29 de abril de 2009

SALVE MATER MISERICORDIÆ

HINO SALVE MATER MISERICORDIÆ

Antigo hino carmelita, cantado no 5º modo.

Abaixo, o hino, para ouvir e baixar, cantado pelos seminaristas de Ecône, da FSSPX. A versão infra-apresentada, no entanto, não tem as seguintes estrofes: "Te creavit,...", "Te creavit Deus...", e "Te beatam...".

DOWNLOAD





Salve Mater misericordiæ, Mater Dei et Mater veniæ, Mater spei et Mater gratiae, Mater plena Sanctæ Letitiæ, O Maria!

Salve decus humani generis. Salve Virgo dignior cœteris, quæ virgines omnes transgrederis et altius sedes in superis. O Maria!

Salve félix Vírgo puérpera, Nam qui sédet in Pátris déxtera, Cælum régens, térram et æthera, Intra tua se cláusit víscera, ó María!

Te creávit, Páter ingénitus, Adamávit te Unigénitus, Fecundávit te Sánctus Spíritus, Tu és fácta tota divínitus, ó María.

Te creávit Déus mirábilem, Te respéxit ancíllam húmilem, Te quæsívit spónsam amábilem, Tíbi núnquam fécit consímilem, ó María!

Te beátam laudáre cúpiunt Ómnes jústi, sed non suffíciunt; Multas láudes de te concípiunt. Sed in íllis prórsus defíciunt, ó María.

Esto, Máter, nóstrum solátium; Nóstrum ésto, tu Vírgo, gáudium; Et nos tándem post hoc exsílium, Lætos júnge chóris cæléstium, ó María.

Salve Mãe de misericórdia, Mãe de Deus, e Mãe do perdão, Mãe da esperança e Mãe da graça, Mãe plena da Santa Alegria. Ó Maria!

Salve, glória do gênero humano. Salve Virgem mais digna que todas as outras, que superastes todas as virgens e no céu ocupas o maior assento. Ó Maria!

Salve, feliz Virgem Mãe, pois o que senta à destra do Pai, regendo o Céu, a terra e o etéreo, dentro do vosso ventre se escondeu. Ó Maria!

Criou-vos o Pai incriado, amou-vos profundamente o Unigênito, fecundou-vos o Espírito Santo, vós sois feita toda divinamente. Ó Maria!

Deus vos fez um milagre, olhou-vos como serva humilde, procurou-vos como esposa digna de ser amada, Como vós nunca fez ninguém igual. Ó Maria!

Louvar-vos como bendita desejam todos os justos, mas não são suficientes; muitos louvores de ti concebem, mas neles falham inteiramente. Ó Maria!

Seja, ó Mãe, nosso consolo, seja vós, Ó Virgem, nossa alegria; E, finalmente, depois desse exílio, alegres, nos una ao coro dos céus. Ó Maria!

[Tradução livre, por Marcos Vinicius Mattke]

28 de abril de 2009

Símbolos da Fé - 1ª Parte

Fonte:
Denzinger – Hünermann
Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral
Paulinas e Edições Loyola
Traduzido, com base na 40ª edição alemã (2005), aos cuidados de Peter
Hünermann, por +José Marino Luz e Johan Konings
2007


SÍMBOLOS DA FÉ

Os “Símbolos da fé” apresentados neste compêndio são fórmulas verbalmente fixadas, englobando as principais verdades da fé, confirmadas pela autoridade eclesiástica e quase sempre também destinadas a uma pública profissão de fé.

São deixadas de lado, portanto, nesta coleção, as fórmulas um tanto vagas citadas por autores eclesiásticos, ou não redigidas em forma estável, ou ainda, reconstruções meramente hipotéticas ou incertas. Também são excluídas fórmulas da fé de caráter meramente privado.

Os Símbolos que têm sua origem em ato solene do Magistério da Igreja e são de tal ordem doutrinal que podem ser equiparados aos outros documentos deste Magistério, encontram-se mais adiante, entre os “Documentos do Magistério da Igreja”, que constituem a segunda parte do presente compêndio. Destas fórmulas, o momento de origem é bem conhecido, pois se trata de Símbolos sinodais e de profissões de fé apresentadas ou recebidas pelos Sumos Pontífices.

Outros Símbolos, ao contrário, cuja origem permanece obscura, porque somente aos poucos integrados na vida eclesial e na liturgia, dificilmente podiam ser objeto de organização cronológica. Pareceu adequado reuni-los aqui num conjunto específico, de modo que Símbolos de origem comum ou aparentados entre si possam ser mais facilmente comparados.

SÍMBOLOS SIMPLES

Os seguintes Símbolos se compõem de uma série de artigos articulados na mesma ordem.

Epístola dos Apóstolos (Versão etiópica)

Obra apócrifa, escrita ca. 160-170 na Ásia Menor, da qual só foi conservada uma versão etiópica. Seu título, oculto no texto, foi descoberto por C. Schmidt; antes, erroneamente, era julgada parte de outra obra apócrifa, o Testamentum in Galilaea Domini Nostri Iesu Christi.

[Os cincos pães do milagre narrado em Mc 6,39 são explicados alegoricamente como Símbolo da fé, em cinco artigos:]

no Pai dominador do universo,
em Jesus Cristo, [nosso Salvador,]
e no Santo Espírito [Paráclito],
e na Santa Igreja,
e na remissão dos pecados.

Papiro litúrgico Der Balyzeh

É um fragmento do séc. VI, encontrado no Alto Egito, que contém a liturgia de meados do séc. IV, mas o Símbolo nele contido parece ser muito mais antigo.

Creio em Deus Pai onipotente
e em seu Filho unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo,
e no Espírito Santo,
e na ressurreição da carne,
[na] santa Igreja católica.

