31 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 31 de Março

Somente o Espírito Santo nos pode dar o conhecimento intimo e sobrenatural das virtudes de Jesus, e a esse conhecimento acrescenta uma aptidão especial para praticá-las, tornando-nos tão hábeis e capazes, de sorte que possamos crer que nascemos unicamente para isto.
Infunde-nos Ele um instinto divino, de maneira que essas virtudes se tornam, em sua prática, como que naturais, recebendo cada alma uma capacidade proporcionada à sua vocação.
A nós, adoradores, o Espírito Santo nos faz adorar em espírito e em verdade. Reza em nós e rezamos n’Ele, que é, antes de tudo, o Mestre da adoração. Foi Ele quem comunicou aos Apóstolos a força e a graça de orar, e é chamado – Espírito de súplica e oração.
Unamo-nos, pois a Ele que, a partir de Pentecostes, paira sobre a Igreja e habita em nós para nos ensinar a rezar, moldar-nos em Jesus Cristo, tornar-nos semelhante a Ele, afim de que possamos a Ele nos unir um dia na glória.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 156

156) É necessário ter dor de todos os pecados?
Sim. É necessário ter dor de todos os pecados mortais cometidos, sem exceção; e convém tê-la também dos veniais.

30 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 30 de Março

O Espírito Santo estabelece em nossa alma a união de sentimentos com Jesus, e, por esta operação, quando Jesus termina a sua vida sacramental em nós, aí permanece espiritualmente. O Espírito Santo prolonga assim a nossa Comunhão, conserva em nós a vida de Jesus.
Deixemos portanto que o Espírito Santo trabalhe em nossa alma, e nela forme Nosso Senhor. Deixemo-nos plasmar por suas mãos divinas, como cera mole que recebe todas as formas.
Preparemo-nos em união com Ele para a santa Comunhão; rezemos e façamos por meio d’ele a ação de graças. Querer dispensar este socorro é orgulho e presunção, pois não sabemos orar. Mas se chamamos o Espírito Santo em nosso auxílio, agradaremos ao Pai Celeste que poderá então, com verdadeiro prazer, dar-nos o seu divino Filho, sem temor de vê-lO mal recebido. Ao mesmo tempo proporcionaremos a Nosso Senhor uma grande felicidade porque, no seu único anelo de se dar a nós, gosta naturalmente de encontrar um cenáculo espaçoso e ricamente ornado. Daremos prazer, enfim, ao Espírito Santo, cuja glória é fecundar as almas com seu amor.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 155

155) O que é a dor imperfeita ou atrição?
A dor imperfeita, ou atrição é o pesar dos pecados cometidos, por causa do temor dos castigos eternos e temporais, e também por causa da fealdade do pecado.
São Jerônimo, em meio de suas mais austeras penitências, tremia com o pensamento da morte. Parecia-lhe já ouvir o som da trombeta, que chamará todos os homens diante de Deus, para Lhe prestarem contas de sua vida.
Realmente, sendo Deus justo, deve punir a injúria a Ele feita, tanto nesta vida, como na outra.
Quem dos pecados cometidos se arrepende só pelo receio do castigo ou por haver manchado sua alma, rebaixando-a ao nível dos irracionais e fazendo-a escrava do demônio, tem apenas atrição. O seu pesar nasce do medo e não do amor. Baseia-se em motivos interesseiros e não no amor de filho, que venera ternamente seu pai. É servo que teme a seu amo.
Essa dor imperfeita não nos obtém logo o perdão, mas precisa estar unida à absolvição sacramental, que se consegue pelo sacramento da Confissão.
As lágrimas da dor - diz S. Gregório Nazianzeno -, podem ser comparadas às águas do dilúvio: assim como estas afogaram todos os homens, aquelas submergem todos os pecados.

29 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 29 de Março

A alma justa é a morada e o templo do Espírito Santo, que nela reside não apenas por sua graça mas pessoalmente, e quanto mais a alma estiver livre de obstáculos, quanto maior o campo de ação que oferecer ao Espírito Santo, mais poderoso aí Ele se mostrará.
A pureza é necessária para que Ele habite em nós, pois que o Espírito Santo não se encontra nem opera, onde há pecado, porque então estariamos mortos e nossos membros paralizados, incapazes de prestar nossa cooperação, sempre necessária.
O Espírito Santo também não pode trabalhar com uma vontade indolente ou dominada por afeições desregradas. A presença do Espírito Santo se torna passiva, apesar de ser Ele uma chama que, subindo sempre, quer nos elevar consigo. Se tentamos detê-la, ela se extingue, ou melhor, o Espírito Santo em breve se afasta da alma assim paralizada e apegada à terra, pois não tardará a cair no pecado mortal.
O Espírito Santo, no dizer de São Bernardo, não suporta, na alma que Lhe pertence, a menor palha, e a consome o mais depressa possível.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 154

154) O que é a dor perfeita, ou contrição?
A dor perfeita, ou contrição é o pesar dos pecados cometidos, por que são ofensa a Deus nosso Pai, infinitamente bom e amável, e causa da paixão e morte de nosso Redentor, Jesus Cristo, Filho de Deus.
A dor dos pecados é o pesar profundo que sentimos, ao pensar na ofensa feita a Deus, nos castigos por eles merecidos e na mancha que eles imprimiram em nossa alma. Essa tristeza faz-nos odiar o pecado, com o firme propósito de nunca mais cometê-lo para o futuro.
Há duas espécies de dor: contrição e atrição.
A dor perfeita, ou contrição, é o pesar de haver ultrajado a Deus tão bom, e de ter sido causa da paixão e morte de Jesus. Este pesar, nascido do amor, é tão grato a Deus, que apaga instantâneamente o pecado, mesmo antes da confissão, restituindo-nos a amizade de Deus, o mérito das boas obras já feitas e o poder de ganhar outros para a vida eterna. Temos, no entanto, obrigação de confessar os pecados remitidos dessa maneira, embora tenhamos já obtido o perdão de Deus.
Excitemos em nós a contrição perfeita, olhando muitas vezes para Jesus Crucificado e pensando no seu grande amor por nós.

28 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 153

153) De quantas espécies é a dor?
A dor é de duas espécies: perfeita, ou contrição, e imperfeita, ou atrição.

Flores da Eucaristia - 28 de Março

A oração é por assim dizer a santidade, pelo menos em princípio, visto que é o canal de todas as graças.
Somos verdadeiros templos do Espírito Santo, e um templo é casa de oração.
Rezemos portanto sem cessar, mas em união com o divino Sacerdote desse templo, que oferece a Deus Pai, sobre o altar de nosso coração, o sacrifício de nossos pensamentos e louvores, apresenta-Lhe as nossas necessidades, nossas misérias, e esta oração, que é a do próprio Jesus em nós, unida à nossa, faz com que esta se torne onipotente.
Os métodos de oração podem nos ser apontados, mas sómente o Espírito Santo nos infunde a unção e a felicidade da oração.
É necessário que Ele penetre em todos os recantos de nosso coração, afim de torná-lo feliz.
Rezemos, sim, com o Espírito Santo, e Ele nos ensinará toda a verdade. Assim é que o amor dos apóstolos sómente foi perfeito quando receberam o Espírito Santo.

27 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 152

152) Que é a dor?
A dor ou arrependimento é o desgôsto e a aversão pelos pecados cometidos, que nos leva a fazer o própósito de nunca mais pecar.
Quando Jesus foi traído por Judas no Hôrto das oliveiras, Pedro e os outros Apóstolos fugiram assustados. Pedro voltou depois e foi seguindo de longe a Jesus, penetrando de mansinho no pátio da casa dos Pontífices. Aí ficou ao lado de uma fogueira, pois fazia muito frio.
"E, entretanto, estando Pedro em baixo no pátio, chegou uma das criadas do Sumo Sacerdote; e vendo Pedro que se aquecia, encarando nele disse: Tu também estavas com Jesus Nazareno. Mas ele negou, dizendo: Nem o conheço, nem sei o que dizes. E saiu fora para a entrada do pátio, e o galo cantou. E, tendo-o visto outra vez a criada, começou a dizer aos que estavam presentes: Este é daqueles. Mas ele o negou de novo.
E, pouco depois, os que ali estavam diziam a Pedro: Verdadeiramente tu és um deles, porque és também galileu. E ele começou a imprecar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais. E, imediatamente cantou o galo segunda vez. E Pedro recordou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes. E começou a chorar" (Marcos, 14, 66-72).
A dor é um vivo aborrecimento, é um pranto do coração por haver ofendido a Jesus. É necessária a todas as confissões, pois sem arrependimento não pode haver remissão dos pecados.
Narra uma graciosa lenda oriental, que um dia desejou Deus conhecer o que havia de mais lindo na Terra e mandou um anjo procurá-la.O anjo voou pelo universo inteiro, esmiuçou todas as facetas da vida e, finalmente, voltou para junto de Deus, dizendo-lhe: "Nada há mais belo na Terra do que as lágrimas do arrependimento".

Flores da Eucaristia - 27 de Março

É verdade de fé que sem o Espírito Santo não somos capazes de um só pensamento sobrenatural. Podemos, sem o seu auxílio, ter bons pensamentos naturais, razoáveis, honestos. Mas, que vale isto?
O pensamento que o Espírito Santo nos inspira é, a princípio, débil, pequenino, desenvolvendo-se e se expandindo na ação e no sacrifício. Ao se apresentarem esses pensamentos sobrenaturais, devemos abraçá-los sem hesitar; devemos mesmo permanecer atentos à graça, recolhidos em nosso interior, esperando essas inspirações divinas. É necessário que escutemos o Espírito Santo e permaneçamos recolhidos durante as suas operações.
Poder-se-ia objetar que se todos os nossos pensamentos sobrenaturais procedem do Espírito Santo, então nos tornamos infalíveis. A resposta é que, por nós mesmos, somos sujeitos ao erro, mas quando nos firmarmos na graça que nos é própria, seguindo a luz que o Espírito Santo nos oferece, estamos, fora de duvida, na verdade, e na verdade divina.

