vivia entre nós, e que foi edificada sobre Pedro, chefe da hierarquia eclesiástica, e sobre os seus sucessores através dos séculos.

Quarto: acolho sinceramente a doutrina da fé transmitida a nós pelos apóstolos através dos padres ortodoxos, sempre com o mesmo sentido e igual conteúdo, e rejeito totalmente a fantasiosa heresia da evolução dos dogmas de um significado a outro, diferente daquele que a Igreja professava primeiro; condeno semelhantemente todo erro que pretenda substituir o depósito divino confiado por Cristo à Igreja, para que o guardasse fielmente, por uma hipótese filosófica ou uma criação da consciência que se tivesse ido formando lentamente mediante esforços humanos e contínuo aperfeiçoamento, com um progresso indefinido.

Quinto: estou absolutamente convencido e sinceramente declaro que a fé não é um cego sentimento religioso que emerge da obscuridade do subconsciente por impulso do coração e inclinação da vontade moralmente educada, mas um verdadeiro assentimento do intelecto a uma verdade recebida de fora pela pregação, pelo qual, confiantes na sua autoridade supremamente veraz, nós cremos tudo aquilo que, pessoalmente, Deus, criador e senhor nosso, disse, atestou e revelou.

Submeto-me também com o devido respeito, e de todo o coração adiro a todas as condenações, declarações e prescrições da encíclina Pascendi e do decreto Lamentabili, particularmente acerca da dita história dos dogmas.

Reprovo outrossim o erro de quem sustenta que a fé proposta pela Igreja pode ser contrária à história, e que os dogmas católicos, no sentido que hoje lhes é atribuído, são inconciliáveis com as reais origens da razão cristã.

Desaprovo também e rejeito a opinião de quem pensa que o homem cristão mais instruído se reveste da dupla personalidade do crente e do histórico, como se ao histórico fosse lícito defender teses que contradizem a fé o crente ou fixar premissas das quais se conclui que os dogmas são falsos ou dúbios, desde que não sejam positivamente negados.

Condeno igualmente aquele sistema de julgar e de interpretar a sagrada Escritura que, desdenhando a tradição da Igreja, a analogia da fé e as nosmas da Sé apostólica, recorre ao método dos racionalistas e com desenvoltura não menos que audácia, aplica a crítica textual como regra única e suprema.

Refuto ainda a sentença de quem sustenta que o ensinamento de disciplinas histórico-teológicas ou quem delas trata por escrito deve inicialmente prescindir de qualquer idéia pré-concebida, seja quanto à origem sobrenatural da tradição católica, seja quanto à ajuda prometida por Deus para a perene salvaguarda de cada uma das verdades reveladas, e então interpretar os textos patrísticos somente sobre as bases científicas, expulsando toda autoridade religiosa, e com a mesma autonomia crítica admitida para o exame de qualquer outro documento profano.

Declaro-me enfim totalmente alheio a todos os erros dos modernistas, segundo os quais na sagrada tradição não há nada de divino ou, pior ainda, admitem-no, mas em sentido panteísta, reduzindo-o a um evento pura e simplesmente análogo àqueles ocorridos na história, pelos quais os homens com o próprio empenho, habilidade e engenho prolongam nas eras posteriores a escola inaugurada por Cristo e pelos apóstolos.

Mantenho, portanto, e até o último suspiro manterei a fé dos pais no carisma certo da verdade, que esteve, está e sempre estará na sucessão do episcopado aos apóstolos¹, não para que se assuma aquilo que pareça melhor e mais consoante à cultura própria e particular de cada época, mas para que a veradde absoluta e imutável, pregada no princípio pelos apóstolos, não seja jamais crida de modo diferente nem entendida de outro modo².

Empenho-me em observar tudo isso fielmente, integralmente e sinceramente, e em guardá-lo inviolavelmente, sem jamais disso me separar nem no ensinamento nem em gênero algum de discursos ou de escritos. Assim prometo, assim juro, assim me ajudem Deus e esses santos Evangelhos de Deus.

<>Acta Apostolicæ Sedis, 1910, pp. 669-672

__________
1: IRENEU, Adversus haereses, 4, 26, 2: PG 7, 1053.
2: TERTULIANO, De praescriptione haereticorum, 28: PL 2, 40.

A Versão em português foi traduzido do italiano de: http://www.amiciziacristiana.it/giuramenti.htm

29 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 29 de Junho

É mui louvável, de certo, honrar o Sagrado Coração como a sede do amor infinito de Jesus Cristo, porém as almas eucarísticas deverão prestar-Lhe esta homenagem no SSmo. Sacramento, porquanto é no céu e na Eucaristia que esse Coração está verdadeira e substancialmente vivo.
Muitos, honrando-O nos quadros e imagens, fazem deles o objeto de devoção. Este culto é bom, mas é um culto relativo; devemos procurar mais do que a imagem, a fim de encontrar a realidade. Ora, no SSmo. Sacramento, o Coração de Jesus está cheio de vida, palpitando por nós. Que a nossa vida, o nosso centro, seja, portanto, esse Coração vivo e animado. Saibamos honrar o Sagrado Coração na Eucaristia e jamais O separemos dela. Procuremos adivinhar, surpreender os segredos, o porque de seu Coração, e sentir-nos-emos arrebatados.
Que o nosso ideal seja penetrar sempre mais no Coração de Jesus, centro e felicidade de nossa vida.

28 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 28 de Junho

Jesus, prestes a terminar sua vida mortal, não quer abandonar sua nova família, os filhos que acabou de conquistar.
O céu reclama a volta de seu Rei. Combateu bastante, é chegada a hora do triunfo.
“Vou deixar-vos e venho novamente a vós” diz Jesus aos Apóstolos.
Partis Senhor, e permaneceis conosco? E por qual maravilha de vosso amor?
É o segredo e a obra de seu divino Coração. Jesus terá dois tronos: um de glória, no Céu, e outro de mansidão e bondade na terra; duas cortes: a corte celeste e triunfante e a corte dos redimidos, neste mundo.
E podemos dizer que se Jesus não pudesse estar presente ao mesmo tempo no Céu e na terra, teria preferido ficar conosco. E é verdade, pois que Ele nos deu prova de que prefere o último de seus pobres redimidos a toda a sua glória, e que as suas delícias consistem em morar com os filhos dos homens.

27 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 27 de Junho

Jesus, mesmo na Paixão, não recebeu tantas humilhações como no SSmo. Sacramento! A terra é para Ele um Calvário de ignomínia.
Vêm-se mesmos cristãos O desprezarem, esquecendo esse Coração que lhes testemunhou tanto amor e que ainda se consome de amor por eles! Aproveitam-se do véu que O oculta para ultrajá-LO!
Insultam-No por suas irreverências, pensamentos culpados, olhares repreensíveis em sua divina presença. Aproveitam-se, para insultá-LO, dessa bondade que tudo sofre em silêncio. Dessa paciência inalterável, como fizeram outrora os soldados ímpios de Caifás, de Herodes e de Pilatos!
Blasfemam sacrilegamente contra o Deus da Eucaristia, porque sabem que o seu amor O conserva mudo. Chegam até a crucificá-LO, recebendo-O no coração manchado.
AH! Jesus procurava um consolador em sua agonia, suspirava, no alto da Cruz, por quem compartilhasse de sua dor profunda! Hoje em dia, porém, mais do que nunca é necessária a reparação para o Coração adorável de Jesus!

QUINTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES.

O vício da ira e o modo de refreá-la.

Omnis qui irascitur fratri suo, reus erit iudicio – “Todo aquele que se irar contra seu irmão, será réu em seu juízo” (Mat, 5, 22).

Sumário: É com razão que Jesus Cristo disse que, quem se encoleriza, se torna réu do juízo; porquanto a ira faz o homem cair em mil excessos, sem que lhe deixe ver o mal que faz. Roguemos ao Senhor que nos livre desta paixão, sejamos mansos para com todos; e façamos com nossa língua a convenção que nos guardaremos de falar, quando se diga contra nós alguma coisa que nos possa irar. Se por desgraça nos tivéssemos irado, não se ponha o sol sobre nossa ira.

I. Oh, quantos males nascem do vício insensato da ira! Ela é semelhante ao fogo, porque assim como o fogo é veemente na sua força destrutiva, e logo que pegou, impede a vista pelo fumo que despede, assim a ira faz o homem cair em mil excessos, e não lhe deixa ver o que está fazendo, e assim, conforme à palavra de Jesus Cristo no Evangelho de hoje, torna-o réu do juízo: Ominis qui irasciturr fratri suo, reus erit indicio.

É tão prejudicial ao homem a ira, que ainda mesmo exteriormente o desfigura. Ainda que seja a pessoa mais bela e graciosa do mundo, quando a cólera a transporta, será, como diz São Boaventura e confirma a experiência, semelhante a um monstro, a uma fera que atemoriza. Portanto, se a ira nos desfigura aos olhos dos homens quanto mais nos desfigurará aos olhos de Deus.

Ira viri; escreve São Thiago, institiam Dei non operatur, quer dizer que as obras de um homem iracundo não podem harmonizar-se com a justiça divina, nem, por conseguinte, estar isentas de pecado, talvez mesmo grave. Sim, porque a ira, no dizer de São Jerônimo, faz o homem perder a razão, e obrar cegamente como um louco ou uma fera. Fá-lo cair em pecados de murmurações, de injustiças, de vinganças, de blasfêmias, de escândalos e de mil outras iniqüidades. Numa palavra, concluí o mesmo Santo, é pela ira que entram na alma quase todos os vícios: Omnium vitiorum ianua est iracundia.

Ai, porém, dos iracundos! ao mesmo tempo que os desgraçados se inflamam em cólera contra o próximo, Deus não somente se afasta deles pela subtração da graças, mas arma também sua mão com o açoite do castigo para puní-los neste mundo e no outro. Além disso, os iracundos, nos dias de sua vida, passam uma existência infeliz, por estarem sempre agitados como numa tempestade.

II. Sendo tão numerosos e funestos os prejuízos que o vício da ira causa à alma, mister é que usemos de todo o cuidado em refreá-la, afeiçoando-nos à mansidão, que é a virtude predileta de Jesus Cristo. Dizia São Francisco de Sales: “O que se deixa levar por leves movimentos de ira, em breve se tornará furioso e insuportável”. - Devemos, portanto, conforme à exortação de São Paulo, vestir-nos de entranhas de misericórdia para com o próximo, e suportar os seus defeitos, lembrando-nos de que ele deve também suportar os nossos, que são talvez mais graves.