Constituição da Igreja egípcia, por volta do ano 500

Remontam à Traditio Apostolica de Hipólito de Roma. Temos versões em copta (saídico e boaírico), etíope e árabe. Destas, a saídica é a que mais se aproxima do texto grego original de Hipólito. Nestas versões se encontram muitos Símbolos de fé tanto de forma simples como em forma desenvolvida posteriormente.

a) Versão copta: Símbolo batismal

Creio no Deus único, verdadeiro, Pai onipotente,
e em seu Filho unigênito Jesus Cristo, nosso Senhor e salvador,
e no seu Espírito Santo, que [tudo] vivifica,
a trindade consubstancial,
uma só divindade, um só poder, um só reino, uma só fé, um só batismo [cf. Ef 4,5] na santa Igreja católica e apostólica,
na vida eterna. Amém.

b) Versão etíope em forma de interrogação

Crê em um só Deus, Pai Onipotente,
e no seu Filho único Jesus Cristo, nosso Senhor e salvador,
e no Espírito Santo, que vivifica toda a criação,
a trindade igual quanto à divindade,
e um só Senhor, um só reino, uma só fé, um só batismo [cf. Ef 4,5] na santa Igreja católica,
e a vida eterna?

c) Versão etíope em forma declaratória

Creio em um só Deus Pai, dominador de tudo,
e em um só Filho, o Senhor Jesus Cristo,
e no Espírito Santo,
e na ressurreição da carne,
e na Igreja santa, una, católica.

Símbolo batismal da Igreja armênia (Símbolo breve)

Cremos na santíssima Trindade, no Pai e no Filho e no Espírito Santo,
na anunciação de Gabriel, [na concepção de Maria,] no nascimento de Cristo, no batismo, [na festa (?),] na paixão [voluntária], na crucificação, na sepultura de três dias, na [bem-aventurada] ressurreição, na ascensão deiforme, no sentar-se à direita do Pai, na vinda terrível [e gloriosa] –

nós professamos e cremos [nós cremos e professamos].

27 de abril de 2009

CITAÇÕES SOBRE O PRIMADO DA IGREJA ROMANA, O PRIMADO DO PAPA E A NECESSIDADE DE SUBMISSÃO AO SUMO PONTÍFICE PARA A SALVAÇÃO DA ALMA - PARTE V

ENCHIRIDION CITATORUM DOGMATICORUM CIRCA COGNICIONEM PRINCIPATUS PRIMATUSQUE SANCTÆ ROMANÆ ECCLESIÆ ET ROMANI PONTIFICI ATQUE CIRCA NECESSITATEM OBEDIENTIÆ EI PRO SALUTE ANIMÆ

VEL

DE PRIMATU UNIVERSO EPISCOPI ROMÆ

Conditor:
Marcos Vinicius Matke

PARS QUINTA

A SÆCULO XIV AD SÆCULUM XV


Compêndio de citações dogmáticas acerca do reconhecimento da primazia e primado da Santa Romana Igreja e do Romano Pontífice e da necessidade de submissão a este para a salvação da alma

ou

Da primazia universal do Bispo de Roma

Organizador: M.V.M.

Parte V

DO SÉCULO XIV AO SÉCULO XV










S.S. Bonifácio VIII: Bula “Unam Sanctam”. De 18 de novembro de 1302.




Ora, esta autoridade, mesmo se dada a um homem e exercida por meio de um homem, não é humana, mas antes, um poder divino, dado pela boca divina a Pedro, a ele e aos seus sucessores, no próprio Cristo, que ele, como rocha firme, professara, na ocasião que o Senhor disse ao mesmo Pedro: “Tudo o que ligares” etc. [Mt. 16, 19]. Portanto, quem resiste a este poder assim ordenada por Deus, “resiste à ordenação de Deus” [Rm. 13, 2], a menos que imagine, qual um maniqueu, que haja dois princípios, coisa que julgamos falsa e herética, dado que, segundo o testemunho de Moisés, não nos princípios, mas “no princípio Deus criou o céu e a terra” [Gn 1, 1].




E declaramos, enunciamos, definimos que, para toda humana criatura, é necessário para a salvação submeter-se ao Romano Pontífice.




S.S. JOÃO XXII: CONSTITUIÇÃO “GLORIOSAM ECCLESIAM”. De 23 de janeiro de 1318.




§ 12. [...] Os supra-ditos filhos da temeridade e da impiedade, como descreve um relatório fidedigno, caíram numa tal pobreza de mente que opinam impiamente contra a mui preclara e salutar verdade da fé cristã, desprezam os venerados sacramentos da Igreja e, impulsionados pela cega fúria de serem por ele calcados, se lançam contra o glorioso primado da Igreja romana com o intento de abalá-lo junto de todas as nações.




S.S. JOÃO XXII: CONSTITUIÇÃO “LICET JUXTA DOCTRINAM”, AO BISPO DE WORCESTER. De 23 de outubro de 1327.




Erros de Marsílio de Pádua sobre a constituição da Igreja.




[...]


II. O bem-aventurado Pedro Apóstolo não foi cabeça da Igreja mais que qualquer outro dos Apóstolos, e não teve autoridade maior do que tiveram os outros Apóstolos, e Cristo não deixou cabeça alguma à frente da Igreja e não fez ninguém seu vigário.




III. Compete ao Imperador corrigir e punir o Papa, instituí-lo e destituí-lo.


[...]


Censura: os artigos supra-citados [...] Nós os declaramos, por sentença, enquanto contrários à sagrada Escritura e inimigos da fé católica, heréticos ou semelhantes à heresia e errôneos; e também que os acima citados Marsílio e João são hereges, ou mais, manifestos e notórios heresiarcas.