26 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 151

151) Como se faz o exame de consciência?
Faz-se o exame de consciência trazendo à memória os pecados cometidos, a partir da última confissão bem feita.
"Qual é a mulher, que tendo dez dracmas, e perdendo uma, não acende a candeia e não varre a casa e não procura diligentemente até que a encontre? E que, depois de a achar, não convoque as amigas e vizinhas, dizendo: Congratulai-vos comigo, porque encontrei a dracma que tinha perdido"? (Lucas, 15, 8-10).
A dracma era uma moeda corrente na Judéia. A solicitude da dona de casa, apresentada na parábola do Evangelho a procurar a moeda em todos os ângulos dos quartos e das salas, é um excelente convite à nossa alma. Devemos examinar atentamente nossa consciência antes de nos aproximarmos da santa confissão.
Não é possível detestar e confessar um mal sem conhecê-lo. Ao passo que, o seu conhecimento, leva-nos à detestação e ao desejo de nos libertarmos dele quanto antes.
O exame de consciência é, por conseguinte, a indagação atenta e cuidadosa dos pecados cometidos por pensamentos, palavras, obras e omissões, desde a última confissão bem feita. Quando fores confessar, olha para Jesus Crucificado e pede-lhe que te ajude a conhecer os teus pecados, assim como os conhecerás no dia do Juizo.
Pensa depois nos Mandamentos de Deus e da Igreja, nos teus deveres de estado e examina, sem precipitação e sem ansiedade, como e quantas vezes os transgrediste e descuraste. Assim preparado, dirigi-te piedosamente ao confessionário.
Na parábola "o fariseu e o publicano", temos uma perfeita idéia da contrição.
É mister na oração a sincera humildade,
por que tenha valor, para que a Deus agrade.
O fariseu perdeu-se em soberba e vanglórias
os homens desprezando, e amando a ostentação.
O publicano, ao longe, humilha-se, contrito;
num excesso de dor essa alma penitente
a culpa reconhece e num sincero grito
pede misericórdia ao Deus Onipotente,
e como pecador, reconhece o pecado.
Nada falta, é completa aquela contrição;
não ousava chegar-se a Deus, e é perdoado,
pois que Deus vem a ele em bênçãos de perdão.
(Maroquinha Jacobina Rabello: "Parábolas").

Flores da Eucaristia - 26 de Março

Mercê de nossa condição de filhos de Deus, o Espírito Santo habita e permanece em nós, com a missão divina de formar o novo homem, Jesus Cristo, inculcando-nos suas virtudes, seu espírito, sua vida, em uma palavra, com a missão de fazer outros Cristos.
Mas, se o Espírito Santo em nós é Mestre, Educador, Santificador, é mister escutá-LO, colocar-nos à sua disposição colaborar em seu trabalho de transformar Adão em Cristo.
Daí resulta que o recolhimento em Deus, presente em nossa alma, é de toda necessidade, pois essa transformação em Jesus se faz gradualmente, e deve ser constante, sem interrupção. Pratica-se facilmente um ato de virtude, mas para adquirir-lhe o hábito, impõe-se um trabalho contínuo. E como as ocasiões, principalmente as grandes ocasiões de praticar exteriormente a virtude são raras, o amor da virtude se extinguiria depressa na alma, se o seu único alimento fossem os atos exteriores.
O amor faz a virtude viver no intimo da alma.
E é um dos graus de recolhimento concentrar-se na graça do Espírito Santo, no amor da virtude que ele inspira à alma.

25 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 25 de Março

Cultivemos a vida de união com Nosso Senhor; sejamos dóceis à sua direção, submissos à sua vontade, deixemo-nos guiar por seus pensamentos, procurando agir segundo a sua inspiração e oferecendo-Lhe todas as nossas ações, assim como a natureza humana era submissa, unida, obediente à Pessoa do Verbo, que a governava, e como Jesus Cristo, era totalmente submisso ao Pai.
Isto requer, todavia que a união seja uma união de vida, recebida, renovada, entretida por uma contínua comunicação com Jesus. É mister que, a semelhança do ramo da árvore, sejamos dilatados e aquecidos pelo sol, para que a seiva divina nos penetre inteiramente.
Ora, o sol que prepara e que infunde a seiva divina, que nos dispõe a recebê-la e a entretém, é o recolhimento, o desejo, a oração; é o dom de si, praticado em todos os instantes, é o amor a suspirar de contínuo por Jesus, e a todo momento lançando-se ao seu encontro: “Veni Domine Jesu, veni!”
E a seiva não é outra senão o Sangue de Jesus, que nos transmite a sua própria vida, a sua fecundidade e a força divina.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 150

150) Quantas e quais são as coisas necessárias para fazer uma boa confissão?
Para fazer uma boa confissão cinco são as coisas necessárias: 1ª exame de consciência; 2ª dor dos pecados; 3ª propósito de nunca mais pecar; 4ª confissão; 5ª satisfação, ou penitência.
Esta é a mais bela parábola da misericórdia: "Um homem tinha dois filhos; ora, o menor disse ao pai: "Pai, dá-me a parte dos bens que me toca". O pai dividiu então o patrimônio entre os dois filhos, e o mais moço, seguindo para um país distante, aí esbanjou todos os seus bens, vivendo dissolutamente.
Nada mais possuindo, e tendo havido naquele país uma grande carestia, começou ele a sentir as conseqüências da miséria. Foi ter com um fazendeiro que o mandou guardar porcos. O pobre jovem, a morrer de fome, pensou em voltar à casa paterna. Levantou-se e foi à procura de seu pai. Este, mal o avistou ao longo da estrada, correu a seu encontro, abraçando-o e beijando-o com saudade. Disse-lhe o filho: "Pai, pequei contra o céu e contra ti, não sou mais digno de ser chamado teu filho". Mas o pai deu ordens aos criados: "Ide depressa buscar o vestido mais precioso e vesti-lho; metei-lhe um anel no dedo e os sapatos nos pés; trazei também um vitelo gordo e matai-o, para fazermos um grande banquete, porque este meu filho estava morto e ressuscitou, estava perdido e foi encontrado"" (Lucas 15).
Eis que voltando a si, escutando a consciência,
arrependido já, murmura ele num ai:
"alimentam-se à farta os servos de meu pai
enquanto que eu, seu filho, aqui estou na indigência.
Levantar-me-ei, a ele eu direi num gemido:
eu pequei contra o Céu, feri teu coração..."
Foi. E ao encontro, o pai cheio de compaixão,
nos braços cai-lhe e beija o filho arrependido.
(Maroquinha Jacobina Rabello: "Parábolas").

24 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 24 de Março

Ide ao vosso bom Mestre mais pelo dom de vós mesmo do que pelo trabalho, mais pelo amor que pelas virtudes, mais pelo recolhimento do que pela atividade. Numa palavra, concentrai-vos em Deus e estareis em vosso centro divino. Tudo o mais é para alma um labor penoso e difícil, porque lhe exige muito trabalho; aqui, porém, é Deus quem trabalha nela, é o orvalho celeste que a penetra com suavidade. Cumpre-lhe então ir a Deus sem detença e pelo caminho mais curto, procurando sempre duplicar as forças.
Amai, portanto o silêncio, a solidão da alma; é o santuário de Deus, onde Ele enuncia seus oráculos de amor. Aprendereis aí, em pouco tempo e sem dificuldade, a conhecer Deus em sua luz, gozar d’Ele na essência de sua bondade e a imitá-LO em seu espírito de amor.
E nesta escola, a alma está sempre a recomeçar, porque tem que sempre diante de si uma verdade nova, á medida que vai penetrando nas profundezas da ciência e da virtude de Deus.
Oh! Fazei esta oração de silêncio, de contemplação, de união a N. Senhor – é o único centro de vida verdadeiro.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 149

149) Que é a penitência?
A penitência ou Confissão é o sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo para perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.
No tempo em que Jesus viveu, havia em Jerusalém, ao lado da porta das ovelhas, uma piscina miraculosa. O anjo do Senhor a ela descia de vez em quando e agitava-lhe as águas. O primeiro doente que nela mergulhava após o movimento das águas era curado.
Uma infinidade de pobres enfermos detinha-se quase constantemente sob os pórticos desse recinto. Entre esses, ocorreu a Jesus encontrar um, que há trinta e oito anos espereva pela sua vez. Quando as águas se movimentavam, algum enfermo mais ágil imergia-se na piscina e saía dela curado. Movido de piedade, Jesus disse-lhe: "Levanta-te, toma o teu leito e anda. E no mesmo instante, ficou são aquele homem, e tomou o seu leito e começou a andar" (João, 5,8-9). A piscina milagrosa era símbolo da santa Confissão, que, como água prodigiosa, cura nossa alma da enfermidade do pecado.
Somos tão fracos na prática do bem e vivemos num mundo cheio de insídias e perigos.
Por isso é-nos muito fácil perder a graça de Deus. Eis o motivo pelo qual Jesus, que como Deus tem o poder de perdoar os pecados, instituiu o sacramento do perdão, a fim de nos dispensar os segredos de sua misericórdia. Transmitiu aos Apóstolos, de modo verdadeiramente solene, essa mesma autoridade que Ele recebera do Pai Eterno, de modo que pudessem perdoar os pecados cometidos depois do Batismo.
Foram assim os Apóstolos e os sacerdotes constituídos ministros do divino perdão.
"O Senhor só espera ouvir a tua voz, não para punir-te, mas para perdoar-te" (Santo Ambrósio).