Quando recebermos algum agravo, respondamos com brandura, ou, melhor ainda, abstenhamo-nos de responder, à imitação de São Francisco de Sales, que tinha feito com a sua língua a convenção que havia de ficar calada quando se dissesse alguma coisa que o pudesse encolerizar. - Quando, porém, por desgraça, a ira tivesse entrada em nosso coração, tenhamos cuidado de não a deixar descansar ali: Sol non occidat super uracundiam vestram – “O sol não se ponha sobre a vossa ira”. E Jesus Cristo conclui o Evangelho de hoje com estas palavras: “Se, estando a apresentar a tua oferenda ante o altar, te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, larga a tua oferenda ao pé do altar, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e depois virás fazer a tua oblação”.

Mas, sobretudo, para que não nos deixemos dominar por alguma paixão, e em particular pela ira, roguemos muitas vezes ao Senhor com o Eclesiástico: Não me entregues a uma alma sem pejo e sem recato: Animo irreverenti et infrunito ne tradas me.

Ó Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, suplico-Vos, não permitais que eu seja escravo do vício da ira; infundi em meu coração o espírito de mansidão e de doçura, afim de que eu não ofenda a ninguém e perdoe aos que me ofendem. – “Ó Deus, que preparastes bens invisíveis para os que Vos amam, infundi em nossos corações o afeto do vosso amor, para que, amando-Vos em tudo e sobre tudo, alcancemos vossas promessas, que excedem todos os desejos”. Fazei-o pelos méritos de Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima. (*III 495.)

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 214-216.)

26 de junho de 2010

Manutenção de domínio

SM,

Peço desculpas pelo transtorno, pois o domínio saopiov.org esteve fora do ar ontem e hoje por motivo de transferência para um plano de hospedagem. Preparação para o site que está para sair!

Abraço a todos,

Emerson Leite

Flores da Eucaristia - 26 de Junho

O homem se mostra indiferente para com o dom supremo do amor de Jesus para com ele. Não o aprecia, não pensa nele, e se Jesus, querendo despertá-lo de seu torpor, lhe inspira este pensamento, o homem logo o afasta como importuno, rejeitando assim o amor de Jesus Cristo!
Mais ainda. Instado pela fé e pelas recordações de sua educação cristã, bem como pelo sentimento que Deus lhe depositou no íntimo do coração, para adorar Jesus Cristo na Eucaristia como soberano senhor e voltar a servi-LO, o ímpio se insurge contra esse dogma, de todos o mais amável. Chega ao ponto de negá-lo, vai até a apostasia afim de não adorá-lo e não Lhe sacrificar um ídolo, uma paixão, preferindo permanecer preso por vergonhosas cadeias. Sua malícia ainda vai além. Não se contentando em negar, não recua diante do crime de renovar os horrores da Paixão do Salvador!
E o Coração que tanto sofreu por amor, aí está vivo, ativo, e não morto ou insensível; ao contrário, ainda mais amante!

25 de junho de 2010

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana

Sexta-feira

Ó Jesus! E como pudestes eleger-me, dentre milhares, para Vosso sacerdote? A mim, que tantas vezes Vos voltei as costas, e, por nada, desprezei a Vossa graça? Amantíssimo Senhor meu, doem-me de toda a minha alma os meus pecados. Dizei-me, redimistes os meus pecados? Assim espero. Fostes, na verdade, meu Redentor não uma só vez, mas todos os dias me perdoastes. Ah, meu Salvador, que dera nunca Vos houvesse ofendido! Fazei-me ouvir o que dissestes à Madalena: Estão redimidos os teus pecados. Fazei-me sentir ter sido recebido na Vossa graça, dando-me uma suma dor dos meus pecados. - Nas Vossas mãos eu entrego o meu espírito; redimistes-me, Senhor Deus da verdade. Ó diviníssimo Pastor! Descestes do céu para encontrar-me a mim, ovelha perdida, e, por mim, desceis todos os dias sobre o altar; entregastes a vida para salvar-me: não me abandoneis. Nas Vossas mãos eu entrego a minha alma, tomai-a clementemente, e não me permitais jamais me separar de Vós. - Por mim, derramastes todo o Vosso Sangue. Pedimo-Vos, pois, vinde em auxílio dos Vossos servos, que redimistes com o Vosso precioso Sangue. Agora sois meu advogado, e não juiz; consegui-me o perdão junto de Vosso Pai; obtende-me a virtude e a luz de amar-Vos de toda a minha alma. Dai-me passar o restante de minha vida de modo que, quando Vos contemplar como juiz, me veja agradável a Vós.Reinai, peço-Vos, pelo Vosso amor no meu coração, fazei-me ser todo Vosso; e assim, amável Salvador, fazei-me lembrar sempre do amor com que me amastes, e do quanto fizestes e padecestes para me salvar e para serdes amado por mim. Para isso foi que me fizestes sacerdote, para que nada ame mais do que a Vós. - Meu Jesus, desejo deveras agradar-Vos; eu Vos amo, e nada mais desejo amar mais do que a Vós. - Fazei-me humilde e paciente nos trabalhos desta vida, manso nas humilhações, averso às delícias terrenas e desligado das criaturas, e dai-me expulsar do meu coração todos os afetos que não vêm de Vós. Tudo isso Vos imploro e espero pelos méritos da Vossa paixão. Ó graciosíssimo Jesus, ó bom Jesus, atendei-me. Ó minha mãe e minha esperança, Maria, atendei-me também Vós, e rogai por mim a Jesus.










Feria sexta

O Iesu! et quomodo potuisti me ex millibus in sacerdotem tuum eligere? Me, qui toties tibi terga verti, et pro nihilo gratiam tuam sprevi? Amantissime Domine mi, doleo ex tota anima mea de peccatis meis. Dicito mihi, remisisti ne peccata mea? Spero quidem. Fuisti quippe Redemptor meus non semel tantum, sed quoties mihi pepercisti. Ah , Salvator mi, numquam te offendissem ! Fac, obsecro, me sentiré quod Magdalenae dixisti: Remittuntur tibi peccata tua. Fac ut sentiam me in gratiam tuam iam esse receptum donans mihi magnum dolorem de peccatis meis — In manus tuas commendo spiritum meum ; redemisti me Domine Deus veritatis. Oh ! divinissime Pastor, tu de coelo descendisti ad inveniendum me, perditam ovem, et pro me quotidie super altare descendis ; posuisti vitam tuam ut salvum me faceres, ne derelinquas me. In manus tuas commendo animam meam, suscipe clementer eam, et ne permittas umquam separari a te. - Tu pro me totum Sangui nem tuum f udisti; Te ergo quaesitmus, tuis famulis subveni, quos pretioso Sanguine redemisti. Nunc es advocatus meus, non vero iudex; veniam pro me apud Patrem tuum implora; obtine mihi lumen et virtutem amandi te ex tota aüima mea. Da residuum vitae meae sic transire, ut quum te iudicem aspexero, mihi te placatum videam. Regna, quaeso, amore tuo in corde meo, fac ut sim totus tuus; et ideo, Salvator amabilis recorda mihi semper amorem, quo me dilexisti, et quanta operatus et passus es, ut me salvares, et amareris a me. Ad hoc me sacerdotem fecisti, ut nihil diligam praeter te. - Iesu mi, volo quippe tibi complacere; ego diligo te, et nihil aliud diligere volo praeter te. - Fac me humilem et patientem in laboribus huius vitae, mansuetum in humiliationibus, a terrenis deliciis abhorrentem, et a creaturis abstractum, et praesta ut a corde meo eiiciam omnes affectus, qui non sunt ad te. Haec omnia a te imploro, et spero per merita passionis tuae. O Iesu iucundissime, amabilis Iesu, o bone Iesu exaudi me. O mater mea, et spes mea; Maria, tu quoque exaudi me, et ora Iesum pro me.

Flores da Eucaristia - 25 de Junho

O Coração de Jesus vive na Eucaristia, uma vez que seu Corpo aí está vivo. É verdade que este Coração divino não é visível, mas acontece o mesmo em toda a criatura. O coração princípio de vida, precisa permanecer misterioso e oculto, porque descobrí-lo ocasiona a morte. Verifica a sua existência pelos efeitos que produz.
O homem não pede ao amigo para ver seu coração; contenta-se com uma palavra para conhecer-lhe a amizade.
E o que faz o Divino Coração de Jesus? Manifesta-se a nós pelos sentimentos que nos inspira, e isto nos deve bastar. Quem poderia, aliás, contemplar a beleza e a bondade desse divino coração?
Quem seria capaz de suportar o brilho de sua glória e as chamas consumidoras devoradoras, desse foco de amor? Quem ousaria fitar essa Arca divina em que está escrito em letras de fogo o seu Evangelho de amor, onde estão glorificadas todas as suas virtudes, onde se eleva um trono ao seu amor e se encerram todos os tesouros de sua bondade? Quem poderia penetrar no próprio santuário da Divindade?
Ah! O Coração de Jesus! É o céu dos céus, habitado por Deus, que aí encontra as suas delícias! É verdade que não vemos o Coração Eucarístico de Jesus, mas O possuímos; é nosso!