S.S. Clemente VI: Carta dogmática “Super quibusdam”, a Melkhitar Katholikós dos Armênios; de 29 de setembro de 1351.


Exame de fé dos Armênios feito pelo Papa Clemente VI.




Quanto ao primeiro capítulo da tua resposta [...] perguntamos: I. Se tu e a Igreja dos armênios que te deve obediência credes que todos aqueles que no batismo receberam a mesma fé católica e que depois se afastaram ou no futuro se afastarão da comunhão da fé da Igreja Romana, sendo só ela a única católica, são cismáticos e hereges, se com pertinácia perseverem separados desta Igreja Romana;




I. Perguntamos se tu e os armênios que te devem obediência credes que nenhum daqueles que estão na condição de peregrinos poderá no fim ser salvo fora da fé desta Igreja e da obediência aos Romanos Pontífices.


Quanto ao segundo capítulo, [...] perguntamos: I. se tu, com a Igreja dos Armênios que te deve obediência, tens crido, crês ou estás disposto a crer que o bem-aventurado Pedro recebeu do Senhor Jesus Cristo o pleno e total poder de jurisdição sobre todos os fiéis cristãos; e que todo poder de jurisdição que em determinados territórios ou províncias e em diversas partes da terra, de modo especial e particular, tiveram Judas Tadeu e os outros Apóstolos esteve completamente sujeito à autoridade e ao poder que o bem-aventurado Pedro recebeu do mesmo Senhor Jesus Cristo sobre qualquer um que crê em Cristo, por toda a Terra; e que nenhum Apóstolo ou nenhum outro, senão só Pedro, recebeu o pleníssimo poder sobre todos os cristãos;




II. Se tens crido e sustentado, tu com os armênios a ti sujeitos, ou estás disposto a crer e a ter por certo que todos os Romanos Pontífices, que como sucessores do bem-aventurado Pedro entraram e entrarão em função de acordo com os cânones, sucederão o bem-aventurado Romano Pontífice Pedro na mesma plenitude de poder e de jurisdição que o bem-aventurado Pedro recebeu do Senhor Jesus Cristo sobre todo o corpo universal da Igreja Militante;




III. Se tens crido e credes, tu e os armênios a ti sujeitos, que os que foram Romanos Pontífices, Nós agora que o somos e aqueles que no futuro sucessivamente o serão, como vigários de Cristo legítimos e locupletados de poder, receberam diretamente do próprio Cristo, sobre todo o corpo universal da igreja militante, toda a jurisdição provida de poder que Cristo, como cabeça conforme, teve na vida humana;




IV. Se tens crido e crês que todos os que foram Romanos Pontífices, Nós que agora o somos e os outros que o serão no futuro, em virtude da supra-dita plenitude de poder e autoridade, puderam, podemos e poderão diretamente, por quanto está em nós e neles, julgar sobre todos, enquanto sujeitos à jurisdição nossa e deles, bem como constituir e delegar os que quisermos para julgar como juízes eclesiásticos;




V. Se creste e crês que a suprema e excelsa autoridade e o poder jurídico dos que foram Romanos Pontífices, de Nós que agora o somos, e dos que no futuro o serão, foi, é e será tão grande que não foi, nem é, nem no futuro será possível serem julgados por ninguém; mas que eles foram, Nós somos e eles serão reservados para ser julgados por Deus só; e que, das nossas sentenças e juízos não se pode, nem se pode, nem se poderá apelar a qualquer outro juiz;




VI. Se tens crido e ainda crês que a plenitude do poder do Romano Pontífice se estende a tal ponto que ele pode


transferir os patriarcas, os katholikós, os arcebispos, os bispos, os abades, e qualquer outro prelado, das dignidades em que foram constituídos, a outras dignidades de maior ou menor jurisdição, ou então, toda vez que o exijam os seus delitos, os pode degradar e depor, excomungar e entregar a satanás [I Cor. V, 5];




VII. Se tens crido e ainda crês que a autoridade pontifícia no que concerne
à instituição judiciária, à correção e à destituição, não pode nem deve ser submissa a nenhum poder imperial e régio, nem a outro poder secular;




VIII. Se tens crido e crês que o Romano Pontífice pode sozinho promulgar os sagrados cânones gerais, dar a indulgência mais ampla aos que visitam a sede dos Apóstolos Pedro e Paulo, aos que vão à Terra Santa, ou a qualquer fiel verdadeira e plenamente penitente e confessado;




IX. Se tens crido e crês que todos aqueles que se sublevaram contra a fé romana e morreram em condição de impenitência final são condenados e desceram para os eternos suplícios do inferno.




X. Se tens crido e ainda crês que o Romano Pontífice no que diz respeito à administração dos sacramentos da Igreja, salvo o que pertence à integridade e obrigatoriedade dos sacramentos pode tolerar os diversos ritos das Igrejas de Cristo e permitir também que sejam conservados;




XI. Se tens crido e crês que os armênios que em diversas parte da terra obedecem ao Romano Pontífice e com zelo e com devoção observam as formas e os ritos da Igreja Romana na administração dos sacramentos e nas funções eclesiásticas nos jejuns e nas outras cerimônias, procedem bem e, fazendo estas coisas, merecem a vida eterna;




XII. Se tens crido e crês que ninguém pode ser transferido da dignidade episcopal para a arquiepiscopal, ou para patriarcal ou de katholikós, por autoridade própria, nem por autoridade de qualquer príncipe secular, fosse até o rei ou imperador, ou qualquer outro escorado por qualquer poder ou dignidade terrena.