23 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 23 de Março

Aprendei a prestar conta minuciosa de vossa alma, de vossa vida, a Nosso Senhor. Manifestai-Lhe todos os vossos pensamentos, desejos e tristezas. Conservai com Nosso Senhor, simples e singelamente, como se Ele fosse outro vós mesmo. Portai-vos qual filho amoroso, todo abandono ao divino Mestre.
Mas, nesse trabalho de amor, não faleis sempre; ficai algumas vezes em silêncio junto a Jesus, alegrai-vos em vê-LO, em fitar n’Ele os vossos olhos, em ouvi-LO, em repousar aos seus pés. A palavra genuína de amor é antes interior do que exterior.
Adormecei a miúdo no Coração de Jesus, como São João. Que belas coisas aprendemos nesse sono suave do silêncio interior! Que despertar corajoso em seguida!
Se não vos puderdes concentrar devido a muita dissipação, visto que a atividade nos leva sempre a exteriorizar-nos, que fazer então? Colher docemente a imaginação a atividade do espírito, a inquietação do coração, e entregá-las, uma após outra, a Nosso Senhor; aprende-las nas malhas de sua santa Vontade, e tudo sem violência, sem ruído sem comoção, como se faz para apanhar os peixinhos. E a pesca, então, será milagrosa.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 148

148) Somos obrigados a ouvir Missa?
Sim. Somos obrigados a ouvir Misa inteira nos domingos e dias santos de guarda.
A Santa Missa é o mais augusto ato, o mais santo, o mais belo da Sagrada Liturgia, e, por conseguinte, o centro de todo o culto católico. Jesus continua todos os dias e inúmeras vezes por dia, a oferecer-se sobre o altar ao Pai Eterno, como vítima pela humanidade. "Por Ele, com Ele e n'Ele nós adoramos, agradecemos, reparamos e impetramos todas as graças de que necessitamos para nós e para o nosso próximo".
Na Santa Missa Jesus roga por nós e sua oração é infalível. É por isso que a Santa Igreja obriga seus filhos a assistirem à Missa inteira aos domingos e festas de guarda. E, haverá porventura, um ato de religião mais sublime, com o qual possamos "santificar as festas"?
Todos os dias, mas principalmente aos domingos, badalam festivamente os sinos, convidando os fiéis à igreja, em cujo recinto se vão celebrar os mais augustos mistérios da Religião Católica, ao passo que a alma se põe em contato com as coisas espirituais, eternas e divinas para as quais foi criada. É na igreja que a alma se sente um membro vivo da Igreja universal, aí, mais do que em qualquer outro lugar, pois, toma parte no Sagrado Banquete, recebendo Cristo em sua alma e rememorando sua Sagrada Paixão. A voz do sino é voz de vida, de alegria e de devoto recolhimento. Muitos a escutam. Quantos, porém, a seguem?
Que mistério tem a voz do campanário
Nas horas de languor do término do dia,
Quando de lá da ermida, em sítio solitário,
Atira para o val os sons da "Ave Maria!"
Aquela voz suave,
Monótona e grave,
Acorda inspiração;
Blão... blão... blão... blão...
(D. Augusto, Cardeal-Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil)

22 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 22 de Março

Sem o hábito da presença de Deus, a vaidade domina o espírito, que então se dissipa e voa de um lado para o outro como o inseto e a borboleta, enquanto o coração procura as consolações piedosas, porém humanas, e a vontade se entrega à preguiça e as antipatias naturais.
Essa presença é necessária principalmente contra a irritação resultante do combate em prol da virtude, bem como contra as antipatias.
É’ impossível ficar sempre no campo de batalha, a alma tem necessidade de repousar em Deus.
Adquire-se o hábito da presença de Deus gradualmente, começando pelo mais fácil, que é o oferecimento das ações, a repetição freqüente de aspirações e impulsos de amor, segundo um certo mecanismo; recolher-se e fixar-se em Deus, por exemplo, em determinados momentos e lugares, prestando-Lhe conta do proceder, como um filho à sua mãe. E para que tudo isto não se assemelhe à fumaça que se perde no ar, é conveniente prescrever e observar fielmente uma sanção exterior e corporal contra as infrações.
Nesta prática damos á Deus a nossa pessoa, e toda a nossa vida. É o nosso próprio eu que se perde em Nosso Senhor.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 147 - 2ª Parte

147) Que é a Santa Missa?
IIª parte: A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, debaixo das espécies do pão e do vinho, é a Deus oferecido pelo sacerdote no altar, em memória e renovação do sacrifício da cruz.
Jesus é o Sacerdote e a Vítima da humanidade. Ele realizou o ato sacerdotal por excelência no calvário, onde se ofereceu ao Pai Eterno como Vítima pela redenção de todos. Mas para que a "oblação pura" conforme a profecia de Malaquias, fôsse universal e perenemente renovada em todas as partes do mundo, o Redentor perpetuou o sacrifício cruento da cruz no sacrifício incruento da Santa Missa.
Jesus celebrou a primeira Santa Missa na última Ceia ao dizer: "Isto é o meu Corpo que é dado por vós.Este é o meu Sangue que será derramado em remissão dos pecados".
No mesmo momento em que consagrava pela primeira vez, oferecia ao Pai Eterno, debaixo das espécies de pão e de vinho, o sacrifício do seu Corpo e do seu Sangue preciosíssimos, antecipando, sem derramamento de sangue, a imolação do Calvário.
Como é expressiva a pintura de Catani, pormenor do quadro: "O Sagrado Coração", que se venera na igreja do mesmo nome, em Roma. O Sacerdote - Mediador entre o povo e Deus - em adoração, levanta ao céu o Corpo e o Sangue de Cristo, a "Oblação pura" prenunciada pelo profeta. Ao lado do Sacerdote está um anjo. Também, este, com a Divina Vítima, oferece ao Pai Eterno os sacrifícios e as súplicas dos fiéis, significados pelas flores e pelas chamas. É a oferta unânime e espontânea, assumindo aquele caráter social, tão bem expresso na Sagrada Liturgia: "Oferecemos-Vos , ó Senhor, a Hóstia pura, a Hóstia santa, a Hóstia imaculada, o Pão santo da vida eterna e o Cálice da perpétua salvação, suplicando à vossa clemência que subam, em odor suavíssimo, à presença de vossa divina majestade pela nossa salvação e pela de todo o mundo".

21 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 147 - 1ª Parte

147) Que é a Santa Missa?
1ª parte: A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo.
Todos os povos, desde a mais remota antiguidade, ofereciam a Deus os seus sacrifícios. Esta prática foi colocada no coração do homem pelo próprio Deus. Quem não se lembra, já na aurora da humanidade, das ofertas de Abel, dos sacrifícios de Noé e de Abraão, este, pronto a imolar até seu único filho? Dentre todos, foi singular e importantissimo o sacrifício de Melquisedec. Personagem misteriosa: rei e sacerdote ao mesmo tempo, rei de paz e de justiça, "sacerdote de Deus Altíssimo, sem pai, sem mãe, sem genealogia". Perfeita figura de Cristo, que é chamado "Sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedec".
Quando voltava Abraão vitorioso da batalha contra os reis, trazendo livre o sobrinho Lot, Melquisedec foi-lhe ao encontro, bendizendo-o e, em agradecimento, ofereceu a Deus ali mesmo no campo de combate uma oblação de pão e de vinho. Era a mais evidente figura do sacrifício eucaristico, no qual Cristo oferece ao Eterno Pai o seu Corpo e o seu Sangue preciosíssimo, debaixo das espécies de pão e de vinho.
É o sacrifício uma oferta feita a Deus de uma coisa sensível, que se destrói ou se imola, para se professar que Ele é o Criador e o Senhor supremo de todas as coisas.
Os incontáveis sacrifícios da Antiga Lei, cruentos e incruentos, não eram senão a figura e a promessa do sacrifício eucarístico. O profeta Malaquias anunciara claramente: "O meu afeto não está em vós, diz o Senhor dos exércitos, nem eu aceitarei oferenda alguma das vossas mãos. Porque desde o nascer do sol até o poente, o meu nome é grande entre as nações e em todo o lugar se sacrifica e se oferece ao meu nome uma oblação pura" (Malaquias, 1, 10-11).
Qual é essa oblação pura que universal e incessantemente é oferecida ao Senhor dos exércitos? É, sem dúvida, o Sacrifício Eucarístico, o Sacrifício da Missa.

Flores da Eucaristia - 21 de Março

O recolhimento é o inicio do paraíso, e da mesma sorte que não se entra no céu sem ter sofrido, assim acontece com o recolhimento que se define: a vida em Deus, a vida com Deus, em resumo, a vida do céu.
Trabalhai primeiramente por conseguir o recolhimento de intenção, depois o de afeição, e aproximai-vos, quanto vos for possível, da pratica da presença habitual de Deus.
Acautelai-vos contra a dissipação do espírito, muito prejudicial ao coração. O espírito que volteia por toda a parte distraindo-se com toda e qualquer coisa, preocupando-se com mil ninharias, deixa o coração vazio, não o alimenta mais com bons pensamentos, a memória não lhe sugere mais a presença de Deus, a imaginação se diverte, e dissipa o espírito com suas loucas invenções.
É necessário, porém trabalhar por obter o santo recolhimento, vivendo da lei de Deus, de sua verdade, dos dons de sua bondade, dos testemunhos incessantes de seu amor, e procurar construir habitação e centro de vida em Deus, afim de que o espírito de Nosso Senhor se apodere do vosso e seja a luz, a alegria, e a vida de vosso coração.

20 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 146 - 2ª Parte

146) É bom e útil comungar freqüentemente?
IIª parte: Sim, é ótimo e utilíssimo comungar freqüentemente, e mesmo todos os dias, contanto que isto sempre se faça com as devidas disposições.
Deus cumulou de bençãos a família de Tobias. Enviou o arcanjo S. Rafael para acompanhar o jovem desde a cidade de Nínive até Ragés, na Média.
"Como havemos de retribuir as gentilezas deste santo homem?" perguntavam-se pai e filho, com a alma transbordante de gratidão. E ter-lhe-iam dado, se fôsse possível, a metade de seus bens. Mas o arcanjo retrucou-lhes: "Bendizei o Deus do Céu e cantai os seus louvores diante de todos, porque Ele usou de misericórdia para conosco". E revelando-lhes seu nome e sua missão, voltou para Aquele que o enviara. Os dois Tobias, tomados de espanto, caíram por terra e ficaram prostrados durante três horas agradecendo e bendizendo a Deus.
Na comunhão não é um mensageiro celeste que vem a nós, mas o próprio Deus, com sua infinita majestade, o Criador do Céu e da terra, o nosso Redentor. É necessário recebê-lo com as devidas disposições, para que sua visita nos seja frutuosa. As disposições necessárias são a graça de Deus e a reta intenção, evitando-se tanto a vanglória como a leviandade na preparação e na ação de graças. A alma que vai receber ou já recebeu o Filho de Deus em seu coração, deve sentir necessidade de se recolher e de cantar-Lhe os mais ternos hinos de gratidão e de amor.
"Nós Vos louvamos, Vos bendizemos, Vos glorificamos... Senhor Deus, Rei dos Céus... Cordeiro de Deus, Filho do Pai" (Liturgia).