24 de junho de 2010

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana

Quinta-feira

Ó Deus de infinita majestade, eis um traidor prostrado a Vossos pés, o qual tão gravemente Vos ofendeu! Vós muitas vezes me perdoastes os pecados, e eu, desprezando os benefícios e as proteções que me destes, injuriava-Vos novamente. Os outros pecaram nas trevas, eu, porém, na luz. Mas ouvi a voz deste Vosso Filho, que Vos ofereci, e que agora está em meu peito: Ele implora a misericórdia e o perdão para mim junto de Vós. Perdoai-me, ó Bondade infinita, pelo amor de Jesus Cristo, porque me arrependo de todo o meu coração de Vos ter ofendido.
Sei que de bom grado, por amor de Jesus Cristo, Vos fazeis propício aos pecadores: Comprazi-me, por Ele, em reconciliar nele todas as coisas. (Colos I 19-20). Por amor, pois, de Jesus Cristo, sede-me propício também a mim. Não me expulseis de diante de Vossa face, ainda que o mereça; perdoai-me e mudai o meu coração. Criai em mim um coração limpo, ó Deus. Fazei-o ao menos pela Vossa honra, porque me elegestes para sacerdote e ministro para oferecer-Vos o Vosso próprio Filho. Fazei-me viver como convém a um sacerdote. Dai-me um coração com o qual Vos ame como deve um sacerdote. Extingui, suplico-Vos, e destruí em mim, com o fogo do Vosso amor, todos os afetos terrenos. Fazei que, daqui em diante, mostre-me grato pelos tantos benefícios a mim dedicados, e por tanto amor com que me amastes. Se no passado desprezei a Vossa amizade, agora a estimo mais que todos os reinos do mundo, e anteponho o Vosso beneplácito a todas as riquezas e às delícias do céu e da terra.
O meu Pai, pelo amor de Jesus Cristo, desligai-me de todas as coisas. Quereis que os Vossos sacerdotes estejam de todos desligados de tudo o que há no mundo, e vivam para Vós só e para as obras da Vossa glória. Separai-me Saulo e Barnabé para a obra para a qual os tomei (Atos XIII 2). Sei que o exigis também de mim, e proponho fazê-lo, mas ajudai-me com a Vossa graça. Atraí-me todo para Vós. Dai-me paciência e força de vontade nos trabalhos e adversidades. Dai-me que, por Vosso amor, me mortifique. Concedei-me o espírito da verdadeira humildade, no qual me alegre de ser vil e imperfeito. Ensinai-me a fazer a Vossa vontade, e mostrai-me o que exigis de mim, porque o desejo executar. Recebei, meu Deus, um pecador para amar-Vos, que já pecou muito contra Vós, mas agora sinceramente deseja amar-Vos e ser Vosso. Ó Deus eterno, espero fortemente que Vos ame eternamente. E, assim, quero já nesta vida amar-Vos muito, para que muito Vos consiga amar na eternidade. E, porque Vos amor, quero que sejais conhecido e amado por todos; e assim, Senhor, porque me fizestes Vosso sacerdote, fazei-me trabalhar por Vós, e me ocupe da salvação das almas. Isso tudo espero pelos Vossos méritos, ó Jesus Cristo, e pela Vossa intercessão, ó Minha Mãe Maria.

O Deus infinitae maiestatis, en proditor ad pedes tuos, qui tam graviter in te deliquit ! Tu multoties pepercisti peccatis meis, et ego, spretis beneficiis, et praesidiis, quibus me donasti, iterum te iniuriis affeci. Ceteri peccaverunt in tenebris ego autem in luce. Sed audi vocem huius filii tui, quem modo tibi obtuli, et qui nunc est in pectore meo, ipse pro me misericordiam et veniam apud te implorat. Parce mihi, o Bonitas infinita, per amorem Iesu Christi, quia te offendisse toto corde me poenitet.
Scio quod tu Iesu Christi amore peccatoribus te placare delecteris: Complacuit per eum reconciliare omnia in ipsum (Coloss. I, 19, 29). Per amorem igitur Iesu Christi, placa te etiam mihi. Ne p'roiicias me a facie tua quamvis id merear; parce mihi, et muta cor meum. Cor mundum crea in me Deus. Hoc age ob honorem saltem tuum quoniam elegisti me in Sacerdotem et ministrum ad offerendum tibi ipsum Filium tuum. Fac me vivere sicut decet sacerdotem. Da cor mihi, quo te sacerdos amare debet. Extingue, precor, et destrue in me tui amoris igne omnes terrenos affectus. Fac ut gratum deinceps me tibi probem pro tantis beneficiis mihi collatis, et pro tanto amore, quo amasti me. Si olim amicitiam tuam sprevi, nunc eam magis aestimo quam cuncta mundi regna, et beneplacitum tuum omnibus divitiis ac coeli terraeque antepono. - O Pater mi, per Iesu Christi amorem separa me ab omnibus rebus. Tu vis ut sacerdotes tui ab omnibus, quae in mundo sunt, omnino segregati sint, ac tibi soli, et operibus gloriae tuae vivant. Segregate mihi Saulum et Barnabam in opus, ad quod assumpsi eos (Act. XIII, 2). Scio quod etiam id a me requiris, et hoc facere propono, sed tu adiuva me gratia tua. Trahe me totum ad te. In laboribus et in adversis mihi patientiam et voluntatis conformationem tribue. Da ut per amorem tuum meipsum mortificem. Concede mihi spiritum verae humilitatis, quo gaudeant me abiectum et imperfectum reputari. Doce me facere voluntatem tuam, et quod inde a me requiris indica mihi, id enim exequi volo. Recipe, Deus meus, ad amandum te peccatorem, qui in praeteritum nimis in te peccavit, sed nunc vere te diligere vult et esse tuus. O Deus aeterne, spero te amaturum in aeternum. Et ideo volo etiam in hac vita te multum amare, ut multum te amare valeam in aeternitate. - Et quia amo te, ab omnibus te cognosci et amari desidero. Et ideo, Domine, quoniam fecisti me sacerdotem tuum, fac ut pro te laborem, et saluti animarum incumbam. Haec omnia spero per merita, o Christe Iesu, et per tuam intercessionem, o mater mea Maria.

Flores da Eucaristia - 24 de Junho

Nossa devoção para com o Sagrado Coração de Jesus deve ser concentrar-se na divina Eucaristia como no centro único, pessoal e vivo do amor desse Coração para com os homens e das graças que lhes reserva.
Por que separar o Coração de Jesus de seu Corpo e de sua Divindade, se é por ele que Lhe dá vida e Lhe anima o corpo?
Jesus ressuscitado não morre mais; portanto, por que separar seu Coração de sua Pessoa e querer fazê-LO morrer, por assim dizer, em nosso espírito? Não, não, o Divino Coração está vivo e palpitante na Eucaristia, e não mais de uma vida passível e mortal de Salvador, capaz de tristeza, aflição e dor, mas de uma vida ressuscitada e consumada na beatitude. Esta impossibilidade de sofrer e morrer em nada diminuem a realidade de sua vida; ao contrário, torna-a mais perfeita.
Não há expressão que possa definir este mistério que une na Eucaristia a vida e a imolação, a glória e a humilhação. É um mistério que só Deus conhece, e mistério que ensina a alma interior a reservar para Deus somente os seus sofrimentos íntimos.

23 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 23 de Junho

Querendo ser amado sempre pelo homem, Jesus Cristo lhe testemunha constantemente o seu amor, e assim como, enquanto Deus se fez homem palpável, sensível, para nos conquistar o coração, continua a nos dedicar um amor sensível e humanizado.
A lei do amor é perpétua deve ser também a sua graça. Que este Sol de amor não tenha ocaso no coração do homem; do contrário, aos poucos será sufocado pelos gelos da morte e do esquecimento. O coração do homem se entrega somente à vida, somente se une ao amor que lhe dá provas patentes de existência.
Pois bem! Todo o amor da vida mortal de Jesus – amor de criancinha no presépio, amor de zelo e de apóstolo de seu Pai nas pregações, amor de vitima sobre a Cruz, - todos estes amores estão reunidos e triunfantes no seu Coração vivo e glorioso no SSmo. Sacramento. É aí que O devemos procurar e nos alimentar de seu amor: Jesus também está no céu, mas para os anjos e os santos. Na Eucaristia, porém, permanece para nós.

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana
















Feria quarta


Oh! Iesu mi, video quanta operatus et passus es, ut mihi necessitatem imponeres amandi te, et ego tam ingratum me tibi probavi ? Quoties ob vilem oblectationem et desiderium nequam, tuam gratiam commutavi, et amisi te, o Deus animae meae! Creaturarum beneficia et grata memoria sum prosequutus, tibi soli me ingratum praebui. Ignosce mihi, Deus meus; doleo eiusmodi ingrati animi crimen, et toto corde moereo, et veniam a te spero cum sis infinita bonitas. Si tu bonitas infinita non esses, mihi desperandum foret, nec amplius misericordiam
tuam implorare auderem.
Tibi sint grates, amor meus, quia ad infernum, quem promerui, non me damnasti, et tanto tempore me sustinuisti. Sola quidem patientia tua in me, Deus meus, ad amandum te trahere me deberet. Quis umquam me tolerare potuisset, nisi tu, qui es infinitae misericordiae Deus ? Iamdiu est, ex quo invitas me ad amandum te ; nolo amplius resistere amori tuo; ecce me tibi totum dedo. Sufficit quantum in te peccavi, nunc te diligere volo. Amo te, o summum Bonum meum diligo te, o Bonitas infinita, amo te, Deus meus, qui es infinito amore dignus, et semper repetere volo in tempore et in aeternitate: amo te, amo te. - O Deus, et quot annos amisi, in quibus te diligere et in amore tuo progredi potuissent, et eos insumpsi ad peccandum in te! At sanguis tuus, o Iesu, spes mea est. Numquam, spero, te amare cessabo. Ignoro quantum mihi vivendum superest; residuum tamen vitae meae sive breve sive longum sit, illud tibi totum consecro. Ad hunc finem hactenus expectasti me. Volo quippe tibi complacere, volo te, amantissime Dñe, semper amare, teque solum diligere volo. Quid mihi deliciae! Quid divitiae! Quid honores! Tu solus, Deus meus, tu solus, solus es, et semper eris amor meus, et omnia. Sed nihil possum, nisi tu adiuves me gratia tua. Vulnera quaeso cor meum, infiamma illud sancto amore tuo, tibique totum coniunge, et ita coniunge, ut a te numquam separari possit. Tu amare promisisti qui te diligit: Ego diligentes me diligo (Prov. VIII, 17). Nunc amo te: parce audaciae meae, ama tu etiam me, et ne permittas me quidquam facere, quod impediat quominus diligas me: Qui non diligit manet in morte (I. Ioann. III. 14). Libera me ab ista morte, qua impediar quominus amem te. Fac ut semper diligam te, ut semper tu queas amare me; et sic dilectio nostra aeterna sit, nec inter me et te amplius dissolvatur. Hoc praesta, Pater aeterne, per amorem Iesu Christi. Hoc ipsum concede, iucundissime Iesu, per merita tua, in quibus me semper te amaturum, et te semper me dilecturum confido.
O Maria, Mater Dei, et mater mea, tu etiam deprecare Iesum pro me.