XIII. Se tu tens crido e ainda crês que só o Romano Pontífice pode por fim às dúvidas que surgem em torno da fé católica, mediante uma deliberação autêntica, à qual se deve aderir de modo irrevogável, e que tudo o que ele mesmo declara ser verdade, em virtude da autoridade das chaves a ele entregues por Cristo deve ser tido como verdadeiro e católico, e o que ele declara ser falso ou herege tal deve ser considerado;




XIV. Se tens crido e crês que o Novo e o Antigo Testamento, em todos os livros que a autoridade da Igreja Romana nos entregou, contém a verdade certa sobre todas as coisas.











S.S. GREGÓRIO XIII: Concílio de Constança: vii sessão:Decreto dos Erros de João Wyclif”. De 04 de maio de 1415. Confirmado por S.S. Martinho V em 22 de fevereiro de 1418.




Erro XLI. Não é necessário para a salvação crer que a Igreja Romana seja superior a todas as outras Igrejas – [Censura:] É um erro, se por Igreja Romana se entende a Igreja universal ou um concílio geral, ou enquanto se nega o primado do Sumo Pontífice sobre outras Igrejas particulares.




S.S. GREGÓRIO XII: CONCÍLIO DE CONSTANÇA: XV SESSÃO: “DECRETO DOS ERROS DE JOÃO HUS”. De 06 de julho de 1415. Confirmado por S.S. Martinho V em 22 de fevereiro de 1418.




Erro VII. Pedro não foi e não é a cabeça da santa Igreja católica.




Erro IX. A dignidade papal teve origem no imperador, e a designação e a entronização do Papa têm sido realizadas pelo poder imperial.




Erro X. Ninguém sem uma especial revelação pode razoavelmente afirmar, de si ou de um outro, que é cabeça de uma Igreja particular; e o Romano Pontífice não é a cabeça da Igreja de Roma.




Erro XI. Não se é obrigado a crer que algum Romano Pontífice seja a cabeça de alguma Santa Igreja particular, se Deus não o tiver predestinado.




Erro XII. Ninguém faz as vezes de Cristo ou de Pedro se não o imitar nos costumes: nenhuma outra seqüela, de fato, deve ser mais fiel. Do contrário, não se recebe de Deus o poder delegado, porque a conformidade dos costumes e a autoridade daquele que o delega são requeridos para o ofício de vigário.




Erro XIII. O Papa não é o sucessor certo e verdadeiro de Pedro, príncipe dos Apóstolos, se vive de modo contrário ao de Pedro; e se pratica a avareza, é o vigário de Judas Iscariotes. É igualmente evidente que os cardeais não são sucessores certos e verdadeiros do colégio dos Apóstolos de Cristo, se não conduzirem uma vida semelhante à dos Apóstolos, observando os mandamentos e os conselhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.




Erro XV. A obediência eclesiástica é uma obediência inventada pelos sacerdotes da Igreja e contra a vontade expressa da Escritura.




Erro XVII. Os sacerdotes de Cristo que vivem habitualmente segundo a sua lei e que têm conhecimento da Escritura e o desejo de edificar o povo, devem pregar, não obstante uma pretensa excomunhão. E mais adiante: Se o Papa ou um outro superior manda a um sacerdote com estas disposições não pregar, o subordinado não deve obedecer.




Erro XX. Se o Papa é mau e, sobretudo, pré-conhecido por Deus como perdido, então, como o apóstolo Judas, é um demônio, um ladrão, um filho da perdição e não é a cabeça da santa Igreja militante, já que nem é membro dela.




Erro XXII. O Papa ou o prelado mau e pré-conhecido por Deus como perdido é falsamente chamado pastor; na realidade é ladrão e assaltante.




Erro XXIII. O Papa não deve ser chamado “santíssimo” nem mesmo em razão do ofício, porque então também o rei deveria chamar-se santíssimo pelo seu ofício, e os verdugos e os bandidos, santos. Mais: também o diabo deveria chamar-se santo, porque é servidor de Deus.




Erro XXIV. Se o Papa conduz uma vida contrária a Cristo, mesmo que tenha subido a sua função por uma eleição canônica e legítima segundo a constituição humana vigente, ele de fato estaria subindo por outra parte que por Cristo, mesmo se ascendesse pela eleição feita em primeira instância por Deus. Pois Judas Iscariotes, em regra e legitimamente eleito ao apostolado por Cristo Jesus, que é Deus, todavia subiu por outra parte ao redil faz ovelhas.




Erro XXVI. Se os eleitores ou a maioria deles se declararam de acordo a viva voz sobre uma pessoa segundo os usos e costumes humanos, nem por isso ela é legitimamente eleita, ou nem por isso é verdadeiro e manifesto sucessor ou vigário do Apóstolo Pedro ou de um outro Apóstolo num ofício eclesiástico. Portanto, tenham os eleitores escolhidos bem ou mal, nós devemos crer naquilo que o eleito faz, pois quanto mais alguém trabalha meritoriamente para o progresso da Igreja, mais recebe poder de Deus para este fim.




Erro XXVII. Não existe o mínimo indício de que, para governar a Igreja nas coisas espirituais, deva haver uma única cabeça que sempre deva estar junto á Igreja militante e ser conservada.




Erro XXIX. Os Apóstolos e os fiéis sacerdotes do Senhor administraram corajosamente a Igreja em tudo o que é necessário para a salvação, antes que fosse introduzida a função papal; e assim ficariam até o dia do juízo se viesse a faltar o Papa, coisa bem possível.




S.S. EUGÊNIO IV: CONCÍLIO DE FLORENÇA: BULA SOBRE A UNIÃO COM OS GREGOS “LÆTENTUR CÆLI”. De 06 de julho de 1439.