Flores da Eucaristia - 20 de Março

O recolhimento perfeito consiste em permanecer no amor de Nosso Senhor.
Será isso difícil, custoso de atingir? Tudo depende do amor que houver no coração. Quando o amor de Jesus Cristo se tornou um pensamento habitual, doce e forte, quando ele constitui a divina paixão de nossos desejos, quando o coração se sente sem Jesus, infeliz com sua ausência, e se rejubila só em pensar n’Ele, permanecemos no amor de Jesus.
O essencial, então, é entreter esse amor com todos os atos que compõem a vida, tornar habitual a afeição, e constante o olhar sobre Jesus.
Finalmente, a felicidade de se recolher, a paz e suavidade experimentadas no recolhimento, são a prova divina de que a alma possui a Jesus e permanece em seu amor.
“Manete in dilectione mea”. Que Nosso Senhor nos conceda esse amor; será a nossa santidade e a nossa felicidade nesta vida e na outra.

19 de março de 2010

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 146 - 1ª Parte

146) É bom e útil comungar freqüentemente?
1ª parte: É ótimo e utilíssimo comungar freqüentemente, até todos os dias.
Perseguido pela ímpia rainha Jezabel, fugiu o profeta Elias para o deserto, caminhando um dia inteiro sem descansar. Exausto e sem esperança, encostou-se aos pés de um junípero, pediu a Deus que lhe cortasse a vida e depois adormeceu. Sentiu, de repente, que alguém o tocava. Era o anjo do Senhor que, apresentando-lhe um pão cozido sob a cinza e um vaso com água, dizia-lhe: "Levanta-te e come". O profeta comeu, bebeu, e depois adormeceu novamente. Mas o anjo voltou a acordá-lo e disse-lhe: "Levanta-te e come, pois ainda te resta um longo caminho para percorrer".
Fortificado por esse alimento, o profeta caminhou duramente quarenta dias e quarenta noites, até o monte de Deus chamado Horeb.
O pão miraculoso que restaurou em Elias a coragem e a força, é uma figura da Santa Eucaristia. Ela é o verdadeiro pão dos anjos, que nos dá força para atravessar contentes o fatigante deserto da vida, até sermos admitidos à visão beatífica de Deus no Céu. Nosso Senhor Jesus intituiu a Eucaristia debaixo das espécies de pão e de vinho, para nos dar a entender que, assim como nos nutrimos todos os dias com pão, assim também devemos sempre nos nutrir com a Eucaristia. "É desejo ardente de Deus e da Igreja - escreve o Santo Padre Pio X - que todos os cristãos se aproximem cotidianamente da sagrada mesa". Este desejo tem em mira, principalmente, que os fiéis, unindo-se a Deus por meio deste Sacramento, adquiram forças para dominar suas más inclinações, cancelar os pecados leves e premunir-se contra os pecados graves. A comunhão cotidiana ou, pelo menos, freqüente, é o grande segredo da santidade. "O que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia" (João, 6,55).

Flores da Eucaristia - 19 de Março

Que o vosso recolhimento seja mais no coração que no espírito.
Prestai atenção a Jesus no vosso interior, como procedereis para com um hóspede amigo, amado, soberano; não O deixeis a sós por muito tempo. Dirigi-Lhe de vez em quando uma pequena palavra, no meio de vossas ocupações – oferecei-Lhe um ramalhete de amor – não deixe que o fogo divino se amorteça; entretêm cuidadosamente o foco, pela união com Deus, pela oferta habitual de tudo o que se vos apresenta, e principalmente de vossos pequeninos sacrifícios diários.
Desempenhe generosamente todos os vossos deveres de estado e tudo o que exige a vossa posição social; as pequeninas gotas d’água acabam por encher o copo, e, muitas vezes, formam um riacho, um rio.
Transformai tudo em combustível, pois que, como diz o Apóstolo, tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus.
Jesus, vosso bom Mestre, sentirá prazer então em ficar convosco e vos atenderá com a glória.

18 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 18 de Março

Qual o meio de adquirir e conservar o santo recolhimento?
Começai fechando as portas e janelas de vossa alma. Recolher-se, é fugir do exterior para o interior, em Deus; fazer um ato de recolhimento é colocar-se inteiramente à disposição de Deus; ter espírito de recolhimento é nele se comprazer.
O recolhimento, porém, não se limita a viver pela graça; pede um centro divino.
É’ em Jesus, e em Jesus infinitamente bom e amável, que deveis estabelecer o centro de vida do recolhimento, porque n’Ele encontrareis a completa liberdade, a verdade sem nuvens, a santidade em sua fonte.
É a vós, que desejais viver da Eucaristia, que Jesus Cristo diz em particular: "Quem come a minha Carne e bebe o Meu Sangue, permanece em Mim e Eu nele". Eis, portanto, o poder e a força do santo recolhimento: esta habitação mútua, esta sociedade divino-humana que se estabelece na alma, no interior, com Jesus Cristo, presente por seu Espírito.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 145

145) Em que idade começa a obrigação da comunhão pascal?
A obrigação da comunhão pascal começa, de ordinário, cerca dos sete anos.
S. Luis de Gonzaga distinguiu-se, desde tenra idade, por grande piedade e zelo ardente na prática da virtude. Diante do altar da Virgem da Anunciação, na cidade de Florença (Itália), emitiu o voto de castidade. Desejava ardentemente viver na Terra como vivem os anjos no Céu. Para isso sentia necessidade de se nutrir com o pão Eucarístico. Naquela época, só aos quatorze anos era permitido aproximar-se da mesa eucarística. S. Luís, porém, não pode esperar tanto assim. Aprouve ao Senhor que aquela alma privilegiada se encontrasse com o santo cardeal de Milão, São Carlos Borromeu, que lhe permitiu fizesse a Primeira Comunhão aos doze anos. Foi a heresia de Jansênio que implantou esse respeito mal compreendido, não deixando as crianças aproximar-se da comunhão. Mas o Santo Padre Pio X, em 1910, pôs termo a tantos males, estabelecendo que, assim que a criança começar a raciocinar, poderá confessar-se e comungar, isto é, mais ou menos aos 7 anos. E, com efeito, nessa ocasião, a criança já é capaz de aprender as principais verdades da fé e distinquir o pão eucarístico do pão comum. Deste modo, receberá a comunhão com verdadeira piedade.
"Teremos assim crianças santas", exclamou Pio X, depois do Decreto. E a profecia se vai realizando plenamente. Quantas crianças, verdadeiros serafins da Eucarístia, vêm perfumando os altares do Senhor!
"Deixai vir a mim os meninos e não os embaraceis, porque destes tais é o reino de Deus" (Marcos, 10,14).

17 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 17 de Março

A virtude característica e dominante de um adorador deve ser o recolhimento, pelo qual dirige e governa os sentidos e a alma, sob o olhar de Deus e impelido pela graça.
Os diversos estados de vida têm o seu cunho especial e condição própria de felicidade; alguns a encontram na penitência, outros no silêncio, e outros ainda, no zelo. Para os adoradores é o santo recolhimento em Deus, como a criancinha, que somente é feliz no seio da família querida, e como o eleito no céu, no seio de Deus.
A alma recolhida é semelhante ao piloto que com o seu pequeno leme dirige á vontade um grande barco; é também qual superfície de uma água calma e cristalina que Deus, como um espelho, se contempla com delícias; é ainda, por assim dizer, uma lamina de prata em que Deus se revê no esplendor de sua própria luz, que se reflete tão bem na alma recolhida aos seus pés!
Oh! Que felicidade a desta alma bem amada, pois não perde uma só palavra de Deus, o mais suave influxo de sua voz, nenhum de seus olhares!

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 144

144) Há obrigação de receber a santa comunhão?
Sim. Há obrigação de receber a comunhão todos os anos pela Páscoa, e em perigo de morte, como viático.
S. Jerônimo, o doutor das Sagradas Escrituras, depois de uma vida consumida no estudo, na solidão e na mais áspera penitência, sentindo aproximar-se o seu fim, pediu que o conduzessem a uma igreja próxima de seu êrmo, para receber a última comunhão.
Observemos como o pintor Domenichino o retratou: alquebrado pelos anos e pela extrema fraqueza, não pode mais conduzir-se a si mesmo. Porém o olhar com o qual contempla a santa Hóstia, bem demonstra a sua fé e o seu amor. Tentando levantar os braços cansados, parece dizer: Vem, Senhor Jesus. Dentro de poucas horas, libertado deste corpo mortal, contemplar-te-ei, não mais sob os véus eucarísticos, mas no perfeito esplendor de tua glória!
A Eucaristia é o alimento da alma. Embora não determinando quantas vezes dela nos devamos aproximar, Nosso Senhor Jesus Cristo nos impôs esta obrigação, sob pena de sermos excluídos da vida eterna: "Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós" (João, 6,54).
Interpretando os desejos de Jesus, comungavam os primeiros cristãos todas as vezes que assistiam à santa Missa. Com o correr dos tempos, havendo-se notado um arrefecimento na piedade Cristã, a Igreja estabeleceu que "todo fiel, tendo chegado ao uso da razão, deve ao menos uma vez por ano, pela Páscoa da Ressurreição, receber a Eucaristia". Esta obrigação estende-se também a quem estiver em perigo de morte, seja qual for a sua causa.
A Comunhão é um dom inefável! Jesus Eucarístico é força, luz e vida de quem trabalha e luta; sustentáculo e alegria de quem está para transpor o limiar da eternidade.
Se é importante começar a vida com Jesus, não o é menos encerrá-la com o santo Viático, alimento misterioso, que sustenta o moribundo e lhe abre as portas do paraíso.