Quarta-feira

Ó meu Jesus, vejo o quanto fizestes e sofrestes para impor-me a necessidade de amar-Vos: e eu me provei tão ingrato para convosco! Todo dia, por uma vil deleitação e um desejo malvado, desprezei a Vossa graça e perdi-Vos, ó Deus da minha alma! Retribuí suficientemente todos os benefícios recebidos das criaturas com uma grata memória, só convosco mostrei-me ingrato. Perdoai-me, meu Deus; dói-me sobremaneira o crime desta alma ingrata, e de todo o coração me arrependo, e espero vênia de Vós, que sois infinita bondade. Se não fosses a bondade infinita, desesperaria, e não mais ousaria implorar pela Vossa misericórdia.
Graças Vos sejam dadas, meu amor, porque não me condenastes ao inferno que eu mereci, mas me suportastes por tanto tempo. Portanto, somente a Vossa paciência para comigo, meu Deus, já deveria arrastar-me a amar-Vos. Quem mais poderia tolerar-me senão Vós, que sois Deus de infinita misericórdia? Já é tempo em que me convidais a amar-Vos; não mais quero resistir ao Vosso amor; eis que me entrego totalmente a Vós. Basta o quanto pequei contra Vós, agora Vos quero amar. Amo-Vos, ó meu sumo Bem; amo-Vos, ó Bondade infinita; amo-Vos, meu Deus, que sois digno de infinito amo, e sempre quero repetir, no tempo e na eternidade: amo-Vos, amo-Vos. - Ó Deus, e quantos anos perdi, nos quais poderia ter-Vos amado e progredido nesse amor, e usei-os para pecar contra Vós! Mas o Vosso sangue, ó Jesus, é a minha esperança. Espero que jamais cessarei de amar-Vos. Ignoro quanto tempo de vida me resta: mas o que resta da minha vida, seja breve, seja longo, consagro-o totalmente a Vós. Para esse fim me esperastes até agora. Quero, portanto, agradar-Vos, quero sempre amar-Vos, amantíssimo Senhor, e amar-Vos a Vós só. Que quero com as delícias? Com as riquezas, as honras? Vós só sois o meu Deus, Vós só sois e sempre sereis o meu único amor e o meu tudo. Mas nada posso eu se Vós não me ajudardes com a Vossa graça. Feri, peço-Vos, o meu coração, inflamai-o do Vosso santo amor, e uni-o totalmente a Vós, e uni-o de tal forma que não possa ser separado jamais. Prometestes amar quem Vos ama: Eu amo os que Me amam (Prov. VIII 17). Agora Vos amo; perdoai os meus atrevimentos, amai-me, e não me permitais fazer nada que Vos impeça de me amar: Quem não ama permanece na morte (I Jo III 14). Livrai-me dessa morte, da qual só serei poupado se Vos amar. Dai-me que sempre Vos ame, para que Vós sempre possais me amar; e assim o nosso amor seja eterno, e não mais seja dissolvido entre mim e Vós. Dai-mo, eterno Pai, por amor de Jesus Cristo. Concedei-mo, graciosíssimo Jesus, pelos Vossos méritos, pelos quais espero sempre amar-Vos e, por minha vez, ser amado por Vós.
Ó Maria, Mãe de Deus e minha mãe, rogai também Vós por mim a Jesus.

Tradução minha.

22 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 22 de Junho

Que de encantos apresenta a virtude na escola da Comunhão! Como se torna a prática da humildade a quem comunga e vê o Deus de glória se humilhar ao posto de descer a um coração tão pobre, a um espírito tão ignorante, a um corpo tão miserável!
Quão accessível se apresenta a mansidão, sob influência da bondade tão terna de Jesus dando-se a nós na doçura de seu Coração!
Como é belo o próximo, quando o vemos alimentado com o mesmo Pão de vida, assentado à mesma divina Mesa, amado com tamanha efusão por Jesus Cristo! E a penitência, a mortificação, o sacrifício, não se apresentam destituídos de amargura a quem recebeu Jesus crucificado?!
Oh! A alma que comunga sente a necessidade imperiosa de abraçar a vida de Quem a salvou e lhe deu a Eucaristia!
A formação do cristão é muito mais rápida no Cenáculo que em outra qualquer escola, e isto porque, na Comunhão, todas as virtudes do Salvador se refletem em nossa alma sob a influência poderosa deste Sol divino que está em nós e que nos penetra com sua luz e com seu calor.

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana

Feria tertia

Ah! Domine mi, quomodo potui te multoties offendere, sciens quod peccando tibi summe displicebam? Per merita, quaeso, passionis tuae ignosce mihi, et vinculo amoris tui me tibi obstringe; non te separet a me fetor culparum mearum. Fac ut magis ac magis tuam bonitatem et amorem, qui tibi debetur, et caritatem, qua me dilexisti, semper agnoscam.
Cupio, bone Iesu, me totum pro te devovere, qui temetipsum pro me in sacrificium offerre voluisti. Tu innumeris caritatis argumentis me tibi obstrinxisti; ne, quaeso, permittas me umquam separari a te. Amo te, Deus meus, teque semper diligere volo. Et quomodo a te disiunctus, et sine gratia tua vivere potero, cum amorem tuum cognoverim ?- Gratias ago tibi quia me pertulisti quando sine gratia tua vivebam, et quia tempus adhuc mihi praestas amandi te. Si tunc mihi superventus esset interitus, te amplius amare non possem. Quoniam vero adhuc te diligere possum, omnibus viribus te amare volo, dulcissime Iesu, tibique in omnibus placere peropto. Diligo te, o Bonitas infinita, amo te plusquam me; et quia amo te, dono tibi corpus meum, animam meam, ac totam voluntatem meam. Fac, Domine, et dispone de me iuxta beneplacitum tuum, in omnibus me tibi subiicio. Dummodo mihi concedas ut semper diligam te, nihil aliud posco. Terrena bona da volentibus illa; non aliud ego desidero, nihilque peto, nisi perseverantiam in gratia tua, et sanctum amorem tuum.
Innixus ego, o Pater aeterne, Filii tui promissis: Amen , amen dico vobis, si quid petieritis Patrem in nomine meo, dabit vobis (Ioann.XYl, 23), in nomine Iesu Christi peto ate sanctam perseverantiam, et gratiam amandi te ex toto corde meo, perfecte faciendo deinceps voluntatem tuam. O Iesu, tu pro me victima factus es, et mihi teipsum dedisti, ut tradam tibi meipsum, tibique immolem voluntatem meam, inquis enim: Praebe, fili mi, cor tuum mihi (Prov. XXIII, 26). Ecce cor meum, Domine, ecce cor meum, et animam meam, quam tibi dono, et omnino pro te devoveo. Verum, tu scis, Domine, infirmitatem meam: succurre mihi; ne permittas me hanc voluntatem meam a te recipere ad peccandum in te. Minime: noli hoc permittere; da ut semper diligam te, fac ut amem te quantum Sacerdos te diligere debet; et quemadmodum Filius tuus in cruce moriens dicere potuit: Consummatum est, ita in morte mea dicere valeam, quod ex hac die mandata tua custodivi. Praesta, ut in omnibus tentationibus, et periculis in te peccandi semper ad te recurram, et auxilium tuum per merita Iesu Christi implorare non omittam.
O Maria sanctissima, quae omnia potes apud Deum, impetra mihi hanc gratiani, ut in tentationibus semper ad Deum, et ad te confugiam.











Terça-feira

Ah! Meu Senhor, como pude ofender-Vos tantas vezes, sabendo que, pecando, Vos desagradava sumamente? Pelos méritos da Vossa paixão, peço-Vos, perdoai-me, e ligai-me a Vós com o vínculo do Vosso amor; não me separe de Vós o fedor das minhas culpas. Fazei que mais e mais reconheça sempre a Vossa bondade, o amor que é devido a Vós e a caridade com que me amastes.
Desejo, ó bom Jesus, dedicar-me todo a Vós, que quisestes oferecer-Vos a Vós mesmos em sacrifício por mim. Envolvestes-me de inúmeras provas de caridade; não permitais, peço-Vos, separar-me de Vós. Amo-Vos, ó meu Deus, e quero amar-Vos sempre. E como poderia eu viver separado de Vós e sem a Vossa graça, tendo conhecido o Vosso amor? Graças Vos dou, que me suportastes enquanto vivia sem a Vossa graça, e que ainda me dais tempo para amar-Vos. Se tivesse morrido, não mais poderia ter-Vos amado. Mas, porque ainda Vos posso amar, com todas as minhas forças desejo fazê-lo, dulcíssimo Jesus, e em todas as coisas quero agradar-Vos. Amo-Vos, ó Bondade infinita, amo-Vos mais que a mim; e porque Vos amo dou-Vos meu corpo, minha alma e toda minha vontade. Fazei e disponde de mim, Senhor, segundo o Vosso beneplácito; submeto-me a Vós em tudo. Desde que me concedais amar-Vos sempre, nada mais peço. Os bens terrenos, dai-os aos que os desejem, que eu nada peço senão a perseverança na Vossa graça e o Vosso santo amor.
Eu repouso, ó eterno Pai, nas promessas do Vosso Filho: Em verdade, em verdade vos digo que o que quer que peçais ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará (Jo XVI 23), em nome de Jesus Cristo peço-Vos a santa perseverança, e a graça de amar-Vos de todo o meu coração, e, por isso, cumprir perfeitamente a Vossa vontade. Ó Jesus, fizestes-Vos vítima por mim, e destes-Vos a Vós mesmo por mim, para que eu me entregue todo a Vós, e Vos imole a minha vontade; pois dizeis: Dai-Me, Meu filho, o teu coração (Prov XXIII 26). Eis o meu coração, Senhor, eis o meu coração e a minha alma, que Vos dou, e dedico inteiramente a Vós. Vós conheceis, na verdade, Senhor, a minha fraqueza: socorrei-me; não me permitais retomar de Vós essa minha vontade, pecando contra Vós. Ao menos não o permitais; dai-me que sempre Vos ame, fazei que Vos ame o quanto um Sacerdote deve amar-Vos; e, como pôde dizer o Vosso Filho morrendo na cruz: Tudo está consumado, também na minha morte possa dizer que até aquele dia guardei os Vossos mandamentos. Dai-me que, em todas as tentações e perigos de pecar contra Vós, a Vós recorra sempre, e não deixe de implorar o Vosso auxílio pelos méritos de Jesus Cristo.
Ó Maria santíssima, que tudo podeis junto de Deus, dai-me esta graça, que nas tentações sempre recorra a Deus e a Vós.

Tradução minha.

21 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 21 de Junho

Ó feliz momento da Comunhão, em que esquecemos o exílio e suas tristezas! É o doce repouso da alma no próprio Coração de Jesus!
O bom Mestre conhecia perfeitamente, vez por outra, a doçura do amor! Não se pode viver sempre no Calvário do sofrimento, nem lutar sem tréguas no campo de batalha.
A criancinha precisa do regaço de sua mamãe, e o cristão, do peito de Jesus.
A virtude sem a Comunhão assemelha-se à força do leão; é o resultado do combate, da violência. É dura afinal. Para que se revista da mansidão do cordeiro, é mister beber o Sangue do Cordeiro Imaculado, alimentar-se desse mel do deserto.
Além disto, a felicidade produz o amor. Somente amamos o que é susceptível de nos tornar felizes. O Salvador não depositou essa felicidade divina em suas virtudes ou em seus outros mistérios, mas n’Ele mesmo. É necessário, portanto, recebê-LO, para gozar plenamente de sua felicidade.