Igualmente definimos que a Santa Sé Apostólica e o Romano Pontífice têm o Primado sobre todo o universo e que o mesmo Romano Pontífice é o sucessor do bem-aventurado Pedro, príncipe dos Apóstolos, é verdadeiro Vigário de Cristo, cabeça de toda a Igreja, pai e doutor de todos os cristãos; e que Nosso Senhor Jesus Cristo transmitiu a ele, na pessoa do bem-aventurado Pedro, o pleno poder de apascentar, reger, e governar a Igreja universal, como é atestado também nas atas dos concílios ecumênicos e nos sagrados cânones.




Renovamos, além disso, a disposição transmitida nos cânones a observar entre os outros veneráveis patriarcas: que o Patriarca de Constantinopla seja o segundo depois do Santíssimo Pontífice Romano, o Patriarca de Alexandria o terceiro, o de Antioquia o quarto, o de Jerusalém o quinto, salvaguardados, evidentemente, todos os seus privilégios e direitos.


24 de abril de 2009

Vida de São João Bosco - NO TRIBUNAL DA PENITÊNCIA

CAPÍTULO XIV

NO TRIBUNAL DA PENITÊNCIA

COM OS REINCIDENTES, OS ESCANDALOSOS, OS TENTADOS E OS INSINCEROS.

Para curar certas doenças espirituais bem caracterizadas, sua ciência de confessor sabia aplicar um tratamento admirável ao mesmo tempo na doutrina, na psicologia, na bondade misericordiosa. Vamos ver por exemplo como se comportava com os penitentes recidivos. Como regra, absolvia-os quase sempre, enfileirando-se com este modo de agir ao lado dos moralistas mais compassivos e talvez mais inteligentes, pois são os que não separam o pecado das múltiplas causas internas e externas que os provocaram, favoreceram, estimularam. O que exigia desses escravos do pecado, como prova de arrependimento sincero e de desejo de emenda, era somente a promessa de voltar freqüentemente. - "Amas de verdade a tua alma? era a sua pergunta. Amas, não é? pois então volta a confessar-te de aqui a uns dias". Que sábio que era o seu modo de proceder! Pois é coisa para admirar que o menino, especialmente um aprendiz, um operário, recaia num pecado já cometido? Lembremo-nos de que o Evangelho fala da contra-ofensiva diabólica que se segue a uma conversão. Lá está escrito que o demônio volta a assaltar o coração purificado, com sete espíritos piores que ele! Sete espíritos malignos contra uma pobre criatura humana! É mesmo preciso ter dó das almas que recaem em pecado e não se admirar nunca de que voltem a confessá-lo.



Com os meninos que se achavam expostos a ocasião próxima de pecado ou que a ela se expunham voluntariamente, seu procedimento era bem diverso, e agia com uma firmeza rara. Se a ocasião era de tal natureza que necessitasse a intervenção de um chefe de secção ou de um superior para afastá-la, Dom Bosco fazia com que o penitente pedisse tal intervenção, ao menos por escrito. Se dependia apenas do próprio penitente, então exigia imperiosamente a promessa de fazê-lo e a absolvição era condicionada a esta promessa.

Um dia, os alunos melhores do Santo tinham persuadido um dos pedreiros que trabalhavam numa obra vizinha a ir confessar-se com Dom Bosco para voltar ao bom caminho abandonado fazia uns cinco anos. Os companheiros de trabalho maravilharam-se ao vê-lo voltar com a cabeça baixa e com ar enleado.

- Que aconteceu? - perguntaram-lhe. Não gostou da confissão?

- Gostei e não gostei. Dom Bosco me disse: "Antes de tudo é preciso fugir de tal ocasião de pecado. Depois disso, mas só depois disso, é que poderemos falar do resto". Ele tem razão, não há dúvida nenhuma. Mas eu não sei se vou ter coragem de fazer o que ele me mandou.

Quando o Santo se encontrava diante de um menino ou de um rapaz cuja conduta, palavras e exemplos eram perniciosos aos companheiros, usava de paciência por um pouco de tempo. Mas se o penitente perseverava em sua obra maléfica, ele lhe pedia e até suplicava que deixasse o Oratório. Para isso ensinava o modo de criar uma ocasião aparentemente natural que justificasse a saída sem causar admiração nos demais.

O Padre Francesia conta a esse respeito o seguinte fato: Quando se tratou de erigir uma estátua a Dom Bosco em sua própria terra natal, um dos membros mais ativos da comissão era um ex-aluno do Oratório. esse ex-aluno, entretanto, até essa época não tinha mostrado muita simpatia para com a memória de seu antigo mestre, de sorte que o Padre Francesia se congratulava com ele por essa mudança. Então ele explicou: Não estranhe, Padre. Agora é que eu compreendi quanto bem me queria Dom Bosco. Quem dos senhores poderia suspeitar que eu mereci umas dez vezes ser expulso? Mas Dom Bosco deu uma arrumação tão boa que minha saída pareceu a coisa mais natural do mundo. Deixei o Oratório para ficar numa pensão vizinha e assim pude terminar tranqüilamente os meus estudos. Nessa ocasião não percebi o grande favor que me fazia Dom Bosco, mas à medida que os anos foram passando fui compreendendo cada vez melhor e agora procuro demonstrar o meu agradecimento.

O caso que acontecia mais freqüentemente era o que ele chamava de menino em poder do demônio mudo, isto é, do menino que se envergonhava do próprio pecado e não tinha coragem de confessá-lo.

"Sei de ciência certa, - dizia muitas vezes a seus filhos - que o demônio causa estragos terríveis nas almas de nossos meninos inspirando-lhes vergonha dos pecados cometidos".

"Nos inícios de meu ministério - disse outra vez - tinha convicção de que era dono do coração de meus pequenos penitentes. Acabei por mudar de opinião. Quantas vezes me tive que convencer que o demônio mudo mos tinha arrebatado! - Que fazer então? Rezar, exortar os meninos a terem a máxima confiança no confessor e depois... esperar que Nosso Senhor lhes ilumine a mente e conforte o coração".