16 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 16 de Março

Se o vosso trabalho, na oração, tem por fim desarraigar um pecado do coração é necessário que lhe retireis de dentro o ídolo, mudando-lhe a afeição, desviando-o de seu atrativo.
O coração é todo afeto, dá-se instintivamente; é a sede do amor, é dominado por ele, e procede por simpatia.
Tende, portanto o cuidado de não lhe retirar o que aprecia, sem lhe oferecer outro objeto de amor, mais belo, mais digno, mais amável que o primeiro, pois que ele não pode ficar vazio.
Retirai-lhe o mundo, mas dai-lhe Deus; é de sua natureza, de sua essência, apegar-se, amar, e se o deixais vazio e solitário, voltar-se-á sem demora para o seu primeiro amor.
Dê-lhe Deus, o amor dos amores, Jesus Cristo, seu Salvador infinitamente bom e amável.
O coração é tão sensível e delicado, quanto o corpo é cego e grosseiro. Tende piedade do coração, trata-o com doçura.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 143

143) Qual é o jejum que se requer antes da comunhão?
Antes da comunhão requer-se o jejum natural, isto é, total, que se quebra com qualquer coisa que se tome por modo de comida ou de bebida, com exceção da água natural.
É lindo este quadro de Guercino! A alma cristã contempla extasiada a SSma. Eucaristia - pão de vida eterna, capaz, só ele, de saciar o seu ardente desejo de Deus. Recebendo essa luz de paraíso irradiada pela divina Hóstia, ela esquece todos os sofrimentos, todos os atrativos humanos, recupera suas energias e depois adora Jesus Hóstia, seu Deus todo-poderoso. Como o incenso ao se consumir, envolve o altar de nuvens olorosas, assim a alma dá-se toda a Deus, por seu amor se sacrifica e a Ele se imola em holocausto.
A Comunhão aumenta na alma a graça santificante, purifica-a, une-a a Deus, que se torna para ela um penhor de vida eterna. Mas é preciso que d'Ele se aproxime a alma em estado de graça. Infeliz de quem recebesse a comunhão em pecado mortal! "Porque aquele que o come e bebe indignamente - diz S. Paulo - come e bebe para si a condenação (1ª Coríntios, 11,29).
A Eucaristia é o mais augusto dos Sacramentos. Nos outros recebe-se a graça, na Eucaristia recebe-se o próprio Autor da graça. Pelo respeito devido à Eucaristia, a Igreja estabeleceu o jejum eucarístico, nestes últimos tempos grandemente suavizado pelo Santo Padre.
Em um de seus mais belos hinos eucarísticos, Sto. Tomás diz: "Eis o Pão dos anjos, feito alimento dos viandantes, verdadeiro pão dos filhos (de Deus), que não deve ser jogado aos cães (a quem é indigno)!"

15 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 15 de Março

Dareis prazer a Nosso Senhor falando-Lhe d’Ele mesmo na oração, ocupando-vos um pouco de seus interesses; sensibilizará assim o seu Coração, como o único dentre os dez leprosos que voltou para Lhe agradecer a cura.
Jesus o elogiou por ter rendido graças a Deus. Este pobre leproso é um exemplo do amor positivo na oração.
Vede quanto Nosso Senhor dele se agrada e, a seu exemplo, glorificai a Deus!
Deixe que Jesus, quando quiser, vos ofereça o método negativo, apontando as vossas misérias e fazendo-vos mergulhar em vosso nada; ou lançai mão deste método nas horas de fadiga, de impossibilidade absoluta, em que o espírito não sente força para se elevar ao ponto em que a verdade pura se descortina, em que se contempla a Deus, e onde tudo se vê através do prisma divino. Perdereis assim, menos tempo na oração, e serão mais delicados para com Deus, prestando-Lhe mais nobremente os deveres de amizade. E serão menos egoístas, porquanto muitas almas jamais dirigem a Nosso Senhor uma palavra sobre Ele mesmo, O saúdam; não Lhe sabem prestar a devida homenagem, e se ocupam tão somente a devida homenagem, e se ocupam não somente de suas próprias necessidades, limitando-se a pedir, desde a porta da entrada. Sede filhos, e como filhos amem e falem!

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 142

142) Que quer dizer estar em graça de Deus?
Estar em graça de Deus quer dizer ter a consciência limpa de todo pecado mortal.

14 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 14 de Março

Nosso Senhor não tem necessidade de nossas reflexões, nem de nossas palavras para nos ensinar a amá-lO e nos conceder sua santa graça, embora queira que, diante de sua soberana Majestade, façamos o que estiver ao nossso alcance para Lhe provarmos a nossa boa vontade. Depois que tivermos explorado a nossa pobreza, Ele virá a nós e nos dará sua graça.
Não é necessário, portanto, refletir muito na meditação, e sim, fazer atos de virtudes.
Ao meditar na Paixão de Nosso Senhor, por exemplo, fazer primeiramente um ato de amor, considerando tudo quanto este bom Salvador sofreu por nós; um ato de agradecimento por nos haver amado tanto e sofrido tanto por nós, e por no-lo ter dado a conhecer; em seguida, um ato de amor aos sofrimentos, particularmente ao que nos estiver tocando na ocasião, pedindo ao mesmo tempo a graça de sofrer por amor, tomando a resolução de suportar em silêncio e com paciência o que nos acontece.
Eis uma excelente meditação. E quanto nos torna felizes esta conversação íntima com Nosso Senhor! Levamos o nosso tesouro por toda parte!

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 141

141) Quantas coisas são necessárias para fazer uma comunhão bem feita?
Para fazer uma comunhão bem feita são necessárias três coisas: 1º estar em graça de Deus, 2ºsaber e pensar o que se vai receber, 3º estar em jejum no mínimo uma hora antes de comungar.
Durante a vida pública de Jesus, comandava a coorte romana de Cafarnaum, um honesto e pio centurião. Tinha ele um servo que estava gravemente doente. Ao saber que o Divino Mestre havia chegado à cidade, foi-lhe ao encontro, rogando-lhe que curasse seu servo, pois amava-o como a um filho. - "Irei curá-lo" -, respondeu-lhe Jesus com sua natural doçura. - "Senhor" - respondeu o centurião, com a sinceridade própria do soldado romano -, "eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e meu servo será curado".
Julga-se pecador e por isso indigno de receber Jesus em sua casa, mas confessa, ao mesmo tempo, que Jesus tudo pode, sentimentos estes, de humildade e de fé profundas, que mereceram a admiração do Filho de Deus.
Jesus vem à nossa alma pala santa Comunhão. Ele instituiu a sagrada Eucaristia não para estar entre nós com sua presença, mas também e especialmente, para ser o alimento simples das nossas almas. Professemos a nossa fé viva, o nosso desejo ardente, a nossa humildade profunda, reconhecendo com o centurião a nossa indignidade e imploremos perdão dos nossos pecados: "Com que fé e amor achego-me a teu santo trono. Tua presença enche-me de temor, meu Juiz e meu Deus! Com que inefável alegria tremo diante de Ti!" (Manzoni)

Meditações - textos de Santo Tomás de Aquino

A PAIXÃO DE CRISTO NOS ABRIU AS PORTAS DO CÉU
IV Domingo da Quaresma


«Temos confiança de entrar no santuário pelo sangue de Cristo» (Jo 12, 24)


Portas fechadas são um obstáculo a nos impedirem a entrada. Ora, os homens estavam impedidos de entrar no reino celeste por causa do pecado; pois, como diz a Escritura (Is 35, 8), haverá um caminho que se chamará o caminho santo e não passará por ele o impuro. Ora, há duas espécies de pecado que impedem a entrada no reino celeste:

1. Um é comum a toda a natureza humana, e esse é o pecado de nossos primeiros pais, o qual fechou ao homem a entrada do reino celeste. Por isso, como lemos na Escritura (Gn 3, 24), depois do pecado do primeiro homem, pôs Deus um querubim com uma espada de fogo e versátil para guardar o caminho da árvore da vida.

2. Outro é o pecado especial de cada pessoa, cometido por ato próprio de cada um.

Ora, pela Paixão de Cristo fomos liberados, não só do pecado comum de toda a natureza humana, tanto quanto à culpa como quanto ao reato da pena, porque Cristo pagou o preço por nós, mas também dos pecados próprios de cada um de nós, que comungamos com a sua Paixão pela fé, pela caridade e pelos sacramentos da fé. E assim, pela Paixão de Cristo se nos abriram as portas do reino celeste. E tal é o que diz o Apóstolo (Heb 9, 2): Estando Cristo já presente, pontífice dos bens vindouros, pelo seu próprio sangue entrou uma só vez no santuário, havendo achado uma redenção eterna. O mesmo significa a Escritura (Nm 35, 25) onde diz que o homicida ali ficará, i. é na cidade a que se tinha refugiado, até à morte do sumo sacerdote, que foi sagrado com o óleo santo; e morto este, poderia voltar aquele para sua casa.


*


Os santos Patriarcas, tendo praticado obras justas, mereceram a entrada no reino do céu pela fé na Paixão de Cristo, segundo aquilo do Apóstolo (Heb 11, 33): Os Santos pela fé conquistaram reinos, obraram ações de justiça; pela qual também cada um se purificava do pecado, o quanto condizia com a purificação da pessoa própria. Mas a fé ou a justiça de cada um não bastava para remover o impedimento proveniente do reato de toda a natureza humana. Mas esse impedimento foi removido pelo preço do sangue de Cristo. Por onde, antes da Paixão de Cristo, ninguém podia entrar no reino celeste, i. é, alcançando a beatitude eterna, consistente no gozo pleno de Deus.


*


Cristo pela sua Paixão mereceu-nos a entrada no reino celeste e removeu o obstáculo que no-lo impedia. Mas, pela sua ascensão, como que nos introduzia na posse do reino celeste. Por isso a Escritura diz (Mq 2, 13) que aquele que lhes há de abrir o caminho irá adiante deles.

IIIa q. XLIX a. VI


(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

13 de março de 2010

LATIM

O LATIM NA SANTA MISSA
Concílio de Trento
(Sess.XXII)
Cân. 9. Se alguém disser que o rito da Igreja Romana que prescreve que parte do Cânon e as palavras da consagração se profiram em voz submissa, se deve condenar, ou que a Missa se deve celebrar somente em língua vulgar, ou que não se deve lançar água no cálice ao oferecê-lo, por ser contra a instituição de Cristo — seja excomungado.
Curso de Liturgia
(Pe.Reus S.J., Editora Vozes, 1944)
A língua latina é:
1) uma língua venerável. Pois é o produto do desenvolvimento histórico e secular, consagrada pelo uso multi-secular.
2) uma língua estável. A Igreja conserva-a por saber que as suas palavras são a expressão fiel da fé católica. Tal certeza não teria com traduções continuamente reformadas e adaptadas à língua viva. Os gregos, apesar de separados da Igreja Romana, guardaram a sua fé quase completamente devido em grande parte à sua Liturgia antiga.
3) língua fixa. A língua latina é muito aperfeiçoada, com termos próprios, formados pela legislação romana.
4) língua misteriosa e santa. É convicção geral que, para um ato tão santo como a Missa, a língua quotidiana é menos conveniente. Os hereges, faltos de respeito de Deus, introduzem logo a língua vulgar na Liturgia. Seguindo o exemplo do Concílio Tridentino, Alexandre VII (1661) nem sequer permitiu a tradução do missal em francês. Hoje isto se concede; mas nega-se a licença de usar a língua vulgar na Liturgia, principalmente da Missa. Existe o perigo de serem abusadas pelo povo baixo as palavras que contêm os divinos mistérios.
5) língua unitiva. A diversidade das línguas separa os homens, a língua comum une-os. A língua latina une as igrejas particulares entre si e com Roma.
6) língua civilizadora. Todos os membros do clero devem aprender latim, e por isso podem aproveitar para a sua formação esmerada os autores clássicos antigos e a doutrina profunda dos santos padres da Igreja.
7) lingua internacional. Não só o clero entende a língua latina, mas também leigos a cultivam e empregam, p.ex., na ciência médica, física e mesmo no comércio (catálogo) e a preferem às línguas artificiais (esperanto).
8) Mas, dizem, o povo não entende nada da Missa. Responde-se: a Missa é uma ação, não um curso de instrução religiosa. No Calvário não havia explicações. O altar é um Calvário. Todo cristão sabe o que significa: imolar-se.
Além disso, o Concílio Tridentino (sess 22) encarrega os sacerdotes "que frequentemente expliquem alguma coisa do que se lê na Missa". Mas "etsi missa magnam contineat populi fidelis eruditionem, non tamen expedire visum est Patribus, ut vulgari passim lingua celebraretur".