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana


Feria secunda

O Bonitas infinita ! O caritas infinita ! Deus mihi se totum dedit, factus est totus meus ! Anima mea, convoca omnes affectus tuos, teque intime coniunge Domino tuo, qui dedita opéra venit ad te, ut coniungatur tibi et redametur a te.
O Redemptor amabilis, amplector te, amor et vita mea me tibi coniungo, noli me despicere. Hei mihi ! quodam tempore vitae meae te reieci ex anima mea, et me separavi a te; sed in posterum vitam meam millies ponere potius volo, quam iterum amittere te, summum Bonum meum. Obliviscere, Domine, omnium iniuriarum, quibus te affeci , et mihi miseratus ignosce; toto corde me illarum poenitet, et prae dolore mori vellem. Quamvis autem in te peccaverim, mihi praecipis ut amem te: Diliges Dominum Deum tuum, eoo toto corde tuo. Oh, Domine mi, quis ego sum ut a me diligi cupias? Quoniam hoc desideras, amore te prosequi volo. Tu pro me mortem subire voluisti, et carnes tuas in cibum mihi dedisti, ego omnia relinquo, omnibus valedico, et te solum, amantissime Salvator, amplector. Quis me separabit a caritate- Christi? O Redemptor amabilis, et quem alium diligere volo, nisi te,'qui es infinita bonitas, e.t infinito amore dignus? Quid mihi est in coelo? et a-te quid volui super terram? Deus cordis mei, et pars mea Deus in aeternum. Profecto quidem, Deus meus, et ubinam sive in coelo, sive in terra bonum te maius invenire possum, vel qui magis quam tu me dilexerit? Adveniat regnum tuum. Oh! bone Iesu, sume, precor, hoc mane totius cordis mei dominium, illud ego tibi totum praebeo. Tu illud semper ac totum posside, et omnes affectus, qui non sunt ad te, ab eo repelle. Te solum in partem meam, et in meas divitias eligo: Deus cordis mei, et pars mea, Deus, in aeternum. Da, ut semper illud s. Ignatii a Loyola in ore habeam, et petam: Amorem tui solum eum gratia 'tua mihi dones, et dives sum satis. Da, mihi amorem et gratiam tuam, fac videlicet ut amem te, et amer a te, et dives sum satis, nec amplius ultra desidero, nec aliud quaero.
Verumtamen tu scis infirmitatem meam, et quam saepe tibi infidelis extiterim; adiuva ergo me gratia tua, nec umquam permittas me separari ab amore tuo sancto. Ne permittas me separari a te. Hoc nunc tibi dico, semperque dicere volo, et idipsum, tribue, ut repetere tibi semper queam: Ne permittas, ne permittas me separari a te. O Virgo sanctissima, spes mea, Maria, impetra mihi a Deo hanc duplicem gratiam: sanctam perseverantiam et sanctum amorem; nihil amplius a te peto.







Segunda-feira

Ó Bondade infinita! Ó caridade infinita! Deus deu-Se totalmente a mim, fez-Se todo meu! Ó minh'alma, convoca todos os teus afetos, e une-te intimamente ao teu Senhor, que amorosamente veio a ti, para unir-Se a ti e ser por ti amado em retribuição.
Ó Redentor amável, abraço-Vos, meu amor e minha vida; uno-me a Vós, não me deixeis. Ai de mim! houve um tempo na minha vida em que Vos expulsei da minha alma, e separei-me de Vós; mas, de agora em diante, prefiro mil vezes perder a minha vida a perder-Vos, meu sumo Bem. Esquecei-Vos, Senhor, de todas as injúrias com que Vos agravei, e perdoa-me a mim humilhado; arrependo-me delas de todo meu coração, e quisera morrer de dor. Porém, por tanto que contra Vós pequei, tanto me mandais que Vos ame: Ama o Senhor teu Deus, de todo o teu coração. Ó! Senhor meu, quem sou eu para que queiras ser amado por mim? Porque assim desejas, quero seguir-Vos no amor. Vos quisestes morrer por mim, e me destes a carne como comida; eu tudo deixo, de tudo me despeço, e abraço-Vos a Vós só, ó amantíssimo Salvador. Quem me separará do amor de Cristo? Ó amável Redentor, que outro quero eu amar senão a Vós, que sois a bondade infinita, e digno de infinito amor? Que quero eu no céu, e, fora de Vós, que quero sobre a terra? Deus do meu coração, e a minha Deus é eternamente a minha parte. Assim é, meu Deus, e onde, no céu e na terra, posso encontrar um bem maior que Vós, ou quem me amaria mais que Vós? Venha o Vosso reino. Ó bom Jesus! Assume, peço-Vos, nesta manhã, o domínio de todo o meu coração: ofereço-Vo-lo inteiro. Possuí-o sempre e totalmente, e expulsai dele todos os afetos que não vêm de Vós. Escolho a Vós só para minha herança e minhas riquezas: Deus do meu coraçãom e a minha herança é Deus para sempre. Dá-me que sempre tenha na boca e peça, como Santo Ignácio de Loyola: "Dai-me somente o Vosso amor e a Vossa graça, e de riquezas estou satisfeito". Dai-me o Vosso amor e a Vossa graça; fazei, pois, com que Vos ame e seja por Vós amado, e estou saciado de riquezas: nada além disso desejo, nem outra coisa quero.
Todavia conheceis a minha fraqueza, e quão frequentemente Vos fui infiel; ajude-me, pois, a Vossa graça, e nunca me permita separar-me do Vosso santo amor. "Não me permitais separar-me de Vós." Digo-Vo-lo agora e sempre o quero dizer-Vos, e dai-me, ainda, que sempre possa repetir-Vos: "Não me permitais separar-me de Vós".
Ó Virgem santíssima, esperança minha, Maria, consegui-me de Deus esta dúplice graça: a santa perseverança e o santo amor. Nada mais Vos peço.

Tradução minha.

20 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 20 de Junho

O meio soberano de alcançar a mansidão do Coração de Jesus é o amor de Nosso Senhor.
A tendência constante do amor é produzir a identidade de vida entre os que se amam.
Ser manso como Jesus, ser manso por amor ao bom Salvador, eis o ideal de quem vive do espírito de Jesus.
Ó minha alma, sê mansa para com o próximo que te exercita a paciência, como o próprio Deus, Nosso Senhor e a SSma. Virgem são mansos para contigo. Pratica a mansidão para com o próximo afim de que assim proceda ao teu Juiz para contigo, pois receberá na mesma proporção em que tiveres dado.
E se olhas para os teus pecados, se consideras o que mereceste e o que ainda mereces, ó pobre alma, quanto te deverás desfazer em mansidão e humildade de coração para com o próximo, tendo em vista a bondade, a doçura, a paciência e a honra com que Nosso Senhor te trata!
A mansidão é o fruto bendito da humildade e da caridade. A alma humilde é paciente, doce e caritativa.

Orações de Santo Afonso Maria de Ligório destribuídas para cada dia da semana


Die Dominica

Amantissime Iesu, Redemptor, et Deus, adoro te praesentem in pectore meo sub speciebus panis et vini, quibus factus es oibus et potus animae meae.
Sit infinite benedictus adventus tuus ad animam meam, Deus meus, et pro tanto beneficio tibi ex intimo corde gratias ago, et doleo eo quod digne tibi grates rependere non valeo. Et quasnam dignas gratiarum actiones habere posset humilis villicus, si rustica in domo sua ab ipso suo rege se visitatum videret, nisi ad illius pedes se procumbere, et tacito admirari et laudare tantam dignationem? Procido ergo coram te, o Rex divine, o Iesu dulcissime, teque adoro ex abysso vilitatis meae. Coniungo adorationem meam adorationi, quam tibi praestitit beatissima Virgo Maria quando in uterum suum sacrosanctum te recepit, et quo ipsa te amavit amore, eodem te prosequi vellem. O Redemptor amabilis, tu hodie verbis meis obediens, de caelo in manus meas descendisti: et ego? eheu! quoties praeceptis tuis inobediendo, te, ingrato animo, sprevi, et gratiam et amorem tuum reieci ! O bone Iesu, meorum venialn delictorum iam te mihi tribuisse confido; quod,si culpa mea, nondum mihi pepercisti, modo, quaeso, agnosce mihi, o Bonitas infinita, nam te offendisse toto corde me poenitet. Utinam, o Iesu, te semper amavissem! A die saltem quo primam missam celebravi, unice pro te amore flagrare debuissem. Tu ex millibus me in sacerdotem et amicum tuum elegisti, quid ultra facere debuisti, ut a me diligereris? Sed gratias.ago tibi quia tempus mihi praestas agendi, quod facere omisi. Ex toto corde meo te amare volo. Minime, nullum affectum in corde meo admittere volo nisi pro te, qui me tantis beneficiis ad te redamandum obstrinxisti. Deus meus et omnia. O Deus meus, quid mihi divitiae! quid honores! quid mundi voluptates! tu omnia mihi es. Tu solus eris deinceps unicum bonum, unicus amor meus. Dicam tibi cum sancto Paulino: Sibi habeant divitias suas divites, regna sua reges; mihi Christus gloria et regnum est. Fruantur reges, ac divites terrae, regnis suis, suisque divitiis, tu, o bone Iesu, divitiae meae et regnum meum mihi solus eris.
O Pater aeterne, per amorem huius Filii tui, quem hodie tibi obtuli, et in cor meum recepi, da quaeso, mihi sanctam perseverantiam in gratia tua, et donum tui sancti amoris. Tibi etiam commendo propínquos meos, amicos et inimicos; animas item purgatorii, omnesque peccatores. O Mater mea, Maria sanctissima, impetra mihi sanctam perseverantiam et Iesu Christi amorem.