Noutra circunstância chegou a dizer

"Dá pena ver o estado de consciência em que se encontram nove décimos de nossos meninos! E não há remédio. Por mais que usemos todos os meios para tornar fácil fazer boas confissões, é tudo inútil. Quando um menino tem a desgraça de esconder um pecado no coração, todos os remédios se mostram impotentes. Festas religiosas, retiro mensal, retiro anual, mortes repentinas de companheiros, nada consegue descoser os lábios desse infeliz".

"Quantas vezes, - afirmou noutra ocasião, - interrogando com muito jeito o meu penitente, vinha a descobrir que me estava escondendo um pecado havia mais de um ano! À minha pergunta cheia de surpresa, respondia infalivelmente: - Que se há de fazer! Faltava-me coragem!"

Para remediar esse mal e para derrotar o demônio mudo, o Santo convidava freqüentemente confessores extraordinários, aumentava os confessores ordinários, industriava-se de mil maneiras a fim de conseguir que as consciências se abrissem. Mais de uma vez aconteceu-lhe aconselhar um menino que lhe estava ajoelhado aos pés: "Olhe, é melhor que você vá confessar suas faltas a outro confessor. E seja sincero com ele; diga-lhe tudo direitinho!"

No mais das vezes, quando o penitente terminava a acusação dos pecados, o Santo lhe perguntava: "Não tem mais nada que lhe pese na consciência?" E essa simples frase sussurrada em tom afetuoso, como que sacudia todo o indivíduo, - dizia um dia um dos meninos - e muitas vezes saía então dos lábios do penitente a confissão de uma falta que ele estava para ocultar.

Uma vez um de seus padres ia sair para pregar uma missão e lhe perguntou ao se despedir

- Que é que o senhor pensa, Dom Bosco, do que diz São Leonardo de Porto Maurício, que "se tivesse de pregar vinte vezes sobre o sacramento da penitência pregaria vinte e uma sobre a sinceridade da confissão?"

- Aprovo plenamente, respondeu o bom pai.

- Mas, então, se esse é um mal tão espalhado, como é que devemos fazer?

- Ora! Que é que faz Dom Bosco? Vai para o confessionário, ajuda da melhor maneira possível aos penitentes para que sejam sinceros, completos, e depois deixa que Nosso Senhor faça o resto. É ele, é sua graça, que deve fazer falar os mudos e torná-los dignos de produzir frutos de penitência.

Do livro Dom Bosco, de A. Auffray SDB

Tradução de D. João Resende Costa,
Arcebispo de Belo Horizonte

22 de abril de 2009

HINO UBI CARITAS

UBI CARITAS

Hino do século IX. Na liturgia do Lava Pés (Mandato) da Missa da V Feira-Santa é cantado com uma pequena variação da letra que é infra-apresentada: Ubi caritas et amor (onde está a caridade e o amor), no lugar do Ubi caritas est vera (onde a caridade é verdadeira).

Abaixo, o hino, disponível para ouvir e fazer download, interpretado pela Schola Cantorum dos Beneditinos de S. Alselmo em Roma, sob regência do Reverendíssimo Pe. Notker Wolf, O.S.B.

DOWNLOAD (em formato .wma)






Ubi cáritas est vera, Deus ibi est.
V. Congregávit nos in unum Christi
amor. V. Exsultémus et in
ipso jucundémur. V. Timeámus
et amémus Deum vivum. V. Et
ex corde diligámus nos sincéro.

Ubi cáritas est vera, Deus ibi est.
V. Simul ergo cum in unum congregámur:
V. Ne nos mente dividámur,
caveámus. V. Cessent
júrgia malígna, cessent lites. V.
Et in médio nostri sit Christus
Deus.

Ubi cáritas est vera, Deus ibi est.
V. Simul quoque cum Beátis
videámus V. Gloriánter vultum
tuum, Christe Deus: V. Gáudium,
quod est imménsum atque
probum, V. Sǽcula per infiníta
sæculórum. Amen.

Onde a caridade é verdadeira, Ali está Deus.
O amor de Cristo reuniu-nos aqui todos.
Exultemos e alegremo-nos n’Ele.
Temamos e amemos o Deus vivo.
E amemo-nos com um coração puro.

Onde a caridade é verdadeira, Ali está Deus.
Tendo-nos reunido aqui, tenhamos cuidado de não estarmos divididos no espírito.
Acabem as rixas e dissenções.
No meio de nós reine Cristo Deus.

Onde a caridade é verdadeira, Ali está Deus.
Fazei que vejamos juntamente com os bem-aventurados,
O vosso rosto glorioso,ó Cristo Deus.
Isto será para nós alegria imensa e pura.
Por todos os séculos dos séculos sem fim. Amém.

20 de abril de 2009

CITAÇÕES SOBRE O PRIMADO DA IGREJA ROMANA, O PRIMADO DO PAPA E A NECESSIDADE DE SUBMISSÃO AO SUMO PONTÍFICE PARA A SALVAÇÃO DA ALMA - PARTE IV

ENCHIRIDION CITATORUM DOGMATICORUM CIRCA COGNICIONEM PRINCIPATUS PRIMATUSQUE SANCTÆ ROMANÆ ECCLESIÆ ET ROMANI PONTIFICI ATQUE CIRCA NECESSITATEM OBEDIENTIÆ EI PRO SALUTE ANIMÆ

VEL

DE PRIMATU UNIVERSO EPISCOPI ROMÆ

Conditor:
Marcos Vinicius Matke

PARS QUARTA

A SÆCULO X AD SÆCULUM XIII


Compêndio de citações dogmáticas acerca do reconhecimento da primazia e primado da Santa Romana Igreja e do Romano Pontífice e da necessidade de submissão a este para a salvação da alma

ou

Da primazia universal do Bispo de Roma

Organizador: M.V.M.