SANTA MISSA EXPLICADA - PARTE 10 (FINAL)

A MISSA DE SÃO PIO V EXPLICADA

Fontes:
- Explicações sobre as partes da Missa: "Curso de Liturgia" - Pe.Reus;
- Citações: "Suma Teológica", de Santo Tomás de Aquino; "Missal Quotidiano e Vesperal", de Dom Gaspar Lefebvre;




PARTE X - DESPEDIDA








A despedida. A assembléia litúrgica, desde os tempos antigos, era dissolvida por ordem do bispo: Três fórmulas se usam:


1) Ite, Missa est. Retirai-vos; pois é hora da despedida. É usada desde o século VI e VII. Diz-se nas missas que têm Gloria. Parece que outrora estava reservada, como o Gloria, aos bispos.

2) Benedicamus Domino, diz-se nas missas sem Gloria. Esta fórmula já no século XI era quase geral.

3) Requiescant in pace, nas missas de réquie. Já pelo ano de 1200 era costume geral dizê-la.

Enquanto o diácono canta Ite, Missa est, o celebrante fica virado para o povo, porque o celebrante propriamente é quem despede os fiéis; o diácono fá-lo só por autorização dele. Benedicamus Domino e Requiescant in pace são orações que os celebrantes proferem voltados para o altar. (d.2572 ad 22.)


I. “Placeat” e bênção

O Placeat. Com o lte, Missa est a solenidade está terminada. O Placeat, a bênção e o último evangelho são aditamentos recentes, fixados por Pio V.

No Placeat (desde o século IX) o celebrante suplica a Deus, humildemente inclinado, que aceite o sacrificio oferecido. Em seguida levanta os olhos e ergue as mãos ao alto, às quais estende e "fecha" (Rubr.), gestos estes que indicam fonte divina da bênção e o desejo de recebê-la. Depois o celebrante comunica estes bens celestiais aos fiéis, dizendo: Benedicat vos omnipotens Deus, Pater et Filius et Spiritus Sanctus, traçando ao mesmo tempo uma vez o sinal da cruz. O Pai é a causa da salvação pela graça e pela predestinação, o Filho pelo seu sacrifício e o Espírito Santo pela nova criação e santificação. (I Ped 1, 2.) Os prelados fazem três cruzes, um privilégio que lhes foi reservado por Pio V. Pois antigamente também os simples sacerdotes davam a tríplice benção.

Conforme as palavras proferidas pelo sacerdote, é Deus mesmo quem dá a bênção. Concorda esta verdade com a oração dada a Moisés: Invocarão os sacerdotes o meu nome sobre todos os filhos de Israel, e eu lhes darei a bênção. (Nm 6, 27.) Ausentando-se da terra, Nosso Senhor deu a benção aos apóstolos (At 1), comunicando-lhes a sua proteção e o seu auxílio especial. Por isso também o cristão, confortado pela bênção na missa, volta para as suas lidas domésticas com novo ânimo.


Pláceat tibi, sancta Trínitas, obséquium servitútis meæ: et præsta; ut sacrifícium, quod óculis tuæ majestátis indígnus óbtuli, tibi sit acceptábile, mihíque et ómnibus, pro quibus illud óbtuli, sit, te miseránte, propitiábile. Per Christum Dóminum nostrum. Amen.


Benedícat vos omnípotens Deus, Pater, et Filius, et Spíritus Sanctus. Amen.


Aceitai com agrado, Trindade Santa, a homenagem deste vosso servo; este sacrifício, que eu, embora indigno, aos olhos da vossa Majestade acabo de oferecer, tornai-o digno de ser por Vós aceite e, pela vossa msiericórdia, seja causa de propiciação para mim e para todos aqueles por quem o ofereci. Ámen.

Abençoe-vos o Deus omnipotente, Pai, Filho e Espírito Santo. Ámen.

II. Último Evangelho

O último evangelho de São João é a parte mais recente da missa. Encontra-se no século XIII, tornou-se geral no século XV. Motivos para recitá-lo no fim da missa seriam:

a) a grande confiança que o povo tinha e tem nele por causa da sua eficácia, para proteger contra os demônios e as suas infestações. Pois é um exorcismo (Rit. XI, c. 2, n.3), usado também nas famílias. Em caso de trovoada violenta, acende-se uma vela e reza-se o evangelho de São João, contra os demônios. Por isto explica-se o desejo dos fiéis que este exorcismo se rezasse no fim da missa, para proteger os frutos da agricultura.


b) a devoção do celebrante. Pois é uma ação de graças muito própria, pela profissão de fé na divindade de Jesus Cristo; pelas palavras: In propria venit et sui eum non receperunt, inciso este que exprime a humildade do celebrante, em cujo coração Nosso Senhor entrou; pelas palavras: Et Verbum caro factum est, cuja recitação depois da comunhão estava prescrita por missais medievais.

O costume de recitar, em certos dias, um evangelho diferente do de São João, é muito recente. Teria a sua origem a) talvez na Missa sicca que alguns sacerdotes, em dia com dois formulários de missa, diziam em segundo lugar; b) na intenção de comemorar o ofício impedido não só pelas orações, mas também pelo evangelho, numa das partes principais dos elementos móveis da missa.

V.Dóminus vobíscum.
R. Et cum spíritu tuo.
Inítium sancti Evangélii secúndum Joánnem.
R. Glória tibi, Dómine

In princípio erat Verbum, et Verbum erat apud Deum, et Deus erat Verbum. Hoc erat in princípio apud Deum. Omnia per ipsum facta sunt: et sine ipso factum est nihil, quod factum est: in ipso vita erat, et vita erat lux hóminum: et lux in ténebris lucet, et ténebræ eam non comprehendérunt.
Fuit homo missus a Deo, cui nomen erat Joánnes. Hic venit in testimónium, ut testimónium perhibéret de lúmine, ut omnes créderent per illum. Non erat ille lux, sed ut testimónium perhibéret de lúmine.
Erat lux vera, quæ illúminat omnem hóminem veniéntem in hunc mundum. In mundo erat, et mundus per ipsum factus est, et mundus eum non cognóvit. In própria venit, et sui eum non recepérunt. Quotquot autem recepérunt eum, dedit eis potestátem fílios Dei fíeri, his, qui credunt in nómine ejus: qui non ex sanguínibus, neque ex voluntáte carnis, neque ex voluntáte viri, sed ex Deo nati sunt. (ajoelha-se) Et Verbum caro factum est et habitávit in nobis: et vídimus glóriam ejus, glóriam quasi Unigéniti a Patre, plenum grátiæ et veritátis.

R. Deo grátias.

O Senhor seja convosco.
R. E também com o teu espírito
Princípio do santo Evangelho segundo S. João
R. Glória a Vós, Senhor.
.
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus. Estava Ele no princípio com Deus Tudo por Ele foi feito, e nada de quanto se fez foi feito sem Ele. N’Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, e as trevas não a receberam.
Houve um homem enviado por Deus, chamado João, o qual veio como testemunho, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por via dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
Era (o Verbo) a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O reconheceu. Veio para o que seu, e os seus não O receberam. A todos, porém, quantos O receberam, deu Ele o poder de se tornarem filhos de Deus, quer dizer, àqueles que crêem no seu nome, que nem do sangue, nem do desejo da carne, nem da vontade do homem, mas só de Deus nasceram. E o Verbo se fez carne e veio habitar entre nós; e nós vimos a sua glória, glória do Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e verdade.

R. Graças a Deus.

Flores da Eucaristia - 13 de Março

Para vos recolherdes com mais facilidade e vos sentirdes mais imediatamente unido a Deus na oração, não vos concentreis em vós mesmos, colocando sempre as vossas misérias entre vossa alma e Deus.
Contemplai de preferência, a sua bondade, o seu amor, contemplai-O em Si mesmo e em suas razões divinas; somente depois é que podereis olhar para vós mesmo.
Aplicai-vos a considerar a virtude em Jesus Cristo, em estudar a perfeição e a intenção com que Ele a praticava. Em resumo, alimentai a vossa alma do próprio Deus; isto vos aproximará d'Ele e dar-vos-á uma grande força de expansão.
Pertencei a Deus, como o pássaro no ar e o peixe no oceano!
Conservai o vosso espírito sómente para Ele, e que o vosso coração seja éco e o fruto desta atitude!