Domingo

Amantíssimo Jesus, Redentor e Deus, adoro-Vos, presente em meu peito sob as espécies do pão e do vinho, nas quais Vos fizestes comida e bebida da minha alma.
Seja infinitamente bendita a Vossa vinda à minha alma, ó meu Deus, e por tamanho benefício dou-Vos graças do íntimo do meu coração, e dói-me de não poder retribuir-Vos dignamente com agradecimentos. E que dignas ações de graças pode dar um humilde servo, se se vir visitado em sua rústica casa pelo seu próprio rei, senão prostrar-se aos seus pés, e, calado, admirar e louvar tanta clemência? Prostro-me, portanto, diante de Vós, ó divino Rei, ó dulcíssimo Jesus, e adoro-Vos do abismo da minha vileza. Junto minha adoração àquela que Vos presta a beatíssima Virgem Maria, quando em Seu seio sacrossanto recebeu-Vos, e o mesmo amor com que Ela Vos amou queria eu apresentar-Vos. Ó amável Redentor, Vós, hoje, obedecendo as minhas palavras, descestes do céu para as minhas mãos; e eu? Ai! todos os dias desobedecendo os Vossos preceitos, ingratamente desprezei-Vos, e rejeitei a Vossa graça e o Vosso amor! Ó bom Jesus, confio que já me haveis dado o perdão das minhas faltas; porque se por minha culpa ainda o não fizestes, peço-Vos, então, perdoai-me, ó Bondade infinita, porque me arrependo de todo o coração de Vos ter ofendido! Oxalá, ó Jesus, Vos amasse sempre! Desde o dia em que celebrei a primeira missa, devesse tão somente arder de amor por Vós. Vós, dentre milhares, me elegestes para Vosso sacerdote e amigo; por que o teríeis feito, senão para ser por mim amado? Mas dou-Vos graças porque me dais tempo para fazer o que tenho omitido. De todo o meu coração quero amar-Vos. Nenhum afeto quero admitir no meu coração senão por Vós, que, para que Vos amasse em retribuição, me envolvestes com tantos benefícios. Meu Deus e meu tudo. Ó meu Deus, para que as riquezas, para que as honras, para que os prazeres do mundo! Vós sois tudo para mim. Vós somente sereis, daqui por diante, o meu único bem e o meu único amor. Dir-Vos-ei com São Paulino: Tenham para si as suas riquezas os ricos, os seus reinos os reis; para mim Cristo é a glória e o reino. Desfrutem os reis e ricos da terra dos seus reinos e riquezas; só Vós, ó bom Jesus, sereis minhas riquezas e meu reino.
Ó eterno Pai, por amor do Vosso Filho, que hoje Vos ofereci, e recebi em meu coração, dai-me, peço-Vos, a santa perseverância na Vossa graça e o dom do Vosso santo amor. Recomendo-Vos, também, os meus próximos, amigos e inimigos; bem como as almas e purgatório e todos os pecadores. Ó minha Mãe, Maria santíssima, consegui-me a santa perseverância e o amor de Jesus Cristo.

Tradução minha.

QUARTO DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES.

A pesca milagrosa e o ministério apostólico.

Noli timere: ex hoc iam Domines eris capiens – "Não temas; já desde agora serás pescador de homens (Luc. 5, 10).

Sumário: Sob a figura da pesca milagrosa é representada a pregação do Evangelho, pela qual o Senhor converte e santifica as almas por ele remidas. Os pescadores, porém, não são somente os pregadores, senão também todos os bons cristãos, que de qualquer modo se aplicam à salvação das almas. Seja, portanto, qual for o nosso estado, podemos exercer o ministério apostólico, ao menos pela oração e pelo bom exemplo. Roguemos sobretudo ao Senhor que envie à sua igreja operários zelosos: Mitte operarios in messem tuam.

I. Refere São Lucas que, estando Jesus nas margens do lago de Genezareth, e vendo que as turbas vinham em tropel sobre ele, entrou na barca de Simão, rogou-lhe que a afastasse um pouco da terra, e começou a pregar de dentro da barca. Tanto que cessou de falar, ordenou a Simão que se fizesse ao largo e deitasse as redes para a pesca.

"Mestre", respondeu-lhe Simão, "trabalhando toda noite, nenhuma coisa apanhamos; porém sobre a tua palavra deitarei a rede". E tendo feito isto, apanhara tão grande quantidade de peixes, que encheram duas barcas. E São Pedro, vendo isto, lançou-se aos pés do Redentor dizendo: "Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. E Jesus disse: "Não temais; Já desde agora serás pescador de homens": Ex hoc iam homines eris capiens.

Explica Santo Ambrósio, e está mesmo claro no Evangelho, que sob a figura das redes e da pesca milagrosa são representadas "as palavras da verdade, que são, por assim dizer, a textura das pregações evangélicas". Os pescadores são todos os pregadores e especialmente os missionários, de que o Senhor se serve para a conversão de populações inteiras e santificação de milhares de almas.

Meu irmão, se tu também és um desses instrumentos escolhidos para promover a glória divina, dá graças ao Senhor; e em deitando as tuas redes, imita a São Pedro, reconhece a própria incapacidade e confia no auxílio de Deus.... "Vê", diz o mesmo Santo Ambrósio, "quanto é vã e infrutuosa a confiança temerária nas próprias forças, e quão eficaz é, ao contrário, a humildade. Os que primeiro tinham trabalhado em vão, depois, sobre a palavra de Jesus Cristo, encheram suas redes de peixes".

Se o Senhor não te chamou ao ministério apostólico, aproveita-te ao menos da palavra de Deus pregada pelos sacerdotes: estima e reverencia a sua alta dignidade e pede a Jesus Cristo queira aumentar em sua Igreja o número dos ministros zelosos: Mittati operarios in messem suam.

II. Posto que os pescadores de almas sejam principalmente os pregadores e os missionários, não o são, porém, estes só. São-no igualmente todos os bons cristãos, que de qualquer modo promovem o bem espiritual do próximo. Seja qual for o teu estado, podes fazer-te pescador de almas. Podes sê-lo, ajudando teus irmãos com exortações, com conselhos, com o bom exemplo, e mais ainda com a oração feita por eles. Quem trata com os próprios pecadores sobre a sua conversão, trabalha às vezes em vão; mas quem trata da conversão dos pecadores com Deus, alcança-a sempre, contanto que o faça assim como se deve. Oh! quantas almas se convertem, não tanto pela pregação dos sacerdotes, como pelas orações dos justos – Figura-te, pois, que Jesus Cristo te diz o que disse a São Pedro: "Faze-te ao largo, e deita as tuas redes para a pesca".

Ó Salvador do mundo, ó Cordeiro divino, Vós que à força de dores perdestes a vida sobre a cruz para salvação de todos os homens, por piedade, tende compaixão de nós, e socorrei-nos no meio de tantos perigos de perdição eterna. Ó céus! de todos os que professam a verdadeira fé, quantos estão vivendo como se não cressem, como se não tivessem de morrer um dia e de dar contas de toda a vida perante o tribunal divino. Mas Vós, ó Jesus, que sabeis tirar o bem do mal, mostrai o vosso poder, não nos castigando conforme merecemos, mas subjugando as nossas vontades rebeldes. Aumentai o zelo dos vossos ministros, mandai-lhes, como outrora a São Pedro, que deitem em toda a parte a rede da palavra divina, e, abençoando-lhes o trabalho, fazei com que tenham uma pesca milagrosa de almas, resgatadas pelo vosso preciosíssimo sangue.

"Concedei-nos, ó Senhor, que os sucessos do mundo por vossa ordem corram para nós em paz e que a vossa Igreja se alegre com a tranqüila devoção de seus filhos". - Fazei-o pelos méritos da vossa Paixão, e pelo amor da vossa querida Mãe, Maria.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 196-198.)

Missa Tridentina em Curitiba: Sermão do Pe. Paulo Iubel no III Domingo depois de Pentecostes (12/06/2010)

III Domingo depois de Pentecostes
Pe. Paulo Iubel
Paróquia Imaculada Conceição
Curitiba/PR

19 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 19 de Junho

Como descrever a bondade acolhedora que tem para com todos, sua afabilidade em se colocar à altura de qualquer um, seja pequeno ou ignorante; sua paciência em atender a todos e a tudo, e em ouvir a narrativa de tantas misérias? Como descrever a bondade de Jesus na Comunhão, onde se dá a todos segundo a necessidade de cada um, e sempre com alegria, desde que aí encontre a vida da graça e algum sentimento de devoção acompanhado de bons desejos ou ao menos um pouco de respeito; e concedendo a cada um a graça que lhe convém, deixando-lhe ao mesmo tempo a paz e o amor como sinal de sua passagem?
E que mansidão paciente e misericordiosa para com os que O esquecem! Permanece à sua espera, intercede pelos que O desprezam e ultrajam, sem reclamar e sem ameaçá-los, e não castiga mesmo os que O ofendem pelo sacrilégio. Procura, ao contrário, levá-los ao arrependimento por meio da mansidão e da bondade.

18 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 18 de Junho

Jesus é todo mel, todo doçura, todo amor! Não foge de quem O odeia; convive com aqueles que hão de abandoná-LO, com a mesma simplicidade, a mesma doçura, apesar de ter conhecimento de tudo. É que, não tendo chegado ainda o momento de falar, considera o futuro como se Lhe fosse desconhecido.
E o que dizer da mansidão de Jesus no sofrimento?
Cala-se habitualmente diante do espírito incrédulo de muitos de seus discípulos, diante do coração iníquo e ingrato de Judas, de quem conhece os pérfidos pensamentos e maquinações infames.
Jesus tem a posse de Si mesmo; é calmo, afetuoso com todos, como se não soubesse de coisa alguma. Entretém com eles as relações de sempre, a fim de respeitar o segredo que o Pai guarda com referência a eles.
Oh! Que lição contra os juízos temerários, contra as suposições e antipatias secretas! Jesus coloca a lei da caridade, do dever comum, adiante do conhecimento que tem do segredo dos corações, para observar a ordem da Providência.

17 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 17 de Junho

A Sabedoria increada, o Verbo de Deus, que criou a palavra, que inspirava a verdade, cala-se durante trinta anos e honra seu Pai por suave e humilde silêncio!
É este silêncio de Jesus que nos diz eloqüentemente: “Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração!
O silêncio de Jesus é paciente. Ouve os que Lhe falam sem jamais interrompê-los, se bem que sabia de antemão o que Lhe tem a dizer; responde-lhes diretamente, admoesta, corrige com bondade, sem humilhar, sem magoar, como fez o melhor dos mestres para com o aluno. Escuta mesmo as coisas desagradáveis, alheias ao assunto, e sempre encontra ocasião de instruir e fazer o bem.
Como é diferente o nosso modo de agir! Mostramo-nos impacientes em demonstrar que já compreendemos o que nos dizem, aborrecidos de escutar o que nos atrasa ou contraria, e tudo isto se revela no semblante e nas maneiras. Ah! Não é este o espírito de Nosso Senhor! Inúmeras ocasiões se nos deparam na vida em que a paciência, a mansidão, a humildade do silêncio se tornam a virtude do momento e devem ser diante de Deus o único fruto de um tempo que seriamos levados a julgar perdido. Sua graça nos prevenirá: escutemos-lhe a voz e obedeçamos simples e fielmente

16 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 16 de Junho

A humildade de coração produz a doçura.
Jesus é manso. A virtude da mansidão constitui o verdadeiro caráter e o espírito de sua vida. Jesus não diz: - Aprendei de Mim que sou penitente, sábio, silencioso, porém: “Aprendei de Mim que sou manso”!
Nosso Senhor é manso de coração. Ama os homens, aos quais deseja proporcionar todo o bem possível; julga-os em sua misericórdia e não em sua justiça, cuja hora ainda não soou.
Jesus não experimenta o menor rancor para com aqueles que O desprezam, injuriam, ofendem, ou desejam ofendê-LO. A todos conhece, de todos tem compaixão, entristecendo-se ao ver o infeliz estado em que se acham.
Jesus é manso por natureza: é o Cordeiro de Deus. É manso por virtude para glorificar seu Pai nesse estado, e é manso por missão de seu mesmo Pai. A mansidão devia ser o traço dominante do Salvador para atrair os pecadores, animá-los a se acercarem d’Ele, a Lhe terem afeição e se deixarem fixar na lei divina.