Parte IV

DO SÉCULO X AO SÉCULO XIII









S.S. PASCOAL II: SÍNODO DE LATRÃO. Quaresma de 1102.


Fórmula cuja aceitação foi prescrita a todos os metropólitas.




Eu anatematizo toda heresia e, sobretudo, aquela que perturba a situação presente da Igreja, ao ensinar e sustentar que não se tenha em conta o anátema e que se devem desprezar os vínculos impostos pela Igreja. Prometo, ao invés, obediência ao Pontífice da Sé Apostólica, o senhor Pascoal, e aos seus sucessores, sob o testemunho de Cristo e da Igreja, afirmando o que afirma e condenando o que condena a Igreja santa e universal.



S.S. INOCÊNCIO III: CARTA “APOSTOLICÆ SEDIS PRIMATUS”, AO PATRIARCA DE CONSTANTINOPLA. De 12 de novembro de 1199.



O primado da Sé Apostólica, que não o homem, mas Deus, ou mais acertadamente, o Deus-homem instituiu, é comprovado decerto por testemunhos evangélicos e apostólicos, dos quais procederam em seguida as constituições canônicas, que afirmam concordemente que a santa Igreja consagra no beato Pedro, príncipe dos Apóstolos, se eleva como mestra e mãe sobre todas as outras. Pois ele mereceu ouvir: “Tu és Pedro [...] a ti darei as chaves do reino dos céus” [Mt. XVI, 18].


De fato, ainda que o primeiro e principal fundamento da Igreja seja o unigênito Filho de Deus, Jesus Cristo, segundo o que diz o Apóstolo: “Foi posto um fundamento, Cristo Jesus, e não pode ser posto outro que ele” [I Cor. III, 11], todavia, o segundo e secundário fundamento da Igreja é Pedro, mesmo se não primeiro no tempo, quanto à autoridade, porém, precípuo entre os outros, dos quais o apóstolo Paulo diz: “Já não sois hóspedes e estranhos, mas sois concidadãos dos santos e familiares de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e dos Profetas” [Ef. II, 19].


[...]


Este seu primado, a Verdade o proclamou também pessoalmente quando lhe disse: “Tu te chamarás Cefas” [Jo. I, 42]. Ainda que traduzido como ‘Pedro’, é todavia explicado como ‘cabeça’, a fim de que, como a cabeça obtém o primado sobre todos os outros membros do corpo, já que nela a plenitude dos sentidos tem seu vigor, assim também Pedro entre os apóstolos, e os seus sucessores entre todos os prelados da Igreja, tivessem primazia pelo privilégio da dignidade, enquanto os outros são chamados para tomar parte na solicitude, de tal modo que não lhes falte nada da plenitude do poder. O Senhor lhe mandou apascentar as suas ovelhas, com uma palavra repetida três vezes, para que seja considerado estranho ao rebanho do Senhor quem não quiser tê-lo como pastor nos seus sucessores. Não distinguiu, portanto, entre estas e aquelas ovelhas, mas disse simplesmente: “Apascenta as minhas ovelhas” [Jo. XXI, 17], para que todas compreendessem que foram confiadas a ele.


[...] [É explicado alegoricamente Jo. XXI, 7:] Como, de fato, com o mar se designa o mundo [segundo Sl. CIV, 25] [...], com o seu lançar-se ao mar, Pedro manifestou o privilégio da singular autoridade pontifical, mediante a qual tinha recebido o inteiro universo para governar, enquanto os outros Apóstolos ficaram como que retidos no interior da barca, porque não foi confiado a nenhum deles o universo inteiro, mas antes foram designadas a cada um deles províncias ou Igrejas distintas.


[...] [Um argumento alegórico semelhante é deduzido de Mt. XIV, 28-31:] Pelo fato de ter caminhado sobre as águas, Pedro demonstrou ter recebido o poder sobre todos os povos.


Que por ele rezou, o Senhor declara quando diz, no momento da paixão: “Eu rezei por ti, Pedro, para que não desfaleça a tua fé. E tu, quando fores convertido, confirma os teus irmãos” [Lc. XXII, 32], com isto claramente indicando que os seus sucessores jamais desviariam da fé católica, mas antes chamariam os outros e também confirmariam duvidosos, destarte concedendo a ele o poder de confirmar os outros de modo a impor aos outros a necessidade de obedecer.


[...]


Tens lido, além disso, que a ele foi dito: “Tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus e tudo o que desligares sobre a terra será desligado também nos céus” [Mt. XVI, 19]. Se, pois, tu achas que isto foi dito de modo inclusivo também a todos os Apóstolos, saberás, todavia, que aos outros, não sem ele, mas a ele, mesmo sem os outros, foi atribuída a faculdade de ligar e de desligar, para que o que os outros não podem sem ele, ele mesmo o pudesse sem os outros, pelo privilégio a ele atribuído pelo Senhor, e pela plenitude de poder que lhe foi concedida.


[...]


Pedro viu o céu aberto e uma espécie de receptáculo descendo que arriava do céu à terra como uma grande toalha com quatro pontas e que continha toda sorte de quadrúpedes e de répteis da terra e de pássaros do céu [At. X, 9-12]. [...] E uma voz foi dirigida a ele pela segunda vez: “O que Deus purificou, não o chames profano”. Com isto é indicado de modo manifesto que Pedro foi posto à frente de todos os povos, visto que aquele receptáculo e todo o conjunto de coisas nele contidas significam os povos tanto dos judeus como dos gentios. [...]