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 140

140) Jesus Cristo está em todas as hóstias consagradas do mundo?
Sim. Jesus Cristo está em todas as hóstias consagradas do mundo.
Uma fúlgida coroa de anjos reverentes e uma coroa de homens de todas as raças e de todas as línguas rendem homenagem a Jesus Eucarístico, vivo e palpitante entre eles.
Se pela força das palavras da consagração Jesus está presente sobre o altar, debaixo das espécies eucarísticas, equivale isto a dizer: onde houver uma hóstia consagrada Jesus aí estará todo inteiro, com seu Corpo, Sangue, sua Alma e sua Divindade. Ele quis ficar perto de todos os seus filhos, em todos os tempos e em todos os países. Deste modo pode fazer com que todos n'Ele encontrassem um pai, um amigo, um irmão, o conforto, a vida, a força, a alegria de suas almas. E assim, nas grandes metrópoles como na menor cidade do interior, nos desertos da África como nas desoladas planícies da Ásia, quer nas eternas geleiras, quer nas perdidas ilhas da Oceania, onde houver um sacerdote, Jesus terá um tabernáculo e uma lâmpada a arder noite e dia diante d'Ele. Desde o Oriente até o Ocidente, o sacerdote ergue ao céu a hóstia consagrada. A todo instante celebra-se a Missa e Jesus desce do Céu e se torna presente sobre os altares. Oh! abismo insondável da onipotência e da bondade divina, por meio da qual Jesus, sendo embora indivisível, pode estar perto de todos, unindo-os num único vínculo de caridade e união fraterna! Interpretando estas intenções do Coração de Jesus, assim rezavam os primeiros cristãos: "Como os grãos deste pão estavam espalhados pelos montes e, recolhidos, tornaram-se uma só coisa; assim, Senhor da verdade, reúna-se a tua Igreja desde as extremidades da Terra até o teu reino, porque é tua a glória e teu é o poder". (Did. 9,4).

Meditações - textos de Santo Tomás de Aquino

PELA PAIXÃO DE CRISTO FOMOS RECONCILIADOS COM DEUS
sábado da terceira semana da Quaresma
«Fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho.» (Rm 5, 10)

Pela Paixão de Cristo fomos liberados do reato da pena de dois modos:

I. — A Paixão de Cristo é a causa de nossa reconciliação com Deus, de dois modos.

Primeiro porque remove o pecado pelo qual os homens são constituídos inimigos de Deus, segundo aquilo da Escritura (Sb 14, 9): Deus igualmente aborreceu ao ímpio e a sua impiedade. E noutro lugar (Sl 5, 7): Aborreces a todos os que obram a iniqüidade.

De outro modo, como sacrifício muito aceito de Deus; assim como perdoamos uma ofensa cometida contra nós quando recebemos um serviço que nos é prestado. Donde o dizer a Escritura (1 Rs 26, 19): Se o Senhor te incita contra mim, receba ele o cheiro do sacrifício. Semelhantemente, o ter Cristo sofrido voluntariamente foi um bem tão grande, que em razão desse bem descoberto em a natureza humana, Deus se aplacou no tocante a qualquer ofensa do gênero humano, contanto que o homem se una com a Paixão de Cristo, segundo a fé e a caridade.

Não se diz que a Paixão de Cristo nos reconciliou com Deus porque de novo nos começasse a amar, pois está na Escritura (Jr 31, 3): Com amor eterno te amei. Mas porque a Paixão de Cristo eliminou a causa do ódio, quer por ter delido o pecado, quer pela compensação de um bem mais aceitável.

IIIa q. XLIX a. 4

II. — Se pensarmos naqueles que O lançaram à morte, a Paixão de Cristo foi verdadeiramente uma causa de indignação. Mas, a caridade de Cristo padecendo foi maior que a iniqüidade dos homens. Por isso a Paixão de Cristo é mais eficaz para reconciliar com Deus todo o gênero humano que para provocar sua cólera.

O amor de Deus por nós se revela nos seus efeitos. Dizemos que Deus faz participar de sua bondade aqueles que ama. Ora, a maior e mais completa participação na sua bondade consiste na visão da sua essência, pela qual privamos com Ele como amigos, pois a beatitude consiste nesta serenidade. Assim, pode-se dizer simplesmente que Deus ama a quem admite a esta visão, quer pelo dom real, quer pelo dom da causa — como ocorre com aqueles a quem Deus deu o Espírito Santo como penhor desta visão. Pelo pecado, porém, ao homem foi retirada esta participação na bondade divina, ou seja, a visão de sua essência; e sob este aspecto, diz-se que o homem estava privado do amor de Deus. Ora, após Cristo ter satisfeito por nós pela sua Paixão, e conseguido que fossemos readmitidos à visão de Deus, diz-se que nos reconciliou com Deus.

2 Dist. 19, q. I, a. 5
(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

12 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 12 de Março

Três meios se nos oferecem para sobrenaturalizar o afeto, na oração; colocá-lo sob a luz da graça atual que o Espírito Santo nos infunde – fazê-lo acompanhar o movimento do Espírito Santo em nós – e, quando não sentimos o convite nem o impulso interior da graça, aceitar e oferecer o estado em que nos achamos.
Confessemos então no íntimo da alma a nossa pobreza, nossa paralisia, nossa inércia e mesmo os nossos pecados; será bem acolhida por Deus esta confissão do coração humilhado, confissão que suprirá as mais suaves e relevantes expressões de afetos.
Mas é necessário ser vigilantes contra a preguiça do espírito, não o deixando passar superficialmente sobre o assunto a meditar, porquanto se ressente de solidez a virtude que não procede da reflexão, visto que não é alimentada pela convicção. Os sentimentos passam, vão e vem; somente a verdade permanece.
A alma recolhida e fixada em Jesus alimenta-se de sua verdade, de sua bondade e de seu amor; a oração prolonga pouco ou nada lhe custa, pois, livre de toda a escravidão, pode seguir o Salvador por onde quer que seja, sem que coisa alguma a violente ou atraia para outro objeto.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 139

139) Quando se divide a hóstia em várias partes, divide-se o Corpo de Jesus Cristo?
Não. Quando se divide a hóstia em várias partes, não se divide o Corpo de Jesus Cristo, mas sómente as espécies do pão; e o Corpo do Senhor fica inteiro em cada uma das partes.
Um Sacerdote alemão, em romagem à cidade santa, em 1263, foi a Bolsena, a fim de aí celebrar a Santa Missa. Já estavam as velas acesas no altar e o povo à espera do santo Sacrifício. Mas o coração do Sacerdote estava frio. Havia já algum tempo que passava ele por esta horrível dúvida: nesta hóstia que consagro todas as manhãs estará mesmo presente Jesus? E se não estiver? Com esta dúvida celebrava ele naquela manhã. Enquanto partia a hóstia sobre o cálice, começou a destilar dela sangue vivo, caindo todo sobre os linhos do altar. Espantado, procurou o Sacerdote esconder a santa Hóstia e, colocando-a no corporal, encaminhou-se para a sacristia. Entretanto, algumas gotas de sangue caíram nos degraus do altar e no pavimento, e nas pregas do corporal ficou impressa a imagem de Jesus. O povo gritava: milagre! milagre!
Depois da consagração, a substância do pão e do vinho é totalmente mudada no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo. Nada, porém, se vê desta transubstanciação, pois Jesus quis conservar intactas as espécies eucarísticas, isto é, a cor, o sabor, o peso do pão e do vinho. Pela transubstanciação, a substância do Corpo e do Sangue de Cristo substituem então a substância do pão e do vinho.
O Sacramento da Eucaristia encerra o maior e o mais sublime dos milagres da nossa religião. "Preste a fé - canta Santo Tomás - o suplemento ao defeito dos sentidos".

Meditações - textos de Santo Tomás de Aquino

PELA PAIXÃO DE CRISTO FOMOS LIBERADOS DA PENA DO PECADO
sexta-feira da terceira semana da Quaresma
«Ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas e ele mesmo carregou com as nossas dores» (Is 53, 4)

Pela Paixão de Cristo fomos liberados do reato da pena de dois modos:

1. Primeiro diretamente; i. é, porque a Paixão de Cristo foi uma satisfação suficiente e superabundante pelos pecados de todo o gênero humano; ora, dada a satisfação suficiente, eliminado fica o reato da pena.

2. De outro modo, indiretamente; i. é, enquanto a Paixão de Cristo é a causa da remissão do pecado, no qual se funda o reato da pena.

Os condenados, contudo, não estão liberados da pena, pois a Paixão de Cristo somente produz o seu efeito naqueles a quem se aplica pela fé, pela caridade e pelos sacramentos da fé. Ora, os condenados ao inferno, que não estão unidos à Paixão de Cristo ao modo que acabamos de referir, não lhe podem colher o efeito.

E apesar de termos sido liberados da pena do pecado, é preciso, no entanto, impor aos penitentes uma pena satisfatória; pois, para se beneficiar do efeito da Paixão de Cristo, é preciso estarmos configurados ao Cristo.

Ora, configuramo-nos sacramentalmente a Ele no batismo, segundo aquilo do Apóstolo (Rm 6, 4): Fomos sepultados com ele para morrer ao pecado pelo batismo. Por isso aos batizados não se lhes impõe nenhuma pena satisfatória, por estarem totalmente liberados pela satisfação de Cristo. Mas porque Cristo uma só vez morreu pelos nossos pecados, no dizer da Escritura (1 Pd 3, 18), não pode o homem uma segunda vez se configurar à morte de Cristo pelo sacramento do batismo. E por isso, os que depois do batismo pecam hão de assemelhar-se com Cristo, padecente por alguma penalidade ou sofrimento, que suportem na sua pessoa. Mas essa penalidade basta, apesar de muito menor que a merecida pelo pecado, por causa da cooperação da satisfação de Cristo.

Mas, se a morte, que é pena do pecado, ainda subsiste, é porque a satisfação do Cristo só tem efeito em nós enquanto fomos incorporados ao Cristo, como os membros à cabeça. Pois é preciso que os membros estejam em conformidade com a cabeça. Por onde, assim como Cristo teve primeiro a graça na alma com a passibilidade do corpo, e chegou pela Paixão à glória da imortalidade, assim também nós, que somos os seus membros, somos pela sua Paixão liberados do reato de qualquer pena. Mas, para isso, devemos primeiro receber na alma o Espírito de adoção de filhos, pelo qual adimos a herança da glória da imortalidade, enquanto ainda temos um corpo passível e mortal. Mas depois assemelhados aos sofrimentos e à morte de Cristo, chegaremos à glória imortal segundo aquilo do Apóstolo (Rm 8, 17): Se somos filhos somos também herdeiros; herdeiros verdadeiramente de Deus e co-herdeiros de Cristo, se é que todavia nós padecemos com ele para que sejamos também com ele glorificados.