15 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 15 de Junho

Se quereis que Nosso Senhor vos estreite contra o seu Coração e vos cumule de seus favores, sede verdadeiramente humildes.
Tender à humildade é tender à santidade, porque uma é a medida exata e infalível da outra. Quanto mais humilde, mais santo sereis.
A humildade é a mãe, a raiz e a flor de todas as virtudes, é senhora do poder de Deus, é guardiã de seus tesouros e de todas as suas graças. Somente por esta virtude agradareis ao vosso bom Mestre, e somente por meio dela vos conservareis na graça eucarística. A humildade é o dote do amor, indispensável para que a alma se aproxime de Nosso Senhor. Podeis, mediante outra qualquer virtude, vos personificar e vos deter em vós mesmos; pela humildade, porém, desapareceis para deixar transparecer Jesus.
É a humildade, portanto, a virtude do amor, sua virtude própria. Nosso Senhor, amando-nos até o excesso na Eucaristia, se dá a nós no excesso do aniquilamento. É justo que encontre em nós um coração que ame o que Ele ama segundo o que nos disse: “Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração”.

14 de junho de 2010

Flores da Eucaristia - 14 de Junho

A grande virtude de Jesus Cristo é a humildade. É a sua virtude própria e dominante, o âmago de seu Coração e de seu caráter divino humano.
Humilha-se como Deus e também como Homem; em tudo e em toda parte se descobre n’Ele esta humildade que é o seu nome, seu selo e distintivo, como diz Santo Agostinho: “Falar em Jesus Cristo é falar em humildade”.
Sua natureza humana é uma natureza criada, e dependente de Deus. Quer mantê-la nesta dependência aos olhos de todos, a fim de nos dar o mais belo exemplo de humildade, pois a sua Humanidade, unida ao Verbo, era digna de agir por si mesma e de receber toda homenagem e adoração. Mas Nosso Senhor quer nos inculcar a humildade praticando-a pela sujeição voluntária e absoluta ao seu Eterno pai.
Ser humilde é, portanto, dependermos de Deus, colocar-nos em suas mãos, sem nos apoiar em nós mesmos, mas unicamente no seu braço onipotente.

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - 30ª Parte

CAPÍTULO XVI

Morte de Jesus

Avizinha-se, porém, o fim da vida de nosso amável Redentor. Minha alma, contempla esses olhos que se obscurecem, essa bela face que empalidece, esse coração que palpita lentamente, esse sagrado corpo que vai se tornando presa de morte.

“Tendo, Jesus experimentado o vinagre, disse: Tudo está consumado”. (Jo 19,30). Estando Jesus para expirar, pôs diante todos os sofrimentos de sua vida, pobreza, suores, penas e injúrias suportadas e, oferecendo tudo novamente a seu terno Pai, disse: Tudo está cumprido, tudo está realizado. Realizou-se tudo o que fora predito de mim pelos profetas e está consumado inteiramente o sacrifício que Deus espera para perdoar o mundo, e a justiça divina já está plenamente satisfeita.Tudo está consumado, disse Jesus voltado para seu Pai; tudo está consumado, disse ao mesmo tempo, voltado para nós, como se afirmasse: Ó homens, acabei de fazer tudo que eu podia fazer para salvar-vos e conquistar o vosso amor; fiz o que me competia, fazei agora o que vos compete: amai-me e não desdenheis amar um Deus que chegou a morrer por vós. Ah, meu Salvador, pudesse também eu dizer no momento de minha morte, ao menos no referente à vida que me resta: tudo está consumado: Senhor, eu cumpri com a vossa vontade, eu vos obedeci em tudo. Dai-me força, meu Jesus, pois eu espero e proponho realizar tudo com o vosso auxílio.

“E clamando com voz forte, Jesus disse: Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito” (Lc 23,46). Foi essa a última palavra que Jesus disse na cruz.Vendo que sua alma estava prestar a separar-se de seu corpo dilacerado, disse todo resignado na vontade divina e com confiança de Filho:“Pai, eu vos recomendo o meu espírito, como se dissesse: Meu Pai, eu não tenho vontade própria, não quero nem viver nem morrer; se vos apraz que eu continue a padecer nesta cruz, eis-me aqui, estou pronto; nas vossas mãos entrego o meu espírito, fazei de mim o que vos aprouver”. Oh! se assim disséssemos também, quando estamos sobre a cruz, e nos deixássemos guiar em tudo pelo beneplácito do Senhor! É este, segundo S. Francisco de Sales, aquele abandono em Deus que constitui toda a nossa perfeição. É isso o que devemos fazer, principalmente no momento da morte, mas, para fazê-lo bem, então, é preciso fazê-lo continuamente durante toda a vida. Sim, meu Jesus, nas vossas mãos entrego a minha vida e a minha morte; abandono-me inteiramente a vós e desde já vos recomendo no fim de minha vida a minha alma: acolhei-a nas vossa santas chagas como vosso Pai acolheu vosso espírito quando morrestes na cruz.

Mas eis que Jesus expira. Vinde, anjos do céu, vinde assistir à morte de vosso Deus. E vós, ó Mãe das dores, Maria, chegai-vos mais à cruz, levantai os olhos para vosso Filho e olhai-o mais atentamente, pois está prestes a expirar. Eis que o Redentor já chama a morte e lhe dá licença para se apoderar dele: Vem, ó morte, diz-lhe, depressa, faze o teu dever, tira-me a vida e salva as minhas ovelhas. A terra treme, abrem-se os sepulcros, rasga-se o véu do templo. Pela violência das dores faltam já as forças ao Senhor, falta-lhe o calor natural, falta-lhe a respiração a ele com o corpo largado abaixo, a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira. “E tendo inclinado a cabeça, entregou seu espírito” (Jo 19,30).

Sai, ó bela alma de meu Salvador, sai e vem abrir-nos o paraíso até agora fechado para nós; vai apresentar-te à majestade divina e impetrar-nos o perdão e a salvação. O povo alvoroçado em volta de Jesus, por causa do grande brado com que havia proferido as últimas palavras, contempla-o com atenção, em silêncio, vê-o expirar e, observando que não faz mais movimento, exclama: Morreu, morreu. Assim ouve Maria todos falarem e ela também diz: Morreu meu Filho!

Morreu! Ó Deus, quem morreu? O autor da vida, o Unigênito de Deus, o Senhor do mundo. Ó morte, que causastes a admiração do céu e da natureza. Um Deus morrer por suas criaturas! Ó caridade infinita! Um Deus sacrificar-se todo, seus prazeres, sua honra, seu sangue, sua vida, por quem? Por criaturas ingratas, e morrer num mar de dores e de desprezos para pagar as nossas culpas.

Minha alma, levanta os olhos e contempla esse homem crucificado. Contempla esse cordeiro divino já sacrificado nesse altar de dores, reflete que ele é o Filho bem amado do Padre eterno e que ele morreu pelo amor que te consagrava. Vê como tem os braços estendidos para acolher-te, a cabeça inclinada para dar-te o beijo de paz, o peito aberto para receber-te. Que dizes? Não merece ser amado um Deus tão bom e tão amoroso? Ouve o que te diz o teu Senhor de sua cruz: Filho, vê se há no mundo quem te haja amado mais do que eu, teu Deus. Ah, meu Deus e meu Redentor, morrestes, pois, e suportastes a mais infame e dolorosa das mortes. E por quê? Para conquistar o meu amor. Como, porém, poderá o amor de uma criatura compensar o amor de seu Criador morto por ela? Ó meu adorado Jesus, ó amor de minha alma, como poderei amar outra coisa, depois de vos saber morto de dores nessa cruz, para pagar pelos meus pecados e salvar-me? Como poderei ver-nos morto e pendente desse lenho e não vos amar com todas as minhas forças? Poderei pensar que minhas culpas vos reduziram a esse estado e não chorar sempre com suma dor as ofensas cometidas contra vós?

Ó Deus, se o mais vil dos homens tivesse padecido por mim o que sofreu Jesus Cristo, se eu visse um homem dilacerado pelos açoites, pregado a uma cruz e feito o ludíbrio do povo para me salvar
a vida, poderia recordar-me disso sem me enternecer? E se me apresentassem seu retrato, morrendo na cruz, poderia eu olhá-lo com indiferença e deixar de exclamar: Oh! este infeliz morreu assim atormentado por meu amor; se não me tivesse amado, não teria padecido a morte. Oh! quantos cristãos possuem um belo crucifixo no seu quarto, mas unicamente como um belo ornamento: louvam a obra e a expressão da dor, mas seu coração nada ou pouco sente, como se não fosse a imagem do Verbo encarnado, mas de um estranho e desconhecido.

Ah, meu Jesus, não permitais que eu seja um desses. Recordai-vos que prometestes atrair a vós todos os corações, quando fôsseis suspenso na cruz. Eis o meu coração, que, enternecido coma vossa morte, não quer resistir mais aos vossos convites; atraí-o, pois, todo inteiro ao vosso amor. Vós morrestes por mim e eu não quero viver senão para vós. Ó dores de Jesus, ó ignomínias de Jesus, ó morte de Jesus, ó amor de Jesus, fixai-vos em meu coração e aí permaneça sempre a vossa doce memória, para ferir-me continuamente e inflamar-me de amor.

Ó Padre eterno, vede Jesus morto por mim e, pelos merecimentos desse Filho, usai de misericórdia comigo. Minha alma, não percas a confiança por causa dos delitos cometidos contra Deus: esse Pai é o mesmo que o deu ao mundo para nossa salvação; e esse Filho é o mesmíssimo que voluntariamente se ofereceu a pagar por nossos pecados. Ah, meu Jesus, desde que vós não vos perdoastes para perdoar a mim, olhai-me com aquele mesmo afeto com que me olhastes uma vez quando agonizáveis na cruz. Olhai-me e iluminai-me, perdoai-me especialmente as ingratidões que vos mostrei no passado, pensando tão pouco na vossa paixão e no amor que nela me mostrastes. Agradeço-vos a luz que me concedeis, fazendo-me conhecer, por meio de vossas chagas e membros lacerados, como por meio de outros tantos degraus, o terno afeto que me tendes.