S.S. INOCÊNCIO III: IV CONCÍLIO DE LATRÃO: “CAP. V. A DIGNIDADE DOS PATRIARCAS”. De 11 a 30 de novembro de 1215.



Renovando os antigos privilégios das sedes patriarcais, decretamos com a aprovação do santo e universal Concílio, que, depois da Igreja de Roma, a qual por disposição do Senhor, como mãe e mestra de todos os fiéis cristãos, tem o primado de poder ordinário sobre todas as outras Igrejas, a Igreja de Constantinopla tenha o primeiro lugar, a de Alexandria o segundo, a de Antioquia o terceiro e a de Jerusalém o quarto.




S.S. GREGÓRIO X: II CONCÍLIO DE LIÃO: “IV SESSÃO: CARTA DO IMPERADOR MIGUEL AO PAPA GREGÓRIO X”. De 06 de julho de 1274.



“[...] A mesma santa Romana Igreja possui também o supremo e pleno primado e principado sobre toda a Igreja Católica; primado que, com verdade e humildade, reconhece ter recebido, com a plenitude do poder, do próprio Senhor, no bem-aventurado Pedro, príncipe ou cabeça dos Apóstolos, do qual o Romano Pontífice é o sucessor. E assim como está obrigada a defender, mais que as outras, a verdade da fé, assim também devem ser definidas por seu juízo as questões que surgirem a respeito da fé. A ela pode apelar qualquer acusado em matéria que pertença ao foro eclesiástico, e em todas as causas que dizem respeito à avaliação eclesiástica pode-se recorrer ao seu julgamento. A ela estão sujeitas todas as Igrejas, e os seus prelados lhe devem obediência e reverência. Todavia, a plenitude do poder se dá para ela deste modo, que deixa participar de sua solicitude as outras Igrejas, muitas das quais, sobretudo as patriarcais, com diversos privilégios, honrou a mesma Igreja romana, sempre salvaguardada, porém, a sua prerrogativa, seja nos concílios gerais, seja em alguma outra coisa.

18 de abril de 2009

Método de apredizado “Família Romana”

Prezados Salve Maria,

Eis um link indicado por um amigo do Grupo (Sérgio, de São José dos Campos), para um arquivo que ensina um método de aprendizado de latim chamado "Família Romana". Vale a pena conferir!

http://www.mininova.org/tor/2401787

13 de abril de 2009

LADAINHA DA PAIXÃO DE CRISTO

Ladainha da Paixão de Cristo

(De Santo Afonso de Ligório)

Dulcíssimo Jesus, no Horto das Oliveiras triste até a morte, profundamente angustiado, oprimido de agonia, coberto de suor de Sangue,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, pelo ósculo traidor entregue às mãos dos Vossos inimigos, maltratado, atado e preso com cordas, abandonado pelos discípulos,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, pelo injusto Conselho dos judeus julgado réu de morte, entregue a Pilatos, desprezado e escarnecido pelo ímpio Herodes,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, despido, preso a uma coluna e acoitado cruelmente,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, coroado de penetrantes espinhos, ferido na sagrada Cabeça com uma cana, vestido, por escárnio, de um manto de púrpura, saciado de opróbrios,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, mais odiado que um ladrão e assassino, reprovado pelos judeus, condenado à morte da Cruz,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, carregado com a pesada Cruz, caído em terra, levado ao Calvário como o Cordeiro ao matadouro,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, Homem das dores, despojado de Vossas pobres vestiduras, contado entre os criminosos, imolado em sacrifício pelos nossos pecados,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, cravado cruelmente na Cruz, ferido dolorosamente por causa das nossas iniqüidades, quebrantado por causa das nossas culpas,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, escarnecido ainda na Cruz, atormentado e oprimido de dores indizíveis, consumido de sede, abandonado na mais dolorosa agonia pelo próprio Pai Celestial,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, morto na Cruz, traspassado por uma lança à vista de Vossa dolorosa Mãe,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, descido da Cruz, depositado nos braços de Vossa Santíssima Mãe e banhado em Suas lágrimas,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

Dulcíssimo Jesus, ungido e embalsamado pelos discípulos amantes com preciosos aromas, envolvido em lençóis limpos e depositado no santo sepulcro,

Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.

V: Ele verdadeiramente tomou sobre Si as nossas iniqüidades.

R: E as nossas dores Ele as suportou.

Oração:

Ó Jesus, Filho Unigênito de Deus e da Virgem Imaculada, que pela salvação do mundo quisestes ser reprovado pelos judeus, atado com cordas, conduzido ao matadouro como um cordeiro, apresentado injustamente aos juízes Anás, Caifas, Pilatos e Herodes, acusado por falsas testemunhas, ferido com pancadas, saciado de opróbrios e injúrias, cuspido no Rosto, açoitado barbaramente, coroado de espinhos, condenado à morte, despojado dos vestidos, pregado com toda a crueldade na Cruz, suspenso entre dois ladrões, vexado com fel e vinagre, abandonado em tormentosa agonia e, finalmente, traspassado por uma lança: por estes tormentos, Senhor, dos quais nós, indignos filhos Vossos, agora com devoção, gratidão e amor nos lembramos, e pela Vossa Santíssima Morte na Cruz, livrai-nos das penas do inferno, e dignai-Vos conduzir-nos ao Paraíso, aonde levastes conVosco o Bom Ladrão. Tende piedade de nós, ó Jesus, que com o Pai e o Espírito Santo viveis e reinais, por todos os séculos dos séculos. Amém.

10 de abril de 2009


ECCE LIGNUM CRUCIS. IN QUO SALUS MUNDI PEPENDIT. VENITE, ADOREMUS.

Photobucket

Eis o Lenho da Cruz. Nela esteve pendente o Salvador do Mundo. Vinde, adorêmo-la.