IIIa q. XLIX a. 3

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

11 de março de 2010

Flores da Eucaristia - 11 de Março

Na oração, o espírito desempenha o papel da agulha que faz a linha penetrar no tecido para compor o bordado; a agulha na frente conduz o fio, mas somente este permanece.
O mesmo acontece com o afeto do coração; apenas ele deve substituir, e a atividade da inteligência tem por fim unicamente inflamar e comover o coração antes às razões de amor e fé capazes de sensibilizá-lo, pois o coração abraça e segue o que o espírito admira e lhe prova que é bom.
Dai ao vosso coração somente pensamentos já meditados e contemplados, e aplicai-vos a desenvolver a idéia existente em vosso espírito, transformando-a em afeto. Que este sentimento desabroche, portanto, espontâneamente, conforme a natureza de vosso coração.
A graça se adapta ao temperamento de cada um, porquanto Deus não quer que destruamos a nossa natureza, e sim o pecado com as suas conseqüentes inclinações e maus hábitos.
E quando o vosso espírito não for suficiente para vos inflamar, tomai então um livro, mas o livro que deveis abrir sem cessar sois vós mesmos.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 138

138) Depois da consagração não fica nada do pão e do vinho?
Não. Depois da consagração não fica nem pão nem vinho, mas sómente as respectivas espécies, ou aparências, sem a substância.

10 de março de 2010

Meditações - textos de Santo Tomás de Aquino

A PREGAÇÃO DA SAMARITANA
Quinta-feira da III Semana da Quaresma


«A mulher, pois, deixou o seu cântaro, e foi à cidade» (Jo 4, 28)

Após ter sido instruída por Cristo, a samaritana fez trabalho de apóstolo. Três coisas podemos sublinhar de suas palavras e atos.

I

A devoção que sentia se manifestou dos dois modos seguintes:

a) Movida por intensa devoção, a samaritana como que se esqueceu da razão pela qual viera à fonte e abandonou água e cântaro. É o que diz o texto: "a mulher deixou o seu cântaro, e foi à cidade", para anunciar a grandeza de Cristo, sem cuidar das necessidades do corpo. Nisso seguiu o exemplo dos Apóstolos que, após terem tudo deixado para trás, seguiram o Senhor. Ora, o cântaro significa a concupiscência das coisas do século, com o qual do fundo das trevas significado pelo poço, i.é, do trato com as coisas terrenas, os homens extraem os prazeres. Portanto, os que abandonam as concupiscências do século por Deus, abandonam o cântaro.

b) A intensidade de sua devoção manifesta-se ainda pela multidão daqueles a quem anuncia o Cristo, pois não foi a um, nem a dois ou três, mas a toda a cidade. Diz o texto: "...e foi à cidade".

II

A qualidade de sua pregação: "e disse àquela gente: vinde ver um homem...".

a) Ela convida todos a ver o Cristo: "Vinde ver um homem". Ela não diz imediatamente para que viessem ao Cristo, para não dar ocasião a blasfêmia; ao contrário, começa dizendo coisas que eram críveis e patentes, a saber, que era um homem. Ela não diz: crede, e sim: vinde ver, pois sabiam que, se bebessem daquela fonte, vendo-o, experimentariam o mesmo que ela experimentou. Por fim, a samaritana segue o exemplo do verdadeiro pregador, e não chama os homens para si, mas para o Cristo.

b) Oferece uma prova da divindade do Cristo, ao dizer: "que me disse tudo o que eu tenho feito", ou seja, quantos homens tivera a samaritana. Ela não se envergonha de contar aquilo que lhe é motivo de confusão, pois a alma abrasada com o fogo divino não se importa mais com nada terreno, nem com a glória, nem com a vergonha, mas apenas com essa chama que nela queima.

c) Conclui confessando a majestade de Cristo, ao dizer: "será este porventura o Cristo?" Ela não ousou afirmar que era o Cristo, para que não aparentasse ensinar os outros: temia que, irritados, eles se recusassem a ir ao Cristo. Tampouco o silenciou totalmente, mas o propôs sob a forma de pergunta, como se submetesse o seu julgamento ao deles. De fato, este era o meio mais fácil de persuadi-los.

III

O fruto de sua pregação.

"Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele". Por onde se vê que, se quisermos ir ao Cristo, devemos também deixar a cidade, i. é, abandonar o amor da concupiscência carnal. "Saiamos, pois, a ele fora dos arraiais", diz são Paulo (Heb 13, 13)

In Joan., IV.

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

Flores da Eucaristia - 10 de Março

A primeira faculdade que se deve exercitar na oração é o espírito, que nos faz perceber as relações entre si, admirá-las e estudá-las.
Ora, é necessário santificar o espírito, sobrenaturalizar a Inteligência, e somente Deus pode fazer esta educação espiritual, na intimidade da oração. O espírito que não recebeu por este meio as lições de Deus, que não se formou e fortaleceu pela oração, tem uma educação deficiente, e não merece grande confiança. O que os livros e os mestres podem ensinar é o método de oração; abrem a porta do santuário. Aí, porém, o espírito deve entregar-se nas mãos de Deus, porque somente Ele é capaz de iluminá-la com a sua luz divina e realizar sua educação sobrenatural.
Para meditar. Começai por formular considerações e pensamentos em vosso espírito; estudai-os, considerai-os atentamente, recordai-os, comparai-os como se fazem com os seixos para obter a faísca luminosa. Este exercício do espírito é essencial, e produzirá o afeto do coração, visto que não podemos sentir o contato intelectual de uma coisa sem a ela aderir pelo amor.

"Deixai vir a mim as criancinhas ..." (Mateus, 19, 14) - Parte 137

137) Quando é que o pão e o vinho se tornam Corpo e Sangue de Jesus?
O pão e o vinho tornam-se Corpo e Sangue de Jesus, no momento da consagração da Missa.
Inclinando sobre o altar, o sacerdote repete as mesmas misteriosas palavras que Jesus pronunciou na última ceia: "Isto é o meu corpo, este é o cálise do meu sangue".
Assim como na última ceia e em virtude destas palavras onipotentes, toda a substância do pão e toda substância do vinho convertem-se no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Maravilhosa conversão, à qual dá a Igreja o nome de Transubstanciação, isto é, mudança total de substância. Depois que se realiza o milagre eucarístico, o sacerdote genuflete e adora. Em seguida levanta a hóstia e o cálice para que os adorem os fiéis, repetindo com S. Tomé as palavras: "Meu Senhor e meu Deus!" É o momento solene da consagração.
Antes da consagração, a hóstia não era mais que pão. Depois da consagração tornou-se o Corpo do Senhor, vivo e palpitante sobre o altar. O cálice, antes da consagração, continha vinho com algumas gotas de água, as quais lembram a união da nossa humanidade com a divindade de Cristo. Depois da consagração, o vinho e as gotas de água convertem-se no Sangue preciosíssimo de Jesus. Todos os dias, inúmeras vezes e em todas as partes do mundo, pois a Igreja é universal, renova-se o milagre da última ceia, que foi a antecipação do sacrifício da cruz: "Fazei isto em memória de mim", disse Jesus aos Apóstolos. E enquanto a Terra produzir flores e frutos e o sol brilhar sobre o universo, renovar-se-á a ceia eucarística, para se cumprir a promessa de Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus, 28,30).

Meditações - textos de Santo Tomás de Aquino

O PREÇO DA NOSSA REDENÇÃO

Quarta-feira da III Semana da Quaresma


«fostes comprados por um grande preço» (1 Cor 6, 20)


A injúria ou sofrimento mede-se pela dignidade do lesado: sofre maior injúria o rei, se esbofeteado, do que sofreria alguma pessoa privada. Ora, a dignidade da pessoa de Cristo é infinita, pois é uma pessoa divina. Portanto, qualquer sofrimento seu, por menor que seja, é infinito. Por conseqüência, qualquer sofrimento seu seria suficiente para a redenção de todo o gênero humano, mesmo sem sua morte.


Diz S. Bernardo que a menor gota de sangue de Cristo bastaria para a redenção do gênero humano. Ora, Cristo poderia ter derramado uma única gota de seu sangue sem morrer, logo, era possível que, mesmo sem morrer, redimisse todo o gênero humano com algum sofrimento seu.


Para se efetuar uma compra, duas coisas fazem-se necessárias: o montante do preço e sua destinação para a compra. Se alguém dá um valor inferior ao da coisa que se quer adquirir, não se diz que houve compra, mas que houve compra em parte e doação em parte: por exemplo, se alguém comprar um livro que vale vinte libras com apenas dez, em parte comprou o livro e em parte, o livro lhe foi dado. Do mesmo modo, se desse um valor mais alto mas não o destinasse à compra do livro, não se poderia dizer que houve compra.


Se, portanto, tratamos da redenção do gênero humano quanto ao preço, qualquer sofrimento de Cristo, mesmo sem morte, seria suficiente, pela infinita dignidade da sua pessoa.


Se, porém, falamos quanto a destinação do preço, então é preciso dizer que os demais sofrimentos do Cristo não foram destinados por Deus Pai e pelo Cristo para a redenção do gênero humano sem sua morte.


E isto por tríplice razão:


1. Para que o preço da redenção do gênero humano não fosse apenas de valor infinito, mas também do mesmo gênero; isto é, para que fossemos redimidos da morte, pela morte.

2. Para que a morte de Cristo não fosse apenas preço da redenção, mas também exemplo de virtude, para que os homens não temessem morrer pela verdade. E estas duas causas são assinaladas pelo Apóstolo: «a fim de destruir pela sua morte aquele que tinha o império da morte» (Heb 2, 14), quanto ao primeiro ponto e «para livrar aqueles que, pelo temor da morte, estavam em escravidão toda a vida» (Heb 2, 15), quanto ao segundo

3. Para que a morte de Cristo fosse também sacramento de salvação; pois, em virtude da morte de Cristo, morremos para o pecado, para as concupiscências da carne e para o amor próprio. E esta causa está assinalada nas Escrituras: «também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados, ele, justo pelos injustos, para nos oferecer a Deus, sendo efetivamente morto segundo a carne, mas vivificado pelo Espírito» (1 Pd 3, 18).


E, por isso, o gênero humano não foi redimido sem a morte de Cristo.


Mas, permanece verdade que Cristo, que não apenas deu sua vida, mas ainda sofreu tanto quanto se pode sofrer, teria pago um preço suficiente pela redenção do gênero humano, ainda que a menor parcela de sofrimento tivesse sido divinamente destinada a este fim; e isto, por causa da infinita dignidade da pessoa do Cristo.


Quodl. II, q. I, a. II


(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)