Infeliz de mim se, depois dessa luz, eu deixasse de amar-vos ou amasse outra coisa afora vós. Morra eu por amor de vosso amor, que por amor de meu amor vos dignastes morrer, vos direi com S. Francisco de Assis. Ó coração aberto de meu Redentor, ó morada bem-aventurada das almas amantes, não vos dedigneis de receber também a minha alma. Ó Maria, ó Mãe das dores, recomendai-me a vosso Filho, que tendes morto entre vossos braços. Contemplai suas carnes dilaceradas, contemplai seu sangue divino derramado por mim e concluí daí quanto lhe é agradável que vós lhe recomendeis a minha salvação. A minha salvação é amá-lo e vós deveis alcançar-me este amor, mas um grande amor, um amor eterno.

S. Francisco de Sales, falando daquele dito de S. Paulo: A caridade de Cristo nos impele, diz: “Sendo do nosso conhecimento que Jesus, verdadeiro Deus, nos amou até sofrer por nós a morte da cruz, não é isso ter os nossos corações sob uma prensa e sentir comprimi-los com violência para espremer deles o amor com força tanto maior, quanto ela é mais amável?” O monte Calvário, segundo ele, é o monte dos amantes. E ajunta: “Ah, por que não nos lançamos sobre Jesus crucificado, para morrer na cruz com ele, que quis morrer por amor de nós? Eu o prenderei, devemos dizer, e não o abandonarei jamais; morreria com ele e me abrasarei nas chamas de seu amor. Um só fogo consumirá esse divino Criador e a sua miserável criatura. O meu Jesus se dá todo a mim e eu me dou todo a ele. Eu viverei e morrerei sobre seu peito; nem a morte nem a vida me separarão jamais dele. Ó amor eterno, minha alma vos busca e vos elege eternamente. Vinde, Espírito Santo, e inflamai os nossos corações com o vosso amor. Ou amar ou morrer. Morrer a todo outro amor para viver do de Jesus. Ó Salvador de nossas almas, fazei que cantemos eternamente: Viva Jesus. Eu amo Jesus. Viva Jesus, que eu amo. Amo Jesus, que vive nos séculos dos séculos”. Concluamos, dizendo: Ó Cordeiro divino, que vos sacrificastes por nossa salvação! Ó vítima de amor, que fostes consumida de dores sobre a cruz! Oh! soubesse eu amar-vos como vós o mereceis. Oh! pudesse eu morrer por vós, como vós morrestes por mim! Eu, com os meus pecados, vos causei sofrimentos durante toda a vossa vida; fazei que eu vos agrade no resto de minha vida, vivendo só para vós, meu amor, meu tudo. Ó Maria, minha Mãe, vós sois a minha esperança; obtende-me a graça de amar a Jesus.

Fim do I Volume

13 de junho de 2010

Um minuto de silêncio - Sobre o falecimento do Prof. Orlando Fedeli

Venho aqui fazer uma homenagem póstuma a um homem que foi tanto polêmico quanto instrutor, que combateu o modernismo e o relativismo enraizado em pensamentos e posturas de católicos e clérigos, especialmente após o Concílio Vaticano II, e que defendia com unhas e dentes a Missa Tridentina, também conhecida como Missa de São Pio V. Seu falecimento se deu em 09 de Junho de 2010, por motivo de infarto. 

Orlando Fedeli, para quem não conhece, era o fundador e presidente da Associação Cultural Montfort. Homem culto, dotado de saber, de palavras afiadas e espirituoso no modo como conduzia suas aulas, viajava para onde o chamassem sem nunca cobrar nada, nem mesmo para comer, afim de ensinar a Doutrina Católica tal como ela é e sempre foi ensinada por todos os Concílios Infalíveis da Igreja Católica Apostólica Romana para aqueles que tinham "sede" de conhecer a Deus e a Santa Igreja Católica. Suas palavras nem sempre agradaram a todos, nem todos concordavam com tudo o que ele dizia, mas uma coisa é certa, seu amor pela Santa Igreja Católica Apostólica Romana foi maior que sua própria saúde física, que seu próprio bem estar, pois mais se preocupava em conduzir uma alma a Jesus Cristo do que se alimentar ou descansar.

Estamos tristes em perder um Católico Guerreiro, um Católico que não media esforços para falar da Santa Igreja de Jesus Cristo, que não se intimidava frente a tantas pessoas que o insultavam por não compreenderem que seu amor por Jesus Cristo era maior que tudo.

Depois de ler tanta afronta em um blog dito católico por aí, feita ao Prof. Orlando antes mesmo que ele fosse enterrado, é que eu quis publicar como se sucedeu seu enterro e como seu deu sua morte: nos braços de Nossa Mãe Santíssima, depois de proferir um "Doce Coração de Maria"...

Segue o depoimento escrito por Augusto Mendes, complementado com alguns dados do depoimento de Joel Xavier, ambos de Belo Horizonte.

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Chegamos ao velório perto das 10 horas; foi no Cemitério da Vila Mariana. Quando chegamos, já estavam lá umas 100 pessoas. O corpo do professor chegou perto das 11 horas e a Dona Ivone ficou velando-o em particular por alguns minutos. Aberto o velório público, as pessoas lotaram o local e muitos ficaram para o lado de fora. Na sala do velório haviam dois Crucifixos, o caixão ladeado por duas velas, uma grande bandeira do Vaticano, o estandarte da Montfort, uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus - réplica em madeira de uma imagem do século XIII - e diversas coroas de flores. Foi rezado um Terço, e depois os que estavam do lado de fora entraram e rezaram outro Terço, com a Salve Regina cantada ao final. Nesse segundo Terço, eu e o Joel tivemos a oportunidade de rezar ao lado do professor.

Ele [o professor] estava vestido de terno, com a capa e o cordão de Carmelita da Ordem Terceira, o terço e uma espada nas mãos já que: "à la fin de la vie, je touche!" E tocou mesmo, não só com seus ataques finais que esperou anos para desferir, também pelo espetáculo que, de alguma maneira, promoveu com sua morte. A Dona Ivone não saiu do velório momento algum rezando Terço após terço, ora de pé, ora ajoelhada; foram quatro horas assim, quatro horas com dezenas de pessoas rezando o Terço. Sem nenhuma mostra de desespero, o que pude ver foi o sofrimento sincero das pessoas que o perdiam. Nos arredores do velório poderiam ser vistos alguns chorando sozinhos, lá dentro a multidão num pranto contínuo e sereno. Choravam velhos de setenta e oitenta anos e choravam menininhas de cinco ou seis, todos com o terço na mão. Choravam e rezavam os italianos, os japoneses e os brasileiros de várias regiões, de Brasília, Curitiba, Campo Grande, do interior de São Paulo e nós de Belo Horizonte. Estavam lá os dois irmãos do professor (ele era o filho do meio), seus parentes, algumas pessoas conhecidas como a Lúcia Zucchi e muitas outras pessoas da Montfort.

Por volta das 14 horas o professor foi levado até a Igreja de Nossa Senhora das Dores; cerca de 300 pessoas estiveram lá. Não sei o nome do Padre que rezou a Missa, sei que era um Padre da Diocese de São Paulo. Ele foi ajudado por sete acólitos, um ficou permanentemente ao lado do altar incensando. O caixão foi colocado nas escadas perto do altar e as coroas de flores foram depositadas ao lado. O Padre com os paramentos negros começou a Missa. Os cânticos foram bastante solenes e sóbrios, mas não tristes propriamente. No sermão o Padre ressaltou as virtudes do professor. Do que ele falou registro o seguinte: "O professor se encaixa no Evangelho todo, mas no Evangelho se encaixa de modo especial naquelas palavras: 'o zelo pela Casa do Senhor o consumiu' ".

O Padre também falou que o professor preparou muito bem os que foram confiados a ele; para provar eu poderia simplesmente dizer que praticamente todas as pessoas que lá estavam comungaram.

O Padre encomendou a alma do professor a Deus numa cerimônia muito bonita, com textos muito confortantes. Terminado tudo, foi cantado o Hino da Montfort, o esquife foi carregado para fora e o Hino repetido. Quem conhece o hino sabe que é impossível não se comover com ele e podem imaginar como ficou a igreja.

Pegaram os carros e em pouco tempo voltamos ao cemitério. O mausoléu da família do professor é um dos primeiros, logo na entrada. O Padre confortou todos com uma mensagem de esperança na Ressureição dos Mortos e o caixão foi colocado debaixo da lápide, não foi enterrado, foi "enflorado", já que as quinze coroas de flores cobriram completamente a estrutura de pedra. Vale dizer que a coroa encomendada pelo Frederico foi das mais elegantes.
Algumas orações, o Veni Creator Spiritus, a Salve Regina, algumas músicas da Montfort em português e francês e despedidas.

Muitas pessoas ficaram rezando perto do professor enquanto outras iam embora. Conversamos brevemente com o Guilherme Chenta que já nos havia contado como o professor tinha falecido: 

Eram por volta de 16:20h. Eles estavam no segundo andar da casa do Professor. Faltavam meros dez minutos para começarem a gravar a primeira aula do projeto Legado... a primeira aula depois de um longo intervalo. O Professor já estava sentado à mesa. Foi quando começou a sentir um aperto no peito e formigamento no braço esquerdo. Quando ele disse isso, logo perceberam que se tratava de um infarte. Era o terceiro e último infarte de sua vida.

Após relatar a dor no peito, o Professor encostou a cabeça na mesa. Pouco depois levantou-se, disse que aquilo não seria nada e deu alguns passos pela sala - provavelmente esperando recuperar o fôlego. Ainda de pé, percebendo a gravidade da situação, disse suas últimas palavras: "Doce Coração de Maria" e caiu. Foi amparado em sua queda pelo Guilherme. Houve um borbulhar em sua boca, um barulho como "de uma pessoa respirando debaixo d'água" e, passados dois minutos, o completo falecimento.

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Que Nosso Senhor Jesus Cristo, juntamente com Maria Santíssima, receba o Prof. Orlando Fedeli na Glória dos Céus, pois este lugar é destinado aos valentes, aos guerreiros, aos soldados de Cristo. Ofereçamos nossas orações à alma do Prof. Orlando; que ele descanse em paz.